
Hoje navego em mar de prata
Uma suave brisa enfola este navegar
Hoje não quero olhar o rumo
Não quero ver no horizonte o chegar
O deuses descansam no Olimpo
Gozam sentados num real tesouro
Recolho este sal da maresia
Sal, prata, incenso, ouro
Paixão, palavras, uma flauta
A ternura a orvalhar os corações
Mil amantes de costas viradas
Um encontro na procura dos meus perdões
A chuva veio ver-me rir
Soltei as penas que me engasgavam
Soltei também as dores lembradas
Aprisionei as mágoas que em minha cabeça viajavam
Sacudi a cabeça
Abri os braços e dançou o amor
Com passos hesitantes
Lá partiu uma ultima dor
Escondida estava
No lado esquerdo do sentir
Uma leveza invadiu-me o corpo
Voei na certeza entre a chegada e o partir
Jurei aos lagos sete juras
Colhi todas as mandrágoras que encontrei
Desenhei uma estrela de sete pontas
Fechei os olhos e em ti pensei
O sortilégio acontece
Quando fica ausente a razão
Quando se parte um compromisso
Há sempre um despedaçado coração
Há sempre um ritual num beijo
Há sempre um doce amargo no desejo
Há sempre algo que fica gravado
Há sempre na espera um verdadeiro ensejo
Há sempre algo que nos prende à Terra
Só sei que a mim tu não te confessas
Serei eu um justo pecador
Ou apenas...Um Pagador de Promessas...


















