
Pisei um tapete de pétalas de giesta
Percorri as entranhas de um adormecido vulcão
Esculpi na lava uma caixa rubra
Guardei dentro um sonho perdido de um coração
A Caixa de Pandora...
Um dia roubei um sortilégio feliz
Não tenho conta das rezas que senti
Não sei se a viagem da vida foi o que quis
Não sei...
Só sei que sabendo aprisionarei o saber
Só sei que o saber é arpão cortando a distância
Só sei que às vezes me quer o querer
Não sei...
Porque partem cedo certas almas
Artista, Rei de patético reino
Canteiro de agrestes mágoas
Vela sem vento, Navio à bolina
Mastro apontando a uma pálida estrela
Saudade presa aos brandais
Rumo perdido na loucura de uma bússola
Corpo dorido, alma que pede amor
Rosa breve perdida na bruma
Vaga de muitas no dormente das pedras
Sal que já foi alva espuma
E respiro mil odores presos ao nevoeiro
Ouço mil vozes, nenhuma chama por mim
Vejo sete viagens, sete horizontes
Amordacei a palavra fim
Calei os gritos da amargura
O sofrimento deixa-me tão aflito
Não sei se vais partir,se ficas
Preso à garganta tenho este infinito grito
Ah sorte que que és madrasta
Como é imenso e terno o sorriso de uma lagoa
Pedirei a Deus, aos deuses o impensável
Pedirei até que a voz me doa
Sou um bruxo que se esqueceu do sortilégio
Um mago de varinha de condão presa num véu
Fiz esta viagem da vida contigo perto e longe minha Irmã
Espera-nos num amanhã...Um Sétimo Céu...
POEMA DEDICADO À MINHA IRMÃ QUE LUTA PELA VIDA NUM HOSPITAL.

















