
O tempo corre em sua em sua invisível viagem
Um Santo nunca dorme no altar
Um barco sobe e desce cada onda do Mar
Um cais de partida também acolhe o chegar
São tantos os mistérios que encontrei na vida
Cruzei com gente desconhecida que conhecia bem
Falei e falo com gente que partiu desta vida
Sinto tanto aroma perdido que este tempo guarda e tem
Cruzei mares com baleias, tempestades e sereias
Furacões, monstros e adamastores
Fiz peças de imensa mágoa e nostalgia
Fiz o amor ser feliz num tear de desamores
Pintei e pinto coisas que me tocam fundo
O pincel nem sempre obedece ao meu querer
Quantas cores terei que juntar à ternura
Para ao fundo da tua alma poder descer?
Almas…
Um corpo que se liberta em cada noite escura
Mãos que tocam e transformam a pedra em ouro
Alquimista sem manto, aspergir o destino com água pura
Não procuro o Graal…
Sei que “Ele” está algures numa gruta desta ilha
Já lá estive e “O” contemplei
Às vezes volto lá para alimentar a alma com a maravilha
Pois é, tão simples são às vezes certos caminhos
A fé dos homens é feita de verdade e mentira
A terra protesta e sussurra-me um rumor
Não rezo, mas, já segurei nas mãos a imagem de Nossa Senhora…
…Dos Anjos
O que senti só se encontra na palavra que do alto desce
Uma cruz derramou em minhas mãos dois pedaços de pedra
Olhei para o céu e vi…A Lâmina e o Cálice…


















