
Um pano de alva cor
Que a bordadeira pontilha a crivo
Linho que um tear uniu fio a fio
Em desenho de um azul vivo
O cantarolar da chuva
Marca o ritmo do pensamento
Um vento que varre os presentes de Outono
Um Sol que aquece o Inverno por um momento
Um vaidoso que se despoja da roupa
Fauno que se mira e gosta
-Vejam suas putas o que perdem!?
Sou inteiro, isto é só uma amostra
Um relâmpago ribomba no ar
Solenemente solta seu raio
Uma flor breve abana, entristece
Um homem é boneco de palha no mês de Maio
Uma cama amarrotada pela passagem do amor
Lençóis que aprisionam o calor
Suspiros espalhados pelo chão
Uma imagem santificada sustenta o louvor
Uma pecadora ungida pela chuva
A sorte e a morte em bravata eterna
As ave marias que uma boca vomita
Para no céu ser, clemente a sua pena
Já não há xailes negros na ilha
Já ninguém liga a agoiros
O mar continua açoitar a costa
Deixando despojos, tesouros
Encontrei um búzio e senti o ouvir
Tudo é deixado no reino do esquecimento
O sentimento é sal, sangue do mar
Hás vezes…Amor, Luxúria e Fingimento…


















