
A música percorre este corredor de silêncio
O mar mesmo ali ao lado parece adormecido
Assaltou-me um sorriso ao pensamento
Uma nota parou em meu peito e ficou comigo
Estou sentado virado para o mundo
As estrelas hoje não iluminaram a ilha
O vento percorre um caminho inverso ao meu
Este pano de cena fechou-se à maravilha
Um catraio inventou uma brincadeiral
Deixou voar um encarnado balão
Nele escreveu um desejo aos anjos
Vi-o perder-se no aceno de mão
Um disco riscado gira aos soluços
Ficou preso numa sofrida nota de violino
Ninguém deu por isso, neste apressado viver
Acho que apenas eu, vivo em desalinho
Acho que nunca achei a minha procura
Acho que às tantas nunca lá chegarei
Será que dentro de mim está tudo
O que ainda não enxerguei?
Alma essa, alma minha, sortilégio
Um bondoso deus assim quis
Que pintasse a loucura e a razão
Não sei se foi isso que fiz
Não sei, nunca soube porque foge a saudade
Porque permanece no peito, nunca morre
Porque a minha é imensa e incontida
Porque me arroxa alma no peito, explode...
...Tanta vez
Parti numa viagem para tanto além
Nunca tive espera em cada cais de chegada
Nunca parei a viagem também
Às vezes tenho vontade de fechar a porta ao sentir
De adormecer o pensamento e voar feliz
Às vezes solto os braços ao vento
Corro no mundo pelos olhos de um petiz
E olho o horizonte para lá do mar
Sei que me esperam mil viagens
No encontro e desencontro com o amor
Fico preso...Entre duas margens...

































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