Caminho dentro da carcaça de um homem
Sou barro mal-parido, consciência cruel
Sou verdade e mentira em guerra eterna
Sou o doce do mel transformado em fel
- Mas quem és tu ó Poeta necromante?
Porque teimas em achar-te o maior da tua rua?
- Sou apenas um deserdado do amor
Sou ninguém que segue por uma estrada nua
- Ninguém!
Já me haviam dito que a tua presunção de mataria
Já se adivinhava que a tua estupidez desse à costa
Uma mesa sem pão, sem vinho, sem estar posta
- Cala-teeeeeeeeeeeeee!!!!!!!!!!!!!!!!
Consciência estúpida e vil
Tenho sede, tenho fome, tenho frio de raiva
Tenho na lembrança os filhos da puta que foram mil
- E tenho o dicionário da merda que diz
“Que filhos da puta é calão”
E tenho, penas tantas, que metem dó
Tenho a minha sombra perdida no meio do chão
- Quero lá saber da tua opinião
Sai da minha alma, deixa-me ser apenas humano meu cabrão
Deixem-me chorar sangue até à última gota
Quero ser excluído da absolvição
- Já quis tudo!
Já naveguei por desertos aos encontrões
Já caí na fundura de sete abismos
E lutei contra moinhos de vento em contradições
- Sei lá por onde andei
Não consigo arrancar da cabeça estas malditas consciências
Será este o rosto da vil loucura?
Ou apenas uma vida com…Intermitências…
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
domingo, 20 de janeiro de 2013
ENSAIO SOBRE A LOUCURA
Hoje acordei num mundo novo
Pensei ter deixado para trás os fazedores do ódio
Hoje senti a lembrança da pura ternura
Hoje senti que minha alma já não era tão dura
Ontem vi chorar uma pessoa
Estou cheio de lágrimas que não consigo verter
Hoje uma estranha calma tomou-me em torpor
Juro que tenho vontade de nunca te mais ver
Mas esta foi também uma noite alucinada
Onde o sonho foi como rajada de emoções
Acordei algumas vezes em total aflição
Já não usas o meu nome, é de pedra negra um coração
Foi sonho, um, dez, mil, um milhão
Pintei o rosto de negro, lavei as mãos à raiva
Prendi uma corda e enforquei a fraqueza
Ainda reverbera em minha alma a tua aspereza
Percorri o absurdo, quebrei os trincos da memória
Cozi as feridas de sete punhais
Fugi de todas as ruas que encontrei
Navegarei preso à verdade dos brandais
Puta da vida, árvore tombada para a morte
Desejo-vos um paraíso de ilusões, muita sorte
Um caminho repleto de dourados presentes
Desejo-vos que a tormenta seja pouco forte
Já não acredito em ninguém
Já não o quero fazer também
Já não plantarei mais as minhas bondades
Já não quero dar seja a quem for as minhas verdades
Pois que morra e se enterre o poeta bondoso
Que alguns chamam de mentiroso e sem formosura
Este escrito é um grande monte de trampa
É o rosto de uma amiga, um Ensaio sobre a Loucura…
Pensei ter deixado para trás os fazedores do ódio
Hoje senti a lembrança da pura ternura
Hoje senti que minha alma já não era tão dura
Ontem vi chorar uma pessoa
Estou cheio de lágrimas que não consigo verter
Hoje uma estranha calma tomou-me em torpor
Juro que tenho vontade de nunca te mais ver
Mas esta foi também uma noite alucinada
Onde o sonho foi como rajada de emoções
Acordei algumas vezes em total aflição
Já não usas o meu nome, é de pedra negra um coração
Foi sonho, um, dez, mil, um milhão
Pintei o rosto de negro, lavei as mãos à raiva
Prendi uma corda e enforquei a fraqueza
Ainda reverbera em minha alma a tua aspereza
Percorri o absurdo, quebrei os trincos da memória
Cozi as feridas de sete punhais
Fugi de todas as ruas que encontrei
Navegarei preso à verdade dos brandais
Puta da vida, árvore tombada para a morte
Desejo-vos um paraíso de ilusões, muita sorte
Um caminho repleto de dourados presentes
Desejo-vos que a tormenta seja pouco forte
Já não acredito em ninguém
Já não o quero fazer também
Já não plantarei mais as minhas bondades
Já não quero dar seja a quem for as minhas verdades
Pois que morra e se enterre o poeta bondoso
Que alguns chamam de mentiroso e sem formosura
Este escrito é um grande monte de trampa
É o rosto de uma amiga, um Ensaio sobre a Loucura…
sábado, 5 de janeiro de 2013
PINTOR
Quando de vi a primeira vez
Senti imediatamente que serias importante para mim
Quando me sorriste a primeira vez
Pensei que que o principio fugia ao fim
Enchi a alma de presentes
Falei todas as noites com gente tão minha em saudade
Que vive para lá desta cinzenta vida
Falei, ouvi, corri, desfaleci, perdi-me numa inventada cidade
Atropelei os pensamentos impuros
Chamei à vida a paixão que me resta
Mordi todas as raivas que plantaram em meu peito
Fechei os olhos e vi uma deusa em festa
Velei os mortos esquecidos num cais
Carreguei um fardo de gastas palavras
Gritei a um surdo de sorriso parvo
Afoguei em água benta as últimas mágoas
Afoguei-me no pranto de sete deusas
Fiquei sem pernas para correr no partir
Ouvi o impossível do acreditar
Chorei tanto que matei o rir
Este poeta perdeu a pena
Levei tempo para encontrar-me na poesia
Lavei, levei o sentimento do descrédito
Achei que as tuas palavras nada tinham de certo
Hoje pacifiquei-me com as cores
Hoje pintei de sol a sol
Hoje fiz uma oração de traço fino
E ouvi uma música em si bemol
Hoje vi uma nuvem transformar-se em aguaceiro
Vi uma árvore despida com uma breve flor
Vi todas as realidades presas à contradição
Hoje quis ser apenas …Pintor…
Senti imediatamente que serias importante para mim
Quando me sorriste a primeira vez
Pensei que que o principio fugia ao fim
Enchi a alma de presentes
Falei todas as noites com gente tão minha em saudade
Que vive para lá desta cinzenta vida
Falei, ouvi, corri, desfaleci, perdi-me numa inventada cidade
Atropelei os pensamentos impuros
Chamei à vida a paixão que me resta
Mordi todas as raivas que plantaram em meu peito
Fechei os olhos e vi uma deusa em festa
Velei os mortos esquecidos num cais
Carreguei um fardo de gastas palavras
Gritei a um surdo de sorriso parvo
Afoguei em água benta as últimas mágoas
Afoguei-me no pranto de sete deusas
Fiquei sem pernas para correr no partir
Ouvi o impossível do acreditar
Chorei tanto que matei o rir
Este poeta perdeu a pena
Levei tempo para encontrar-me na poesia
Lavei, levei o sentimento do descrédito
Achei que as tuas palavras nada tinham de certo
Hoje pacifiquei-me com as cores
Hoje pintei de sol a sol
Hoje fiz uma oração de traço fino
E ouvi uma música em si bemol
Hoje vi uma nuvem transformar-se em aguaceiro
Vi uma árvore despida com uma breve flor
Vi todas as realidades presas à contradição
Hoje quis ser apenas …Pintor…
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
FALSO GRAAL
Inventei a ironia numa toada de vento
Roubei as asas a uma gaivota azul
Colei-lhes um poema cheio de penas
E enviei-o para uma tonta do sul
Inventei um mar numa bola de sabão
Roubei uma corda forte e boa
Atei um rol de mágoa à mesma
E afoguei-as nas águas de uma lagoa
Inventei uma criatura de nome amor
Roubei-lhe a maldade por tempo indeterminado
Pintei suas vestes com as cores do arco-íris
Achei-a feia e fiquei pasmado
Já chega de invenções…
Todas elas saídas de contradições
Apenas uma era verdadeira
Porque foi gerada de mil emoções
Está maluquinho o poeta zinho…!?
Deixou de funcionar este ser em desalinho
Recolheu do prato um ramo de amarguras
Meteu pernas à lonjura do caminho
Andou às voltas até ter dores nas costas
Sacudiu a alma e bebeu um pedaço do céu
Fechou os olhos e sem querer pisou um falso fantasma
Que fez um terrível escarcéu
Eu não dizia que isto são mesmo maluqueiras
E quando assim é só pode dar para o torto
Este poeta pateta já não aguenta com gente
Já parece estar meio-morto
E para fechar a loucura com chave de ouro
Fiquei convencido de ter encontrado um tesouro e coisa e tal
Era apenas uma estranha criatura, qual Eva
De rosto lindo espelhado num…Falso Graal…
Roubei as asas a uma gaivota azul
Colei-lhes um poema cheio de penas
E enviei-o para uma tonta do sul
Inventei um mar numa bola de sabão
Roubei uma corda forte e boa
Atei um rol de mágoa à mesma
E afoguei-as nas águas de uma lagoa
Inventei uma criatura de nome amor
Roubei-lhe a maldade por tempo indeterminado
Pintei suas vestes com as cores do arco-íris
Achei-a feia e fiquei pasmado
Já chega de invenções…
Todas elas saídas de contradições
Apenas uma era verdadeira
Porque foi gerada de mil emoções
Está maluquinho o poeta zinho…!?
Deixou de funcionar este ser em desalinho
Recolheu do prato um ramo de amarguras
Meteu pernas à lonjura do caminho
Andou às voltas até ter dores nas costas
Sacudiu a alma e bebeu um pedaço do céu
Fechou os olhos e sem querer pisou um falso fantasma
Que fez um terrível escarcéu
Eu não dizia que isto são mesmo maluqueiras
E quando assim é só pode dar para o torto
Este poeta pateta já não aguenta com gente
Já parece estar meio-morto
E para fechar a loucura com chave de ouro
Fiquei convencido de ter encontrado um tesouro e coisa e tal
Era apenas uma estranha criatura, qual Eva
De rosto lindo espelhado num…Falso Graal…
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
MARGENS OPOSTAS
Tacteei minha sombra caída
Os ramos de uma magnólia cedem ao vento
Ergui num deserto um castelo de raivas
Segui numa distância infinita ladrilhada de mágoas
Já não posso dar-te a mão, cheguei tarde
Entre ruinas procuro o sentido, a razão
Já não canto aos deuses, não rezo
Já esqueci o sabor do desprezo, não desprezo
Tracei um círculo de solidão
Ausente do meu nome está o chamamento
Jazem mudas as folhas de silêncio
Errantes brumas ao sabor do vento
Percorri um longo e tortuoso caminho
Moro numa casa da memória no topo da saudade
Prodígios de mil cores espalhei pelo caminho
Pintei almas, mentiras, girassóis e singelas verdades
Talvez seja apenas nevoeiro desmoronado pela luz
Um grito ecoando num mar inebriado
Um plantador da sublime palavra
Um arcanjo em luta eterna com o diabo
Lutei tanto por ti…
Luto com espadas de fogo e esperança
Não há idades para amar com amor
Não há barco que nos leve no fugir à dor
Oiço uma soluçante chuva
Uma menina de destroçado coração
Oiço um pássaro chato cantar todas as manhãs
Li gravado num banco de jardim a palavra perdão
Rumores incendiados, céu menstruado de paixão
Mãos urgentes afagam estátuas incompletas
Neste rio de furiosas águas sonhado pelo pintor
Quedo-me só eu e a estupidez em…Margens Opostas…
Os ramos de uma magnólia cedem ao vento
Ergui num deserto um castelo de raivas
Segui numa distância infinita ladrilhada de mágoas
Já não posso dar-te a mão, cheguei tarde
Entre ruinas procuro o sentido, a razão
Já não canto aos deuses, não rezo
Já esqueci o sabor do desprezo, não desprezo
Tracei um círculo de solidão
Ausente do meu nome está o chamamento
Jazem mudas as folhas de silêncio
Errantes brumas ao sabor do vento
Percorri um longo e tortuoso caminho
Moro numa casa da memória no topo da saudade
Prodígios de mil cores espalhei pelo caminho
Pintei almas, mentiras, girassóis e singelas verdades
Talvez seja apenas nevoeiro desmoronado pela luz
Um grito ecoando num mar inebriado
Um plantador da sublime palavra
Um arcanjo em luta eterna com o diabo
Lutei tanto por ti…
Luto com espadas de fogo e esperança
Não há idades para amar com amor
Não há barco que nos leve no fugir à dor
Oiço uma soluçante chuva
Uma menina de destroçado coração
Oiço um pássaro chato cantar todas as manhãs
Li gravado num banco de jardim a palavra perdão
Rumores incendiados, céu menstruado de paixão
Mãos urgentes afagam estátuas incompletas
Neste rio de furiosas águas sonhado pelo pintor
Quedo-me só eu e a estupidez em…Margens Opostas…
sábado, 17 de novembro de 2012
AS FILHAS DE UM FALSO DEUS
Imensa funda e impenetrável noite
Onde as trevas soltam gigantes feitos de sombra escura
Caminheiro, caminhante, sem rumo ou vontade
Teu coração e alma serão ungidos com água pura
A virgindade perdida ao travo do cigarro de uma puta
Um marinheiro tonto de arrogante atitude
Duas maçãs podres atiradas à sargeta
Um sorriso estupido a cantar uma peta
Olá deusa Grega caçadora de orgasmos mentais
Olá gente estupidamente contente
Há tanta estupida pessoa que me acha louco
Algumas dizem coisas que me deixam menente
Mas, que é isto?
O poeta descalçou-se em frente à palavra
Mete-me raiva mulheres agrupadas
Não quero ser semente de perversa lavra
Observado pelo mundo ficou ausente o meu nome
Dispersos pedregulhos de silêncio empurraram-me o ficar
Insondáveis são as teias da maldade
Levanto-me todas as manhãs ausente do amar
Na passagem, vi a memória ausente dos teus olhos
Respiro uma estação já morta
No êxodo das manhãs escrevo a raiva
Há um castelo azul com o azar preso à porta
Uma criptoméria tomba contra a fundura do tempo
Escrevo para que não oiçam o clamor desta nua alma
Escrevo para que ninguém se ache nestas palavras
Escrevo para que nunca esmoreça esta minha chama
No caminho do inverno ouvi o grito do bravio mar
Sentei-me de olhos fechados e lembrei alguns pecados meus
Lembrei pessoas que não mereceram o abraço
Lembrei algumas…Filhas de Um Falso Deus…
Onde as trevas soltam gigantes feitos de sombra escura
Caminheiro, caminhante, sem rumo ou vontade
Teu coração e alma serão ungidos com água pura
A virgindade perdida ao travo do cigarro de uma puta
Um marinheiro tonto de arrogante atitude
Duas maçãs podres atiradas à sargeta
Um sorriso estupido a cantar uma peta
Olá deusa Grega caçadora de orgasmos mentais
Olá gente estupidamente contente
Há tanta estupida pessoa que me acha louco
Algumas dizem coisas que me deixam menente
Mas, que é isto?
O poeta descalçou-se em frente à palavra
Mete-me raiva mulheres agrupadas
Não quero ser semente de perversa lavra
Observado pelo mundo ficou ausente o meu nome
Dispersos pedregulhos de silêncio empurraram-me o ficar
Insondáveis são as teias da maldade
Levanto-me todas as manhãs ausente do amar
Na passagem, vi a memória ausente dos teus olhos
Respiro uma estação já morta
No êxodo das manhãs escrevo a raiva
Há um castelo azul com o azar preso à porta
Uma criptoméria tomba contra a fundura do tempo
Escrevo para que não oiçam o clamor desta nua alma
Escrevo para que ninguém se ache nestas palavras
Escrevo para que nunca esmoreça esta minha chama
No caminho do inverno ouvi o grito do bravio mar
Sentei-me de olhos fechados e lembrei alguns pecados meus
Lembrei pessoas que não mereceram o abraço
Lembrei algumas…Filhas de Um Falso Deus…
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
PEDRA e ÁGUA
Hoje um espelho envelheceu a minha alma
Devorei de raiva o pão da pobreza
Calei-me para melhor ouvir os dias
Escrevi na areia duas palavras, melancolia e tristeza
Desnudei-me à frente das tuas últimas palavras
Ouvi a respiração das eternas estátuas
Entre mim e o teu coração há o clangor das espadas
Conheço o teu nome, a verdade das tuas mágoas
Cinco letras…
Cinco pontas de cadente perdida na aurora
Na loucura de alguns instantes escrevo
Descalço vou adiante num ir longe, embora
Solto das mãos murmúrios sussurrantes
Do basalto explode um bando de pombos bravos, alguns negros
Há um livro branco apenas com a palavra ausência
Há uma carta de marear para um rumo de mil segredos
Flores de solidão crescem em pedaços de fria lava
Um espantalho saltou-me do bolso a remexer
Uma sombra desceu a janela e tocou-me
Cerrei olhos para sentir o que não queria ver
Cobri-me no lume das noites frias
Arderam quietas minhas emoções pungentes
De pássaro me transmutei em alquimia
Num ritual enterrei no barro meus anseios ardentes
Sou um pescador de calmarias
Um apagado trovador perdido da sua sombra
Raras são as pulseiras de pedaços de estrelas
Raras são as palavras de verdade que minha alma lembra
Eles não sabem que “Este Eu” é uma ilha de nostalgia
Uma casa de memória prisioneira da mágoa
Correndo entre o rumor do Mar e a fria bruma
Feito de cru barro, prisioneiro da…Pedra e Água…
Devorei de raiva o pão da pobreza
Calei-me para melhor ouvir os dias
Escrevi na areia duas palavras, melancolia e tristeza
Desnudei-me à frente das tuas últimas palavras
Ouvi a respiração das eternas estátuas
Entre mim e o teu coração há o clangor das espadas
Conheço o teu nome, a verdade das tuas mágoas
Cinco letras…
Cinco pontas de cadente perdida na aurora
Na loucura de alguns instantes escrevo
Descalço vou adiante num ir longe, embora
Solto das mãos murmúrios sussurrantes
Do basalto explode um bando de pombos bravos, alguns negros
Há um livro branco apenas com a palavra ausência
Há uma carta de marear para um rumo de mil segredos
Flores de solidão crescem em pedaços de fria lava
Um espantalho saltou-me do bolso a remexer
Uma sombra desceu a janela e tocou-me
Cerrei olhos para sentir o que não queria ver
Cobri-me no lume das noites frias
Arderam quietas minhas emoções pungentes
De pássaro me transmutei em alquimia
Num ritual enterrei no barro meus anseios ardentes
Sou um pescador de calmarias
Um apagado trovador perdido da sua sombra
Raras são as pulseiras de pedaços de estrelas
Raras são as palavras de verdade que minha alma lembra
Eles não sabem que “Este Eu” é uma ilha de nostalgia
Uma casa de memória prisioneira da mágoa
Correndo entre o rumor do Mar e a fria bruma
Feito de cru barro, prisioneiro da…Pedra e Água…
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
AMARGO NOVEMBRO
São mudas as neblinas nesta ilha
É de pobreza o pão que alimenta o meu sentir
Oiço o mar com os meus próprios dedos
Parti do desencontro dos meus derradeiros medos
Parti e deixei no cais mil dúvidas
Lembrei tempos que corri feliz pelas amoras
Nesses dias bebi sofregamente a vida
Nesses dias a minha alegria era incontida
Estou ausente do amor e desta terra
As memórias secaram numa lagoa inventada
Este barco que me carrega em solidão
Sem trégua será o resto desta história inacabada
Entre mim e o amor existe dúvida e dor
Frias são as pedras de uma casa sem o branco da cal
Este Inverno espalhou presentes dourados sem valor
Este fogo sem chama, este ardor, este frio de falso calor
Sou uma Garça perdida na areia
Anoiteceu no meu olhar
Perdi as penas, perdi-me na terra das ilusões
Perdi-me no mar num sonho que não quero acordar
Já não há música para fazer crescer alegria dos meus gestos
Já não há cores para fazer obra que preste
Já não há alma guerreira para ouvir o que dizem os dias
Já não há lembrança de Primavera neste vento agreste
Eriçado matagal de espinhos
Olá pobreza das estéreis vinhas
Olá gente descrente deste desbotado retrato
Olá palco onde deixei tantas emoções minhas
Apenas resta a brancura dos meus sentires
E pequenas coisas que ainda lembro
Quero apenas ter nos olhos o silêncio
E adormecer neste…Amargo Novembro…
É de pobreza o pão que alimenta o meu sentir
Oiço o mar com os meus próprios dedos
Parti do desencontro dos meus derradeiros medos
Parti e deixei no cais mil dúvidas
Lembrei tempos que corri feliz pelas amoras
Nesses dias bebi sofregamente a vida
Nesses dias a minha alegria era incontida
Estou ausente do amor e desta terra
As memórias secaram numa lagoa inventada
Este barco que me carrega em solidão
Sem trégua será o resto desta história inacabada
Entre mim e o amor existe dúvida e dor
Frias são as pedras de uma casa sem o branco da cal
Este Inverno espalhou presentes dourados sem valor
Este fogo sem chama, este ardor, este frio de falso calor
Sou uma Garça perdida na areia
Anoiteceu no meu olhar
Perdi as penas, perdi-me na terra das ilusões
Perdi-me no mar num sonho que não quero acordar
Já não há música para fazer crescer alegria dos meus gestos
Já não há cores para fazer obra que preste
Já não há alma guerreira para ouvir o que dizem os dias
Já não há lembrança de Primavera neste vento agreste
Eriçado matagal de espinhos
Olá pobreza das estéreis vinhas
Olá gente descrente deste desbotado retrato
Olá palco onde deixei tantas emoções minhas
Apenas resta a brancura dos meus sentires
E pequenas coisas que ainda lembro
Quero apenas ter nos olhos o silêncio
E adormecer neste…Amargo Novembro…
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
O PALÁCIO DA VENTURA
Sonhei que sou um cavaleiro andante
Por passos e pancadas estremecendo
Por sois e mares de ausente cor
Sonhei que carregava do mundo toda a dor
Sonhei com multidões e risos
Com folhas secas espalhadas na boca
Com um arpão vestido de morte
Sonhei com quatro folhas de um trevo sem sorte
Sou um pobre sonhador…
Atormentada mente no esquecimento do mar brincando
Desnudando palavra a palavra
Da narrativa de um amor perdido
Sou apenas um pássaro de silêncio
Gente, pessoas, gritos, contradições
Cólera, mentiras e falsas verdades
Esta raiva, este peito envolto em negras orações
Não acredito em ninguém!
Perdi sentimentos, sinto tão pouco
Porque será que todos acham que não valho nada
Que sou apenas um pobre louco
Pois, que angústia esquelética
Insano é este tempo que me fala da traição
Violentas são as palavras de um poeta caído
Desbotadas estão as cores da paixão
As ruas estão escuras da luz
As pedras choram aos pés deste caminhante
São de revolta as pétalas de uma rosa breve
São de pano-cru as vestes desta alma de nigromante
Mais uma vez divaguei pelas palavras que encontrei
A loucura afugentou o que restava da ternura
Coroei-me de rei-bobo em pose de tolo
E adormeci no…Palácio da Ventura…
Por passos e pancadas estremecendo
Por sois e mares de ausente cor
Sonhei que carregava do mundo toda a dor
Sonhei com multidões e risos
Com folhas secas espalhadas na boca
Com um arpão vestido de morte
Sonhei com quatro folhas de um trevo sem sorte
Sou um pobre sonhador…
Atormentada mente no esquecimento do mar brincando
Desnudando palavra a palavra
Da narrativa de um amor perdido
Sou apenas um pássaro de silêncio
Gente, pessoas, gritos, contradições
Cólera, mentiras e falsas verdades
Esta raiva, este peito envolto em negras orações
Não acredito em ninguém!
Perdi sentimentos, sinto tão pouco
Porque será que todos acham que não valho nada
Que sou apenas um pobre louco
Pois, que angústia esquelética
Insano é este tempo que me fala da traição
Violentas são as palavras de um poeta caído
Desbotadas estão as cores da paixão
As ruas estão escuras da luz
As pedras choram aos pés deste caminhante
São de revolta as pétalas de uma rosa breve
São de pano-cru as vestes desta alma de nigromante
Mais uma vez divaguei pelas palavras que encontrei
A loucura afugentou o que restava da ternura
Coroei-me de rei-bobo em pose de tolo
E adormeci no…Palácio da Ventura…
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
CREPUSCULO
Não voam anjos pelos cantos da tua casa
Não preciso inventar mais a terra
Sopram ventos de melancolia
Transparente é o cinza que a tua alma encerra
A minha pobreza é a falta de um par de asas
Encontrei um lugar de reinvenção das sombras
Pensei virar as costas ao tempo e ao deslumbramento
E aí houve estranhamente o amanhecer das minhas palavras
Procurei na memória corredores esquecidos
O esquecido segredo das penumbras
Mas há palavras que me aprisionam à realidade
Este arrochar de alma, estas frias brumas
O orvalho das manhãs é poesia de água
Soltei um grito preso na força da minha voz muda
Deixai-me criar epitáfios em barcos naufragados
Deixai-me ser o personagem sem rosto de uma perdida lenda
Por maldições meu corpo é árvore solitária
Ventos fortes, mares estranhos, perdidas águas
Quero esculpir o ruído do silêncio
E fazer um rosto de cravadas mágoas
No canto da rua sou vagabundo bebendo a vida
Uma hortência que se inclina sobre a terra nua
Uma oração nos olhos parados de um homem sentado
Uma casa de branca cal de uma ausente rua
Há quem beba a vida de um só trago
Este absinto tem a sabor do fel
Não há sol que aqueça o terror da solidão
Não há no sal da maresia a quentura do mel
Este é o poema que a mim mesmo não prometi
Escrevi-o no primor do escrito maiúsculo
No Palácio carbonizado do poema
Gravei o último raio de um perdido...Crepúsculo...
Não preciso inventar mais a terra
Sopram ventos de melancolia
Transparente é o cinza que a tua alma encerra
A minha pobreza é a falta de um par de asas
Encontrei um lugar de reinvenção das sombras
Pensei virar as costas ao tempo e ao deslumbramento
E aí houve estranhamente o amanhecer das minhas palavras
Procurei na memória corredores esquecidos
O esquecido segredo das penumbras
Mas há palavras que me aprisionam à realidade
Este arrochar de alma, estas frias brumas
O orvalho das manhãs é poesia de água
Soltei um grito preso na força da minha voz muda
Deixai-me criar epitáfios em barcos naufragados
Deixai-me ser o personagem sem rosto de uma perdida lenda
Por maldições meu corpo é árvore solitária
Ventos fortes, mares estranhos, perdidas águas
Quero esculpir o ruído do silêncio
E fazer um rosto de cravadas mágoas
No canto da rua sou vagabundo bebendo a vida
Uma hortência que se inclina sobre a terra nua
Uma oração nos olhos parados de um homem sentado
Uma casa de branca cal de uma ausente rua
Há quem beba a vida de um só trago
Este absinto tem a sabor do fel
Não há sol que aqueça o terror da solidão
Não há no sal da maresia a quentura do mel
Este é o poema que a mim mesmo não prometi
Escrevi-o no primor do escrito maiúsculo
No Palácio carbonizado do poema
Gravei o último raio de um perdido...Crepúsculo...
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
EU PESSOA ME CONFESSO
Se o mar adormecer em desvario
As ondas não mais se formarem
Se as gaivotas se perderem do ninho
As árvores mais altas tombarem
Se o dia não encontrar a manhã
As nuvens deixarem de chorar água pura
Se as pedras da ilha roubarem a cor ao verde
As tuas palavras deixarem de ser raiva dura
Tantos “ses”
Tanta loucura encoberta em preconceito
Tanta lama vertem certas bocas
Tanta pequenês vestida de despeito
Isto hoje nada bate certo
Este poeta sem rima não passa de uma cabeça esperta
A poesia sem nostalgia é apenas palavra seca
Um número vezes dois às nem sempre é conta certa
Pois é, a metáfora pregou-me uma partida
Decidiu dar uma volta por achar que esta poesia era torta
Jamais terei vontade de me encontrar com a ternura
Na puta da vida nunca encontrei gente pura
Encontrei negromantes, máscaras e outras tontices
Gente ornamentada de tolices e outras mafarriquices
Gente contente por ter a alma cheia de vento
E um gajo enganado no rumo certo
Encontrei-me com aquilo que julguei ser o amor
Desencontrei-me na voragem da maldade
Juro que nunca marquei encontros com a estupidez
Juro pelas alminhas que perdi o rumo da saudade
Sem rumo mas com altivez e aprumo
Com uma caixinha minha e não de pandora
Onde guardo um pacto divino
Onde permanece apenas um sentimento que nunca foi embora
Que raio de lenga-lenga urdi para aqui
Ás vezes o que sou esqueço
Hoje deu-me para esta disparateira
Eu Pessoa me Confesso
As ondas não mais se formarem
Se as gaivotas se perderem do ninho
As árvores mais altas tombarem
Se o dia não encontrar a manhã
As nuvens deixarem de chorar água pura
Se as pedras da ilha roubarem a cor ao verde
As tuas palavras deixarem de ser raiva dura
Tantos “ses”
Tanta loucura encoberta em preconceito
Tanta lama vertem certas bocas
Tanta pequenês vestida de despeito
Isto hoje nada bate certo
Este poeta sem rima não passa de uma cabeça esperta
A poesia sem nostalgia é apenas palavra seca
Um número vezes dois às nem sempre é conta certa
Pois é, a metáfora pregou-me uma partida
Decidiu dar uma volta por achar que esta poesia era torta
Jamais terei vontade de me encontrar com a ternura
Na puta da vida nunca encontrei gente pura
Encontrei negromantes, máscaras e outras tontices
Gente ornamentada de tolices e outras mafarriquices
Gente contente por ter a alma cheia de vento
E um gajo enganado no rumo certo
Encontrei-me com aquilo que julguei ser o amor
Desencontrei-me na voragem da maldade
Juro que nunca marquei encontros com a estupidez
Juro pelas alminhas que perdi o rumo da saudade
Sem rumo mas com altivez e aprumo
Com uma caixinha minha e não de pandora
Onde guardo um pacto divino
Onde permanece apenas um sentimento que nunca foi embora
Que raio de lenga-lenga urdi para aqui
Ás vezes o que sou esqueço
Hoje deu-me para esta disparateira
Eu Pessoa me Confesso
sábado, 24 de março de 2012
A LOJA DAS TENTAÇÕES

São de açúcar os sonhos de uma criança
São de algodão as nuvens que vi esta manhã
São de sal os diamantes do colar que te dei
São verdadeiros os sentimentos que pareceram palavra vã
Uma boneca de olhos que abrem de espanto
Um cavalo de madeira perdido do carrossel
Um cálice cheio de berlindes de vidro
Uma mascara de palhaço pintada a pincel
Um pião que ganha vida
Uma corda para saltar bem comprida
A trotineta jaz num canto partida
Um coração recorda uma dor esquecida
E abre-se uma caixinha de madrepérola
A bailarina rodopia imponente mais uma vez
A melodia despertou a ternura
Uma alma desnudou-se para mostrar ser pura
O amor floresceu no sótão
Um colo foi conforto de imensa saudade pura
Uma cópula foi intensa vertigem
Umas unhas cravaram-se num misto de luxúria e candura
Os braços de madeira abraçam com força
Um pai natal caiu de uma prateleira
Vale meio tostão uma estúpida opinião
Vale um milhão, uma lembrada sensação
Não vale nada a puta da vida!
Às vezes tenho um profundo ódio pelas pessoas
Às vezes dou por mim a comparar
Às vezes há pessoas à venda para comprar
Agora sem querer senti raiva
Já voltei à condição de bom rapaz
Passou depressa essa sensação
Voltei a encher a alma de paz
Estava a falar de brinquedos de criança que não tive
Tive estaladas, muita luta na viagem e alguns sermões
Mas tive e tenho todos os sonhos para sonhar
Embora às vezes pare na montra da…Loja das Tentações…
domingo, 18 de março de 2012
DAMA DE OUTONO

O meu pranto escondeu as sílabas de uma palavra
O meu céu não precisa de Sol para ser azul
A minha emoção transbordou nesta clara manhã
Tal como as incontidas águas que correm para sul
Este Inverno que o meu querer instaurou
Tem o rosto coberto por densa bruma
Tem a força de todas as marés esta emoção
Que devolvi hoje à espuma
Soltei os sentidos na procura do sentir
Agarrei as crinas de uma teimosa ventania
Cavalguei uma nuvem que adormeceu no alto de uma cumeeira
Parei para chorar uma árvore que no chão jazia
As flores despertaram mais cedo
De um sono aprisionado em mil noites de solidão
Aromas selvagens inundam a ilha
Evocando uma perdida paixão
Apaixonadamente um pássaro cantou na madrugada
O aplauso das folhas obedece ao querer do vento
Onde dormem as gaivotas ao fim do dia?
Onde dormem os barcos em que há tempos eu partia?
Parto em cada anseio
Numa viagem com o nome de solidão
Não sei se são de mortas folhas este caminho
Só sei que é de frio barro este chão
E rio, soltando uma louca gargalhada
E voo sem medo do cair
E aprisiono uma amargura sem sentido
E sinto que a distância é o fim do partir
E fico ficando sem querer ficar
Fecho os olhos e vejo a cor do desengano
No vestido de perdidas cores
De uma…Dama de Outono…
domingo, 11 de março de 2012
LUZ DA VELA

Hoje criei um passo de Cristo
Solicitei uma Verónica à canção
Senti a emoção de uma multidão
Olhei uma Virgem de destroçado coração
Que conversa poética dirão ou pensarão
Mas foi assim que tudo aconteceu
Pediram-me para fazer um espectáculo
Em que o artista era Jesus e a vida perdeu
Hesitei mil vezes na coreografia
Um Romeiro repetia que a cruz era para arrastar
Os soldados para maltratar
Maria Madalena para amar
Amar…
Amei cada palavra da canção que decidi
Cada movimente de actores puros
Um misto de emoção e alegria senti
Amar…
Esta é uma espécie de sina ouro
Sentir a vida como um pássaro
Que colhe uma semente como tesouro
A banda tocou tristeza acompanhar
As opas eram de cor púrpura
Quanta devoção meu Deus
Na alma de gente que a fé procura
Às vezes perco a fé
Às vezes a demanda é maior que o guerreiro
Às vezes chego depois de ter passado a maldade
Às vezes a dúvida chega primeiro
Mas sou feliz, às vezes como um petiz
Foi assim que hoje me senti ao encenar
O encontro de uma Mãe e um filho
Que transformaram dor em verbo amar
A procissão passou no longe
Abandonei aquela Vila, mas antes orei numa capela
Pedi que o meu sonhar voasse para lá da maldade
Num altarinho bruxuleava a…Luz da Vela…
segunda-feira, 5 de março de 2012
QUATRO ESTAÇÕES

São de sol os limões de Abril
As águas correm na sua eterna viagem
Este azul que pinta a ilha tem cores mil
O tempo engole a vida em alucinada voragem
Uma estação para cada ano
Um ano para cada paixão
Um voo para o horizonte e mais além
Um firme bater de apenas um coração
Nunca dorme o Mar
A luz é companheira da aurora
Sempre soube que a saudade não morre da idade
Às vezes fico na vontade de ir embora
Às vezes sinto uma força divina
Uma fome de trigo e utopia
Às vezes caso os sentimentos com a terra
É no mar que adormeço na maresia
E foram quatro, oito, sete
E foram finais e fins do dia
Foram campos de uvas doces
Foi felicidade de alma que só sofria
Atirei mil raivas ao céu
Rasguei o azul desta tela desbotada
Enfrentei os receios da morte ao passar por mim
Caí, mas ergui-me de corpo e alma amarrotada
Quantas estações tem um coração?
Há gente que vive num longo e infinito inverno
Há gente que diz que não valho grande coisa
Que importa o que dizem deste poeta terno
Serei demiurgo de uma comédia escrita por tontos?
Nada sou, serei nada no vazio de uma estação qualquer
Quanto ódio às vezes sinto brotar de seres vazios
Quanta gente que não sabe ser homem, mulher
As vezes choro só
Faço brotar a cada lágrima sonhos aos milhões
Pinto de todas as cores o caminho que percorro
Porque é a penas uma a paixão em…Quatro Estações…
quinta-feira, 1 de março de 2012
MÃOS QUE TOCAM
Toquei a entrada para um labirinto
Bebi num trago um cálice de absinto
Senti o frio de uma pedra negra
E uma criatura convencida que minto
Vendei meus olhos para sentir melhor
Briguei com a minha vontade furiosa
Há um tempo em que tudo irradia luz
Há quem sem ser sente ser esposa
Há quem ame sem saber a razão
Há um perdão para cada pecado
Há uma absolvição para o justo
Há um coração que nasceu assombrado
E depois vem apressada a vida
Encostando à alma um cínico relógio
São sete os minutos para um homem provar ser deus
São de pedra alguns corações ateus
Uma cortina de luz percorre o instante
Um relâmpago rasga o profundo descrédito
Um mar calmo aprisiona a solidão
Um tanso diz “no amor acredito”
Vejam lá isto que de poesia nada tem
Um poeta a falar de si ou de alguém
A loucura não tem como alvo a razão
Uma boca impura tem o sabor a desdém
Mas espera aí
As minhas palavras decidiram ser elas próprias
A minha alma uma porta que perdeu a chave
E a poesia ser traços sem cor em folhas já mortas
Há sempre alguém no encontro destas palavras
Há sempre um encontro no desfazer do labirinto
Há sempre alguém que se veste de contradição
Há sempre alguém que engole o sim para dizer não
E há o amor
Dito em palavras que da alma escapam
Há um infinito sentir que tão poucas vezes acontece
Há tanta verdade em umas…Mãos que Tocam…
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
VISIONÁRIO

Sou um descrente de gente
Um ser apressado na rota da vida
Alguém que não sabe exprimir alguns sentires
Que no peito arrocha esta dor sentida
Segui o balanço deste barco de papel
Segui uma gaivota a caminho do norte
Segui uma vaga que me salpicou com espuma
E desisti deste seguir numa toada de vento forte
Fechei os olhos para ver os contornos de uma lembrança
Lembrei os aromas de uma manhã em branca areia
Senti as cores de uma acácia rubra
Senti no corpo as águas de uma maré cheia
Mergulhei num Mar de lusas lembranças
Encontrei um cavalo marinho de chapéu de coco
Fez-me uma vénia de escárnio
Esqueci o respirar no encontro de uma baleia boto
E a loucura, minha fiel companheira
Empurrou-me mais fundo para o vale do absurdo
Veio ao meu encontro um anjo-do-mar
Tocou-me a razão e fiquei mudo
Também já não lidava nada bem com a palavra
Os sons ferem-me a alma ao seu toque
Deixei que me descobrissem de todos os pesares
E uma raia acordou-me desta coisa tonta com um forte choque
Com toda esta confusa demanda nem sei onde fui parar
Que importa o sítio quando não se quer chegar
Que importa abrir a alma a um descrente
Que não constrói um mantra por não saber rezar
Que importa deixar de fazer da palavra uma construção
Uma corrente que se desprende da palma de uma mão
Se as grilhetas não tocam numa alma livre
Se a verdade é mentira e a dúvida a máscara da razão
Às vezes dá-me para isso
Escrevo sem tino nas águas de estuário
Espero que ninguém me ligue ou dê importância
Sou apenas um pobre louco…Visionário…
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
TABU

Soltam-se os trincos da memória
Apagou-se um sorriso na minha lembrança
O dia perdeu-se na noite em assombração
As ondas no mar pararam sua dança
Às vezes o meu olhar enche-se de certezas
No meu peito pára este apressado querer
As mãos mergulho em água fria
Esta sede está morta sem saber
Morrem as mágoas na areia
Uma mortalha de espuma cobre um último pesar
Uma boca foi cosida a ferro rubro
Para não mais soltar a palavra amar
Corri num manto verde numa procura
Tropecei num Duende medroso mais morto que vivo
Desventrei a terra na procura de um peixe azul
E encontrei com quatro folhas um rubro trevo
Estou sempre a encontrar coisas estranhas
Uma vez encontrei um anjo alucinado
Uma mulher que disse ser dona da paranóia
E até uma fogueira de fogo acabado
Encontrei as cores todas que o olhar permitiu
Um ser que mostrou os dentes e nunca riu
Um monstro de sete cabeças irado
E um barco afundado que nunca partiu
Encontrei aquilo que achava ser o amor numa aurora
Fiz amor com amor como se fosse demanda
Fiz uma peça em que no fim ninguém ficava
Encontrei uma criança feia que achei linda
Tive um encontro com um Deus colérico
Que me falou no cínico ser que eras tu
Fechei a porta do vale dos lamentos
E fiz deste poema um… Tabu…
sábado, 11 de fevereiro de 2012
A DESCRENÇA DE UM DEUS

Nem sempre vemos passar a virtude
Nem sempre a estupidez tem rosto
Nem sempre a saudade dura para sempre
Nem sempre a paixão acaba em desgosto
Cumprimentei hoje um assobiador
Ouvi uma voz cantar a minha música
Abri a alma à emoção contida ao lembrar
Que a escrevi numa tarde de calmaria
Passei por uma criatura de mãe estendida
Há bocas que pedem pão em oração
Há gente que vira as costas de forma tonta
Há gente que tem uma falsa emoção
Há crentes e descrentes
Palhaços, fantoches e foguetes para arraial
Caminho para caminhadas e erva para fumar
Um sentimento de pena que nada leva a mal
Barracas, bandas e outras tangas
Vigaristas disfarçados de gente séria
Professores disfarçados de professores
Uma riqueza que foge à miséria
E há os meninos de coro
Os bestiais que detestam as bestas
Olhos que choram sal sem cor
Peitos vazios de puro amor
Encontrei três anjos no caminho de casa
Um triste, um alegre e outro adormecido
Colhi de uma árvore morta
O sentimento não querer estar contigo
Agarrei na pena e amarrotado papel
E lavrei estes desabafos meus
Descri hoje mais uma vez das cores do Mundo
E vi no rosto de um pedinte…A descrença de um Deus…
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
PINTOR

Pintor nascido na ilha
Pintas Anjos negros e céus de rubra cor
Os olhos que choram não mentem
Um coração sincero transborda a dor
Hoje o céu menstruou ao findar do dia
O sul sossegou em calmaria
Há tanto que não te ouvia
Neste chegar adormeci e sonhei que partia
Um cavalete na espera de alva tela
Uma paleta com as cores do rubor
Um corpo nu, presente de uma deusa
Que faz do sortilégio um momento de amor
Negros intensos, terras aprisionadas num tubo
Olhos que reflectem um dom
Já me disseram que tinha um, talvez mais um
Não sei se é mau ter algo assim, ou bom
Tenho na alma um cofre de palavras
Tenho uma palavra que nunca direi a ninguém
Tenho uma janela entre dois mundos
Tenho um sonho em que nunca vejo o rosto de alguém
Conheço a assobiadora força do vento
Um caminho secreto onde não há marca de passos
O ribombar da vaga na pedra submissa
Um mágico que transforma um sorriso em dois palhaços
Conheço amargura, tem a cor da terra pura
A tristeza com pinceladas de incerteza
Um arco-íris feito de sol e chuva de uma perdida nuvem
Uma tela só com desenho ao calha, mal talhado em beleza
Rasguei esta tela onde pintei sete vidas
Sete corações a latejar em manto de cetim azul
Sete orações que aprendi numa igreja de negra pedra
Sete casas, uma delas, virada a sul
E derramei todas as cores no Mar
A espuma prendeu apenas uma cor
As outras foram engolidas pelo azul
Amordaçou as mãos e o querer, este…Pintor…
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