domingo, 30 de junho de 2013

VIDAS INDECISAS


Manhã de cinzenta neblina
O Sol adormeceu na noite
Este dia corre em agonia
Este desencanto, esta nostalgia

É tão triste combater o destino
É tão insensato amarrar o coração
É tão cruel atirar fora a ternura
É tão estupido viver na sombra da solidão

Pessoas…!
Apenas pessoas de cabeça perdida na dúvida
Tenho pena de muito poucas vezes gostar
Aflige-me o amor, sentir amar

Pessoas…!
Vestidas de infinita crueldade
Tenho um sentido, uma rua nesta vida
Tenho arroxada no peito uma saudade

Pessoas…!
Ingreme enseada de duras palavras
Orgulho sem fulgor cego, solitário
Ribeiro furioso correndo ao contrário

Poeta…!?
Não sejas tonto, pateta
As pessoas são isso, são assim
Algumas confundem o começo com o fim

Por isso é tão triste combater o destino
Tão triste voar sem rumo ou encontro
Deixar de sentir a força suave de cada maré
Ser árvore, morrer de pé

Mas sou feliz…!
Porque dentro de mim há uma razão abrasadora
Há uma inquestionável verdade nua e resplandecente
Há uma esperança viva, não quero que morra

E há tu, e tu, e tu e tu…nada!
Gaivotas, pedras, ilhas perdidas
E há um Mundo que criei para plantar verdades
E há tristeza tanta…Vidas Indecisas…

quinta-feira, 27 de junho de 2013

IMENSAMENTE


Hoje senti o odor de sonhos passados
Veio ao meu encontro uma melodia chorosa
Trago do amor um travo amargo sem saudade
Trago no peito uma inventada cidade

Senti a sombra de uma melodia de Chopin
Segui a rumagem das folhas de verão
Toquei em voluptuosas hortênsias azuis
Uma delas arroxou-me o coração

Sou terra com sede de sol e céu
Elevando as mãos ao destino
Sete degraus e eu parado no meio
Uma escarpa alta, o voo sem receio

Por onde andará o errante nevoeiro?
Uma ilha é feita de pedra e nostalgia
Sou apenas a espuma de uma solitária onda
Sal que se solta no ar e às vezes brilha

Por onde andas tu?
Melhor, por onde anda a tua confusa alma?
Onde mora a tua perdida razão?
Porque habitas este mar de solidão?

As primeiras amoras embaladas pela brisa
A calmaria, o chamamento de amor das cagarras
Uma andorinha do mar que se perdeu
Um coração solto de todas as amarras

Um sorriso franco e cativante
A luz que que desmorona os muros de lava
As uvas ainda são amargas em Junho
Uma mulher que não sabe se ama ou amava

Tão quietas as pedras, ouvem o Mar
Serenos sãos os olhos quando se ausenta a dor
Este lume que aquece um querer somente
Este homem que sente…imensamente…

domingo, 16 de junho de 2013

MAR DE TODAS AS EMOÇÕES


Hoje senti-me dono do céu
Ouvi nas folhas dos jarros o silêncio da ilha
Procurei a respiração de um Sol de verão
Tive um momento de fogo, uma boa má sensação

Ouvi os passos da água
O estrondoso cavalgar de ondas impacientes
Vieram ao meu encontro odores azedo e doce das maçãs
Um tremente som de sino rasgou-me as minhas esperanças vans

Talhei na passada um rosto
No tremor da tarde procuro o encontro com o nada
Não sei se regresso no encontro de uma saudade
Não sei ouvir na vida uma real verdade

Tão confuso está este poeta pateta
Hoje não és dono do céu ou coisa alguma
És apenas um demiurgo da puta da vida
Uma gota de sal na confusa espuma

Oiço na distância os risos de troça
Sou um negro cisne sem canto
Chego aqui com a terra nos dedos e tão pouco
Alguns chamam-me de mestre outros de louco

Que importa ser alguma coisa em árvore morta
Nas escarpas desta ilha deixo traços meus
Serei um pescador de sonhos ou ventos
Ou um sonhador dos mil pensamentos ateus

Um trovador das encantadas sombras
Um trapo que à noite tomba
Um a janela que se fecha em úmida agonia
Um raio de luz pálida, fugidia

Já não procuro à muito uma maçã escondida
Já não descubro o pão e mel no avental de minha Mãe
Cresci num nascimento mal parido e senti-me perdido
Fui herói nos sonhos e medo escondido

Ora vejam bem o que é um mau poema
Saído da pena de um homem morto pelas ilusões
Às vezes o poeta sem pecado peca
E solta uma lágrima neste…Mar de Todas as Emoções…

sexta-feira, 7 de junho de 2013

MENINA DO MAR


Se for corrompido meu corpo
Se morrer por não saber senão assim ser
Se a minha palavra deixar de voar
Se as mãos deste poeta não encontrarem um olhar

O eco das tuas palavras reverbera
O fato que abandonei na cadeira
Tinha o aroma de uma rosa breve
Uma amora madura, uma dor certeira

Este é o tempo das buganvílias
As últimas chuvas fecundaram as hortênsias
Há uma criatura encontrada na desordem das marés
Há uma orquídea de coral atirada ao convés

Deixei um murmúrio preso ao ramo de uma faia
Lancei sementes à água dormente
Deixei-te nos cabelos uma coroa
Deixei-te na alma um presente

As palavras desta terra foram sangue e vinho
Da respiração das pedras fez-se melodia
Insondáveis esplendores habitam teu coração
O fascínio do mar preso a uma inquieta mão

Na errância dos pesares
Encontrei a espera de uma casa
Naufraguei nos escolhos de um destino
Há sempre um ir, um caminho

Há sempre cânticos na madrugada
Guardei lágrimas que secaram em lenços antigos
Aconcheguei uma réstia de alegria no abraço
Lancei um avião de papel ao espaço

Voei nele sem rumo ou distância
Há tantas feridas abertas por sarar
Há um areal com penas das gaivotas
E pegadas de uma…Menina do Mar…

quarta-feira, 5 de junho de 2013

MANHÃ AZUL


Percorro os caminhos que me levam os passos
Fecho os olhos para ver melhor a paixão
Habito um Mundo de tormenta e dor
Não sou, nunca serei ilusão

Hoje escrevo para ti apenas
Com uma pena de tinta azul
Parei na vida por um instante
E um Anjo sorriu-me vindo do sul

No desencontro de mil vidas
Encontrei uma de flor singela
Um abraço que recolhe a ternura
Encontrei uma ilha de formosura

Quantos caminhos na procura do rumo
Quanta dúvida nesta minha alma habita
Um pássaro falou-me de ti
Descobri que ainda ardem sentimentos e sorri

…E escrevo só para ti
Quero ler o que dizem as tuas palavras
Quero descobrir o esplêndido das suas cores
Quero fechar este livro de folhas negras e gastas

Quero embriagar-me de sol
Beber a magia do luar de agosto
Voar nas asas de uma cagarra
Poisar na esperança ao sol-posto

Sei, sempre soube o meu rumo
Sempre saberei para onde ir
Sempre soube que não sou deste Mundo
Ficar, viver, voar, abraçar, lançar âncoras ao partir

E escrevo só para ti…
Para que saibas que o Sol brilha mais a Sul
Parei no tempo, abracei um Anjo…
No despontar desta …Manhã azul…

segunda-feira, 3 de junho de 2013

PIANO


Pensei saltar por cima da vida
Atirar o corpo no vazio de um penhasco
Mas o Sol apareceu radioso
Um anjo que conheço deu-me a mão radioso

Pensei nas pessoas
Como mudam de máscara a cada passo
Pensei em Deus e no Diabo
E confundi a bondade em confuso estado

Percorri anos de labuta e dor
Pintei tanto azul, tanta flor
Na minha casa ainda floresce a paixão
Em minha alma ainda arde o amor

Na minha casa não há mentira
Plantei a verdade e reguei com ternura
Já cá não floresce raiva e ódio
Apenas uma criança de alma pura

Neste peito incandescente
A lava ardente aprisionou uma lágrima
Às vezes choro mil penas
Sou um homem a caminhar na vida apenas

Uma ilha…!
Onde moram todas as culpas do Mundo
Um barco sem vela ou bussola
Um oceano onde guardo o meu mais profundo

Um orgulho sem preconceito
Pedra sobre pedra, morada com aroma de pão
Quanta pedra me atiraram
Retribuo com a bondade em aberta mão

Tudo isto me ocorreu esta manhã
Às vezes fico assim, confuso estranho
Porque o meu silêncio foi quebrado
Pelas notas de um…Piano…

terça-feira, 28 de maio de 2013

AS CORES DA FÉ


Construí uma história sem guião
Sou herói de uma comédia triste
Cavaleiro andante, moinhos de vento
Escudo e espada de lata em riste

Não!
Sou apenas mais uma alma da ilha
Um caminheiro do dia da procissão
Uma fonte, uma lágrima, a emoção

Serei amanhã, porque hoje…
Sigo os passos que me levam ao céu
Sou, sinto tão enorme esta força em meu peito
Sou tão insignificantemente grande, nuvem, véu

A palavra já gasta
A raiva morta no vale do esquecimento
A derradeira atitude ensaiada mil vezes
Uma réstia de sol, a ternura a colorir o momento

O pensamento!
Maldito sejas morador desta tonta cabeça
Cultivador de mágoas que me consomem
Fato de vento e fogo que espartilha este homem

O rasgo da subida de foguete
Um estrondo para acordar os anjos
Reis e rainhas por um dia
A ilha está em festa, adormeceu a nostalgia

Viva o “Espirito Santo”!
Uma pomba branca que não quis voar
Uma rabeca a gemer notas difusas
Um cantador eterno orgulhoso do cantar

Um Igreja coroada pelo amor
Uma criança no papel de homem grande
Um padre levando tudo à letra
Um altar dourado, uma Mesa de cor preta

Chuva e sol
Tapetes de flores afagando o pé
E a minha alma prenha de uma esquecida alegria
Inundada com…As cores da fé…

quarta-feira, 15 de maio de 2013

INSONDÁVEL


E as barreiras ruíram
Tenho no peito uma ilha escondida
E o amor de tão falso morreu à nascença
Tenho na alma uma fé incontida

A lonjura entre o coração e a maldição
Esta sensação de ser e não ser, um ser de papel pardo
Perdi-me na distância do crer e não crer
Senti-me sempre mais odiado que amado

Fui negro e branco, pena, penas, orvalho fresco
Fui Setembro, Sol, planta de sorriso azul
Fui caminhante, caminheiro da solidão
Fui ave de arribação para sul

O primeiro nome de uma mulher devia ser verdade
O primeiro amor de um homem não devia acabar mais
A primeira manhã de uma vida devia ser eterna
A minha primeira oração foi real e plena

Derramei sangue entre palavras
Magoei quem devia ser adorado
Rasguei grosseiramente um compromisso
Sou máscara de escárnio de um mal-amado

Sei lá quem sou!
Um forasteiro sem rumo ou poiso
Enquanto a memória escurece nos meus olhos
Perdi a melodia de uma voz, já não falo, não oiço

No êxodo deste instante renego a lembrança
Entre mim e as pessoas há um clamor de raiva e bondade
Até as estátuas sorriam zombeteiras
Deste louco sem destino ou idade

Neste inexplicável deserto de incertezas
Às vezes passo e colho um sorriso amável
Às vezes esta minha cabeça tonta
É universo sem estrelas…Insondável…

domingo, 5 de maio de 2013

O CAIS DO SILÊNCIO


São de água meus pensamentos
Nas folhas das hortências por abrir oiço a ilha
São de incenso o odor da lembrança dos meus sonhos
Ardência das minhas palavras, ausente maravilha

Nunca regressei a uma saudade
Trago o amor amordaçado em gaiola aberta
Cego e solitário, sou peregrino descalço
Ausentou-se o nevoeiro, desfez-se o abraço

Fui aclamado, segui só sem andor
Não há tapete de flores para os caídos
Não há clemência para os esquecidos
Não há coroa de louro para os vencidos

Hoje sorri feliz co as primeiras amoras
Pedi aos santos uma ajuda que nem sei
Um cheiro de solidão cresce entre o negro basalto
Rezei baixinho de olhos fechados para o alto

Que ilha descubro em ti
Arquipélago de baleias e furiosos ventos
Murmurantes lágrimas caem em linho puro
Rasguei velas de moinhos, neste Maio maduro

Senti o corpo ceder à dor
Que importa o que sinto quando dizem minto
Que importa o que todos sentem
Se por todos o meu sentir sente que já não sinto

Se falassem as minhas mãos
Diriam que não são minhas, que são afago de um deus
Se mostrasse a minha alma ao vento
Ele diria que ela já nada sente

Estava eu aqui calado a ouvir o murmúrio dos dias
Nestes dias apetece-me correr pela terra
Tocar as nuvens, vencer um mar bravio
E sentar-me nas pedras deste…Cais de Silêncio…

sábado, 20 de abril de 2013

NEM SANTO, NEM JUSTO


Dormi tranquilamente sobre o vento
A minha alma tece o fio branco e negro
Senti solto o machado em árvore do mal
Repugnantes são as palavras que nos conduzem ao degredo

Hoje por hoje, minha alma é campo de batalha
Partilho todas as noites a serenidade de um sorriso
Bebi de uma taça que me queimou a alma
Apaguei um antigo fogo de esmorecida chama

Agitam-se as águas do tempo
Caminho para o rumo de uma felicidade azul
Vendi os sonhos, aprisionei as minhas mãos, com fragor
Para não mais acarinhar gente que mata o amor

Vi uma alma nua de luz parda
A loucura tomar conta das virtudes de uma boa pessoa
Vi canalha vestida de monstruosas intenções
Deram-me um pão de farinha boa

Hoje tive vontade de escrever
Suspirar palavras e lança-las ao vento
Hoje tive vontade de partir
De ir, de não mais querer vir

Mas estou alegre
Feliz como alguém que para casa volta
Não quero mais quem diz ser eu uma porcaria
Há para aí gente viva que perece árvore morta

Este é chamado um texto sem graça nem contexto
Só alcança isto quem for gente burra
Há os anormais armados em espertalhões aos magotes
E há gente discreta de alma pura

E há os laços de cetim branco
E vidas que tiveram um alto custo
Há também laços feitos por gente indecente
E há este homem que não é…Nem Santo, Nem justo…

terça-feira, 9 de abril de 2013

A SOMBRA DAS ROSAS


As pétalas murchas do silêncio
Perderam-se nesta imensa e fria bruma
Meu magoado coração já não bate
Perdi-me neste sal, nesta espuma

O dia entardeceu no começo da manhã
Amordacei a palavra feliz por me parecer vã
Não me julguem mais, deixem-me ser apenas pedra
Já não é de basalto o meu cais de espera

Esta ilha de ventos moldou-me a paixão
Este mar furioso vestiu-me de contradição
Tenho saudade de ser amado com verdade
Não tenho pressa, tenho asas de lata e uma cruel liberdade

Sou fruto mordido sem ventura
Gaivota escondida sabe-se lá porquê
Era para dizer na outra quadra (saudades da minha Mãe)
Já disse, não me envergonho, este poema ninguém lê

Hoje as sombras desceram todas à minha janela
Que ilha descubro na tua alma?
Ainda existe o fecundo que dá magia ao verde
O Sol esmoreceu neste Inverno sem chama

São os gestos de um fogo desenhando lírios
Que vestido abandonaste na cadeira
Ouvi os anos falarem de um castelo de futuro
Ouvi os dias murmurarem a luz derradeira

Sou apenas pegadas de uma ave do mar na areia
Sigo em frente e quando voar já não serei
Diz-me “Meu Deus” o que faço se é certo
Se serei um tonto ou apenas um burro esperto

Já quis ser tudo, agora não quero ser nada
Vou esperar a vinda das borboletas nas ribeiras, suaves mariposas
Neste dia em que faz anos que nasceu este boneco de papel
Apenas vislumbro…A Sombra das Rosas…

quinta-feira, 28 de março de 2013

ENTARDECER


No êxodo de certos sentires escrevo
É tão irreverente este boneco de papel
Olvidadas noites de temperado luar
Nestes tempos de dor e mel
Ninguém me encontrará como sombra tombada
Nos umbrais da fria solidão
Esta ardência, este fogo, esta benevolência
Este machado, uma cruz de cru barro
As minhas raízes, este tempo que amarro
Não me falem mais de mais coisa nenhuma
Ressoa o tempo em inexplicáveis desertos
Xailes negros, ardentes
Ardem mudas certas palavras
Tenho a alma ausente de presentes
Nas enseadas da ilha erguem-se estátuas
São de algas já mortas os seus cabelos
Sentir foi sempre a minha vida
Nunca parti sem chegada, sem dizer nada
Escorre o sal na melancolia das pedras
Trago sementes de boa nova nos olhos só quando amo
Minhas latejantes esperanças pintam quimeras
Um lume consumiu abaladas crenças
Quem se lembra dos primeiros anos do vento
Memórias na casa do silêncio
Vês agora a mudez das neblinas
Degraus que não sobem ou descem, nada
Pegadas de uma ave que não sei na areia molhada
Insanos sentimentos correm os dias, a razão
Um ninho incendiado, um animal triste, um pardal sem asas
Um espantalho com três vinténs no bolso
A terra em estertor varrendo a paixão
Procurei na macieira frutos mordidos
Senti o azedo, enganei o prazer
Não quero o querer, ver acontecer
Esqueci o nome dos ausentes
Numa casa vazia, tão perto agora
Entardecer…

quinta-feira, 14 de março de 2013

OS CAPRICHOS DE UM DEUS


Perdi-me da saudade
Percorri apenas um caminho sem volta
Senti o chicote de um vento agreste
Acho que não conheço ninguém que preste

Acho que a vida é uma atafona enferrujada
Que sou uma pessoa mal-amada
Acho que sou uma figura mal encenada
Que tenho uma sina desencontrada

E plantei-me à esquina da vida
Cheguei-me ao passo do tempo
Mordi as rosas, rasguei-me em espinhos
Soltei as raízes ao pensamento

O céu ameaça desabar sobre esta ilha
Agua na água, manhã assombrada
Onde param os pássaros chatos do meu quintal?
Porque de mim só pensam mal?

Não interessa!
Não tenho pressa do ir para chegar
Ninguém parte sem rumo ou vela
Já não soletro o verbo amar

Olha a estupidez mascarada de senhora fina
Olha o palhaço de grosseiro traço
Olha este Arlequim dentro de mim
Olha esta roda sem fim de negro espaço

Não olhem para mim!
Já saí da esquina da vida
Já orei, ri e chorei
Já me feri da dor mais sentida

Levei estes dias a pintar de forma desenfreada
Pintei, bonecos, arcanos e pecados meus
Desfaleci mil vezes na beleza das cores
E deixei-me arrastar nos…Caprichos de um Deus…

domingo, 24 de fevereiro de 2013

ESTE MEU GRITO


A maldade tomou de assalto os justos
Podia dar nome a cada besta
A ironia fez sair da lama seres pérfidos que bem conheço
Alguns sabia que tinham escrito “Falso” na testa

Deixem de manipular
Deixem de vomitar veneno com rótulo de amizade
Deixem em paz quem precisa de paz
Deixem vossas porcarias arruinar a saudade

Quanta loucura, quanta insensata palavra
Um anormal falou-me em lealdade
Lembrei ter sido generoso no tempo
Lembrei ter sido tão leal em dado momento

São tão nojentas certas pessoas
Conheço um manipulador mentiroso que se diz amigo
Pinto todos os dias de branco o negro de certas almas
Abre os olhos! Olha para dentro de ti, acorda! É preciso!!!

De demanda em demanda luto com adamastores
Falsos atores, fabricantes de terrores
Onde estarão vocês quando tudo estiver destruído?
Soltando gargalhadas na cara dos sofredores

Deus vos abençoe e o diabo vos acolha
Serão certamente os braços que vos acolherão
Saberão por acaso meus anormais de merda o que é uma família?
Saberão vocês o mal que fizeram a um coração?

Não sabem!
Sou tão grande perante tão pequenez
Sou tão imenso
Jamais saberão o que penso

Esperarei no tempo que apodrecem vossas almas
Chamo-me Armando e sou homem, não cruel mito
Deixem em paz quem precisa de paz
Abram os vossos nojentos ouvidos a…Este meu Grito…

domingo, 17 de fevereiro de 2013

O MENSAGEIRO


Prendi no olhar a fragilidade da espuma
Inventei um sítio de nadas a que chamei cidade
Fiz o julgamento dos meus fracassos
E recolhi uma verdade servida pela metade

Hoje embriaguei-me na minha solidão
Na morte da lembrança encontrei a saudade
Construi na terra quatro muros de ilusão
Amordacei este grito ao profundo do coração

Serei luz perdida na sombra?
A loucura do pranto e do riso
Uma sinuosa viagem da paixão
Ou apenas um saltimbanco, um ladrão?

…De quimeras me visto
Da bruma faço um lençol de pranto
Ainda me ecoam palavras medonhas
Ainda estou perdido neste mar de espanto

É indomável a vontade do amor!
Mas qual amor? Amar é arrebatamento da estupidez
Há sempre um sítio onde habita o sol do pensamento
Já fui embora, já agrilhoei, já caí de vez

Procuram-me as raízes do tempo
Nascem frutos sem ternura às minhas mãos
Insubmissa é a minha verdade na contradição de muitos
Eu e o vento somos feitiços que moram juntos

Ainda retenho o que existe em ti de infinito
São estéreis os sentires que enganam o coração
Moldei os meus sonhos num deserto abrasador
Não acredito que haja boca que beije o amor

Hoje também partilhei a serenidade
Proclamei a majestade dos céus e a eles subi primeiro
Dei comigo a apensar nas estações que tem um coração
E recebi uma carta sem nada das mãos de um…Mensageiro…

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O FOGO E O FERRO

Está na hora de ser vento
Olhos de milhafre, asas no azul
Está no tempo do rubro das acácias
De um rumo de esperança a sul

Está na hora de ser ar puro
De dizer que sem palavras juro
Está no tempo da mansidão dos sonhos
Do sortilégio, do esconjuro

Por amor criei frutos de beleza imparável
Cada um tem a sina que tem
Cada um tem a força do amor presa às mãos
Os caminhos são sempre de alguém

Estou num pranto comedido
Este céu está tão perto da minha alma
Esta força, “meu deus”, esta incontida esperança
Esta dor que esmorece a chama

Gente sem rosto a bater palmas
No acaso lavrei esta peça sem nome
Nunca alguém saberá realmente o que sinto
Na verdade, alguém terá dito que minto

É noite, já adormeceram os milhafres
A Lua escondeu-se em desprezo
Nem uma estrela me iluminou o ver
Não quero ninguém no abraço, não sinto o querer ter

Amordacei as raivas
As humilhantes palavras numa caixa de cartão
Liberto todas as noites este amarrotado espirito
Tanta frieza tenho sentido em tanta mão

Tanta incompreensão, tanto virar de costas
Nada de ninguém mais quero, abandonei o espero
Consumi todas as crenças e esvaziei este coração tonto
Este corpo açoitado por…Fogo e Ferro…

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

INTERMITÊNCIAS

Caminho dentro da carcaça de um homem
Sou barro mal-parido, consciência cruel
Sou verdade e mentira em guerra eterna
Sou o doce do mel transformado em fel

- Mas quem és tu ó Poeta necromante?
Porque teimas em achar-te o maior da tua rua?
- Sou apenas um deserdado do amor
Sou ninguém que segue por uma estrada nua

- Ninguém!
Já me haviam dito que a tua presunção de mataria
Já se adivinhava que a tua estupidez desse à costa
Uma mesa sem pão, sem vinho, sem estar posta

- Cala-teeeeeeeeeeeeee!!!!!!!!!!!!!!!!
Consciência estúpida e vil
Tenho sede, tenho fome, tenho frio de raiva
Tenho na lembrança os filhos da puta que foram mil

- E tenho o dicionário da merda que diz
“Que filhos da puta é calão”
E tenho, penas tantas, que metem dó
Tenho a minha sombra perdida no meio do chão

- Quero lá saber da tua opinião
Sai da minha alma, deixa-me ser apenas humano meu cabrão
Deixem-me chorar sangue até à última gota
Quero ser excluído da absolvição

- Já quis tudo!
Já naveguei por desertos aos encontrões
Já caí na fundura de sete abismos
E lutei contra moinhos de vento em contradições

- Sei lá por onde andei
Não consigo arrancar da cabeça estas malditas consciências
Será este o rosto da vil loucura?
Ou apenas uma vida com…Intermitências…

domingo, 20 de janeiro de 2013

ENSAIO SOBRE A LOUCURA

Hoje acordei num mundo novo
Pensei ter deixado para trás os fazedores do ódio
Hoje senti a lembrança da pura ternura
Hoje senti que minha alma já não era tão dura

Ontem vi chorar uma pessoa
Estou cheio de lágrimas que não consigo verter
Hoje uma estranha calma tomou-me em torpor
Juro que tenho vontade de nunca te mais ver

Mas esta foi também uma noite alucinada
Onde o sonho foi como rajada de emoções
Acordei algumas vezes em total aflição
Já não usas o meu nome, é de pedra negra um coração

Foi sonho, um, dez, mil, um milhão
Pintei o rosto de negro, lavei as mãos à raiva
Prendi uma corda e enforquei a fraqueza
Ainda reverbera em minha alma a tua aspereza

Percorri o absurdo, quebrei os trincos da memória
Cozi as feridas de sete punhais
Fugi de todas as ruas que encontrei
Navegarei preso à verdade dos brandais

Puta da vida, árvore tombada para a morte
Desejo-vos um paraíso de ilusões, muita sorte
Um caminho repleto de dourados presentes
Desejo-vos que a tormenta seja pouco forte

Já não acredito em ninguém
Já não o quero fazer também
Já não plantarei mais as minhas bondades
Já não quero dar seja a quem for as minhas verdades

Pois que morra e se enterre o poeta bondoso
Que alguns chamam de mentiroso e sem formosura
Este escrito é um grande monte de trampa
É o rosto de uma amiga, um Ensaio sobre a Loucura…

sábado, 5 de janeiro de 2013

PINTOR

Quando de vi a primeira vez
Senti imediatamente que serias importante para mim
Quando me sorriste a primeira vez
Pensei que que o principio fugia ao fim

Enchi a alma de presentes
Falei todas as noites com gente tão minha em saudade
Que vive para lá desta cinzenta vida
Falei, ouvi, corri, desfaleci, perdi-me numa inventada cidade

Atropelei os pensamentos impuros
Chamei à vida a paixão que me resta
Mordi todas as raivas que plantaram em meu peito
Fechei os olhos e vi uma deusa em festa

Velei os mortos esquecidos num cais
Carreguei um fardo de gastas palavras
Gritei a um surdo de sorriso parvo
Afoguei em água benta as últimas mágoas

Afoguei-me no pranto de sete deusas
Fiquei sem pernas para correr no partir
Ouvi o impossível do acreditar
Chorei tanto que matei o rir

Este poeta perdeu a pena
Levei tempo para encontrar-me na poesia
Lavei, levei o sentimento do descrédito
Achei que as tuas palavras nada tinham de certo

Hoje pacifiquei-me com as cores
Hoje pintei de sol a sol
Hoje fiz uma oração de traço fino
E ouvi uma música em si bemol

Hoje vi uma nuvem transformar-se em aguaceiro
Vi uma árvore despida com uma breve flor
Vi todas as realidades presas à contradição
Hoje quis ser apenas …Pintor…

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

FALSO GRAAL

Inventei a ironia numa toada de vento
Roubei as asas a uma gaivota azul
Colei-lhes um poema cheio de penas
E enviei-o para uma tonta do sul

Inventei um mar numa bola de sabão
Roubei uma corda forte e boa
Atei um rol de mágoa à mesma
E afoguei-as nas águas de uma lagoa

Inventei uma criatura de nome amor
Roubei-lhe a maldade por tempo indeterminado
Pintei suas vestes com as cores do arco-íris
Achei-a feia e fiquei pasmado

Já chega de invenções…
Todas elas saídas de contradições
Apenas uma era verdadeira
Porque foi gerada de mil emoções

Está maluquinho o poeta zinho…!?
Deixou de funcionar este ser em desalinho
Recolheu do prato um ramo de amarguras
Meteu pernas à lonjura do caminho

Andou às voltas até ter dores nas costas
Sacudiu a alma e bebeu um pedaço do céu
Fechou os olhos e sem querer pisou um falso fantasma
Que fez um terrível escarcéu

Eu não dizia que isto são mesmo maluqueiras
E quando assim é só pode dar para o torto
Este poeta pateta já não aguenta com gente
Já parece estar meio-morto

E para fechar a loucura com chave de ouro
Fiquei convencido de ter encontrado um tesouro e coisa e tal
Era apenas uma estranha criatura, qual Eva
De rosto lindo espelhado num…Falso Graal…