terça-feira, 29 de abril de 2014

ÀS VEZES PINTO O AMOR, TANTA VERDADE



Das estrelas que contemplei molhadas
Por rios e orvalhos diferentes
Escolhi apenas a que amava
E desde então durmo com a noite

Da onda, de uma onda e outra onda
Verde mar, verde frio, verde ramo,
Escolhi apenas uma onda;
A onda indivisível do teu corpo

PINTEI ESTA TELA, NÃO É MINHA...

domingo, 27 de abril de 2014

SETE CARAS


Há um abismo em direção da descrença
Não há nenhum barco pronto para partir
No escuro a verdade é coisa demorada
Sem perdão não existe coisa amada

No meio de risos senti todos os punhais
Fui demiurgo de uma comédias de sarcasmo
Semeadas certas pessoas não nascem de novo
Ferido o amor uma boca não deve calar o “AMO”

Há uma manhã de espadas luzindo nos trincos da memória
Não tem rosto o amor num corpo sem voz
Sei que amanhã vai ser amanhã
Sei que dizer-te amo nunca será palavra vã

Transborda este cálice parado em meu coração
As minha flores matinais são escritos do presente
Caminhando na tua ausência está o começo de tudo
Há um pássaro da madrugada que acordou mudo

Há este herói que desconhece o fim da batalha
Entrando em si ri-se a mulher mais infeliz
Caminhado na ausência há o começo de tudo
A preto e branco foste a heroína de um filme mudo

Esta ilha que há em mim
Despedaçada no fim do crepúsculo
Esta lava derramada em meu peito
Faz de mim um poeta sem formosura ou jeito

Acho que cerraste os olhos numa manhã infinita
Cristaliza o balanço do teu pensamento
A palavra recolheu-se em ti amarga
Tudo isso e mais a fome da loucura em vil momento

E estou tão agradecido e louvo o amor
Aprisionei numa caixinha todas as palavras amargas
Rasguei os imagens todas de quem me despreza
Apaguei da alma as aves de...Sete Caras...

sexta-feira, 25 de abril de 2014

VIAGEM ASSOMBROSA




Tenho a garganta rouca de silêncio
Neste abandono cinzento de pessoas
Tenho a alma amputada de crenças
Comigo dentro de mim florescem coisas boas

Nesta ilha as flores são eternas
O verde é lava mansa
Nesta ilha a espera é de um poema ou barco
Nesta ilha abandonei a cor da esperança

Os nomes não têm cor
As almas de mulher também
Os nomes dos sentimentos são mentiras
Há sempre um mentiroso que diz ser alguém

Uma gota de vinho num cálice
Uma navalha cortando um coração
Um rosto virado para o lado da estupidez
Uma palavra de amor perdida no chão

Nascem rugas nas montanhas mais altas
A morte de uma luta, uma flor já murcha
Um papagaio de papel desbotado
Uma criança triste de rosto tapado

Uma janela virada a nascente
Olhos imensos, ausência de horizonte
Uma imensa crença de sonhador
Um barco de papel, navegante

Eu, navegante de silêncios e sonhos
Eu com sangue dos lábios nos dedos
Eu que muita gente quis fazer perder
Eu que nunca ficarei na baia de todos os medos

Eu...
Que não alimento raivas e tenho uma crença formosa
Soltarei o pano das velas deste barco
Nesta...Viagem Assombrosa...

segunda-feira, 21 de abril de 2014

AS DUAS FACES DO AMOR



Escrever um poema é como matar a dor
É ver dormir anjos transparentes
É sonhar com novos horizontes azuis
É encher algumas almas de presentes

Nem um amigo nem uma voz pousaram
Na minha mesa há pão de esperança
Lembro flores de Maio num altar imaculado
Entre tantos olhos e sorrisos onde está a confiança?

Foste uma ilha aparecida de um desconhecido mar
Já virei as costas a gente de navalha na mão
Já pintei no silencio das igrejas negros anjos
Já comi pão sem fome, já ignorei a paixão

Estas pálpebras fechadas deixam escapar rios
É na descrença que o coração corta a palavra
Neste fogo consumidor dos dias vazios
Deste peito dorido jorra lava

Pintemos uma ilha juntos fora dos fantasmas
Como menino que chora sem saber da dor
Como tudo o que se move por sentir a paixão das palavras
Como Arlequim perdido do seu amor

Esta noite respingou um suspiro feliz
Vou deitar fora tudo isto e mais a fome da loucura
E pelos versos que me denunciam
Vou escrevendo de alma pura

São enormes os olhos da raiva
Se soubesses a sede que sinto quando a ilha me aperta o coração
Como gaivota repentina que levando consigo o sofrimento
Como crente que reza e pede ao amor um momento

O espaço provável do encontro é infinito
O instante da verdade violando o pensamento
Este esgotar nos lábios a poesia de um desejado beijo
Este chamar de realidades se ter ensejo

Esta inesgotável fé de ser e sentir
Transmutação de sonho em flor
Este poema é um caso de loucura grave
Ou...As Duas faces do Amor...

sábado, 19 de abril de 2014

UM LUGAR NOS OLHOS




Saí pela porta de uma fria madrugada
Era o tempo de todas as incertezas
Era o tempo que me fugiu à memória
Era o tempo em que os poetas morriam sem glória

Entrei por uma janela de casa marítima
Nessa época já te adivinhava, pressentia
E tive que atravessar toda a noite
Percorri guerras e tréguas e gente que sem querer viver, morria

As árvores permanecem fiéis
Ouvi uma vez o grito do silêncio
Fiquei acordado na mais antiga noite da vida
Fiquei sem fala ao ver-te passar em passada contida

Aprisionei um sorriso antes das oito
Fiquei preso às pedras da calçada
As antigas casas morrem devagar
Em mim nunca morre o amor pela pessoa amada

Percorro uma longe e demorada estrada
Levo em mim o silêncio sobre o sofrimento
No amanhã de muitos anos de uma vida vertiginosa
Guardei uma palavra, apenas uma, para um momento

No lugar do inesperadamente onde nada espero
Bebi rumores de plantas de estranhas cores
Lancei pedras sobre uma onda imperturbável
Sobre o chão dos meus passos há apenas desamores

Repeti o mesmo afago numa pedra polida
Pediram-me para falar da saudade, disse que não sabia
Perguntaram-me se sabia pintar a cor do mar
Perguntaram-me se o meu amor é de uma vida, se conhecia o amar

Venho a esta terra plantar alegria
Venho pintar todas a verdades aos molhos
E de repente o que mais quero
É ter-te...Num lugar nos Olhos...

segunda-feira, 14 de abril de 2014

É NOITE E SINTO




A canção que hoje me apetece cantar, és tu
O poema que te escrevo é Sol
Nossos corpos crispados são punhais sem sentido
Estou cansado deste inverno doído

Sou comandante da minha alma
Dono do meu destino
Houve uma altura que desejei não te ter conhecido
Os meus dias de ti parecem tão distantes, noutro caminho

Naufraguei nesta parte da tua vida
O mosteiro que encerra esta alma vai desmoronar-se
Estou tão zangado comigo
A única traição foi minha Mãe ter partido sem aviso

A felicidade tem que ser paga?
A verdade tem que ser provada com a morte?
A única traição, no amar, é paixão
É não saber, enlouquecer, perder o norte

“O melhor de mim é a parte mais simples”
Escreverei sobre nós um dia
Há que viva encurralado no amor de ninguém
Há quem seja ilha, nostalgia

As sombras que me passam no silêncio do pensamento
Este poema vai crescendo sozinho
Como a angustia da espera morta
O infinito não tem janelas nem porta

Uma revoada de pássaros despertou-me
Uma brisa da tarde aconchegou-me
Uma lembrança de ti acompanhou-me
O sorriso de um sonho de ti lembrou-me

Tudo isto porque já não tenho sal nos olhos
Quem luta com moinhos de vento e tem um longo caminho
Quem promete aos deuses algo e ergue este cálice de absinto
É apenas um lunático como eu e porque...É noite e Sinto...

sexta-feira, 11 de abril de 2014

MENINA DE CARACÓIS


Quantos são os anos de um destino crispado?
Quantas são as folhas secas numa garganta sedenta?
Quantos são os gritos da revolta na longitude da distância?
Porque não crês em vês de vestires essa desconfiança?

“Uma Mulher imensa dentro de um homem nunca se apaga”
Há mulheres, os monumentos, os pássaros, uma pedra
Já dizia o me Amigo Emanuel Félix, “um homem pode amar uma pedra”
Um homem quando ama, constrói um muro, semeia e medra...

“Há uma Mulher em mim como Sol em dia sem fim”
Não há tempo no rumo para a eternidade
Quero construir um silêncio ou um palácio
Quero tatuar-te na alma uma só verdade

“Escrevo esta verdade com insistência”
Porque não há palavra que valha o terror da solidão
E no cerne impercetível da tua terna vontade
Apenas resiste uma infame e mentirosa assombração

Atravessei hoje a ilha pelos olhos de uma criança
Dispersos incêndios que a loucura ateou
Vi uma Mãe linda sentado com dois meninos
Pensei em dor e amor, quem nunca amou?

Acenei-te com um lenço de água
Ser ilha foi sempre a minha vida
Trago sementes de amor nos olhos e só estou quando amo
Direi baixinho “gosto, tanto, quanto te amo”

Levarás esta ilha sempre escondida no silêncio da voz
Vejo a memória entristecendo teus olhos
A ilha tem nome de Anjo, tu chamas-te apenas mulher...
E nele cresce o rumor do Mar, Menina do mar, sem querer

Senta-te neste banco de vida
Penteia as tuas mais incontidas paixões
Quando te lembrares de mim no rumor de um entardecer
Entre o fogo e o abraço inapagável irás ver, querer

Não me demoro, vivo nasço a cada instante
Paro no tempo na procura de sete Sóis
Encontrei uma Mãe de olhar triste
Lembrei-me de uma...Menina de Caracóis...

terça-feira, 8 de abril de 2014

A NOITE DOS MEUS DIAS


São milhões de risos de escárnio
Despedaçando o peito da esperança
São folhas secas espalhadas na boca
É uma tempestade sem ter bonança

Por aqui nesta íngreme enseada de palavras
Alcanço o ardor da injusta e infligida dor
Por aqui um sino tocará cansado no tremor da tarde
Alcanço estas fundações de luz e reverbera o amor...

Foi a nove de abril às três de uma fria manhã
Que uma voz nasceu nestas águas
Um poeta pateta, pintor de saudades, necromante...?!
Cheguei aqui com a sede nos dedos e mil e uma mágoas

Onde estás...?!
Onde estou, estaremos...
Agarrados ao cicio a à aura dos segredos
Lembro-te das sextas, nas manhãs, confiemos...?!

Já lavei a alma das mais íntimas feridas
Hoje procurei o vento e a estação da luz
Na força de um ritual repeti teu nome sete vezes
Há uma árvore de frutos mordidos, uma fé que seduz

Um torpor e a respiração da terra
Um cheiro de solidão, um olhar no horizonte
Em que ilha descubro teus olhos
Onde te posso plantar ternura aos molhos?

Se falasse de ti
Diria teu nome em poema cheio de margaridas
Se dissesse teu nome e queria...
Diria que no encontro há uma gaivota que em mim sorria

E porque também nasci num dia qualquer
Peço-te pois que acredites se em Deus confias
No alto desta noite de chuva fina
Relembro...A Noite dos meus Dias...

sexta-feira, 4 de abril de 2014

JE SUIS MALADE


Um poeta disfarçado pelos espelhos
No esquecimento do Mar brincando
Na era, do nosso murmúrio, surdo das árvores
Contamos luzes atormentadas, amando...

Estou fatigado...
Na obscuridade de um gemido de mãos cansadas
Enquanto o vento as violenta com desejo surdo de ti
Sentado na pedra molhada, contei luzes atormentadas, morri

Minha alma estará sempre aberta ao raiar da aurora
Éramos, somos, seremos a consciência do amanhecer
E riamos desalmadamente na madrugada extensa
Acreditando na misteriosofia do morrer sem viver

E num vazio tão profundo como a caricia serena
Que nos separa do abraço, da solidão
Já não sei se ouvi palavras ou passos súbitos
Ou terá sido teu terno coração...?

Não recordarei personagens longínquas e cruéis
Como pássaro de silêncio as riscarei do peito
Há entre ti e mim um pacto na penumbra
Há entre mim e Deus uma promessa de espera

Disfarçado de inquietude surgiu o desgosto a poente
Estes olhos manietaram-se junto à sombra, revolta
Não consigo rebentar com os corredores esquecidos da memória
Há coisas tão importantes neste poema, tanta história

Estou cansado...!
De construir um ruído mudo de silêncio
Por maldições meu corpo será, pão, fogo, fome ou mar
Ou serei a parte errada da palavra amar...!?

Sou poeta porque descobri a razão inexplicável de estar aqui
E aqui cheguei num barco de nome saudade
Prostrado no desejo da pedra e conhecimento da espera
De tanta dor...Je suis Malade...

sábado, 29 de março de 2014

TEM O PODER DA ÁGUA A PALAVRA



És uma flor apertada no desamor
Uma menina que amei sem preconceito
Vivemos no sonho um ninho de maçãs maduras
Tinhas no olhar a ternura e uma branca paixão no peito

Um arauto falou-me de infortúnio
Procurei-te numa fúria molhada pelas marés
É no estio que o coração corta as palavras
Olhei-te do alto de um altaneiro convés

Olhos de branca Garça...
Nas madrugadas perdi-me no canal
Erigimos um lugar para a lembrança
Na espera, negociei com os deuses um final

Rasguei a propositada brancura do papel
No intrínseco verde dos pastos inesgotáveis
Fiz um tapete de frescas hortências para te amar
Fiz mil orações para te encontrar

Pintemos depressa montanhas fora do alcance dos fantasmas
Aprisionemos as águas que separam nossos corpos
Assim como vamos ao encontro do passado
Abraça-me, é assim que construo as casas, com cuidado

Houve tanta noite nos meus dias
Houve tanta madrugada de luz fria
Houve tanta saudade, nostalgia
E uma lembrança que em mim sorria

Haverá sempre a chegada das marés
Dor, alegria, mágoa, frágua
E um porto de alegre espera
Onde...Tem o Poder da Água a Palavra...

quinta-feira, 27 de março de 2014

NO MEU PALCO



Nesta plateia verás os vestígios dos últimos sonhos
Duas lágrimas que secaram na madrugada
Quando as luzes se calarem na ausência da cena
Tu sentirás pena por já não seres Dama amada

Sou um Ator anónimo no caos do Mundo
Com uma alegria breve no olhar
O teu rosto perdeu-se na desordem das marés
Vi uma ave perdida, o amor a passar

Mas sintam as pancadas de Molière
Corram a cortina vai começar a peça de uma vida
Numa sarça ardente escreveste a palavra traição
Atiraste ao palco toda a tua contradição

Uma bailarina vestiu-se de Columbina
Atiraste ao fogo este triste Arlequim
Do lume de ti, nunca se aparta o amor
Entre as ruÍnas do crepúsculo, será afastado o fim

Em círculos de solidão afinou um violino
As abambolinas escondem um nome
Húmidos são teus olhos da memória
Há por escrever uma fantástica história

Estou no proscénio onde ardem as sombras
Procuro os prodígios de um jardim de ventos
Que flor faz nascer a verdade do teu crer?
Que recato da tua alma guarda os felizes momentos?

Este pano de cena que teima não fechar
Vez agora a nudez da tuas incertas convicções
E na translúcida serenidade de uma casa
Irão abraçar-se dois perdidos corações

Que vestido abandonaste na cadeira?
Que palavras ficaram por dizer
Hoje senti-me perdido ao olhar para um retrato
E quedei-me em silêncio...No meu Palco

domingo, 23 de março de 2014

FORASTEIRO DO VENTO



Levarei sempre a minha Musa no silêncio
Trago sementes do teu sorriso
Tenho partes de ti em mim como uma profecia
Hoje encenei a paixão de cristo ao fim do dia

Hoje pedi aos Romeiros uma ave-maria
Ordenei que o incenso fosse derramado no fogo
Por mim passaram almas famintas
E pedi a Deus que um desejo de mãos postas

Entre mim e ti há um tinir de ferros em brasa
Este verbo que canta evoca oiro mais raro
Estão em botão as rosas que regaste
Não eclodirão as sementes que plantaste...

...Sem a justa verdade do amor!
Podias ser apenas uma pintura difusa
Um olhar perdido em sala de espelhos
Ou um gesto terno de levantar a água dos teus cabelos

No meu peito repousam barcos de muitas cores
O silêncio sobre o sofrimento
Tal como uma moradia que morre devagar
Sem acreditar, não há tempo nem momento

Com amor e raiva se constrói obra parva
Os tumultos e a dor estão contigo
O que te sugere o teu espírito alucinado
Sobre os brandais respira um sonho antigo

Morre a Musa, viva a Musa!
O escriba não desfalece no caminho
Um poeta nunca morre
Só se afasta um bocadinho

Não mais subirei as colinas da cidade desatenta
Serei pois o primeiro habitante da tristeza vencida
Não beberei mais o mar
Só não consigo esquecer o amar

Emocionado percorri uma parte da ilha
Hoje esqueci na paz da vida o tormento
Hoje pacifiquei-me com deus e ateus
Fui no Mundo mais um...Forasteiro do Vento...

sexta-feira, 21 de março de 2014

A MINHA MUSA



É Março no traço áspero de silêncio
Esta dor imutável, revolta na chegada das marés
É o dia dos poetas, as palavras hoje são poesia
As minhas têm a cor da melancolia

Sabem qual é o primeiro nome duma mulher?
Apenas mulher...
Ela tem o sol dos frutos e o céu no coração
É Mãe, Marias, compreensão, uma lágrima, paixão

Nele cresce o rumor das hortências
Derramadas em cântaros pelo céu
Respirando um tempo imortal
Entre o fogo e o abraço inapagável, fatal

Sabem qual é o nome do amor?
Apenas amor...
Eu chamar-lhe-ia Mulher
Falem-me pois de uma mulher, quem quiser...

No êxodo do sentir escrevo
E descalço-me em frente das tuas ultimas palavras
Ressoam as memórias, o perfume dos dias felizes
Escrevo para que oiças um piano, esqueças a mágoas

Hoje sentei-me numa cadeira do Mar
Ouvi passos minúsculos aproximando-se de mim
Era um golfinho de chapéu de coco
Que me disse “vive, engana o fim”

Deram-me uma coroa de folhas já mortas
Nos primeiros degraus da vida
Nunca envelheci nos espelhos
Cheguei cedo, tarde, nesta infinita demanda

Nasci na ilha onde se confundem as estações
Do canto dos deuses na madrugada
Nasci mil vezes e em basalto me esculpi
Talvez seja apenas uma refulgente sombra

Talvez um anjo de pedra sem nome
Uma alma que de tanta dor ficou confusa
Não! Apenas um Poeta pateta
Que neste dia perdeu a...Sua Musa...

quarta-feira, 19 de março de 2014

GARÇA PERDIDA



Ouvi uma voz longínqua no vento
Senti o aroma do amor passar perto de mim
Senti sementes de um olhar inquieto
Tão longe, tão perto

Foi uma árida manhã, um dia sem Sol
Atravessei um areal de esperança
Meu barco leva o nome de mulher
Amo e sempre amarei, querendo quem não quer

Absorto na transparência da solidão
Há um lugar nos teus olhos onde habito
Há um recanto sem pranto na tua alma inquieta
E um destino que terá rumo certo

Todas as errâncias e afastamentos são loucura
Há um ribeiro de águas puras de ternura
Há joias de sentimentalidade estendidas no caminho
Há um relógio que marca um chamamento baixinho

Há um segredo e as vertentes de uma paixão
Ondas de beleza no afago, fascinação
O ar libertou hoje o odor de sonhos passados
Não há longe nem distância para um coração

Venho da dor no regresso de uma saudade
Venho lembrar que há apenas uma real verdade
Liberto meu grito nas fundações da luz
E peço paz e um milagre de amor a uma santidade

Esperei por algumas palavras
Atravessei isolados terraços da incompreensão
Plantei ventos, colhi desenganos
Pintei a prima obra com as cores da paixão

Tudo isso para falar de uma singela emoção
De uma vontade que ficou em ti contida
Cerrei os olhos e iluminou-se minha alma
E vi no me céu uma...Garça Perdida...

sexta-feira, 14 de março de 2014

JUDAS DE NEGRO CABELO


Nas paredes mal caiadas de uma alma
As manchas de mãos em desenhos bizarros
Vomitei num vazio indescritível
Corre uma cobarde serpente de atitude invisível

Hoje acordei para uma realidade fétida
Obrigado...não tens de quê seu tanso
Há sempre uma noite se aproximando
Há sempre um caminho que terei caminhando

No palácio carbonizado de uma comédia de enganos
Vive prisioneira uma donzela já gasta
Uma boca afogada em palavras amargas
Voa um poeta que rima...já basta!

Um mar embravecido, trás dias sem manhãs
Uma falsa gaivota largou penas ao coração
Uma mulher que estupidifica a paixão
Terá cem anos de solidão

Cem anos de bruma nos olhos
Venham devagar ver, ouvir o poeta
No suor do sonho, ouço vozes num cântico azul
Garça, gaivota, pássaro voando a sul

E quero-vos contar...
Como as serpentes sorriem no enganar
Quero-vos contar, como alguns seres desprezíveis
Moram onde o Mar despeja a sua ira no chegar

Sei de duas...
Que riram em maldosas gargalhadas, de mim
Sei do vomito sem cor nem corpo
Quando a tarde se desprender de mão assustada, no fim

Também sei que mora em minha casa a cor
Que em minhas orações construo um branco novelo
Até rezo por quem me feriu quase de morte
Pelos...JUDAS DE CABELO NEGRO...

domingo, 9 de março de 2014

MENINA DOS LAGOS


Senta-te neste banco de nuvens
Observei nos olhos de uma pessoa o Mundo
Fatigado um Milhafre pousou nos ombros da minha ausência
Ouvi o teu Mar com os meus dedos no meu mais profundo

Tu, magnólia em busca do rumor da terra
Fragor de púrpura, instante de amor
Vi-te sorrir nas estações do crepúsculo
Em Fevereiro uma rosa é breve flor

Gaivota pousada ente o basalto e o azul
Que ilha descubro na tua verdade?
Este barco de vela branda nos mares do sul
Que nunca deixou morrer a saudade

Se falassem as tuas mãos
Diria que eram o afago de um Anjo
Se falassem as tuas raivas sem sentido
Diria que era o amor sem vontade de estar escondido

Hoje sonhei com um campo de margaridas e gaivotas
A minha rosa entre Primaveras...
Fechei os olhos absorto na transparência da música
E perguntei ao alto que por amor quem eras

Apontei com o olhar as falésia de uma lagoa
Este pescador de cores, fouçando incompreensões
Apaguei da minha tela os trovadores das sombras
Apaguei todas as frias e más sensações

A minha aura não esconde segredos
Lavarei do meu peito o intimo de certas feridas
E sobre as pétalas murchas do silêncio
Desenharei todas as estações perdidas

Hoje acordei com as palavras a sorrir
Com uma brisa em doces afagos
Imaginei uma lagoa de mil cores
Onde mora uma...Menina dos Lagos...

sexta-feira, 7 de março de 2014

O MENSAGEIRO


Nenhuma das minhas flechas deixou o arco
Há uma cidade onde os relógios se movem desconcertados
Há uma Lua anunciadora de bonanças
Há um Sol só meu que aquece este homem de sete Mundos

Meu Sol...
Eu não te adivinhava nem pressentira
O relógio da Igreja deu duas badaladas atrasadas
Era um sorriso bonito que chegava antes das oito, sem ira

As árvores permanecem
Suavíssimos os pombos saudaram esta alma
Este respirar de novo, o dia dos pássaros, o perfume da terra
O entardecer que pinta este céu de intensa chama

Hoje ou em qualquer outra parte
Dançarei um tango eterno
No lugar onde inesperadamente se soltam os teu negros cabelos
Há uma nuvem que ameaça transformar-se em aguaceiro

Mas há Sol, sobre o chão dos meus passos
Longe, imóvel, imperturbável e sério
Permita-me ouvir as ondas, o som mais breve
A perfeita respiração de um deus em seu império

Sei de uma história breve
Uma rapariga fugiu num cavalo espantado
Sei de uma chegada anunciada pelos anjos
Sei de um barco brilhante repousando num rio profundo

Se olhares a almofada, verás vestígios de sonhos
A brancura da minha bondade na madrugada
Diz-me dos teus olhos, onde se esconde alegria
Diz-me onde mora o amor, a pessoa amada

Diz-me onde se esconde a saudade
Fala-me da lembrança do beijo primeiro
Escreve as notas de uma felicidade interrompida
Procura no Sol...O Mensageiro...

terça-feira, 4 de março de 2014

A ILUSIONISTA


Dentro de um corpo passeia um aspecto negro
Meteram-se os punhos na garganta
Ouvi uma floresta de tontas palavras, um punhal
E uma obsessiva razão de incerta descoberta

Gente da treta!!!!
Conheci duas mulheres de salgada saliva
Nunca lhes vi luz no inicio dos gestos
Apenas o silvo da serpente e gestos de falsa altiva

Isto é tudo conversa, uma asneira
Uma ficção sem jeito ou maneira
Como é carnaval, uma palhaçada
Pode ser mentira a poesia ou brincadeira

Adiante!
Cerro os olhos com ramelas sorrindo
Não quero ver mais infelizes seres
Nem uma boca falsa parindo

Vou beber vinho para não vomitar fogo
Evitar ruas cinzentas de mulheres transparentes
Não voltarei acordar gente sem nome na vida fria
O meu amor não será mais o que minha alma confia

Esmagado pelo suor parti dentes podres de palavras
Eu rio-me e lembro-me que afinal estou só
Contaram-me uma história de mijar a rir
Não há verdade nem a merda de certa gente pode parir

No meu verde pensamento enterraram um punhal
Porque há gente fodida muito ofendida e coisa e tal
Há quem julgue que as prendas doces só vêm no natal
E a estupidez pode medrar e coisa e tal

E acabemos com este vomitado poema
Já me chamaram, mentiroso, violento e até alquimista
Parei hoje para ver o cartaz de um circo rasca
Com a fotografia de uma...Ilusionista...

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

TEMPLO INVISÍVEL


Rezei na aflição e necessidade
É ilimitado o poder de amar
O amor é indivisível e imóvel
Que estação do teu coração devo achar?

O pensamento é ave no espaço
Ás vezes o engano de que não pode ver
Não falarei porque estou em paz
Creio em mim, este ser sabe crer

O silêncio da solidão revela aos próprios olhos
O seu eu em perfeita nudez
No orvalho das pequenas coisas encontrei uma manhã
Nesta árvore são vulgares os frutos, no chão brilha ouro, uma maçã

Tenho em mim mesmo toda a verdade
Gostaria de pedir ao tempo o infinito e o incomensurável
Quando esquecemos a cor do vinho, já nem sabemos do copo
Quando se ergue a vontade subimos a montanha ao topo

Contudo o intemporal que há em ti tem consciência
Sabes que o hoje é só a memória do dia de ontem
Gostaria de fazer do tempo um regato
Onde lançaria a pureza que a minha verdade contém

Não há dor, mas uma rede atirada
Não há uma única busca pela revelação
Onde para o melhor de vós mesmos?
Para onde se ausentou um coração?

E quando estiver silencioso um coração
E quando os meus pássaros emudecerem
Que uma voz fale aos ouvidos, dos meus ouvidos
E que o amanhã não seja apenas a memória do ontem

E contudo a tua alma guardará a verdade de um coração
E aquilo que em vós pulsa mora ainda no limite
Sem medir o tempo e as estações
Serei errante poeta sem contradições

E mesmo nas escuras cavernas alimentar-me-ei
De uma crença radiosa e notável
Foi este poema escrito na mais terna calmaria
Por esta alma moradora de um...Templo Invisível...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

AVIÃO DE PAPEL


Tenho os braços nus de armas
Se viesses por aqui seguindo qualquer caminho
A qualquer hora, qualquer estação
Mora na mesma alma o amor, um destino

Estes meus dedos amputados pelo silêncio
Esta voz surda brotando dentro de nós
Este vento rasteiro cobrindo as palavras de frio
Este homem que te lava os olhos num cristalino rio

Este meu passado diluído na razão do presente
Estes poemas que foram crescendo sozinhos
Sorri sem necessidade, compreendi que é preciso sorrir
Compreendi que no esconder não houve o mentir

Sorri...!
Não tarda irão florir as buganvílias brancas
Os pássaros do meu quintal continuam fiéis
Não me abandonaram, desenhei-os em sete papéis

Com amor e doce raiva guardo estes soluços
Com divina paixão aguardo uma nova de um coração
Com a vontade dos deuses pintei-te de tinta inalterável
Guarda, poeta, vigia, vigilante, lavrador de um amor

Acariciando o teu rosto colorido de doçura
Permite-me que este poema seja o começo de tudo
Darei os braços à luz do dia
Neguei três vezes, minha alma, confia

E vou rasgar a minha garganta rouca
É feitiço o verde desta ilha
E tu feita de águas mansas e flores eternas
Diadema de hortências de azul maravilha

Qual criança que do amar só sabe amar simplesmente
Que transforma a vida no amargo doce do mel
Hoje escrevi a verdade de todas as minha razões
E atirei ao alto a folha em...Avião de Papel