sexta-feira, 30 de maio de 2014

ENSEADA DE PALAVRAS



Ouvirei passos de vento
Virão ao meu encontro gaivotas azuis
Trago no peito uma hortência fresca de junho
Trago na mão uma verdade que empunho

Quando as aves cantam ao entardecer
Fico-me pela ramagem da nostalgia
Sinto os prodígios da música feliz
Este homem, este poeta, este petiz

Correm nas horas palavras como amoras
Um rosto atravessa isolados prados na vida
Deixei de plantar carinho, quando não me querem
Fechei a ternura numa caixinha devolvida

Quem és!?
Para onde correm os teus anseios?
Os meus olhos apenas recolhem cânticos de silêncio
Já não navego na Baia de todos os medos

Uma pequena pedra, a sorte...?!
A fé que me guia e me dá norte
Pedra na voz de uma menina
Não há melancolia, recomeçarei, não há morte!

Nos bolsos de um espantalho encontrei
Um papel que dizia assim:
“Nesta ilha descobri teus olhos
No acreditar voltarás para mim”

Se falassem estas mãos diriam
Ouve a voz imensa da terra
Que nunca morra a saudade
Que se instaure uma real verdade

São brancos os meus sentires
É alva a minha dorida alma
Que ninguém me trate mais como: “és mesmo assim”
Que se fechem os impuros corações que se lembram de mim

Eu já existia na ausência do teu nome
Sou um menino sem revolta ou mágoas
Nestas ultimas e felizes horas
Habitei numa...Enseada de Palavras...

terça-feira, 27 de maio de 2014

CAMINHOS BRILHANTES



Quem são aqueles seres envoltos em maldade?
Tudo engole, a voracidade desta raiva
Inesgotável é esta força que me acalenta
Imensa é esta luz que me protege e sustenta

Serão as mulheres os únicos seres perfeitos...!?
Será este homem o mais desalinhado do planeta?
Serão certas mulheres apenas isso mesmo, mulheres?
Conheci algumas flores da treta

Quero pintar mares fora do alcance dos fantasmas
Colorir as mágoas de carmesim
Quero ter aos ombros em afago a Capa do Senhor
A mesma que à alguns dias me libertou da dor...

Quero tanto!
Passei a querer novamente que me quisesse o Mundo
Nunca gostarei do sabor do ódio
Nunca tocará o meu mais profundo

Tens os olhos cheios de certezas gastas
As mãos sujas das pedras de arremesso
A alma vazia da semente do perdão
Um pedaço de feia lava no lugar do coração

Não sei porque escrevi a quadra acima
É preciso sorrir para que cresça a vida
Perdida dentro de mim há apenas uma memória
Fechei a alma de pássaro ferido a uma triste história

Abri a janela do sonho de par em par
Amenizei a importância das feridas e sou um barco
Quero inventar uma mulher de sonho calma
Quero que ela veja o que guarda esta alma

Quero inventar um vento calmo
Este espírito alucinado diz-me que sou terra
Imperturbável apercebo-me que se esfumou a importância
E neste silêncio vindo de dentro, sou paz, amor sem espera

E não espera o poeta
Não abraçarei mais sentimentos inconstantes
E no rumor deste silêncio vindo de dentro
Descubro o rumo para...Caminhos Brilhantes...

sexta-feira, 23 de maio de 2014

COM AMOR SEM RAIVA



Nem um amigo, nem uma palavra verdadeira
Pousaram na minha mesa
Tive um sonho longo e vazio em que se desfez teu rosto
Sou uma bÓia num poço de silêncio

Inventei uma cidade
Uma mulher séria que me amasse
Inventei um ser verdadeiro, um presente
Nasceu das pedras uma serpente

Inventei o amor num coração vazio
Inventei uma deusa sem trindade
Inventei uma forma de dar calor ao gelo
Inventei asas para a saudade

Inventei-te...!
Desejei um desejo com sangue nos lábios
Há quem me largue socos quando apenas quero abraçar
Há que tenha inventado a parte mais negra do amar

Há quem respire com raiva
Tal como um Arauto que passa e morre
Sabes!? É no estio que o coração prende as palavras
É neste teu longo Inverno que se avizinha que eclodirão mágoas

Que se enganem os que pensam
Que este poema é para alguém
É apenas o vómito de uma estupidez
Que encontrei numa pessoa...outra vez

E que se enganem os que pensam
Que não estou alegre e feliz
A esses “Vão para a puta que os pariu”
Vou estrear mais uma peça, é o que faço, fiz

Não me desejem sorte
Também não esperava isso de vós
Sabem quando escrevi bêbado estava
Saiu uma comédia que tem...AMARGO AMOR SEM RAIVA...

domingo, 18 de maio de 2014

CINEMA PARAISO



É afinal na mais simples equação do amor
Que se encontra a razão de viver
É afinal na total ausência do sentir
Que faz sentido um horizonte, partir

Esta viagem ainda faz sentido...!
Esta minha demanda pela razão
Aí vês que os homens não têm importância
Então compreendes que és um pássaro, morres, ou não

Voas e o teu corpo é apenas, nada
Respiras a custo numa mão fechada
Nadas num mar de nadas, de boca calada
Choras e ris como alma penada

E ouves uma mulher vestida de vento
Uma criança perdida num momento
Uma desgraça desgraçada sem alento
Uma cabeça dura sem convencimento

E botas-te pela rocha abaixo
Só porque a mulher rachou o tacho
E afogas as mágoas em vinho forte e macho
Cais no esquecimento tonto e borracho

Muita merda!...muita merda!
E querem ver não vai haver peça
Pois o ator partiu uma perna, que pena, luz apagada
Queimem a plateia, que tragédia, que merda!

Senhoras e senhoras era para ser:
Uma tragédia Grega linda de morrer
Uma Madame séria, convicta toda a tremer
E...Oh...esqueci-me do que tinha para dizer

Que desgraça foi essa que me deu
Um comprimido para as dores de cabeça, destrambulhou-me
Já passaram por mim hoje mil idiotas de sorriso
E enlouqueci! Acho que estou no...Cinema Paraíso...

sexta-feira, 16 de maio de 2014

SORRI



No meio dos risos surgem os punhais
Este pássaro nunca se perdeu do saber
Nem sempre tive o aconchego de uma porta fechada
Meu Deus “Afasta de mim este cálice” não quero beber

Gostava de conversar contigo Mãe
Dizer-te tanta coisa que fiz
Gostava de sentir o teu sorridente orgulho
Este menino chora mais ao lado, continuo pobre petiz

Gostava que visses os sonhos que plantei
As palavras que escrevi com emoção
Gostava que dissesses a todas estas pessoas que me odeiam
Que tenho bom coração

Gostava que estivesse o Pai
Que vissem o que fiz com as cores do Mundo
Diz aí em cima ao Avô e à Avó
Que só por vos ter não sou assim tão só

Estou doente...
Este corpo às vezes falha, tenho dores
Sem fôlego uma criança morre
Sem amor o poeta é apenas um descrente pateta

Gostava de te dizer o que dizem de mim
Já fiz tanta coisa: Escrevi rezas, canções e peças
Estas mãos herdei de ti Maria, pois é
Esta bondade de ti José

Gostava que quem amo acreditasse em mim
Porque ainda amo, consigo amar
Queria tanto que o ódio sem sentido
Tivesse fim, pudesse acabar

Pois é Mãe, falo contigo todas as noites
Hoje decidi escrever emoções
Cometi erros, magoei pessoas também
Mas sou bom homem neste mundo de contradições

Caminhando está o começo de tudo
Aqui estou, caído, levantar-me-ei e se disserem que morri
Para alguns será dia de festa um alivio
Para ti que me amas, não chores...Sorri...

sábado, 10 de maio de 2014

ESTA NOITE



Trouxe na mão inquietos sentimentos
Não há amor que não possa sentir a chama das palavras
Entrando em mim ri-me do homem mais infeliz deste mundo
Estes versos denunciam este meu mais profundo


Para não pedir, não morrer, não fugir
E agradecido por louvar o teu amor
Aqui o eco das palavras é grito surdo desde então
Sinto uma sede desta ilha que me aperta o coração

Escondi as mãos por entre os sonhos
Queria devorar todos os beijos possíveis
Que me perdoem as feias pessoas sem rosto
És linda! Desde a aurora ao sol posto

Com voz triste digo às vezes a verdade mentindo
Tal como uma réstia de luz que rasga os olhos ao cego
Tal como o espaço provável da tua paixão
Cumpri na palavra o que sou, “Barco num mar de solidão”

Mas, não tenhais pena
Serei uma gaivota repentina, o esgotar dos lábios
Cada instante que cresce como devora as coisas
Este homem, pintor de verdes e lavas

Apetece a estas mãos teu corpo macio
Sem desgosto à hora do poente, teus sorridentes seios
Com inquietude e sem revolta dormir em ti
Sonhar que estou, existi

O meu desejo é o conhecimento da espera
A entrega dos sentidos a todas as memórias
Eu sou, eu, tudo o que sou e não serei para quem quer
O paladino da sétima página da tua história

Ainda só li até á sexta, ou vivi
As palavras chamam-me à realidade, partiste, foste
Ficou esta profunda e sentida saudade
Que me esmagou o peito...Esta Noite...

quarta-feira, 7 de maio de 2014

VENHO TER CONVOSCO


Hoje pacifico-me com todos vós
Hoje fechei à chave o orgulho
Aniquilei a presunção
Hoje abro o meu coração...

...Apenas porque me chamaste à razão...?!
Não, apenas porque decidi por fim, por um fim
Apenas porque te ouvi e não me quis ouvir apenas a mim
Apenas porque jamais ouvirei da minha alma não, vestirei o sim

O sim que faz de mim uma coisa ruim
Porque esta lava incandescente derramada neste peito
Faz de mim um ser diferente, nem sempre grande coisa
Na maior parte das vezes um ser sem jeito

Hoje e sempre guardarei a dor
Apagarei sem hesitar o rancor
Hoje rezarei para cumprir a vida
Hoje falou-me e ouvi, o amor

Amanhã falarei com quem não falo
Vou estender a mão à ofensa
Amanhã serei apenas um homem que olha de frente
Não quero pensar mais pelo que a gente pensa

Vou pintar aquilo que me ditarem os anjos
Escrever sonhos tamanhos
Vou dizer à vida todos os dias
Que se enganou, quem pensou que não sou o que sou

E vou dizer-te a ti sem palavras
Que não sou um inventor de sentimentos
Dizer-te que no perdão das minhas incorreções
Abraçar-te-ei em mil momentos

Hoje ouvi uma grande pessoa
E como são grandes certos corações
Hoje entendi definitivamente
Que amar deve ser isso mesmo “Amar” sem contradições

Sem duvidas, com honestidade para o bem e mal
Sei que escrevi estas palavras como um tosco
E porque ouvi uma pessoa sem me ouvir a mim
De alma nua...Venho Ter Convosco...

terça-feira, 6 de maio de 2014

PARECE MAIS UM MILAGRE




As pessoas detestam-nos quando somos diferentes
As pessoas odeiam a grandeza que Deus fez
As pessoas odeiam quem enobrece a vida
Algumas pessoas são apenas isso mesmo, pessoas, talvez

Percorri todos os caminhos da ilusão
Ganhei rumos, escrevi sonhos, reparti o pão
Segui em frente de cada tonta opinião
Fui tanta vez inocente da vil punição

Percorri uma rua mesclada de negro e fogo
Nesta carne já não há espaço para a seta trespassar
Caminhando está sempre o começo de tudo
Partirei sem glória, nunca esquecerei o chegar

Que bestas!
Deixem viver em paz este poeta judeu
Que só recolhe palavras amargas
Que é crente e sente e não guarda mágoas

Sabem?!
Nasci de uma Mulher de nome Maria
De um bom homem de nome José
São anjos que me guardam e me mantêm de pé

Logo, também tive Mãe...
Pouco, mas algum amor também
Parti só para a vida muito cedo
Senti-me perdido, senti tanto medo

Percorri o mundo em barcos e sonho
Fui no caos mais um, vulgar numero
Senti na pele o chicote e a dor no coração
Senti o roer do estômago na falta de pão

Mas que interessa o pão quando a fome é amor
Que interessa a dor se sabemos o rumo
Está cheio de lágrimas este corpo
Que sorri à vida no Sol a prumo

Que fala com deuses e anjos
Com golfinhos felizes e pássaros flamejantes
Que nunca ninguém entendeu ou amou
Que sou eu e ainda cá estou

E ainda há gente na minha Vila que me abraça
Por ter chorado ainda antes de nascer
O meu coração tem a cor do almagre
Ainda se diz de mim...Parece Um Milagre...

sexta-feira, 2 de maio de 2014

POR DENTRO, VIM NÚ


Venho ter convosco numa terra encantada
Trago as mãos vazias embrulhadas em nostalgia
Trago a lembrança de dias felizes
Trago um aroma de silêncio que em ti vivia

Em sete puras madrugadas em ti morria
Em sete marés em ti no amor crescia
Em sete dias a esperança prometia
Em sete duvidas de injustiça padecia

Sete...!
Falta um, tive apenas seis de Sol e vida
Sou um estranho por dentro de quem não me sabe
Sou apenas um timoneiro de um barco de nome saudade

Tenho as mãos vazias de carinho
A alma ausente do sorriso inebriante
Tenho esse ar altivo que esconde a dor
Tenho o coração amputado do amor

Tenho, tive uma Mãe...
Que num abraço apertado fez de mim artista
Tenho uma lágrima no canto de todas as lembranças
Cerro os olhos, quero sentir com a alma, sem vista

Tenho tudo, nada...
Tenho uma esperança renovada
Às vezes dou por mim como alma penada
Por quem ninguém chora, nem é amada

As minhas manhãs crescem
As minhas noites são azul índigo
As minhas maçãs são amargas de tão doces
Tal como às vezes alguém que se diz amigo

Um poema é o começo ou o fim de tudo?
Com esta agora fiquei cego, surdo, mudo, e tu?
Não passas tal como eu de um infeliz que chora e sorri
Porque ao aqui chegar...Por Dentro, Vim Nú...

terça-feira, 29 de abril de 2014

ÀS VEZES PINTO O AMOR, TANTA VERDADE



Das estrelas que contemplei molhadas
Por rios e orvalhos diferentes
Escolhi apenas a que amava
E desde então durmo com a noite

Da onda, de uma onda e outra onda
Verde mar, verde frio, verde ramo,
Escolhi apenas uma onda;
A onda indivisível do teu corpo

PINTEI ESTA TELA, NÃO É MINHA...

domingo, 27 de abril de 2014

SETE CARAS


Há um abismo em direção da descrença
Não há nenhum barco pronto para partir
No escuro a verdade é coisa demorada
Sem perdão não existe coisa amada

No meio de risos senti todos os punhais
Fui demiurgo de uma comédias de sarcasmo
Semeadas certas pessoas não nascem de novo
Ferido o amor uma boca não deve calar o “AMO”

Há uma manhã de espadas luzindo nos trincos da memória
Não tem rosto o amor num corpo sem voz
Sei que amanhã vai ser amanhã
Sei que dizer-te amo nunca será palavra vã

Transborda este cálice parado em meu coração
As minha flores matinais são escritos do presente
Caminhando na tua ausência está o começo de tudo
Há um pássaro da madrugada que acordou mudo

Há este herói que desconhece o fim da batalha
Entrando em si ri-se a mulher mais infeliz
Caminhado na ausência há o começo de tudo
A preto e branco foste a heroína de um filme mudo

Esta ilha que há em mim
Despedaçada no fim do crepúsculo
Esta lava derramada em meu peito
Faz de mim um poeta sem formosura ou jeito

Acho que cerraste os olhos numa manhã infinita
Cristaliza o balanço do teu pensamento
A palavra recolheu-se em ti amarga
Tudo isso e mais a fome da loucura em vil momento

E estou tão agradecido e louvo o amor
Aprisionei numa caixinha todas as palavras amargas
Rasguei os imagens todas de quem me despreza
Apaguei da alma as aves de...Sete Caras...

sexta-feira, 25 de abril de 2014

VIAGEM ASSOMBROSA




Tenho a garganta rouca de silêncio
Neste abandono cinzento de pessoas
Tenho a alma amputada de crenças
Comigo dentro de mim florescem coisas boas

Nesta ilha as flores são eternas
O verde é lava mansa
Nesta ilha a espera é de um poema ou barco
Nesta ilha abandonei a cor da esperança

Os nomes não têm cor
As almas de mulher também
Os nomes dos sentimentos são mentiras
Há sempre um mentiroso que diz ser alguém

Uma gota de vinho num cálice
Uma navalha cortando um coração
Um rosto virado para o lado da estupidez
Uma palavra de amor perdida no chão

Nascem rugas nas montanhas mais altas
A morte de uma luta, uma flor já murcha
Um papagaio de papel desbotado
Uma criança triste de rosto tapado

Uma janela virada a nascente
Olhos imensos, ausência de horizonte
Uma imensa crença de sonhador
Um barco de papel, navegante

Eu, navegante de silêncios e sonhos
Eu com sangue dos lábios nos dedos
Eu que muita gente quis fazer perder
Eu que nunca ficarei na baia de todos os medos

Eu...
Que não alimento raivas e tenho uma crença formosa
Soltarei o pano das velas deste barco
Nesta...Viagem Assombrosa...

segunda-feira, 21 de abril de 2014

AS DUAS FACES DO AMOR



Escrever um poema é como matar a dor
É ver dormir anjos transparentes
É sonhar com novos horizontes azuis
É encher algumas almas de presentes

Nem um amigo nem uma voz pousaram
Na minha mesa há pão de esperança
Lembro flores de Maio num altar imaculado
Entre tantos olhos e sorrisos onde está a confiança?

Foste uma ilha aparecida de um desconhecido mar
Já virei as costas a gente de navalha na mão
Já pintei no silencio das igrejas negros anjos
Já comi pão sem fome, já ignorei a paixão

Estas pálpebras fechadas deixam escapar rios
É na descrença que o coração corta a palavra
Neste fogo consumidor dos dias vazios
Deste peito dorido jorra lava

Pintemos uma ilha juntos fora dos fantasmas
Como menino que chora sem saber da dor
Como tudo o que se move por sentir a paixão das palavras
Como Arlequim perdido do seu amor

Esta noite respingou um suspiro feliz
Vou deitar fora tudo isto e mais a fome da loucura
E pelos versos que me denunciam
Vou escrevendo de alma pura

São enormes os olhos da raiva
Se soubesses a sede que sinto quando a ilha me aperta o coração
Como gaivota repentina que levando consigo o sofrimento
Como crente que reza e pede ao amor um momento

O espaço provável do encontro é infinito
O instante da verdade violando o pensamento
Este esgotar nos lábios a poesia de um desejado beijo
Este chamar de realidades se ter ensejo

Esta inesgotável fé de ser e sentir
Transmutação de sonho em flor
Este poema é um caso de loucura grave
Ou...As Duas faces do Amor...

sábado, 19 de abril de 2014

UM LUGAR NOS OLHOS




Saí pela porta de uma fria madrugada
Era o tempo de todas as incertezas
Era o tempo que me fugiu à memória
Era o tempo em que os poetas morriam sem glória

Entrei por uma janela de casa marítima
Nessa época já te adivinhava, pressentia
E tive que atravessar toda a noite
Percorri guerras e tréguas e gente que sem querer viver, morria

As árvores permanecem fiéis
Ouvi uma vez o grito do silêncio
Fiquei acordado na mais antiga noite da vida
Fiquei sem fala ao ver-te passar em passada contida

Aprisionei um sorriso antes das oito
Fiquei preso às pedras da calçada
As antigas casas morrem devagar
Em mim nunca morre o amor pela pessoa amada

Percorro uma longe e demorada estrada
Levo em mim o silêncio sobre o sofrimento
No amanhã de muitos anos de uma vida vertiginosa
Guardei uma palavra, apenas uma, para um momento

No lugar do inesperadamente onde nada espero
Bebi rumores de plantas de estranhas cores
Lancei pedras sobre uma onda imperturbável
Sobre o chão dos meus passos há apenas desamores

Repeti o mesmo afago numa pedra polida
Pediram-me para falar da saudade, disse que não sabia
Perguntaram-me se sabia pintar a cor do mar
Perguntaram-me se o meu amor é de uma vida, se conhecia o amar

Venho a esta terra plantar alegria
Venho pintar todas a verdades aos molhos
E de repente o que mais quero
É ter-te...Num lugar nos Olhos...

segunda-feira, 14 de abril de 2014

É NOITE E SINTO




A canção que hoje me apetece cantar, és tu
O poema que te escrevo é Sol
Nossos corpos crispados são punhais sem sentido
Estou cansado deste inverno doído

Sou comandante da minha alma
Dono do meu destino
Houve uma altura que desejei não te ter conhecido
Os meus dias de ti parecem tão distantes, noutro caminho

Naufraguei nesta parte da tua vida
O mosteiro que encerra esta alma vai desmoronar-se
Estou tão zangado comigo
A única traição foi minha Mãe ter partido sem aviso

A felicidade tem que ser paga?
A verdade tem que ser provada com a morte?
A única traição, no amar, é paixão
É não saber, enlouquecer, perder o norte

“O melhor de mim é a parte mais simples”
Escreverei sobre nós um dia
Há que viva encurralado no amor de ninguém
Há quem seja ilha, nostalgia

As sombras que me passam no silêncio do pensamento
Este poema vai crescendo sozinho
Como a angustia da espera morta
O infinito não tem janelas nem porta

Uma revoada de pássaros despertou-me
Uma brisa da tarde aconchegou-me
Uma lembrança de ti acompanhou-me
O sorriso de um sonho de ti lembrou-me

Tudo isto porque já não tenho sal nos olhos
Quem luta com moinhos de vento e tem um longo caminho
Quem promete aos deuses algo e ergue este cálice de absinto
É apenas um lunático como eu e porque...É noite e Sinto...

sexta-feira, 11 de abril de 2014

MENINA DE CARACÓIS


Quantos são os anos de um destino crispado?
Quantas são as folhas secas numa garganta sedenta?
Quantos são os gritos da revolta na longitude da distância?
Porque não crês em vês de vestires essa desconfiança?

“Uma Mulher imensa dentro de um homem nunca se apaga”
Há mulheres, os monumentos, os pássaros, uma pedra
Já dizia o me Amigo Emanuel Félix, “um homem pode amar uma pedra”
Um homem quando ama, constrói um muro, semeia e medra...

“Há uma Mulher em mim como Sol em dia sem fim”
Não há tempo no rumo para a eternidade
Quero construir um silêncio ou um palácio
Quero tatuar-te na alma uma só verdade

“Escrevo esta verdade com insistência”
Porque não há palavra que valha o terror da solidão
E no cerne impercetível da tua terna vontade
Apenas resiste uma infame e mentirosa assombração

Atravessei hoje a ilha pelos olhos de uma criança
Dispersos incêndios que a loucura ateou
Vi uma Mãe linda sentado com dois meninos
Pensei em dor e amor, quem nunca amou?

Acenei-te com um lenço de água
Ser ilha foi sempre a minha vida
Trago sementes de amor nos olhos e só estou quando amo
Direi baixinho “gosto, tanto, quanto te amo”

Levarás esta ilha sempre escondida no silêncio da voz
Vejo a memória entristecendo teus olhos
A ilha tem nome de Anjo, tu chamas-te apenas mulher...
E nele cresce o rumor do Mar, Menina do mar, sem querer

Senta-te neste banco de vida
Penteia as tuas mais incontidas paixões
Quando te lembrares de mim no rumor de um entardecer
Entre o fogo e o abraço inapagável irás ver, querer

Não me demoro, vivo nasço a cada instante
Paro no tempo na procura de sete Sóis
Encontrei uma Mãe de olhar triste
Lembrei-me de uma...Menina de Caracóis...

terça-feira, 8 de abril de 2014

A NOITE DOS MEUS DIAS


São milhões de risos de escárnio
Despedaçando o peito da esperança
São folhas secas espalhadas na boca
É uma tempestade sem ter bonança

Por aqui nesta íngreme enseada de palavras
Alcanço o ardor da injusta e infligida dor
Por aqui um sino tocará cansado no tremor da tarde
Alcanço estas fundações de luz e reverbera o amor...

Foi a nove de abril às três de uma fria manhã
Que uma voz nasceu nestas águas
Um poeta pateta, pintor de saudades, necromante...?!
Cheguei aqui com a sede nos dedos e mil e uma mágoas

Onde estás...?!
Onde estou, estaremos...
Agarrados ao cicio a à aura dos segredos
Lembro-te das sextas, nas manhãs, confiemos...?!

Já lavei a alma das mais íntimas feridas
Hoje procurei o vento e a estação da luz
Na força de um ritual repeti teu nome sete vezes
Há uma árvore de frutos mordidos, uma fé que seduz

Um torpor e a respiração da terra
Um cheiro de solidão, um olhar no horizonte
Em que ilha descubro teus olhos
Onde te posso plantar ternura aos molhos?

Se falasse de ti
Diria teu nome em poema cheio de margaridas
Se dissesse teu nome e queria...
Diria que no encontro há uma gaivota que em mim sorria

E porque também nasci num dia qualquer
Peço-te pois que acredites se em Deus confias
No alto desta noite de chuva fina
Relembro...A Noite dos meus Dias...

sexta-feira, 4 de abril de 2014

JE SUIS MALADE


Um poeta disfarçado pelos espelhos
No esquecimento do Mar brincando
Na era, do nosso murmúrio, surdo das árvores
Contamos luzes atormentadas, amando...

Estou fatigado...
Na obscuridade de um gemido de mãos cansadas
Enquanto o vento as violenta com desejo surdo de ti
Sentado na pedra molhada, contei luzes atormentadas, morri

Minha alma estará sempre aberta ao raiar da aurora
Éramos, somos, seremos a consciência do amanhecer
E riamos desalmadamente na madrugada extensa
Acreditando na misteriosofia do morrer sem viver

E num vazio tão profundo como a caricia serena
Que nos separa do abraço, da solidão
Já não sei se ouvi palavras ou passos súbitos
Ou terá sido teu terno coração...?

Não recordarei personagens longínquas e cruéis
Como pássaro de silêncio as riscarei do peito
Há entre ti e mim um pacto na penumbra
Há entre mim e Deus uma promessa de espera

Disfarçado de inquietude surgiu o desgosto a poente
Estes olhos manietaram-se junto à sombra, revolta
Não consigo rebentar com os corredores esquecidos da memória
Há coisas tão importantes neste poema, tanta história

Estou cansado...!
De construir um ruído mudo de silêncio
Por maldições meu corpo será, pão, fogo, fome ou mar
Ou serei a parte errada da palavra amar...!?

Sou poeta porque descobri a razão inexplicável de estar aqui
E aqui cheguei num barco de nome saudade
Prostrado no desejo da pedra e conhecimento da espera
De tanta dor...Je suis Malade...

sábado, 29 de março de 2014

TEM O PODER DA ÁGUA A PALAVRA



És uma flor apertada no desamor
Uma menina que amei sem preconceito
Vivemos no sonho um ninho de maçãs maduras
Tinhas no olhar a ternura e uma branca paixão no peito

Um arauto falou-me de infortúnio
Procurei-te numa fúria molhada pelas marés
É no estio que o coração corta as palavras
Olhei-te do alto de um altaneiro convés

Olhos de branca Garça...
Nas madrugadas perdi-me no canal
Erigimos um lugar para a lembrança
Na espera, negociei com os deuses um final

Rasguei a propositada brancura do papel
No intrínseco verde dos pastos inesgotáveis
Fiz um tapete de frescas hortências para te amar
Fiz mil orações para te encontrar

Pintemos depressa montanhas fora do alcance dos fantasmas
Aprisionemos as águas que separam nossos corpos
Assim como vamos ao encontro do passado
Abraça-me, é assim que construo as casas, com cuidado

Houve tanta noite nos meus dias
Houve tanta madrugada de luz fria
Houve tanta saudade, nostalgia
E uma lembrança que em mim sorria

Haverá sempre a chegada das marés
Dor, alegria, mágoa, frágua
E um porto de alegre espera
Onde...Tem o Poder da Água a Palavra...

quinta-feira, 27 de março de 2014

NO MEU PALCO



Nesta plateia verás os vestígios dos últimos sonhos
Duas lágrimas que secaram na madrugada
Quando as luzes se calarem na ausência da cena
Tu sentirás pena por já não seres Dama amada

Sou um Ator anónimo no caos do Mundo
Com uma alegria breve no olhar
O teu rosto perdeu-se na desordem das marés
Vi uma ave perdida, o amor a passar

Mas sintam as pancadas de Molière
Corram a cortina vai começar a peça de uma vida
Numa sarça ardente escreveste a palavra traição
Atiraste ao palco toda a tua contradição

Uma bailarina vestiu-se de Columbina
Atiraste ao fogo este triste Arlequim
Do lume de ti, nunca se aparta o amor
Entre as ruÍnas do crepúsculo, será afastado o fim

Em círculos de solidão afinou um violino
As abambolinas escondem um nome
Húmidos são teus olhos da memória
Há por escrever uma fantástica história

Estou no proscénio onde ardem as sombras
Procuro os prodígios de um jardim de ventos
Que flor faz nascer a verdade do teu crer?
Que recato da tua alma guarda os felizes momentos?

Este pano de cena que teima não fechar
Vez agora a nudez da tuas incertas convicções
E na translúcida serenidade de uma casa
Irão abraçar-se dois perdidos corações

Que vestido abandonaste na cadeira?
Que palavras ficaram por dizer
Hoje senti-me perdido ao olhar para um retrato
E quedei-me em silêncio...No meu Palco