domingo, 29 de junho de 2014

O IMPÉRIO DO SOL



Esta cabeça não para
Este pensamento alucinado
Esta alma que tudo colhe
Este coração de mal-amado

Este ser descalço vestido de fé
Esta viagem longa, imensa, dói
Só, sempre só, este imenso Mundo
Este mergulho ao profundo

Estes pés descalços
Estas pedras afiadas, lâminas
Esta ânsia de ajudar, de amar
Esta maldade que me atinge em chamas

Tenho fome de sinceridade
Não consigo entender a maldade
Puta de vida! As pessoas não prestam
Este é um dos sentimentos que ainda restam

Hoje acordei num clarão
Pensei ser Deus a tirar uma foto do Mundo
Tenho sede de acreditar em algo
Tenho o corpo flagelado de castigo

Então rapaz, para onde vais
Vão-se quebrando as colinas onde me abrigo
De vida em tempo recolho água e pão
Sobrevivo graças a esta força, este coração...

...Que não para de bater
De quantas Luas se fará ainda meu destino?!
Já perdi algumas vezes a razão do viver
Já acendi uma vela para orientar o crer

Já enverguei o manto do Senhor
Rezei ontem e pedi paz e amor
Estive só como sempre a vida ordenou
Pedi luz e perdoei quem me infligiu dor

Por estes dias a noite mais escura aconteceu
Por estes tempos decidi continuar a trilhar sozinho um destino
Decidi abrir as velas ao vento neste atol
E procurarei...O Império do Sol...

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O TEMPO SORRIU



Um dia descobri a cor do Mar
Descobri que as gaivotas são pedra de sal
Que os golfinhos são os olhos de Deus no Mundo
Que mora em mim tanto crer em meu profundo

Pensei que nunca saberia falar do Mar
Vesti-me de corpo inteiro para o sentir
Repousei na areia qual barco em espera
E desenhei na mesma um desejo, uma quimera

Os sonhos são isso mesmo, sonhos
São uma longe e demorada estrada
São um sorriso, fé, momento
O silêncio do querer, alegria, sofrimento

Com a sua idade indecisa
Este vento lembra-me o vazio da maldade
Com este alento que sugere a subida aos píncaros
Inventei uma feliz cidade

Inventei pessoas transbordantes de amor
Uma lamparina na casa onde moras
Inventei a palavra que faltava do verbo amar
E li numa parede velha: “ALIANÇA DAS COBRAS”

Não gostei da frase confesso
Como sou crente detesto a palavra serpente
Entre os muros de pedra onde antes havia um verdejante vale
Deixei promessas de verdade, de puro amor, um presente

É na vida que continuarei a plantar sonhos
Sei que tal como os pássaros hesitarei na abordagem dos ramos
Nunca terei medo da noite que chegará sempre
Continuarei a pintar sorrisos, apagarei desenganos

Por tudo isso o que não é pouco
Resolvi fazer um feitiço
Pendurei alecrim no teto da cozinha
Fiz um defumadouro, com chapéu de bico, barba e bigode postiço

Não resultou como já se aperceberam
Errei na poção de amor, pôs “amar” a mais
Numa nuvem de descrença aquilo explodiu
Que tolo és poeta...O Tempo Sorriu...

terça-feira, 24 de junho de 2014

PEDRA ARA



No afago das vagas dorme a ilha
No final de todos os caminhos existe a paz
Sem bússolas, sem mapas, sem rumo
Este Sol imenso que ilumina meu destino

A estrada do céu é infinita
Folheando livros esquecidos encontrarão a minha história
Serão palavras dispersas num céu sem luz?
Serão beleza, exaltação, feliz memória...

Serão o que for
Neste anseio louco de tocar as estrelas
Neste coração a pulsar ao ritmo das vagas
Na grandeza silenciosa e contemplativa não guardo mágoas

Para alguns
Os sentimentos vão e vêm como nuvens
Às vezes são a crista negra de um penedo
Às vezes imensos, às vezes metem medo

Nos sonhos não podemos falhar
Sem querer, já magoei pessoas
A minha vida nunca será reflexo de outra
Mas, são tão falsas as pessoas, todas

Às vezes amar não é um sentimento, é um dever
Às vezes uma fatalidade
Às vezes damos por nós acreditar que é possível
Às vezes pensamos ser verdade

Há uma prometida viagem ao meu espírito
Aprisionei os ponteiros de um relógio
Nesta sensação de ser diferente um sentimento partiu
Olhei a vida, o tempo sorriu

Brilha neste ser a pureza de primaveril aurora
Meu Deus ensina-me a procurar “TE”
Quero manter o meu nome, ser concreto
O amor que nos ama é tão incerto

Talvez volte a esta terra numa tarde tranquila de gaivotas
Tenho sede de morrer para este destino
Nestes dias para além de uma esquecida Primavera
Deixem-me na paz, este tonto, como dizia minha Mãe, este menino

No resplendor dos dias aquecerei meus olhos
Porque esta alma continua, não para
Toco de leve esta mesa onde celebram o TEU sacrifício
Beijo esta...PEDRA ARA...

sexta-feira, 20 de junho de 2014

SUBLIME SENTIR


Acordei e bebi o meu silêncio
As manhãs são a luta da neblina e do Sol
Hoje vou vestir-me de simples homem
Não serei artista, nem barqueiro de um triste atol

Não sei, se ouvirás a palavra inatingível
Neste respirar de um novo dia dos pássaros
Intemporais e silenciosas são sempre as estrelas
Assim como o amor, assim como em ti o louvor

Sob o céu sem nuvens
Hoje, aqui, em qualquer outra parte
Este é o ultimo tempo de um Setembro que se avizinha
Folhas de cristal, raiz de pedra, uma terna espera

Pediram-me que falasse na saudade
Disse que não sabia, apenas sentia
Pediu-me uma grande Amiga tua que falasse de Ti
Disse que por ti, nunca saberia o que dizer, que fiquei, não parti

Disse que quando flutuo em teus olhos
Somos uma ilha verde e outra azul
Disse que teus ondulantes cabelos negros
São barco navegando na brisa a sul

As pedras que me lançaram
Imperturbável, já as lancei sobre as ondas a espaços
Este Sol sereno, teimosamente arde
Sobre o chão dos meus passos

Sabes, nunca saberei o que dizer do fascínio das pedras negras
Ficarei sempre triste na partida dos garajaus
Seguirei sempre o voo das cagarras
E amar-te-ei eternamente sem fronteiras, sem amarras

Já ouvi pararem teus passos algumas vezes
Já lavei do meu coração íntimas feridas
Já te tive plena em oração
Já andei perdido no deserto das errâncias e senti tua mão

Escrevo este poema na transparência da música
Um dia disse-te: “não há duas reais verdades”
Um dia disse-te: “nunca te afastes do que será”
Nunca deixes de crer, não mates as saudades”

Ainda guardo a inocente idade de plantar o vento
Sobre o orvalho das maçãs há uma menina que não quer o partir
Serenos como os teus olhos, uma lágrima, crer
Assim é este...SUBIME SENTIR...

sábado, 14 de junho de 2014

MEU AMOR...



Há um momento na nossa vida
Em que nascemos de alma confiante e nova
Escrevo com insistência estas palavras tingidas de amor
E descobri mais em ti nas palavras que se abrirão em flor

Tal como uma ave que abre espaços na Primavera
Serás sempre vibrante de paixão
Não há coisa mais importante para o poema
Do que a lágrima que aprisionei derramada do teu coração

Na distância sinto-te mais perto
Prometi a mim mesmo abrir teu coração de par em par
Quando as hortências forem mar de único azul
Construirei uma casa para nunca mais me desencontrar

Sabes...!?
Falei de Ti a uma pessoa especial
Perguntei que faço, que digo, que espero...?
Não serei derrotado pela madrugada, não quero

Não haverá mais descontentamento nos meus Invernos
Não haverá reserva do meu pensamento desperto
Não haverá mais duvida nas margens do silêncio
Não haverá mais reserva, apenas o concreto

Este poeta estendeu todas as palavras na tua mesa
Este poeta atravessou montanhas para celebrar um filho
Este poeta morde o chão e chora quando o seu querer não alcança
Este poeta nunca venderá de barato a esperança

Falemos pois dos suspiros dos pássaros
Lembremos que a dor não define objetivos
Libertei do mar barcos de cansadas âncoras
Libertei as duvidas ao som de sinos festivos

Importas-te que fique contigo apreciando a noite?
Não insistam trazer-me postais de um realidade gasta
E como contigo não importa mais nada
Buscarei novos pontos cardeais e direi a alguns, basta

E voarei na bruma evitando a penedia
Plantarei na tua varando uma planta com flor
Direi a ao mar, soltarei ao vento
Quem és...Meu Amor...

segunda-feira, 9 de junho de 2014

SEMENTES DO OLHAR



Não direi o teu nome a ninguém, ainda
Só poderei responder ao eco do meu próprio nome
Como Garça, soubeste ouvir o sonho
De túnica de anjo amarás este ser bisonho

Há céus escondidos sob as tuas vidradas pálpebras
As alegrias das memórias do que ainda somos
Na fonte do imaginável e irreal te encontrei
Cruzarei a terra, plantarei florestas para dizer que te amei...

Amo...
De mil soldados não sairá um poeta
Já aprisionei esta guerra de loucuras
Já plantei todas as palavras puras

A minha paixão por ti é uma recusa à fatalidade
Nas folhas caídas ainda mora o verde da fascinação
A felicidade não nos pertence, estou certo
Mas senti-a nos teus olhos, tão perto

Por isso a tua imagem gravita nos trincos do meu pensamento
Teus cabelos soltos floridos são raios da madrugada
Amo-os, esguios, soltos, como o livre pensamento
Trago-te uma hortência fresca para eternizar um feliz momento

Já te disse: “Há um lugar entre fronteiras onde tudo faz sentido”
Há tanto a florescer de pequenos nadas
Há em ti a reinvenção do gesto das gaivotas amanhecer
Há em ti a fonte de milagrosa água onde a saudade pode beber

Às vezes é preciso acordar o silêncio
No gesto demorado de abrir janelas
Para mim, nunca serás uma menina sorridente acenar num cais vazio
No meu abraço, nunca te aprisionará no tempo o frio

Travadas as portas abrem-se devagar
Levei seis felizes dias para aqui chegar
Descobri uma terra entre dois mares
Lancei nela...Sementes do teu Olhar...

sábado, 7 de junho de 2014

VERBO QUE CANTA


No rumor do crepúsculo a esvanecer
Rasguei os caminhos da ilha contigo
Percorri estradas e ofereci-te palavras
Na verdade, olhei teus lindos olhos de cansaço noturno...

...Lágrimas...
Vi teus lindos e ternos olhos a chorar junto aos meus
Vi amor, saudade, vontade...
Quantas vezes terei que te dizer adeus?

Há um momento na nossa vida
Em que renascemos na memória feliz
Ontem recriei a cores e os aromas do mundo
No espaço dos anjos, estás no meu mais profundo

Menina do Mar
Quis levar-te onde o mar devolveu meu Pai
Menina dos meus olhos, sem contradições
Que cresceste nos umbrais das estações

Na ardência de todos os sentidos
Sei que no Sol e no Mar existem outras dimensões
Tal como eu, Deus viu em ti a sombra das rosas
O resplendor de duas lágrimas unirão corações

Entreguei-te todas as minhas verdades
São tão íngremes os degraus do tempo
Na passagem alta de uma ave
O ar liberta o odor dos sonhos passados, por um momento

Gosto do teu riso, da tua voz vestida de meiguice
É prodígio plantado num jardim
Toquei-te temeroso a mão
Meus Deus, como sorriu este coração

Que noite...
Descobri a mesma encantada ilha nos teus olhos
Toquei imperturbáveis cabelos na claridade
Descobri que é impossível morrer a saudade

Vez agora a mudez dos fazedores de neblinas?
Na minha alma tu levitas como um anjo de água
Há um templo nesses teus olhos enublados
Porque o meu sonho é maior que a palavra

Vez agora que ainda me deves um dia de sete?!

Derrubarei contra o tempo, altos e inumeráveis muros
Sei que o amor acolhe-se, não se espanta
No prodígio de uma oração solto este...Verbo que Canta...

DEDICO ESTE POEMA A UMA PESSOA QUE AMO

terça-feira, 3 de junho de 2014

QUANDO TE LEMBRARES DE MIM

QUANDO
Perdem-se as memórias nos espelhos
Esta minha ilha tão perto do Mar
Um odor de ti sorriu à lembrança
Inexplicável é o deserto onde perdeste o amar

Abro as mãos às tuas ultimas palavras
Ficará suspenso o pó do amor nas sombras
Escrevo para que oiças um Violoncelo
Nelas encontro tristes gaivotas em suspenso

Com este Mar sempre em fundo
Com este oceano de hortências que pintam a ilha
Com tudo aquilo que sou e sabes quanto
Com a pedra e água de uma aurora de espanto

Vim de um longe, onde sorriem as acácias rubras
Cheguei num nevoeiro matizado de errâncias
Lavei as minhas íntimas feridas nas águas de uma lagoa
Amar-te-ei, neste verão de descontentamento, até que, a alma me doa

Nesta ilha, onde há uma pedra, também há uma flor
Há a fé, o milagre desencadeador de uma paixão
Nesta ilha, há a bênção do sangue o do pão
Há um aguaceiro que promete pacificar meu coração

Inimagináveis são os espaços da minha alma
Sou a dimensão uma branca página inteira
O desfio de um verde rasgando o azul
Porque o poeta nunca se perde, nunca adormece, esquece

O amor límpido dos pássaros lembra-me teu rosto
Há um lugar entre fronteiras onde as coisas fazem sentido
Partimos aos poucos para lugar nenhum
Há uma verdade tão simples, um querer incontido

Nunca ficarei à espera do adormecimento inadiável
Estendo os dedos ao destino com a mão aberta
Gostava de visitar o lugar onde brincam os golfinhos
Gostava de habitar o lugar onde os pássaros fazem os ninhos

Gostava...
De te dizer o inadiável das palavras
Que há um sentimento que teima não ter fim
Pensa apenas no Mar...Quando te Lembrares de Mim...

sexta-feira, 30 de maio de 2014

ENSEADA DE PALAVRAS



Ouvirei passos de vento
Virão ao meu encontro gaivotas azuis
Trago no peito uma hortência fresca de junho
Trago na mão uma verdade que empunho

Quando as aves cantam ao entardecer
Fico-me pela ramagem da nostalgia
Sinto os prodígios da música feliz
Este homem, este poeta, este petiz

Correm nas horas palavras como amoras
Um rosto atravessa isolados prados na vida
Deixei de plantar carinho, quando não me querem
Fechei a ternura numa caixinha devolvida

Quem és!?
Para onde correm os teus anseios?
Os meus olhos apenas recolhem cânticos de silêncio
Já não navego na Baia de todos os medos

Uma pequena pedra, a sorte...?!
A fé que me guia e me dá norte
Pedra na voz de uma menina
Não há melancolia, recomeçarei, não há morte!

Nos bolsos de um espantalho encontrei
Um papel que dizia assim:
“Nesta ilha descobri teus olhos
No acreditar voltarás para mim”

Se falassem estas mãos diriam
Ouve a voz imensa da terra
Que nunca morra a saudade
Que se instaure uma real verdade

São brancos os meus sentires
É alva a minha dorida alma
Que ninguém me trate mais como: “és mesmo assim”
Que se fechem os impuros corações que se lembram de mim

Eu já existia na ausência do teu nome
Sou um menino sem revolta ou mágoas
Nestas ultimas e felizes horas
Habitei numa...Enseada de Palavras...

terça-feira, 27 de maio de 2014

CAMINHOS BRILHANTES



Quem são aqueles seres envoltos em maldade?
Tudo engole, a voracidade desta raiva
Inesgotável é esta força que me acalenta
Imensa é esta luz que me protege e sustenta

Serão as mulheres os únicos seres perfeitos...!?
Será este homem o mais desalinhado do planeta?
Serão certas mulheres apenas isso mesmo, mulheres?
Conheci algumas flores da treta

Quero pintar mares fora do alcance dos fantasmas
Colorir as mágoas de carmesim
Quero ter aos ombros em afago a Capa do Senhor
A mesma que à alguns dias me libertou da dor...

Quero tanto!
Passei a querer novamente que me quisesse o Mundo
Nunca gostarei do sabor do ódio
Nunca tocará o meu mais profundo

Tens os olhos cheios de certezas gastas
As mãos sujas das pedras de arremesso
A alma vazia da semente do perdão
Um pedaço de feia lava no lugar do coração

Não sei porque escrevi a quadra acima
É preciso sorrir para que cresça a vida
Perdida dentro de mim há apenas uma memória
Fechei a alma de pássaro ferido a uma triste história

Abri a janela do sonho de par em par
Amenizei a importância das feridas e sou um barco
Quero inventar uma mulher de sonho calma
Quero que ela veja o que guarda esta alma

Quero inventar um vento calmo
Este espírito alucinado diz-me que sou terra
Imperturbável apercebo-me que se esfumou a importância
E neste silêncio vindo de dentro, sou paz, amor sem espera

E não espera o poeta
Não abraçarei mais sentimentos inconstantes
E no rumor deste silêncio vindo de dentro
Descubro o rumo para...Caminhos Brilhantes...

sexta-feira, 23 de maio de 2014

COM AMOR SEM RAIVA



Nem um amigo, nem uma palavra verdadeira
Pousaram na minha mesa
Tive um sonho longo e vazio em que se desfez teu rosto
Sou uma bÓia num poço de silêncio

Inventei uma cidade
Uma mulher séria que me amasse
Inventei um ser verdadeiro, um presente
Nasceu das pedras uma serpente

Inventei o amor num coração vazio
Inventei uma deusa sem trindade
Inventei uma forma de dar calor ao gelo
Inventei asas para a saudade

Inventei-te...!
Desejei um desejo com sangue nos lábios
Há quem me largue socos quando apenas quero abraçar
Há que tenha inventado a parte mais negra do amar

Há quem respire com raiva
Tal como um Arauto que passa e morre
Sabes!? É no estio que o coração prende as palavras
É neste teu longo Inverno que se avizinha que eclodirão mágoas

Que se enganem os que pensam
Que este poema é para alguém
É apenas o vómito de uma estupidez
Que encontrei numa pessoa...outra vez

E que se enganem os que pensam
Que não estou alegre e feliz
A esses “Vão para a puta que os pariu”
Vou estrear mais uma peça, é o que faço, fiz

Não me desejem sorte
Também não esperava isso de vós
Sabem quando escrevi bêbado estava
Saiu uma comédia que tem...AMARGO AMOR SEM RAIVA...

domingo, 18 de maio de 2014

CINEMA PARAISO



É afinal na mais simples equação do amor
Que se encontra a razão de viver
É afinal na total ausência do sentir
Que faz sentido um horizonte, partir

Esta viagem ainda faz sentido...!
Esta minha demanda pela razão
Aí vês que os homens não têm importância
Então compreendes que és um pássaro, morres, ou não

Voas e o teu corpo é apenas, nada
Respiras a custo numa mão fechada
Nadas num mar de nadas, de boca calada
Choras e ris como alma penada

E ouves uma mulher vestida de vento
Uma criança perdida num momento
Uma desgraça desgraçada sem alento
Uma cabeça dura sem convencimento

E botas-te pela rocha abaixo
Só porque a mulher rachou o tacho
E afogas as mágoas em vinho forte e macho
Cais no esquecimento tonto e borracho

Muita merda!...muita merda!
E querem ver não vai haver peça
Pois o ator partiu uma perna, que pena, luz apagada
Queimem a plateia, que tragédia, que merda!

Senhoras e senhoras era para ser:
Uma tragédia Grega linda de morrer
Uma Madame séria, convicta toda a tremer
E...Oh...esqueci-me do que tinha para dizer

Que desgraça foi essa que me deu
Um comprimido para as dores de cabeça, destrambulhou-me
Já passaram por mim hoje mil idiotas de sorriso
E enlouqueci! Acho que estou no...Cinema Paraíso...

sexta-feira, 16 de maio de 2014

SORRI



No meio dos risos surgem os punhais
Este pássaro nunca se perdeu do saber
Nem sempre tive o aconchego de uma porta fechada
Meu Deus “Afasta de mim este cálice” não quero beber

Gostava de conversar contigo Mãe
Dizer-te tanta coisa que fiz
Gostava de sentir o teu sorridente orgulho
Este menino chora mais ao lado, continuo pobre petiz

Gostava que visses os sonhos que plantei
As palavras que escrevi com emoção
Gostava que dissesses a todas estas pessoas que me odeiam
Que tenho bom coração

Gostava que estivesse o Pai
Que vissem o que fiz com as cores do Mundo
Diz aí em cima ao Avô e à Avó
Que só por vos ter não sou assim tão só

Estou doente...
Este corpo às vezes falha, tenho dores
Sem fôlego uma criança morre
Sem amor o poeta é apenas um descrente pateta

Gostava de te dizer o que dizem de mim
Já fiz tanta coisa: Escrevi rezas, canções e peças
Estas mãos herdei de ti Maria, pois é
Esta bondade de ti José

Gostava que quem amo acreditasse em mim
Porque ainda amo, consigo amar
Queria tanto que o ódio sem sentido
Tivesse fim, pudesse acabar

Pois é Mãe, falo contigo todas as noites
Hoje decidi escrever emoções
Cometi erros, magoei pessoas também
Mas sou bom homem neste mundo de contradições

Caminhando está o começo de tudo
Aqui estou, caído, levantar-me-ei e se disserem que morri
Para alguns será dia de festa um alivio
Para ti que me amas, não chores...Sorri...

sábado, 10 de maio de 2014

ESTA NOITE



Trouxe na mão inquietos sentimentos
Não há amor que não possa sentir a chama das palavras
Entrando em mim ri-me do homem mais infeliz deste mundo
Estes versos denunciam este meu mais profundo


Para não pedir, não morrer, não fugir
E agradecido por louvar o teu amor
Aqui o eco das palavras é grito surdo desde então
Sinto uma sede desta ilha que me aperta o coração

Escondi as mãos por entre os sonhos
Queria devorar todos os beijos possíveis
Que me perdoem as feias pessoas sem rosto
És linda! Desde a aurora ao sol posto

Com voz triste digo às vezes a verdade mentindo
Tal como uma réstia de luz que rasga os olhos ao cego
Tal como o espaço provável da tua paixão
Cumpri na palavra o que sou, “Barco num mar de solidão”

Mas, não tenhais pena
Serei uma gaivota repentina, o esgotar dos lábios
Cada instante que cresce como devora as coisas
Este homem, pintor de verdes e lavas

Apetece a estas mãos teu corpo macio
Sem desgosto à hora do poente, teus sorridentes seios
Com inquietude e sem revolta dormir em ti
Sonhar que estou, existi

O meu desejo é o conhecimento da espera
A entrega dos sentidos a todas as memórias
Eu sou, eu, tudo o que sou e não serei para quem quer
O paladino da sétima página da tua história

Ainda só li até á sexta, ou vivi
As palavras chamam-me à realidade, partiste, foste
Ficou esta profunda e sentida saudade
Que me esmagou o peito...Esta Noite...

quarta-feira, 7 de maio de 2014

VENHO TER CONVOSCO


Hoje pacifico-me com todos vós
Hoje fechei à chave o orgulho
Aniquilei a presunção
Hoje abro o meu coração...

...Apenas porque me chamaste à razão...?!
Não, apenas porque decidi por fim, por um fim
Apenas porque te ouvi e não me quis ouvir apenas a mim
Apenas porque jamais ouvirei da minha alma não, vestirei o sim

O sim que faz de mim uma coisa ruim
Porque esta lava incandescente derramada neste peito
Faz de mim um ser diferente, nem sempre grande coisa
Na maior parte das vezes um ser sem jeito

Hoje e sempre guardarei a dor
Apagarei sem hesitar o rancor
Hoje rezarei para cumprir a vida
Hoje falou-me e ouvi, o amor

Amanhã falarei com quem não falo
Vou estender a mão à ofensa
Amanhã serei apenas um homem que olha de frente
Não quero pensar mais pelo que a gente pensa

Vou pintar aquilo que me ditarem os anjos
Escrever sonhos tamanhos
Vou dizer à vida todos os dias
Que se enganou, quem pensou que não sou o que sou

E vou dizer-te a ti sem palavras
Que não sou um inventor de sentimentos
Dizer-te que no perdão das minhas incorreções
Abraçar-te-ei em mil momentos

Hoje ouvi uma grande pessoa
E como são grandes certos corações
Hoje entendi definitivamente
Que amar deve ser isso mesmo “Amar” sem contradições

Sem duvidas, com honestidade para o bem e mal
Sei que escrevi estas palavras como um tosco
E porque ouvi uma pessoa sem me ouvir a mim
De alma nua...Venho Ter Convosco...

terça-feira, 6 de maio de 2014

PARECE MAIS UM MILAGRE




As pessoas detestam-nos quando somos diferentes
As pessoas odeiam a grandeza que Deus fez
As pessoas odeiam quem enobrece a vida
Algumas pessoas são apenas isso mesmo, pessoas, talvez

Percorri todos os caminhos da ilusão
Ganhei rumos, escrevi sonhos, reparti o pão
Segui em frente de cada tonta opinião
Fui tanta vez inocente da vil punição

Percorri uma rua mesclada de negro e fogo
Nesta carne já não há espaço para a seta trespassar
Caminhando está sempre o começo de tudo
Partirei sem glória, nunca esquecerei o chegar

Que bestas!
Deixem viver em paz este poeta judeu
Que só recolhe palavras amargas
Que é crente e sente e não guarda mágoas

Sabem?!
Nasci de uma Mulher de nome Maria
De um bom homem de nome José
São anjos que me guardam e me mantêm de pé

Logo, também tive Mãe...
Pouco, mas algum amor também
Parti só para a vida muito cedo
Senti-me perdido, senti tanto medo

Percorri o mundo em barcos e sonho
Fui no caos mais um, vulgar numero
Senti na pele o chicote e a dor no coração
Senti o roer do estômago na falta de pão

Mas que interessa o pão quando a fome é amor
Que interessa a dor se sabemos o rumo
Está cheio de lágrimas este corpo
Que sorri à vida no Sol a prumo

Que fala com deuses e anjos
Com golfinhos felizes e pássaros flamejantes
Que nunca ninguém entendeu ou amou
Que sou eu e ainda cá estou

E ainda há gente na minha Vila que me abraça
Por ter chorado ainda antes de nascer
O meu coração tem a cor do almagre
Ainda se diz de mim...Parece Um Milagre...

sexta-feira, 2 de maio de 2014

POR DENTRO, VIM NÚ


Venho ter convosco numa terra encantada
Trago as mãos vazias embrulhadas em nostalgia
Trago a lembrança de dias felizes
Trago um aroma de silêncio que em ti vivia

Em sete puras madrugadas em ti morria
Em sete marés em ti no amor crescia
Em sete dias a esperança prometia
Em sete duvidas de injustiça padecia

Sete...!
Falta um, tive apenas seis de Sol e vida
Sou um estranho por dentro de quem não me sabe
Sou apenas um timoneiro de um barco de nome saudade

Tenho as mãos vazias de carinho
A alma ausente do sorriso inebriante
Tenho esse ar altivo que esconde a dor
Tenho o coração amputado do amor

Tenho, tive uma Mãe...
Que num abraço apertado fez de mim artista
Tenho uma lágrima no canto de todas as lembranças
Cerro os olhos, quero sentir com a alma, sem vista

Tenho tudo, nada...
Tenho uma esperança renovada
Às vezes dou por mim como alma penada
Por quem ninguém chora, nem é amada

As minhas manhãs crescem
As minhas noites são azul índigo
As minhas maçãs são amargas de tão doces
Tal como às vezes alguém que se diz amigo

Um poema é o começo ou o fim de tudo?
Com esta agora fiquei cego, surdo, mudo, e tu?
Não passas tal como eu de um infeliz que chora e sorri
Porque ao aqui chegar...Por Dentro, Vim Nú...

terça-feira, 29 de abril de 2014

ÀS VEZES PINTO O AMOR, TANTA VERDADE



Das estrelas que contemplei molhadas
Por rios e orvalhos diferentes
Escolhi apenas a que amava
E desde então durmo com a noite

Da onda, de uma onda e outra onda
Verde mar, verde frio, verde ramo,
Escolhi apenas uma onda;
A onda indivisível do teu corpo

PINTEI ESTA TELA, NÃO É MINHA...

domingo, 27 de abril de 2014

SETE CARAS


Há um abismo em direção da descrença
Não há nenhum barco pronto para partir
No escuro a verdade é coisa demorada
Sem perdão não existe coisa amada

No meio de risos senti todos os punhais
Fui demiurgo de uma comédias de sarcasmo
Semeadas certas pessoas não nascem de novo
Ferido o amor uma boca não deve calar o “AMO”

Há uma manhã de espadas luzindo nos trincos da memória
Não tem rosto o amor num corpo sem voz
Sei que amanhã vai ser amanhã
Sei que dizer-te amo nunca será palavra vã

Transborda este cálice parado em meu coração
As minha flores matinais são escritos do presente
Caminhando na tua ausência está o começo de tudo
Há um pássaro da madrugada que acordou mudo

Há este herói que desconhece o fim da batalha
Entrando em si ri-se a mulher mais infeliz
Caminhado na ausência há o começo de tudo
A preto e branco foste a heroína de um filme mudo

Esta ilha que há em mim
Despedaçada no fim do crepúsculo
Esta lava derramada em meu peito
Faz de mim um poeta sem formosura ou jeito

Acho que cerraste os olhos numa manhã infinita
Cristaliza o balanço do teu pensamento
A palavra recolheu-se em ti amarga
Tudo isso e mais a fome da loucura em vil momento

E estou tão agradecido e louvo o amor
Aprisionei numa caixinha todas as palavras amargas
Rasguei os imagens todas de quem me despreza
Apaguei da alma as aves de...Sete Caras...

sexta-feira, 25 de abril de 2014

VIAGEM ASSOMBROSA




Tenho a garganta rouca de silêncio
Neste abandono cinzento de pessoas
Tenho a alma amputada de crenças
Comigo dentro de mim florescem coisas boas

Nesta ilha as flores são eternas
O verde é lava mansa
Nesta ilha a espera é de um poema ou barco
Nesta ilha abandonei a cor da esperança

Os nomes não têm cor
As almas de mulher também
Os nomes dos sentimentos são mentiras
Há sempre um mentiroso que diz ser alguém

Uma gota de vinho num cálice
Uma navalha cortando um coração
Um rosto virado para o lado da estupidez
Uma palavra de amor perdida no chão

Nascem rugas nas montanhas mais altas
A morte de uma luta, uma flor já murcha
Um papagaio de papel desbotado
Uma criança triste de rosto tapado

Uma janela virada a nascente
Olhos imensos, ausência de horizonte
Uma imensa crença de sonhador
Um barco de papel, navegante

Eu, navegante de silêncios e sonhos
Eu com sangue dos lábios nos dedos
Eu que muita gente quis fazer perder
Eu que nunca ficarei na baia de todos os medos

Eu...
Que não alimento raivas e tenho uma crença formosa
Soltarei o pano das velas deste barco
Nesta...Viagem Assombrosa...