quinta-feira, 24 de julho de 2014

ERAS ASSIM



O inquietante de uma planície sem verde
Um velho que estende a mão e coxeia
Na sombra vive a maldade e a contradição
Uma fresta que rasga os olhos ao cego do coração

Não haverá instante teu que me viole o pensamento
O espaço provável onde habitam as gaivotas
Será o Mar ou ardência da pedra?
Será a tua alma um cais vazio de espera?!

Não se esgota em meus lábios a poesia infinita
Tampouco mares azuis, ventos imensos, mares estranhos
Já ouvi muita voz calada de branda fala
Já seduzi o tempo e sonhei sonhos tamanhos

Deixai-me construir a grandeza neste mundo de pobreza
Deixai-me construir castelos nas sombras indecifráveis
Deixai-me rebentar com corredores esquecidos, ter opinião
Deixai-me voar em paz nestes anos de solidão

Mas falemos da/e pobreza
Na entrega dos sentidos fui imenso “foste pobre”
Na generosidade da alma fui grande, imparável
No amar fui pleno e tratado como miserável...

...Enriqueci!
Tal como os pássaros suspirei de penas
Na opacidade dos vossos olhos, apenas sou
Na claridade alma que um Deus confiou

Serenos são os dias da minha espera
Já não descubro nesta ilha a pureza do sentimento
Nunca desistirei de dar cor às minhas obras
Fugirei no longe do pacto das cobras

Fiquemos pois no lugar onde ainda bate um coração
Contemplemos paixões transparentes
Será que para lá do horizonte há apenas silêncio?
Será que a tua pobre razão distorcida mata o que sentes?

Será?
Que todas as histórias têm um infeliz fim
Conheço uma feliz que retratei com todo o meu virtuosismo
Olhei a obra e pensei...ERAS ASSIM...


sexta-feira, 18 de julho de 2014

A PROCISSÃO DOS LOUCOS



Nos ladrilhos da minha cidade
Não ficaram marcas dos teus pés
Apenas um Sol que teimosamente arde
Apenas uma porta fechada para a saudade

Na minha rua há um cão triste e feliz
Casas desabitadas e outras com aroma de pão
Na minha rua não há muros, nem fronteiras
Gente má, mesquinha, sem maneiras

Há um Homem convencido que é avião
Um caminhante que não toca no chão
Uma bruxa sem varinha de condão
E uma gorda desdentada que só come pão

E há festa sempre que é verão
Um simplório dono da opinião
Uma carro parado por não ter travão
Um vazo de sardinheiras de cor açafrão

Um candeeiro que morreu num apagão
Uma virgem que a um beijo diz não
Um safado armado em lampião
E um Pai que diz ao filho “Grande Rapagão”

Um sonhador sem sonhos que pensa como serão
Uma pedra sem sapato nem tacão
Uma mulher que geme por tudo e por nada sem razão
Um bêbado que chora para dentro de um garrafão

Já chega de rimas acabadas em “ão”
E também de falar desta desinteressante rua
Não concordam que o poeta hoje está pior da tola?!
Bem, sempre é melhor que pintar uma alma falsa e nua

A minha...
Pintei-ma de uma só cor
Apaguei todos os traços do falso amor
Porque de certeza alguém está a pensar ao ler isto: “Olhem este estupor”

Ah...Ah...Ah...
Muito se ri uma manada de flausinas
Ah...Sabem o que são Flausinas?!
São o cruzamento de batatas e meninas

Eu não digo!?
Isto é que é uma desgraça para aqui
Já havia destrambelhados e não poucos
Cá está mais um nesta...Procissão de Loucos...

terça-feira, 15 de julho de 2014

O SOM DO AMOR



Um prodígio nunca é aceite pela mesquinhez
Um ser diferente é bicho escorraçado
Um Homem bondoso é árvore de chacota
Um Poeta é sempre criança que segura o Mundo

Nasci numa manhã de gotas de chuva luzindo
Numa terra crepitante e cinzenta
Semeados certos homens tornam estéril a terra
Às vezes eclode uma mente brilhante que esteve em espera

Meu Deus...
A noite que passou trouxe-me amargos presentes
Quanta dor flagelou este infeliz corpo
Só, senti, rezei, pedi paz, pedi misericórdia, adormeci

Nesta voz apagada do meu corpo
Este vagabundo que bebe a vida
Neste silêncio súbito sem bruma
Este guerreiro vestido de espuma

Porque de vento se vestem algumas pessoas
Empunhando pedras de arremesso
Para eles não haverá Sol para o terror da solidão
Nesta minha bondade perdoo, estendo a mão

O que me fizeram...!?
Há pessoas infelizes que rirão ao entrar em si
Loucura, mentira, incompreensão, falsidade
Talvez gostassem de saber que morri

Não morrerá nunca a forma como vos amei
Reverberá no tempo o imenso que vos tocou
Não se apagará mais a doce verdade das minhas palavras
Não guardei rancores, às vezes fico tristemente zangado de mágoas

Sou assim, verdadeiro, sem ardis, sem punhais na manga
Quanto inventaram, quanto zombaram, tanta indignidade
Porque será que os seres de alma pequena são assim?
Porque terei acolhido alguns na minha inventada cidade?

E declaro que amei incondicionalmente quem não me amou
Que fui fiel à minha palavra e compromisso
Que mais não quis do que ter um abraço e um sorriso de quando em vez
Que não vos quero mal, tu, tu e tu que sejas feliz

Como fica amarga a poesia num corpo dorido
Como fere a navalha, soa estridente o tambor
Vou reter a bondade, o perdão
E inventar...O Som do Amor...

sexta-feira, 11 de julho de 2014

ENIGMA


A sombra aprisiona um lamento
Quantos heróis vejo em refrega tonta
A noite sempre se aproximando
Toda a gente sabe e esquece, pró mal, sempre pronta

Às vezes anseio o silêncio como um doce poema
Quanta escassez haverá em certas vidas
Procuro todas as manhãs uma perdida ilha
Já fugiu a Lua, já tremi, já vi almas perdidas

Saberás, que há muito mais porque morrer
Que o amor é uma planta sem cor
Para que floresça, vingue e cresça
Terá que germinar, ser e pareça

Saberás que as errâncias presas à alma
Que essa tua falsa chama
Essa serpenteada forma de no ontem sem amanhã
É veneno, é loucura, é mordida de maçã

Pois...
Agora lembrei-me de Eva
E não era alemã a nua senhora, creio
Há sempre uma traição e um homem no meio

Qual nada, rapaz
Falar destas tretas?! Isso não se faz
As mulheres são todas castas e puras (...)
Lágrimas, injustiças, coitadas, roupas molhadas, umas ternuras

Estou emocionado!
Todo a tremer, sem me poder conter
Vou de romaria e pé descalço, pão e água
Penitência, nada de rir, fecha os olhos, pra não ver

Isto é tudo brincadeira
Tenho um grande respeito pelas mulheres, mesmo Mulheres
Há as outras, porque também há frio e chuvas
E há os cãezinhos e os amores das cadelas puras

Quem vem lá!?
De espada e escudo de lata
Cá está o dom quixote de lá mancha de tanga
Não diz coisa com coisa o pateta

Onde para a minha Dulcineia?
Nasci nesta desgraça, um estigma
Este é o mais parvo poema que escrevi
E vejam, até o chamei de...ENIGMA...

ESTE POEMA É UM EXERTO DE UMA NOVA PEÇA EM PRODUÇÃO

segunda-feira, 7 de julho de 2014

OS MISERÁVEIS


Sempre ouvi a oração do Mar
Este meu pensamento é ave no espaço
As leis do homem são água da areia
Há gente linda, gente feia

Fosse porque fosse nasci assim
Procuro uma palavra na outra face da traição
Há uma explicação que facilita a respiração da maldade
Não quero que me devolvam o firmamento nem a contradição

Minha boca mexe, meu coração para
Numa vertigem ofereci-te uma ilha, nem mais, nem menos
Ao menos que me ames neste poema
Já que comigo não ficarás até entardecer mos

As estrelas não regressam a casa
Mas às vezes em descuido caem do céu
No recuo delicado deste verão
Não quero sentir dor, a tua mão, emoção

Esta porção de sentidos não é para ninguém, ouviram!!!
Há um instante onde tudo é possível dentro do amor
Que nos ata à colina da paixão
Exaltei palavras, mas o ódio é fazedor da dor

Adiei a morte na espera do amor
O Mar acolhe a minha fulgente alma
Este Mar que arroxa esta minha dramática ilha
Esta tempestade que rebenta, destrói, não acalma

Não quero reacender o beijo entre nós
Há um terrível veneno numa boca sem amor, que mente
Não sei se Deus olha para estas coisas
Só sei que o mal não dura eternamente

Já não preciso do amor para resistir à voz do silêncio
Vou enlaçar a ultima palavra verdadeira que te ouvi
Sabes?! Nunca entendeste que as minhas palavras ligam-se ao coração das mãos
Por isso, por tanto, por todo o imenso, não minto, vivo, vivi

Podemos tirar amargura ao tempo
As águas impuras que nos limitam
Podemos encontrar sempre um caminho de volta
Podemos passar por muros altos sem porta

Esta noite já me pesa em minhas mãos rarefeitas
Quebrando a respiração em compreensões insondáveis
Quero apenas aqui afirmar que tudo isto não é para ninguém
Foi apenas um sonho que vivi com...Os Miseráveis...

sábado, 5 de julho de 2014

O DIÁRIO DA MINHA SAUDADE

O

Escureceu a memória nos teus olhos
Como profecia o mal tomou de assalto algumas almas
Há corações que se consomem na ausência
Há sentimentos perdidos na vida de uma hortência

Esta ilha não tem nome de mulher, ou tem?
Antilha a ilha mítica
Onde haviam doceis de ouro
Onde guardo mil lembranças, um tesouro

Sento-me neste banco de pedra
Rezo, desejo, mal digo, prevejo?!
Não! Vou escrever a sangue numa sarça
“O amor não existe, é loucura, é apenas desejo”

De quê?
De passos minúsculos sem tempo, sem rumo?
Que música faz crescer espinhos nos teus gestos?
Entre muros de branco cal, um Sol a prumo...

Um rumo...
Um perfume de santa verdade
Os inaudíveis rumores de falso sentimento
O acaso, um palhaço, uma rosa breve, momento

Há uma lonjura imposta por este coração
Na ilha todas as casas ficam perto da água
Na vida há pessoas que longe ficam, estando perto
Não estão, habitam o incerto

Tangidas de melancolia são as falécias da estupidez
Estarei desperto, sorrindo, ouvindo os dias
Estarei deslumbrado com todas as cálidas auroras
Serei sempre filho de um Mar, terei a irreverência das amoras

Na espuma levitam anjos de água
Há sonhos imensos outros menores numa mão
Dentro de mim reverbera o grito do milhafre
Este Homem tem orvalho no coração

Este Homem emana uma refulgência pura
Como gaivota ouve o sonho a verdade
Este HOMEM lavra todos os dias traços de vida
No...Diário da minha Saudade...

quarta-feira, 2 de julho de 2014

POEMA PARA UM AMANHECER


Quando uma mulher reza
Aí o silêncio é uma flor e chora
Enquanto tudo compõe a solidão
Fica o sorriso de um surdo, o encanto de um mudo

Ficam os passos suaves de uma criança
Ficam os ouvidos apagados
A língua presa à palavra maldita
A desdita dobrada no peito de Mãe aflita

Às vezes um homem bebe do cálice que embebeda o louco
Escorre este amargo absinto pela goela prenhe de secura
Às vezes subimos a colina da cidade desatenta
Às vezes a palavra é afago, outras chicote, crua e dura

Nesta alma persiste a alegria
Serei o primeiro demiurgo da tristeza vencida
Corpo solene ungido com a maresia
E lembro-me como sorrio às vezes, criatura que em Deus confia

Então poeta, isto é que é cuspir metáforas
Hoje quem te ler vai pensar que és o escritor maior
Um intelectual de mão cheia
Não! És apenas o filho pródigo de um deus menor

Podia ser um bom titulo para o poema
“Filho de um deus menor”, mas como pode ser!?
Se tens esta brilhante forma de pintar a saudade
Como pode ser menor alguém a quem tiraram a verdade?

E sigo embalado pelo âmago do universo
Conto as vagas de um mar inventado e são sete
É tão simples esmagar os dias na contradição
É tão estúpido a uma deusa de barro pedir perdão

É tão triste repartir a mesa com a falsidade
Saibam que esta água que circunda a ilha
Está sempre girando nos olhos em desdita
Passei à pouco numa estrada de céu azul, maravilha

Passei e fechei os portões da lembrança
O tempo pediu-me para te conhecer
Não sei bem e nunca saberei quem és
Uma pauta sem notas ou...Poema para um Amanhecer...

domingo, 29 de junho de 2014

O IMPÉRIO DO SOL



Esta cabeça não para
Este pensamento alucinado
Esta alma que tudo colhe
Este coração de mal-amado

Este ser descalço vestido de fé
Esta viagem longa, imensa, dói
Só, sempre só, este imenso Mundo
Este mergulho ao profundo

Estes pés descalços
Estas pedras afiadas, lâminas
Esta ânsia de ajudar, de amar
Esta maldade que me atinge em chamas

Tenho fome de sinceridade
Não consigo entender a maldade
Puta de vida! As pessoas não prestam
Este é um dos sentimentos que ainda restam

Hoje acordei num clarão
Pensei ser Deus a tirar uma foto do Mundo
Tenho sede de acreditar em algo
Tenho o corpo flagelado de castigo

Então rapaz, para onde vais
Vão-se quebrando as colinas onde me abrigo
De vida em tempo recolho água e pão
Sobrevivo graças a esta força, este coração...

...Que não para de bater
De quantas Luas se fará ainda meu destino?!
Já perdi algumas vezes a razão do viver
Já acendi uma vela para orientar o crer

Já enverguei o manto do Senhor
Rezei ontem e pedi paz e amor
Estive só como sempre a vida ordenou
Pedi luz e perdoei quem me infligiu dor

Por estes dias a noite mais escura aconteceu
Por estes tempos decidi continuar a trilhar sozinho um destino
Decidi abrir as velas ao vento neste atol
E procurarei...O Império do Sol...

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O TEMPO SORRIU



Um dia descobri a cor do Mar
Descobri que as gaivotas são pedra de sal
Que os golfinhos são os olhos de Deus no Mundo
Que mora em mim tanto crer em meu profundo

Pensei que nunca saberia falar do Mar
Vesti-me de corpo inteiro para o sentir
Repousei na areia qual barco em espera
E desenhei na mesma um desejo, uma quimera

Os sonhos são isso mesmo, sonhos
São uma longe e demorada estrada
São um sorriso, fé, momento
O silêncio do querer, alegria, sofrimento

Com a sua idade indecisa
Este vento lembra-me o vazio da maldade
Com este alento que sugere a subida aos píncaros
Inventei uma feliz cidade

Inventei pessoas transbordantes de amor
Uma lamparina na casa onde moras
Inventei a palavra que faltava do verbo amar
E li numa parede velha: “ALIANÇA DAS COBRAS”

Não gostei da frase confesso
Como sou crente detesto a palavra serpente
Entre os muros de pedra onde antes havia um verdejante vale
Deixei promessas de verdade, de puro amor, um presente

É na vida que continuarei a plantar sonhos
Sei que tal como os pássaros hesitarei na abordagem dos ramos
Nunca terei medo da noite que chegará sempre
Continuarei a pintar sorrisos, apagarei desenganos

Por tudo isso o que não é pouco
Resolvi fazer um feitiço
Pendurei alecrim no teto da cozinha
Fiz um defumadouro, com chapéu de bico, barba e bigode postiço

Não resultou como já se aperceberam
Errei na poção de amor, pôs “amar” a mais
Numa nuvem de descrença aquilo explodiu
Que tolo és poeta...O Tempo Sorriu...

terça-feira, 24 de junho de 2014

PEDRA ARA



No afago das vagas dorme a ilha
No final de todos os caminhos existe a paz
Sem bússolas, sem mapas, sem rumo
Este Sol imenso que ilumina meu destino

A estrada do céu é infinita
Folheando livros esquecidos encontrarão a minha história
Serão palavras dispersas num céu sem luz?
Serão beleza, exaltação, feliz memória...

Serão o que for
Neste anseio louco de tocar as estrelas
Neste coração a pulsar ao ritmo das vagas
Na grandeza silenciosa e contemplativa não guardo mágoas

Para alguns
Os sentimentos vão e vêm como nuvens
Às vezes são a crista negra de um penedo
Às vezes imensos, às vezes metem medo

Nos sonhos não podemos falhar
Sem querer, já magoei pessoas
A minha vida nunca será reflexo de outra
Mas, são tão falsas as pessoas, todas

Às vezes amar não é um sentimento, é um dever
Às vezes uma fatalidade
Às vezes damos por nós acreditar que é possível
Às vezes pensamos ser verdade

Há uma prometida viagem ao meu espírito
Aprisionei os ponteiros de um relógio
Nesta sensação de ser diferente um sentimento partiu
Olhei a vida, o tempo sorriu

Brilha neste ser a pureza de primaveril aurora
Meu Deus ensina-me a procurar “TE”
Quero manter o meu nome, ser concreto
O amor que nos ama é tão incerto

Talvez volte a esta terra numa tarde tranquila de gaivotas
Tenho sede de morrer para este destino
Nestes dias para além de uma esquecida Primavera
Deixem-me na paz, este tonto, como dizia minha Mãe, este menino

No resplendor dos dias aquecerei meus olhos
Porque esta alma continua, não para
Toco de leve esta mesa onde celebram o TEU sacrifício
Beijo esta...PEDRA ARA...

sexta-feira, 20 de junho de 2014

SUBLIME SENTIR


Acordei e bebi o meu silêncio
As manhãs são a luta da neblina e do Sol
Hoje vou vestir-me de simples homem
Não serei artista, nem barqueiro de um triste atol

Não sei, se ouvirás a palavra inatingível
Neste respirar de um novo dia dos pássaros
Intemporais e silenciosas são sempre as estrelas
Assim como o amor, assim como em ti o louvor

Sob o céu sem nuvens
Hoje, aqui, em qualquer outra parte
Este é o ultimo tempo de um Setembro que se avizinha
Folhas de cristal, raiz de pedra, uma terna espera

Pediram-me que falasse na saudade
Disse que não sabia, apenas sentia
Pediu-me uma grande Amiga tua que falasse de Ti
Disse que por ti, nunca saberia o que dizer, que fiquei, não parti

Disse que quando flutuo em teus olhos
Somos uma ilha verde e outra azul
Disse que teus ondulantes cabelos negros
São barco navegando na brisa a sul

As pedras que me lançaram
Imperturbável, já as lancei sobre as ondas a espaços
Este Sol sereno, teimosamente arde
Sobre o chão dos meus passos

Sabes, nunca saberei o que dizer do fascínio das pedras negras
Ficarei sempre triste na partida dos garajaus
Seguirei sempre o voo das cagarras
E amar-te-ei eternamente sem fronteiras, sem amarras

Já ouvi pararem teus passos algumas vezes
Já lavei do meu coração íntimas feridas
Já te tive plena em oração
Já andei perdido no deserto das errâncias e senti tua mão

Escrevo este poema na transparência da música
Um dia disse-te: “não há duas reais verdades”
Um dia disse-te: “nunca te afastes do que será”
Nunca deixes de crer, não mates as saudades”

Ainda guardo a inocente idade de plantar o vento
Sobre o orvalho das maçãs há uma menina que não quer o partir
Serenos como os teus olhos, uma lágrima, crer
Assim é este...SUBIME SENTIR...

sábado, 14 de junho de 2014

MEU AMOR...



Há um momento na nossa vida
Em que nascemos de alma confiante e nova
Escrevo com insistência estas palavras tingidas de amor
E descobri mais em ti nas palavras que se abrirão em flor

Tal como uma ave que abre espaços na Primavera
Serás sempre vibrante de paixão
Não há coisa mais importante para o poema
Do que a lágrima que aprisionei derramada do teu coração

Na distância sinto-te mais perto
Prometi a mim mesmo abrir teu coração de par em par
Quando as hortências forem mar de único azul
Construirei uma casa para nunca mais me desencontrar

Sabes...!?
Falei de Ti a uma pessoa especial
Perguntei que faço, que digo, que espero...?
Não serei derrotado pela madrugada, não quero

Não haverá mais descontentamento nos meus Invernos
Não haverá reserva do meu pensamento desperto
Não haverá mais duvida nas margens do silêncio
Não haverá mais reserva, apenas o concreto

Este poeta estendeu todas as palavras na tua mesa
Este poeta atravessou montanhas para celebrar um filho
Este poeta morde o chão e chora quando o seu querer não alcança
Este poeta nunca venderá de barato a esperança

Falemos pois dos suspiros dos pássaros
Lembremos que a dor não define objetivos
Libertei do mar barcos de cansadas âncoras
Libertei as duvidas ao som de sinos festivos

Importas-te que fique contigo apreciando a noite?
Não insistam trazer-me postais de um realidade gasta
E como contigo não importa mais nada
Buscarei novos pontos cardeais e direi a alguns, basta

E voarei na bruma evitando a penedia
Plantarei na tua varando uma planta com flor
Direi a ao mar, soltarei ao vento
Quem és...Meu Amor...

segunda-feira, 9 de junho de 2014

SEMENTES DO OLHAR



Não direi o teu nome a ninguém, ainda
Só poderei responder ao eco do meu próprio nome
Como Garça, soubeste ouvir o sonho
De túnica de anjo amarás este ser bisonho

Há céus escondidos sob as tuas vidradas pálpebras
As alegrias das memórias do que ainda somos
Na fonte do imaginável e irreal te encontrei
Cruzarei a terra, plantarei florestas para dizer que te amei...

Amo...
De mil soldados não sairá um poeta
Já aprisionei esta guerra de loucuras
Já plantei todas as palavras puras

A minha paixão por ti é uma recusa à fatalidade
Nas folhas caídas ainda mora o verde da fascinação
A felicidade não nos pertence, estou certo
Mas senti-a nos teus olhos, tão perto

Por isso a tua imagem gravita nos trincos do meu pensamento
Teus cabelos soltos floridos são raios da madrugada
Amo-os, esguios, soltos, como o livre pensamento
Trago-te uma hortência fresca para eternizar um feliz momento

Já te disse: “Há um lugar entre fronteiras onde tudo faz sentido”
Há tanto a florescer de pequenos nadas
Há em ti a reinvenção do gesto das gaivotas amanhecer
Há em ti a fonte de milagrosa água onde a saudade pode beber

Às vezes é preciso acordar o silêncio
No gesto demorado de abrir janelas
Para mim, nunca serás uma menina sorridente acenar num cais vazio
No meu abraço, nunca te aprisionará no tempo o frio

Travadas as portas abrem-se devagar
Levei seis felizes dias para aqui chegar
Descobri uma terra entre dois mares
Lancei nela...Sementes do teu Olhar...

sábado, 7 de junho de 2014

VERBO QUE CANTA


No rumor do crepúsculo a esvanecer
Rasguei os caminhos da ilha contigo
Percorri estradas e ofereci-te palavras
Na verdade, olhei teus lindos olhos de cansaço noturno...

...Lágrimas...
Vi teus lindos e ternos olhos a chorar junto aos meus
Vi amor, saudade, vontade...
Quantas vezes terei que te dizer adeus?

Há um momento na nossa vida
Em que renascemos na memória feliz
Ontem recriei a cores e os aromas do mundo
No espaço dos anjos, estás no meu mais profundo

Menina do Mar
Quis levar-te onde o mar devolveu meu Pai
Menina dos meus olhos, sem contradições
Que cresceste nos umbrais das estações

Na ardência de todos os sentidos
Sei que no Sol e no Mar existem outras dimensões
Tal como eu, Deus viu em ti a sombra das rosas
O resplendor de duas lágrimas unirão corações

Entreguei-te todas as minhas verdades
São tão íngremes os degraus do tempo
Na passagem alta de uma ave
O ar liberta o odor dos sonhos passados, por um momento

Gosto do teu riso, da tua voz vestida de meiguice
É prodígio plantado num jardim
Toquei-te temeroso a mão
Meus Deus, como sorriu este coração

Que noite...
Descobri a mesma encantada ilha nos teus olhos
Toquei imperturbáveis cabelos na claridade
Descobri que é impossível morrer a saudade

Vez agora a mudez dos fazedores de neblinas?
Na minha alma tu levitas como um anjo de água
Há um templo nesses teus olhos enublados
Porque o meu sonho é maior que a palavra

Vez agora que ainda me deves um dia de sete?!

Derrubarei contra o tempo, altos e inumeráveis muros
Sei que o amor acolhe-se, não se espanta
No prodígio de uma oração solto este...Verbo que Canta...

DEDICO ESTE POEMA A UMA PESSOA QUE AMO

terça-feira, 3 de junho de 2014

QUANDO TE LEMBRARES DE MIM

QUANDO
Perdem-se as memórias nos espelhos
Esta minha ilha tão perto do Mar
Um odor de ti sorriu à lembrança
Inexplicável é o deserto onde perdeste o amar

Abro as mãos às tuas ultimas palavras
Ficará suspenso o pó do amor nas sombras
Escrevo para que oiças um Violoncelo
Nelas encontro tristes gaivotas em suspenso

Com este Mar sempre em fundo
Com este oceano de hortências que pintam a ilha
Com tudo aquilo que sou e sabes quanto
Com a pedra e água de uma aurora de espanto

Vim de um longe, onde sorriem as acácias rubras
Cheguei num nevoeiro matizado de errâncias
Lavei as minhas íntimas feridas nas águas de uma lagoa
Amar-te-ei, neste verão de descontentamento, até que, a alma me doa

Nesta ilha, onde há uma pedra, também há uma flor
Há a fé, o milagre desencadeador de uma paixão
Nesta ilha, há a bênção do sangue o do pão
Há um aguaceiro que promete pacificar meu coração

Inimagináveis são os espaços da minha alma
Sou a dimensão uma branca página inteira
O desfio de um verde rasgando o azul
Porque o poeta nunca se perde, nunca adormece, esquece

O amor límpido dos pássaros lembra-me teu rosto
Há um lugar entre fronteiras onde as coisas fazem sentido
Partimos aos poucos para lugar nenhum
Há uma verdade tão simples, um querer incontido

Nunca ficarei à espera do adormecimento inadiável
Estendo os dedos ao destino com a mão aberta
Gostava de visitar o lugar onde brincam os golfinhos
Gostava de habitar o lugar onde os pássaros fazem os ninhos

Gostava...
De te dizer o inadiável das palavras
Que há um sentimento que teima não ter fim
Pensa apenas no Mar...Quando te Lembrares de Mim...

sexta-feira, 30 de maio de 2014

ENSEADA DE PALAVRAS



Ouvirei passos de vento
Virão ao meu encontro gaivotas azuis
Trago no peito uma hortência fresca de junho
Trago na mão uma verdade que empunho

Quando as aves cantam ao entardecer
Fico-me pela ramagem da nostalgia
Sinto os prodígios da música feliz
Este homem, este poeta, este petiz

Correm nas horas palavras como amoras
Um rosto atravessa isolados prados na vida
Deixei de plantar carinho, quando não me querem
Fechei a ternura numa caixinha devolvida

Quem és!?
Para onde correm os teus anseios?
Os meus olhos apenas recolhem cânticos de silêncio
Já não navego na Baia de todos os medos

Uma pequena pedra, a sorte...?!
A fé que me guia e me dá norte
Pedra na voz de uma menina
Não há melancolia, recomeçarei, não há morte!

Nos bolsos de um espantalho encontrei
Um papel que dizia assim:
“Nesta ilha descobri teus olhos
No acreditar voltarás para mim”

Se falassem estas mãos diriam
Ouve a voz imensa da terra
Que nunca morra a saudade
Que se instaure uma real verdade

São brancos os meus sentires
É alva a minha dorida alma
Que ninguém me trate mais como: “és mesmo assim”
Que se fechem os impuros corações que se lembram de mim

Eu já existia na ausência do teu nome
Sou um menino sem revolta ou mágoas
Nestas ultimas e felizes horas
Habitei numa...Enseada de Palavras...

terça-feira, 27 de maio de 2014

CAMINHOS BRILHANTES



Quem são aqueles seres envoltos em maldade?
Tudo engole, a voracidade desta raiva
Inesgotável é esta força que me acalenta
Imensa é esta luz que me protege e sustenta

Serão as mulheres os únicos seres perfeitos...!?
Será este homem o mais desalinhado do planeta?
Serão certas mulheres apenas isso mesmo, mulheres?
Conheci algumas flores da treta

Quero pintar mares fora do alcance dos fantasmas
Colorir as mágoas de carmesim
Quero ter aos ombros em afago a Capa do Senhor
A mesma que à alguns dias me libertou da dor...

Quero tanto!
Passei a querer novamente que me quisesse o Mundo
Nunca gostarei do sabor do ódio
Nunca tocará o meu mais profundo

Tens os olhos cheios de certezas gastas
As mãos sujas das pedras de arremesso
A alma vazia da semente do perdão
Um pedaço de feia lava no lugar do coração

Não sei porque escrevi a quadra acima
É preciso sorrir para que cresça a vida
Perdida dentro de mim há apenas uma memória
Fechei a alma de pássaro ferido a uma triste história

Abri a janela do sonho de par em par
Amenizei a importância das feridas e sou um barco
Quero inventar uma mulher de sonho calma
Quero que ela veja o que guarda esta alma

Quero inventar um vento calmo
Este espírito alucinado diz-me que sou terra
Imperturbável apercebo-me que se esfumou a importância
E neste silêncio vindo de dentro, sou paz, amor sem espera

E não espera o poeta
Não abraçarei mais sentimentos inconstantes
E no rumor deste silêncio vindo de dentro
Descubro o rumo para...Caminhos Brilhantes...

sexta-feira, 23 de maio de 2014

COM AMOR SEM RAIVA



Nem um amigo, nem uma palavra verdadeira
Pousaram na minha mesa
Tive um sonho longo e vazio em que se desfez teu rosto
Sou uma bÓia num poço de silêncio

Inventei uma cidade
Uma mulher séria que me amasse
Inventei um ser verdadeiro, um presente
Nasceu das pedras uma serpente

Inventei o amor num coração vazio
Inventei uma deusa sem trindade
Inventei uma forma de dar calor ao gelo
Inventei asas para a saudade

Inventei-te...!
Desejei um desejo com sangue nos lábios
Há quem me largue socos quando apenas quero abraçar
Há que tenha inventado a parte mais negra do amar

Há quem respire com raiva
Tal como um Arauto que passa e morre
Sabes!? É no estio que o coração prende as palavras
É neste teu longo Inverno que se avizinha que eclodirão mágoas

Que se enganem os que pensam
Que este poema é para alguém
É apenas o vómito de uma estupidez
Que encontrei numa pessoa...outra vez

E que se enganem os que pensam
Que não estou alegre e feliz
A esses “Vão para a puta que os pariu”
Vou estrear mais uma peça, é o que faço, fiz

Não me desejem sorte
Também não esperava isso de vós
Sabem quando escrevi bêbado estava
Saiu uma comédia que tem...AMARGO AMOR SEM RAIVA...

domingo, 18 de maio de 2014

CINEMA PARAISO



É afinal na mais simples equação do amor
Que se encontra a razão de viver
É afinal na total ausência do sentir
Que faz sentido um horizonte, partir

Esta viagem ainda faz sentido...!
Esta minha demanda pela razão
Aí vês que os homens não têm importância
Então compreendes que és um pássaro, morres, ou não

Voas e o teu corpo é apenas, nada
Respiras a custo numa mão fechada
Nadas num mar de nadas, de boca calada
Choras e ris como alma penada

E ouves uma mulher vestida de vento
Uma criança perdida num momento
Uma desgraça desgraçada sem alento
Uma cabeça dura sem convencimento

E botas-te pela rocha abaixo
Só porque a mulher rachou o tacho
E afogas as mágoas em vinho forte e macho
Cais no esquecimento tonto e borracho

Muita merda!...muita merda!
E querem ver não vai haver peça
Pois o ator partiu uma perna, que pena, luz apagada
Queimem a plateia, que tragédia, que merda!

Senhoras e senhoras era para ser:
Uma tragédia Grega linda de morrer
Uma Madame séria, convicta toda a tremer
E...Oh...esqueci-me do que tinha para dizer

Que desgraça foi essa que me deu
Um comprimido para as dores de cabeça, destrambulhou-me
Já passaram por mim hoje mil idiotas de sorriso
E enlouqueci! Acho que estou no...Cinema Paraíso...

sexta-feira, 16 de maio de 2014

SORRI



No meio dos risos surgem os punhais
Este pássaro nunca se perdeu do saber
Nem sempre tive o aconchego de uma porta fechada
Meu Deus “Afasta de mim este cálice” não quero beber

Gostava de conversar contigo Mãe
Dizer-te tanta coisa que fiz
Gostava de sentir o teu sorridente orgulho
Este menino chora mais ao lado, continuo pobre petiz

Gostava que visses os sonhos que plantei
As palavras que escrevi com emoção
Gostava que dissesses a todas estas pessoas que me odeiam
Que tenho bom coração

Gostava que estivesse o Pai
Que vissem o que fiz com as cores do Mundo
Diz aí em cima ao Avô e à Avó
Que só por vos ter não sou assim tão só

Estou doente...
Este corpo às vezes falha, tenho dores
Sem fôlego uma criança morre
Sem amor o poeta é apenas um descrente pateta

Gostava de te dizer o que dizem de mim
Já fiz tanta coisa: Escrevi rezas, canções e peças
Estas mãos herdei de ti Maria, pois é
Esta bondade de ti José

Gostava que quem amo acreditasse em mim
Porque ainda amo, consigo amar
Queria tanto que o ódio sem sentido
Tivesse fim, pudesse acabar

Pois é Mãe, falo contigo todas as noites
Hoje decidi escrever emoções
Cometi erros, magoei pessoas também
Mas sou bom homem neste mundo de contradições

Caminhando está o começo de tudo
Aqui estou, caído, levantar-me-ei e se disserem que morri
Para alguns será dia de festa um alivio
Para ti que me amas, não chores...Sorri...