sexta-feira, 28 de novembro de 2014

ENQUANTO NÃO CHEGAM OS BARCOS


Vi as minhas mãos nascerem na claridade de uma aurora
Vi a minha voz perder-se nos verdes desta Ilha
Vi os rituais de uma Cagarra na sua dança de amor
Vi o poder das águas e do vento descobrirem uma flor...

...Azul
Sal do suspiro de uma onda longínqua
Um pássaro breve de perdido cantar
Uma incontida lágrima, por te querer, amar

Na rebentação da beleza salpicaste o meu olhar
As mulheres transparentes divertem-se na vida
Ninguém bebe vinho e vomita o amor
Ninguém é dono da poesia, nem o seu autor

Vejo antigas sombras, cavalgando o silencio do pensamento
Não me falem de um tempo
Não me façam rir de mim
Não me mordam a alma, não me firam o corpo

Não me falem da chegada das primaveras passadas
É bom que se saiba que há muito mais porque morrer
Que conheço os caminhos cantantes da alegria
Sou um criança que transforma um muro em palácio, para te ter

Ás vezes percebo que os homens não têm importância
Que vejo a terra passar por mim velozmente
Ás vezes este espírito alucinado sugere-me
Que sou pássaro a voar para Poente

Abençoada a terra que colhe o orvalho
Bendita a mão que reparte o carinho
De esperas se constrói a solidão
Serei o primeiro habitante da dor vencida no teu caminho

Conto as aves do mar, mais as ondas
Bebo neste Oceano de mil esperanças
Vejo desprender do Celeste Anjos magníficos
Vejo Deus desenhar nas nuvens breves sorrisos

E sento-me neste basalto de fria espera
Não tenho fortuna, só bens transparentes, parcos
E penso em ti mensageira do amor
ENQUANTO NÃO CHEGAM OS BARCOS

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

OS PARAÍSOS QUE UMINFERNO CRIOU



Inquietos escutamos a voz calada
São pesadas as mãos do desentendimento
Nesta perdida rua de negro e fogo
Neste meio do mar, sem estrelas, um momento...

...Para te dizer, que bebi de um trago só o perdão
Para te dizer, que sou o cerne imperceptível da verdade
Dizer-te também, “ ainda sei amar quem me magoa”
Que vivo e floresço na minha inventada cidade

Foram tempos da memória
Rasgam-me a garganta as nêsperas azedas
Se soubesses a sede que se sente
Quando a vida nos arroxa ao peito, coração descontente

Se soubesses o que sente este poeta de rima incerta
Se soubesses o que não sabes por descredito
Se soubesses que todas as manhãs o meu amor se acende com a aurora
Se soubesses porque fico, mesmo indo embora

Se soubesses...
Que há quem abrace o vencido
Quantas verdades se diz mentindo
Que só me lembro dos teus olhos sorrindo

E eu que nada sei
Eu que acredito tudo saber
Eu que vivo como gaivota em eterno voo
Eu que cerro os olhos para não ver a esperança morrer

Eu...
Cavaleiro andante, Arlequim, mendigo sem bênção de Deus
Carrego o peso da idade inadiável
“Sou o Rei legítimo de todos os ateus

Sou, quem sou
Nem tudo o que faço pode estar errado
Pinto Anjos negros, deuses e deusas
Este homem, bem ou mal-amado

Sou aquele que caído, foi espezinhado
Sou aquele que pelos seu inimigos orou
Sou também este alquimista da vida
Que transformou em ...Paraísos o que o inferno criou...


sábado, 15 de novembro de 2014

CORPO SOLENE DE SOLIDÃO



São milhões os risos que chegam ao meu sentir
Esta fúria magoada de mil dias de solidão
Esta terra fustigada por espadas de chuva
Estas raízes presas ao profundo coração

Devorei o frio neste vale de segredos
Afastei as nuvens de desesperança com um olhar
Misturei ódios e sorrisos
E construí um castelo para te poder amar

Meus Senhores, minhas Senhoras
Novembro está servido, com ventos e lágrimas das estrelas
Afastei os dedos das flores mortas
Mataram a bondade, fecharam-me as portas

Mas, meu Amor...
Não há lume que aqueça o pão da pobreza
Os inaudíveis e grandiosos sentires desta alma dorida
São sussurros, são sorrisos soltos á tua beleza

Estes são os primeiros anos do amor
Vês agora a crueza desta neblina?
Meu Anjo de água de lábios recortados por um deus
Meu Amor, quanto tempo, tanto Mar...Mar, Menina

As minhas mãos urgentes
Procuram teu corpo, arca de incandescentes diamantes
A tua essência deslumbra, fere sem doer
Teus seios, ondulação das ribeiras, tua alma, teu ser

Já me fugiram á lembrança os antigos dias
Pelo olhar se retorna ao amor
Pelo teu corpo crescem flores carmesim
Neste vale de verde ilha ausentou-se a dor

Já pintei presságios e sonhos
Já pisei um lugar onde emanava a tua existência
Como uma Alva Garça soubeste ouvir o sonho
Como uma estrela do Norte e rumo, conquistaste minha confiança

Numa almofada de Musgo repousa a cabeça de uma Deusa
Escrevi teu nome no diário da minha paixão
Esculpi no teu sentir de roseira brava a novidade da luz
Amei teu... CORPO SOLENE DE SOLIDÃO

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

INEXPLICAVEIS DESERTOS



Como são puras as madrugadas
Como serão os campos sem cor
Como será a noite se brilhar o Sol
Como será a vida sem o brilho do amor?

Não pensei vestir-me para esta incompleta viagem
O desgosto e o amor são companheiros lado a lado
Ao dar os braços á luz do dia
Não sei se os poentes saudáveis são a saudade que na tarde morria

Deixem-me aqui com os olhos cuidando do azul do céu
Deixem-me aqui compondo uma balada de triste paixão
Deixem-me aqui como barco a naufragar
Deixem-aqui procurando a compreensão do amar

Deixem-se sentir teu rosto viajando para a minha presença
Neste lugar de casas brancas da cal
Tenho presépios em todos os dedos
Tenho a ventura presa ás mãos, um arrepio fugido do mal

Comigo dentro de mim, serei um guerreiro azul
Entreguei-te a minha paixão em versos
Nas tardes de memória
Na tua pele deslizante de fêmea, tatuarei a nossa história

A canção que me apetece cantar é Bela
Prendo o olhar ao retrato da tua candura
Um papagaio de papel de seda solto
Uma voz, tanta doce palavra...a ternura

O amor já não visita esta lareira dormente
Este Inverno, visitador de tempestades
Foram grandes os olhos da raiva
Foram sete vidas, sete sóis, cidades

Foram lembranças, perdidas em trincos da memória
Acredito que tudo o que é bom, ressuscita sempre
Na sensualidade do gargalhar, esconde-se o sonho açoriano
Este vento solto nos brandais, viagem, ilha, mar, sigo em frente

Com alecrim preso ao altar de senhor
Aqui a terra fechando-se em volta de tudo
Estas mãos vasculhado a dor das hortências
Este canto de bruma, reverberando mudo

Este sonho clamando um novo dia
Estes passos, trôpegos, incertos
Hoje isto saiu uma arrozada de rimas
A que chamei... INEXPLICÁVEIS DESERTOS...

sábado, 1 de novembro de 2014

MEU AMOR



Há lembranças que fazem estremecer o silêncio e a luz breve
Lembro outras eras de sobressalto
Lembro onde as crianças buscam o sonho
Onde os pássaros cantam trinados do alto

Há com certeza uma lamparina acesa no teu peito
Há uma palavra que teima ficar presa á razão
Às vezes é preciso acordar o silêncio
Às vezes o carinho é moldado nos cinco dedos de uma mão

Hoje apeteceu-me escrever para ti...só para ti
Hoje resolvi descobrir o Universo das penumbras
Hoje decidi deixar meu coração rebelar-se
Amanhã sei que sairás deste vale de contradição e sombras

Às vezes falo comigo próprio como fazem os loucos
Às vezes digo coisas tão vazias do sentir
Às vezes erro como as manhãs inevitáveis
Às vezes tenho tanta vontade de te chegar sem nunca partir

Contei todas as madrugadas sem ti
A minha dúvida é saber se és a aliança da minha sina
Tenho partido aos poucos sem ti para lugar nenhum
Tenho-te na alma, tenho o Mar e a sua menina

Menina do Mar...
Caracóis esvoaçantes, boca recostada de infinitos
És a fonte do irreal, inimaginável e belo sem fim
Procuro no Mundo, encontro-te em mim

Lembro teus gestos amplos e firmes
As alegrias das memórias do que já fomos
Mas ainda és para mim a alva imensidão de uma folha em branco
Onde vamos desenhar, venturas, sonhos

Procurarei na tua alma o gesto amado
Farei com que não hajam mais fronteiras nos sentimentos
Vou aprisionar o vento incansável que veste este nosso Outono
Farei com pedaços de céu uma Primavera de felizes momentos

Vou subir para te ver em ondas de sussurros
Oferecer-te uma esperança gerada na dor
Hoje escrevi para ti...só para Ti
Meu Amor...

sábado, 25 de outubro de 2014

ROMEU E JULIETA



Uma flor respira ao portal
A noite aproxima-se hesitante
Velhos são os trincos da memória
Uma vida fumada á esquina, um instante

Julieta era uma espertalhona donzela
Cada suspiro seu era como o ultimo, definitivo
E no cerne imperceptível do seu branco vestido
Havia um drama de faca e alguidar, morto ou vivo

Há tanta Julieta, branca, preta
Há Falsas raparigas com toque de urtigas
Há meninas rafeiras com a mania de finas
E há uma princesa com alma negra de beleza

E os Romeus, católicos e ateus
Pingando amor, amarrotando cuecas
Hálito a pasta gardól de pincel mol
Heróis, enganados, cornos, patetas

Mas vamos dar ordem a esta poesia
Isto está a ficar uma algraviada
Vamos pois escrever com elegância
E deixar o choradinho da mal-amada

Recolho pois a palavra amarga
Porque este herói desconhece o fim da batalha
Estou escaldado da falsa ternura
Durmo de olhos aberto e um fechado

Já está a descambar outra vez
Isto é mais de comer a rir e o dono atrás a pedir
E se soubessem como estou agradecido por louvar o amor
Sempre que me lembro de tal, estrassalhaço uma flor

Quando a ilha nos aperta
A sede que se sente, melancolia
Este frio dos abismos sem fim
Este lamento solto em mim

Hein, já viram como cá o Poeta também escreve umas metáforas?!
Deixem lá, esta vida uma vezes é puta, outras preta
Hoje deu-me para isso
Por me lembrar de...Romeu e Julieta...

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A COR PÚRPURA


Sou um estranho dentro de mim
Trago as mãos vazias embrulhadas de nostalgia
Tenho um coração mudo, amputado pelo amor
Tenho uma alegria cinzenta como um poema por escrever ao fim do dia

O absurdo das coisas acontece em fúteis manhãs
Faltou a luz para o inicio dos gestos
Esta estrada sem vida engole os meus passos
Dou os braços á noite, prostrado em mil cansaços

O que me resta são estas mãos vivas
O que me acalenta é pensar no fim da viagem
Deixem-me aqui sereno, cuidando do azul do mar, com o olhar
Deixem-me afagar a garganta ferida de gritar...

...Comigo dentro de mim
Deixem-me aqui compondo a solidão
Deixem-me ir para longe da minha distância
Na espera de um barco ou de uma ilusão...

...Entre margens
Segura vontade numa algema de palavras
Cala-se uma gaivota, inverno de dourados presentes
Acordo nas coroadas auroras, morro no cair dos poentes

Escrevo para ti...Sabes que é para ti...
Os nomes não têm cor
São simples diagramas em conflito
Os nomes são muda sinfonia de sonata em desamor

Serei um barco vencendo rotas novas
Aplanarei as rugas de todas as montanhas
Vai arder novamente este sofrido coração
Hoje tive vontade de pintar uma oração

Vou dar um nome a um novo voo
Vou plantar um sonho feliz contigo
Vou lançar um papagaio de seda com a palavra amor
Vou fazer nascer das improváveis razões uma singela flor

Vou deixar que se inunda das cores da esperança
Vou colhê-la e dar-te quando chegar a altura
Saberei o momento certo para tal
Quando ela se vestir da...Cor Púrpura...

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A ENTREGA DOS SENTIDOS



O dia descobriu-se com o murmúrio surdo das árvores
O badalar majestoso de um sino, desperta um pássaro no ninho
Apagaram-se luzes atormentadas
Para alguns a vida é tanta, outros, um punhado de nadas

Na ilha acontece o esquecimento do Mar brincando
Uma brisa corre rasteira, sussurrante
Pensei, por te amar, seres a consciência do amanhecer
Pensei sentado numa pedra molhada, não te querer ver

Nas escadas de um perverso tempo
Medi o alcance do horizonte, para além do amor
Há sempre o vazio numa esperança imensa
Uma cabeça, prenhe da mentira, não pensa

Gera raivas sobre um amor de lareira apagada
Sandálias gastas, este menino que louva a saudade
Estas mãos em eterna construção
Estou cansado de caminhar, de desenhar o perdão

Para alguns, há uma noite aproximando-se hesitante
Uma rua mesclada de raivas e fogo
Um silêncio súbito assalta-me a lembrança
No aconchego de uma casa fechada, o rezar de um terço, fé, esperança

Talvez seja um vagabundo no canto da rua bebendo a vida
Uma estátua cansada, desaparecida do olhar
Um rosto sem vos, nem corpo
A primeira letra do verbo amar

A água sincera dos olhos
O que seria do azul do Mar sem o beijo do céu
O que será de ti, ancorada nesse atol
Apenas verás todos os dias como morre o Sol

Estarei deitado dentro de mim
Infinitamente com os olhos pregados na vida
Com desgrenhados cabelos de luta, apontar o eterno
São pálidas e vacilantes as rosas do Inverno

Fulgem sonhos neste caminho
Tenho anseios, rumos, quereres escondidos
Este Poema não fala de nada, de ninguém
Foi apenas uma singela...Entrega Dos Sentidos...

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A SOMBRA DAS ROSAS


Vi uma Gaivota tão quieta a ouvir o Mar
Com sereno nos olhos, colhendo cânticos no silêncio
Com as penas queimadas pela tarde
Há um rumor em meu peito, que sente, que arde

Na vida, vieram ao meu encontro, mágoas e louvores
Estão adormecidas as hortências
Com um profundo rubor carmesim
Há um sufocado grito dentro de mim

Não oiço mais os dias que se foram
Abandonei na cadeira estas vestes sem feitio ou medida
E em fragores acalmei a minha dorida alma
Já te senti , sincera, sem máscara, despida

Perguntei ao vento quem sou, o que faço aqui!?
Respondeu ao eco, és quem és...
Abri os braços ao celeste numa entrega infinita
E sorri sem vontade a esta sorte maldita

Ainda ardem em meu peito as sombras da saudade
Ainda não desisti da minha cidade inventada
Nos castanhos húmidos olhos da memória
Pintei, pintei-te como heroína da minha história

Está calma e doce a noite
Este Setembro passou sem um sorriso feliz
Na noite tudo se perde, vive a sombra o desvario
Que pena, não olhei, terias o rosto sombrio...?!

Pressiono contra a noite os dedos todos
Corro na procura de uma felicidade fugidia
Sairei derrotado pela madrugada
Dói-me o sentir, tenho a alma cansada

Tenho a liberdade de um bicho
E algures por aí á volta, versos num poço de revolta
São passos e pancadas estremecendo numa casa sem portas
É um livro chamado...A Sombra das Rosas...

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

RESSUREIÇÃO


Quantos sãos os dedos
Que apertam os instintos crispados?
Quanto é o tributo de te amar eternamente
Onde fica esse teu ninho de sonhos acabados?

Esculpi a minha revolta numa pedra imóvel
Já foste enorme como um sonho longo
Agora és apenas uma ave parda, sem voo
Eu serei, sou gaivota, alma, sonho

Depositei flores num altar imaculado
Rezei sete rezas para embarcares na saudade
Pedi aos deuses que a tua cabeça se iluminasse
Pedi ao Mar que me devolvesse a verdade

Encontrei uma boia num poço de silêncio
Está por pintar a obra da minha vida
Estará no acaso, com 7 traços e uma linha reta
Arranja-me um sorriso, apenas um e ficará completa

O meu passado será sempre o que eu quiser
O meu futuro, uma viagem, um desconhecido nascimento
Nunca houve movimentos suspeitos dentro de mim
Nunca serei derrotado, não há perdão para o justo, nem fim

Sou um homem sem fome, nem frio
Apunhalado pela vil estupidez
Sou isto mesmo, pão, vinho, sonho, amor
Sou barro moldado que um deus fez

Uma pedra nasceu aos meus olhos
Há sonhos que são feitos para torturar
Dormi com os anjos de água da manhã passada
Perguntei por ti, não me disseram nada

Saí do corpo, tem sido constante
Deixei o corpo preso a esta terra fatal
Senti a liberdade, como é tonta a mesquinhez
Não quis voltar, estava tão bem, voltei para o mal

Olhei á minha sombria volta
Era o mesmo Mundo de gente sem coração
Sempre que me separo do corpo e viajo
Sinto que aconteceu uma...RESSURREIÇÃO...

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

AS VALQUIRIAS



No espaço intermédio da paixão
Há nuvens de espesso negro
Há uma gaivota em jaula de sal
Há quem me entenda sem levar a mal

Há um frio nos abismos dos poros mais suaves
Já não sinto o cheiro da alegria
Há mulheres que escondem as mãos por entre o sonho
E há a noite onde repouso lembranças felizes até ser dia

Já risquei o Mundo do meu habitar
Este medo de estar por cansar
Esta solidão baloiçando no infinito
Este desprezo de cada hora, o grito

No espaço provável do amor
Perdi os contornos de um rosto de meigo olhar
Sou uma espécie de criança exigindo um nome
Sou alguém que se perdeu do amar

Há ainda neste peito qualquer coisa
Um punhado de amor esperando o despertar
Ás vezes rio-me de ser infeliz
Hoje a palavra recolheu-se amarga, confundi o partir com chegar

Adormeceram já as hortênsias
Vestidas de suave carmesim
O céu pranteou gotas de azul
Este palácio carbonizado do poema que há em mim

No campo da memória só encontro facas luzindo
Semeei esperanças de silêncio quente
Pela erva molhada se espalharam as contradições
A vida deu-me e tirou-me um presente

Puta da vida!
Tão sem rosto e sem sol
Um trevo de quatro folhas dá azar
Sete ondas, sete marés uma onda para me levar

Para onde...?
Na distancia o silêncio é coisa demorada
Nesta carne há luas e mares a desbravar
Tudo o que se move pode sentir, tudo, nada!?

E depois há as mulheres lindas às vezes
E gente de corpo e almas vazias
De tão cansado esta tarde adormeci
E sonhei com...As Valquirias...

terça-feira, 16 de setembro de 2014

ALMA ANTIGA


No êxodo deste dia triste
Aguardo a noite, companheira da solidão
São assim os poetas, tudo sentem na palavra
São assim estes tolos de mole coração

Há um abismo entre mim e as pessoas
Há uma corrente de vento de encontro ao céu
Há um pássaro inesperado que morde o tempo
Há um estúpida viagem de vida sem momento

Uma vez pedi a alguém
Vem comigo como se o Mundo estivesse acabando
Há abismos que se formam nas fronteiras do nosso corpo
E há um cais com um vagabundo já morto

Leva-me contigo gaivota
Como se fosse ave, e ave rara sou
Leva-me contigo para o fim do Mundo
Ou outro Mundo, irei, vou

Lembro-me das invernias, das tempestades
Lembro-me de ser eu ilha, perdida no recorte dos montes
Deixem-me lembrar, lembranças, de manhãs cinzentas
Deixem-me sobrevoar todos os horizontes

Deixem-me em paz!
Deixem-me seguir em frente como não importasse mais nada
O que fazem os pássaros à noite?
Rezam, cantam mudos, como esta alma calada?

Que vida tão repleta de penumbras
É sempre assim quando ao corpo me assalta a dor
Sou uma ave cansada que não ruma a sul nem a norte
Uma sombra sem luz, sem sorte

Talvez seja um colecionador de bátegas de chuva
Um desenhador de sombras com luz às costas
Um rezador de rezas, com velas, sem gente amiga
Qual nada, apenas uma...Alma Antiga...

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

FAÇO-TE UMA PROPOSTA



Na minha vida acontecem coisas impossíveis a cada segundo
Há quem se dobre ao balcão e beba um trago de fel
Inquieto perscruto a voz calada
O teu sorridente olhar é flor que acolhe abelha e dança de mel

Já soltei as mãos pesados do desentendimento
Fui viageiro de viagens, de tormentos
Fui paladino de revoltas e páginas soltas
E aplaudido em mil momentos

São transparentes as horas da chegada
Tenho recolhido olhares amargos
Não precisam encontrar mais o rasto do homem navalhado
As minhas mãos estão sempre em construção, também o coração

Na corrente miúda das ribeiras
Lavei lembranças que me corroem o peito
Quem vence nunca abraça o vencido
Ás vezes chamo Deus, ás vezes ando perdido

Este lembrar de amar a cada segundo
Esta contradição de inquietante pincelada
Gostava de esgotar nos teus lábios a poesia infinita do beijo
Gostava que sentisses a revolta do amar, do querer, desejo

Há sempre um acaso clamando um novo dia
Ás vezes sinto-me como o esforço da fonte que jorra a vida
Não sinto revolta, apenas uma inquietude
Por certo saber que de traição me fizeram, ser inocente

Presente...
Uma caixinha de sonhos te quero dar
Estará cheia de sentidos sentires
Oiçam estúpidas pessoas: “EU SEI AMAR”!

Em paços súbitos de calmaria
Como se o Mundo não soubesse de tudo
Como se eu não conhecesse a caricia serena
Que nos separa da solidão.. me quedo mudo...

Não sou mendigo dos meus desgostos
No meio dos risos surgem os punhais, para vidas acabar
Das minhas mãos apenas a virtude das cores
Oiçam estúpidas pessoas: “EU SEMPRE SOUBE AMAR”!

E para não levar mais longe esta tempestade poética
Vou manobrar este leme da vida para não dar á costa
Deixo-te um olhar que negas-te receber
Ama se amor tiveres, ou...Faço-te Uma Proposta...

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O FAZEDOR DE SONHOS



Há pessoas que vivem como sombras indecifráveis
Há pessoas que permanecem num leito vago
Há uma coisa chamada estupidez, que é um bicho
Arreganha o dente e engole a vida por um trago

Bem não era assim que este poema começava
É setembro e as aves já rumam a sul
O mar por estes dias varre a penedia, já não a beija
Este meu peito, esta minha contrição, este meu céu azul

Esta fonte que me molha a alma
Escorrendo e queimando a terra com a sua transparência
Esta música que o silêncio instaurou
Este homem que tudo deu, que no amor falhou

Esta vitrola ressonante
Um chapéu de coco, um sorriso de menino
Pintei o rosto, de mil cores
Por ter pena de mim, deste meu destino

Este amor que ainda teima em querer ser
Que faz estremecer de silêncio a luz breve
Quem construiu este homem cometeu um pecado
Para quê ser tão imenso quando se é mal-amado

E amo...
Acreditem que sei tão bem sentir este sentir
Hoje até me apetecia falar de pessoas normais
Que viajam num navio de nome partir

Hoje falei com minha Mãe...
É sempre assim, quando estou perdido
Acodem-me os meus Anjos
Disse-me: nunca estas pessoas saberão o imenso que tens escondido

Estarei sempre contigo...
Nunca irão entender que és de Deus um presente
Não importa o que de errado pensam, és uma luz
Tal como a saudade ausente

Há pessoas que são como lamparinas adormecidas
Há anjos, pessoas simples, seres puros, bisonhos
Tu és apenas o demiurgo de uma comédia breve
Um simples...Fazedor de Sonhos...

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

RECONHECESTE-ME...



O nosso amor é tão imutável como o Mar
Pensa em mim...
Imagina-me fazendo impossíveis para te apagar da minha alma
Imagina uma buganvília que sobe e floresce sem fim...

...Assim é o que é...
Faz tempo, parece fazer tanto tempo
Pensa em mim com afeto, pensa num estupendo amor
Passas-te, passou-me a vida num segundo, momento

Onde tens vivido neste Mundo
Foste realmente perfeita para mim
Sabes?! Fui sempre guardado por um Anjo
Até que apareceste Tu, até que um principio fugiu ao fim

Aqui neste lugar murmuro teu nome
Vezes sem conta penso, pensa em mim
Nunca me escondi nas sombras
Nunca me esconderei de sentir assim

Sabes?! Quando se instaurou esta tonta guerra
Fiz um balanço da loja do meu coração
Descobri um milhão de sentires
Aluguei casas sem janelas, nem quartos, nem chão...

...Dos quais há a descartar:
7 mil chapéus de abas flexíveis por causa do vento
7 rodas de leme desorientadas de rumo
Uma carta de marear sem sextante nem sol a prumo...

...7 lanternas que desafiaram as mais espessas trevas
7 bússolas que nunca perderam o Norte
Uma esperança que Deus me deu
Que acredito nela por não ser ateu

Um retrato teu
Como uma embriagadora rosa do meu sonhar
Não devemos perder mais este crepúsculo
Não faz sentido esconder o amar

Hoje foi assim quando o dia ia a meio
Nunca a vida ou os desengamos o amor consome
Atravessei uma rua sem que a vida me avisasse
De cabelos presos, vi o meu Anjo...Reconheceste-me!?...

PARA TI QUE PLANTASTE NA MINHA VIDA O MAIS PURO AMOR

terça-feira, 2 de setembro de 2014

UM LUGAR NO PARAÍSO


Longe além do céu
Oiço o teu chamamento quando as sombras caem
Onde quer que eu vá
Onde quer que estejas o meu amor brilhará

Longe ou em qualquer lugar
Tempo, hora, dia após dia
O meu amor estará sempre no teu caminho
Deus no alto sabe que é assim, este destino

Sempre que choro
Sempre que sorrio
Sempre que te lembro
Respiro...

Ouve pois o meu chamamento sempre que as sombras caem
Esta luz mostra o caminho
Há quem mande flores
Eu mando sentidos sentires

Gostava que te prendesse o meu gostar
Sei que em ti a minha vida é importante
Sei, sou, este pintor sem barco navegante
Sei que erro como qualquer necromante

Faço-te um proposta De mãos estendidas
Dou-te um real que ganhei por fazer magia em Santa Maria
Que vejas que quem nada sente, não sente dor
Que há sentimentos dispersos, outros, este amor

Esta manhã olhei o Mar
Esta tarde senti-te pelo olhar de outra pessoa
Esta peça é única
Há gente que acha que não sou gente boa

O que achas?
O que acham todos vós?
Tenho o meu caminho repleto de sonhos, fascínios
Lutarei por ti, contra ventos, moinhos

Que ilha ainda guardas nos teus olhos
E vi passar o teu coração inquieto
Senti que tínhamos interrompido uma vida
Que sabemos de...Um Lugar No Paraíso...

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O CHÃO DOS PÁSSAROS



Eu vi o negro balançar do coração de uma negra ave
Eu vi as esculturas que a chuva traçou na terra
Espreitou-me uma ideia levada da breca
Dar uma coroa de louros a todos os idiotas em santa guerra

Quer-se dizer, a todos os merdas...
Ups... o poeta asneirou!
Vamos adocicar este poema parido azedo
Querem saber?! Há gente demente cheia de medo

Pretos, brancos, cães, cadelas, cobras e melancias
Fidalgos, fidalgas, carapaus e garajaus
Potes partidos, artistas mal paridos
Mulheres desdenhado a careca dos maridos

Mau...Mau...!
Isto não ata nem desata
Que arrozada mais confusa e gasta
Chamaria a isto: nem piza nem pasta

Pois e juro que apenas bebi água
E olhei para trás desconfiado das facas aguçadas
Servi-me mesmo da minha torneira
Não fosse uma criatura bondosa e falsa qualquer fazer alguma asneira

E isto não há maneira de encarreirar
Então comecemos isto à poeta de rima certa:
Era uma vez uma criatura doce como o sal
Que me disse amar e só me fez mal

Era uma vez uma criatura que me jurou amor
Me abraçou na dor
Chorou na ternura de todas as melodias que senti
Era uma vez uma vida que no ficar partiu

Era uma vez um menino que sonhou à janela
Que o Mundo era feito de gente grande, bela, séria
Era uma vez um aprendiz de homem
Que ainda se condói com a miséria

Era uma vez tu
Ave que confusamente promove na minha alma desencontros
Era uma vez um destino que se tornou um desatino
E só para rimar, tudo isto...No Chão dos Pássaros...

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

GENTIL PROFESSORA



Hoje há uma festa de poente
Este céu radioso menstruado de fogo
És em ti a ilusão do fim do dia
Pássaro que dorme em minha alma vazia

Eu vi o teu terno sorriso
Aqui do interior da retina onde se apaga o fim
Pé ante pé, espreitei colinas de olhar
Desenhei uma escultura de esperança sem acabar

Sabes!?
Numa das mãos trago a esperança
Noutra o coração
Nos olhos um infinito que a minha alma alcança

Por eles só passará quem fizer crescer o fruto da verdade
Por aqui abriu-se a terra em tonturas de lava verde
Por aqui ainda mora uma lágrima oprimida e sábia
Por aqui há uma prestigiadora flor que plantei no Mar da ilha

É inatingível o pensamento do pintor
Ele é gaivota, lúcido e louco
Que mágoa sentirá no jogo das sombras
Ele é Sol que escorre e tremeluze, tanto, tão pouco

Na mansidão da areia imaginei um radioso Setembro
Pensei ouvir a canção das marés
Sabes?! Sou às vezes a plenitude da paixão
Tenho numa mão o coração e na outra de novo o coração

Vi num abraço o mar lavar a areia
Vi gaivotas tecendo no céu bonanças
Vi um lírio cantar no vento
Vi o caminho para um novo tempo

E de repente as nuvens ficaram alvas, escorrentes
E de repente esqueci a maldade da gente
No toque de duas hesitantes e afagadoras mãos
Senti que há gente linda, que sente

O coração do poeta estremeceu de realidade
Por isso o poeta plantou uma realidade onde a felicidade mora
Sonhei um sonho lindo com uma criatura de profundo sorriso
Chamei-lhe...Gentil Professora...

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

ENTRE O MAR E OS TEUS OLHOS



Quando pinto alguém
Uno a minha alma à alma da pessoa
Porque tudo o que a minha mente cria o meu coração acolhe
Porque este fazedor de sonhos o destino escolhe

Não fui feito para ser prático
Apenas autentico
Sei que tenho estado altura de todos os desígnios
Sabes meu amor, quando partir, tu...tu irás sentir

Houve um tempo em que tirava mil sonhos de um saco
Houve um tempo em que não sabia o que fazer de uma pedra
Moça, esta noite não irei escrever tristes versos
Ouvirei apenas na dispersa noite um anjo em santa guerra

Sabes, és a ultima dor que me causa sorrisos
Este abandonado ainda não tem hora de partir
Não quiseste naufragar num beijo
Tens uma chama imensa que te incendeia o desejo...

...De me amar
É negra como as pedras a solidão da ilha
É claro como véu de anjo
O que bate no teu peito em maravilha

Menina de ondulantes cabelos de mar
Acolheste-me nas colinas dos teus seios
Recebeste-me em teu corpo em profunda paixão
Enfeitiçado coração

Ainda tens o fogo nas unhas e nos teus ardentes lábios
Tens um destino onde não viaja a vontade
Sou um descobridor dos teus mais recônditos sentires
Sou pássaro entre os teus olhos e a liberdade

Porque no mar te vejo
Te procuro
Te desenho no sal da espuma
Te abraço, sinto, juro

Afoguei os lamentos, semeei esperanças no vento
Lancei cartas de amor em papagaios de papel aos molhos
De alto de uma falécia de lava adormecida
Procurei-me...Entre o Mar e os Teus Olhos...

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

PARA TI



Roubei uma caixinha de palavras
De uma loja mágica de brinquedos
Com elas escrevi o que senti
Este poema cheio das mais belas cores para Ti

Sabes?! Gostei tanto de uns sapatos
Que comprei pares para o resto da vida
Comprei todos os chapéus bizarros que encontrei
E com um deles, não sei qual, um dia, amei

Sabes?! Quando as bolas saltam sozinhas
Os brinquedos despertam no sono das crianças
Quando deixar esta ilha sentirei falta das pedras
Quando um dia souber voar espalharei nos teus olhos esperanças

Nunca serei apenas mais um Homem
Pinto, canto, faço magia, encanto
Olá vida sou uma criança grande
Até já almocei com um urso de chapéu amarelo, um espanto

Já li um livro que escondia as palavras aos descrentes
Já habitei a terra dos sonhos prováveis
Deu-me um chapéu branco um chapeleiro feliz
Envaidecido, rodopiei e sorri como um petiz

Também conheci alguns habitantes da terra do faz-de-conta
Às vezes acho que posso mudar o mundo com o pensamento
Às vezes fico assim, sinto-me pateta
Porque as bolas coloridas saltam sozinhas no querer do Poeta

Sabes , meu amor...
Vou deixar-te em testamento quando partir
Lavrarei numa singela folha de papel e farei um avião
O tempo que não mereci em Ti

Há quem mande flores, cartões
Eu, mando-te palavras
És como uma coisa grande, refletindo outra maior
És a sonoridade feliz da palavra amor

Queria que te enchesse o meu gostar
Um dia alguém perguntou:
Onde vais buscar tanta palavra?
Respondi: multipliquei pela primeira que me disse minha Mãe quando nasci

Uma vez pedi a uma gaivota, não vá
Faço-te uma proposta
Dou-te um real que ganhei com a dor
Dá-me o teu amor

Gostava que não acreditasses nem em mim nem no impossível
Joga comigo, apenas um jogo, de vida e sorri
Sente o querer da alma deste fazedor de sonhos
Porque escrevi...PARA TI...