sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

ALMA QUIETA AO AMANHECER



Era o tempo das ideias acordadas
Com desespero e esperança correu um ano inteiro
Libertei nas águas infinitas mil quereres
É uma urgência urgente o teu amor, primeiro

Nunca ordenarei sentenças
Lavei as manchas á alma com água e fé corrente
Deixei saudades na areia lavada pelas marés
Encontrei pegadas, pareceram-me teus pés

Confundi ondas com nuvens
No sibilar morno do teu corpo inventei o amor
Que mágoas sentirão os habitantes do poente
Lateja-me o coração perdido na distância da dor

O dia acordou tão pálido como o suspiro de Inverno
Uma ideia galgou em ziguezagues o inatingível
“Dizer-te que serás eternamente o amor”
Dizer-te que sou uma criança sem nome cavalgando o impossível

Ontem abracei uma pessoa...
Ou terei recebido a esperança num abraço?
Hoje acordei com o pio aflito de um pássaro trapalhão
E numa lágrima oprimida e sábiA recolhi um trevo de quatro do chão

Trago numa mão a enxada a outra no coração
Desbravei ingremidades disformes, zangadas
E com o pensamento preso aos olhos viajei
Jamais serei pertença do desespero, água, mãos lavadas

Não escrevo recusas que mais ninguém tem
A palavra, o verbo feito no altar
Moro onde o poema nasce e jamais se perde
Ás vezes fujo para perto, recuso o chegar

Serei uma estátua em pose eterna
Um pássaro a dormir em pétalas frágeis e orvalhadas?
Imagino a fonte do inimaginável belo
Já toquei o a vida em viagens breves nas ondas dos teus cabelos

Atearei as chamas nas noites mais escuras
Já ouvi alguém partir de mim sem saber o que fazer
Já percorri todas as viagens inventadas
Esta ...ALMA QUIETA AO AMANHECER...

sábado, 24 de janeiro de 2015

PRISIONEIRO DE SONHO INTERROMPIDO


Hoje decidi dar rumos ao rumo
Hoje acordei do adormecimento inadiável
Resolvi descobrir o meu céu das penumbras
Perder-me nesta ilha de verde e brumas

Hoje decidi relembrar rostos distantes
Resolvi tocar seus corações no perto
Decidi alegrar todos os anjos tristes
Caminhar num caminho de rumo incerto

Este meu crepúsculo de ti é lento
Há um Sol que teima em não ir embora
Recolhi uma rosa em pântanos indescortináveis
Seu aroma era de saudade que chora

Serei como ilha infatigavelmente prostrada no meio de horizontes
Mareante trespassado por ecoante mar rasgando as rochas
Qual gaivota serena e muda chegando do nada
Qual alma que em arrepio suspira, mal amada

Apenas porque os barcos levam nomes de mulheres
Acariciei um sonho carregado de melancolia
Atravessei montanhas, fiz um filho, amei teu retrato
Percorri caminhos de lâminas afiadas com o olhar já gasto

Não há vazio que ocupe o lugar do amor
Atiraram o meu ás vidraças da escuridão
O importante é rir-me de pena de mim
É espantar-me com o avanço dos dedos fugidos da mão

Loucura...!?
Pois, o poeta pateta agora é louco
Nesta festa da vida serei clandestino
Ou apenas demiurgo fugindo ao destino

Andei por aí numa fúria magoada
Recolhi escárnios e sorrisos trocistas
Balas, dardos despedaçando coração vazio
Mergulhei em águas geladas de perverso rio

E rio...
De mim, triste e tonto Arlequim
Com folhas secas espalhadas pela boca
Numa a frase “tinha que ser assim”

O melhor é matar estas palavras de susto
E abrir os braços ao vento de alma e corpo despido
Adormecer neste atol de estranhos contornos
...PRISIONEIRO DO SONHO INTERROMPIDO

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

PROMETESTE-ME


Fui até onde as emoções renascem
Não há mares nem ventos em corações vazios
Fui até onde a escuridão acaba
Não há amor quando não se sente amor...nada

Anjos, gárgulas, roda a vida numa eterna atafona
O pio de pássaro saltimbanco no desabar da tarde
Contei pedras atormentadas, saudades desencontradas
Neste coração que arde

E de repente tombaram os sonhos no meio dia de sábado
Elevou-se um abismo negro em direção ao céu
E na transparência de véus pesados
Deixei de ver o teu rosto desenhado em negro véu

Talvez seja um pássaro inesperado mordendo a vida
Uma sombra atirada ao chão presa a uma cruz
Um anjo despedaçando nuvens de tempestade com asas de lata
Um deus menor que o tempo seduz

A mentira foi projetada pela luz do pecado
As portas das casas fecharam-se com fragor
A morte desenganou-se e perdeu-se na areia
Encontrei em luminoso e breve momento o teu amor

Olhos...
Uma lágrima perdida de confusa saudade
Este inquietante vento nascido na alma
Este coração triste e louco “Merda de vida”!!! Não se apaga a chama!

Tragam-me todos os livros que falam do amor
E nunca mais me digam que: “Ser Poeta é ser mais alto”
Porque este, ama assim perdidamente!
Perdidamente, alma e sangue e vida em mim, dizê-lo a toda a gente

“Por favor não me magoem mais”
Prometo, não incomodo ninguém com mais nada
Porque em cada passo que dou em busca do sonho
Porque este espelho só me mostra um ser bisonho

Lembra-me...
No tempo que em doce abraço...encontraste-me
Navegando em rios mansos de ausente dor
Fecha os olhos e lembra...Prometeste-me...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

O ESTRANHO PODER DO SILÊNCIO



Percorro esta ilha de Norte a Sul
Há tanto de intemporal nas hortências adormecidas
As marés são pronuncio do choro dos deuses
São de cartão certas mágoas perdidas

Naveguei na calmaria de um ano de esperanças
Lancei meu coração na procura de um rumo
Abracei o meu querer aos brandais
E afastei no olhar um Sol a prumo

Na viagem fui encantado por sereias
No canto doce de verde olhar
Foram sete todas as esperanças
Cinquenta e duas luas para aqui chegar

Sortilégios de um irónico deus
Alquimia fugindo ao olhar de tolos terrenos
Bravata entre Arcanjos e o mal
Eternamente no encontro entre o amor e desamor...

Mas esperem um momento
O espetáculo ainda não começou
Pancadas de Molière...
Para muitos a guerra findou

Este Arlequim de fato de cetim
Rosto pintado a preceito
Sorri...
É tão agreste ás vezes o caminho, estreito...

E o Mar, sempre o Mar
Para onde voam as Gaivotas ao fim do dia?
Para onde correm os anseios deste Poeta Tolo?
Serão as estrelas habitantes perdidas no azul sal?...nostalgia...

Que confusão Nossa Senhora da Agrela, que não há santa como ela!
Estava a pensar um poema daqueles de encantar até chorar
E vejam a coisa malparida que daqui saiu
Até o papagaio se riu

Mas deixem lá o rapaz desatinar
Passou-me ao nariz o aroma do incenso
Fiquei endrominado, e a única coisa, que aqui escapou
Foi o titulo... O ESTRANHO PODER DO SILÊNCIO

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

A BELA E O MONSTRO


Lembro Setembro
Uma flor num altar imaculado
Lembro entre os olhos um sorriso
Uma lembrança um querer ceifado

Como ilha perdida, desapareceu um sonho
Sou bisonho...
Para alguns...
Sou apenas um pintor, a parte triste de um sonho

Tive gente que me pintou de navalha
Disseram que era mau, maltratava pessoas
Tive gente que pintou de negro este poeta, gente canalha

Fui posto na rua de uma casa onde construi sonhos
Fui tido como pessoa que neste Mundo não deve existir
Fui demiurgo de todas as comédias de desenganos
Fui desenho, desenhado com o rumo do partir

Fui...!
Sei o que sou!
Sabes quem sou!
Estupidamente a traição num coração se instalou

Serei...!
Aquilo que este dorido coração comandar
Continuarei a plantar a beleza
Vou regar novos sonhos e pintar o amar

Começarei por mim
E darei um sorriso a este triste Arlequim
Abrirei os braços ao abraço
Abraçarei quem acreditou um pouco em mim

Foram poucos, alguns...
Vivi tão só, assim quis, não tenham dó
Tive tanta saudade da minha Mãe, do meu Pai
Do Céu caíram sorrisos, foram alento, afinal não estive só

Perdoo neste dia todos os que me quiseram mal
Pacifico-me com as pessoas e tiro da alma o desencontro
E digo-vos com dez assombração
Haverá sempre uma bela para um terno e bondoso Monstro...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A CANÇÃO DAS MARÉS



Do céu libertaram-se as águas infinitas
É verde o coração dos Poetas
Olhos de nuvem, coração de pensamento
Uma ideia de um sonhador, um doce momento

Gosto das pedras
Ás vezes são lâminas de gume afiado
Amo-te, menina que pertences ao mar
Rezei hoje para te encontrar, neste triste navegar

Encontrei-te, fugidia...
Como quem sabe que o amor é algo fatal
Nunca serás o fim do meu infinito
Um canto de pássaro, espantando o mal

Tenho os olhos presos na mesma gente
Tenho o coração dorido pelo desencontro que vi
Tenho um abraço, aberto sem te ter dentro dele
Tenho a alma infinitamente presa a ti

Tenho uma saudade de mãos cansadas
“Gostava que coubesse no teu coração um poema inteiro do meu sentir”
Espero o recolher de todas as sombras
Descalças correm as cores que me impedem o partir

Tens ondas indizíveis no teu cabelo
Há uma noite que se aproxima hesitante
A chama das palavras por falar
Um punhado de amor esperando o despertar

Uma dor que cristaliza o balanço do pensamento
Entretanto ri-se de si o homem mais infeliz do Mundo
Este dia respingou um suspiro definitivo
Esqueci uma melodia, por tristeza, sem motivo

Pois muito obrigado todos aqueles que me querem mal
Não tem de quê, seu tonto, papalvo
Na memória só restam uvas azedas
Fechei os olhos á raiva, já não sou o abatido, nem alvo

Sei lá o que sou!?
Um homem caminhando trôpego, trocando os pés
Assobiando uma melodia incompleta
Tirada da...Canção das Marés...

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O MILAGRE DA SAUDADE


Depois de te prender por segundos o olhar
Com a alma te tocar
Uma lágrima teimar voar
Fui com este coração doído ver o Mar

Um gesto amado...
Senti o frio da espuma em arrepio
O Sol beijou-me
O mundo rejeitou-me, tu não...confio

Que tempos meu Deus
Plantei esperanças todos os dias e este querer nunca acabou
Aqueci-me com lembranças nas noites frias
“Meu Armando, meu amor” só uma pessoa assim nesta vida me chamou

Por estes dias...
São longos os dias, desajeitados os quereres
Pensei no amor, morte, pensei com pena
E nunca mais adormeci numa conversa amena

Penso estupidamente tanto
Rio quando me rasga no peito o pranto
Há uma história que se interrompeu abruptamente
Há sempre uma gaivota voando a poente

O murmúrio das árvores
Uma pedra molhada pela chuva, ou maresia?
Todos os dias sinto uma obstinada fé
“Desculpa, perdoa, confia”

Fosse porque fosse, sentimos sempre mais além
Derramados sentires, opacidade da penumbra
“Acho que os pássaros não dormem, ficam apreciando a noite”
Tenho varrido deste coração tanta bruma

Fiquemos pois onde bate o coração, de emoção
Desenhemos os contornos de uma história feliz
São tão estranhas as pessoas quando decidem odiar
São tão ténues os pedidos, o chamar

Uma chama...
Não recuo até ás portas do céu, sem fim, sem idade
Hoje aconteceu o que esperava já não existir
“O Milagre da Saudade”

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O JARDIM DOS REGRESSOS


Não voam anjos na bruma da Ilha
Oiço palavras gritantes de um olhar doce
Derramei sonhos num vale de assombração
Tenho tanta saudade de te dizer amor, dar a mão

Guiado pelo esplendor dos poentes
Segui o aroma suave das buganvílias
Parti aos poucos nessa minha caminhada por dentro
Acordo nas manhãs, perdido dos horizontes, incompleto...

...Por não te ter...
Sabes meu amor, há um lugar onde as coisas fazem sentido
Há um lugar onde partimos como vagabundo
Há um lugar onde chegamos expulsos do Mundo

Ninguém espera pela noite na chegada do Sol
Ás vezes viro a cara ao tempo e ao deslumbramento
Ás vezes sento-me a olhar em volta como fosse louco
Ás vezes dou tanto, recebo tão pouco

Os escutantes do perverso afinam a parte negra da alma
Nestes dias o verde é de tal forma irreal
Há uma hora das portas fechadas
Há sempre um coração vazio, banal

Sou o inventor da luta entre o silêncio e a palavra
É nesse exato momento que algo exulta
Será que sabes da importância que dou aos grandes acontecimentos?!
Será que ainda reverbera a música de raros momentos...

És como o nascer da manhã inevitável
Sou um olhador de sorrisos sinceros
E todavia fez-se penumbra no decorrer do dia
E todavia o tempo desapareceu devagar, no teu chegar

No teu olhar aconchegam-se as maresias do Outono
Um ramo de misteriosas camélias
Hoje decidi fixar nuvens nos ventos
Decidi abrir a alma aos mais belos momentos

Hoje decidi ter respostas sem fazer perguntas
Decidi ser eu mesmo, sem inventar, processos
Sentei-me pois neste banco feito de folhas e frutos
Neste meu...Jardim dos Regressos...

domingo, 7 de dezembro de 2014

COMO TU



Este alento animado por novos sonhos
Este esmagar dos dias de dor
Este acenar de Anjos magníficos
Como sorrio ás vezes a uma vida de desamor

Para falar de uma vida não há apenas um nome
Para falar de uma ilha há apenas um destino
Para falar apenas de uma mulher
Há sempre a esperança do amor, o que Deus quiser

Que seria da cor do Mar sem o beijo de Céu
É sempre tão nostálgica a morte do Sol no acabar do dia
Sou um sonhador numa manhã de soltos versos
Sou um desenhador de planícies eternas que em Deus confia

Sou como a terra palpitante, fecunda
Escrevo palavras com insistência para que descubras verdades
A Norte o vento é frio
Esta força, este homem sem preconceito entre as margens de um rio

Tenho os olhos cravados no infinito
Nasci sorrindo para um Mundo tristonho, frio
Há sempre um canto de pássaro que me se seduz
Houve sempre em meu caminho uma reluzente luz

Já fiz milhões de traços
Já pintei emoções desconhecidas
Já amei mil corações esculpidos em gelo
Já morei num arquipélago de ilhas perdidas

Já me perdi...
De punho cerrado enfrentei Adamas tores
Fui saltimbanco de comédias de enganos
Ator em palco de falsos atores

Tal como o Mar rasgando as rochas
Naveguei sem rumo, em infatigáveis procuras
Segui em frente, é tão silencioso o horizonte
Pedi a Deus perdão, guardei numa caixa mil juras

Falemos pois do canto dos pássaros
Falemos do amor, do que a minha alma descobriu
Falemos da formosura de uma rosa breve de Novembro
De um obra fascinante e bela...Como Tu...

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

ENQUANTO NÃO CHEGAM OS BARCOS


Vi as minhas mãos nascerem na claridade de uma aurora
Vi a minha voz perder-se nos verdes desta Ilha
Vi os rituais de uma Cagarra na sua dança de amor
Vi o poder das águas e do vento descobrirem uma flor...

...Azul
Sal do suspiro de uma onda longínqua
Um pássaro breve de perdido cantar
Uma incontida lágrima, por te querer, amar

Na rebentação da beleza salpicaste o meu olhar
As mulheres transparentes divertem-se na vida
Ninguém bebe vinho e vomita o amor
Ninguém é dono da poesia, nem o seu autor

Vejo antigas sombras, cavalgando o silencio do pensamento
Não me falem de um tempo
Não me façam rir de mim
Não me mordam a alma, não me firam o corpo

Não me falem da chegada das primaveras passadas
É bom que se saiba que há muito mais porque morrer
Que conheço os caminhos cantantes da alegria
Sou um criança que transforma um muro em palácio, para te ter

Ás vezes percebo que os homens não têm importância
Que vejo a terra passar por mim velozmente
Ás vezes este espírito alucinado sugere-me
Que sou pássaro a voar para Poente

Abençoada a terra que colhe o orvalho
Bendita a mão que reparte o carinho
De esperas se constrói a solidão
Serei o primeiro habitante da dor vencida no teu caminho

Conto as aves do mar, mais as ondas
Bebo neste Oceano de mil esperanças
Vejo desprender do Celeste Anjos magníficos
Vejo Deus desenhar nas nuvens breves sorrisos

E sento-me neste basalto de fria espera
Não tenho fortuna, só bens transparentes, parcos
E penso em ti mensageira do amor
ENQUANTO NÃO CHEGAM OS BARCOS

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

OS PARAÍSOS QUE UMINFERNO CRIOU



Inquietos escutamos a voz calada
São pesadas as mãos do desentendimento
Nesta perdida rua de negro e fogo
Neste meio do mar, sem estrelas, um momento...

...Para te dizer, que bebi de um trago só o perdão
Para te dizer, que sou o cerne imperceptível da verdade
Dizer-te também, “ ainda sei amar quem me magoa”
Que vivo e floresço na minha inventada cidade

Foram tempos da memória
Rasgam-me a garganta as nêsperas azedas
Se soubesses a sede que se sente
Quando a vida nos arroxa ao peito, coração descontente

Se soubesses o que sente este poeta de rima incerta
Se soubesses o que não sabes por descredito
Se soubesses que todas as manhãs o meu amor se acende com a aurora
Se soubesses porque fico, mesmo indo embora

Se soubesses...
Que há quem abrace o vencido
Quantas verdades se diz mentindo
Que só me lembro dos teus olhos sorrindo

E eu que nada sei
Eu que acredito tudo saber
Eu que vivo como gaivota em eterno voo
Eu que cerro os olhos para não ver a esperança morrer

Eu...
Cavaleiro andante, Arlequim, mendigo sem bênção de Deus
Carrego o peso da idade inadiável
“Sou o Rei legítimo de todos os ateus

Sou, quem sou
Nem tudo o que faço pode estar errado
Pinto Anjos negros, deuses e deusas
Este homem, bem ou mal-amado

Sou aquele que caído, foi espezinhado
Sou aquele que pelos seu inimigos orou
Sou também este alquimista da vida
Que transformou em ...Paraísos o que o inferno criou...


sábado, 15 de novembro de 2014

CORPO SOLENE DE SOLIDÃO



São milhões os risos que chegam ao meu sentir
Esta fúria magoada de mil dias de solidão
Esta terra fustigada por espadas de chuva
Estas raízes presas ao profundo coração

Devorei o frio neste vale de segredos
Afastei as nuvens de desesperança com um olhar
Misturei ódios e sorrisos
E construí um castelo para te poder amar

Meus Senhores, minhas Senhoras
Novembro está servido, com ventos e lágrimas das estrelas
Afastei os dedos das flores mortas
Mataram a bondade, fecharam-me as portas

Mas, meu Amor...
Não há lume que aqueça o pão da pobreza
Os inaudíveis e grandiosos sentires desta alma dorida
São sussurros, são sorrisos soltos á tua beleza

Estes são os primeiros anos do amor
Vês agora a crueza desta neblina?
Meu Anjo de água de lábios recortados por um deus
Meu Amor, quanto tempo, tanto Mar...Mar, Menina

As minhas mãos urgentes
Procuram teu corpo, arca de incandescentes diamantes
A tua essência deslumbra, fere sem doer
Teus seios, ondulação das ribeiras, tua alma, teu ser

Já me fugiram á lembrança os antigos dias
Pelo olhar se retorna ao amor
Pelo teu corpo crescem flores carmesim
Neste vale de verde ilha ausentou-se a dor

Já pintei presságios e sonhos
Já pisei um lugar onde emanava a tua existência
Como uma Alva Garça soubeste ouvir o sonho
Como uma estrela do Norte e rumo, conquistaste minha confiança

Numa almofada de Musgo repousa a cabeça de uma Deusa
Escrevi teu nome no diário da minha paixão
Esculpi no teu sentir de roseira brava a novidade da luz
Amei teu... CORPO SOLENE DE SOLIDÃO

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

INEXPLICAVEIS DESERTOS



Como são puras as madrugadas
Como serão os campos sem cor
Como será a noite se brilhar o Sol
Como será a vida sem o brilho do amor?

Não pensei vestir-me para esta incompleta viagem
O desgosto e o amor são companheiros lado a lado
Ao dar os braços á luz do dia
Não sei se os poentes saudáveis são a saudade que na tarde morria

Deixem-me aqui com os olhos cuidando do azul do céu
Deixem-me aqui compondo uma balada de triste paixão
Deixem-me aqui como barco a naufragar
Deixem-aqui procurando a compreensão do amar

Deixem-se sentir teu rosto viajando para a minha presença
Neste lugar de casas brancas da cal
Tenho presépios em todos os dedos
Tenho a ventura presa ás mãos, um arrepio fugido do mal

Comigo dentro de mim, serei um guerreiro azul
Entreguei-te a minha paixão em versos
Nas tardes de memória
Na tua pele deslizante de fêmea, tatuarei a nossa história

A canção que me apetece cantar é Bela
Prendo o olhar ao retrato da tua candura
Um papagaio de papel de seda solto
Uma voz, tanta doce palavra...a ternura

O amor já não visita esta lareira dormente
Este Inverno, visitador de tempestades
Foram grandes os olhos da raiva
Foram sete vidas, sete sóis, cidades

Foram lembranças, perdidas em trincos da memória
Acredito que tudo o que é bom, ressuscita sempre
Na sensualidade do gargalhar, esconde-se o sonho açoriano
Este vento solto nos brandais, viagem, ilha, mar, sigo em frente

Com alecrim preso ao altar de senhor
Aqui a terra fechando-se em volta de tudo
Estas mãos vasculhado a dor das hortências
Este canto de bruma, reverberando mudo

Este sonho clamando um novo dia
Estes passos, trôpegos, incertos
Hoje isto saiu uma arrozada de rimas
A que chamei... INEXPLICÁVEIS DESERTOS...

sábado, 1 de novembro de 2014

MEU AMOR



Há lembranças que fazem estremecer o silêncio e a luz breve
Lembro outras eras de sobressalto
Lembro onde as crianças buscam o sonho
Onde os pássaros cantam trinados do alto

Há com certeza uma lamparina acesa no teu peito
Há uma palavra que teima ficar presa á razão
Às vezes é preciso acordar o silêncio
Às vezes o carinho é moldado nos cinco dedos de uma mão

Hoje apeteceu-me escrever para ti...só para ti
Hoje resolvi descobrir o Universo das penumbras
Hoje decidi deixar meu coração rebelar-se
Amanhã sei que sairás deste vale de contradição e sombras

Às vezes falo comigo próprio como fazem os loucos
Às vezes digo coisas tão vazias do sentir
Às vezes erro como as manhãs inevitáveis
Às vezes tenho tanta vontade de te chegar sem nunca partir

Contei todas as madrugadas sem ti
A minha dúvida é saber se és a aliança da minha sina
Tenho partido aos poucos sem ti para lugar nenhum
Tenho-te na alma, tenho o Mar e a sua menina

Menina do Mar...
Caracóis esvoaçantes, boca recostada de infinitos
És a fonte do irreal, inimaginável e belo sem fim
Procuro no Mundo, encontro-te em mim

Lembro teus gestos amplos e firmes
As alegrias das memórias do que já fomos
Mas ainda és para mim a alva imensidão de uma folha em branco
Onde vamos desenhar, venturas, sonhos

Procurarei na tua alma o gesto amado
Farei com que não hajam mais fronteiras nos sentimentos
Vou aprisionar o vento incansável que veste este nosso Outono
Farei com pedaços de céu uma Primavera de felizes momentos

Vou subir para te ver em ondas de sussurros
Oferecer-te uma esperança gerada na dor
Hoje escrevi para ti...só para Ti
Meu Amor...

sábado, 25 de outubro de 2014

ROMEU E JULIETA



Uma flor respira ao portal
A noite aproxima-se hesitante
Velhos são os trincos da memória
Uma vida fumada á esquina, um instante

Julieta era uma espertalhona donzela
Cada suspiro seu era como o ultimo, definitivo
E no cerne imperceptível do seu branco vestido
Havia um drama de faca e alguidar, morto ou vivo

Há tanta Julieta, branca, preta
Há Falsas raparigas com toque de urtigas
Há meninas rafeiras com a mania de finas
E há uma princesa com alma negra de beleza

E os Romeus, católicos e ateus
Pingando amor, amarrotando cuecas
Hálito a pasta gardól de pincel mol
Heróis, enganados, cornos, patetas

Mas vamos dar ordem a esta poesia
Isto está a ficar uma algraviada
Vamos pois escrever com elegância
E deixar o choradinho da mal-amada

Recolho pois a palavra amarga
Porque este herói desconhece o fim da batalha
Estou escaldado da falsa ternura
Durmo de olhos aberto e um fechado

Já está a descambar outra vez
Isto é mais de comer a rir e o dono atrás a pedir
E se soubessem como estou agradecido por louvar o amor
Sempre que me lembro de tal, estrassalhaço uma flor

Quando a ilha nos aperta
A sede que se sente, melancolia
Este frio dos abismos sem fim
Este lamento solto em mim

Hein, já viram como cá o Poeta também escreve umas metáforas?!
Deixem lá, esta vida uma vezes é puta, outras preta
Hoje deu-me para isso
Por me lembrar de...Romeu e Julieta...

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A COR PÚRPURA


Sou um estranho dentro de mim
Trago as mãos vazias embrulhadas de nostalgia
Tenho um coração mudo, amputado pelo amor
Tenho uma alegria cinzenta como um poema por escrever ao fim do dia

O absurdo das coisas acontece em fúteis manhãs
Faltou a luz para o inicio dos gestos
Esta estrada sem vida engole os meus passos
Dou os braços á noite, prostrado em mil cansaços

O que me resta são estas mãos vivas
O que me acalenta é pensar no fim da viagem
Deixem-me aqui sereno, cuidando do azul do mar, com o olhar
Deixem-me afagar a garganta ferida de gritar...

...Comigo dentro de mim
Deixem-me aqui compondo a solidão
Deixem-me ir para longe da minha distância
Na espera de um barco ou de uma ilusão...

...Entre margens
Segura vontade numa algema de palavras
Cala-se uma gaivota, inverno de dourados presentes
Acordo nas coroadas auroras, morro no cair dos poentes

Escrevo para ti...Sabes que é para ti...
Os nomes não têm cor
São simples diagramas em conflito
Os nomes são muda sinfonia de sonata em desamor

Serei um barco vencendo rotas novas
Aplanarei as rugas de todas as montanhas
Vai arder novamente este sofrido coração
Hoje tive vontade de pintar uma oração

Vou dar um nome a um novo voo
Vou plantar um sonho feliz contigo
Vou lançar um papagaio de seda com a palavra amor
Vou fazer nascer das improváveis razões uma singela flor

Vou deixar que se inunda das cores da esperança
Vou colhê-la e dar-te quando chegar a altura
Saberei o momento certo para tal
Quando ela se vestir da...Cor Púrpura...

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A ENTREGA DOS SENTIDOS



O dia descobriu-se com o murmúrio surdo das árvores
O badalar majestoso de um sino, desperta um pássaro no ninho
Apagaram-se luzes atormentadas
Para alguns a vida é tanta, outros, um punhado de nadas

Na ilha acontece o esquecimento do Mar brincando
Uma brisa corre rasteira, sussurrante
Pensei, por te amar, seres a consciência do amanhecer
Pensei sentado numa pedra molhada, não te querer ver

Nas escadas de um perverso tempo
Medi o alcance do horizonte, para além do amor
Há sempre o vazio numa esperança imensa
Uma cabeça, prenhe da mentira, não pensa

Gera raivas sobre um amor de lareira apagada
Sandálias gastas, este menino que louva a saudade
Estas mãos em eterna construção
Estou cansado de caminhar, de desenhar o perdão

Para alguns, há uma noite aproximando-se hesitante
Uma rua mesclada de raivas e fogo
Um silêncio súbito assalta-me a lembrança
No aconchego de uma casa fechada, o rezar de um terço, fé, esperança

Talvez seja um vagabundo no canto da rua bebendo a vida
Uma estátua cansada, desaparecida do olhar
Um rosto sem vos, nem corpo
A primeira letra do verbo amar

A água sincera dos olhos
O que seria do azul do Mar sem o beijo do céu
O que será de ti, ancorada nesse atol
Apenas verás todos os dias como morre o Sol

Estarei deitado dentro de mim
Infinitamente com os olhos pregados na vida
Com desgrenhados cabelos de luta, apontar o eterno
São pálidas e vacilantes as rosas do Inverno

Fulgem sonhos neste caminho
Tenho anseios, rumos, quereres escondidos
Este Poema não fala de nada, de ninguém
Foi apenas uma singela...Entrega Dos Sentidos...

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A SOMBRA DAS ROSAS


Vi uma Gaivota tão quieta a ouvir o Mar
Com sereno nos olhos, colhendo cânticos no silêncio
Com as penas queimadas pela tarde
Há um rumor em meu peito, que sente, que arde

Na vida, vieram ao meu encontro, mágoas e louvores
Estão adormecidas as hortências
Com um profundo rubor carmesim
Há um sufocado grito dentro de mim

Não oiço mais os dias que se foram
Abandonei na cadeira estas vestes sem feitio ou medida
E em fragores acalmei a minha dorida alma
Já te senti , sincera, sem máscara, despida

Perguntei ao vento quem sou, o que faço aqui!?
Respondeu ao eco, és quem és...
Abri os braços ao celeste numa entrega infinita
E sorri sem vontade a esta sorte maldita

Ainda ardem em meu peito as sombras da saudade
Ainda não desisti da minha cidade inventada
Nos castanhos húmidos olhos da memória
Pintei, pintei-te como heroína da minha história

Está calma e doce a noite
Este Setembro passou sem um sorriso feliz
Na noite tudo se perde, vive a sombra o desvario
Que pena, não olhei, terias o rosto sombrio...?!

Pressiono contra a noite os dedos todos
Corro na procura de uma felicidade fugidia
Sairei derrotado pela madrugada
Dói-me o sentir, tenho a alma cansada

Tenho a liberdade de um bicho
E algures por aí á volta, versos num poço de revolta
São passos e pancadas estremecendo numa casa sem portas
É um livro chamado...A Sombra das Rosas...

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

RESSUREIÇÃO


Quantos sãos os dedos
Que apertam os instintos crispados?
Quanto é o tributo de te amar eternamente
Onde fica esse teu ninho de sonhos acabados?

Esculpi a minha revolta numa pedra imóvel
Já foste enorme como um sonho longo
Agora és apenas uma ave parda, sem voo
Eu serei, sou gaivota, alma, sonho

Depositei flores num altar imaculado
Rezei sete rezas para embarcares na saudade
Pedi aos deuses que a tua cabeça se iluminasse
Pedi ao Mar que me devolvesse a verdade

Encontrei uma boia num poço de silêncio
Está por pintar a obra da minha vida
Estará no acaso, com 7 traços e uma linha reta
Arranja-me um sorriso, apenas um e ficará completa

O meu passado será sempre o que eu quiser
O meu futuro, uma viagem, um desconhecido nascimento
Nunca houve movimentos suspeitos dentro de mim
Nunca serei derrotado, não há perdão para o justo, nem fim

Sou um homem sem fome, nem frio
Apunhalado pela vil estupidez
Sou isto mesmo, pão, vinho, sonho, amor
Sou barro moldado que um deus fez

Uma pedra nasceu aos meus olhos
Há sonhos que são feitos para torturar
Dormi com os anjos de água da manhã passada
Perguntei por ti, não me disseram nada

Saí do corpo, tem sido constante
Deixei o corpo preso a esta terra fatal
Senti a liberdade, como é tonta a mesquinhez
Não quis voltar, estava tão bem, voltei para o mal

Olhei á minha sombria volta
Era o mesmo Mundo de gente sem coração
Sempre que me separo do corpo e viajo
Sinto que aconteceu uma...RESSURREIÇÃO...

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

AS VALQUIRIAS



No espaço intermédio da paixão
Há nuvens de espesso negro
Há uma gaivota em jaula de sal
Há quem me entenda sem levar a mal

Há um frio nos abismos dos poros mais suaves
Já não sinto o cheiro da alegria
Há mulheres que escondem as mãos por entre o sonho
E há a noite onde repouso lembranças felizes até ser dia

Já risquei o Mundo do meu habitar
Este medo de estar por cansar
Esta solidão baloiçando no infinito
Este desprezo de cada hora, o grito

No espaço provável do amor
Perdi os contornos de um rosto de meigo olhar
Sou uma espécie de criança exigindo um nome
Sou alguém que se perdeu do amar

Há ainda neste peito qualquer coisa
Um punhado de amor esperando o despertar
Ás vezes rio-me de ser infeliz
Hoje a palavra recolheu-se amarga, confundi o partir com chegar

Adormeceram já as hortênsias
Vestidas de suave carmesim
O céu pranteou gotas de azul
Este palácio carbonizado do poema que há em mim

No campo da memória só encontro facas luzindo
Semeei esperanças de silêncio quente
Pela erva molhada se espalharam as contradições
A vida deu-me e tirou-me um presente

Puta da vida!
Tão sem rosto e sem sol
Um trevo de quatro folhas dá azar
Sete ondas, sete marés uma onda para me levar

Para onde...?
Na distancia o silêncio é coisa demorada
Nesta carne há luas e mares a desbravar
Tudo o que se move pode sentir, tudo, nada!?

E depois há as mulheres lindas às vezes
E gente de corpo e almas vazias
De tão cansado esta tarde adormeci
E sonhei com...As Valquirias...