segunda-feira, 11 de agosto de 2014

PRANTO


Manhã submersa de neblinas
A noite teceu seu manto
A água em sua eterna viagem
Cobriu a ilha de pranto

Parti da ilha numa manhã de luz fria
Com um pálido sorriso
Levando na bagagem a nostalgia
No coração a revolta
Nos olhos um ar submisso

A lonjura desenha uma cruel ironia
Cobre o sentimento no vale da distância
Deixou gravada no barro negro
A tua doce lembrança

Quantas luas passaram sobre a tua cabeça
Quantos rebentos de verde no barro nasceram
Quantas palavras ficaram presas à alma
Quantas dores do meu peito irromperam

Será assim na quarta feira
Pela minha palavra algumas centenas de almas subirão
A um cruzeiro no alto de uma falésia de pedra
No alto dirão algo que escrevi, uma oração

Cantores e atores desta terra
Gente que vive sem presunção e espera
Gente que arranca à terra o vinho e o pão
Gente que ora em santa guerra

Sei que a emoção será imensa
Que verei nos olhos das pessoas o espanto
E uma música feita por mim marcará esta peça
Lavrei-a com alma e tem como nome...pranto...



quinta-feira, 7 de agosto de 2014

NÃO ME PERGUNTEM PELO AMOR


Entre palavras e o rumor azul de mar
Dançam estrelas breves dos teus olhos
Cai uma murmurante lágrima dos sonhos teus
Ai se falassem estas mãos, diriam que afagam Deus

Qual é a cor dos teus sentires
Porque olhas para trás ao partires
Porque é translúcida a tua forma de querer
Porque os olhos da minha alma se fecham para não ver?

As mãos do amor ferido são trémulas
Se tocares no basalto arderão no acender da lava
Uma sarça ardente cobre teu suave peito
Não tenho manhas, sou tão ingénuo e puro, pró amor não tenho jeito

Nasci na ilha
Percorri vezes sem conta as estações
Apartei-me de muitas primaveras
Pensei saber tanto, já nem sei quem eras

Nunca esculpi na pedra um anjo
Às vezes regresso à inocência de sorridentes segredos
Nunca beberei os Outonos nas tuas mãos
Ninguém me aprisionará na baia de todos os medos

As gaivotas não cantam como o mar, sabias?
Imaginei uma distância infinita nas tuas ultimas palavras
É tão triste quando uma Mulher se levanta de manhã sem amar
Nas gerações da chuva encontro pronuncio de um chegar

Parti...
De gente mascarada de ódios eternos e pobres
Cheguei a uma baia do silencio
Onde Deus acha que são as minhas palavras brancas, nobres

Chegarei sempre a lugares imensos
Esta cabeça, esta alma, tanto querer
Não tombarei com o orvalho gerado da bruma
Sou pássaro que não precisa de olhos para ver

E de viagem para Santa Maria onde me estimam e querem
Serei Escravo da Cadeinha, escrevi para almas sentirem
Meu coração chorará com os meus atores vestidos das palavras deste homem
Quero que subam o cruzeiro, lavrei letras, senti, rezem


Foram tempos de desocultos fascínios estes
Há vidas, há campos, há terra onde não medra nem uma flor
Deixo no teu cabelo uma cintilante coroa e...Não Me perguntem pelo Amor...

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

NEGRO E FOGO


O poder do amor
O sortilégio dos sentimentos
Uma flor que respira
Um sonho, momentos

Inquietos às vezes encontramos o engano
Há um sorriso que já não visita a lareira
Há uma coroa de louro para uma mulher
Quem sabe, quem fala, quem sofre, quem quer?!

Há uma cesta com a fome da loucura
As hortênsias esmorecem em Agosto
Hoje é um dia em que a ilha me aperta o coração
É um tempo de vazio sentir, sol-posto

Este é o tempo exato da brandura das palavras
O tempo de lançar a mão por dentro de um breve sonho
Este é o caminho das sete fontes
Este é um “Ser” altivo e pleno, não bisonho

Este sou eu...!
Este é o tempo em que me elevo à condição de JUSTO
Abortaram todas as raivosas manhas nas pessoas
Em mim irradiou uma fogueira de mil chamas


Um instante de fresca brisa
Violou meu pensamento
As minhas mãos moldam palavras, quero que sorrias
Nesta poesia infinita do beijo

Meus senhores, minhas senhoras
Está servido este dossel de uvas maduras
Há um segredo no fundo de um poço feliz
Tomai bebei, este é o vinho sem agruras

Tomai comei este pão feito de esperança
Nunca serei um fugitivo perdido
Nunca serei um Sol escuro
Nunca guardarei raivas, sei, estou seguro

Nesta amena tarde envolta de misticismo
As minhas palavras nunca serão atiradas contra o silêncio das portas
Solto as mãos ao Mar e rogo
Uma promessa, uma chama...Negro e Fogo...

quinta-feira, 24 de julho de 2014

ERAS ASSIM



O inquietante de uma planície sem verde
Um velho que estende a mão e coxeia
Na sombra vive a maldade e a contradição
Uma fresta que rasga os olhos ao cego do coração

Não haverá instante teu que me viole o pensamento
O espaço provável onde habitam as gaivotas
Será o Mar ou ardência da pedra?
Será a tua alma um cais vazio de espera?!

Não se esgota em meus lábios a poesia infinita
Tampouco mares azuis, ventos imensos, mares estranhos
Já ouvi muita voz calada de branda fala
Já seduzi o tempo e sonhei sonhos tamanhos

Deixai-me construir a grandeza neste mundo de pobreza
Deixai-me construir castelos nas sombras indecifráveis
Deixai-me rebentar com corredores esquecidos, ter opinião
Deixai-me voar em paz nestes anos de solidão

Mas falemos da/e pobreza
Na entrega dos sentidos fui imenso “foste pobre”
Na generosidade da alma fui grande, imparável
No amar fui pleno e tratado como miserável...

...Enriqueci!
Tal como os pássaros suspirei de penas
Na opacidade dos vossos olhos, apenas sou
Na claridade alma que um Deus confiou

Serenos são os dias da minha espera
Já não descubro nesta ilha a pureza do sentimento
Nunca desistirei de dar cor às minhas obras
Fugirei no longe do pacto das cobras

Fiquemos pois no lugar onde ainda bate um coração
Contemplemos paixões transparentes
Será que para lá do horizonte há apenas silêncio?
Será que a tua pobre razão distorcida mata o que sentes?

Será?
Que todas as histórias têm um infeliz fim
Conheço uma feliz que retratei com todo o meu virtuosismo
Olhei a obra e pensei...ERAS ASSIM...


sexta-feira, 18 de julho de 2014

A PROCISSÃO DOS LOUCOS



Nos ladrilhos da minha cidade
Não ficaram marcas dos teus pés
Apenas um Sol que teimosamente arde
Apenas uma porta fechada para a saudade

Na minha rua há um cão triste e feliz
Casas desabitadas e outras com aroma de pão
Na minha rua não há muros, nem fronteiras
Gente má, mesquinha, sem maneiras

Há um Homem convencido que é avião
Um caminhante que não toca no chão
Uma bruxa sem varinha de condão
E uma gorda desdentada que só come pão

E há festa sempre que é verão
Um simplório dono da opinião
Uma carro parado por não ter travão
Um vazo de sardinheiras de cor açafrão

Um candeeiro que morreu num apagão
Uma virgem que a um beijo diz não
Um safado armado em lampião
E um Pai que diz ao filho “Grande Rapagão”

Um sonhador sem sonhos que pensa como serão
Uma pedra sem sapato nem tacão
Uma mulher que geme por tudo e por nada sem razão
Um bêbado que chora para dentro de um garrafão

Já chega de rimas acabadas em “ão”
E também de falar desta desinteressante rua
Não concordam que o poeta hoje está pior da tola?!
Bem, sempre é melhor que pintar uma alma falsa e nua

A minha...
Pintei-ma de uma só cor
Apaguei todos os traços do falso amor
Porque de certeza alguém está a pensar ao ler isto: “Olhem este estupor”

Ah...Ah...Ah...
Muito se ri uma manada de flausinas
Ah...Sabem o que são Flausinas?!
São o cruzamento de batatas e meninas

Eu não digo!?
Isto é que é uma desgraça para aqui
Já havia destrambelhados e não poucos
Cá está mais um nesta...Procissão de Loucos...

terça-feira, 15 de julho de 2014

O SOM DO AMOR



Um prodígio nunca é aceite pela mesquinhez
Um ser diferente é bicho escorraçado
Um Homem bondoso é árvore de chacota
Um Poeta é sempre criança que segura o Mundo

Nasci numa manhã de gotas de chuva luzindo
Numa terra crepitante e cinzenta
Semeados certos homens tornam estéril a terra
Às vezes eclode uma mente brilhante que esteve em espera

Meu Deus...
A noite que passou trouxe-me amargos presentes
Quanta dor flagelou este infeliz corpo
Só, senti, rezei, pedi paz, pedi misericórdia, adormeci

Nesta voz apagada do meu corpo
Este vagabundo que bebe a vida
Neste silêncio súbito sem bruma
Este guerreiro vestido de espuma

Porque de vento se vestem algumas pessoas
Empunhando pedras de arremesso
Para eles não haverá Sol para o terror da solidão
Nesta minha bondade perdoo, estendo a mão

O que me fizeram...!?
Há pessoas infelizes que rirão ao entrar em si
Loucura, mentira, incompreensão, falsidade
Talvez gostassem de saber que morri

Não morrerá nunca a forma como vos amei
Reverberá no tempo o imenso que vos tocou
Não se apagará mais a doce verdade das minhas palavras
Não guardei rancores, às vezes fico tristemente zangado de mágoas

Sou assim, verdadeiro, sem ardis, sem punhais na manga
Quanto inventaram, quanto zombaram, tanta indignidade
Porque será que os seres de alma pequena são assim?
Porque terei acolhido alguns na minha inventada cidade?

E declaro que amei incondicionalmente quem não me amou
Que fui fiel à minha palavra e compromisso
Que mais não quis do que ter um abraço e um sorriso de quando em vez
Que não vos quero mal, tu, tu e tu que sejas feliz

Como fica amarga a poesia num corpo dorido
Como fere a navalha, soa estridente o tambor
Vou reter a bondade, o perdão
E inventar...O Som do Amor...

sexta-feira, 11 de julho de 2014

ENIGMA


A sombra aprisiona um lamento
Quantos heróis vejo em refrega tonta
A noite sempre se aproximando
Toda a gente sabe e esquece, pró mal, sempre pronta

Às vezes anseio o silêncio como um doce poema
Quanta escassez haverá em certas vidas
Procuro todas as manhãs uma perdida ilha
Já fugiu a Lua, já tremi, já vi almas perdidas

Saberás, que há muito mais porque morrer
Que o amor é uma planta sem cor
Para que floresça, vingue e cresça
Terá que germinar, ser e pareça

Saberás que as errâncias presas à alma
Que essa tua falsa chama
Essa serpenteada forma de no ontem sem amanhã
É veneno, é loucura, é mordida de maçã

Pois...
Agora lembrei-me de Eva
E não era alemã a nua senhora, creio
Há sempre uma traição e um homem no meio

Qual nada, rapaz
Falar destas tretas?! Isso não se faz
As mulheres são todas castas e puras (...)
Lágrimas, injustiças, coitadas, roupas molhadas, umas ternuras

Estou emocionado!
Todo a tremer, sem me poder conter
Vou de romaria e pé descalço, pão e água
Penitência, nada de rir, fecha os olhos, pra não ver

Isto é tudo brincadeira
Tenho um grande respeito pelas mulheres, mesmo Mulheres
Há as outras, porque também há frio e chuvas
E há os cãezinhos e os amores das cadelas puras

Quem vem lá!?
De espada e escudo de lata
Cá está o dom quixote de lá mancha de tanga
Não diz coisa com coisa o pateta

Onde para a minha Dulcineia?
Nasci nesta desgraça, um estigma
Este é o mais parvo poema que escrevi
E vejam, até o chamei de...ENIGMA...

ESTE POEMA É UM EXERTO DE UMA NOVA PEÇA EM PRODUÇÃO

segunda-feira, 7 de julho de 2014

OS MISERÁVEIS


Sempre ouvi a oração do Mar
Este meu pensamento é ave no espaço
As leis do homem são água da areia
Há gente linda, gente feia

Fosse porque fosse nasci assim
Procuro uma palavra na outra face da traição
Há uma explicação que facilita a respiração da maldade
Não quero que me devolvam o firmamento nem a contradição

Minha boca mexe, meu coração para
Numa vertigem ofereci-te uma ilha, nem mais, nem menos
Ao menos que me ames neste poema
Já que comigo não ficarás até entardecer mos

As estrelas não regressam a casa
Mas às vezes em descuido caem do céu
No recuo delicado deste verão
Não quero sentir dor, a tua mão, emoção

Esta porção de sentidos não é para ninguém, ouviram!!!
Há um instante onde tudo é possível dentro do amor
Que nos ata à colina da paixão
Exaltei palavras, mas o ódio é fazedor da dor

Adiei a morte na espera do amor
O Mar acolhe a minha fulgente alma
Este Mar que arroxa esta minha dramática ilha
Esta tempestade que rebenta, destrói, não acalma

Não quero reacender o beijo entre nós
Há um terrível veneno numa boca sem amor, que mente
Não sei se Deus olha para estas coisas
Só sei que o mal não dura eternamente

Já não preciso do amor para resistir à voz do silêncio
Vou enlaçar a ultima palavra verdadeira que te ouvi
Sabes?! Nunca entendeste que as minhas palavras ligam-se ao coração das mãos
Por isso, por tanto, por todo o imenso, não minto, vivo, vivi

Podemos tirar amargura ao tempo
As águas impuras que nos limitam
Podemos encontrar sempre um caminho de volta
Podemos passar por muros altos sem porta

Esta noite já me pesa em minhas mãos rarefeitas
Quebrando a respiração em compreensões insondáveis
Quero apenas aqui afirmar que tudo isto não é para ninguém
Foi apenas um sonho que vivi com...Os Miseráveis...

sábado, 5 de julho de 2014

O DIÁRIO DA MINHA SAUDADE

O

Escureceu a memória nos teus olhos
Como profecia o mal tomou de assalto algumas almas
Há corações que se consomem na ausência
Há sentimentos perdidos na vida de uma hortência

Esta ilha não tem nome de mulher, ou tem?
Antilha a ilha mítica
Onde haviam doceis de ouro
Onde guardo mil lembranças, um tesouro

Sento-me neste banco de pedra
Rezo, desejo, mal digo, prevejo?!
Não! Vou escrever a sangue numa sarça
“O amor não existe, é loucura, é apenas desejo”

De quê?
De passos minúsculos sem tempo, sem rumo?
Que música faz crescer espinhos nos teus gestos?
Entre muros de branco cal, um Sol a prumo...

Um rumo...
Um perfume de santa verdade
Os inaudíveis rumores de falso sentimento
O acaso, um palhaço, uma rosa breve, momento

Há uma lonjura imposta por este coração
Na ilha todas as casas ficam perto da água
Na vida há pessoas que longe ficam, estando perto
Não estão, habitam o incerto

Tangidas de melancolia são as falécias da estupidez
Estarei desperto, sorrindo, ouvindo os dias
Estarei deslumbrado com todas as cálidas auroras
Serei sempre filho de um Mar, terei a irreverência das amoras

Na espuma levitam anjos de água
Há sonhos imensos outros menores numa mão
Dentro de mim reverbera o grito do milhafre
Este Homem tem orvalho no coração

Este Homem emana uma refulgência pura
Como gaivota ouve o sonho a verdade
Este HOMEM lavra todos os dias traços de vida
No...Diário da minha Saudade...

quarta-feira, 2 de julho de 2014

POEMA PARA UM AMANHECER


Quando uma mulher reza
Aí o silêncio é uma flor e chora
Enquanto tudo compõe a solidão
Fica o sorriso de um surdo, o encanto de um mudo

Ficam os passos suaves de uma criança
Ficam os ouvidos apagados
A língua presa à palavra maldita
A desdita dobrada no peito de Mãe aflita

Às vezes um homem bebe do cálice que embebeda o louco
Escorre este amargo absinto pela goela prenhe de secura
Às vezes subimos a colina da cidade desatenta
Às vezes a palavra é afago, outras chicote, crua e dura

Nesta alma persiste a alegria
Serei o primeiro demiurgo da tristeza vencida
Corpo solene ungido com a maresia
E lembro-me como sorrio às vezes, criatura que em Deus confia

Então poeta, isto é que é cuspir metáforas
Hoje quem te ler vai pensar que és o escritor maior
Um intelectual de mão cheia
Não! És apenas o filho pródigo de um deus menor

Podia ser um bom titulo para o poema
“Filho de um deus menor”, mas como pode ser!?
Se tens esta brilhante forma de pintar a saudade
Como pode ser menor alguém a quem tiraram a verdade?

E sigo embalado pelo âmago do universo
Conto as vagas de um mar inventado e são sete
É tão simples esmagar os dias na contradição
É tão estúpido a uma deusa de barro pedir perdão

É tão triste repartir a mesa com a falsidade
Saibam que esta água que circunda a ilha
Está sempre girando nos olhos em desdita
Passei à pouco numa estrada de céu azul, maravilha

Passei e fechei os portões da lembrança
O tempo pediu-me para te conhecer
Não sei bem e nunca saberei quem és
Uma pauta sem notas ou...Poema para um Amanhecer...

domingo, 29 de junho de 2014

O IMPÉRIO DO SOL



Esta cabeça não para
Este pensamento alucinado
Esta alma que tudo colhe
Este coração de mal-amado

Este ser descalço vestido de fé
Esta viagem longa, imensa, dói
Só, sempre só, este imenso Mundo
Este mergulho ao profundo

Estes pés descalços
Estas pedras afiadas, lâminas
Esta ânsia de ajudar, de amar
Esta maldade que me atinge em chamas

Tenho fome de sinceridade
Não consigo entender a maldade
Puta de vida! As pessoas não prestam
Este é um dos sentimentos que ainda restam

Hoje acordei num clarão
Pensei ser Deus a tirar uma foto do Mundo
Tenho sede de acreditar em algo
Tenho o corpo flagelado de castigo

Então rapaz, para onde vais
Vão-se quebrando as colinas onde me abrigo
De vida em tempo recolho água e pão
Sobrevivo graças a esta força, este coração...

...Que não para de bater
De quantas Luas se fará ainda meu destino?!
Já perdi algumas vezes a razão do viver
Já acendi uma vela para orientar o crer

Já enverguei o manto do Senhor
Rezei ontem e pedi paz e amor
Estive só como sempre a vida ordenou
Pedi luz e perdoei quem me infligiu dor

Por estes dias a noite mais escura aconteceu
Por estes tempos decidi continuar a trilhar sozinho um destino
Decidi abrir as velas ao vento neste atol
E procurarei...O Império do Sol...

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O TEMPO SORRIU



Um dia descobri a cor do Mar
Descobri que as gaivotas são pedra de sal
Que os golfinhos são os olhos de Deus no Mundo
Que mora em mim tanto crer em meu profundo

Pensei que nunca saberia falar do Mar
Vesti-me de corpo inteiro para o sentir
Repousei na areia qual barco em espera
E desenhei na mesma um desejo, uma quimera

Os sonhos são isso mesmo, sonhos
São uma longe e demorada estrada
São um sorriso, fé, momento
O silêncio do querer, alegria, sofrimento

Com a sua idade indecisa
Este vento lembra-me o vazio da maldade
Com este alento que sugere a subida aos píncaros
Inventei uma feliz cidade

Inventei pessoas transbordantes de amor
Uma lamparina na casa onde moras
Inventei a palavra que faltava do verbo amar
E li numa parede velha: “ALIANÇA DAS COBRAS”

Não gostei da frase confesso
Como sou crente detesto a palavra serpente
Entre os muros de pedra onde antes havia um verdejante vale
Deixei promessas de verdade, de puro amor, um presente

É na vida que continuarei a plantar sonhos
Sei que tal como os pássaros hesitarei na abordagem dos ramos
Nunca terei medo da noite que chegará sempre
Continuarei a pintar sorrisos, apagarei desenganos

Por tudo isso o que não é pouco
Resolvi fazer um feitiço
Pendurei alecrim no teto da cozinha
Fiz um defumadouro, com chapéu de bico, barba e bigode postiço

Não resultou como já se aperceberam
Errei na poção de amor, pôs “amar” a mais
Numa nuvem de descrença aquilo explodiu
Que tolo és poeta...O Tempo Sorriu...

terça-feira, 24 de junho de 2014

PEDRA ARA



No afago das vagas dorme a ilha
No final de todos os caminhos existe a paz
Sem bússolas, sem mapas, sem rumo
Este Sol imenso que ilumina meu destino

A estrada do céu é infinita
Folheando livros esquecidos encontrarão a minha história
Serão palavras dispersas num céu sem luz?
Serão beleza, exaltação, feliz memória...

Serão o que for
Neste anseio louco de tocar as estrelas
Neste coração a pulsar ao ritmo das vagas
Na grandeza silenciosa e contemplativa não guardo mágoas

Para alguns
Os sentimentos vão e vêm como nuvens
Às vezes são a crista negra de um penedo
Às vezes imensos, às vezes metem medo

Nos sonhos não podemos falhar
Sem querer, já magoei pessoas
A minha vida nunca será reflexo de outra
Mas, são tão falsas as pessoas, todas

Às vezes amar não é um sentimento, é um dever
Às vezes uma fatalidade
Às vezes damos por nós acreditar que é possível
Às vezes pensamos ser verdade

Há uma prometida viagem ao meu espírito
Aprisionei os ponteiros de um relógio
Nesta sensação de ser diferente um sentimento partiu
Olhei a vida, o tempo sorriu

Brilha neste ser a pureza de primaveril aurora
Meu Deus ensina-me a procurar “TE”
Quero manter o meu nome, ser concreto
O amor que nos ama é tão incerto

Talvez volte a esta terra numa tarde tranquila de gaivotas
Tenho sede de morrer para este destino
Nestes dias para além de uma esquecida Primavera
Deixem-me na paz, este tonto, como dizia minha Mãe, este menino

No resplendor dos dias aquecerei meus olhos
Porque esta alma continua, não para
Toco de leve esta mesa onde celebram o TEU sacrifício
Beijo esta...PEDRA ARA...

sexta-feira, 20 de junho de 2014

SUBLIME SENTIR


Acordei e bebi o meu silêncio
As manhãs são a luta da neblina e do Sol
Hoje vou vestir-me de simples homem
Não serei artista, nem barqueiro de um triste atol

Não sei, se ouvirás a palavra inatingível
Neste respirar de um novo dia dos pássaros
Intemporais e silenciosas são sempre as estrelas
Assim como o amor, assim como em ti o louvor

Sob o céu sem nuvens
Hoje, aqui, em qualquer outra parte
Este é o ultimo tempo de um Setembro que se avizinha
Folhas de cristal, raiz de pedra, uma terna espera

Pediram-me que falasse na saudade
Disse que não sabia, apenas sentia
Pediu-me uma grande Amiga tua que falasse de Ti
Disse que por ti, nunca saberia o que dizer, que fiquei, não parti

Disse que quando flutuo em teus olhos
Somos uma ilha verde e outra azul
Disse que teus ondulantes cabelos negros
São barco navegando na brisa a sul

As pedras que me lançaram
Imperturbável, já as lancei sobre as ondas a espaços
Este Sol sereno, teimosamente arde
Sobre o chão dos meus passos

Sabes, nunca saberei o que dizer do fascínio das pedras negras
Ficarei sempre triste na partida dos garajaus
Seguirei sempre o voo das cagarras
E amar-te-ei eternamente sem fronteiras, sem amarras

Já ouvi pararem teus passos algumas vezes
Já lavei do meu coração íntimas feridas
Já te tive plena em oração
Já andei perdido no deserto das errâncias e senti tua mão

Escrevo este poema na transparência da música
Um dia disse-te: “não há duas reais verdades”
Um dia disse-te: “nunca te afastes do que será”
Nunca deixes de crer, não mates as saudades”

Ainda guardo a inocente idade de plantar o vento
Sobre o orvalho das maçãs há uma menina que não quer o partir
Serenos como os teus olhos, uma lágrima, crer
Assim é este...SUBIME SENTIR...

sábado, 14 de junho de 2014

MEU AMOR...



Há um momento na nossa vida
Em que nascemos de alma confiante e nova
Escrevo com insistência estas palavras tingidas de amor
E descobri mais em ti nas palavras que se abrirão em flor

Tal como uma ave que abre espaços na Primavera
Serás sempre vibrante de paixão
Não há coisa mais importante para o poema
Do que a lágrima que aprisionei derramada do teu coração

Na distância sinto-te mais perto
Prometi a mim mesmo abrir teu coração de par em par
Quando as hortências forem mar de único azul
Construirei uma casa para nunca mais me desencontrar

Sabes...!?
Falei de Ti a uma pessoa especial
Perguntei que faço, que digo, que espero...?
Não serei derrotado pela madrugada, não quero

Não haverá mais descontentamento nos meus Invernos
Não haverá reserva do meu pensamento desperto
Não haverá mais duvida nas margens do silêncio
Não haverá mais reserva, apenas o concreto

Este poeta estendeu todas as palavras na tua mesa
Este poeta atravessou montanhas para celebrar um filho
Este poeta morde o chão e chora quando o seu querer não alcança
Este poeta nunca venderá de barato a esperança

Falemos pois dos suspiros dos pássaros
Lembremos que a dor não define objetivos
Libertei do mar barcos de cansadas âncoras
Libertei as duvidas ao som de sinos festivos

Importas-te que fique contigo apreciando a noite?
Não insistam trazer-me postais de um realidade gasta
E como contigo não importa mais nada
Buscarei novos pontos cardeais e direi a alguns, basta

E voarei na bruma evitando a penedia
Plantarei na tua varando uma planta com flor
Direi a ao mar, soltarei ao vento
Quem és...Meu Amor...

segunda-feira, 9 de junho de 2014

SEMENTES DO OLHAR



Não direi o teu nome a ninguém, ainda
Só poderei responder ao eco do meu próprio nome
Como Garça, soubeste ouvir o sonho
De túnica de anjo amarás este ser bisonho

Há céus escondidos sob as tuas vidradas pálpebras
As alegrias das memórias do que ainda somos
Na fonte do imaginável e irreal te encontrei
Cruzarei a terra, plantarei florestas para dizer que te amei...

Amo...
De mil soldados não sairá um poeta
Já aprisionei esta guerra de loucuras
Já plantei todas as palavras puras

A minha paixão por ti é uma recusa à fatalidade
Nas folhas caídas ainda mora o verde da fascinação
A felicidade não nos pertence, estou certo
Mas senti-a nos teus olhos, tão perto

Por isso a tua imagem gravita nos trincos do meu pensamento
Teus cabelos soltos floridos são raios da madrugada
Amo-os, esguios, soltos, como o livre pensamento
Trago-te uma hortência fresca para eternizar um feliz momento

Já te disse: “Há um lugar entre fronteiras onde tudo faz sentido”
Há tanto a florescer de pequenos nadas
Há em ti a reinvenção do gesto das gaivotas amanhecer
Há em ti a fonte de milagrosa água onde a saudade pode beber

Às vezes é preciso acordar o silêncio
No gesto demorado de abrir janelas
Para mim, nunca serás uma menina sorridente acenar num cais vazio
No meu abraço, nunca te aprisionará no tempo o frio

Travadas as portas abrem-se devagar
Levei seis felizes dias para aqui chegar
Descobri uma terra entre dois mares
Lancei nela...Sementes do teu Olhar...

sábado, 7 de junho de 2014

VERBO QUE CANTA


No rumor do crepúsculo a esvanecer
Rasguei os caminhos da ilha contigo
Percorri estradas e ofereci-te palavras
Na verdade, olhei teus lindos olhos de cansaço noturno...

...Lágrimas...
Vi teus lindos e ternos olhos a chorar junto aos meus
Vi amor, saudade, vontade...
Quantas vezes terei que te dizer adeus?

Há um momento na nossa vida
Em que renascemos na memória feliz
Ontem recriei a cores e os aromas do mundo
No espaço dos anjos, estás no meu mais profundo

Menina do Mar
Quis levar-te onde o mar devolveu meu Pai
Menina dos meus olhos, sem contradições
Que cresceste nos umbrais das estações

Na ardência de todos os sentidos
Sei que no Sol e no Mar existem outras dimensões
Tal como eu, Deus viu em ti a sombra das rosas
O resplendor de duas lágrimas unirão corações

Entreguei-te todas as minhas verdades
São tão íngremes os degraus do tempo
Na passagem alta de uma ave
O ar liberta o odor dos sonhos passados, por um momento

Gosto do teu riso, da tua voz vestida de meiguice
É prodígio plantado num jardim
Toquei-te temeroso a mão
Meus Deus, como sorriu este coração

Que noite...
Descobri a mesma encantada ilha nos teus olhos
Toquei imperturbáveis cabelos na claridade
Descobri que é impossível morrer a saudade

Vez agora a mudez dos fazedores de neblinas?
Na minha alma tu levitas como um anjo de água
Há um templo nesses teus olhos enublados
Porque o meu sonho é maior que a palavra

Vez agora que ainda me deves um dia de sete?!

Derrubarei contra o tempo, altos e inumeráveis muros
Sei que o amor acolhe-se, não se espanta
No prodígio de uma oração solto este...Verbo que Canta...

DEDICO ESTE POEMA A UMA PESSOA QUE AMO

terça-feira, 3 de junho de 2014

QUANDO TE LEMBRARES DE MIM

QUANDO
Perdem-se as memórias nos espelhos
Esta minha ilha tão perto do Mar
Um odor de ti sorriu à lembrança
Inexplicável é o deserto onde perdeste o amar

Abro as mãos às tuas ultimas palavras
Ficará suspenso o pó do amor nas sombras
Escrevo para que oiças um Violoncelo
Nelas encontro tristes gaivotas em suspenso

Com este Mar sempre em fundo
Com este oceano de hortências que pintam a ilha
Com tudo aquilo que sou e sabes quanto
Com a pedra e água de uma aurora de espanto

Vim de um longe, onde sorriem as acácias rubras
Cheguei num nevoeiro matizado de errâncias
Lavei as minhas íntimas feridas nas águas de uma lagoa
Amar-te-ei, neste verão de descontentamento, até que, a alma me doa

Nesta ilha, onde há uma pedra, também há uma flor
Há a fé, o milagre desencadeador de uma paixão
Nesta ilha, há a bênção do sangue o do pão
Há um aguaceiro que promete pacificar meu coração

Inimagináveis são os espaços da minha alma
Sou a dimensão uma branca página inteira
O desfio de um verde rasgando o azul
Porque o poeta nunca se perde, nunca adormece, esquece

O amor límpido dos pássaros lembra-me teu rosto
Há um lugar entre fronteiras onde as coisas fazem sentido
Partimos aos poucos para lugar nenhum
Há uma verdade tão simples, um querer incontido

Nunca ficarei à espera do adormecimento inadiável
Estendo os dedos ao destino com a mão aberta
Gostava de visitar o lugar onde brincam os golfinhos
Gostava de habitar o lugar onde os pássaros fazem os ninhos

Gostava...
De te dizer o inadiável das palavras
Que há um sentimento que teima não ter fim
Pensa apenas no Mar...Quando te Lembrares de Mim...

sexta-feira, 30 de maio de 2014

ENSEADA DE PALAVRAS



Ouvirei passos de vento
Virão ao meu encontro gaivotas azuis
Trago no peito uma hortência fresca de junho
Trago na mão uma verdade que empunho

Quando as aves cantam ao entardecer
Fico-me pela ramagem da nostalgia
Sinto os prodígios da música feliz
Este homem, este poeta, este petiz

Correm nas horas palavras como amoras
Um rosto atravessa isolados prados na vida
Deixei de plantar carinho, quando não me querem
Fechei a ternura numa caixinha devolvida

Quem és!?
Para onde correm os teus anseios?
Os meus olhos apenas recolhem cânticos de silêncio
Já não navego na Baia de todos os medos

Uma pequena pedra, a sorte...?!
A fé que me guia e me dá norte
Pedra na voz de uma menina
Não há melancolia, recomeçarei, não há morte!

Nos bolsos de um espantalho encontrei
Um papel que dizia assim:
“Nesta ilha descobri teus olhos
No acreditar voltarás para mim”

Se falassem estas mãos diriam
Ouve a voz imensa da terra
Que nunca morra a saudade
Que se instaure uma real verdade

São brancos os meus sentires
É alva a minha dorida alma
Que ninguém me trate mais como: “és mesmo assim”
Que se fechem os impuros corações que se lembram de mim

Eu já existia na ausência do teu nome
Sou um menino sem revolta ou mágoas
Nestas ultimas e felizes horas
Habitei numa...Enseada de Palavras...

terça-feira, 27 de maio de 2014

CAMINHOS BRILHANTES



Quem são aqueles seres envoltos em maldade?
Tudo engole, a voracidade desta raiva
Inesgotável é esta força que me acalenta
Imensa é esta luz que me protege e sustenta

Serão as mulheres os únicos seres perfeitos...!?
Será este homem o mais desalinhado do planeta?
Serão certas mulheres apenas isso mesmo, mulheres?
Conheci algumas flores da treta

Quero pintar mares fora do alcance dos fantasmas
Colorir as mágoas de carmesim
Quero ter aos ombros em afago a Capa do Senhor
A mesma que à alguns dias me libertou da dor...

Quero tanto!
Passei a querer novamente que me quisesse o Mundo
Nunca gostarei do sabor do ódio
Nunca tocará o meu mais profundo

Tens os olhos cheios de certezas gastas
As mãos sujas das pedras de arremesso
A alma vazia da semente do perdão
Um pedaço de feia lava no lugar do coração

Não sei porque escrevi a quadra acima
É preciso sorrir para que cresça a vida
Perdida dentro de mim há apenas uma memória
Fechei a alma de pássaro ferido a uma triste história

Abri a janela do sonho de par em par
Amenizei a importância das feridas e sou um barco
Quero inventar uma mulher de sonho calma
Quero que ela veja o que guarda esta alma

Quero inventar um vento calmo
Este espírito alucinado diz-me que sou terra
Imperturbável apercebo-me que se esfumou a importância
E neste silêncio vindo de dentro, sou paz, amor sem espera

E não espera o poeta
Não abraçarei mais sentimentos inconstantes
E no rumor deste silêncio vindo de dentro
Descubro o rumo para...Caminhos Brilhantes...

sexta-feira, 23 de maio de 2014

COM AMOR SEM RAIVA



Nem um amigo, nem uma palavra verdadeira
Pousaram na minha mesa
Tive um sonho longo e vazio em que se desfez teu rosto
Sou uma bÓia num poço de silêncio

Inventei uma cidade
Uma mulher séria que me amasse
Inventei um ser verdadeiro, um presente
Nasceu das pedras uma serpente

Inventei o amor num coração vazio
Inventei uma deusa sem trindade
Inventei uma forma de dar calor ao gelo
Inventei asas para a saudade

Inventei-te...!
Desejei um desejo com sangue nos lábios
Há quem me largue socos quando apenas quero abraçar
Há que tenha inventado a parte mais negra do amar

Há quem respire com raiva
Tal como um Arauto que passa e morre
Sabes!? É no estio que o coração prende as palavras
É neste teu longo Inverno que se avizinha que eclodirão mágoas

Que se enganem os que pensam
Que este poema é para alguém
É apenas o vómito de uma estupidez
Que encontrei numa pessoa...outra vez

E que se enganem os que pensam
Que não estou alegre e feliz
A esses “Vão para a puta que os pariu”
Vou estrear mais uma peça, é o que faço, fiz

Não me desejem sorte
Também não esperava isso de vós
Sabem quando escrevi bêbado estava
Saiu uma comédia que tem...AMARGO AMOR SEM RAIVA...

domingo, 18 de maio de 2014

CINEMA PARAISO



É afinal na mais simples equação do amor
Que se encontra a razão de viver
É afinal na total ausência do sentir
Que faz sentido um horizonte, partir

Esta viagem ainda faz sentido...!
Esta minha demanda pela razão
Aí vês que os homens não têm importância
Então compreendes que és um pássaro, morres, ou não

Voas e o teu corpo é apenas, nada
Respiras a custo numa mão fechada
Nadas num mar de nadas, de boca calada
Choras e ris como alma penada

E ouves uma mulher vestida de vento
Uma criança perdida num momento
Uma desgraça desgraçada sem alento
Uma cabeça dura sem convencimento

E botas-te pela rocha abaixo
Só porque a mulher rachou o tacho
E afogas as mágoas em vinho forte e macho
Cais no esquecimento tonto e borracho

Muita merda!...muita merda!
E querem ver não vai haver peça
Pois o ator partiu uma perna, que pena, luz apagada
Queimem a plateia, que tragédia, que merda!

Senhoras e senhoras era para ser:
Uma tragédia Grega linda de morrer
Uma Madame séria, convicta toda a tremer
E...Oh...esqueci-me do que tinha para dizer

Que desgraça foi essa que me deu
Um comprimido para as dores de cabeça, destrambulhou-me
Já passaram por mim hoje mil idiotas de sorriso
E enlouqueci! Acho que estou no...Cinema Paraíso...

sexta-feira, 16 de maio de 2014

SORRI



No meio dos risos surgem os punhais
Este pássaro nunca se perdeu do saber
Nem sempre tive o aconchego de uma porta fechada
Meu Deus “Afasta de mim este cálice” não quero beber

Gostava de conversar contigo Mãe
Dizer-te tanta coisa que fiz
Gostava de sentir o teu sorridente orgulho
Este menino chora mais ao lado, continuo pobre petiz

Gostava que visses os sonhos que plantei
As palavras que escrevi com emoção
Gostava que dissesses a todas estas pessoas que me odeiam
Que tenho bom coração

Gostava que estivesse o Pai
Que vissem o que fiz com as cores do Mundo
Diz aí em cima ao Avô e à Avó
Que só por vos ter não sou assim tão só

Estou doente...
Este corpo às vezes falha, tenho dores
Sem fôlego uma criança morre
Sem amor o poeta é apenas um descrente pateta

Gostava de te dizer o que dizem de mim
Já fiz tanta coisa: Escrevi rezas, canções e peças
Estas mãos herdei de ti Maria, pois é
Esta bondade de ti José

Gostava que quem amo acreditasse em mim
Porque ainda amo, consigo amar
Queria tanto que o ódio sem sentido
Tivesse fim, pudesse acabar

Pois é Mãe, falo contigo todas as noites
Hoje decidi escrever emoções
Cometi erros, magoei pessoas também
Mas sou bom homem neste mundo de contradições

Caminhando está o começo de tudo
Aqui estou, caído, levantar-me-ei e se disserem que morri
Para alguns será dia de festa um alivio
Para ti que me amas, não chores...Sorri...

sábado, 10 de maio de 2014

ESTA NOITE



Trouxe na mão inquietos sentimentos
Não há amor que não possa sentir a chama das palavras
Entrando em mim ri-me do homem mais infeliz deste mundo
Estes versos denunciam este meu mais profundo


Para não pedir, não morrer, não fugir
E agradecido por louvar o teu amor
Aqui o eco das palavras é grito surdo desde então
Sinto uma sede desta ilha que me aperta o coração

Escondi as mãos por entre os sonhos
Queria devorar todos os beijos possíveis
Que me perdoem as feias pessoas sem rosto
És linda! Desde a aurora ao sol posto

Com voz triste digo às vezes a verdade mentindo
Tal como uma réstia de luz que rasga os olhos ao cego
Tal como o espaço provável da tua paixão
Cumpri na palavra o que sou, “Barco num mar de solidão”

Mas, não tenhais pena
Serei uma gaivota repentina, o esgotar dos lábios
Cada instante que cresce como devora as coisas
Este homem, pintor de verdes e lavas

Apetece a estas mãos teu corpo macio
Sem desgosto à hora do poente, teus sorridentes seios
Com inquietude e sem revolta dormir em ti
Sonhar que estou, existi

O meu desejo é o conhecimento da espera
A entrega dos sentidos a todas as memórias
Eu sou, eu, tudo o que sou e não serei para quem quer
O paladino da sétima página da tua história

Ainda só li até á sexta, ou vivi
As palavras chamam-me à realidade, partiste, foste
Ficou esta profunda e sentida saudade
Que me esmagou o peito...Esta Noite...

quarta-feira, 7 de maio de 2014

VENHO TER CONVOSCO


Hoje pacifico-me com todos vós
Hoje fechei à chave o orgulho
Aniquilei a presunção
Hoje abro o meu coração...

...Apenas porque me chamaste à razão...?!
Não, apenas porque decidi por fim, por um fim
Apenas porque te ouvi e não me quis ouvir apenas a mim
Apenas porque jamais ouvirei da minha alma não, vestirei o sim

O sim que faz de mim uma coisa ruim
Porque esta lava incandescente derramada neste peito
Faz de mim um ser diferente, nem sempre grande coisa
Na maior parte das vezes um ser sem jeito

Hoje e sempre guardarei a dor
Apagarei sem hesitar o rancor
Hoje rezarei para cumprir a vida
Hoje falou-me e ouvi, o amor

Amanhã falarei com quem não falo
Vou estender a mão à ofensa
Amanhã serei apenas um homem que olha de frente
Não quero pensar mais pelo que a gente pensa

Vou pintar aquilo que me ditarem os anjos
Escrever sonhos tamanhos
Vou dizer à vida todos os dias
Que se enganou, quem pensou que não sou o que sou

E vou dizer-te a ti sem palavras
Que não sou um inventor de sentimentos
Dizer-te que no perdão das minhas incorreções
Abraçar-te-ei em mil momentos

Hoje ouvi uma grande pessoa
E como são grandes certos corações
Hoje entendi definitivamente
Que amar deve ser isso mesmo “Amar” sem contradições

Sem duvidas, com honestidade para o bem e mal
Sei que escrevi estas palavras como um tosco
E porque ouvi uma pessoa sem me ouvir a mim
De alma nua...Venho Ter Convosco...

terça-feira, 6 de maio de 2014

PARECE MAIS UM MILAGRE




As pessoas detestam-nos quando somos diferentes
As pessoas odeiam a grandeza que Deus fez
As pessoas odeiam quem enobrece a vida
Algumas pessoas são apenas isso mesmo, pessoas, talvez

Percorri todos os caminhos da ilusão
Ganhei rumos, escrevi sonhos, reparti o pão
Segui em frente de cada tonta opinião
Fui tanta vez inocente da vil punição

Percorri uma rua mesclada de negro e fogo
Nesta carne já não há espaço para a seta trespassar
Caminhando está sempre o começo de tudo
Partirei sem glória, nunca esquecerei o chegar

Que bestas!
Deixem viver em paz este poeta judeu
Que só recolhe palavras amargas
Que é crente e sente e não guarda mágoas

Sabem?!
Nasci de uma Mulher de nome Maria
De um bom homem de nome José
São anjos que me guardam e me mantêm de pé

Logo, também tive Mãe...
Pouco, mas algum amor também
Parti só para a vida muito cedo
Senti-me perdido, senti tanto medo

Percorri o mundo em barcos e sonho
Fui no caos mais um, vulgar numero
Senti na pele o chicote e a dor no coração
Senti o roer do estômago na falta de pão

Mas que interessa o pão quando a fome é amor
Que interessa a dor se sabemos o rumo
Está cheio de lágrimas este corpo
Que sorri à vida no Sol a prumo

Que fala com deuses e anjos
Com golfinhos felizes e pássaros flamejantes
Que nunca ninguém entendeu ou amou
Que sou eu e ainda cá estou

E ainda há gente na minha Vila que me abraça
Por ter chorado ainda antes de nascer
O meu coração tem a cor do almagre
Ainda se diz de mim...Parece Um Milagre...

sexta-feira, 2 de maio de 2014

POR DENTRO, VIM NÚ


Venho ter convosco numa terra encantada
Trago as mãos vazias embrulhadas em nostalgia
Trago a lembrança de dias felizes
Trago um aroma de silêncio que em ti vivia

Em sete puras madrugadas em ti morria
Em sete marés em ti no amor crescia
Em sete dias a esperança prometia
Em sete duvidas de injustiça padecia

Sete...!
Falta um, tive apenas seis de Sol e vida
Sou um estranho por dentro de quem não me sabe
Sou apenas um timoneiro de um barco de nome saudade

Tenho as mãos vazias de carinho
A alma ausente do sorriso inebriante
Tenho esse ar altivo que esconde a dor
Tenho o coração amputado do amor

Tenho, tive uma Mãe...
Que num abraço apertado fez de mim artista
Tenho uma lágrima no canto de todas as lembranças
Cerro os olhos, quero sentir com a alma, sem vista

Tenho tudo, nada...
Tenho uma esperança renovada
Às vezes dou por mim como alma penada
Por quem ninguém chora, nem é amada

As minhas manhãs crescem
As minhas noites são azul índigo
As minhas maçãs são amargas de tão doces
Tal como às vezes alguém que se diz amigo

Um poema é o começo ou o fim de tudo?
Com esta agora fiquei cego, surdo, mudo, e tu?
Não passas tal como eu de um infeliz que chora e sorri
Porque ao aqui chegar...Por Dentro, Vim Nú...

terça-feira, 29 de abril de 2014

ÀS VEZES PINTO O AMOR, TANTA VERDADE



Das estrelas que contemplei molhadas
Por rios e orvalhos diferentes
Escolhi apenas a que amava
E desde então durmo com a noite

Da onda, de uma onda e outra onda
Verde mar, verde frio, verde ramo,
Escolhi apenas uma onda;
A onda indivisível do teu corpo

PINTEI ESTA TELA, NÃO É MINHA...

domingo, 27 de abril de 2014

SETE CARAS


Há um abismo em direção da descrença
Não há nenhum barco pronto para partir
No escuro a verdade é coisa demorada
Sem perdão não existe coisa amada

No meio de risos senti todos os punhais
Fui demiurgo de uma comédias de sarcasmo
Semeadas certas pessoas não nascem de novo
Ferido o amor uma boca não deve calar o “AMO”

Há uma manhã de espadas luzindo nos trincos da memória
Não tem rosto o amor num corpo sem voz
Sei que amanhã vai ser amanhã
Sei que dizer-te amo nunca será palavra vã

Transborda este cálice parado em meu coração
As minha flores matinais são escritos do presente
Caminhando na tua ausência está o começo de tudo
Há um pássaro da madrugada que acordou mudo

Há este herói que desconhece o fim da batalha
Entrando em si ri-se a mulher mais infeliz
Caminhado na ausência há o começo de tudo
A preto e branco foste a heroína de um filme mudo

Esta ilha que há em mim
Despedaçada no fim do crepúsculo
Esta lava derramada em meu peito
Faz de mim um poeta sem formosura ou jeito

Acho que cerraste os olhos numa manhã infinita
Cristaliza o balanço do teu pensamento
A palavra recolheu-se em ti amarga
Tudo isso e mais a fome da loucura em vil momento

E estou tão agradecido e louvo o amor
Aprisionei numa caixinha todas as palavras amargas
Rasguei os imagens todas de quem me despreza
Apaguei da alma as aves de...Sete Caras...

sexta-feira, 25 de abril de 2014

VIAGEM ASSOMBROSA




Tenho a garganta rouca de silêncio
Neste abandono cinzento de pessoas
Tenho a alma amputada de crenças
Comigo dentro de mim florescem coisas boas

Nesta ilha as flores são eternas
O verde é lava mansa
Nesta ilha a espera é de um poema ou barco
Nesta ilha abandonei a cor da esperança

Os nomes não têm cor
As almas de mulher também
Os nomes dos sentimentos são mentiras
Há sempre um mentiroso que diz ser alguém

Uma gota de vinho num cálice
Uma navalha cortando um coração
Um rosto virado para o lado da estupidez
Uma palavra de amor perdida no chão

Nascem rugas nas montanhas mais altas
A morte de uma luta, uma flor já murcha
Um papagaio de papel desbotado
Uma criança triste de rosto tapado

Uma janela virada a nascente
Olhos imensos, ausência de horizonte
Uma imensa crença de sonhador
Um barco de papel, navegante

Eu, navegante de silêncios e sonhos
Eu com sangue dos lábios nos dedos
Eu que muita gente quis fazer perder
Eu que nunca ficarei na baia de todos os medos

Eu...
Que não alimento raivas e tenho uma crença formosa
Soltarei o pano das velas deste barco
Nesta...Viagem Assombrosa...

segunda-feira, 21 de abril de 2014

AS DUAS FACES DO AMOR



Escrever um poema é como matar a dor
É ver dormir anjos transparentes
É sonhar com novos horizontes azuis
É encher algumas almas de presentes

Nem um amigo nem uma voz pousaram
Na minha mesa há pão de esperança
Lembro flores de Maio num altar imaculado
Entre tantos olhos e sorrisos onde está a confiança?

Foste uma ilha aparecida de um desconhecido mar
Já virei as costas a gente de navalha na mão
Já pintei no silencio das igrejas negros anjos
Já comi pão sem fome, já ignorei a paixão

Estas pálpebras fechadas deixam escapar rios
É na descrença que o coração corta a palavra
Neste fogo consumidor dos dias vazios
Deste peito dorido jorra lava

Pintemos uma ilha juntos fora dos fantasmas
Como menino que chora sem saber da dor
Como tudo o que se move por sentir a paixão das palavras
Como Arlequim perdido do seu amor

Esta noite respingou um suspiro feliz
Vou deitar fora tudo isto e mais a fome da loucura
E pelos versos que me denunciam
Vou escrevendo de alma pura

São enormes os olhos da raiva
Se soubesses a sede que sinto quando a ilha me aperta o coração
Como gaivota repentina que levando consigo o sofrimento
Como crente que reza e pede ao amor um momento

O espaço provável do encontro é infinito
O instante da verdade violando o pensamento
Este esgotar nos lábios a poesia de um desejado beijo
Este chamar de realidades se ter ensejo

Esta inesgotável fé de ser e sentir
Transmutação de sonho em flor
Este poema é um caso de loucura grave
Ou...As Duas faces do Amor...

sábado, 19 de abril de 2014

UM LUGAR NOS OLHOS




Saí pela porta de uma fria madrugada
Era o tempo de todas as incertezas
Era o tempo que me fugiu à memória
Era o tempo em que os poetas morriam sem glória

Entrei por uma janela de casa marítima
Nessa época já te adivinhava, pressentia
E tive que atravessar toda a noite
Percorri guerras e tréguas e gente que sem querer viver, morria

As árvores permanecem fiéis
Ouvi uma vez o grito do silêncio
Fiquei acordado na mais antiga noite da vida
Fiquei sem fala ao ver-te passar em passada contida

Aprisionei um sorriso antes das oito
Fiquei preso às pedras da calçada
As antigas casas morrem devagar
Em mim nunca morre o amor pela pessoa amada

Percorro uma longe e demorada estrada
Levo em mim o silêncio sobre o sofrimento
No amanhã de muitos anos de uma vida vertiginosa
Guardei uma palavra, apenas uma, para um momento

No lugar do inesperadamente onde nada espero
Bebi rumores de plantas de estranhas cores
Lancei pedras sobre uma onda imperturbável
Sobre o chão dos meus passos há apenas desamores

Repeti o mesmo afago numa pedra polida
Pediram-me para falar da saudade, disse que não sabia
Perguntaram-me se sabia pintar a cor do mar
Perguntaram-me se o meu amor é de uma vida, se conhecia o amar

Venho a esta terra plantar alegria
Venho pintar todas a verdades aos molhos
E de repente o que mais quero
É ter-te...Num lugar nos Olhos...

segunda-feira, 14 de abril de 2014

É NOITE E SINTO




A canção que hoje me apetece cantar, és tu
O poema que te escrevo é Sol
Nossos corpos crispados são punhais sem sentido
Estou cansado deste inverno doído

Sou comandante da minha alma
Dono do meu destino
Houve uma altura que desejei não te ter conhecido
Os meus dias de ti parecem tão distantes, noutro caminho

Naufraguei nesta parte da tua vida
O mosteiro que encerra esta alma vai desmoronar-se
Estou tão zangado comigo
A única traição foi minha Mãe ter partido sem aviso

A felicidade tem que ser paga?
A verdade tem que ser provada com a morte?
A única traição, no amar, é paixão
É não saber, enlouquecer, perder o norte

“O melhor de mim é a parte mais simples”
Escreverei sobre nós um dia
Há que viva encurralado no amor de ninguém
Há quem seja ilha, nostalgia

As sombras que me passam no silêncio do pensamento
Este poema vai crescendo sozinho
Como a angustia da espera morta
O infinito não tem janelas nem porta

Uma revoada de pássaros despertou-me
Uma brisa da tarde aconchegou-me
Uma lembrança de ti acompanhou-me
O sorriso de um sonho de ti lembrou-me

Tudo isto porque já não tenho sal nos olhos
Quem luta com moinhos de vento e tem um longo caminho
Quem promete aos deuses algo e ergue este cálice de absinto
É apenas um lunático como eu e porque...É noite e Sinto...

sexta-feira, 11 de abril de 2014

MENINA DE CARACÓIS


Quantos são os anos de um destino crispado?
Quantas são as folhas secas numa garganta sedenta?
Quantos são os gritos da revolta na longitude da distância?
Porque não crês em vês de vestires essa desconfiança?

“Uma Mulher imensa dentro de um homem nunca se apaga”
Há mulheres, os monumentos, os pássaros, uma pedra
Já dizia o me Amigo Emanuel Félix, “um homem pode amar uma pedra”
Um homem quando ama, constrói um muro, semeia e medra...

“Há uma Mulher em mim como Sol em dia sem fim”
Não há tempo no rumo para a eternidade
Quero construir um silêncio ou um palácio
Quero tatuar-te na alma uma só verdade

“Escrevo esta verdade com insistência”
Porque não há palavra que valha o terror da solidão
E no cerne impercetível da tua terna vontade
Apenas resiste uma infame e mentirosa assombração

Atravessei hoje a ilha pelos olhos de uma criança
Dispersos incêndios que a loucura ateou
Vi uma Mãe linda sentado com dois meninos
Pensei em dor e amor, quem nunca amou?

Acenei-te com um lenço de água
Ser ilha foi sempre a minha vida
Trago sementes de amor nos olhos e só estou quando amo
Direi baixinho “gosto, tanto, quanto te amo”

Levarás esta ilha sempre escondida no silêncio da voz
Vejo a memória entristecendo teus olhos
A ilha tem nome de Anjo, tu chamas-te apenas mulher...
E nele cresce o rumor do Mar, Menina do mar, sem querer

Senta-te neste banco de vida
Penteia as tuas mais incontidas paixões
Quando te lembrares de mim no rumor de um entardecer
Entre o fogo e o abraço inapagável irás ver, querer

Não me demoro, vivo nasço a cada instante
Paro no tempo na procura de sete Sóis
Encontrei uma Mãe de olhar triste
Lembrei-me de uma...Menina de Caracóis...

terça-feira, 8 de abril de 2014

A NOITE DOS MEUS DIAS


São milhões de risos de escárnio
Despedaçando o peito da esperança
São folhas secas espalhadas na boca
É uma tempestade sem ter bonança

Por aqui nesta íngreme enseada de palavras
Alcanço o ardor da injusta e infligida dor
Por aqui um sino tocará cansado no tremor da tarde
Alcanço estas fundações de luz e reverbera o amor...

Foi a nove de abril às três de uma fria manhã
Que uma voz nasceu nestas águas
Um poeta pateta, pintor de saudades, necromante...?!
Cheguei aqui com a sede nos dedos e mil e uma mágoas

Onde estás...?!
Onde estou, estaremos...
Agarrados ao cicio a à aura dos segredos
Lembro-te das sextas, nas manhãs, confiemos...?!

Já lavei a alma das mais íntimas feridas
Hoje procurei o vento e a estação da luz
Na força de um ritual repeti teu nome sete vezes
Há uma árvore de frutos mordidos, uma fé que seduz

Um torpor e a respiração da terra
Um cheiro de solidão, um olhar no horizonte
Em que ilha descubro teus olhos
Onde te posso plantar ternura aos molhos?

Se falasse de ti
Diria teu nome em poema cheio de margaridas
Se dissesse teu nome e queria...
Diria que no encontro há uma gaivota que em mim sorria

E porque também nasci num dia qualquer
Peço-te pois que acredites se em Deus confias
No alto desta noite de chuva fina
Relembro...A Noite dos meus Dias...

sexta-feira, 4 de abril de 2014

JE SUIS MALADE


Um poeta disfarçado pelos espelhos
No esquecimento do Mar brincando
Na era, do nosso murmúrio, surdo das árvores
Contamos luzes atormentadas, amando...

Estou fatigado...
Na obscuridade de um gemido de mãos cansadas
Enquanto o vento as violenta com desejo surdo de ti
Sentado na pedra molhada, contei luzes atormentadas, morri

Minha alma estará sempre aberta ao raiar da aurora
Éramos, somos, seremos a consciência do amanhecer
E riamos desalmadamente na madrugada extensa
Acreditando na misteriosofia do morrer sem viver

E num vazio tão profundo como a caricia serena
Que nos separa do abraço, da solidão
Já não sei se ouvi palavras ou passos súbitos
Ou terá sido teu terno coração...?

Não recordarei personagens longínquas e cruéis
Como pássaro de silêncio as riscarei do peito
Há entre ti e mim um pacto na penumbra
Há entre mim e Deus uma promessa de espera

Disfarçado de inquietude surgiu o desgosto a poente
Estes olhos manietaram-se junto à sombra, revolta
Não consigo rebentar com os corredores esquecidos da memória
Há coisas tão importantes neste poema, tanta história

Estou cansado...!
De construir um ruído mudo de silêncio
Por maldições meu corpo será, pão, fogo, fome ou mar
Ou serei a parte errada da palavra amar...!?

Sou poeta porque descobri a razão inexplicável de estar aqui
E aqui cheguei num barco de nome saudade
Prostrado no desejo da pedra e conhecimento da espera
De tanta dor...Je suis Malade...

sábado, 29 de março de 2014

TEM O PODER DA ÁGUA A PALAVRA



És uma flor apertada no desamor
Uma menina que amei sem preconceito
Vivemos no sonho um ninho de maçãs maduras
Tinhas no olhar a ternura e uma branca paixão no peito

Um arauto falou-me de infortúnio
Procurei-te numa fúria molhada pelas marés
É no estio que o coração corta as palavras
Olhei-te do alto de um altaneiro convés

Olhos de branca Garça...
Nas madrugadas perdi-me no canal
Erigimos um lugar para a lembrança
Na espera, negociei com os deuses um final

Rasguei a propositada brancura do papel
No intrínseco verde dos pastos inesgotáveis
Fiz um tapete de frescas hortências para te amar
Fiz mil orações para te encontrar

Pintemos depressa montanhas fora do alcance dos fantasmas
Aprisionemos as águas que separam nossos corpos
Assim como vamos ao encontro do passado
Abraça-me, é assim que construo as casas, com cuidado

Houve tanta noite nos meus dias
Houve tanta madrugada de luz fria
Houve tanta saudade, nostalgia
E uma lembrança que em mim sorria

Haverá sempre a chegada das marés
Dor, alegria, mágoa, frágua
E um porto de alegre espera
Onde...Tem o Poder da Água a Palavra...

quinta-feira, 27 de março de 2014

NO MEU PALCO



Nesta plateia verás os vestígios dos últimos sonhos
Duas lágrimas que secaram na madrugada
Quando as luzes se calarem na ausência da cena
Tu sentirás pena por já não seres Dama amada

Sou um Ator anónimo no caos do Mundo
Com uma alegria breve no olhar
O teu rosto perdeu-se na desordem das marés
Vi uma ave perdida, o amor a passar

Mas sintam as pancadas de Molière
Corram a cortina vai começar a peça de uma vida
Numa sarça ardente escreveste a palavra traição
Atiraste ao palco toda a tua contradição

Uma bailarina vestiu-se de Columbina
Atiraste ao fogo este triste Arlequim
Do lume de ti, nunca se aparta o amor
Entre as ruÍnas do crepúsculo, será afastado o fim

Em círculos de solidão afinou um violino
As abambolinas escondem um nome
Húmidos são teus olhos da memória
Há por escrever uma fantástica história

Estou no proscénio onde ardem as sombras
Procuro os prodígios de um jardim de ventos
Que flor faz nascer a verdade do teu crer?
Que recato da tua alma guarda os felizes momentos?

Este pano de cena que teima não fechar
Vez agora a nudez da tuas incertas convicções
E na translúcida serenidade de uma casa
Irão abraçar-se dois perdidos corações

Que vestido abandonaste na cadeira?
Que palavras ficaram por dizer
Hoje senti-me perdido ao olhar para um retrato
E quedei-me em silêncio...No meu Palco

domingo, 23 de março de 2014

FORASTEIRO DO VENTO



Levarei sempre a minha Musa no silêncio
Trago sementes do teu sorriso
Tenho partes de ti em mim como uma profecia
Hoje encenei a paixão de cristo ao fim do dia

Hoje pedi aos Romeiros uma ave-maria
Ordenei que o incenso fosse derramado no fogo
Por mim passaram almas famintas
E pedi a Deus que um desejo de mãos postas

Entre mim e ti há um tinir de ferros em brasa
Este verbo que canta evoca oiro mais raro
Estão em botão as rosas que regaste
Não eclodirão as sementes que plantaste...

...Sem a justa verdade do amor!
Podias ser apenas uma pintura difusa
Um olhar perdido em sala de espelhos
Ou um gesto terno de levantar a água dos teus cabelos

No meu peito repousam barcos de muitas cores
O silêncio sobre o sofrimento
Tal como uma moradia que morre devagar
Sem acreditar, não há tempo nem momento

Com amor e raiva se constrói obra parva
Os tumultos e a dor estão contigo
O que te sugere o teu espírito alucinado
Sobre os brandais respira um sonho antigo

Morre a Musa, viva a Musa!
O escriba não desfalece no caminho
Um poeta nunca morre
Só se afasta um bocadinho

Não mais subirei as colinas da cidade desatenta
Serei pois o primeiro habitante da tristeza vencida
Não beberei mais o mar
Só não consigo esquecer o amar

Emocionado percorri uma parte da ilha
Hoje esqueci na paz da vida o tormento
Hoje pacifiquei-me com deus e ateus
Fui no Mundo mais um...Forasteiro do Vento...

sexta-feira, 21 de março de 2014

A MINHA MUSA



É Março no traço áspero de silêncio
Esta dor imutável, revolta na chegada das marés
É o dia dos poetas, as palavras hoje são poesia
As minhas têm a cor da melancolia

Sabem qual é o primeiro nome duma mulher?
Apenas mulher...
Ela tem o sol dos frutos e o céu no coração
É Mãe, Marias, compreensão, uma lágrima, paixão

Nele cresce o rumor das hortências
Derramadas em cântaros pelo céu
Respirando um tempo imortal
Entre o fogo e o abraço inapagável, fatal

Sabem qual é o nome do amor?
Apenas amor...
Eu chamar-lhe-ia Mulher
Falem-me pois de uma mulher, quem quiser...

No êxodo do sentir escrevo
E descalço-me em frente das tuas ultimas palavras
Ressoam as memórias, o perfume dos dias felizes
Escrevo para que oiças um piano, esqueças a mágoas

Hoje sentei-me numa cadeira do Mar
Ouvi passos minúsculos aproximando-se de mim
Era um golfinho de chapéu de coco
Que me disse “vive, engana o fim”

Deram-me uma coroa de folhas já mortas
Nos primeiros degraus da vida
Nunca envelheci nos espelhos
Cheguei cedo, tarde, nesta infinita demanda

Nasci na ilha onde se confundem as estações
Do canto dos deuses na madrugada
Nasci mil vezes e em basalto me esculpi
Talvez seja apenas uma refulgente sombra

Talvez um anjo de pedra sem nome
Uma alma que de tanta dor ficou confusa
Não! Apenas um Poeta pateta
Que neste dia perdeu a...Sua Musa...

quarta-feira, 19 de março de 2014

GARÇA PERDIDA



Ouvi uma voz longínqua no vento
Senti o aroma do amor passar perto de mim
Senti sementes de um olhar inquieto
Tão longe, tão perto

Foi uma árida manhã, um dia sem Sol
Atravessei um areal de esperança
Meu barco leva o nome de mulher
Amo e sempre amarei, querendo quem não quer

Absorto na transparência da solidão
Há um lugar nos teus olhos onde habito
Há um recanto sem pranto na tua alma inquieta
E um destino que terá rumo certo

Todas as errâncias e afastamentos são loucura
Há um ribeiro de águas puras de ternura
Há joias de sentimentalidade estendidas no caminho
Há um relógio que marca um chamamento baixinho

Há um segredo e as vertentes de uma paixão
Ondas de beleza no afago, fascinação
O ar libertou hoje o odor de sonhos passados
Não há longe nem distância para um coração

Venho da dor no regresso de uma saudade
Venho lembrar que há apenas uma real verdade
Liberto meu grito nas fundações da luz
E peço paz e um milagre de amor a uma santidade

Esperei por algumas palavras
Atravessei isolados terraços da incompreensão
Plantei ventos, colhi desenganos
Pintei a prima obra com as cores da paixão

Tudo isso para falar de uma singela emoção
De uma vontade que ficou em ti contida
Cerrei os olhos e iluminou-se minha alma
E vi no me céu uma...Garça Perdida...

sexta-feira, 14 de março de 2014

JUDAS DE NEGRO CABELO


Nas paredes mal caiadas de uma alma
As manchas de mãos em desenhos bizarros
Vomitei num vazio indescritível
Corre uma cobarde serpente de atitude invisível

Hoje acordei para uma realidade fétida
Obrigado...não tens de quê seu tanso
Há sempre uma noite se aproximando
Há sempre um caminho que terei caminhando

No palácio carbonizado de uma comédia de enganos
Vive prisioneira uma donzela já gasta
Uma boca afogada em palavras amargas
Voa um poeta que rima...já basta!

Um mar embravecido, trás dias sem manhãs
Uma falsa gaivota largou penas ao coração
Uma mulher que estupidifica a paixão
Terá cem anos de solidão

Cem anos de bruma nos olhos
Venham devagar ver, ouvir o poeta
No suor do sonho, ouço vozes num cântico azul
Garça, gaivota, pássaro voando a sul

E quero-vos contar...
Como as serpentes sorriem no enganar
Quero-vos contar, como alguns seres desprezíveis
Moram onde o Mar despeja a sua ira no chegar

Sei de duas...
Que riram em maldosas gargalhadas, de mim
Sei do vomito sem cor nem corpo
Quando a tarde se desprender de mão assustada, no fim

Também sei que mora em minha casa a cor
Que em minhas orações construo um branco novelo
Até rezo por quem me feriu quase de morte
Pelos...JUDAS DE CABELO NEGRO...

domingo, 9 de março de 2014

MENINA DOS LAGOS


Senta-te neste banco de nuvens
Observei nos olhos de uma pessoa o Mundo
Fatigado um Milhafre pousou nos ombros da minha ausência
Ouvi o teu Mar com os meus dedos no meu mais profundo

Tu, magnólia em busca do rumor da terra
Fragor de púrpura, instante de amor
Vi-te sorrir nas estações do crepúsculo
Em Fevereiro uma rosa é breve flor

Gaivota pousada ente o basalto e o azul
Que ilha descubro na tua verdade?
Este barco de vela branda nos mares do sul
Que nunca deixou morrer a saudade

Se falassem as tuas mãos
Diria que eram o afago de um Anjo
Se falassem as tuas raivas sem sentido
Diria que era o amor sem vontade de estar escondido

Hoje sonhei com um campo de margaridas e gaivotas
A minha rosa entre Primaveras...
Fechei os olhos absorto na transparência da música
E perguntei ao alto que por amor quem eras

Apontei com o olhar as falésia de uma lagoa
Este pescador de cores, fouçando incompreensões
Apaguei da minha tela os trovadores das sombras
Apaguei todas as frias e más sensações

A minha aura não esconde segredos
Lavarei do meu peito o intimo de certas feridas
E sobre as pétalas murchas do silêncio
Desenharei todas as estações perdidas

Hoje acordei com as palavras a sorrir
Com uma brisa em doces afagos
Imaginei uma lagoa de mil cores
Onde mora uma...Menina dos Lagos...

sexta-feira, 7 de março de 2014

O MENSAGEIRO


Nenhuma das minhas flechas deixou o arco
Há uma cidade onde os relógios se movem desconcertados
Há uma Lua anunciadora de bonanças
Há um Sol só meu que aquece este homem de sete Mundos

Meu Sol...
Eu não te adivinhava nem pressentira
O relógio da Igreja deu duas badaladas atrasadas
Era um sorriso bonito que chegava antes das oito, sem ira

As árvores permanecem
Suavíssimos os pombos saudaram esta alma
Este respirar de novo, o dia dos pássaros, o perfume da terra
O entardecer que pinta este céu de intensa chama

Hoje ou em qualquer outra parte
Dançarei um tango eterno
No lugar onde inesperadamente se soltam os teu negros cabelos
Há uma nuvem que ameaça transformar-se em aguaceiro

Mas há Sol, sobre o chão dos meus passos
Longe, imóvel, imperturbável e sério
Permita-me ouvir as ondas, o som mais breve
A perfeita respiração de um deus em seu império

Sei de uma história breve
Uma rapariga fugiu num cavalo espantado
Sei de uma chegada anunciada pelos anjos
Sei de um barco brilhante repousando num rio profundo

Se olhares a almofada, verás vestígios de sonhos
A brancura da minha bondade na madrugada
Diz-me dos teus olhos, onde se esconde alegria
Diz-me onde mora o amor, a pessoa amada

Diz-me onde se esconde a saudade
Fala-me da lembrança do beijo primeiro
Escreve as notas de uma felicidade interrompida
Procura no Sol...O Mensageiro...

terça-feira, 4 de março de 2014

A ILUSIONISTA


Dentro de um corpo passeia um aspecto negro
Meteram-se os punhos na garganta
Ouvi uma floresta de tontas palavras, um punhal
E uma obsessiva razão de incerta descoberta

Gente da treta!!!!
Conheci duas mulheres de salgada saliva
Nunca lhes vi luz no inicio dos gestos
Apenas o silvo da serpente e gestos de falsa altiva

Isto é tudo conversa, uma asneira
Uma ficção sem jeito ou maneira
Como é carnaval, uma palhaçada
Pode ser mentira a poesia ou brincadeira

Adiante!
Cerro os olhos com ramelas sorrindo
Não quero ver mais infelizes seres
Nem uma boca falsa parindo

Vou beber vinho para não vomitar fogo
Evitar ruas cinzentas de mulheres transparentes
Não voltarei acordar gente sem nome na vida fria
O meu amor não será mais o que minha alma confia

Esmagado pelo suor parti dentes podres de palavras
Eu rio-me e lembro-me que afinal estou só
Contaram-me uma história de mijar a rir
Não há verdade nem a merda de certa gente pode parir

No meu verde pensamento enterraram um punhal
Porque há gente fodida muito ofendida e coisa e tal
Há quem julgue que as prendas doces só vêm no natal
E a estupidez pode medrar e coisa e tal

E acabemos com este vomitado poema
Já me chamaram, mentiroso, violento e até alquimista
Parei hoje para ver o cartaz de um circo rasca
Com a fotografia de uma...Ilusionista...

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

TEMPLO INVISÍVEL


Rezei na aflição e necessidade
É ilimitado o poder de amar
O amor é indivisível e imóvel
Que estação do teu coração devo achar?

O pensamento é ave no espaço
Ás vezes o engano de que não pode ver
Não falarei porque estou em paz
Creio em mim, este ser sabe crer

O silêncio da solidão revela aos próprios olhos
O seu eu em perfeita nudez
No orvalho das pequenas coisas encontrei uma manhã
Nesta árvore são vulgares os frutos, no chão brilha ouro, uma maçã

Tenho em mim mesmo toda a verdade
Gostaria de pedir ao tempo o infinito e o incomensurável
Quando esquecemos a cor do vinho, já nem sabemos do copo
Quando se ergue a vontade subimos a montanha ao topo

Contudo o intemporal que há em ti tem consciência
Sabes que o hoje é só a memória do dia de ontem
Gostaria de fazer do tempo um regato
Onde lançaria a pureza que a minha verdade contém

Não há dor, mas uma rede atirada
Não há uma única busca pela revelação
Onde para o melhor de vós mesmos?
Para onde se ausentou um coração?

E quando estiver silencioso um coração
E quando os meus pássaros emudecerem
Que uma voz fale aos ouvidos, dos meus ouvidos
E que o amanhã não seja apenas a memória do ontem

E contudo a tua alma guardará a verdade de um coração
E aquilo que em vós pulsa mora ainda no limite
Sem medir o tempo e as estações
Serei errante poeta sem contradições

E mesmo nas escuras cavernas alimentar-me-ei
De uma crença radiosa e notável
Foi este poema escrito na mais terna calmaria
Por esta alma moradora de um...Templo Invisível...

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

AVIÃO DE PAPEL


Tenho os braços nus de armas
Se viesses por aqui seguindo qualquer caminho
A qualquer hora, qualquer estação
Mora na mesma alma o amor, um destino

Estes meus dedos amputados pelo silêncio
Esta voz surda brotando dentro de nós
Este vento rasteiro cobrindo as palavras de frio
Este homem que te lava os olhos num cristalino rio

Este meu passado diluído na razão do presente
Estes poemas que foram crescendo sozinhos
Sorri sem necessidade, compreendi que é preciso sorrir
Compreendi que no esconder não houve o mentir

Sorri...!
Não tarda irão florir as buganvílias brancas
Os pássaros do meu quintal continuam fiéis
Não me abandonaram, desenhei-os em sete papéis

Com amor e doce raiva guardo estes soluços
Com divina paixão aguardo uma nova de um coração
Com a vontade dos deuses pintei-te de tinta inalterável
Guarda, poeta, vigia, vigilante, lavrador de um amor

Acariciando o teu rosto colorido de doçura
Permite-me que este poema seja o começo de tudo
Darei os braços à luz do dia
Neguei três vezes, minha alma, confia

E vou rasgar a minha garganta rouca
É feitiço o verde desta ilha
E tu feita de águas mansas e flores eternas
Diadema de hortências de azul maravilha

Qual criança que do amar só sabe amar simplesmente
Que transforma a vida no amargo doce do mel
Hoje escrevi a verdade de todas as minha razões
E atirei ao alto a folha em...Avião de Papel

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

GENTE GENTIA


Para se falar de um homem não há um único nome
Para se falar de um grande homem não um ser insignificante
A este homem têm servido o sabor salgado
A este humilde homem não chega julgar um instante


As pedras desta ilha não têm idade
Estou sentado na pedra onde dormem os séculos
Apetece rebentar na cabeça o silêncio
Agrilhoar o querer quebrar os sonhos

Há uma noite que se aproxima hesitante
Uma rua mesclada de vermelho fogo
Um coração menstruado a verter dor
Uma alma que regressará em flor

Sem fôlego uma criança morre
Sem sol as maçãs serão sempre amargas
Sem crença não há verdade que valha
Sem amor apenas existe um palheiro sem palha

Nesta carne ferida não há florestas novas
No interior carbonizado deste poema
Ninguém descobrirá duas reais verdades
Ninguém aqui aplicará um teorema

A bala dura das palavras
Não quero encontrar mais no alcance
Não quero ser amor a visitar lareira apagada
Eram grandes os olhos de raiva sem razão, nada


Aqui a terra fecha-se de Mar
Fecho-me cada vez mais ao destino
Sonhei com um instante de água fresca
Sonhei com um sincero caminho...

...Onde quero lembrar o espaço provável do verde tempo
O acaso clamando por um novo dia
A explicação das coisas a razão do amor
Uma vida que corre, um querer que não morre, confia


Deixai-me criar epitáfios
Em maldição meu corpo é uma árvore
Gero tantos frutos de sonho e cor
Nem gente, nem a puta da vida sabem o sabor

Nem tu...!
Sol que não adormece na noite
Hortênsia que em rumor me falas
Magia que me embriagas e suave perfume exalas


Sou, serei brinquedo rodando as mãos insanas
Uma voz calada, vibrante ou terna fala que alguém sentia
Serei apenas o que o meu destino ordenar
Não aquilo que quiser...Gente Gentia...

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

NAUFRAGUEI


A estupidez deste homem é total
Talvez seja mesmo o que de mim dizem
Agora já é tão grande o coro
Não sei se quero isto ou morro

Morri mil vezes, outras tantas perdi
Perco sempre pedaços de alma nesta caminhada
Mereço grilhetas, cadafalso, uma forca
Não passo de uma insignificante alma penada

Que raio de coisa sou?
Um génio, ou um marginal da vida?
Um bondoso homem que só é mau para si
Uma charada mal contada, uma dor contida


Espero que ninguém leia esta merda
Diria que é mais lixo, gerado por um lixo
Ler será uma total perda de tempo
Como já ninguém lê o Profeta, logo não existo

Ainda bem assim vomito à vontade
Aqui tenho na asneira a liberdade
Aqui não entra a saudade
Aqui sou lixo jogado numa cidade

Vou escrevinhar umas quantas peças
Umas de rir outras de chorar
Acabar dois parvos livros
Vou esquecer-me do que foi o verdadeiro amar

Ninguém ama!!!!
É mentira, uma tontaria
Fui demiurgo desta inconcepta peça
Ninguém morre, aqui o tonto nem é já mais valia


Olá senhoras deste mundo
Divas desta vida e arredores
Esta minha ilha de silêncio
Esta ilha que há em mim...em mim...


Perdoem-me pois, o pecador já pecou tudo
Perdoem-me, sou um anjo mau, um necromante
Perdoem-me que não sei o que faço
E esqueçam da minha vida o restante
Desculpem qualquer coisinha
Apliquem à vontade sobre este corpo a lei
Estou caído, mas levantar-me-ei
Perdi penas, parte da minha alma...Naufraguei...

domingo, 8 de dezembro de 2013

IM0RTAL



É bom que se saiba
Não tenho um nó na garganta
Tenho o sabor da verdade no corpo todo
Tenho na mão as cores todas do Mundo

É bom que se saiba
Que há quem envergonhe as minhas canções
Quem me apontou punhais
Quem se afogou em contradições

Deitei-me dentro de mim
Sem vontade de recuperar o tempo, impossível
Tenho o silêncio preso ao céu-da-boca
Não se pode vomitar a palavra no vazio indiscritível

Às vezes invento coisas no meu coração amedrontado
Então o meu espirito alucinado cala-me
O meu corpo é terra que vejo passar por baixo do céu
É semente coberta por rasgado véu

Não precisam os desesperados
De subir as colinas rubras da paixão
À minha volta a luz nunca é suficiente
Tenho uma caixinha onde guardo a derradeira ilusão

Esta alma persistente de alegria
Como sorrio às vezes quando conto as aves felizes
Quando aceno ao desprender dos anjos magníficos
Ao soltar dos sonhos de despretensiosos petizes


É tão difícil percorrer estes dias insulares
Nunca temi repartir a mesa, o sabor do pão
Esta água girando sempre à volta da ilha
Vagas medonhas, nevoeiro, solidão

Nestas negras pedras dormem os séculos
O interior destas casas cheira a cal
A saudade das mãos cansadas do segurar meus filhos
Esta alma que não dorme nunca…Imortal…