segunda-feira, 15 de junho de 2015

LEMBRANÇA COBERTA DE MANHÃS


Há um lago de fogo
Onde as mulheres congeminam feitiços de amor
Embriagadas pela música do vento
Onde para a vida, se confunde a razão e o tempo

Viajo pelas maresias do verde da ilha
Continuo contigo na chama que brilha devagar
“Inventando-te sou feliz, porque te sinto em paixão esplêndida”
Nas ramagens absurdas das sombras sinto o teu chegar

Insano é este tempo que me fala da descrença
De ventos ansiosos percorrendo a lembrança do amor
Este lembrar da loucura a cada segundo
Estes pés agrilhoados ao chão dum frio Mundo

É Verão e ainda sinto o Inverno da ilha
Abandonei a viagem e aprendi a conviver com a solidão
Perdido dentro de mim um sentido
Esta minha insuportável sede de presa paixão

Este homem órfão de um destino certo
Trago em minhas mãos o amargo sabor da cor
Agora reparo, estou cansado da ausência de mim
“Tenho um choro que se propaga por dentro, sem fim”

Cresço no sentir como as manhãs caminhando no dia
Levem-me numa correria louca pelo Mar com se fosse a ultima vez
Não me perguntem porque não desisto de amar
Deixem-me sentir o aroma do teu chegar

Com a boca fechada de sorrisos
Este amanhã do renascer da carne
Com a noite plasmada de sonhos turvos
Com a alma presa, como pássaro com fome

Num altar imaculado plantei uma jura
Num poço de silêncio larguei moedas de tostão
Num gesto ao céu convoquei Guias e Arcanos
Num virar do tempo estendi ao sonho a mão


Abandonarei um ninho sem maçãs maduras e sonhos
Cobrirei com a noite todas as palavras vãs
Tudo isto escrevi neste poema
NUMA LEMBRANÇA COBERTA DE MANHÃS

quarta-feira, 10 de junho de 2015

OS PÁSSAROS QUE HABITAM A NOITE


O dia há de nascer
Entre os lábios e o beijo
Na construção de mais um silêncio
Sonhei com o recorte da tua boca, desejo

Rasguei o azul propositado
Lancei promessas á calmaria de uma lagoa
Moldemos montanhas fora do alcance dos fantasmas
Lavamos a alma e ungimos o corpo para ser pessoa

Com o corpo esparso e olhos quebrados
“Lembro uma noite vagueando na Ilha”
Sou presente no meu próprio presente
Voz mansa de ribeiro subindo, cantante, contente

Conheço os caminhos luminosos da alegria
Dentro deste corpo passeia-se a bondade
Também uma apaixonante paixão sem limite
E com o silêncio preso ao céu da boca aprisiono a tua verdade

Ás vezes navego pelos oceanos do pensamento e
Sou um barco
Ás vezes sonho que reparei todas as duvidas do Mundo e
Sou apenas um grito perdido

Este copo vazio que embebeda o louco
Este corpo nu que acolhe o orvalho
Este sorriso fugido á tristeza
Esta incerta certeza

Esta desatenta ilha que há em mim
As minhas palavras foram luz insuficiente
Este habitante da cidade inventada
Percorre o amor em pranto na procura do nada

Assim vou construindo o movimento de cada vaga
Acenando aos Anjos magníficos pendurados nas nuvens
Bebendo um mar revolto, amainando tempestades
Desenhando a traço forte o contorno de sete verdades

Vou oferecer-te esta tela
Procura-te bem dentro dela
É tão fácil esmagar alegrias
É tão difícil vestir um manto feito de nostalgias

Que poema este! Credo em cruz!
Escrevi uma confusa ode de palavras de paixão e verdade
Dei comigo a pensar coisas que ninguém pensa
Como...OS PÁSSAROS QUE HABITAM A NOITE...

quarta-feira, 3 de junho de 2015

A POESIA INFINITA DO BEIJO


Sentir um abraço, como instante de água fresca
O inadiável gesto do beijo
Até violo qualquer reprimido pensamento
Porque morrer por amar é doce momento

Esta poesia vestida em maravilhoso manto de fala
A qualquer hora estarás vivendo num coração que bate sem fim
Nos olhos de uma criança nascem castelos no céu
Dormi calmamente com o sorriso dos Anjos em mim

Trago um nome tatuado na alma
Estou cansado na demora da vida
Amanso esta fúria no vale da espera
Forjei uma espada dourada para prender a quimera

Já entreguei á sorte o amor em olhos escuros
Enquanto esperava o encontro com a distância
Enquanto os pássaros cantam para a ilha sorrir
Vou navegando numa baia onde não existe o partir

Silenciosamente voa este pensamento sem rosto
É madrugada e a chuva cai dentro de mim
Dizem-me as mulheres que desconheço
Que um puro beijo, para o tempo, não tem distancia nem fim

Beijamos sorrisos
Tocamos bocas como quem constrói estrelas
Beijamos olhares de ternura
E enchemos a alma com os sois da luz mais pura

Esta minha insuportável sede do teu regresso
Vieram de mim longos dias de solidão
Porque me perdi...?!
Porque deixei a semente da duvida em ti...

Os homens não morrem no País que inventei
O amor é real na minha cidade inventada
É permitido trocar a saudade por desejo
Na... POESIA INFINITA DO BEIJO...

sexta-feira, 29 de maio de 2015

AS LUZES DO ENTRISTECER


Não me perguntem porque amo o silêncio
Não me perguntem porque habitas na minha ternura
Apenas porque sou uma ilha perdida numa concha
Enquanto meu corpo se perde no cheiro da maresia

Trago comigo as dores que viram as minhas mãos crescerem
Ás vezes penso ser estrangeiro perdido no meu corpo
Peço aos deuses que sejam, candeia iluminando as minhas preces
Ás vezes navego num mar sem sal, já morto

Porque me perdi num regaço antigo de ilusão?
Algures sorrio no meio do meu cansaço
“Há sempre em mim um choro que se ouve quando fecho os olhos”
Quando amo uma flor, a mulher, na saudade estremeço

Se vocês soubessem o que habita na minha ternura!?
Aí veriam quando um homem ganha importância
Se vocês soubessem como sei amar com amor?!
Aí veriam que não há longes nem distâncias

Meu Deus, por estes dias falamos tanto
Imperturbável, deixas que siga o meu destino
Ninguém saberá que sou pássaro, morro e o meu corpo é terra
Talvez uma perdida pedra em esquecido caminho

Nunca consegui partir a verdade em duas
Nunca aprisionei a luz de uma estrela
Nunca consegui fundir a razão com a ilusão
Nunca deixei de sorrir ao ódio com este pobre coração

Murmuro palavras vagarosas, compondo a solidão
Gostava de ser a luz de um cego, a música de um surdo
Gostava de oferecer todas a minhas palavras
A um coração que nasceu mudo

O curioso é esta minha alma persistente de alegria
Este alento animado por um desconhecido Universo
E aceno distraído ao desprender dos anjos amigos
E construo a palavra no movimento de cada vaga, em verso

Não gosto da cor do Mar sem o sorriso do céu
Onde cabe um poema para te sentir e ver?
Talvez nas planícies eternas da saudade
Numa réstea de... LUZES DO ENTRISTECER

sexta-feira, 22 de maio de 2015

PALAVRAS CORREM MUDAS


Podias ser apenas uma pintura
Podias ser apenas uma concha perdida na areia
Podias ser um fugaz olhar que se esvai
Apenas uma imagem nas águas da Lagoa em noite de Lua cheia

Podias...
Ser orvalho vestindo os frutos na manhã
Uma gaivota poisada entre o Mar e a terra
A brancura dos sentires varrendo a saudade em santa guerra

Contemplei na manhã Anjos de água
Sentados sorridentes num arco- íris
Acenaram-me na essência que deslumbra
Dei por mim perdido entre a paixão e a sombra

Ás vezes o sonho é mais do que a palavra
A existência de Ti é inquietação matinal
Infindáveis agitações percorrem este peito
Em fragores de azul descortino o teu rosto inquieto

Não posso tocar-te a mão
Cheguei tarde ao sitio onde repousam as andorinhas
Com o Luar preso aos teus olhos fica cego o amor
Por isso bebo a saudade fria de uma pálida flor

Cintilante espuma!
Apetece subir por aí em ondas de alegria
Ao som dos passos da irrealidade sem bater em portas
E dizer: quando há amor, há mesmo amor, confia

Escutei no teu cabelo todas as ondas de um Oceano
Vi peixes beijando-se em camas de espuma
Em espelhos de água refletidos todos os momentos de paixão
E um golfinho entregando-me o teu coração

Triste ilusão...!
Apetece-me pedir-te vem!
Trás o perfume das outras eras
E liberta-me das mil esperas

Lembra-me os Outonos e Invernos a saber a pão
E, sorri no silêncio possível do reencontro das madrugadas
Mas vem, anjo das transparências nas asas do vento
E assim as...PALAVRAS CORREM MUDAS...

sexta-feira, 15 de maio de 2015

QUANDO NOS SEPARAMOS DO DIVINO


Falam-me de um tempo, choro
Lembro-me que afinal estou só
Percorrendo um caminho infinito, árido
Rodando como atafona em pedra mó

Ás vezes prendo os olhos aos bolsos
Contando tostões de sonhos ao desbarato
E mijo-me a rir das histórias felizes
Não tenho cinturão com balas nem com a vida contrato

Mordo com os dentes uma maçã já murcha
Vou-me entesando com uma raiva deliciosa
E louco de excitação faço cocegas ao pensamento
Ao ouvir uma frase de senhora extremosa

Mas espera aí!
Para onde viaja hoje este poeta?!
Estava apenas a divagar no lado mais escuro da Lua
Por momentos perdi-me numa rua fria e nua

Mas, faça-se luz “fia lux”
“Eu apenas não morro na dor sem encontrar o amor”
Enquanto não encontrar a minha cidade inventada
Enquanto não despir esta capa de gente mal amada

E aguardarei as aves da Primavera
Aqui numa corisca e bela Ilha
Falhei adoração ao Senhor
“E parei por momentos no coração o bater do amor”

Meu Deus, quem sou?
Um barco de madeira, carcomido, amaldiçoado?
Viajando com calados sonhos
Submersos num lago profundo?

Não! Serei apenas um caçador de pérolas
Fugindo a sereias e ninfas silenciosas, perdidas no tempo
Plantando palmeiras na areia
Soltando aves no céu na maré cheia

Cheguei tão devagar a esta terra verde
Após longos sóis abraçado a um destino
É assim ás vezes na vida
Quando por momentos NOS SEPARAMOS DO DIVINO...

sexta-feira, 8 de maio de 2015

ENCONTRO COM O DESTINO


Não tenho muito lugar em ti
Ai se visse nascer das hortênsias rosas novas
Se te sentisse na pele deslizante de uma rapariga madura
Se me ardesse o coração como casa de palha e verdura

Ofereço-te um prato tiritante de beijos
Um molho de abraços inquietos
Um lugar na minha palavra por dizer
Um altar de espuma do Mar para te poder ver

Escrever o poema é soltar o grito
É dormir com anjos transparentes
É sonhar novos horizontes azuis
É encher-te a alma de presentes

Uma ilha aparecida no Mar é pequena flor oceânica
Este pensamento de barro cru por pintar
“ Uma mulher imensa dentro de um homem nunca se apaga”
Digo-te como se fosse uma criança sem revolta, o amor é apenas amar

É no estio que o coração solta a palavra
Parei na imensidão das horas possíveis
Há uma felicidade irreconhecível sem morada
Há corações sem janelas, com a porta fechada

Lavrei compreensão na imensidão do egoísmo
Erigi um lugar para elevar a concórdia
Sei o significado do querer partir
Pintarei montanhas fora do alcance para te fazer sentir

Na minha peregrinação através do tempo
Partindo não importando donde
Semeei palavras puras de transparência e brandura
Fui rico na pobreza e pobre na fartura

Enterrados na terra do esquecimento
Estarão as recordações da tua incompreensão
São grãos de poeira perdidos da alma
São vida que se extinguiu da chama

É tão mau sermos sempre os mesmos
Não há nada que mereça a noite, nem o querer pequenino
Não se pode vomitar um vazio indescritível
No...Encontro Com o Destino...

sexta-feira, 1 de maio de 2015

CORRENTES DE UMA PAIXÃO


Este dia acordou feio e sombrio
Como um tostão de gente, correu frio e húmido
Este vento é grave e sabe a descontentamento
A água afoga a terra, esta bruma parada num momento

Gostava de ir ter contigo num País encantado
Sem casas, nem lagos, com flores e dizer, meu amor
Ás vezes corro nu, agasalhado pelo sonho
Gostava de viver na aurora da paz, sem rancor, sem dor

Estas palavras beijando o papel branco
Há sempre luz para o inicio dos gestos
Liberta-mos sonhos e comemos distâncias
Dá-mos braços á ternura e aprisionamos as ansias

Sou como uma criança de mãos vivas cheirando a vida
Deixem-me aqui cuidando com os olhos da irreverência dos pássaros
Deixem-me aqui envolto neste grito de saudade e nostalgia
Que seja a ultima vez que abro esta boca amputada no adeus do dia

Os sonhos não têm cor
Os homens não têm asas
As auroras escondem as estrelas
As mulheres não sabem amar, só são amadas...

Sobem-me abismos á alma
Nesta floresta de palavras cravo um punhal
Ontem por ontem na angustia pedi que me abandonasse o mal
Dos céus desceu um terrível e duro sinal

Pintei uma mulher fresca para servir a noite e toldar o sonho
A tela saiu uma desgraça de paranoicas cores
Uma rosa, uma mão no peito com um cravo cravado
É assim uma comédia de desenganos de falsos amores

Não encontro um lugar na palavra para o confiar
Neste poema duro e rude calei o coração
Fiz-me ao Mar neste denso e húmido nevoeiro
E lancei a âncora nas...CORRENTES DE UMA PAIXÃO...

quarta-feira, 22 de abril de 2015

O CÉU ESTÁ CHEIO DE ANJOS


Ocultamos as alegrias na memória do que já fomos
Suavemente na sombra obscura, breve e pura
Caminhamos por dentro na viagem do improvável
E acordamos todos os dias no amanhã devagar com o cheiro da loucura

Falamos atormentadas palavras
Para além do alcance de todos os horizontes
E somos pequenos no silêncio absoluto
Bifurcando a alma na procura de sete fontes

Serei pois guerreiro vencido pela utopia
Desmontando a misteriosofia da noite sombria
É tão difícil acordar num vazio tão profundo
Na paisagem mítica dos milhafres aprisionada á maresia

Uma caricia serena de amor separa-nos da solidão
Pobre poeta sem o conhecimento da espera
Com um sorriso disfarçado de inquietude ou revolta
Pobre rimador que te perdeste nos labirintos da paixão em santa guerra

Pobre homem, criminoso apenas por amar
Com a vontade inexplicável de no perdão abraçar
Por maldições o meu corpo é árvore de esperança
Por contradições serei pássaro sem penas para voar

Deixai-me criar lendas, epitáfios e sonhos imensos
Deixai-me construir uma casa entre montanhas e ventanias
Sou poeta, pedaço de pão, fogo, fome, luz, farol para o vale das palavras
Deixai-me construir um ruído mudo de silêncio na estação das calmarias

Uma criança nova exige um nome
Esta ilha, terra fechando-se em volta de tudo
Este esperar pela ferida que a tua lança guarda
Este crescer como quem devora as raias do absurdo

Esta inventada chuva violando o pensamento
Este meu corpo de sombra recolhendo teu corpo de Sol
Esta terra palpitante aos bocados despertos
Este rumo sem Sol a prumo por mares incertos

Meu Deus, Azna, no meio dos risos surgem os punhais
Esta manhã de Sol na minha viagem da solidão ao som de banjos
Olhei para um celeste de esplêndido azul
E vi...UM CÉU CHEIO DE ANJOS

quarta-feira, 15 de abril de 2015

PARA QUE OUÇAS




Teu corpo, rumor de ondas quebrando
Manhãs aprisionadas a tempestades
“Este mistério que é o amor”
Este degredo, esta ilha, sete cidades

Este teu coração de verão
Alma de feiticeira Lua
Brilham constelações nos teus olhos
Morada de uma saudade minha, tua...

Uma onda sem espuma
Árvore, fruto do pecado
Despedaça-me! Submerge a luz deste destino fatal
Uma reza pranteada num chão molhado

Para que sintas, acredites...
As minhas palavras, penas de andorinha do Mar
Promessas, rasto das gaivotas no areal
Vai trepando a dor como hera, por te amar

Antes de ti ninguém povoou esta solidão
Apenas furacões de sonhos aprisionados ao coração
Uma boca de pranto e sangue
Não me abandones, companheira solidão

Lembro-me da viagem por outros Outonos
Em cima de um palco já fiz o amor falar com o ódio
Já encontrei horizontes no meio da encruzilhada
Sei que há sempre um novo dia no encontro de um desencantado

Fala imenso o olhar de um sobrevivente
Ao som dos passos da realidade abandonei a descrença
Terei que provar ao Mundo a minha razão de ser?!
Não dormirei no naufrágio nem nos braços da falsa aliança

Um sonho quebrado trouxe-me ecos de dor
Seguirei os pássaros na rota do Sol
Achei que era possível ser corpo eternamente abraçado
Escutei nas ondas batendo o lamento de um fado

Ergues, morder a palavra, matar o querer
Dar passos em volta da alma, acender uma vela em promessas
Este poema não voará no sentimento vã
Não o deves ler, é apenas...PARA QUE OUÇAS

sábado, 11 de abril de 2015

E DE REPENTE O MAR




Quando aqui cheguei
O vento rondava as tristes janelas
Lembro as noites mais antigas
Lembro luzeiros e olhos, almas amigas


De folheta construí barcos pintados de verde
Foram longe e demoradas as estradas destas vidas
Gosto do silêncio da sombra das chaminés
Apetece subir por aí em ondas perdidas

Ainda tenho sonhos de Navios partindo
Gostava de ver um pássaro falando com Deus
Quando nasce no coração de um homem livre uma sombra
Num caminhante sem o rumo do vir embora

Tenho frio escorrendo das minhas tontas ilusões
Um novo dia vindo ao encontro dos desencantados
Este som mudo batendo a todas as portas fechadas
Esta merda de vida de almas mal amadas

Conheci um lugar onde as mulheres congeminam o feitiço
Gostava de descobrir a luz dos caminhos descansar sobre a terra
Gostava de apagar as luzes atormentadas
Morrer e ir para o sitio das sortes penadas

Não é grande coisa este poema orvalhado
Foi o que saiu deste poeta da longa e feiticeira noite
Hoje foi miserável dia de alguns já mortos
Hoje voltei a ser o rei das poucas sortes

Haja saúde, as gaivotas rumaram para nenhures
A Lua desprendeu-se do céu
Sei lá quem são as porcarias que dizem ser gente boa
Eu até ando certinho e não á toa

É o que dá beber o amargo das palavras infelizes
Hoje é hoje e espero que fuja o amanhã
Espero que ardam os corações falsos e pardos
Que algum dia este meu sentir não seja sentido vã

E acabemos esta tormenta de letras
Foram algumas dezenas de tretas
E porque já lá vai o dia das petas de assombrar
Saí do rumo...E DE REPENTE O MAR

terça-feira, 7 de abril de 2015

PARA LÁ DA PEQUINÊS...


Sonho que sou um cavaleiro andante
Por Mares e noite escura
Paladino do amor, força anelante
Mas, não tenho Palácio da aventura

Talvez nem seja tão louco como Antero
Ou serei?!
Talvez saiba mais dos caminhos da vida
Talvez também me zangue com Deus de quando em vez

Serei algo ou alguém que não admite o insulto
Esta pedra rolada também tem alma
Serei Deus também porque faço parte Dele
E sei que é assim por ser tão intensa esta chama

Pedi aos Arquétipos me iluminassem o coração
Pedi a S. Miguel, Gabriel e Ariel o sorriso dos Anjos
Pedi ao Universo uma estrela como minha
Pedi em sorte uma boa nova que se avizinha

Deixem lá estar as preces deste poeta rezador
Sabem? Há estúpidos que vomitam o amor
Deixem lá estar este escriba de poesias endrominadas
Sabem?! Há sempre veneno nas bocas das mal amadas

E há Milhafres vestidos de carmesim
Há uma esplêndida manhã que espera por mim
E contudo a descrença é licor amargo e triste
Há uma gloriosa história sem ter fim

Comédia de enganos
Filme a preto e branco, fotograma verdade, fotograma mentira
Nesta fita ninguém morre
Neste mar revolto não há quem te acode

Relógio que perdeu o sentido
Ausente das horas, descompassado sentir
São eternamente sete horas e sete esperas
Alma confusa de tontas quimeras

Foi confuso este poema da treta
Foi escrito em português e não genovês
E porque a loucura ás vezes se serve em boca impura e suja
Num fosso... PARA LÁ DA PEQUINÊS...

quinta-feira, 2 de abril de 2015

O MAR DEBAIXO DOS TEUS OLHOS


Tinhas um coração tão quente
A minha voz foi luz suficiente
Corpo solene da esplêndida paixão
Serei no teu amor o primeiro habitante

A minha palavra parece tão inatingível
Amanhã saberei se a vida ainda me quer
Vou procurar raízes nas pedras de uma oração
Em silêncio principalmente te irei ver

São curtos os poentes do Inverno da ilha
São longos os dias senti, sem ti ficam as sombras
Em certos dias a costa é fronteira intransponível
Já só restam deste tempo de solidão as folhas já mortas

Tenho saudade da minha nua rua
Das casas pintadas a cal para afugentar o mal
Das pessoas de sorriso franco á janela
De sentir que antes de um milagre tive sempre um sinal

Hoje vi um Milhafre poisado numa nuvem
Vi um Anjo ajeitar as asas perto de mim
Vi um barco navegar abraçado a uma baleia
Vi o sorriso de uma irónica Lua cheia

As coisas que um louco vê
Também vi a tranquilidade de uma montanha azul
Um Céu com a Cassiopeia a dançar com a Ursa Maior
Vi também um Homem Pássaro a perguntar pela estrela do sul

As coisas que um Poeta escreve
Descalço a saltitar na lava arrefecida
Sem Ti, sem o teu amor
Sou uma insignificante alma perdida

Este é o tempo dos sonhos coloridos
Estonteante e contaminador é este querer
Desenhei palavras para te dizer baixinho num céu crepuscular
Onde te encontrarei para te provar o amar

Nesta longa e demorada estrada
Fui colhendo esperanças aos molhos
Adormeci numa praia de terna areia
Com o Mar debaixo dos teus olhos...

quinta-feira, 26 de março de 2015

OS ILUMINADOS


Ás vezes tento inventar a vida
No silêncio de um crepúsculo lento
No vazio de um punho cerrado
Ás vezes no absoluto pensamento

Corto o ar a navalha refulgente
Cativo risos de um passado de memória louca
Despedaçando o peito da esperança
As folhas de amargo verde espalhadas na boca

Na memória do meu barco
Pancadas secas, estremecem meu corpo
Uma mulher de boca calada indicando um ninho
Um molho de olhos ardidos perdidos ao destino

Ás vezes encho a vida de água e vento
Queimo o papel das mais secretas memórias
Como brasas que torneiam a carne dorida
Construo casas, desenho histórias

Insano este tempo que me fala de nevoeiros
Ansiosos sentires percorrendo canais lentos do amor
Ás vezes as pessoas vêm até nós para violentarem palavras
Não vale tocar os contornos da vida com gestos de dor

Não vale esmagar o que ontem brotava de um peito
Renunciei á voz da penumbra, ao universo das sombras
Sou como um Milhafre e não morremos de solidão
Sou grão de areia de uma maré brilhante, instante tatuado num chão

Nunca estive preparado para alguns amanheceres
Como arbusto inquieto, como pássaro da cor Primavera
Como música forjada a Sol e arrefecida a sal do Mar
Como silêncio carregando o ruído em santa guerra

Meu Deus, Azna...
Peço orientação divina aos Arquétipos todos os dias
Com o coração queimado correndo na busca de um sonho
Como criança jogando na lama ao meio dia do suor de Outono

De mão assustada desprendo esta tarde sombria
Percorri tanta vez a rua dos mal fadados
E com o vento e a música procurando um porto
Pensei hoje se serei um louco, ou um dos felizes...Iluminados...

quinta-feira, 19 de março de 2015

ÁS VEZES SAIO DE MIM


Hoje ordenei aos Anjos a companhia
Sinto-me tão estranho por estes tempos
Hoje senti uma morna e terna luz descer
Sinto-me caminhar, fecho os olhos para melhor ver

Procuro nesta imensidão
Este Mar, estrelas sem conta, universos
Escrevo palavras, como quem desenha mapas do amor
Escrevo sentires tamanhos...

São tão breves as rosas de Maio
É tão breve a chegada da manhã
É tão breve a chegada longínqua de uma onda
São tão breves as paixões na palavra vã

É eterno ser Pai...!
Hoje é o dia em que sou mais lembrado aos meus meninos
Hoje é o dia em que me arroxa o coração
É assim: sou Pai do Marco, Miguel e João

Foram tempos difíceis, sei
Meu Deus como lutei...!
Foram doridos os passos na vossa direção
Não ousei adormecer, morrer, ao cuidar, proteger, amei

Amo-vos aos três á minha maneira
Talvez não tenha sido o melhor e perfeito Pai
Talvez não tenha sido o melhor Homem do mundo no vosso orgulho
Mas povoei a minha alma de verdade neste gostar mudo

Sabem?
Não brinquei, passei ao lado de ser criança
Sabem?!
Quis uma família, nos três plantei a esperança

Por estes tempos desfaleci, contive lágrimas, mordi saudades
Procurei chamamentos no meu silêncio
Atravessei desertos do meu descontentamento
Nunca me afastei dos tês, nem por um momento

E porque parei aqui junto ao Mar no espanto de um céu azul
Olhei este horizonte que vos indiquei sem ter fim
Hoje é hoje, mais um dia em que vos aconchego á alma
Porque para unir o que Deus me deu... ÁS VEZES SAIO DE MIM...

sexta-feira, 13 de março de 2015

AS MARGENS DO SILÊNCIO


Onde as palavras são mais profundas
Há um coração que pulsa, bate
Preciso construir o dia, um novo dia
Preciso apartar dores deste coração que arde

Preciso devastar a agonia presente
Preciso que a alma não cale o que o coração consente
Este homem já atravessou montanhas, fez um filho
Este homem voa e deixa no mundo tanto presente

Já são vagos os ventos de Outono
Como folhas por escrever jogadas ao silêncio
Serei um fugitivo perdido ao segredo?
O importante é não ter pena nem medo

Hoje não houve pássaros para morder o verde
Será branco a cor do perdão
Esta noite cansada, resistindo ao dia
Esta sorte danada que ao final morria

Então descobrimos que as lágrimas não rasgam horizontes
Que as montanhas não são fáceis de esconder
Que uma ave abre espaços na Primavera
Que ás vezes quero ter, outras não quero ver

E vivemos apertados da alma na paisagem mística dos Milhafres
E vivemos uma saudade tão vazia
Como a caricia serena que nos separa da solidão
E no chamamento ao fugidio amor, atiramos todos os dedos de uma mão

E somos vagabundo esquivo numa esquina da vida
Insultamos os noctívagos pássaros loucos
E com palavras recortadas de bruma
Lançamos rezas ao sal da espuma

Um pássaro risca palavras no céu
Os olhos manietando-se na sombra escura
Um desgosto disfarçado de inquietude e revolta
Uma pedra de basalto negro que no tempo dura

As mãos apeteciam um corpo quente e macio
Este poeta nasceu da maresia das manhãs
Viverei para te amar vidas, um milénio
E plantarei saudades nas... MARGENS DO SILÊNCIO

sexta-feira, 6 de março de 2015

UM PÁSSARO NA MADRUGADA


Uma densa e estranha calmaria invadiu a ilha
Uma rosa breve despontou do verde
Uma cantoria de ave marias inundou-nos a alma
Uma singela saudade ateou-me a chama

Alegria desceu do azul
Já não pranteia este céu de frio Inverno
Há um espaço intermédio entre duas almas
Há nos dias felizes uma promessa do eterno

E há Deus e as divindades
Um mar onde se plantam mil saudades
E há o começo do desenho das memórias
Um lençol branco impregnado de verdades

E há uma menina do Mar
E há mar sempre que acorda a ilha
E há uma melodia em cada silêncio
E há quem diga que nasci com o dom da maravilha

Há também os que me olham de soslaio
Há sempre alguém que nos diz tem cuidado
Há sempre uma espera mesmo no fim da estrada
Há sempre alguém que diz tudo ou quase nada

Tudo isso pensei ao ver uma gaivota poisada em terra
Até pensei ser guerreiro em santa guerra
E porque só tinha espada e escudo de lata
Escrevi na areia a palavra quimera

Grande poeta!
Até metes nojo de tanta rima certa
Não te falta tinta nessa caneta usada e gasta
Deixa lá, há quem já tenha dito, cala-te, basta!

De joelhos se pagam promessas a Cristo
Que olhos, que fé tem esta nossa gente
Quando todas as forças nos faltam
Há um Anjo que nos ampara e diz presente

Serei romeiro em romarias de palavras
Demiurgo de caminhadas inventadas
Rei, mendigo sem castelo ou abrigo
Ou apenas um simples homem que a ternura quer consigo

Que importa, hoje é hoje
O Começo de todos os outros dias
E porque senti-me de alma e fé cansada
Sorri no canto ...UM PÁSSARO NA MADRUGADA...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

OS NOMES NÃO TÊM COR


Se uma estranha alucinação te assombrasse
Se como uma árvore te conquistasse junto ao teu lugar
Se nunca mais anoitecesse no reino das criptomérias
Talvez a luz do dia te inundasse com o amar

Persigo o brilho dos felizes sonhos ao amanhecer
Não é pecado sentir mais para além do amor
E de repente tombaram as paisagens sobre a Lagoa
E em breve instante recolhi do Inverno uma singela flor

Dei pequenos passos no sentido da Lua
Perdi-me nas fronteiras do teu divino corpo
Só tu e eu enlaçados em viagem perpétua
Este poeta do clube dos poetas mortos, fingindo-se morto

Pois, o poeta é um fingidor...
Suas palavras são papagaio de papel de seda a planar
No seu peito mora a lucidez dos espelhos
Em sua alma mora a espuma inquieta do Mar

Vem, ou deixa-me morrer com a tua lembrança
Deixa-me ser gaivota em manhã cinzenta de neblinas
Mas diz-me coisas sobre as tuas tardes de saudade
Diz-me sem dizer onde mora a tua verdade

Imagina-me no centro dos teus sonhos felizes
E se fosse-mos apenas aves sobrevoando todos os horizontes
Vem e sorri no canto possível do reencontro
Vem, como se partisses para sempre e me esquecesses nas tempestades

Veste este céu no teu corpo de fêmea
Sara teu corpo ferido por um amor com sede de infinito
Abre as janelas que fechaste um dia no desencontro
Deixa-te cair nua nas asas do vento e solta este abafado grito

Murmurante noite no encontro das madrugadas
Escuto nos teus cabelos as ondas do Mar
Como não consegui convencer nossos corpos a estarem eternamente abraçados
Sim, é possível escutar as ondas a passar

Há um lugar onde é possível construir uma casa
Habitar o tempo e cultivar o amor
Há um lugar onde se semeiam verdades e se acalmam tempestades
Onde só existe harmonia e...OS NOMES NÃO TÊM COR...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

QUEBRARAM-ME O CORAÇÃO


No êxodo de um tempo escrevo
Num instante corre a vida em fio invisível
Cruzei todos os caminhos de solidão
Em frágeis tremores bate ainda meu coração

Em espanto contemplei a água retornando ao céu
Regressei de um tempo onde repousam as memórias
Tombam no orvalho frágeis sonhos
Serei herói ou vilão de sete histórias?!

Paladino do amor
Força de um Mar por descobrir
Os pássaros partem sempre ao fim da tarde
Uma alma que parte, leva o mundo a sorrir

Pergunto pelas Primaveras adormecidas
Pelos pregões nas madrugadas em flor
Pergunto por um Deus amigo
Pergunto se sigo o rumo ou estou perdido

São negros os húmidos olhos da triste memória
São de dor os sentimentos que a maldade gerou
São frias certas criaturas que Deus plantou no Mundo
Há gente que se cruzou com o amor e nunca amou

Semeei com o olhar ilusões
Naveguei por tempestades e contradições
E no rumor do mar me perdi e me encontrei
Fiz amor no sonho e escrevi na areia: “amei”

As rosas crescem embaladas pela brisa
Murmuram canções num imaculado nevoeiro
Há lugares que emanam sortes e orações
Há lugares onde moram infindáveis contradições

Dos trincos da memória recolhi lembranças felizes
Levitei sobre os verdes desta ilha
Tentei agarrar um arco íris fugidio
Atropelei um anjo que do céu descia

Perguntei-lhe se no celeste o amor era verdadeiro
Respondeu-me que sim, era a sua opinião
Disse-lhe que aqui nesta Terra dura e fria
Mil vezes...Quebraram-me o Coração...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

ESTE MEU CORPO


Recolhi do Mar o teu corpo de Sol
Recolhi da Sombra o teu escondido amar
Recolhi dos teus lábios a doçura das uvas
Recolhi o teu abraço na partida do chegar

Este transbordante cálice no meu coração
Esta carne que planto no teu corpo de fêmea
Estas palavras tingidas de vibrante carmesim
Esta vendaval de saudade que há em mim

“Quando morrer, não chorem por mim”
Não haverá vazio pois plantei poesia
Quando morrer, devolvam o meu corpo ao Mar
Não digam rezas por um ser que se desencontrou do amar

Os sonhos e as mãos estenderam-se sobre a mesa
Onde havia pão floresceu a ilusão
Onde haviam facas, apareceu a oração
Onde havia vinho, derramou-se a paixão...

...Onde havia amor nasceu o monstro da contradição
Ora! Não devo amar as flores nem acariciar a melancolia
Neste fogo medonho, sussurra um chamamento
Nesta rua deserta das cores só oiço o lamento

Não me deixarei vencer pelas madrugadas sem luz
Não me irei perder nas cinzas da tarde
Não me lembro das cores da escuridão da alma
Não sinto a chama do teu coração que arde

Só o vazio ocupa o lugar de uma mulher amada
Só pede misericórdia ou consolo o pecador
Só ardem de gozo os homens minúsculos
Só quem é amor, sabe o que é o amor

Pescador de tempestades
Este homem bom correndo de olhos vendados
Este Anjo de asas de papel amarrotado
Este sonhador do vale dos condenados

Viram isto?!
O poeta escreve que mete medo, distraído ou absorto
Não chorem por ele quando morrer
Sorriam quando a terra beijar...Este Meu Corpo...