quarta-feira, 29 de julho de 2015

CARTA


Escrevo-te esta carta como quem me vê chegar
Pareço uma ave quando ainda é primavera
Há poemas que crescem sozinhos
Compreendi que é preciso sorrir, correr outros caminhos

Há coisas de outrora vivas sem nome
Se viesses por aqui partindo não importa donde
Vou esperar-te a qualquer hora em qualquer estação
Há milhares de sentimentos vivos neste pobre coração

Queres comungar comigo a calmaria do Mar?
Guardar com os olhos o azul do celeste
Amansar num abraço a fúria do vento
Amar com amor um sublime momento?

Recordo as fontes onde já bebi
Há tantos países por conquistar
Poemas, tantos por escrever
Eu apenas te quero sentir, ver...

E apenas vou renascendo devagar
Tocando os poros da terra rubra
Sabes, não há muito mais porque morrer
Sigo os teus passos na areia a tua delicada sombra

Conheço os caminhos brilhantes da alegria
Já percorri as ruas imaginárias da memória
Já fui barco à deriva em mar bravio
Já venci a irreverência das águas de um rio

Vou decompor a solidão
Subir uma colina desatenta da ilha contigo
Vou voar nos olhos de um milhafre
Quero ser amante, amor, amigo

Serei o ultimo habitante da tristeza
Corpo solene de paixão por decidir
Serei golfinho, baleia no canal
Na viagem vou enganar o partir

Vou sorrir como as aves numa alegria adormecia
Ancorar o meu barco numa baia azul e farta
E como sei que não me irás ler
Decidi, escrever uma...Carta...

sexta-feira, 24 de julho de 2015

COM O SORRISO DA LUA


Recebo-te por causa do amor
Pela candura do teu respirar
Recebo-te no pressentir da tua boca
Por ter encontrado um chegar

Fiz desenhos com sementes em ceara azul
Remendei minhas vestes de linho da pobreza
Vou colher um ramo beijado pelas aves
Vou olhar teus olhos de paixão certeza

Vou partir à procura do chão sonhado
Vou plantar no teu peito um filho de alegria
Vou derramar um pouco do teu infinito pelo Mar
Vou beber pelo vinho do teu seio no aconchegar

Pois, o poeta até sabe escrever amor
Será!? O pateta saberá desenhar um coração?
E mesmo que nem um amigo ou voz pousarem
Acreditem, “tenho um abraço do tamanho da emoção”

Já abri os olhos com as ramelas sorrindo
Já vi mulheres transparentes vestidas de vento
Já bebi vinho e cantei alegrias
E já disse amo em atrapalhado momento

Não me falem do tempo
“Só sei que enquanto amar não morro”
Eu sou uma ilha pequena perdida nas penas de uma gaivota
Sou assim: Espuma do Mar, água e fogo

Mas sei quem és
Há muito que te perdi dentro de mim
Encontrei um Anjo com olhar impossível
No país onde as minhas mãos cresceram e o dia não tem fim

Rainha por um dia
Fonte da minha saciação longe da minha sede
Desmontei meu choro, rasguei o guião de uma peça
Benzi-me e criei este poema e pintei-o numa rua da minha inventada cidade

Não me perguntem porque amo as gaivotas
Porque conto os passos da minha rua
Este poema é para ti
COM O SORRISO DA LUA...

quinta-feira, 23 de julho de 2015

E A SOLIDÃO


Estive comigo em Paris quando morri
Quando atirei docemente um papagaio de papel-de-seda
Estive comigo quando morri
À porta da razão que o perverso fez mentira

Já dormi no cais dos vagabundos coberto de pesadelos
Acordei com as gaivotas gritando o meu nome
Olhei-me na lucidez de um espelho de água
E lavei com sal uma profunda mágoa

Lembro os dias felizes em que fui alguma coisa mais
Por isso vida:
Abre-me as janelas que me fechaste um dia
Vem, cobre-me de névoa e hortênsias sem nostalgia

Uma vez amei um anjo
Escutei nos seus cabelos as ondas
Do Mar ouvi os aplausos de um golfinho
Do alto de uma árvore o canto alegre de um pássaro preso ao ninho

Uma vez amei uma pessoa
Mas sabem, amar nem sempre é coisa boa
Uma vez abri a alma de par em par
Mas sabem, nem sempre as pessoas entendem o amar

Gostava de habitar o reino dos silêncios
Já tive vontade de ficar eternamente abraçado
Gostava de construir uma casa, habitar o tempo e sorrir
Gostava de afogar este pranto, este fado

Pranteei as minhas canções nas madrugadas
Sim é possível escutar as ondas de um coração triste
Sim é possível começar tudo e partir
Às vezes sorrio por saber que o amor nos outros não existe

Deixem lá estar o poeta
Cuspi letras nesta tempestade louca
Deixem lá estar, tenho dores apenas
Que importa, isso é tão coisa pouca

Vagueei na noite pela ilha na procura de nada
Tive mais uma luta feroz com este estranho coração
Vi e falei com todos os anjos que encontrei
Eu...E A Solidão...

terça-feira, 14 de julho de 2015

ADEUS


Escrever um poema é como amar
Esta ilha, rapariga de verde madura
E fico aqui cuidando do azul do Mar
Fico no tempo que me prende a esta pedra fria e dura

Nasci e trouxe as cores
Com elas pintei caminhos de solidão
Nasci na calmaria de abril
Trouxe comigo a palavra, o verbo, contradições mil

Viajei num barco que navegou para longe da minha presença
Fiz uma paragem no país das flores eternas
Descansei num lugar de nome saudade
Imaginei um sitio para construir a minha inventada cidade

Sabem lá vocês o que trago dentro de mim!
Amaldiçoei muitas vezes as horas e os sonhos
Morri na procura dos poentes
Sobrevivi 7 vezes quando me lançaram amargos venenos

Sete vidas, sete paixões
Sete sortes, orações
Sete tempestades e uma contradição
E Tu, sim Tu! Para sempre presa ao meu coração

Poemas, pedras, álcool para a fogar
Um olho aberto, boca amputada
Abraços cavados na água escura
Uma procissão de gente vestida de alma dura

Pelas tardes da memória
Escutei os gemidos do sonho por encontrar
Cá por mim, o Mundo é uma moeda de lata
Cá por mim acho que o amor nem sempre é amar

Cá por mim ficava o resto da vida à tua espera
Nem que fosse sentado num ninho de pardal
Deixava que as estações me trocassem as voltas
E pintava um barco sem vela perdido no canal

Como já deu para ver, endoidei!
Tudo isto porque apanhei Sol a mais na moleira
E porque confundi virtudes e pecados meus
O melhor é acabar já este poema e dizer à pena...Adeus...

sexta-feira, 10 de julho de 2015

LEVIATÃ


Às vezes perco a razão
Espanto as madrugadas
Só a terra parece aperceber-se
Que sou mais uma das almas penadas

Por favor! Por favor...
Ponham-se de pé
Aplaudam o poeta pateta
Por ser o tonto que é

Vai roto, meio nu
Com a alma pregada a água benta
Levo chapéu de vento fraco
Um saco vazio, com Deus um contrato

Comprei três maçãs
Uma mordi sem engano
Outra tinha escrito traição
A ultima quase me parou o coração

Deixem lá o poeta armado em Adão
O mesmo que pintou o nariz de giz
Não teria graça um mundo sem loucos
Eu cá por mim lá vou endoidando aos poucos

O que seria o Mundo sem Mar
Sem o imenso das coisas que vi
O que faria se não mais te pudesse sentir
Sem um caminho que me levasse a ti

Choveram castigos sobre a minha cabeça
Faltou-me a piedade e devoção
Perdi lágrimas na escuridão da incerteza
Já segurei a ternura à palma da mão

Que esperança ainda visto?
Abandonei o Deus das igrejas
Na ilha as hortênsias usam vestidos azuis
Glorifiquei o amor e acabei sempre na companhia da dor

Deixem para lá!
Lá vou eu enfeitando os sonhos
Lá vou trocando ilusões e versos
E carregando esta bruma nos ombros

Deixem lá estar
Vou vestir-me de linho e pobreza amanhã
Para ouvir a palavra amor na tua voz
Nem que seja no meio de um... LEVIATÃ...

terça-feira, 7 de julho de 2015

LAGOA PURPURA


Era o nosso murmúrio das hortênsias
Numa barca navego nos olhos da vida
Na obscuridade de um gemido sou ilha perdida
Na consciência do amanhecer abro os olhos para não ver

Perscruto a voz calada
Amarro as mãos ao desentendimento
Não há nenhum barco pronto para partir
Neste silencio que envolve as paredes, neste cais de medos

É manhã de solidão
Sem sol na alma, sem paixão
Acendo uma candeia à oração
Transborda um cálice parado em meu coração

Não tenho rosto
Este corpo perdeu a voz
Esta ilha abafa a sombra que me ensombra
Entre mim e a saudade há apenas maldade

Nestas pedras onde moram séculos
Este mar sempre girando à volta
Este limite das montanhas separadas do céu
Tenho as mãos cansadas de saudade pelo fechar de uma porta

Conto todas as manhãs o despertar dos pássaros
À minha volta a luz foi sempre insuficiente
E no entanto esta alma persiste na alegria
Por consentir a tristeza vencida serei da terra o primeiro habitante

Nunca medi a longitude da distância
Nunca acreditei no querer sem esperança
Acredito numa mulher imensa dentro de um homem
Esqueço tudo na palavra de Deus...Amém

Todos os dias há um louco que me sorri
Nasci e fui agasalhado pelo vento
Chorei e fui abraçado pela chuva
Amei e num soluço só recordo um momento

Hoje não era dia para abraçar a poesia
Não dormi, vagueei pela ilha numa noite fria e dura
Dei por mim sem saber onde estava no meio da água
Estranhamente mergulhado numa...LAGOA PURPURA...

sexta-feira, 3 de julho de 2015

HOJE, AQUI, ESTA NOITE


Conto os sorrisos de uma alegria adormecida
Sentirei o mar por entre os dedos
Este alento animado pelo teu olhar
Pela emoção disposto, no caminho do teu amar

É tão simples esmagar dias de receios
Longas noites de luar, dias de inquieta oração
Estou cansado da minha ausência
Quero dizer-te tanto, palavras ao teu coração

Esta minha insuportável sede do meu regresso
Vieram de mim as músicas pensadas em ti
Há uma candeia anunciando a minha ternura
Há uma palavra por te dizer que minha alma segura

Este tempo em que não sei dizer por palavras o que sinto
Este tempo em que escuto apenas sorrisos
Este tempo em que quero voar, rezar, amar
Este tempo em que numa lágrima te quis abraçar

Na frieza dos homens benzo-me e crio um poema
Não me perguntem porque ainda consigo amar
Passei a pensar em ti, habitas no meu lado esquerdo do sentir
Quero verte, querer-te, não mais sentir o partir

Quero esquecer o absurdo das coisas
Quero ver crescer as tardes
Quero construir um castelo para defender o amor
Erguer sonhos, construir cidades

Dar os braços à luz do dia
Dormirei no carinho sereno constante
Quero beijar uma folha de papel branco
Com a frase singela: amo-te

Vou plantar em águas mansas flores singelas
Vou deixar de compor a solidão
Vou gritar e rasgar a garganta
Dizer: Deixem voar este imenso coração!

Pensei em ti, escrever-te
Pensar e querer-te é vontade constante
Sentei-me e a poesia tomou forma
HOJE, AQUI, ESTA NOITE

quarta-feira, 1 de julho de 2015

ESCOLHAM UM SONHO, UM QUALQUER


Esqueçam os nomes das coisas
Oiçam o murmúrio surdo das árvores
Esqueçam a sorte no mar brincando
Na consciência do amanhecer das aves

E cresço como quem devora as coisas
Esta criança nunca soube conter o sorrir
Já vasculhei a sombra da dor no amor
Já plantei saudades e vi a ternura eclodir

Gosto do sabor dos lençóis lavados
Do aroma da claridade da Lua
Gosto de pensar que consigo um dia voar
De ter a certeza do teu amar

E digo verdades mentido
Digo e recolho a palavra amarga
Tinjo de som palavras que não sei dizer
Semeio sentires, brotam plantas de olhos sem ver

Às vezes é quente o silêncio
Corpo sem voz e rosto
Pensamentos correndo descalços
Na lembrança dos teus abraços

Cobres-me com olhares vacilantes
Deitado em mim sonhei com o vale de todos os medos
Às vezes sou pássaro e vejo a terra passar velozmente
Na oração partilho com a Deusa Mãe mil segredos

E como se uma pedra nascesse aos meus olhos
Como se me perdesse num longo sonho
Como se fosse mendigo entre as margens de um destino sem presentes
Como se herói fosse agarrando um punhado de continentes

Pois mesmo assim
Dormirei com um bando de anjos transparentes
E farei a magia que meu coração aprouver
E se quiseram habitar nele...ESCOLHAM UM SONHO, UM QUALQUER

sexta-feira, 26 de junho de 2015

O POENTE AROMA DESTES DIAS


Este vento norte que me causa emoção
Esta imensa sede por sentir a vida
Este deslumbramento pelas cores da música
Esta fé no milagre, numa paixão contida

Como um barco brilhante voei sobre incertos rumos
Cheguei à porta da madrugada
Encontrei-te, trazias os olhos tão quentes
De verdades, esperança de ser amada

Não te adivinhara...
Não pressenti as coisas maiores que a vida me deu
E de repente, num instante tudo acontece
E de repente tudo acontece, aconteceu

Tocaste-me com um sorriso o meu olhar cansado
Caminho todos os dias na ilha, sobre lava arrefecida
Pinto e não sei falar sobre a cor do Mar
Escrevo como náufrago em ilha perdida

Às vezes dou por mim a contar as ondas
Este é o tempo do descanso das gaivotas
Há um silêncio de paixão neste Sol do mês de junho
Há um aroma de pão no fechar de sete portas

Partilho a sorte com a tristeza
Talvez seja um traficante da felicidade
Um pensador de alegres utopias
Não! Apenas alguém que inventou uma insólita cidade

Alguém que chegou como as gaivotas rente às ondas
“Um tonto de meio sorriso com uma flor na mão”
Um contador de conchas adormecidas no areal
Um pintor de letras enfeitiçado pela paixão...

Do sublime que é o viver
Sem medo de voar, sem contar o espaço do morrer
De tempos felizes, de sol, vida e Mar
Senti este Mundo numa manhã ao aqui chegar

E chorei por saber das escolhas que fiz para esta vida
Tenho caminhado, amado, voado, rezado nas tristezas e alegrias
E abençoo este sortilégio de viver
NO POENTE AROMA DESTES DIAS...

segunda-feira, 22 de junho de 2015

CRUZAMOS OLHARES



Vi passar um Anjo ao meio dia
Olhos inquietos perscrutando a voz calada
Vi passar um punhado de amor esperando o despertar
Este herói sem espada desconhece o fim da batalha

Por ti...
Escrevo estas palavras com insistência, todas
Este alento animado de outras tentativas anteriores
Acenando ao desprender de todas as dúvidas

“Estás comigo dentro de mim”
Deixem-me aqui na serenidade da espera
Fecho os olhos e sinto o azul do mar
Abro a alma e acordo no teu amar

Esta terra respira o teu nome
Não o vou soletrar, apetecia-me!
Vou apenas dizer, que me lembra flores de sol e sorrisos
Mas não o apaguei, é um afago...uma saudade

E tudo começou com um poema
E a oferta em ternura no cair da noite
Um abraço, outro e fizemos amor
E dei por mim esfaqueado pela estupidez, em dor

Como um barco que vence rotas novas
Aporto com um saco tiritante de beijos
Há movimentos insuspeitos dentro de mim
Este coração bate e afasta um frio fim

Como homem revolvendo a terra rubra
Vou tributando a tua magnifica existência
Tu sabes para quem escrevo
Tu sabes quem eu quero e desejo!

Tu, apenas tu, sem enganos
É no estio que a minha alma solta a palavra
Entre os lábios e o beijo uma mão interrompendo
Uma noite, uma lágrima, um terrível momento

Uma noite em que cruzamos a ilha
Parei numa jura no local onde apareceu o corpo do meu Pai
Parei na imensidão das horas de luz propositada
E lutei com todos os fantasmas, sem poder fazer mais nada

Tenho no peito o tamanho de uma prisão
Tenho da vida mil pesares
Este foi um poema que me apeteceu escrever
Apenas porque vi um Anjo e...CRUZAMOS OLHARES

sexta-feira, 19 de junho de 2015

PROPOSTA DE AMOR


Nesta alma há o esplendor dos poentes
Há um universo de palavras simples por dizer
Há um espaço imenso que se separou da dor
Há uma campo de hortênsias sussurrando o amor

Neste momento...
Algo exulta a importância da tua existência
Não há lugar para a reinvenção das sombras
Só aguardo pelo nascer da manhã inevitável da tua presença

E vou falando comigo mesmo como fazem os loucos
Enquanto ao meu redor sinto anjos escutantes
E convenço-me de que tudo é possível
E sinto uma força imensa, invisível

Lá fora há agasalhos de luz
O afago da maresia às pedras
Nunca adormeço sem a esperança do amanhecer
Misturando-se com as cinzas da tarde, as mãos, as palavras

Um livro antigo de culpas devorado pelo fogo
Este desejo surdo de poeta vagabundo
Bifurcando o coração deste mal amado
Nas mãos pesadas do desentendimento, perdi-me neste mundo

Uma estátua cansada baixa a cabeça
No aconchego de uma casa vazia uma reza, o terço
É tão simples esmagar esses dias de frias recordações
É tão urgente não atropelar o começo

Que não amanheça o pesadelo
Num murmúrio quero destruir quem compõe a solidão
Quero o espaço com estas mãos, contornando a lembrança do teu rosto
É preciso sorrir para mostrar que estamos vivos ou chorar no sol posto?

Não há rocha que resista á violência da raiva
Só há mar porque acreditamos
Quero erigir um lugar para celebrar a concórdia
Quero pensar numa palavra ou em Deus, num novo dia

E quero o ódio na longitude da distância
Que a Deusa Mãe me dê um sinal, uma flor
Este poema foi escrito sem papel e pena
E não tem nada a ver com uma...PROPOSTA DE AMOR...

segunda-feira, 15 de junho de 2015

LEMBRANÇA COBERTA DE MANHÃS


Há um lago de fogo
Onde as mulheres congeminam feitiços de amor
Embriagadas pela música do vento
Onde para a vida, se confunde a razão e o tempo

Viajo pelas maresias do verde da ilha
Continuo contigo na chama que brilha devagar
“Inventando-te sou feliz, porque te sinto em paixão esplêndida”
Nas ramagens absurdas das sombras sinto o teu chegar

Insano é este tempo que me fala da descrença
De ventos ansiosos percorrendo a lembrança do amor
Este lembrar da loucura a cada segundo
Estes pés agrilhoados ao chão dum frio Mundo

É Verão e ainda sinto o Inverno da ilha
Abandonei a viagem e aprendi a conviver com a solidão
Perdido dentro de mim um sentido
Esta minha insuportável sede de presa paixão

Este homem órfão de um destino certo
Trago em minhas mãos o amargo sabor da cor
Agora reparo, estou cansado da ausência de mim
“Tenho um choro que se propaga por dentro, sem fim”

Cresço no sentir como as manhãs caminhando no dia
Levem-me numa correria louca pelo Mar com se fosse a ultima vez
Não me perguntem porque não desisto de amar
Deixem-me sentir o aroma do teu chegar

Com a boca fechada de sorrisos
Este amanhã do renascer da carne
Com a noite plasmada de sonhos turvos
Com a alma presa, como pássaro com fome

Num altar imaculado plantei uma jura
Num poço de silêncio larguei moedas de tostão
Num gesto ao céu convoquei Guias e Arcanos
Num virar do tempo estendi ao sonho a mão


Abandonarei um ninho sem maçãs maduras e sonhos
Cobrirei com a noite todas as palavras vãs
Tudo isto escrevi neste poema
NUMA LEMBRANÇA COBERTA DE MANHÃS

quarta-feira, 10 de junho de 2015

OS PÁSSAROS QUE HABITAM A NOITE


O dia há de nascer
Entre os lábios e o beijo
Na construção de mais um silêncio
Sonhei com o recorte da tua boca, desejo

Rasguei o azul propositado
Lancei promessas á calmaria de uma lagoa
Moldemos montanhas fora do alcance dos fantasmas
Lavamos a alma e ungimos o corpo para ser pessoa

Com o corpo esparso e olhos quebrados
“Lembro uma noite vagueando na Ilha”
Sou presente no meu próprio presente
Voz mansa de ribeiro subindo, cantante, contente

Conheço os caminhos luminosos da alegria
Dentro deste corpo passeia-se a bondade
Também uma apaixonante paixão sem limite
E com o silêncio preso ao céu da boca aprisiono a tua verdade

Ás vezes navego pelos oceanos do pensamento e
Sou um barco
Ás vezes sonho que reparei todas as duvidas do Mundo e
Sou apenas um grito perdido

Este copo vazio que embebeda o louco
Este corpo nu que acolhe o orvalho
Este sorriso fugido á tristeza
Esta incerta certeza

Esta desatenta ilha que há em mim
As minhas palavras foram luz insuficiente
Este habitante da cidade inventada
Percorre o amor em pranto na procura do nada

Assim vou construindo o movimento de cada vaga
Acenando aos Anjos magníficos pendurados nas nuvens
Bebendo um mar revolto, amainando tempestades
Desenhando a traço forte o contorno de sete verdades

Vou oferecer-te esta tela
Procura-te bem dentro dela
É tão fácil esmagar alegrias
É tão difícil vestir um manto feito de nostalgias

Que poema este! Credo em cruz!
Escrevi uma confusa ode de palavras de paixão e verdade
Dei comigo a pensar coisas que ninguém pensa
Como...OS PÁSSAROS QUE HABITAM A NOITE...

quarta-feira, 3 de junho de 2015

A POESIA INFINITA DO BEIJO


Sentir um abraço, como instante de água fresca
O inadiável gesto do beijo
Até violo qualquer reprimido pensamento
Porque morrer por amar é doce momento

Esta poesia vestida em maravilhoso manto de fala
A qualquer hora estarás vivendo num coração que bate sem fim
Nos olhos de uma criança nascem castelos no céu
Dormi calmamente com o sorriso dos Anjos em mim

Trago um nome tatuado na alma
Estou cansado na demora da vida
Amanso esta fúria no vale da espera
Forjei uma espada dourada para prender a quimera

Já entreguei á sorte o amor em olhos escuros
Enquanto esperava o encontro com a distância
Enquanto os pássaros cantam para a ilha sorrir
Vou navegando numa baia onde não existe o partir

Silenciosamente voa este pensamento sem rosto
É madrugada e a chuva cai dentro de mim
Dizem-me as mulheres que desconheço
Que um puro beijo, para o tempo, não tem distancia nem fim

Beijamos sorrisos
Tocamos bocas como quem constrói estrelas
Beijamos olhares de ternura
E enchemos a alma com os sois da luz mais pura

Esta minha insuportável sede do teu regresso
Vieram de mim longos dias de solidão
Porque me perdi...?!
Porque deixei a semente da duvida em ti...

Os homens não morrem no País que inventei
O amor é real na minha cidade inventada
É permitido trocar a saudade por desejo
Na... POESIA INFINITA DO BEIJO...

sexta-feira, 29 de maio de 2015

AS LUZES DO ENTRISTECER


Não me perguntem porque amo o silêncio
Não me perguntem porque habitas na minha ternura
Apenas porque sou uma ilha perdida numa concha
Enquanto meu corpo se perde no cheiro da maresia

Trago comigo as dores que viram as minhas mãos crescerem
Ás vezes penso ser estrangeiro perdido no meu corpo
Peço aos deuses que sejam, candeia iluminando as minhas preces
Ás vezes navego num mar sem sal, já morto

Porque me perdi num regaço antigo de ilusão?
Algures sorrio no meio do meu cansaço
“Há sempre em mim um choro que se ouve quando fecho os olhos”
Quando amo uma flor, a mulher, na saudade estremeço

Se vocês soubessem o que habita na minha ternura!?
Aí veriam quando um homem ganha importância
Se vocês soubessem como sei amar com amor?!
Aí veriam que não há longes nem distâncias

Meu Deus, por estes dias falamos tanto
Imperturbável, deixas que siga o meu destino
Ninguém saberá que sou pássaro, morro e o meu corpo é terra
Talvez uma perdida pedra em esquecido caminho

Nunca consegui partir a verdade em duas
Nunca aprisionei a luz de uma estrela
Nunca consegui fundir a razão com a ilusão
Nunca deixei de sorrir ao ódio com este pobre coração

Murmuro palavras vagarosas, compondo a solidão
Gostava de ser a luz de um cego, a música de um surdo
Gostava de oferecer todas a minhas palavras
A um coração que nasceu mudo

O curioso é esta minha alma persistente de alegria
Este alento animado por um desconhecido Universo
E aceno distraído ao desprender dos anjos amigos
E construo a palavra no movimento de cada vaga, em verso

Não gosto da cor do Mar sem o sorriso do céu
Onde cabe um poema para te sentir e ver?
Talvez nas planícies eternas da saudade
Numa réstea de... LUZES DO ENTRISTECER

sexta-feira, 22 de maio de 2015

PALAVRAS CORREM MUDAS


Podias ser apenas uma pintura
Podias ser apenas uma concha perdida na areia
Podias ser um fugaz olhar que se esvai
Apenas uma imagem nas águas da Lagoa em noite de Lua cheia

Podias...
Ser orvalho vestindo os frutos na manhã
Uma gaivota poisada entre o Mar e a terra
A brancura dos sentires varrendo a saudade em santa guerra

Contemplei na manhã Anjos de água
Sentados sorridentes num arco- íris
Acenaram-me na essência que deslumbra
Dei por mim perdido entre a paixão e a sombra

Ás vezes o sonho é mais do que a palavra
A existência de Ti é inquietação matinal
Infindáveis agitações percorrem este peito
Em fragores de azul descortino o teu rosto inquieto

Não posso tocar-te a mão
Cheguei tarde ao sitio onde repousam as andorinhas
Com o Luar preso aos teus olhos fica cego o amor
Por isso bebo a saudade fria de uma pálida flor

Cintilante espuma!
Apetece subir por aí em ondas de alegria
Ao som dos passos da irrealidade sem bater em portas
E dizer: quando há amor, há mesmo amor, confia

Escutei no teu cabelo todas as ondas de um Oceano
Vi peixes beijando-se em camas de espuma
Em espelhos de água refletidos todos os momentos de paixão
E um golfinho entregando-me o teu coração

Triste ilusão...!
Apetece-me pedir-te vem!
Trás o perfume das outras eras
E liberta-me das mil esperas

Lembra-me os Outonos e Invernos a saber a pão
E, sorri no silêncio possível do reencontro das madrugadas
Mas vem, anjo das transparências nas asas do vento
E assim as...PALAVRAS CORREM MUDAS...

sexta-feira, 15 de maio de 2015

QUANDO NOS SEPARAMOS DO DIVINO


Falam-me de um tempo, choro
Lembro-me que afinal estou só
Percorrendo um caminho infinito, árido
Rodando como atafona em pedra mó

Ás vezes prendo os olhos aos bolsos
Contando tostões de sonhos ao desbarato
E mijo-me a rir das histórias felizes
Não tenho cinturão com balas nem com a vida contrato

Mordo com os dentes uma maçã já murcha
Vou-me entesando com uma raiva deliciosa
E louco de excitação faço cocegas ao pensamento
Ao ouvir uma frase de senhora extremosa

Mas espera aí!
Para onde viaja hoje este poeta?!
Estava apenas a divagar no lado mais escuro da Lua
Por momentos perdi-me numa rua fria e nua

Mas, faça-se luz “fia lux”
“Eu apenas não morro na dor sem encontrar o amor”
Enquanto não encontrar a minha cidade inventada
Enquanto não despir esta capa de gente mal amada

E aguardarei as aves da Primavera
Aqui numa corisca e bela Ilha
Falhei adoração ao Senhor
“E parei por momentos no coração o bater do amor”

Meu Deus, quem sou?
Um barco de madeira, carcomido, amaldiçoado?
Viajando com calados sonhos
Submersos num lago profundo?

Não! Serei apenas um caçador de pérolas
Fugindo a sereias e ninfas silenciosas, perdidas no tempo
Plantando palmeiras na areia
Soltando aves no céu na maré cheia

Cheguei tão devagar a esta terra verde
Após longos sóis abraçado a um destino
É assim ás vezes na vida
Quando por momentos NOS SEPARAMOS DO DIVINO...

sexta-feira, 8 de maio de 2015

ENCONTRO COM O DESTINO


Não tenho muito lugar em ti
Ai se visse nascer das hortênsias rosas novas
Se te sentisse na pele deslizante de uma rapariga madura
Se me ardesse o coração como casa de palha e verdura

Ofereço-te um prato tiritante de beijos
Um molho de abraços inquietos
Um lugar na minha palavra por dizer
Um altar de espuma do Mar para te poder ver

Escrever o poema é soltar o grito
É dormir com anjos transparentes
É sonhar novos horizontes azuis
É encher-te a alma de presentes

Uma ilha aparecida no Mar é pequena flor oceânica
Este pensamento de barro cru por pintar
“ Uma mulher imensa dentro de um homem nunca se apaga”
Digo-te como se fosse uma criança sem revolta, o amor é apenas amar

É no estio que o coração solta a palavra
Parei na imensidão das horas possíveis
Há uma felicidade irreconhecível sem morada
Há corações sem janelas, com a porta fechada

Lavrei compreensão na imensidão do egoísmo
Erigi um lugar para elevar a concórdia
Sei o significado do querer partir
Pintarei montanhas fora do alcance para te fazer sentir

Na minha peregrinação através do tempo
Partindo não importando donde
Semeei palavras puras de transparência e brandura
Fui rico na pobreza e pobre na fartura

Enterrados na terra do esquecimento
Estarão as recordações da tua incompreensão
São grãos de poeira perdidos da alma
São vida que se extinguiu da chama

É tão mau sermos sempre os mesmos
Não há nada que mereça a noite, nem o querer pequenino
Não se pode vomitar um vazio indescritível
No...Encontro Com o Destino...

sexta-feira, 1 de maio de 2015

CORRENTES DE UMA PAIXÃO


Este dia acordou feio e sombrio
Como um tostão de gente, correu frio e húmido
Este vento é grave e sabe a descontentamento
A água afoga a terra, esta bruma parada num momento

Gostava de ir ter contigo num País encantado
Sem casas, nem lagos, com flores e dizer, meu amor
Ás vezes corro nu, agasalhado pelo sonho
Gostava de viver na aurora da paz, sem rancor, sem dor

Estas palavras beijando o papel branco
Há sempre luz para o inicio dos gestos
Liberta-mos sonhos e comemos distâncias
Dá-mos braços á ternura e aprisionamos as ansias

Sou como uma criança de mãos vivas cheirando a vida
Deixem-me aqui cuidando com os olhos da irreverência dos pássaros
Deixem-me aqui envolto neste grito de saudade e nostalgia
Que seja a ultima vez que abro esta boca amputada no adeus do dia

Os sonhos não têm cor
Os homens não têm asas
As auroras escondem as estrelas
As mulheres não sabem amar, só são amadas...

Sobem-me abismos á alma
Nesta floresta de palavras cravo um punhal
Ontem por ontem na angustia pedi que me abandonasse o mal
Dos céus desceu um terrível e duro sinal

Pintei uma mulher fresca para servir a noite e toldar o sonho
A tela saiu uma desgraça de paranoicas cores
Uma rosa, uma mão no peito com um cravo cravado
É assim uma comédia de desenganos de falsos amores

Não encontro um lugar na palavra para o confiar
Neste poema duro e rude calei o coração
Fiz-me ao Mar neste denso e húmido nevoeiro
E lancei a âncora nas...CORRENTES DE UMA PAIXÃO...

quarta-feira, 22 de abril de 2015

O CÉU ESTÁ CHEIO DE ANJOS


Ocultamos as alegrias na memória do que já fomos
Suavemente na sombra obscura, breve e pura
Caminhamos por dentro na viagem do improvável
E acordamos todos os dias no amanhã devagar com o cheiro da loucura

Falamos atormentadas palavras
Para além do alcance de todos os horizontes
E somos pequenos no silêncio absoluto
Bifurcando a alma na procura de sete fontes

Serei pois guerreiro vencido pela utopia
Desmontando a misteriosofia da noite sombria
É tão difícil acordar num vazio tão profundo
Na paisagem mítica dos milhafres aprisionada á maresia

Uma caricia serena de amor separa-nos da solidão
Pobre poeta sem o conhecimento da espera
Com um sorriso disfarçado de inquietude ou revolta
Pobre rimador que te perdeste nos labirintos da paixão em santa guerra

Pobre homem, criminoso apenas por amar
Com a vontade inexplicável de no perdão abraçar
Por maldições o meu corpo é árvore de esperança
Por contradições serei pássaro sem penas para voar

Deixai-me criar lendas, epitáfios e sonhos imensos
Deixai-me construir uma casa entre montanhas e ventanias
Sou poeta, pedaço de pão, fogo, fome, luz, farol para o vale das palavras
Deixai-me construir um ruído mudo de silêncio na estação das calmarias

Uma criança nova exige um nome
Esta ilha, terra fechando-se em volta de tudo
Este esperar pela ferida que a tua lança guarda
Este crescer como quem devora as raias do absurdo

Esta inventada chuva violando o pensamento
Este meu corpo de sombra recolhendo teu corpo de Sol
Esta terra palpitante aos bocados despertos
Este rumo sem Sol a prumo por mares incertos

Meu Deus, Azna, no meio dos risos surgem os punhais
Esta manhã de Sol na minha viagem da solidão ao som de banjos
Olhei para um celeste de esplêndido azul
E vi...UM CÉU CHEIO DE ANJOS