quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

VOZ ERRANTE



Naufraguei nesta ilha de névoas
Acordei na areia em aurora de hortênsias de fogo
Bebi das águas de um primeiro Outono
Adormeci nas folhas carmesim de uma tarde sem fim

Encontrei uma deusa vestida de vento
Que me julgou com descrença
Prendeu meu coração, parou o Sol, fez-me chorar
E depois enxotou-me com frio olhar

Viajarei á inocência com ardência da alma
Regressarei da terra onde nunca estive
Como voa este olhar, como ama o coração
Na volta completa de um luar, deixei de ver a paixão

Retorno á crença no fio dos dias
Entre ruinas desenhei mil prantos
Quando toco este basalto negro
Quando lavro com as mãos esta terra de espantos

Ouvi sempre o rumor do Mar
Cresci entre pedras e melancolias
Construí emoções nas colinas do tempo
Engoli o pão e o sonho em tardes frias

Ouvi lendas, pintei memórias
É de verde e água o silêncio da ilha
Esperei ondas enviadas pela distancia
Senti pedras se erguendo, altar, palavra, alma cheia...vazia

No orvalhado aroma das conteiras
No crepitar dos sonhos vadios
Senti nos ombros a túnica imaculada de Deus
Lavei pecados nas crespas águas de sete rios

Tão perto do céu...
Como gaivota de palavras por penas
Sacudi do corpo o resto das dores de uma tarde
Corpo tranquilo, alma que arde

Acendi este lume, aqueci o querer
Pacifiquei meu coração de alma navegante
Contei pegadas das aves do Mar na areia
E lancei ao vento esta...Voz Errante...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

ALMA QUIETA AO AMANHECER



Era o tempo das ideias acordadas
Com desespero e esperança correu um ano inteiro
Libertei nas águas infinitas mil quereres
É uma urgência urgente o teu amor, primeiro

Nunca ordenarei sentenças
Lavei as manchas á alma com água e fé corrente
Deixei saudades na areia lavada pelas marés
Encontrei pegadas, pareceram-me teus pés

Confundi ondas com nuvens
No sibilar morno do teu corpo inventei o amor
Que mágoas sentirão os habitantes do poente
Lateja-me o coração perdido na distância da dor

O dia acordou tão pálido como o suspiro de Inverno
Uma ideia galgou em ziguezagues o inatingível
“Dizer-te que serás eternamente o amor”
Dizer-te que sou uma criança sem nome cavalgando o impossível

Ontem abracei uma pessoa...
Ou terei recebido a esperança num abraço?
Hoje acordei com o pio aflito de um pássaro trapalhão
E numa lágrima oprimida e sábiA recolhi um trevo de quatro do chão

Trago numa mão a enxada a outra no coração
Desbravei ingremidades disformes, zangadas
E com o pensamento preso aos olhos viajei
Jamais serei pertença do desespero, água, mãos lavadas

Não escrevo recusas que mais ninguém tem
A palavra, o verbo feito no altar
Moro onde o poema nasce e jamais se perde
Ás vezes fujo para perto, recuso o chegar

Serei uma estátua em pose eterna
Um pássaro a dormir em pétalas frágeis e orvalhadas?
Imagino a fonte do inimaginável belo
Já toquei o a vida em viagens breves nas ondas dos teus cabelos

Atearei as chamas nas noites mais escuras
Já ouvi alguém partir de mim sem saber o que fazer
Já percorri todas as viagens inventadas
Esta ...ALMA QUIETA AO AMANHECER...

sábado, 24 de janeiro de 2015

PRISIONEIRO DE SONHO INTERROMPIDO


Hoje decidi dar rumos ao rumo
Hoje acordei do adormecimento inadiável
Resolvi descobrir o meu céu das penumbras
Perder-me nesta ilha de verde e brumas

Hoje decidi relembrar rostos distantes
Resolvi tocar seus corações no perto
Decidi alegrar todos os anjos tristes
Caminhar num caminho de rumo incerto

Este meu crepúsculo de ti é lento
Há um Sol que teima em não ir embora
Recolhi uma rosa em pântanos indescortináveis
Seu aroma era de saudade que chora

Serei como ilha infatigavelmente prostrada no meio de horizontes
Mareante trespassado por ecoante mar rasgando as rochas
Qual gaivota serena e muda chegando do nada
Qual alma que em arrepio suspira, mal amada

Apenas porque os barcos levam nomes de mulheres
Acariciei um sonho carregado de melancolia
Atravessei montanhas, fiz um filho, amei teu retrato
Percorri caminhos de lâminas afiadas com o olhar já gasto

Não há vazio que ocupe o lugar do amor
Atiraram o meu ás vidraças da escuridão
O importante é rir-me de pena de mim
É espantar-me com o avanço dos dedos fugidos da mão

Loucura...!?
Pois, o poeta pateta agora é louco
Nesta festa da vida serei clandestino
Ou apenas demiurgo fugindo ao destino

Andei por aí numa fúria magoada
Recolhi escárnios e sorrisos trocistas
Balas, dardos despedaçando coração vazio
Mergulhei em águas geladas de perverso rio

E rio...
De mim, triste e tonto Arlequim
Com folhas secas espalhadas pela boca
Numa a frase “tinha que ser assim”

O melhor é matar estas palavras de susto
E abrir os braços ao vento de alma e corpo despido
Adormecer neste atol de estranhos contornos
...PRISIONEIRO DO SONHO INTERROMPIDO

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

PROMETESTE-ME


Fui até onde as emoções renascem
Não há mares nem ventos em corações vazios
Fui até onde a escuridão acaba
Não há amor quando não se sente amor...nada

Anjos, gárgulas, roda a vida numa eterna atafona
O pio de pássaro saltimbanco no desabar da tarde
Contei pedras atormentadas, saudades desencontradas
Neste coração que arde

E de repente tombaram os sonhos no meio dia de sábado
Elevou-se um abismo negro em direção ao céu
E na transparência de véus pesados
Deixei de ver o teu rosto desenhado em negro véu

Talvez seja um pássaro inesperado mordendo a vida
Uma sombra atirada ao chão presa a uma cruz
Um anjo despedaçando nuvens de tempestade com asas de lata
Um deus menor que o tempo seduz

A mentira foi projetada pela luz do pecado
As portas das casas fecharam-se com fragor
A morte desenganou-se e perdeu-se na areia
Encontrei em luminoso e breve momento o teu amor

Olhos...
Uma lágrima perdida de confusa saudade
Este inquietante vento nascido na alma
Este coração triste e louco “Merda de vida”!!! Não se apaga a chama!

Tragam-me todos os livros que falam do amor
E nunca mais me digam que: “Ser Poeta é ser mais alto”
Porque este, ama assim perdidamente!
Perdidamente, alma e sangue e vida em mim, dizê-lo a toda a gente

“Por favor não me magoem mais”
Prometo, não incomodo ninguém com mais nada
Porque em cada passo que dou em busca do sonho
Porque este espelho só me mostra um ser bisonho

Lembra-me...
No tempo que em doce abraço...encontraste-me
Navegando em rios mansos de ausente dor
Fecha os olhos e lembra...Prometeste-me...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

O ESTRANHO PODER DO SILÊNCIO



Percorro esta ilha de Norte a Sul
Há tanto de intemporal nas hortências adormecidas
As marés são pronuncio do choro dos deuses
São de cartão certas mágoas perdidas

Naveguei na calmaria de um ano de esperanças
Lancei meu coração na procura de um rumo
Abracei o meu querer aos brandais
E afastei no olhar um Sol a prumo

Na viagem fui encantado por sereias
No canto doce de verde olhar
Foram sete todas as esperanças
Cinquenta e duas luas para aqui chegar

Sortilégios de um irónico deus
Alquimia fugindo ao olhar de tolos terrenos
Bravata entre Arcanjos e o mal
Eternamente no encontro entre o amor e desamor...

Mas esperem um momento
O espetáculo ainda não começou
Pancadas de Molière...
Para muitos a guerra findou

Este Arlequim de fato de cetim
Rosto pintado a preceito
Sorri...
É tão agreste ás vezes o caminho, estreito...

E o Mar, sempre o Mar
Para onde voam as Gaivotas ao fim do dia?
Para onde correm os anseios deste Poeta Tolo?
Serão as estrelas habitantes perdidas no azul sal?...nostalgia...

Que confusão Nossa Senhora da Agrela, que não há santa como ela!
Estava a pensar um poema daqueles de encantar até chorar
E vejam a coisa malparida que daqui saiu
Até o papagaio se riu

Mas deixem lá o rapaz desatinar
Passou-me ao nariz o aroma do incenso
Fiquei endrominado, e a única coisa, que aqui escapou
Foi o titulo... O ESTRANHO PODER DO SILÊNCIO

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

A BELA E O MONSTRO


Lembro Setembro
Uma flor num altar imaculado
Lembro entre os olhos um sorriso
Uma lembrança um querer ceifado

Como ilha perdida, desapareceu um sonho
Sou bisonho...
Para alguns...
Sou apenas um pintor, a parte triste de um sonho

Tive gente que me pintou de navalha
Disseram que era mau, maltratava pessoas
Tive gente que pintou de negro este poeta, gente canalha

Fui posto na rua de uma casa onde construi sonhos
Fui tido como pessoa que neste Mundo não deve existir
Fui demiurgo de todas as comédias de desenganos
Fui desenho, desenhado com o rumo do partir

Fui...!
Sei o que sou!
Sabes quem sou!
Estupidamente a traição num coração se instalou

Serei...!
Aquilo que este dorido coração comandar
Continuarei a plantar a beleza
Vou regar novos sonhos e pintar o amar

Começarei por mim
E darei um sorriso a este triste Arlequim
Abrirei os braços ao abraço
Abraçarei quem acreditou um pouco em mim

Foram poucos, alguns...
Vivi tão só, assim quis, não tenham dó
Tive tanta saudade da minha Mãe, do meu Pai
Do Céu caíram sorrisos, foram alento, afinal não estive só

Perdoo neste dia todos os que me quiseram mal
Pacifico-me com as pessoas e tiro da alma o desencontro
E digo-vos com dez assombração
Haverá sempre uma bela para um terno e bondoso Monstro...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A CANÇÃO DAS MARÉS



Do céu libertaram-se as águas infinitas
É verde o coração dos Poetas
Olhos de nuvem, coração de pensamento
Uma ideia de um sonhador, um doce momento

Gosto das pedras
Ás vezes são lâminas de gume afiado
Amo-te, menina que pertences ao mar
Rezei hoje para te encontrar, neste triste navegar

Encontrei-te, fugidia...
Como quem sabe que o amor é algo fatal
Nunca serás o fim do meu infinito
Um canto de pássaro, espantando o mal

Tenho os olhos presos na mesma gente
Tenho o coração dorido pelo desencontro que vi
Tenho um abraço, aberto sem te ter dentro dele
Tenho a alma infinitamente presa a ti

Tenho uma saudade de mãos cansadas
“Gostava que coubesse no teu coração um poema inteiro do meu sentir”
Espero o recolher de todas as sombras
Descalças correm as cores que me impedem o partir

Tens ondas indizíveis no teu cabelo
Há uma noite que se aproxima hesitante
A chama das palavras por falar
Um punhado de amor esperando o despertar

Uma dor que cristaliza o balanço do pensamento
Entretanto ri-se de si o homem mais infeliz do Mundo
Este dia respingou um suspiro definitivo
Esqueci uma melodia, por tristeza, sem motivo

Pois muito obrigado todos aqueles que me querem mal
Não tem de quê, seu tonto, papalvo
Na memória só restam uvas azedas
Fechei os olhos á raiva, já não sou o abatido, nem alvo

Sei lá o que sou!?
Um homem caminhando trôpego, trocando os pés
Assobiando uma melodia incompleta
Tirada da...Canção das Marés...

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O MILAGRE DA SAUDADE


Depois de te prender por segundos o olhar
Com a alma te tocar
Uma lágrima teimar voar
Fui com este coração doído ver o Mar

Um gesto amado...
Senti o frio da espuma em arrepio
O Sol beijou-me
O mundo rejeitou-me, tu não...confio

Que tempos meu Deus
Plantei esperanças todos os dias e este querer nunca acabou
Aqueci-me com lembranças nas noites frias
“Meu Armando, meu amor” só uma pessoa assim nesta vida me chamou

Por estes dias...
São longos os dias, desajeitados os quereres
Pensei no amor, morte, pensei com pena
E nunca mais adormeci numa conversa amena

Penso estupidamente tanto
Rio quando me rasga no peito o pranto
Há uma história que se interrompeu abruptamente
Há sempre uma gaivota voando a poente

O murmúrio das árvores
Uma pedra molhada pela chuva, ou maresia?
Todos os dias sinto uma obstinada fé
“Desculpa, perdoa, confia”

Fosse porque fosse, sentimos sempre mais além
Derramados sentires, opacidade da penumbra
“Acho que os pássaros não dormem, ficam apreciando a noite”
Tenho varrido deste coração tanta bruma

Fiquemos pois onde bate o coração, de emoção
Desenhemos os contornos de uma história feliz
São tão estranhas as pessoas quando decidem odiar
São tão ténues os pedidos, o chamar

Uma chama...
Não recuo até ás portas do céu, sem fim, sem idade
Hoje aconteceu o que esperava já não existir
“O Milagre da Saudade”

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O JARDIM DOS REGRESSOS


Não voam anjos na bruma da Ilha
Oiço palavras gritantes de um olhar doce
Derramei sonhos num vale de assombração
Tenho tanta saudade de te dizer amor, dar a mão

Guiado pelo esplendor dos poentes
Segui o aroma suave das buganvílias
Parti aos poucos nessa minha caminhada por dentro
Acordo nas manhãs, perdido dos horizontes, incompleto...

...Por não te ter...
Sabes meu amor, há um lugar onde as coisas fazem sentido
Há um lugar onde partimos como vagabundo
Há um lugar onde chegamos expulsos do Mundo

Ninguém espera pela noite na chegada do Sol
Ás vezes viro a cara ao tempo e ao deslumbramento
Ás vezes sento-me a olhar em volta como fosse louco
Ás vezes dou tanto, recebo tão pouco

Os escutantes do perverso afinam a parte negra da alma
Nestes dias o verde é de tal forma irreal
Há uma hora das portas fechadas
Há sempre um coração vazio, banal

Sou o inventor da luta entre o silêncio e a palavra
É nesse exato momento que algo exulta
Será que sabes da importância que dou aos grandes acontecimentos?!
Será que ainda reverbera a música de raros momentos...

És como o nascer da manhã inevitável
Sou um olhador de sorrisos sinceros
E todavia fez-se penumbra no decorrer do dia
E todavia o tempo desapareceu devagar, no teu chegar

No teu olhar aconchegam-se as maresias do Outono
Um ramo de misteriosas camélias
Hoje decidi fixar nuvens nos ventos
Decidi abrir a alma aos mais belos momentos

Hoje decidi ter respostas sem fazer perguntas
Decidi ser eu mesmo, sem inventar, processos
Sentei-me pois neste banco feito de folhas e frutos
Neste meu...Jardim dos Regressos...

domingo, 7 de dezembro de 2014

COMO TU



Este alento animado por novos sonhos
Este esmagar dos dias de dor
Este acenar de Anjos magníficos
Como sorrio ás vezes a uma vida de desamor

Para falar de uma vida não há apenas um nome
Para falar de uma ilha há apenas um destino
Para falar apenas de uma mulher
Há sempre a esperança do amor, o que Deus quiser

Que seria da cor do Mar sem o beijo de Céu
É sempre tão nostálgica a morte do Sol no acabar do dia
Sou um sonhador numa manhã de soltos versos
Sou um desenhador de planícies eternas que em Deus confia

Sou como a terra palpitante, fecunda
Escrevo palavras com insistência para que descubras verdades
A Norte o vento é frio
Esta força, este homem sem preconceito entre as margens de um rio

Tenho os olhos cravados no infinito
Nasci sorrindo para um Mundo tristonho, frio
Há sempre um canto de pássaro que me se seduz
Houve sempre em meu caminho uma reluzente luz

Já fiz milhões de traços
Já pintei emoções desconhecidas
Já amei mil corações esculpidos em gelo
Já morei num arquipélago de ilhas perdidas

Já me perdi...
De punho cerrado enfrentei Adamas tores
Fui saltimbanco de comédias de enganos
Ator em palco de falsos atores

Tal como o Mar rasgando as rochas
Naveguei sem rumo, em infatigáveis procuras
Segui em frente, é tão silencioso o horizonte
Pedi a Deus perdão, guardei numa caixa mil juras

Falemos pois do canto dos pássaros
Falemos do amor, do que a minha alma descobriu
Falemos da formosura de uma rosa breve de Novembro
De um obra fascinante e bela...Como Tu...

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

ENQUANTO NÃO CHEGAM OS BARCOS


Vi as minhas mãos nascerem na claridade de uma aurora
Vi a minha voz perder-se nos verdes desta Ilha
Vi os rituais de uma Cagarra na sua dança de amor
Vi o poder das águas e do vento descobrirem uma flor...

...Azul
Sal do suspiro de uma onda longínqua
Um pássaro breve de perdido cantar
Uma incontida lágrima, por te querer, amar

Na rebentação da beleza salpicaste o meu olhar
As mulheres transparentes divertem-se na vida
Ninguém bebe vinho e vomita o amor
Ninguém é dono da poesia, nem o seu autor

Vejo antigas sombras, cavalgando o silencio do pensamento
Não me falem de um tempo
Não me façam rir de mim
Não me mordam a alma, não me firam o corpo

Não me falem da chegada das primaveras passadas
É bom que se saiba que há muito mais porque morrer
Que conheço os caminhos cantantes da alegria
Sou um criança que transforma um muro em palácio, para te ter

Ás vezes percebo que os homens não têm importância
Que vejo a terra passar por mim velozmente
Ás vezes este espírito alucinado sugere-me
Que sou pássaro a voar para Poente

Abençoada a terra que colhe o orvalho
Bendita a mão que reparte o carinho
De esperas se constrói a solidão
Serei o primeiro habitante da dor vencida no teu caminho

Conto as aves do mar, mais as ondas
Bebo neste Oceano de mil esperanças
Vejo desprender do Celeste Anjos magníficos
Vejo Deus desenhar nas nuvens breves sorrisos

E sento-me neste basalto de fria espera
Não tenho fortuna, só bens transparentes, parcos
E penso em ti mensageira do amor
ENQUANTO NÃO CHEGAM OS BARCOS

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

OS PARAÍSOS QUE UMINFERNO CRIOU



Inquietos escutamos a voz calada
São pesadas as mãos do desentendimento
Nesta perdida rua de negro e fogo
Neste meio do mar, sem estrelas, um momento...

...Para te dizer, que bebi de um trago só o perdão
Para te dizer, que sou o cerne imperceptível da verdade
Dizer-te também, “ ainda sei amar quem me magoa”
Que vivo e floresço na minha inventada cidade

Foram tempos da memória
Rasgam-me a garganta as nêsperas azedas
Se soubesses a sede que se sente
Quando a vida nos arroxa ao peito, coração descontente

Se soubesses o que sente este poeta de rima incerta
Se soubesses o que não sabes por descredito
Se soubesses que todas as manhãs o meu amor se acende com a aurora
Se soubesses porque fico, mesmo indo embora

Se soubesses...
Que há quem abrace o vencido
Quantas verdades se diz mentindo
Que só me lembro dos teus olhos sorrindo

E eu que nada sei
Eu que acredito tudo saber
Eu que vivo como gaivota em eterno voo
Eu que cerro os olhos para não ver a esperança morrer

Eu...
Cavaleiro andante, Arlequim, mendigo sem bênção de Deus
Carrego o peso da idade inadiável
“Sou o Rei legítimo de todos os ateus

Sou, quem sou
Nem tudo o que faço pode estar errado
Pinto Anjos negros, deuses e deusas
Este homem, bem ou mal-amado

Sou aquele que caído, foi espezinhado
Sou aquele que pelos seu inimigos orou
Sou também este alquimista da vida
Que transformou em ...Paraísos o que o inferno criou...


sábado, 15 de novembro de 2014

CORPO SOLENE DE SOLIDÃO



São milhões os risos que chegam ao meu sentir
Esta fúria magoada de mil dias de solidão
Esta terra fustigada por espadas de chuva
Estas raízes presas ao profundo coração

Devorei o frio neste vale de segredos
Afastei as nuvens de desesperança com um olhar
Misturei ódios e sorrisos
E construí um castelo para te poder amar

Meus Senhores, minhas Senhoras
Novembro está servido, com ventos e lágrimas das estrelas
Afastei os dedos das flores mortas
Mataram a bondade, fecharam-me as portas

Mas, meu Amor...
Não há lume que aqueça o pão da pobreza
Os inaudíveis e grandiosos sentires desta alma dorida
São sussurros, são sorrisos soltos á tua beleza

Estes são os primeiros anos do amor
Vês agora a crueza desta neblina?
Meu Anjo de água de lábios recortados por um deus
Meu Amor, quanto tempo, tanto Mar...Mar, Menina

As minhas mãos urgentes
Procuram teu corpo, arca de incandescentes diamantes
A tua essência deslumbra, fere sem doer
Teus seios, ondulação das ribeiras, tua alma, teu ser

Já me fugiram á lembrança os antigos dias
Pelo olhar se retorna ao amor
Pelo teu corpo crescem flores carmesim
Neste vale de verde ilha ausentou-se a dor

Já pintei presságios e sonhos
Já pisei um lugar onde emanava a tua existência
Como uma Alva Garça soubeste ouvir o sonho
Como uma estrela do Norte e rumo, conquistaste minha confiança

Numa almofada de Musgo repousa a cabeça de uma Deusa
Escrevi teu nome no diário da minha paixão
Esculpi no teu sentir de roseira brava a novidade da luz
Amei teu... CORPO SOLENE DE SOLIDÃO

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

INEXPLICAVEIS DESERTOS



Como são puras as madrugadas
Como serão os campos sem cor
Como será a noite se brilhar o Sol
Como será a vida sem o brilho do amor?

Não pensei vestir-me para esta incompleta viagem
O desgosto e o amor são companheiros lado a lado
Ao dar os braços á luz do dia
Não sei se os poentes saudáveis são a saudade que na tarde morria

Deixem-me aqui com os olhos cuidando do azul do céu
Deixem-me aqui compondo uma balada de triste paixão
Deixem-me aqui como barco a naufragar
Deixem-aqui procurando a compreensão do amar

Deixem-se sentir teu rosto viajando para a minha presença
Neste lugar de casas brancas da cal
Tenho presépios em todos os dedos
Tenho a ventura presa ás mãos, um arrepio fugido do mal

Comigo dentro de mim, serei um guerreiro azul
Entreguei-te a minha paixão em versos
Nas tardes de memória
Na tua pele deslizante de fêmea, tatuarei a nossa história

A canção que me apetece cantar é Bela
Prendo o olhar ao retrato da tua candura
Um papagaio de papel de seda solto
Uma voz, tanta doce palavra...a ternura

O amor já não visita esta lareira dormente
Este Inverno, visitador de tempestades
Foram grandes os olhos da raiva
Foram sete vidas, sete sóis, cidades

Foram lembranças, perdidas em trincos da memória
Acredito que tudo o que é bom, ressuscita sempre
Na sensualidade do gargalhar, esconde-se o sonho açoriano
Este vento solto nos brandais, viagem, ilha, mar, sigo em frente

Com alecrim preso ao altar de senhor
Aqui a terra fechando-se em volta de tudo
Estas mãos vasculhado a dor das hortências
Este canto de bruma, reverberando mudo

Este sonho clamando um novo dia
Estes passos, trôpegos, incertos
Hoje isto saiu uma arrozada de rimas
A que chamei... INEXPLICÁVEIS DESERTOS...

sábado, 1 de novembro de 2014

MEU AMOR



Há lembranças que fazem estremecer o silêncio e a luz breve
Lembro outras eras de sobressalto
Lembro onde as crianças buscam o sonho
Onde os pássaros cantam trinados do alto

Há com certeza uma lamparina acesa no teu peito
Há uma palavra que teima ficar presa á razão
Às vezes é preciso acordar o silêncio
Às vezes o carinho é moldado nos cinco dedos de uma mão

Hoje apeteceu-me escrever para ti...só para ti
Hoje resolvi descobrir o Universo das penumbras
Hoje decidi deixar meu coração rebelar-se
Amanhã sei que sairás deste vale de contradição e sombras

Às vezes falo comigo próprio como fazem os loucos
Às vezes digo coisas tão vazias do sentir
Às vezes erro como as manhãs inevitáveis
Às vezes tenho tanta vontade de te chegar sem nunca partir

Contei todas as madrugadas sem ti
A minha dúvida é saber se és a aliança da minha sina
Tenho partido aos poucos sem ti para lugar nenhum
Tenho-te na alma, tenho o Mar e a sua menina

Menina do Mar...
Caracóis esvoaçantes, boca recostada de infinitos
És a fonte do irreal, inimaginável e belo sem fim
Procuro no Mundo, encontro-te em mim

Lembro teus gestos amplos e firmes
As alegrias das memórias do que já fomos
Mas ainda és para mim a alva imensidão de uma folha em branco
Onde vamos desenhar, venturas, sonhos

Procurarei na tua alma o gesto amado
Farei com que não hajam mais fronteiras nos sentimentos
Vou aprisionar o vento incansável que veste este nosso Outono
Farei com pedaços de céu uma Primavera de felizes momentos

Vou subir para te ver em ondas de sussurros
Oferecer-te uma esperança gerada na dor
Hoje escrevi para ti...só para Ti
Meu Amor...

sábado, 25 de outubro de 2014

ROMEU E JULIETA



Uma flor respira ao portal
A noite aproxima-se hesitante
Velhos são os trincos da memória
Uma vida fumada á esquina, um instante

Julieta era uma espertalhona donzela
Cada suspiro seu era como o ultimo, definitivo
E no cerne imperceptível do seu branco vestido
Havia um drama de faca e alguidar, morto ou vivo

Há tanta Julieta, branca, preta
Há Falsas raparigas com toque de urtigas
Há meninas rafeiras com a mania de finas
E há uma princesa com alma negra de beleza

E os Romeus, católicos e ateus
Pingando amor, amarrotando cuecas
Hálito a pasta gardól de pincel mol
Heróis, enganados, cornos, patetas

Mas vamos dar ordem a esta poesia
Isto está a ficar uma algraviada
Vamos pois escrever com elegância
E deixar o choradinho da mal-amada

Recolho pois a palavra amarga
Porque este herói desconhece o fim da batalha
Estou escaldado da falsa ternura
Durmo de olhos aberto e um fechado

Já está a descambar outra vez
Isto é mais de comer a rir e o dono atrás a pedir
E se soubessem como estou agradecido por louvar o amor
Sempre que me lembro de tal, estrassalhaço uma flor

Quando a ilha nos aperta
A sede que se sente, melancolia
Este frio dos abismos sem fim
Este lamento solto em mim

Hein, já viram como cá o Poeta também escreve umas metáforas?!
Deixem lá, esta vida uma vezes é puta, outras preta
Hoje deu-me para isso
Por me lembrar de...Romeu e Julieta...

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A COR PÚRPURA


Sou um estranho dentro de mim
Trago as mãos vazias embrulhadas de nostalgia
Tenho um coração mudo, amputado pelo amor
Tenho uma alegria cinzenta como um poema por escrever ao fim do dia

O absurdo das coisas acontece em fúteis manhãs
Faltou a luz para o inicio dos gestos
Esta estrada sem vida engole os meus passos
Dou os braços á noite, prostrado em mil cansaços

O que me resta são estas mãos vivas
O que me acalenta é pensar no fim da viagem
Deixem-me aqui sereno, cuidando do azul do mar, com o olhar
Deixem-me afagar a garganta ferida de gritar...

...Comigo dentro de mim
Deixem-me aqui compondo a solidão
Deixem-me ir para longe da minha distância
Na espera de um barco ou de uma ilusão...

...Entre margens
Segura vontade numa algema de palavras
Cala-se uma gaivota, inverno de dourados presentes
Acordo nas coroadas auroras, morro no cair dos poentes

Escrevo para ti...Sabes que é para ti...
Os nomes não têm cor
São simples diagramas em conflito
Os nomes são muda sinfonia de sonata em desamor

Serei um barco vencendo rotas novas
Aplanarei as rugas de todas as montanhas
Vai arder novamente este sofrido coração
Hoje tive vontade de pintar uma oração

Vou dar um nome a um novo voo
Vou plantar um sonho feliz contigo
Vou lançar um papagaio de seda com a palavra amor
Vou fazer nascer das improváveis razões uma singela flor

Vou deixar que se inunda das cores da esperança
Vou colhê-la e dar-te quando chegar a altura
Saberei o momento certo para tal
Quando ela se vestir da...Cor Púrpura...

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A ENTREGA DOS SENTIDOS



O dia descobriu-se com o murmúrio surdo das árvores
O badalar majestoso de um sino, desperta um pássaro no ninho
Apagaram-se luzes atormentadas
Para alguns a vida é tanta, outros, um punhado de nadas

Na ilha acontece o esquecimento do Mar brincando
Uma brisa corre rasteira, sussurrante
Pensei, por te amar, seres a consciência do amanhecer
Pensei sentado numa pedra molhada, não te querer ver

Nas escadas de um perverso tempo
Medi o alcance do horizonte, para além do amor
Há sempre o vazio numa esperança imensa
Uma cabeça, prenhe da mentira, não pensa

Gera raivas sobre um amor de lareira apagada
Sandálias gastas, este menino que louva a saudade
Estas mãos em eterna construção
Estou cansado de caminhar, de desenhar o perdão

Para alguns, há uma noite aproximando-se hesitante
Uma rua mesclada de raivas e fogo
Um silêncio súbito assalta-me a lembrança
No aconchego de uma casa fechada, o rezar de um terço, fé, esperança

Talvez seja um vagabundo no canto da rua bebendo a vida
Uma estátua cansada, desaparecida do olhar
Um rosto sem vos, nem corpo
A primeira letra do verbo amar

A água sincera dos olhos
O que seria do azul do Mar sem o beijo do céu
O que será de ti, ancorada nesse atol
Apenas verás todos os dias como morre o Sol

Estarei deitado dentro de mim
Infinitamente com os olhos pregados na vida
Com desgrenhados cabelos de luta, apontar o eterno
São pálidas e vacilantes as rosas do Inverno

Fulgem sonhos neste caminho
Tenho anseios, rumos, quereres escondidos
Este Poema não fala de nada, de ninguém
Foi apenas uma singela...Entrega Dos Sentidos...

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A SOMBRA DAS ROSAS


Vi uma Gaivota tão quieta a ouvir o Mar
Com sereno nos olhos, colhendo cânticos no silêncio
Com as penas queimadas pela tarde
Há um rumor em meu peito, que sente, que arde

Na vida, vieram ao meu encontro, mágoas e louvores
Estão adormecidas as hortências
Com um profundo rubor carmesim
Há um sufocado grito dentro de mim

Não oiço mais os dias que se foram
Abandonei na cadeira estas vestes sem feitio ou medida
E em fragores acalmei a minha dorida alma
Já te senti , sincera, sem máscara, despida

Perguntei ao vento quem sou, o que faço aqui!?
Respondeu ao eco, és quem és...
Abri os braços ao celeste numa entrega infinita
E sorri sem vontade a esta sorte maldita

Ainda ardem em meu peito as sombras da saudade
Ainda não desisti da minha cidade inventada
Nos castanhos húmidos olhos da memória
Pintei, pintei-te como heroína da minha história

Está calma e doce a noite
Este Setembro passou sem um sorriso feliz
Na noite tudo se perde, vive a sombra o desvario
Que pena, não olhei, terias o rosto sombrio...?!

Pressiono contra a noite os dedos todos
Corro na procura de uma felicidade fugidia
Sairei derrotado pela madrugada
Dói-me o sentir, tenho a alma cansada

Tenho a liberdade de um bicho
E algures por aí á volta, versos num poço de revolta
São passos e pancadas estremecendo numa casa sem portas
É um livro chamado...A Sombra das Rosas...

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

RESSUREIÇÃO


Quantos sãos os dedos
Que apertam os instintos crispados?
Quanto é o tributo de te amar eternamente
Onde fica esse teu ninho de sonhos acabados?

Esculpi a minha revolta numa pedra imóvel
Já foste enorme como um sonho longo
Agora és apenas uma ave parda, sem voo
Eu serei, sou gaivota, alma, sonho

Depositei flores num altar imaculado
Rezei sete rezas para embarcares na saudade
Pedi aos deuses que a tua cabeça se iluminasse
Pedi ao Mar que me devolvesse a verdade

Encontrei uma boia num poço de silêncio
Está por pintar a obra da minha vida
Estará no acaso, com 7 traços e uma linha reta
Arranja-me um sorriso, apenas um e ficará completa

O meu passado será sempre o que eu quiser
O meu futuro, uma viagem, um desconhecido nascimento
Nunca houve movimentos suspeitos dentro de mim
Nunca serei derrotado, não há perdão para o justo, nem fim

Sou um homem sem fome, nem frio
Apunhalado pela vil estupidez
Sou isto mesmo, pão, vinho, sonho, amor
Sou barro moldado que um deus fez

Uma pedra nasceu aos meus olhos
Há sonhos que são feitos para torturar
Dormi com os anjos de água da manhã passada
Perguntei por ti, não me disseram nada

Saí do corpo, tem sido constante
Deixei o corpo preso a esta terra fatal
Senti a liberdade, como é tonta a mesquinhez
Não quis voltar, estava tão bem, voltei para o mal

Olhei á minha sombria volta
Era o mesmo Mundo de gente sem coração
Sempre que me separo do corpo e viajo
Sinto que aconteceu uma...RESSURREIÇÃO...

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

AS VALQUIRIAS



No espaço intermédio da paixão
Há nuvens de espesso negro
Há uma gaivota em jaula de sal
Há quem me entenda sem levar a mal

Há um frio nos abismos dos poros mais suaves
Já não sinto o cheiro da alegria
Há mulheres que escondem as mãos por entre o sonho
E há a noite onde repouso lembranças felizes até ser dia

Já risquei o Mundo do meu habitar
Este medo de estar por cansar
Esta solidão baloiçando no infinito
Este desprezo de cada hora, o grito

No espaço provável do amor
Perdi os contornos de um rosto de meigo olhar
Sou uma espécie de criança exigindo um nome
Sou alguém que se perdeu do amar

Há ainda neste peito qualquer coisa
Um punhado de amor esperando o despertar
Ás vezes rio-me de ser infeliz
Hoje a palavra recolheu-se amarga, confundi o partir com chegar

Adormeceram já as hortênsias
Vestidas de suave carmesim
O céu pranteou gotas de azul
Este palácio carbonizado do poema que há em mim

No campo da memória só encontro facas luzindo
Semeei esperanças de silêncio quente
Pela erva molhada se espalharam as contradições
A vida deu-me e tirou-me um presente

Puta da vida!
Tão sem rosto e sem sol
Um trevo de quatro folhas dá azar
Sete ondas, sete marés uma onda para me levar

Para onde...?
Na distancia o silêncio é coisa demorada
Nesta carne há luas e mares a desbravar
Tudo o que se move pode sentir, tudo, nada!?

E depois há as mulheres lindas às vezes
E gente de corpo e almas vazias
De tão cansado esta tarde adormeci
E sonhei com...As Valquirias...

terça-feira, 16 de setembro de 2014

ALMA ANTIGA


No êxodo deste dia triste
Aguardo a noite, companheira da solidão
São assim os poetas, tudo sentem na palavra
São assim estes tolos de mole coração

Há um abismo entre mim e as pessoas
Há uma corrente de vento de encontro ao céu
Há um pássaro inesperado que morde o tempo
Há um estúpida viagem de vida sem momento

Uma vez pedi a alguém
Vem comigo como se o Mundo estivesse acabando
Há abismos que se formam nas fronteiras do nosso corpo
E há um cais com um vagabundo já morto

Leva-me contigo gaivota
Como se fosse ave, e ave rara sou
Leva-me contigo para o fim do Mundo
Ou outro Mundo, irei, vou

Lembro-me das invernias, das tempestades
Lembro-me de ser eu ilha, perdida no recorte dos montes
Deixem-me lembrar, lembranças, de manhãs cinzentas
Deixem-me sobrevoar todos os horizontes

Deixem-me em paz!
Deixem-me seguir em frente como não importasse mais nada
O que fazem os pássaros à noite?
Rezam, cantam mudos, como esta alma calada?

Que vida tão repleta de penumbras
É sempre assim quando ao corpo me assalta a dor
Sou uma ave cansada que não ruma a sul nem a norte
Uma sombra sem luz, sem sorte

Talvez seja um colecionador de bátegas de chuva
Um desenhador de sombras com luz às costas
Um rezador de rezas, com velas, sem gente amiga
Qual nada, apenas uma...Alma Antiga...

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

FAÇO-TE UMA PROPOSTA



Na minha vida acontecem coisas impossíveis a cada segundo
Há quem se dobre ao balcão e beba um trago de fel
Inquieto perscruto a voz calada
O teu sorridente olhar é flor que acolhe abelha e dança de mel

Já soltei as mãos pesados do desentendimento
Fui viageiro de viagens, de tormentos
Fui paladino de revoltas e páginas soltas
E aplaudido em mil momentos

São transparentes as horas da chegada
Tenho recolhido olhares amargos
Não precisam encontrar mais o rasto do homem navalhado
As minhas mãos estão sempre em construção, também o coração

Na corrente miúda das ribeiras
Lavei lembranças que me corroem o peito
Quem vence nunca abraça o vencido
Ás vezes chamo Deus, ás vezes ando perdido

Este lembrar de amar a cada segundo
Esta contradição de inquietante pincelada
Gostava de esgotar nos teus lábios a poesia infinita do beijo
Gostava que sentisses a revolta do amar, do querer, desejo

Há sempre um acaso clamando um novo dia
Ás vezes sinto-me como o esforço da fonte que jorra a vida
Não sinto revolta, apenas uma inquietude
Por certo saber que de traição me fizeram, ser inocente

Presente...
Uma caixinha de sonhos te quero dar
Estará cheia de sentidos sentires
Oiçam estúpidas pessoas: “EU SEI AMAR”!

Em paços súbitos de calmaria
Como se o Mundo não soubesse de tudo
Como se eu não conhecesse a caricia serena
Que nos separa da solidão.. me quedo mudo...

Não sou mendigo dos meus desgostos
No meio dos risos surgem os punhais, para vidas acabar
Das minhas mãos apenas a virtude das cores
Oiçam estúpidas pessoas: “EU SEMPRE SOUBE AMAR”!

E para não levar mais longe esta tempestade poética
Vou manobrar este leme da vida para não dar á costa
Deixo-te um olhar que negas-te receber
Ama se amor tiveres, ou...Faço-te Uma Proposta...

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O FAZEDOR DE SONHOS



Há pessoas que vivem como sombras indecifráveis
Há pessoas que permanecem num leito vago
Há uma coisa chamada estupidez, que é um bicho
Arreganha o dente e engole a vida por um trago

Bem não era assim que este poema começava
É setembro e as aves já rumam a sul
O mar por estes dias varre a penedia, já não a beija
Este meu peito, esta minha contrição, este meu céu azul

Esta fonte que me molha a alma
Escorrendo e queimando a terra com a sua transparência
Esta música que o silêncio instaurou
Este homem que tudo deu, que no amor falhou

Esta vitrola ressonante
Um chapéu de coco, um sorriso de menino
Pintei o rosto, de mil cores
Por ter pena de mim, deste meu destino

Este amor que ainda teima em querer ser
Que faz estremecer de silêncio a luz breve
Quem construiu este homem cometeu um pecado
Para quê ser tão imenso quando se é mal-amado

E amo...
Acreditem que sei tão bem sentir este sentir
Hoje até me apetecia falar de pessoas normais
Que viajam num navio de nome partir

Hoje falei com minha Mãe...
É sempre assim, quando estou perdido
Acodem-me os meus Anjos
Disse-me: nunca estas pessoas saberão o imenso que tens escondido

Estarei sempre contigo...
Nunca irão entender que és de Deus um presente
Não importa o que de errado pensam, és uma luz
Tal como a saudade ausente

Há pessoas que são como lamparinas adormecidas
Há anjos, pessoas simples, seres puros, bisonhos
Tu és apenas o demiurgo de uma comédia breve
Um simples...Fazedor de Sonhos...

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

RECONHECESTE-ME...



O nosso amor é tão imutável como o Mar
Pensa em mim...
Imagina-me fazendo impossíveis para te apagar da minha alma
Imagina uma buganvília que sobe e floresce sem fim...

...Assim é o que é...
Faz tempo, parece fazer tanto tempo
Pensa em mim com afeto, pensa num estupendo amor
Passas-te, passou-me a vida num segundo, momento

Onde tens vivido neste Mundo
Foste realmente perfeita para mim
Sabes?! Fui sempre guardado por um Anjo
Até que apareceste Tu, até que um principio fugiu ao fim

Aqui neste lugar murmuro teu nome
Vezes sem conta penso, pensa em mim
Nunca me escondi nas sombras
Nunca me esconderei de sentir assim

Sabes?! Quando se instaurou esta tonta guerra
Fiz um balanço da loja do meu coração
Descobri um milhão de sentires
Aluguei casas sem janelas, nem quartos, nem chão...

...Dos quais há a descartar:
7 mil chapéus de abas flexíveis por causa do vento
7 rodas de leme desorientadas de rumo
Uma carta de marear sem sextante nem sol a prumo...

...7 lanternas que desafiaram as mais espessas trevas
7 bússolas que nunca perderam o Norte
Uma esperança que Deus me deu
Que acredito nela por não ser ateu

Um retrato teu
Como uma embriagadora rosa do meu sonhar
Não devemos perder mais este crepúsculo
Não faz sentido esconder o amar

Hoje foi assim quando o dia ia a meio
Nunca a vida ou os desengamos o amor consome
Atravessei uma rua sem que a vida me avisasse
De cabelos presos, vi o meu Anjo...Reconheceste-me!?...

PARA TI QUE PLANTASTE NA MINHA VIDA O MAIS PURO AMOR

terça-feira, 2 de setembro de 2014

UM LUGAR NO PARAÍSO


Longe além do céu
Oiço o teu chamamento quando as sombras caem
Onde quer que eu vá
Onde quer que estejas o meu amor brilhará

Longe ou em qualquer lugar
Tempo, hora, dia após dia
O meu amor estará sempre no teu caminho
Deus no alto sabe que é assim, este destino

Sempre que choro
Sempre que sorrio
Sempre que te lembro
Respiro...

Ouve pois o meu chamamento sempre que as sombras caem
Esta luz mostra o caminho
Há quem mande flores
Eu mando sentidos sentires

Gostava que te prendesse o meu gostar
Sei que em ti a minha vida é importante
Sei, sou, este pintor sem barco navegante
Sei que erro como qualquer necromante

Faço-te um proposta De mãos estendidas
Dou-te um real que ganhei por fazer magia em Santa Maria
Que vejas que quem nada sente, não sente dor
Que há sentimentos dispersos, outros, este amor

Esta manhã olhei o Mar
Esta tarde senti-te pelo olhar de outra pessoa
Esta peça é única
Há gente que acha que não sou gente boa

O que achas?
O que acham todos vós?
Tenho o meu caminho repleto de sonhos, fascínios
Lutarei por ti, contra ventos, moinhos

Que ilha ainda guardas nos teus olhos
E vi passar o teu coração inquieto
Senti que tínhamos interrompido uma vida
Que sabemos de...Um Lugar No Paraíso...

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O CHÃO DOS PÁSSAROS



Eu vi o negro balançar do coração de uma negra ave
Eu vi as esculturas que a chuva traçou na terra
Espreitou-me uma ideia levada da breca
Dar uma coroa de louros a todos os idiotas em santa guerra

Quer-se dizer, a todos os merdas...
Ups... o poeta asneirou!
Vamos adocicar este poema parido azedo
Querem saber?! Há gente demente cheia de medo

Pretos, brancos, cães, cadelas, cobras e melancias
Fidalgos, fidalgas, carapaus e garajaus
Potes partidos, artistas mal paridos
Mulheres desdenhado a careca dos maridos

Mau...Mau...!
Isto não ata nem desata
Que arrozada mais confusa e gasta
Chamaria a isto: nem piza nem pasta

Pois e juro que apenas bebi água
E olhei para trás desconfiado das facas aguçadas
Servi-me mesmo da minha torneira
Não fosse uma criatura bondosa e falsa qualquer fazer alguma asneira

E isto não há maneira de encarreirar
Então comecemos isto à poeta de rima certa:
Era uma vez uma criatura doce como o sal
Que me disse amar e só me fez mal

Era uma vez uma criatura que me jurou amor
Me abraçou na dor
Chorou na ternura de todas as melodias que senti
Era uma vez uma vida que no ficar partiu

Era uma vez um menino que sonhou à janela
Que o Mundo era feito de gente grande, bela, séria
Era uma vez um aprendiz de homem
Que ainda se condói com a miséria

Era uma vez tu
Ave que confusamente promove na minha alma desencontros
Era uma vez um destino que se tornou um desatino
E só para rimar, tudo isto...No Chão dos Pássaros...

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

GENTIL PROFESSORA



Hoje há uma festa de poente
Este céu radioso menstruado de fogo
És em ti a ilusão do fim do dia
Pássaro que dorme em minha alma vazia

Eu vi o teu terno sorriso
Aqui do interior da retina onde se apaga o fim
Pé ante pé, espreitei colinas de olhar
Desenhei uma escultura de esperança sem acabar

Sabes!?
Numa das mãos trago a esperança
Noutra o coração
Nos olhos um infinito que a minha alma alcança

Por eles só passará quem fizer crescer o fruto da verdade
Por aqui abriu-se a terra em tonturas de lava verde
Por aqui ainda mora uma lágrima oprimida e sábia
Por aqui há uma prestigiadora flor que plantei no Mar da ilha

É inatingível o pensamento do pintor
Ele é gaivota, lúcido e louco
Que mágoa sentirá no jogo das sombras
Ele é Sol que escorre e tremeluze, tanto, tão pouco

Na mansidão da areia imaginei um radioso Setembro
Pensei ouvir a canção das marés
Sabes?! Sou às vezes a plenitude da paixão
Tenho numa mão o coração e na outra de novo o coração

Vi num abraço o mar lavar a areia
Vi gaivotas tecendo no céu bonanças
Vi um lírio cantar no vento
Vi o caminho para um novo tempo

E de repente as nuvens ficaram alvas, escorrentes
E de repente esqueci a maldade da gente
No toque de duas hesitantes e afagadoras mãos
Senti que há gente linda, que sente

O coração do poeta estremeceu de realidade
Por isso o poeta plantou uma realidade onde a felicidade mora
Sonhei um sonho lindo com uma criatura de profundo sorriso
Chamei-lhe...Gentil Professora...

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

ENTRE O MAR E OS TEUS OLHOS



Quando pinto alguém
Uno a minha alma à alma da pessoa
Porque tudo o que a minha mente cria o meu coração acolhe
Porque este fazedor de sonhos o destino escolhe

Não fui feito para ser prático
Apenas autentico
Sei que tenho estado altura de todos os desígnios
Sabes meu amor, quando partir, tu...tu irás sentir

Houve um tempo em que tirava mil sonhos de um saco
Houve um tempo em que não sabia o que fazer de uma pedra
Moça, esta noite não irei escrever tristes versos
Ouvirei apenas na dispersa noite um anjo em santa guerra

Sabes, és a ultima dor que me causa sorrisos
Este abandonado ainda não tem hora de partir
Não quiseste naufragar num beijo
Tens uma chama imensa que te incendeia o desejo...

...De me amar
É negra como as pedras a solidão da ilha
É claro como véu de anjo
O que bate no teu peito em maravilha

Menina de ondulantes cabelos de mar
Acolheste-me nas colinas dos teus seios
Recebeste-me em teu corpo em profunda paixão
Enfeitiçado coração

Ainda tens o fogo nas unhas e nos teus ardentes lábios
Tens um destino onde não viaja a vontade
Sou um descobridor dos teus mais recônditos sentires
Sou pássaro entre os teus olhos e a liberdade

Porque no mar te vejo
Te procuro
Te desenho no sal da espuma
Te abraço, sinto, juro

Afoguei os lamentos, semeei esperanças no vento
Lancei cartas de amor em papagaios de papel aos molhos
De alto de uma falécia de lava adormecida
Procurei-me...Entre o Mar e os Teus Olhos...

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

PARA TI



Roubei uma caixinha de palavras
De uma loja mágica de brinquedos
Com elas escrevi o que senti
Este poema cheio das mais belas cores para Ti

Sabes?! Gostei tanto de uns sapatos
Que comprei pares para o resto da vida
Comprei todos os chapéus bizarros que encontrei
E com um deles, não sei qual, um dia, amei

Sabes?! Quando as bolas saltam sozinhas
Os brinquedos despertam no sono das crianças
Quando deixar esta ilha sentirei falta das pedras
Quando um dia souber voar espalharei nos teus olhos esperanças

Nunca serei apenas mais um Homem
Pinto, canto, faço magia, encanto
Olá vida sou uma criança grande
Até já almocei com um urso de chapéu amarelo, um espanto

Já li um livro que escondia as palavras aos descrentes
Já habitei a terra dos sonhos prováveis
Deu-me um chapéu branco um chapeleiro feliz
Envaidecido, rodopiei e sorri como um petiz

Também conheci alguns habitantes da terra do faz-de-conta
Às vezes acho que posso mudar o mundo com o pensamento
Às vezes fico assim, sinto-me pateta
Porque as bolas coloridas saltam sozinhas no querer do Poeta

Sabes , meu amor...
Vou deixar-te em testamento quando partir
Lavrarei numa singela folha de papel e farei um avião
O tempo que não mereci em Ti

Há quem mande flores, cartões
Eu, mando-te palavras
És como uma coisa grande, refletindo outra maior
És a sonoridade feliz da palavra amor

Queria que te enchesse o meu gostar
Um dia alguém perguntou:
Onde vais buscar tanta palavra?
Respondi: multipliquei pela primeira que me disse minha Mãe quando nasci

Uma vez pedi a uma gaivota, não vá
Faço-te uma proposta
Dou-te um real que ganhei com a dor
Dá-me o teu amor

Gostava que não acreditasses nem em mim nem no impossível
Joga comigo, apenas um jogo, de vida e sorri
Sente o querer da alma deste fazedor de sonhos
Porque escrevi...PARA TI...

sábado, 16 de agosto de 2014

ANJO DE ÁGUA


Inquieto perscruto a voz calada
Nesta rua mesclada de pedra negra de fogo
Nas mãos pesadas do desentendimento
Gostava que o mundo parasse no teu olhar por um momento

Não há florestas novas sem o teu amor
Há um punhado de amor esperando o despertar
Este herói desconhece o fim da batalha
Este louco poeta repousa no teu chegar

Já esqueci a recolha da tua palavra amarga
Há mulheres que sorriem com os lábios de pedir esmola
Há uma tarde que nunca chegará ao fim
Quando pela primeira vez entraste dentro de mim

A corrente miúda e cantante das ribeiras
Lembra-me o teu riso
As ondas do teu cabelo Menina
Lembram o Mar, o amar

Nesta ilha a terra fecha-se à volta e tudo
Nunca é acaso o celebrar de uma nova aurora
Sabes?! São estranhos todos os Mares que senti
Sabes?! Fiquei, nunca parti

Por estes dias, subi, pensei, orei
Deixei-me cultivar pelas boas lembranças
Construí uma melodia muda em ironia
E subi ao alto do monte de todas as esperanças

É sempre verdadeiro o desgosto que surge à hora do poente
Risquei novelos de nuvens no céu da boca
Há palavras que me chamam sempre à realidade
Há um coisa que não entendes em mim, a saudade

Não há choro que rasgue horizontes
Não há vale que não tenha a sombra dos montes
Não há perdão que deva ser negado ao poeta
Mesmo que ele seja como eu, um pateta

As filhas do campo são azuis na ilha
Escondi no silêncio absoluto a magoa
Sempre serás no meu mais profundo
O meu...Anjo de Água...

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

PRANTO


Manhã submersa de neblinas
A noite teceu seu manto
A água em sua eterna viagem
Cobriu a ilha de pranto

Parti da ilha numa manhã de luz fria
Com um pálido sorriso
Levando na bagagem a nostalgia
No coração a revolta
Nos olhos um ar submisso

A lonjura desenha uma cruel ironia
Cobre o sentimento no vale da distância
Deixou gravada no barro negro
A tua doce lembrança

Quantas luas passaram sobre a tua cabeça
Quantos rebentos de verde no barro nasceram
Quantas palavras ficaram presas à alma
Quantas dores do meu peito irromperam

Será assim na quarta feira
Pela minha palavra algumas centenas de almas subirão
A um cruzeiro no alto de uma falésia de pedra
No alto dirão algo que escrevi, uma oração

Cantores e atores desta terra
Gente que vive sem presunção e espera
Gente que arranca à terra o vinho e o pão
Gente que ora em santa guerra

Sei que a emoção será imensa
Que verei nos olhos das pessoas o espanto
E uma música feita por mim marcará esta peça
Lavrei-a com alma e tem como nome...pranto...



quinta-feira, 7 de agosto de 2014

NÃO ME PERGUNTEM PELO AMOR


Entre palavras e o rumor azul de mar
Dançam estrelas breves dos teus olhos
Cai uma murmurante lágrima dos sonhos teus
Ai se falassem estas mãos, diriam que afagam Deus

Qual é a cor dos teus sentires
Porque olhas para trás ao partires
Porque é translúcida a tua forma de querer
Porque os olhos da minha alma se fecham para não ver?

As mãos do amor ferido são trémulas
Se tocares no basalto arderão no acender da lava
Uma sarça ardente cobre teu suave peito
Não tenho manhas, sou tão ingénuo e puro, pró amor não tenho jeito

Nasci na ilha
Percorri vezes sem conta as estações
Apartei-me de muitas primaveras
Pensei saber tanto, já nem sei quem eras

Nunca esculpi na pedra um anjo
Às vezes regresso à inocência de sorridentes segredos
Nunca beberei os Outonos nas tuas mãos
Ninguém me aprisionará na baia de todos os medos

As gaivotas não cantam como o mar, sabias?
Imaginei uma distância infinita nas tuas ultimas palavras
É tão triste quando uma Mulher se levanta de manhã sem amar
Nas gerações da chuva encontro pronuncio de um chegar

Parti...
De gente mascarada de ódios eternos e pobres
Cheguei a uma baia do silencio
Onde Deus acha que são as minhas palavras brancas, nobres

Chegarei sempre a lugares imensos
Esta cabeça, esta alma, tanto querer
Não tombarei com o orvalho gerado da bruma
Sou pássaro que não precisa de olhos para ver

E de viagem para Santa Maria onde me estimam e querem
Serei Escravo da Cadeinha, escrevi para almas sentirem
Meu coração chorará com os meus atores vestidos das palavras deste homem
Quero que subam o cruzeiro, lavrei letras, senti, rezem


Foram tempos de desocultos fascínios estes
Há vidas, há campos, há terra onde não medra nem uma flor
Deixo no teu cabelo uma cintilante coroa e...Não Me perguntem pelo Amor...

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

NEGRO E FOGO


O poder do amor
O sortilégio dos sentimentos
Uma flor que respira
Um sonho, momentos

Inquietos às vezes encontramos o engano
Há um sorriso que já não visita a lareira
Há uma coroa de louro para uma mulher
Quem sabe, quem fala, quem sofre, quem quer?!

Há uma cesta com a fome da loucura
As hortênsias esmorecem em Agosto
Hoje é um dia em que a ilha me aperta o coração
É um tempo de vazio sentir, sol-posto

Este é o tempo exato da brandura das palavras
O tempo de lançar a mão por dentro de um breve sonho
Este é o caminho das sete fontes
Este é um “Ser” altivo e pleno, não bisonho

Este sou eu...!
Este é o tempo em que me elevo à condição de JUSTO
Abortaram todas as raivosas manhas nas pessoas
Em mim irradiou uma fogueira de mil chamas


Um instante de fresca brisa
Violou meu pensamento
As minhas mãos moldam palavras, quero que sorrias
Nesta poesia infinita do beijo

Meus senhores, minhas senhoras
Está servido este dossel de uvas maduras
Há um segredo no fundo de um poço feliz
Tomai bebei, este é o vinho sem agruras

Tomai comei este pão feito de esperança
Nunca serei um fugitivo perdido
Nunca serei um Sol escuro
Nunca guardarei raivas, sei, estou seguro

Nesta amena tarde envolta de misticismo
As minhas palavras nunca serão atiradas contra o silêncio das portas
Solto as mãos ao Mar e rogo
Uma promessa, uma chama...Negro e Fogo...

quinta-feira, 24 de julho de 2014

ERAS ASSIM



O inquietante de uma planície sem verde
Um velho que estende a mão e coxeia
Na sombra vive a maldade e a contradição
Uma fresta que rasga os olhos ao cego do coração

Não haverá instante teu que me viole o pensamento
O espaço provável onde habitam as gaivotas
Será o Mar ou ardência da pedra?
Será a tua alma um cais vazio de espera?!

Não se esgota em meus lábios a poesia infinita
Tampouco mares azuis, ventos imensos, mares estranhos
Já ouvi muita voz calada de branda fala
Já seduzi o tempo e sonhei sonhos tamanhos

Deixai-me construir a grandeza neste mundo de pobreza
Deixai-me construir castelos nas sombras indecifráveis
Deixai-me rebentar com corredores esquecidos, ter opinião
Deixai-me voar em paz nestes anos de solidão

Mas falemos da/e pobreza
Na entrega dos sentidos fui imenso “foste pobre”
Na generosidade da alma fui grande, imparável
No amar fui pleno e tratado como miserável...

...Enriqueci!
Tal como os pássaros suspirei de penas
Na opacidade dos vossos olhos, apenas sou
Na claridade alma que um Deus confiou

Serenos são os dias da minha espera
Já não descubro nesta ilha a pureza do sentimento
Nunca desistirei de dar cor às minhas obras
Fugirei no longe do pacto das cobras

Fiquemos pois no lugar onde ainda bate um coração
Contemplemos paixões transparentes
Será que para lá do horizonte há apenas silêncio?
Será que a tua pobre razão distorcida mata o que sentes?

Será?
Que todas as histórias têm um infeliz fim
Conheço uma feliz que retratei com todo o meu virtuosismo
Olhei a obra e pensei...ERAS ASSIM...


sexta-feira, 18 de julho de 2014

A PROCISSÃO DOS LOUCOS



Nos ladrilhos da minha cidade
Não ficaram marcas dos teus pés
Apenas um Sol que teimosamente arde
Apenas uma porta fechada para a saudade

Na minha rua há um cão triste e feliz
Casas desabitadas e outras com aroma de pão
Na minha rua não há muros, nem fronteiras
Gente má, mesquinha, sem maneiras

Há um Homem convencido que é avião
Um caminhante que não toca no chão
Uma bruxa sem varinha de condão
E uma gorda desdentada que só come pão

E há festa sempre que é verão
Um simplório dono da opinião
Uma carro parado por não ter travão
Um vazo de sardinheiras de cor açafrão

Um candeeiro que morreu num apagão
Uma virgem que a um beijo diz não
Um safado armado em lampião
E um Pai que diz ao filho “Grande Rapagão”

Um sonhador sem sonhos que pensa como serão
Uma pedra sem sapato nem tacão
Uma mulher que geme por tudo e por nada sem razão
Um bêbado que chora para dentro de um garrafão

Já chega de rimas acabadas em “ão”
E também de falar desta desinteressante rua
Não concordam que o poeta hoje está pior da tola?!
Bem, sempre é melhor que pintar uma alma falsa e nua

A minha...
Pintei-ma de uma só cor
Apaguei todos os traços do falso amor
Porque de certeza alguém está a pensar ao ler isto: “Olhem este estupor”

Ah...Ah...Ah...
Muito se ri uma manada de flausinas
Ah...Sabem o que são Flausinas?!
São o cruzamento de batatas e meninas

Eu não digo!?
Isto é que é uma desgraça para aqui
Já havia destrambelhados e não poucos
Cá está mais um nesta...Procissão de Loucos...

terça-feira, 15 de julho de 2014

O SOM DO AMOR



Um prodígio nunca é aceite pela mesquinhez
Um ser diferente é bicho escorraçado
Um Homem bondoso é árvore de chacota
Um Poeta é sempre criança que segura o Mundo

Nasci numa manhã de gotas de chuva luzindo
Numa terra crepitante e cinzenta
Semeados certos homens tornam estéril a terra
Às vezes eclode uma mente brilhante que esteve em espera

Meu Deus...
A noite que passou trouxe-me amargos presentes
Quanta dor flagelou este infeliz corpo
Só, senti, rezei, pedi paz, pedi misericórdia, adormeci

Nesta voz apagada do meu corpo
Este vagabundo que bebe a vida
Neste silêncio súbito sem bruma
Este guerreiro vestido de espuma

Porque de vento se vestem algumas pessoas
Empunhando pedras de arremesso
Para eles não haverá Sol para o terror da solidão
Nesta minha bondade perdoo, estendo a mão

O que me fizeram...!?
Há pessoas infelizes que rirão ao entrar em si
Loucura, mentira, incompreensão, falsidade
Talvez gostassem de saber que morri

Não morrerá nunca a forma como vos amei
Reverberá no tempo o imenso que vos tocou
Não se apagará mais a doce verdade das minhas palavras
Não guardei rancores, às vezes fico tristemente zangado de mágoas

Sou assim, verdadeiro, sem ardis, sem punhais na manga
Quanto inventaram, quanto zombaram, tanta indignidade
Porque será que os seres de alma pequena são assim?
Porque terei acolhido alguns na minha inventada cidade?

E declaro que amei incondicionalmente quem não me amou
Que fui fiel à minha palavra e compromisso
Que mais não quis do que ter um abraço e um sorriso de quando em vez
Que não vos quero mal, tu, tu e tu que sejas feliz

Como fica amarga a poesia num corpo dorido
Como fere a navalha, soa estridente o tambor
Vou reter a bondade, o perdão
E inventar...O Som do Amor...

sexta-feira, 11 de julho de 2014

ENIGMA


A sombra aprisiona um lamento
Quantos heróis vejo em refrega tonta
A noite sempre se aproximando
Toda a gente sabe e esquece, pró mal, sempre pronta

Às vezes anseio o silêncio como um doce poema
Quanta escassez haverá em certas vidas
Procuro todas as manhãs uma perdida ilha
Já fugiu a Lua, já tremi, já vi almas perdidas

Saberás, que há muito mais porque morrer
Que o amor é uma planta sem cor
Para que floresça, vingue e cresça
Terá que germinar, ser e pareça

Saberás que as errâncias presas à alma
Que essa tua falsa chama
Essa serpenteada forma de no ontem sem amanhã
É veneno, é loucura, é mordida de maçã

Pois...
Agora lembrei-me de Eva
E não era alemã a nua senhora, creio
Há sempre uma traição e um homem no meio

Qual nada, rapaz
Falar destas tretas?! Isso não se faz
As mulheres são todas castas e puras (...)
Lágrimas, injustiças, coitadas, roupas molhadas, umas ternuras

Estou emocionado!
Todo a tremer, sem me poder conter
Vou de romaria e pé descalço, pão e água
Penitência, nada de rir, fecha os olhos, pra não ver

Isto é tudo brincadeira
Tenho um grande respeito pelas mulheres, mesmo Mulheres
Há as outras, porque também há frio e chuvas
E há os cãezinhos e os amores das cadelas puras

Quem vem lá!?
De espada e escudo de lata
Cá está o dom quixote de lá mancha de tanga
Não diz coisa com coisa o pateta

Onde para a minha Dulcineia?
Nasci nesta desgraça, um estigma
Este é o mais parvo poema que escrevi
E vejam, até o chamei de...ENIGMA...

ESTE POEMA É UM EXERTO DE UMA NOVA PEÇA EM PRODUÇÃO

segunda-feira, 7 de julho de 2014

OS MISERÁVEIS


Sempre ouvi a oração do Mar
Este meu pensamento é ave no espaço
As leis do homem são água da areia
Há gente linda, gente feia

Fosse porque fosse nasci assim
Procuro uma palavra na outra face da traição
Há uma explicação que facilita a respiração da maldade
Não quero que me devolvam o firmamento nem a contradição

Minha boca mexe, meu coração para
Numa vertigem ofereci-te uma ilha, nem mais, nem menos
Ao menos que me ames neste poema
Já que comigo não ficarás até entardecer mos

As estrelas não regressam a casa
Mas às vezes em descuido caem do céu
No recuo delicado deste verão
Não quero sentir dor, a tua mão, emoção

Esta porção de sentidos não é para ninguém, ouviram!!!
Há um instante onde tudo é possível dentro do amor
Que nos ata à colina da paixão
Exaltei palavras, mas o ódio é fazedor da dor

Adiei a morte na espera do amor
O Mar acolhe a minha fulgente alma
Este Mar que arroxa esta minha dramática ilha
Esta tempestade que rebenta, destrói, não acalma

Não quero reacender o beijo entre nós
Há um terrível veneno numa boca sem amor, que mente
Não sei se Deus olha para estas coisas
Só sei que o mal não dura eternamente

Já não preciso do amor para resistir à voz do silêncio
Vou enlaçar a ultima palavra verdadeira que te ouvi
Sabes?! Nunca entendeste que as minhas palavras ligam-se ao coração das mãos
Por isso, por tanto, por todo o imenso, não minto, vivo, vivi

Podemos tirar amargura ao tempo
As águas impuras que nos limitam
Podemos encontrar sempre um caminho de volta
Podemos passar por muros altos sem porta

Esta noite já me pesa em minhas mãos rarefeitas
Quebrando a respiração em compreensões insondáveis
Quero apenas aqui afirmar que tudo isto não é para ninguém
Foi apenas um sonho que vivi com...Os Miseráveis...

sábado, 5 de julho de 2014

O DIÁRIO DA MINHA SAUDADE

O

Escureceu a memória nos teus olhos
Como profecia o mal tomou de assalto algumas almas
Há corações que se consomem na ausência
Há sentimentos perdidos na vida de uma hortência

Esta ilha não tem nome de mulher, ou tem?
Antilha a ilha mítica
Onde haviam doceis de ouro
Onde guardo mil lembranças, um tesouro

Sento-me neste banco de pedra
Rezo, desejo, mal digo, prevejo?!
Não! Vou escrever a sangue numa sarça
“O amor não existe, é loucura, é apenas desejo”

De quê?
De passos minúsculos sem tempo, sem rumo?
Que música faz crescer espinhos nos teus gestos?
Entre muros de branco cal, um Sol a prumo...

Um rumo...
Um perfume de santa verdade
Os inaudíveis rumores de falso sentimento
O acaso, um palhaço, uma rosa breve, momento

Há uma lonjura imposta por este coração
Na ilha todas as casas ficam perto da água
Na vida há pessoas que longe ficam, estando perto
Não estão, habitam o incerto

Tangidas de melancolia são as falécias da estupidez
Estarei desperto, sorrindo, ouvindo os dias
Estarei deslumbrado com todas as cálidas auroras
Serei sempre filho de um Mar, terei a irreverência das amoras

Na espuma levitam anjos de água
Há sonhos imensos outros menores numa mão
Dentro de mim reverbera o grito do milhafre
Este Homem tem orvalho no coração

Este Homem emana uma refulgência pura
Como gaivota ouve o sonho a verdade
Este HOMEM lavra todos os dias traços de vida
No...Diário da minha Saudade...

quarta-feira, 2 de julho de 2014

POEMA PARA UM AMANHECER


Quando uma mulher reza
Aí o silêncio é uma flor e chora
Enquanto tudo compõe a solidão
Fica o sorriso de um surdo, o encanto de um mudo

Ficam os passos suaves de uma criança
Ficam os ouvidos apagados
A língua presa à palavra maldita
A desdita dobrada no peito de Mãe aflita

Às vezes um homem bebe do cálice que embebeda o louco
Escorre este amargo absinto pela goela prenhe de secura
Às vezes subimos a colina da cidade desatenta
Às vezes a palavra é afago, outras chicote, crua e dura

Nesta alma persiste a alegria
Serei o primeiro demiurgo da tristeza vencida
Corpo solene ungido com a maresia
E lembro-me como sorrio às vezes, criatura que em Deus confia

Então poeta, isto é que é cuspir metáforas
Hoje quem te ler vai pensar que és o escritor maior
Um intelectual de mão cheia
Não! És apenas o filho pródigo de um deus menor

Podia ser um bom titulo para o poema
“Filho de um deus menor”, mas como pode ser!?
Se tens esta brilhante forma de pintar a saudade
Como pode ser menor alguém a quem tiraram a verdade?

E sigo embalado pelo âmago do universo
Conto as vagas de um mar inventado e são sete
É tão simples esmagar os dias na contradição
É tão estúpido a uma deusa de barro pedir perdão

É tão triste repartir a mesa com a falsidade
Saibam que esta água que circunda a ilha
Está sempre girando nos olhos em desdita
Passei à pouco numa estrada de céu azul, maravilha

Passei e fechei os portões da lembrança
O tempo pediu-me para te conhecer
Não sei bem e nunca saberei quem és
Uma pauta sem notas ou...Poema para um Amanhecer...

domingo, 29 de junho de 2014

O IMPÉRIO DO SOL



Esta cabeça não para
Este pensamento alucinado
Esta alma que tudo colhe
Este coração de mal-amado

Este ser descalço vestido de fé
Esta viagem longa, imensa, dói
Só, sempre só, este imenso Mundo
Este mergulho ao profundo

Estes pés descalços
Estas pedras afiadas, lâminas
Esta ânsia de ajudar, de amar
Esta maldade que me atinge em chamas

Tenho fome de sinceridade
Não consigo entender a maldade
Puta de vida! As pessoas não prestam
Este é um dos sentimentos que ainda restam

Hoje acordei num clarão
Pensei ser Deus a tirar uma foto do Mundo
Tenho sede de acreditar em algo
Tenho o corpo flagelado de castigo

Então rapaz, para onde vais
Vão-se quebrando as colinas onde me abrigo
De vida em tempo recolho água e pão
Sobrevivo graças a esta força, este coração...

...Que não para de bater
De quantas Luas se fará ainda meu destino?!
Já perdi algumas vezes a razão do viver
Já acendi uma vela para orientar o crer

Já enverguei o manto do Senhor
Rezei ontem e pedi paz e amor
Estive só como sempre a vida ordenou
Pedi luz e perdoei quem me infligiu dor

Por estes dias a noite mais escura aconteceu
Por estes tempos decidi continuar a trilhar sozinho um destino
Decidi abrir as velas ao vento neste atol
E procurarei...O Império do Sol...

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O TEMPO SORRIU



Um dia descobri a cor do Mar
Descobri que as gaivotas são pedra de sal
Que os golfinhos são os olhos de Deus no Mundo
Que mora em mim tanto crer em meu profundo

Pensei que nunca saberia falar do Mar
Vesti-me de corpo inteiro para o sentir
Repousei na areia qual barco em espera
E desenhei na mesma um desejo, uma quimera

Os sonhos são isso mesmo, sonhos
São uma longe e demorada estrada
São um sorriso, fé, momento
O silêncio do querer, alegria, sofrimento

Com a sua idade indecisa
Este vento lembra-me o vazio da maldade
Com este alento que sugere a subida aos píncaros
Inventei uma feliz cidade

Inventei pessoas transbordantes de amor
Uma lamparina na casa onde moras
Inventei a palavra que faltava do verbo amar
E li numa parede velha: “ALIANÇA DAS COBRAS”

Não gostei da frase confesso
Como sou crente detesto a palavra serpente
Entre os muros de pedra onde antes havia um verdejante vale
Deixei promessas de verdade, de puro amor, um presente

É na vida que continuarei a plantar sonhos
Sei que tal como os pássaros hesitarei na abordagem dos ramos
Nunca terei medo da noite que chegará sempre
Continuarei a pintar sorrisos, apagarei desenganos

Por tudo isso o que não é pouco
Resolvi fazer um feitiço
Pendurei alecrim no teto da cozinha
Fiz um defumadouro, com chapéu de bico, barba e bigode postiço

Não resultou como já se aperceberam
Errei na poção de amor, pôs “amar” a mais
Numa nuvem de descrença aquilo explodiu
Que tolo és poeta...O Tempo Sorriu...

terça-feira, 24 de junho de 2014

PEDRA ARA



No afago das vagas dorme a ilha
No final de todos os caminhos existe a paz
Sem bússolas, sem mapas, sem rumo
Este Sol imenso que ilumina meu destino

A estrada do céu é infinita
Folheando livros esquecidos encontrarão a minha história
Serão palavras dispersas num céu sem luz?
Serão beleza, exaltação, feliz memória...

Serão o que for
Neste anseio louco de tocar as estrelas
Neste coração a pulsar ao ritmo das vagas
Na grandeza silenciosa e contemplativa não guardo mágoas

Para alguns
Os sentimentos vão e vêm como nuvens
Às vezes são a crista negra de um penedo
Às vezes imensos, às vezes metem medo

Nos sonhos não podemos falhar
Sem querer, já magoei pessoas
A minha vida nunca será reflexo de outra
Mas, são tão falsas as pessoas, todas

Às vezes amar não é um sentimento, é um dever
Às vezes uma fatalidade
Às vezes damos por nós acreditar que é possível
Às vezes pensamos ser verdade

Há uma prometida viagem ao meu espírito
Aprisionei os ponteiros de um relógio
Nesta sensação de ser diferente um sentimento partiu
Olhei a vida, o tempo sorriu

Brilha neste ser a pureza de primaveril aurora
Meu Deus ensina-me a procurar “TE”
Quero manter o meu nome, ser concreto
O amor que nos ama é tão incerto

Talvez volte a esta terra numa tarde tranquila de gaivotas
Tenho sede de morrer para este destino
Nestes dias para além de uma esquecida Primavera
Deixem-me na paz, este tonto, como dizia minha Mãe, este menino

No resplendor dos dias aquecerei meus olhos
Porque esta alma continua, não para
Toco de leve esta mesa onde celebram o TEU sacrifício
Beijo esta...PEDRA ARA...

sexta-feira, 20 de junho de 2014

SUBLIME SENTIR


Acordei e bebi o meu silêncio
As manhãs são a luta da neblina e do Sol
Hoje vou vestir-me de simples homem
Não serei artista, nem barqueiro de um triste atol

Não sei, se ouvirás a palavra inatingível
Neste respirar de um novo dia dos pássaros
Intemporais e silenciosas são sempre as estrelas
Assim como o amor, assim como em ti o louvor

Sob o céu sem nuvens
Hoje, aqui, em qualquer outra parte
Este é o ultimo tempo de um Setembro que se avizinha
Folhas de cristal, raiz de pedra, uma terna espera

Pediram-me que falasse na saudade
Disse que não sabia, apenas sentia
Pediu-me uma grande Amiga tua que falasse de Ti
Disse que por ti, nunca saberia o que dizer, que fiquei, não parti

Disse que quando flutuo em teus olhos
Somos uma ilha verde e outra azul
Disse que teus ondulantes cabelos negros
São barco navegando na brisa a sul

As pedras que me lançaram
Imperturbável, já as lancei sobre as ondas a espaços
Este Sol sereno, teimosamente arde
Sobre o chão dos meus passos

Sabes, nunca saberei o que dizer do fascínio das pedras negras
Ficarei sempre triste na partida dos garajaus
Seguirei sempre o voo das cagarras
E amar-te-ei eternamente sem fronteiras, sem amarras

Já ouvi pararem teus passos algumas vezes
Já lavei do meu coração íntimas feridas
Já te tive plena em oração
Já andei perdido no deserto das errâncias e senti tua mão

Escrevo este poema na transparência da música
Um dia disse-te: “não há duas reais verdades”
Um dia disse-te: “nunca te afastes do que será”
Nunca deixes de crer, não mates as saudades”

Ainda guardo a inocente idade de plantar o vento
Sobre o orvalho das maçãs há uma menina que não quer o partir
Serenos como os teus olhos, uma lágrima, crer
Assim é este...SUBIME SENTIR...

sábado, 14 de junho de 2014

MEU AMOR...



Há um momento na nossa vida
Em que nascemos de alma confiante e nova
Escrevo com insistência estas palavras tingidas de amor
E descobri mais em ti nas palavras que se abrirão em flor

Tal como uma ave que abre espaços na Primavera
Serás sempre vibrante de paixão
Não há coisa mais importante para o poema
Do que a lágrima que aprisionei derramada do teu coração

Na distância sinto-te mais perto
Prometi a mim mesmo abrir teu coração de par em par
Quando as hortências forem mar de único azul
Construirei uma casa para nunca mais me desencontrar

Sabes...!?
Falei de Ti a uma pessoa especial
Perguntei que faço, que digo, que espero...?
Não serei derrotado pela madrugada, não quero

Não haverá mais descontentamento nos meus Invernos
Não haverá reserva do meu pensamento desperto
Não haverá mais duvida nas margens do silêncio
Não haverá mais reserva, apenas o concreto

Este poeta estendeu todas as palavras na tua mesa
Este poeta atravessou montanhas para celebrar um filho
Este poeta morde o chão e chora quando o seu querer não alcança
Este poeta nunca venderá de barato a esperança

Falemos pois dos suspiros dos pássaros
Lembremos que a dor não define objetivos
Libertei do mar barcos de cansadas âncoras
Libertei as duvidas ao som de sinos festivos

Importas-te que fique contigo apreciando a noite?
Não insistam trazer-me postais de um realidade gasta
E como contigo não importa mais nada
Buscarei novos pontos cardeais e direi a alguns, basta

E voarei na bruma evitando a penedia
Plantarei na tua varando uma planta com flor
Direi a ao mar, soltarei ao vento
Quem és...Meu Amor...

segunda-feira, 9 de junho de 2014

SEMENTES DO OLHAR



Não direi o teu nome a ninguém, ainda
Só poderei responder ao eco do meu próprio nome
Como Garça, soubeste ouvir o sonho
De túnica de anjo amarás este ser bisonho

Há céus escondidos sob as tuas vidradas pálpebras
As alegrias das memórias do que ainda somos
Na fonte do imaginável e irreal te encontrei
Cruzarei a terra, plantarei florestas para dizer que te amei...

Amo...
De mil soldados não sairá um poeta
Já aprisionei esta guerra de loucuras
Já plantei todas as palavras puras

A minha paixão por ti é uma recusa à fatalidade
Nas folhas caídas ainda mora o verde da fascinação
A felicidade não nos pertence, estou certo
Mas senti-a nos teus olhos, tão perto

Por isso a tua imagem gravita nos trincos do meu pensamento
Teus cabelos soltos floridos são raios da madrugada
Amo-os, esguios, soltos, como o livre pensamento
Trago-te uma hortência fresca para eternizar um feliz momento

Já te disse: “Há um lugar entre fronteiras onde tudo faz sentido”
Há tanto a florescer de pequenos nadas
Há em ti a reinvenção do gesto das gaivotas amanhecer
Há em ti a fonte de milagrosa água onde a saudade pode beber

Às vezes é preciso acordar o silêncio
No gesto demorado de abrir janelas
Para mim, nunca serás uma menina sorridente acenar num cais vazio
No meu abraço, nunca te aprisionará no tempo o frio

Travadas as portas abrem-se devagar
Levei seis felizes dias para aqui chegar
Descobri uma terra entre dois mares
Lancei nela...Sementes do teu Olhar...

sábado, 7 de junho de 2014

VERBO QUE CANTA


No rumor do crepúsculo a esvanecer
Rasguei os caminhos da ilha contigo
Percorri estradas e ofereci-te palavras
Na verdade, olhei teus lindos olhos de cansaço noturno...

...Lágrimas...
Vi teus lindos e ternos olhos a chorar junto aos meus
Vi amor, saudade, vontade...
Quantas vezes terei que te dizer adeus?

Há um momento na nossa vida
Em que renascemos na memória feliz
Ontem recriei a cores e os aromas do mundo
No espaço dos anjos, estás no meu mais profundo

Menina do Mar
Quis levar-te onde o mar devolveu meu Pai
Menina dos meus olhos, sem contradições
Que cresceste nos umbrais das estações

Na ardência de todos os sentidos
Sei que no Sol e no Mar existem outras dimensões
Tal como eu, Deus viu em ti a sombra das rosas
O resplendor de duas lágrimas unirão corações

Entreguei-te todas as minhas verdades
São tão íngremes os degraus do tempo
Na passagem alta de uma ave
O ar liberta o odor dos sonhos passados, por um momento

Gosto do teu riso, da tua voz vestida de meiguice
É prodígio plantado num jardim
Toquei-te temeroso a mão
Meus Deus, como sorriu este coração

Que noite...
Descobri a mesma encantada ilha nos teus olhos
Toquei imperturbáveis cabelos na claridade
Descobri que é impossível morrer a saudade

Vez agora a mudez dos fazedores de neblinas?
Na minha alma tu levitas como um anjo de água
Há um templo nesses teus olhos enublados
Porque o meu sonho é maior que a palavra

Vez agora que ainda me deves um dia de sete?!

Derrubarei contra o tempo, altos e inumeráveis muros
Sei que o amor acolhe-se, não se espanta
No prodígio de uma oração solto este...Verbo que Canta...

DEDICO ESTE POEMA A UMA PESSOA QUE AMO

terça-feira, 3 de junho de 2014

QUANDO TE LEMBRARES DE MIM

QUANDO
Perdem-se as memórias nos espelhos
Esta minha ilha tão perto do Mar
Um odor de ti sorriu à lembrança
Inexplicável é o deserto onde perdeste o amar

Abro as mãos às tuas ultimas palavras
Ficará suspenso o pó do amor nas sombras
Escrevo para que oiças um Violoncelo
Nelas encontro tristes gaivotas em suspenso

Com este Mar sempre em fundo
Com este oceano de hortências que pintam a ilha
Com tudo aquilo que sou e sabes quanto
Com a pedra e água de uma aurora de espanto

Vim de um longe, onde sorriem as acácias rubras
Cheguei num nevoeiro matizado de errâncias
Lavei as minhas íntimas feridas nas águas de uma lagoa
Amar-te-ei, neste verão de descontentamento, até que, a alma me doa

Nesta ilha, onde há uma pedra, também há uma flor
Há a fé, o milagre desencadeador de uma paixão
Nesta ilha, há a bênção do sangue o do pão
Há um aguaceiro que promete pacificar meu coração

Inimagináveis são os espaços da minha alma
Sou a dimensão uma branca página inteira
O desfio de um verde rasgando o azul
Porque o poeta nunca se perde, nunca adormece, esquece

O amor límpido dos pássaros lembra-me teu rosto
Há um lugar entre fronteiras onde as coisas fazem sentido
Partimos aos poucos para lugar nenhum
Há uma verdade tão simples, um querer incontido

Nunca ficarei à espera do adormecimento inadiável
Estendo os dedos ao destino com a mão aberta
Gostava de visitar o lugar onde brincam os golfinhos
Gostava de habitar o lugar onde os pássaros fazem os ninhos

Gostava...
De te dizer o inadiável das palavras
Que há um sentimento que teima não ter fim
Pensa apenas no Mar...Quando te Lembrares de Mim...