sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

SETE VIDAS DE MULHER


É no estio que as palavras ferem o coração
Lençóis de linho, mãos procurando
Escondi um punhado de versos para te cativar
Inventei uma mulher que espantosamente sabe amar

Engraçadinho...!
A liberdade é um bicho
Uma mulher é um bicho
Uma maçã não é um melão

Atoleimado...!
Mais valia ficares calado, dirão algumas
Depois de ler este poema virão milhões de risos
Misturados de sarcasmo, água e raízes

O poeta endoidou, estão felizes?
Escondam a cauda entre seus medos
Devorem o frio à dentada
Porque hoje isto não quer dizer quase nada

Ou quer...!?
Um homem não deve meter colher em mulher
Qualquer, circunscrita do amor
Há quem arranje uma e, seja o que Deus quiser

Pronto!
Foi um momento de humor rasca
Conversa remoída na tasca
Coleira e corrente, basta!

Eu hoje até senti vontade de escrever
Um poema magnifico
Tive vontade de procurar um abraço perdido
Vontade de te dizer amor, fazer contigo

De suspender as flores todas no céu
Desenhar uma nuvem de gaivotas
Meter na tua lembrança um sorriso breve
Abrir na minha alma para ti todas as portas

Estão a ver?!
O poeta já não troca o passo
Isto foi atirar letras e seja o que Deus quiser
Não falei de gatas, apenas das... SETE VIDAS DE MULHER

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A RAIVA DO MAR


O amor
O meu amor brota
Acima das pragas e das maldições
Guardo soluços e ninhos e uma pena já morta

E vou vendo
Bebendo em fontes onde já bebi
Com pássaros e flores de porcelana
Pinto o rubro de uma acesa chama

Uma rua negra e enorme
Um sonho longo, vazio
Uma mulher tonta lembrando os maios de maio
Um barco subindo um seco rio

E rio
Com lágrimas a contradizer
Entre tantos olhos e sorrisos
Que fazer para te ter?

Cadeiras ensanguentadas de suor
Um bar escuro de gente triste
As pupilas secas, garganta ardente
E um poeta pateta de ar contente

Por isso rio
De mim...
De pensamentos toscos por pintar
Já agora traço um barco para navegar

De papel
Quantos corações tem uma mulher?
Quantos sorrisos são precisos num engate?
Às vezes pega, outras acontece uma treta qualquer

Hoje o poeta não diz coisa com coisa
São assim os homens nos silêncios apunhalados
Nem maçãs maduras nem palavras
Corram com o feitiço, afoguem as mágoas

Com vinho penas e compaixão
Não acordemos os pássaros que habitam a noite
São válidas todas as propostas para voar
Onde a felicidade irreconhecível possa morar

Não perguntem a Deus por mim
Deixem os Anjos na ilha voar
Se quiserem encontrar o poeta
Procurem na...RAIVA DO MAR...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O PODER DA ÁGUA


Estou cansado deste inverno e do vento
Da fúria da espera
Deste imenso e rebelde sentir
Do amor, da verdade nele descobrir

Tenho as mãos presas ao coração intacto
Aguardo o regresso da presença de um nome
Como as ondas criadas no interior do mar
Como sal que unge o verdadeiro amar

Concebo futuros com um gesto
Enquanto espero o amadurecimento da distância
Imaginando o intemporal
Numa luta imensa entre o bem e o mal

Trago um nome
Soerguendo-se dentro de mim
Virão assim longos sóis e longos dias
E o eco dele reverbera sem fim

Quem sou...?
Quem és doce e encantado perfume
Apaixonante feitiço
Paixão em rubro lume

Sou ilha perdida dentro de outra ilha
Filho de um Deus que nos torna pequenos
Talvez sejas a fonte da minha saciação
Talvez esteja aprisionado este pobre coração

Esta minha insaciável sede para um regresso
Porque me perdi
Entre a frieza dos homens
Alimentei a alma de Ti

Um choro sem angustia que se esconde
Não me perguntem porque amo, ainda
As flores não morrem no sitio onde venho
Mil vezes silêncio, o poema é sobre uma alma linda

Não quero que o teu rosto viaje
Para longe da minha presença
Não quero que o vento agite e devolva a mágoa
Porque sei que uma lágrima tem...O PODER DA ÁGUA...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

ESTRELA DO MAR


Venho de um País encantado
Só com uma casa e sete flores onde tudo pode acontecer
Trago as mãos vazias embrulhadas de silêncio
Dou uma flor das sete a quem me ensinar o viver

Venho de um tempo
De árduos amanhãs
De laço e chapéu de coco
Coração triste no estômago um soco

Passou o natal
Passei só e como tal
Tive a companhia dos deuses
Únicos que não me levam a mal

Tive de prenda um saco de vento
Uma dor que decidiu voltar a doer
Tive um tostão perdido em bolso roto
Adormeci e sonhei que estava morto

Acordei por volta de uma perdida hora da manhã
Saí de casa sem rumo nem norte
Fui com os olhos cuidar do azul do mar
Este louco sem eira nem beira, sem sorte

Fui parar a uma praia estranha
Levou-me a noite em seus braços
A lua sorriu zombeteira
Uma gaivota desperta riscou no céu sete traços

Uma luz tomou de assalto seu rasto
Uma frase surgiu como por encanto
Um anjo segurou a irreverencia das letras
“Amor é um monte de tretas”

Não é nada!
Nem precisa da varinha de uma Fada
Eu apenas deixei de acreditar
Que alguém saiba como eu amar

Andei por ali às voltas
Aprisionei todas as horas mortas
O Mar chorava viúvo das ondas da maré cheia
Senti na alma o suspiro de uma baleia

Mirei-me numa poça de sal
Olhei e de espanto perdi o falar
Eras tu a sorrir-me no espelho de água
Vestida de...ESTRELA DO MAR...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

DOIS ANOS DE SOLIDÃO


Descobri
Que o choro é uma certeza
Não rasga horizontes
Não acalma a mágoa entre pontes

Desmontei a misteriosofia do amor
Num tempo de vazio profundo
Amar é apenas sentir
Fazer parte das cores deste mundo

Pobre poeta
Mendigo dos seus desgostos
Pobre criatura
Insignificante perdido da gente dos mil rostos

Ilha impossível
Onde o amor é pecado
Onde a maldade toma conta da razão
Morre estúpido coração!

Nunca serei um vagabundo com um cão esquivo
Num inverno com gosto amargo do vento
Nunca serei pedra jogada no esquecimento
Esta alma subirá em glorioso momento

Sei quem és
Sei que representas a doçura do sentimento
Sei o que sentes
Sei que no sonho não mentes

Sei...
Tanto, tampouco
Sei saudades
Espero que floresçam verdades

Em Ti...
Que o eco das minhas palavras
Encha um vazio surdo
Que o amor deixe de ser mudo

Começo este ano com a alma em construção
Com as calças de menino antigo
Tenho um sonho fechado na palma da mão
Resgatar o amor do teu coração

Tenho mil sonhos para plantar
Vou recolher a palavra amarga ao coração
Vou abraçar uma ilha perdida
No meio de...DOIS ANOS DE SOLIDÃO

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

POEMA PARA UMA NOITE MAIS LONGA


Esta alma persistente de alegria
Este ano
Ventos fortes e mares estranhos
Uma branda fala que te diz: “Que amor tamanho”

Percorri estes dias passeando numa parede nua
Disfarçado de inquietude e revolta
Senti dor entre a fronteira e a distância
Seguraram-me o espírito sete anjos à minha volta

Dois nunca me deixaram
Enquanto caído tocaram-me em fé
Tenho saudades tantas Mãe
Só vocês acreditam em mim, Maria, José

Segui dia a dia, passo a passo
Desenhando novos sonhos de rosto cansado
Vesti-me de pássaro de silêncio
Risquei abismos, desejei partir para o outro lado...

...Para vos ver
Para vos dizer que fui digno no viver
Para abraçar Deus
Para Adormecer neste querer

Era uma vez...
Era assim que ia começar este poema
Era uma vez um homem que amou
Que sente na alma uma monstruosa pena

Era uma vez um rapazinho
Que descobriu o Mundo numa bola de sabão
Cantou com as marés voou no grito de uma gaivota
Era uma vez um poeta de bom coração

Este homem
Nunca te mentiu vida
Nunca fez o que a maldade proclamou
Este homem apenas amou

Esta criatura foi generosa
Cuidou do amor e chamou a si toda a dor
Enfrentou espadas e tempestades
Esta criatura apenas quis dar amor

Apenas, tenho saudades
Quero adormecer no embalo de uma azul vaga
E deixar correr o tempo numa folha branca de papel
Neste...POEMA PARA UMA NOITE MAIS LONGA

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

RETRATO BREVE


Encontrei o sentido da vida nos teus olhos
Trago-te dentro de mim
Não sei como tratar a saudade
Não sei sentir sem verdade

Disseram coisas terríveis deste pintor
Transformaram a minha ternura em ira
O meu abraço em violência
Disseram tanta inverdade deste tonto poeta

Disseram-te...
Terás perguntado o porquê da maldade?!
Terás aberto a alma à contradição!
“Às vezes um inocente pede perdão”

Às vezes...
Solta-se um grito a dizer basta
Misturando a água às raízes
Para que floresça novamente das feridas o amor
Sem cicatrizes

Às vezes...
As palavras misturam-se com as cinzas da tarde
Só o vazio ocupa o teu lugar
Tenho-te no mais belo jardim da minha cidade inventada

Enquanto o tempo não dá noticia
O resto do mundo arde
Tudo se limita a construir a esperança
Já te disse, espero-te nesta minha inventada cidade

O provável da ternura
O encontro inadiável
Este acaso clamando
Uma porta abrindo

Os dedos a escrever no papel
Vasculhando a sombra, a dor da rosa
Mora dentro de mim uma criança impossível de sorrir
Sem ti, ficar, partir

No alcance de cada horizonte
O sereno que beija o verde
Deixei preso ao teu coração um segredo
A palavra amor, num...RETRATO BREVE...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

POEMA PARA UM SILÊNCIO


A verdade
Causa uma impressão verdadeira
O duradouro na nossa alma
O tocar do coração a vez primeira

Um par de pérolas
Um poema para os que compreendem
Um silêncio vindo de dentro
Um dezembro de tristeza servido

Não tenho muito lugar
Quedo-me no murmúrio surdo da ilha
No esquecimento do mar brincado
Numa lágrima de dor e alegria

É bom que se saiba
Vencida está a ferida
Tenho no coração escrito de forma inalterável
“Amo-te” Amo nas ondas que flutuam na tua cabeça, vida

Hoje
Ainda a noite tomava de assalto o dia
Soltei um mudo grito
Meu Deus, que caminhada, que loucura

Apenas com amor guardo estes soluços
Ninguém sabe e todos lembram
Que mereço a morte
Meu Deus, que caminho de eriçados espinhos, que sorte

Não se pode pintar um vazio indescritível
Este silêncio que incomoda, morde
Um punho preso à garganta
Tanta dor, tanta

Tanta incompreensão
A maldade à solta
As hortência adormecidas
Este poeta de perdidas vidas

As mãos do pintor
Compondo a solidão
Um abraço lembrado
Este...POEMA PARA UM SILÊNCIO

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A SOMA TOTAL DE CADA INSTANTE


O coração
De tudo o que se pode sentir
Não há sol que valha a solidão
Neste cais sem barco pronto a partir

A chama das palavras
O caminho das horas transparentes
Cerne impercetível do papel branco
Um acaso de amargos presentes

Estou escaldado de ternura
Por isso e pelos versos que me denunciam
Pelos longos sonhos de um menino antigo
Serei sempre a forma do amor contigo

A sede que se sente
Quando a injustiça nos aperta a alma
Um frio de abismos sem principio
Uma gaivota repentina

É pela força do poema
É pelo grito de quem não se quer vencido
É talvez pela tua distância
“É esta vontade de amar contigo”

Um silêncio que devasta o coração
Este esperar na dor da ferida
Este querer baloiçando no infinito
O acaso clamando um novo dia

É um tempo
De ventos fortes e mares estranhos
Meu Deus, deixai-me construir
Um ruído mudo de silêncio sem o coração partir

A entrega dos sentidos
Escondendo o segredo das penumbras
As palavras ditas que me chamam à realidade
A mentira cruel que afogou a verdade

A matemática da vida
Um número de cor, de teatro
Uma volta ao acaso de triste comediante
Faz se puderes...A SOMA TOTAL DE CADA INSTANTE...

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

VENUS


Sentei-me com quem teme repartir o amor
Esta manhã
Vi desprenderem-se do céu anjos magníficos
“Senti que amar com amor é sentimento vã”

Com o âmago do universo
No bater do coração
Alheado pela emoção que não absorvo
“Aprendi a suportar a palavra não”

Vou vencendo animais marinhos
Rios de crispadas águas
Vou arranjar um par de asas
Para no voo sacudir mil magoas

Já tentei sorrir às vezes
Contando aves numa alegria adormecida
Já bebi o mar numa tarde de verão
Já beijei uma mão e pedi perdão

À minha volta a luz é insuficiente
Terei que subir uma colina desta ilha desatenta
Tenho a persistência da alegria das casas pobres
Tenho alma sete razões nobres

Amo
Com verdade me visto
Sou apenas um poeta sem rima
Que não aprendeu o que a maldade ensina

Sabes?!
Os meu poema cresce sempre sozinho
Sabes?
Sou apenas um pássaro que caiu cedo do ninho

Conheço coisas vivas sem nome
Conheço o verde que me cresce das mãos
Conheço a saudade verdadeira
Conheço o amar na vez primeira

Não conheço a cor do rancor
Tampouco a palavra términos
Sonhei esta noite com uma criatura bela
Vestida de sedas e ouro tal como...Venus...

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

COMO O SILÊNCIO


Teu rosto claro de mulher
Como o pão fresco e saboroso
Nas manhãs que possuirão aquela luz de novidade
Vi o teu retrato, saudade

Trespassado pela monotonia ecoante
Acendi uma luz, novidade esperança
Este mar rasgando rochas
Esta força de amar, confiança

Aguardo certamente
A chegada da gaivota calada e serena
Aguardo certamente
O reflorir da tua paixão plena

Para em cada voo erguer
O grito do mar
O grito da paixão
O grito do amar

Contemplemos as verdades lúcidas
Sigamos em frente sem nos determos
Sorrimos com voz cansada
Como afinal não importasse mais nada

Sim falemos dos suspiros dos pássaros
Fiquemos com eles apreciando a noite
Buscando pontos cardeais no tempo
Parar em teus olhos em doce momento

Surgiram abismos, falésias, escarpas
Um punhado de enganos com sabor a invernias
Uma raiz de maldade agarrada à sombra
Habitei as planícies do mar na tua espera

Vesti-me de golfinho e nadei feliz
Travei amizade com uma baleia azul
Construí castelos de areia em ilha perdida
Voei nas asas de uma andorinha do mar a caminho do sul

Subi ao mais alto
Procurando respostas sem conhecer perguntas ao coração
Decidi abraçar vagabundos solitários e anjos triste
E deixar o amor ser amor ... Como o Silêncio...

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

PÁSSAROS INESPERADOS


E de repente as paisagens tombaram
Debaixo de uma Lua de sangue
As portas fecharam-se na casa
Irei, vou, para onde?

Talvez viajar numa onda
Com o poder das nuvens revoltas
Percorrer um oceano inteiro
Talvez encontre o teu coração no meio de 7 gaivotas

O poder do Mar
A irreverencia das marés
O poder da ilusão
A promessa de um coração

O teu
Há com certeza uma lamparina adormecida
Em cima do mármore da tua alma
Há com certeza uma inquieta chama

O ar fresco beijando as paredes
Um copo de rubros presentes
Uma boca recortada, doce
As noticias de saudades ausentes

Meu Deus!
Porque escrevo todas estas coisas
Porque insisto em plantar palavras
Porque te sinto sem ver de mãos dadas?

Semana após semana
Lavro metáforas indecifráveis
Como um sorriso breve
Coração que não esmorece

Hoje é hoje
O começo da porcaria de todos os amanhãs
Quedo-me triste com o mundo
Quisera ser rocha em mar profundo

Mas deixem para lá
Este poema não é para ler
É uma canção dos mal-amados
Deste homem no meio de...PÁSSAROS INESPERADOS...

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

NÃO CHORES POR MIM ILHA


O meu nome é Ventura
Também me chamo José
Não sei dançar
Não sei amar

Não sei orar
Nem sei uma alma acalmar
Não sei de ti
Por não saber, morri...

...Na noite
Não sei do dia
Nem do teu olhar
Nem o teu nome chamar

Não vejo mais o mar
Nem ondas de negro cabelo
Não quero o amanhecer
Se não te puder ver

Em ti
Contigo uma ultima vez
Atravessei a ilha à noite
E o mal que à minha alma fez

Não sei o que disse
Nem o que fiz de mal
Não sei amar
É verdade não sei tal

Não sei fazer contas
Não sei ficar sem sentir
Nem estar longe de ti
Fui, fiquei sempre no partir

Não sei o que pensas de mim
Nem se queres um mentiroso verdadeiro
Não sei se sabes
Nem se sabendo serei ultimo, primeiro

Não sei cantar
Não sei chorar
Não sei pedir
Não sei sorrir...

...Sem ti
Porque sei seres a maravilha
Não sei se morro no partir
NÃO CHORES POR MIM ILHA...

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

SOLISTÍCIO DE AMOR


Para se falar de uma ilha
Não há um nome único
Para se falar do sentir
Só existe o mais profundo

Algures no teu coração
Onde a palavra pode chegar
Mora uma justa contradição
Sabes do amor, medo de amar

Este mar com o beijo do céu
A maneira como morre o sol
O saborear a terra das flores azuis
Uma melodia terna em si bemol

Sabes, a ilha é um nome verde
Como sorrio às vezes
O teu nome soletro ao longo do dia
Cinco letras de encanto e nostalgia

Imperturbável não te apercebes
Que o teu espírito alucinado te sugere
Enquanto o teu coração amedrontado inventa uma fuga
Boca que diz não, coração que o amor segura

As crianças tornam os muros palácios
Tu, mulher, quatro quereres num lar
Uma mesa com aroma de pão
A palavra saudade escrita no chão

Tu viste-me chegar desorientado
Com a boca cheia de termos gastos
E cheguei, e parti
Poemas foram crescendo sozinhos para ti

Compreendi neste tempo
Que é preciso sorrir
Sei que quem parte às vezes fica
Às vezes partimos com o corpo e fica o sentir

É tão mau sermos sempre os mesmos
Por isso vou atirar ao mar toda a minha dor
E começar a pintar este mundo a meu modo
Num...SOLISTÍCIO DE AMOR...

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

DEUS ESTÁ A OLHAR POR MIM


A magia do inexistente movimento
Denunciando personagens longínquas e cruéis
As vozes por anunciar
Desenhando feições novas do amar

Com os olhos manietados no teu passar
No sopro de ventos estranhos
Ainda há um abraço
Na entrega dos sentidos

Sou assim porque nasci só no orvalho das manhãs
Mal nasci e perdi-me de ti
Gritei-te longe com a força da minha voz
Naveguei no teu rumo numa casca de noz

Digo-te coisas vibrantes em branda fala
Pela solidão que me ocupa por dentro
Um vazio triste, sem ti
Num manto de sal adormeci

Tenho um só sonho
Disfarçado de inquietude e revolta
A explicação das coisas
Voar em ti nesses teus olhos de gaivota

Aqui a terra fecha-se à minha volta
Uma voz que devasta o coração mudo
Este poema com o teu nome
Este lembrar do amor a cada segundo

São grandes os olhos de raiva
São pequenas as pessoas
É perverso o eco da palavra
Este homem que diz basta!

Tenho os lábios tortos de repetir verdades
Tenho a alma vazia de pedir esmola
Tenho as mãos sempre em construção
Tenho uma esperança profunda presa ao coração

Tenho a paixão e um saco de cores
Um amor por ti que nunca terá fim
Uma fé de um tamanho inteiro
Porque sei...DEUS ESTÁ A OLHAR POR MIM...

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

QUANDO OS ROSTOS FALAM


As palavras
Passos súbitos
Batendo ao compasso febril do coração
Uma carícia serena, uma mão

Um pássaro abrindo espaços no inverno
A mensagem inquieta de olhos ternos
Como o sereno beijando o asfalto
Como se o mundo não soubesse de tudo

Dispo-me do calor e da dúvida
Não discuto Deus nem por um momento
Deito-me na pedra e os sonhos esvoaçam
Como o silêncio num crepúsculo lento

Porque as manhãs possuirão a luz
Que iluminará o teu rosto no acordar
O teu, ilha plantada no meio de horizontes
Para em cada voo erguer o grito do mar

Talvez seja um pássaro breve
Habitando as árvores da noite
Talvez seja o amor interrompido
Talvez a espera do sentido...

...De ti
Para escrever páginas de um novo dia
Num tempo de sentimentos
Como se afinal não importasse mais nada

Talvez te pareça uma ave estranha
Rumando a norte cansada do sul
Riscando as nuvens em silêncio
Neste meu céu que pintei de azul...

...Para ti
Sigo as constelações dos teus olhos
Não olho para trás, abraço o adiante
Caminho abrindo um caminho intolerante

Cruzo os teus passos
Olho-te como quem as saudades abraçam
Sabes o amor não se inventa ou detém
Está no coração...QUANDO OS ROSTOS FALAM...

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

PROPOSTA DE ENCANTAMENTO


Uma estátua
Pétalas rubras orvalhadas
A fonte do real inimaginável belo
Foi o resto que encontrei dentro das palavras

Parti aos poucos como partem
As aves, os poetas, os vagabundos
A dúvida é se procuro a sina distante
Prisioneiro do corpo e da vida entre dois mundos

Desaparecido lá ao longe entre névoas
Num lugar entre fronteiras da dor
Onde as coisas fazem sentido
Ouvindo instantes de amor

E ela movia-se
Neste crepúsculo lento de mágoas
Como ninfa em mares indescortináveis
Trespassados pela monotonia ecoante das vagas

Mas devo pensar-te flor
Algures na entrega do tudo
Morro aos pedaços consciente
Respirando este amor mudo

As minhas mãos e as palavras
Estendem-se
Como se de outro mundo viessem
As gaivotas em terra nunca o mar esquecem

Enquanto no tempo não há noticia
Acendo a alma nas cinzas da tarde
Surge um grito surdo sussurrante
Rasgando o ar, coração que arde

Pois então será assim:
Serei o teu Sol da sombra
A memória de um pássaro feliz
A exaltação plena de um coração

Derramarei mil doces pensamentos
Como sorrisos de uma criança num momento
Vou escrever-te uma singela carta
Com uma...PROPOSTA DE ENCANTAMENTO...

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

SOL DO MAR


Dobrei este querer infatigável
Nesta ilha prostrada no centro dos horizontes
Ergo os olhos sob os céus mais infinitos
E sinto a chegada de uma gaivota nos meus sentidos

É tudo tão breve
Habitamos as pedras
Inventamos sonhos
Vislumbramos quimeras

Mas, falemos dos suspiros dos pássaros
Falemos de ti
Nas irreprimíveis asas dos anjos
Na noite primeira dos mil encantos

Falemos da leveza da tua condição de água
Falemos da vastidão das planícies do mar
Falemos do estremecer de silêncio
Do abrir de vales onde haviam muros, do amar

Sabes
Vale a pena construir esperança, afugentar o mal
Na abordagem dos ramos verdes das árvores
No amor, todos os poderes renascem afinal

Deixaste réstias de luz
No gesto sereno e demorado
Um copo de saudades ausentes
O abrir de janelas, mil presentes

Escrevo
Às vezes preciso acordar o silêncio do amor
Serei pois prisioneiro do sonho interrompido
Ou apenas um simples e mudo ator

Tal como uma rosa coberta de manhãs
Sinto-te no percorrer de todas as lembranças
Devo descobrir a luz dos caminhos
Congeminando feitiços, esperanças

Continuo insistindo que nada tem fim
No centro abissal dos desertos
Na muda voz do falar
Com a alma cheia de ti, meu...SOL DO MAR...

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

UMA MULHER UMA ILHA


Este meu espírito, este meu corpo
Amargo e estranho
Estes sulcos de saudade
Este peito derramado em inventada cidade

Trago nos meus dedos o sabor
Acariciante olhar
Barco preso ao navegar
Encontro por encontrar

Passo todos os dias rente ao amor
No regresso da presença de um nome
Há um castelo a construir-se dentro de mim
Na cicatriz da ausência, num poema sem fim

Tal como as ondas criadas no interior do mar
Tal como as mulheres transparentes
Tal como o acordar de gente sem nome
Tal como o recordar do amor em mil presentes

Mas falemos da Ilha
Falemos de ti
És flor de eterno encanto
Plantado por um deus de espanto

Falemos da mulher
Do poder da água
Falemos da força e da doçura
De ti, do amar na forma pura

Onde nasci a primeira vez
Na chegada depois de muito navegar no impreciso
Encontrei ninfas e sereias silenciosas
Este estrangeiro espírito

Mas falemos desta ilha que há em ti
Que em poesia se transforma
Gravada dentro de mim
Nesta loucura sem fim

Tal como lava derramada em meu peito
Comungando a ferocidade do tempo
É bom que saibas: não há muito porque morrer
Apenas na passagem te ver

Dentro deste corpo
Passeia um espectro de mil cores maravilha
E um sonho que nunca morre
Em ti...UMA MULHER UMA ILHA..

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O ASSENTO DA ALMA


Escuto o teu cabelo de ondas
Neste reino do silêncio preso ao encanto
O coração do poeta não para
Quebra-se num momento de dor e espanto

Este poeta viaja na rota do Sol
Viaja em ti
Com o sentir à flor da pele palpitante
Desde o principio de doce instante

É possível escutar as ondas batendo
Pelo sorriso macio dos teus cabelos
Nunca serás um símbolo, lembrança ou ritual de paixão
Serás sempre pássaro pousado em meu coração

Serás
Sol brilhante em eterno dia
Ave da noite vestida de Lua
Encontro da névoa com a flor nua

Procuro-te no silêncio do reencontro
Anjo de cabelos negros, mãos brancas e suaves
Procuro-te na luta entre o perdão e a razão
Fruto exótico das minhas miragens, contradição

Tal como pétala de rosa sem destino
Tal como bola de sabão presa à luz
Tal como a noite mansa esperando nunca se faça dia
Tal como um sorriso breve que a esperança seduz

Trago comigo um livro antigo de culpas
Outro em branco para te entregar
Tem apenas uma tímida e singela frase
“Este poeta não consegue deixar de te amar”

Na obscuridade procuro prender-te
Com estas mãos cansadas dizendo palavras mudas
Já fomos a consciência do amanhecer
Já senti saudade de olhos fechados no ver

Escrevo estas palavras com insistência
Com o ardor da tinta de rubra chama
Como um grito para soltar numa madrugada
Neste...ASSENTO DA ALMA