sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A LUCIDEZ DOS ESPELHOS


Uma luz azul
Pinta de saudade o verde da ilha
Desenhando sonhos interrompidos
Vi-te no passar, no sorrir do despontar do dia

Pousei solenemente os olhos em ti
Este dia no encontro dos desencontrados
Todos os dias provo ao mundo a minha razão de ser
Todos os dias cerro os olhos para com a alma te ver

Pois é
Já dei tantos passos à volta da alma
Já ensaiei mil palavras para te dizer
Já percorri mil caminhos só para te ver

Sabes?!
É possível construir uma casa, habitar o tempo, sorrir
Seguir os pássaros na rota do sol
Ficar sem desenhar o partir

Vem, imagina-te no centro da verdade
Trás o perfume de outras eras
Dos dias felizes em que fomos tanto
Quebra esta pedra do cais das 7 esperas

Vem, cobre-te de nevoas e de flores
Veste-te de céu azul e verdes prados
E sorri, no silêncio possível do reencontro
Deixa-te cair nua e leve num retrato mágico, breve

Mas vem, anjo das transparências
Deixa que o vento componha teus caracóis
Vem, trás o murmúrio da noite no encontro da madrugada
Trás um abraço, mais nada

Vem sem perguntares pelo amanhã
Sem julgares os dias escuros
Vem apenas, como espuma inquieta do mar
Vem apenas sentir, amar

Diz-me coisas sobre as árvores
Vem sem nunca mais afastares o sonho dos olhos
Vem, para te poder falar deste poeta sincero
Que se retrata na...Lucidez dos Espelhos

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

MENINA DOS CARACÓIS


Sol brilhante
Um milagre
Uma poesia imaculada
Apenas a verdade

Em ti destruí barracas inseguras
Em ti admirei palácios
Em ti encontrei paz nesta minha inquieta alma
Confiei na ternura dos teus abraços

Caminho entre a frieza dos homens
Em mim um choro que não se ouve
Não me perguntem porque amo
Porque em cada oração o teu nome chamo

Não tenho muito lugar
Visto uma camisa maldita de esperanças
Venham comigo e entendam-me
“O amor tem sobre si mil lanças”

Pois é Menina do Mar
Talvez seja madeira crua por pintar
Rasga a tua revolta, entende a palavra
Ama, como o Sal do mar, como o sol ao chegar...

...À terra
As tuas mãos plantando vidas na varanda
Quantas são as noites sem lua
Quantas vezes cruzei a tua rua

Sabes...?!
Fundi-me com o orvalho das manhãs
E descobri nas palavras que explorei no silêncio
A explicação das coisas

Descobri que o amor pode ser eterno
Que o perdão sentido não é palavra vã
Que ser homem, é cair, errar, levantar
Que o teu nome faz parte do verbo amar

Na esperança
Tudo é o fim do principio
Não discuto, Deus fez a terra
E este amor que a minha alma encerra

Fez de mim este homem
Que pediu um milagre, apenas um
Que inventa a vida, um mundo de sete Sóis

Onde habitas... Menina dos Caracóis...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

AMOR, RENÚNCIA


Quando sinto a ânsia de te conhecer ilha
Na solidão do crepúsculo
Verticalmente duradoura será a viagem
Pelos teus olhos em doce miragem

A chama das palavras
Um poeta sorri à alegria
Abraça a dor
Pinta de mil cores a vida, amor

A sede que se sente
Quando a ilha nos aperta o coração
No espaço provável do verde do tempo
Só quis, só quero contigo um terno momento

“Para te dizer o que por palavras não consigo”
O peso do acontecimento inadiável
Um instante de água fresca violando o pensamento
Só quis no abraço enganar o tempo

Só quero
Esgotar nos teus lábios a poesia infinita do beijo
Soltar as palavras imensas por anunciar
Esmagar os medos do silêncio

Será nosso o murmúrio surdo das hortênsias
No sereno que beija a terra
Seremos a consciência no amanhecer do mar brincando
Serei o teu herói em santa guerra

Só quero
Um barco a navegar pelas ruas da cidade
Receber-te na biblioteca do terno pensamento
Oferecer-te uma estrela do mar, para iluminar o amar

Um mar calmo
Um cântico azul
Uma gaivota branca
Uma aragem doce procurando-te a sul

Nem tudo o que faço pode estar errado
Quando transborda de mim esta imensa paixão
Sinto-te na distancia sempre mais perto
Este poeta nem sempre acerta o ritmo do coração


Não vale abrasar os contornos do destino
Escrevi este poema com a chama da palavra que anuncia
No percorrer o voo deste dia
Pensei que estão tão perto...AMOR, RENÚNCIA...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A LUZ DO ANOITECER


Este mar onde nasci
Embrulhado numa alga
Brinquei com búzios quietos
Nadei com peixes de feliz alma

Acordei numa praia morena
Com a pele cintilante da luz de escamas azuis
Trazia o perfume da maresia
Respirei esperanças no nascer de um estranho dia

Soltei um calado suspiro
Fui empurrado por um vento marinho
Ouvi risos trocistas de sereias e ninfas
Olharam-me com pena aves de canto lento

Nesta insuportável sede pela vida
Toquei o amor divino e o profano
Senti reproduzida dentro de mim a terra verde
Abracei gente a verdade e o engano

E encontrei o amor...
Acendi a luz das palavras
Julguei ser esta uma vida encantada
“Amar às vezes não quer dizer nada”

Ou quer dizer tudo?
Estar contigo é deslizar na suavidade de um rio
É contemplar a vida de uma rosa breve
É Sentir o coração envolto em terna tempestade

Vale a pena ser agradecido
Louvar o amor
Vale a pena sair de mar para amar
Nem sempre são fáceis os caminhos do chegar

Entreguei a uma gaivota repentina
Levou consigo penas e dores
Este é o tempo exato do sentir da verdade
Este é o tempo de construir uma alva cidade

Lavrei estes versos cerimoniosos
Fechei os olhos para te poder ver
Abri a alma ao deslumbramento
Segui o teu olhar na...LUZ DO ANOITECER

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

INDEFINIDAMENTE


É noite e sinto
Um olhar doce
Preenchendo um vácuo descontente
Onde a voz arde

Quanto mais penso no amor
Mais absurdo acho a vida
Colhi uma rosa coberta de manhãs
Cerrei os lábios, não saíram palavras vãs

Sabem?!
Sou um poeta razoavelmente equilibrado
Tenho demasiadas fotografias tuas
Tenho uma dor gravada nas pedras da rua

Sou apenas um homem
Que decidiu ser desmedidamente feliz
Há coisas que têm de ser ditas
Sobre mim, tantas palavras malditas

“O meu Sol voltará a brilhar”
És o meu tesouro, a minha prece
E quem achou ser eu um ser bisonho
Transformou-nos na Bela e no Monstro

As planícies do passado
Estes olhos misteriosos, altivos
Aprisionei teu riso e lágrimas
Neste coração nunca existiram sombras

Serás pois o meu tesouro
A minha prece
A descoberta da luz dos caminhos
O canto de um pássaro que não se esquece

Embriaguei-me na música dos teus gestos
Nas ramagens algures absurdas de sombras
Cobri-me num cobertor de folhas verdes
E fui parar à baia de todos os medos

Contei luzes atormentadas
Do céu um raio de luz atingiu-me como presente
Sou ser que te tenho na alma
INDEFINIDAMENTE...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

SETE VIDAS DE MULHER


É no estio que as palavras ferem o coração
Lençóis de linho, mãos procurando
Escondi um punhado de versos para te cativar
Inventei uma mulher que espantosamente sabe amar

Engraçadinho...!
A liberdade é um bicho
Uma mulher é um bicho
Uma maçã não é um melão

Atoleimado...!
Mais valia ficares calado, dirão algumas
Depois de ler este poema virão milhões de risos
Misturados de sarcasmo, água e raízes

O poeta endoidou, estão felizes?
Escondam a cauda entre seus medos
Devorem o frio à dentada
Porque hoje isto não quer dizer quase nada

Ou quer...!?
Um homem não deve meter colher em mulher
Qualquer, circunscrita do amor
Há quem arranje uma e, seja o que Deus quiser

Pronto!
Foi um momento de humor rasca
Conversa remoída na tasca
Coleira e corrente, basta!

Eu hoje até senti vontade de escrever
Um poema magnifico
Tive vontade de procurar um abraço perdido
Vontade de te dizer amor, fazer contigo

De suspender as flores todas no céu
Desenhar uma nuvem de gaivotas
Meter na tua lembrança um sorriso breve
Abrir na minha alma para ti todas as portas

Estão a ver?!
O poeta já não troca o passo
Isto foi atirar letras e seja o que Deus quiser
Não falei de gatas, apenas das... SETE VIDAS DE MULHER

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A RAIVA DO MAR


O amor
O meu amor brota
Acima das pragas e das maldições
Guardo soluços e ninhos e uma pena já morta

E vou vendo
Bebendo em fontes onde já bebi
Com pássaros e flores de porcelana
Pinto o rubro de uma acesa chama

Uma rua negra e enorme
Um sonho longo, vazio
Uma mulher tonta lembrando os maios de maio
Um barco subindo um seco rio

E rio
Com lágrimas a contradizer
Entre tantos olhos e sorrisos
Que fazer para te ter?

Cadeiras ensanguentadas de suor
Um bar escuro de gente triste
As pupilas secas, garganta ardente
E um poeta pateta de ar contente

Por isso rio
De mim...
De pensamentos toscos por pintar
Já agora traço um barco para navegar

De papel
Quantos corações tem uma mulher?
Quantos sorrisos são precisos num engate?
Às vezes pega, outras acontece uma treta qualquer

Hoje o poeta não diz coisa com coisa
São assim os homens nos silêncios apunhalados
Nem maçãs maduras nem palavras
Corram com o feitiço, afoguem as mágoas

Com vinho penas e compaixão
Não acordemos os pássaros que habitam a noite
São válidas todas as propostas para voar
Onde a felicidade irreconhecível possa morar

Não perguntem a Deus por mim
Deixem os Anjos na ilha voar
Se quiserem encontrar o poeta
Procurem na...RAIVA DO MAR...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O PODER DA ÁGUA


Estou cansado deste inverno e do vento
Da fúria da espera
Deste imenso e rebelde sentir
Do amor, da verdade nele descobrir

Tenho as mãos presas ao coração intacto
Aguardo o regresso da presença de um nome
Como as ondas criadas no interior do mar
Como sal que unge o verdadeiro amar

Concebo futuros com um gesto
Enquanto espero o amadurecimento da distância
Imaginando o intemporal
Numa luta imensa entre o bem e o mal

Trago um nome
Soerguendo-se dentro de mim
Virão assim longos sóis e longos dias
E o eco dele reverbera sem fim

Quem sou...?
Quem és doce e encantado perfume
Apaixonante feitiço
Paixão em rubro lume

Sou ilha perdida dentro de outra ilha
Filho de um Deus que nos torna pequenos
Talvez sejas a fonte da minha saciação
Talvez esteja aprisionado este pobre coração

Esta minha insaciável sede para um regresso
Porque me perdi
Entre a frieza dos homens
Alimentei a alma de Ti

Um choro sem angustia que se esconde
Não me perguntem porque amo, ainda
As flores não morrem no sitio onde venho
Mil vezes silêncio, o poema é sobre uma alma linda

Não quero que o teu rosto viaje
Para longe da minha presença
Não quero que o vento agite e devolva a mágoa
Porque sei que uma lágrima tem...O PODER DA ÁGUA...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

ESTRELA DO MAR


Venho de um País encantado
Só com uma casa e sete flores onde tudo pode acontecer
Trago as mãos vazias embrulhadas de silêncio
Dou uma flor das sete a quem me ensinar o viver

Venho de um tempo
De árduos amanhãs
De laço e chapéu de coco
Coração triste no estômago um soco

Passou o natal
Passei só e como tal
Tive a companhia dos deuses
Únicos que não me levam a mal

Tive de prenda um saco de vento
Uma dor que decidiu voltar a doer
Tive um tostão perdido em bolso roto
Adormeci e sonhei que estava morto

Acordei por volta de uma perdida hora da manhã
Saí de casa sem rumo nem norte
Fui com os olhos cuidar do azul do mar
Este louco sem eira nem beira, sem sorte

Fui parar a uma praia estranha
Levou-me a noite em seus braços
A lua sorriu zombeteira
Uma gaivota desperta riscou no céu sete traços

Uma luz tomou de assalto seu rasto
Uma frase surgiu como por encanto
Um anjo segurou a irreverencia das letras
“Amor é um monte de tretas”

Não é nada!
Nem precisa da varinha de uma Fada
Eu apenas deixei de acreditar
Que alguém saiba como eu amar

Andei por ali às voltas
Aprisionei todas as horas mortas
O Mar chorava viúvo das ondas da maré cheia
Senti na alma o suspiro de uma baleia

Mirei-me numa poça de sal
Olhei e de espanto perdi o falar
Eras tu a sorrir-me no espelho de água
Vestida de...ESTRELA DO MAR...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

DOIS ANOS DE SOLIDÃO


Descobri
Que o choro é uma certeza
Não rasga horizontes
Não acalma a mágoa entre pontes

Desmontei a misteriosofia do amor
Num tempo de vazio profundo
Amar é apenas sentir
Fazer parte das cores deste mundo

Pobre poeta
Mendigo dos seus desgostos
Pobre criatura
Insignificante perdido da gente dos mil rostos

Ilha impossível
Onde o amor é pecado
Onde a maldade toma conta da razão
Morre estúpido coração!

Nunca serei um vagabundo com um cão esquivo
Num inverno com gosto amargo do vento
Nunca serei pedra jogada no esquecimento
Esta alma subirá em glorioso momento

Sei quem és
Sei que representas a doçura do sentimento
Sei o que sentes
Sei que no sonho não mentes

Sei...
Tanto, tampouco
Sei saudades
Espero que floresçam verdades

Em Ti...
Que o eco das minhas palavras
Encha um vazio surdo
Que o amor deixe de ser mudo

Começo este ano com a alma em construção
Com as calças de menino antigo
Tenho um sonho fechado na palma da mão
Resgatar o amor do teu coração

Tenho mil sonhos para plantar
Vou recolher a palavra amarga ao coração
Vou abraçar uma ilha perdida
No meio de...DOIS ANOS DE SOLIDÃO

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

POEMA PARA UMA NOITE MAIS LONGA


Esta alma persistente de alegria
Este ano
Ventos fortes e mares estranhos
Uma branda fala que te diz: “Que amor tamanho”

Percorri estes dias passeando numa parede nua
Disfarçado de inquietude e revolta
Senti dor entre a fronteira e a distância
Seguraram-me o espírito sete anjos à minha volta

Dois nunca me deixaram
Enquanto caído tocaram-me em fé
Tenho saudades tantas Mãe
Só vocês acreditam em mim, Maria, José

Segui dia a dia, passo a passo
Desenhando novos sonhos de rosto cansado
Vesti-me de pássaro de silêncio
Risquei abismos, desejei partir para o outro lado...

...Para vos ver
Para vos dizer que fui digno no viver
Para abraçar Deus
Para Adormecer neste querer

Era uma vez...
Era assim que ia começar este poema
Era uma vez um homem que amou
Que sente na alma uma monstruosa pena

Era uma vez um rapazinho
Que descobriu o Mundo numa bola de sabão
Cantou com as marés voou no grito de uma gaivota
Era uma vez um poeta de bom coração

Este homem
Nunca te mentiu vida
Nunca fez o que a maldade proclamou
Este homem apenas amou

Esta criatura foi generosa
Cuidou do amor e chamou a si toda a dor
Enfrentou espadas e tempestades
Esta criatura apenas quis dar amor

Apenas, tenho saudades
Quero adormecer no embalo de uma azul vaga
E deixar correr o tempo numa folha branca de papel
Neste...POEMA PARA UMA NOITE MAIS LONGA

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

RETRATO BREVE


Encontrei o sentido da vida nos teus olhos
Trago-te dentro de mim
Não sei como tratar a saudade
Não sei sentir sem verdade

Disseram coisas terríveis deste pintor
Transformaram a minha ternura em ira
O meu abraço em violência
Disseram tanta inverdade deste tonto poeta

Disseram-te...
Terás perguntado o porquê da maldade?!
Terás aberto a alma à contradição!
“Às vezes um inocente pede perdão”

Às vezes...
Solta-se um grito a dizer basta
Misturando a água às raízes
Para que floresça novamente das feridas o amor
Sem cicatrizes

Às vezes...
As palavras misturam-se com as cinzas da tarde
Só o vazio ocupa o teu lugar
Tenho-te no mais belo jardim da minha cidade inventada

Enquanto o tempo não dá noticia
O resto do mundo arde
Tudo se limita a construir a esperança
Já te disse, espero-te nesta minha inventada cidade

O provável da ternura
O encontro inadiável
Este acaso clamando
Uma porta abrindo

Os dedos a escrever no papel
Vasculhando a sombra, a dor da rosa
Mora dentro de mim uma criança impossível de sorrir
Sem ti, ficar, partir

No alcance de cada horizonte
O sereno que beija o verde
Deixei preso ao teu coração um segredo
A palavra amor, num...RETRATO BREVE...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

POEMA PARA UM SILÊNCIO


A verdade
Causa uma impressão verdadeira
O duradouro na nossa alma
O tocar do coração a vez primeira

Um par de pérolas
Um poema para os que compreendem
Um silêncio vindo de dentro
Um dezembro de tristeza servido

Não tenho muito lugar
Quedo-me no murmúrio surdo da ilha
No esquecimento do mar brincado
Numa lágrima de dor e alegria

É bom que se saiba
Vencida está a ferida
Tenho no coração escrito de forma inalterável
“Amo-te” Amo nas ondas que flutuam na tua cabeça, vida

Hoje
Ainda a noite tomava de assalto o dia
Soltei um mudo grito
Meu Deus, que caminhada, que loucura

Apenas com amor guardo estes soluços
Ninguém sabe e todos lembram
Que mereço a morte
Meu Deus, que caminho de eriçados espinhos, que sorte

Não se pode pintar um vazio indescritível
Este silêncio que incomoda, morde
Um punho preso à garganta
Tanta dor, tanta

Tanta incompreensão
A maldade à solta
As hortência adormecidas
Este poeta de perdidas vidas

As mãos do pintor
Compondo a solidão
Um abraço lembrado
Este...POEMA PARA UM SILÊNCIO

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A SOMA TOTAL DE CADA INSTANTE


O coração
De tudo o que se pode sentir
Não há sol que valha a solidão
Neste cais sem barco pronto a partir

A chama das palavras
O caminho das horas transparentes
Cerne impercetível do papel branco
Um acaso de amargos presentes

Estou escaldado de ternura
Por isso e pelos versos que me denunciam
Pelos longos sonhos de um menino antigo
Serei sempre a forma do amor contigo

A sede que se sente
Quando a injustiça nos aperta a alma
Um frio de abismos sem principio
Uma gaivota repentina

É pela força do poema
É pelo grito de quem não se quer vencido
É talvez pela tua distância
“É esta vontade de amar contigo”

Um silêncio que devasta o coração
Este esperar na dor da ferida
Este querer baloiçando no infinito
O acaso clamando um novo dia

É um tempo
De ventos fortes e mares estranhos
Meu Deus, deixai-me construir
Um ruído mudo de silêncio sem o coração partir

A entrega dos sentidos
Escondendo o segredo das penumbras
As palavras ditas que me chamam à realidade
A mentira cruel que afogou a verdade

A matemática da vida
Um número de cor, de teatro
Uma volta ao acaso de triste comediante
Faz se puderes...A SOMA TOTAL DE CADA INSTANTE...

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

VENUS


Sentei-me com quem teme repartir o amor
Esta manhã
Vi desprenderem-se do céu anjos magníficos
“Senti que amar com amor é sentimento vã”

Com o âmago do universo
No bater do coração
Alheado pela emoção que não absorvo
“Aprendi a suportar a palavra não”

Vou vencendo animais marinhos
Rios de crispadas águas
Vou arranjar um par de asas
Para no voo sacudir mil magoas

Já tentei sorrir às vezes
Contando aves numa alegria adormecida
Já bebi o mar numa tarde de verão
Já beijei uma mão e pedi perdão

À minha volta a luz é insuficiente
Terei que subir uma colina desta ilha desatenta
Tenho a persistência da alegria das casas pobres
Tenho alma sete razões nobres

Amo
Com verdade me visto
Sou apenas um poeta sem rima
Que não aprendeu o que a maldade ensina

Sabes?!
Os meu poema cresce sempre sozinho
Sabes?
Sou apenas um pássaro que caiu cedo do ninho

Conheço coisas vivas sem nome
Conheço o verde que me cresce das mãos
Conheço a saudade verdadeira
Conheço o amar na vez primeira

Não conheço a cor do rancor
Tampouco a palavra términos
Sonhei esta noite com uma criatura bela
Vestida de sedas e ouro tal como...Venus...

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

COMO O SILÊNCIO


Teu rosto claro de mulher
Como o pão fresco e saboroso
Nas manhãs que possuirão aquela luz de novidade
Vi o teu retrato, saudade

Trespassado pela monotonia ecoante
Acendi uma luz, novidade esperança
Este mar rasgando rochas
Esta força de amar, confiança

Aguardo certamente
A chegada da gaivota calada e serena
Aguardo certamente
O reflorir da tua paixão plena

Para em cada voo erguer
O grito do mar
O grito da paixão
O grito do amar

Contemplemos as verdades lúcidas
Sigamos em frente sem nos determos
Sorrimos com voz cansada
Como afinal não importasse mais nada

Sim falemos dos suspiros dos pássaros
Fiquemos com eles apreciando a noite
Buscando pontos cardeais no tempo
Parar em teus olhos em doce momento

Surgiram abismos, falésias, escarpas
Um punhado de enganos com sabor a invernias
Uma raiz de maldade agarrada à sombra
Habitei as planícies do mar na tua espera

Vesti-me de golfinho e nadei feliz
Travei amizade com uma baleia azul
Construí castelos de areia em ilha perdida
Voei nas asas de uma andorinha do mar a caminho do sul

Subi ao mais alto
Procurando respostas sem conhecer perguntas ao coração
Decidi abraçar vagabundos solitários e anjos triste
E deixar o amor ser amor ... Como o Silêncio...

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

PÁSSAROS INESPERADOS


E de repente as paisagens tombaram
Debaixo de uma Lua de sangue
As portas fecharam-se na casa
Irei, vou, para onde?

Talvez viajar numa onda
Com o poder das nuvens revoltas
Percorrer um oceano inteiro
Talvez encontre o teu coração no meio de 7 gaivotas

O poder do Mar
A irreverencia das marés
O poder da ilusão
A promessa de um coração

O teu
Há com certeza uma lamparina adormecida
Em cima do mármore da tua alma
Há com certeza uma inquieta chama

O ar fresco beijando as paredes
Um copo de rubros presentes
Uma boca recortada, doce
As noticias de saudades ausentes

Meu Deus!
Porque escrevo todas estas coisas
Porque insisto em plantar palavras
Porque te sinto sem ver de mãos dadas?

Semana após semana
Lavro metáforas indecifráveis
Como um sorriso breve
Coração que não esmorece

Hoje é hoje
O começo da porcaria de todos os amanhãs
Quedo-me triste com o mundo
Quisera ser rocha em mar profundo

Mas deixem para lá
Este poema não é para ler
É uma canção dos mal-amados
Deste homem no meio de...PÁSSAROS INESPERADOS...

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

NÃO CHORES POR MIM ILHA


O meu nome é Ventura
Também me chamo José
Não sei dançar
Não sei amar

Não sei orar
Nem sei uma alma acalmar
Não sei de ti
Por não saber, morri...

...Na noite
Não sei do dia
Nem do teu olhar
Nem o teu nome chamar

Não vejo mais o mar
Nem ondas de negro cabelo
Não quero o amanhecer
Se não te puder ver

Em ti
Contigo uma ultima vez
Atravessei a ilha à noite
E o mal que à minha alma fez

Não sei o que disse
Nem o que fiz de mal
Não sei amar
É verdade não sei tal

Não sei fazer contas
Não sei ficar sem sentir
Nem estar longe de ti
Fui, fiquei sempre no partir

Não sei o que pensas de mim
Nem se queres um mentiroso verdadeiro
Não sei se sabes
Nem se sabendo serei ultimo, primeiro

Não sei cantar
Não sei chorar
Não sei pedir
Não sei sorrir...

...Sem ti
Porque sei seres a maravilha
Não sei se morro no partir
NÃO CHORES POR MIM ILHA...

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

SOLISTÍCIO DE AMOR


Para se falar de uma ilha
Não há um nome único
Para se falar do sentir
Só existe o mais profundo

Algures no teu coração
Onde a palavra pode chegar
Mora uma justa contradição
Sabes do amor, medo de amar

Este mar com o beijo do céu
A maneira como morre o sol
O saborear a terra das flores azuis
Uma melodia terna em si bemol

Sabes, a ilha é um nome verde
Como sorrio às vezes
O teu nome soletro ao longo do dia
Cinco letras de encanto e nostalgia

Imperturbável não te apercebes
Que o teu espírito alucinado te sugere
Enquanto o teu coração amedrontado inventa uma fuga
Boca que diz não, coração que o amor segura

As crianças tornam os muros palácios
Tu, mulher, quatro quereres num lar
Uma mesa com aroma de pão
A palavra saudade escrita no chão

Tu viste-me chegar desorientado
Com a boca cheia de termos gastos
E cheguei, e parti
Poemas foram crescendo sozinhos para ti

Compreendi neste tempo
Que é preciso sorrir
Sei que quem parte às vezes fica
Às vezes partimos com o corpo e fica o sentir

É tão mau sermos sempre os mesmos
Por isso vou atirar ao mar toda a minha dor
E começar a pintar este mundo a meu modo
Num...SOLISTÍCIO DE AMOR...

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

DEUS ESTÁ A OLHAR POR MIM


A magia do inexistente movimento
Denunciando personagens longínquas e cruéis
As vozes por anunciar
Desenhando feições novas do amar

Com os olhos manietados no teu passar
No sopro de ventos estranhos
Ainda há um abraço
Na entrega dos sentidos

Sou assim porque nasci só no orvalho das manhãs
Mal nasci e perdi-me de ti
Gritei-te longe com a força da minha voz
Naveguei no teu rumo numa casca de noz

Digo-te coisas vibrantes em branda fala
Pela solidão que me ocupa por dentro
Um vazio triste, sem ti
Num manto de sal adormeci

Tenho um só sonho
Disfarçado de inquietude e revolta
A explicação das coisas
Voar em ti nesses teus olhos de gaivota

Aqui a terra fecha-se à minha volta
Uma voz que devasta o coração mudo
Este poema com o teu nome
Este lembrar do amor a cada segundo

São grandes os olhos de raiva
São pequenas as pessoas
É perverso o eco da palavra
Este homem que diz basta!

Tenho os lábios tortos de repetir verdades
Tenho a alma vazia de pedir esmola
Tenho as mãos sempre em construção
Tenho uma esperança profunda presa ao coração

Tenho a paixão e um saco de cores
Um amor por ti que nunca terá fim
Uma fé de um tamanho inteiro
Porque sei...DEUS ESTÁ A OLHAR POR MIM...