sexta-feira, 26 de junho de 2015

O POENTE AROMA DESTES DIAS


Este vento norte que me causa emoção
Esta imensa sede por sentir a vida
Este deslumbramento pelas cores da música
Esta fé no milagre, numa paixão contida

Como um barco brilhante voei sobre incertos rumos
Cheguei à porta da madrugada
Encontrei-te, trazias os olhos tão quentes
De verdades, esperança de ser amada

Não te adivinhara...
Não pressenti as coisas maiores que a vida me deu
E de repente, num instante tudo acontece
E de repente tudo acontece, aconteceu

Tocaste-me com um sorriso o meu olhar cansado
Caminho todos os dias na ilha, sobre lava arrefecida
Pinto e não sei falar sobre a cor do Mar
Escrevo como náufrago em ilha perdida

Às vezes dou por mim a contar as ondas
Este é o tempo do descanso das gaivotas
Há um silêncio de paixão neste Sol do mês de junho
Há um aroma de pão no fechar de sete portas

Partilho a sorte com a tristeza
Talvez seja um traficante da felicidade
Um pensador de alegres utopias
Não! Apenas alguém que inventou uma insólita cidade

Alguém que chegou como as gaivotas rente às ondas
“Um tonto de meio sorriso com uma flor na mão”
Um contador de conchas adormecidas no areal
Um pintor de letras enfeitiçado pela paixão...

Do sublime que é o viver
Sem medo de voar, sem contar o espaço do morrer
De tempos felizes, de sol, vida e Mar
Senti este Mundo numa manhã ao aqui chegar

E chorei por saber das escolhas que fiz para esta vida
Tenho caminhado, amado, voado, rezado nas tristezas e alegrias
E abençoo este sortilégio de viver
NO POENTE AROMA DESTES DIAS...

segunda-feira, 22 de junho de 2015

CRUZAMOS OLHARES



Vi passar um Anjo ao meio dia
Olhos inquietos perscrutando a voz calada
Vi passar um punhado de amor esperando o despertar
Este herói sem espada desconhece o fim da batalha

Por ti...
Escrevo estas palavras com insistência, todas
Este alento animado de outras tentativas anteriores
Acenando ao desprender de todas as dúvidas

“Estás comigo dentro de mim”
Deixem-me aqui na serenidade da espera
Fecho os olhos e sinto o azul do mar
Abro a alma e acordo no teu amar

Esta terra respira o teu nome
Não o vou soletrar, apetecia-me!
Vou apenas dizer, que me lembra flores de sol e sorrisos
Mas não o apaguei, é um afago...uma saudade

E tudo começou com um poema
E a oferta em ternura no cair da noite
Um abraço, outro e fizemos amor
E dei por mim esfaqueado pela estupidez, em dor

Como um barco que vence rotas novas
Aporto com um saco tiritante de beijos
Há movimentos insuspeitos dentro de mim
Este coração bate e afasta um frio fim

Como homem revolvendo a terra rubra
Vou tributando a tua magnifica existência
Tu sabes para quem escrevo
Tu sabes quem eu quero e desejo!

Tu, apenas tu, sem enganos
É no estio que a minha alma solta a palavra
Entre os lábios e o beijo uma mão interrompendo
Uma noite, uma lágrima, um terrível momento

Uma noite em que cruzamos a ilha
Parei numa jura no local onde apareceu o corpo do meu Pai
Parei na imensidão das horas de luz propositada
E lutei com todos os fantasmas, sem poder fazer mais nada

Tenho no peito o tamanho de uma prisão
Tenho da vida mil pesares
Este foi um poema que me apeteceu escrever
Apenas porque vi um Anjo e...CRUZAMOS OLHARES

sexta-feira, 19 de junho de 2015

PROPOSTA DE AMOR


Nesta alma há o esplendor dos poentes
Há um universo de palavras simples por dizer
Há um espaço imenso que se separou da dor
Há uma campo de hortênsias sussurrando o amor

Neste momento...
Algo exulta a importância da tua existência
Não há lugar para a reinvenção das sombras
Só aguardo pelo nascer da manhã inevitável da tua presença

E vou falando comigo mesmo como fazem os loucos
Enquanto ao meu redor sinto anjos escutantes
E convenço-me de que tudo é possível
E sinto uma força imensa, invisível

Lá fora há agasalhos de luz
O afago da maresia às pedras
Nunca adormeço sem a esperança do amanhecer
Misturando-se com as cinzas da tarde, as mãos, as palavras

Um livro antigo de culpas devorado pelo fogo
Este desejo surdo de poeta vagabundo
Bifurcando o coração deste mal amado
Nas mãos pesadas do desentendimento, perdi-me neste mundo

Uma estátua cansada baixa a cabeça
No aconchego de uma casa vazia uma reza, o terço
É tão simples esmagar esses dias de frias recordações
É tão urgente não atropelar o começo

Que não amanheça o pesadelo
Num murmúrio quero destruir quem compõe a solidão
Quero o espaço com estas mãos, contornando a lembrança do teu rosto
É preciso sorrir para mostrar que estamos vivos ou chorar no sol posto?

Não há rocha que resista á violência da raiva
Só há mar porque acreditamos
Quero erigir um lugar para celebrar a concórdia
Quero pensar numa palavra ou em Deus, num novo dia

E quero o ódio na longitude da distância
Que a Deusa Mãe me dê um sinal, uma flor
Este poema foi escrito sem papel e pena
E não tem nada a ver com uma...PROPOSTA DE AMOR...

segunda-feira, 15 de junho de 2015

LEMBRANÇA COBERTA DE MANHÃS


Há um lago de fogo
Onde as mulheres congeminam feitiços de amor
Embriagadas pela música do vento
Onde para a vida, se confunde a razão e o tempo

Viajo pelas maresias do verde da ilha
Continuo contigo na chama que brilha devagar
“Inventando-te sou feliz, porque te sinto em paixão esplêndida”
Nas ramagens absurdas das sombras sinto o teu chegar

Insano é este tempo que me fala da descrença
De ventos ansiosos percorrendo a lembrança do amor
Este lembrar da loucura a cada segundo
Estes pés agrilhoados ao chão dum frio Mundo

É Verão e ainda sinto o Inverno da ilha
Abandonei a viagem e aprendi a conviver com a solidão
Perdido dentro de mim um sentido
Esta minha insuportável sede de presa paixão

Este homem órfão de um destino certo
Trago em minhas mãos o amargo sabor da cor
Agora reparo, estou cansado da ausência de mim
“Tenho um choro que se propaga por dentro, sem fim”

Cresço no sentir como as manhãs caminhando no dia
Levem-me numa correria louca pelo Mar com se fosse a ultima vez
Não me perguntem porque não desisto de amar
Deixem-me sentir o aroma do teu chegar

Com a boca fechada de sorrisos
Este amanhã do renascer da carne
Com a noite plasmada de sonhos turvos
Com a alma presa, como pássaro com fome

Num altar imaculado plantei uma jura
Num poço de silêncio larguei moedas de tostão
Num gesto ao céu convoquei Guias e Arcanos
Num virar do tempo estendi ao sonho a mão


Abandonarei um ninho sem maçãs maduras e sonhos
Cobrirei com a noite todas as palavras vãs
Tudo isto escrevi neste poema
NUMA LEMBRANÇA COBERTA DE MANHÃS

quarta-feira, 10 de junho de 2015

OS PÁSSAROS QUE HABITAM A NOITE


O dia há de nascer
Entre os lábios e o beijo
Na construção de mais um silêncio
Sonhei com o recorte da tua boca, desejo

Rasguei o azul propositado
Lancei promessas á calmaria de uma lagoa
Moldemos montanhas fora do alcance dos fantasmas
Lavamos a alma e ungimos o corpo para ser pessoa

Com o corpo esparso e olhos quebrados
“Lembro uma noite vagueando na Ilha”
Sou presente no meu próprio presente
Voz mansa de ribeiro subindo, cantante, contente

Conheço os caminhos luminosos da alegria
Dentro deste corpo passeia-se a bondade
Também uma apaixonante paixão sem limite
E com o silêncio preso ao céu da boca aprisiono a tua verdade

Ás vezes navego pelos oceanos do pensamento e
Sou um barco
Ás vezes sonho que reparei todas as duvidas do Mundo e
Sou apenas um grito perdido

Este copo vazio que embebeda o louco
Este corpo nu que acolhe o orvalho
Este sorriso fugido á tristeza
Esta incerta certeza

Esta desatenta ilha que há em mim
As minhas palavras foram luz insuficiente
Este habitante da cidade inventada
Percorre o amor em pranto na procura do nada

Assim vou construindo o movimento de cada vaga
Acenando aos Anjos magníficos pendurados nas nuvens
Bebendo um mar revolto, amainando tempestades
Desenhando a traço forte o contorno de sete verdades

Vou oferecer-te esta tela
Procura-te bem dentro dela
É tão fácil esmagar alegrias
É tão difícil vestir um manto feito de nostalgias

Que poema este! Credo em cruz!
Escrevi uma confusa ode de palavras de paixão e verdade
Dei comigo a pensar coisas que ninguém pensa
Como...OS PÁSSAROS QUE HABITAM A NOITE...

quarta-feira, 3 de junho de 2015

A POESIA INFINITA DO BEIJO


Sentir um abraço, como instante de água fresca
O inadiável gesto do beijo
Até violo qualquer reprimido pensamento
Porque morrer por amar é doce momento

Esta poesia vestida em maravilhoso manto de fala
A qualquer hora estarás vivendo num coração que bate sem fim
Nos olhos de uma criança nascem castelos no céu
Dormi calmamente com o sorriso dos Anjos em mim

Trago um nome tatuado na alma
Estou cansado na demora da vida
Amanso esta fúria no vale da espera
Forjei uma espada dourada para prender a quimera

Já entreguei á sorte o amor em olhos escuros
Enquanto esperava o encontro com a distância
Enquanto os pássaros cantam para a ilha sorrir
Vou navegando numa baia onde não existe o partir

Silenciosamente voa este pensamento sem rosto
É madrugada e a chuva cai dentro de mim
Dizem-me as mulheres que desconheço
Que um puro beijo, para o tempo, não tem distancia nem fim

Beijamos sorrisos
Tocamos bocas como quem constrói estrelas
Beijamos olhares de ternura
E enchemos a alma com os sois da luz mais pura

Esta minha insuportável sede do teu regresso
Vieram de mim longos dias de solidão
Porque me perdi...?!
Porque deixei a semente da duvida em ti...

Os homens não morrem no País que inventei
O amor é real na minha cidade inventada
É permitido trocar a saudade por desejo
Na... POESIA INFINITA DO BEIJO...

sexta-feira, 29 de maio de 2015

AS LUZES DO ENTRISTECER


Não me perguntem porque amo o silêncio
Não me perguntem porque habitas na minha ternura
Apenas porque sou uma ilha perdida numa concha
Enquanto meu corpo se perde no cheiro da maresia

Trago comigo as dores que viram as minhas mãos crescerem
Ás vezes penso ser estrangeiro perdido no meu corpo
Peço aos deuses que sejam, candeia iluminando as minhas preces
Ás vezes navego num mar sem sal, já morto

Porque me perdi num regaço antigo de ilusão?
Algures sorrio no meio do meu cansaço
“Há sempre em mim um choro que se ouve quando fecho os olhos”
Quando amo uma flor, a mulher, na saudade estremeço

Se vocês soubessem o que habita na minha ternura!?
Aí veriam quando um homem ganha importância
Se vocês soubessem como sei amar com amor?!
Aí veriam que não há longes nem distâncias

Meu Deus, por estes dias falamos tanto
Imperturbável, deixas que siga o meu destino
Ninguém saberá que sou pássaro, morro e o meu corpo é terra
Talvez uma perdida pedra em esquecido caminho

Nunca consegui partir a verdade em duas
Nunca aprisionei a luz de uma estrela
Nunca consegui fundir a razão com a ilusão
Nunca deixei de sorrir ao ódio com este pobre coração

Murmuro palavras vagarosas, compondo a solidão
Gostava de ser a luz de um cego, a música de um surdo
Gostava de oferecer todas a minhas palavras
A um coração que nasceu mudo

O curioso é esta minha alma persistente de alegria
Este alento animado por um desconhecido Universo
E aceno distraído ao desprender dos anjos amigos
E construo a palavra no movimento de cada vaga, em verso

Não gosto da cor do Mar sem o sorriso do céu
Onde cabe um poema para te sentir e ver?
Talvez nas planícies eternas da saudade
Numa réstea de... LUZES DO ENTRISTECER

sexta-feira, 22 de maio de 2015

PALAVRAS CORREM MUDAS


Podias ser apenas uma pintura
Podias ser apenas uma concha perdida na areia
Podias ser um fugaz olhar que se esvai
Apenas uma imagem nas águas da Lagoa em noite de Lua cheia

Podias...
Ser orvalho vestindo os frutos na manhã
Uma gaivota poisada entre o Mar e a terra
A brancura dos sentires varrendo a saudade em santa guerra

Contemplei na manhã Anjos de água
Sentados sorridentes num arco- íris
Acenaram-me na essência que deslumbra
Dei por mim perdido entre a paixão e a sombra

Ás vezes o sonho é mais do que a palavra
A existência de Ti é inquietação matinal
Infindáveis agitações percorrem este peito
Em fragores de azul descortino o teu rosto inquieto

Não posso tocar-te a mão
Cheguei tarde ao sitio onde repousam as andorinhas
Com o Luar preso aos teus olhos fica cego o amor
Por isso bebo a saudade fria de uma pálida flor

Cintilante espuma!
Apetece subir por aí em ondas de alegria
Ao som dos passos da irrealidade sem bater em portas
E dizer: quando há amor, há mesmo amor, confia

Escutei no teu cabelo todas as ondas de um Oceano
Vi peixes beijando-se em camas de espuma
Em espelhos de água refletidos todos os momentos de paixão
E um golfinho entregando-me o teu coração

Triste ilusão...!
Apetece-me pedir-te vem!
Trás o perfume das outras eras
E liberta-me das mil esperas

Lembra-me os Outonos e Invernos a saber a pão
E, sorri no silêncio possível do reencontro das madrugadas
Mas vem, anjo das transparências nas asas do vento
E assim as...PALAVRAS CORREM MUDAS...

sexta-feira, 15 de maio de 2015

QUANDO NOS SEPARAMOS DO DIVINO


Falam-me de um tempo, choro
Lembro-me que afinal estou só
Percorrendo um caminho infinito, árido
Rodando como atafona em pedra mó

Ás vezes prendo os olhos aos bolsos
Contando tostões de sonhos ao desbarato
E mijo-me a rir das histórias felizes
Não tenho cinturão com balas nem com a vida contrato

Mordo com os dentes uma maçã já murcha
Vou-me entesando com uma raiva deliciosa
E louco de excitação faço cocegas ao pensamento
Ao ouvir uma frase de senhora extremosa

Mas espera aí!
Para onde viaja hoje este poeta?!
Estava apenas a divagar no lado mais escuro da Lua
Por momentos perdi-me numa rua fria e nua

Mas, faça-se luz “fia lux”
“Eu apenas não morro na dor sem encontrar o amor”
Enquanto não encontrar a minha cidade inventada
Enquanto não despir esta capa de gente mal amada

E aguardarei as aves da Primavera
Aqui numa corisca e bela Ilha
Falhei adoração ao Senhor
“E parei por momentos no coração o bater do amor”

Meu Deus, quem sou?
Um barco de madeira, carcomido, amaldiçoado?
Viajando com calados sonhos
Submersos num lago profundo?

Não! Serei apenas um caçador de pérolas
Fugindo a sereias e ninfas silenciosas, perdidas no tempo
Plantando palmeiras na areia
Soltando aves no céu na maré cheia

Cheguei tão devagar a esta terra verde
Após longos sóis abraçado a um destino
É assim ás vezes na vida
Quando por momentos NOS SEPARAMOS DO DIVINO...

sexta-feira, 8 de maio de 2015

ENCONTRO COM O DESTINO


Não tenho muito lugar em ti
Ai se visse nascer das hortênsias rosas novas
Se te sentisse na pele deslizante de uma rapariga madura
Se me ardesse o coração como casa de palha e verdura

Ofereço-te um prato tiritante de beijos
Um molho de abraços inquietos
Um lugar na minha palavra por dizer
Um altar de espuma do Mar para te poder ver

Escrever o poema é soltar o grito
É dormir com anjos transparentes
É sonhar novos horizontes azuis
É encher-te a alma de presentes

Uma ilha aparecida no Mar é pequena flor oceânica
Este pensamento de barro cru por pintar
“ Uma mulher imensa dentro de um homem nunca se apaga”
Digo-te como se fosse uma criança sem revolta, o amor é apenas amar

É no estio que o coração solta a palavra
Parei na imensidão das horas possíveis
Há uma felicidade irreconhecível sem morada
Há corações sem janelas, com a porta fechada

Lavrei compreensão na imensidão do egoísmo
Erigi um lugar para elevar a concórdia
Sei o significado do querer partir
Pintarei montanhas fora do alcance para te fazer sentir

Na minha peregrinação através do tempo
Partindo não importando donde
Semeei palavras puras de transparência e brandura
Fui rico na pobreza e pobre na fartura

Enterrados na terra do esquecimento
Estarão as recordações da tua incompreensão
São grãos de poeira perdidos da alma
São vida que se extinguiu da chama

É tão mau sermos sempre os mesmos
Não há nada que mereça a noite, nem o querer pequenino
Não se pode vomitar um vazio indescritível
No...Encontro Com o Destino...

sexta-feira, 1 de maio de 2015

CORRENTES DE UMA PAIXÃO


Este dia acordou feio e sombrio
Como um tostão de gente, correu frio e húmido
Este vento é grave e sabe a descontentamento
A água afoga a terra, esta bruma parada num momento

Gostava de ir ter contigo num País encantado
Sem casas, nem lagos, com flores e dizer, meu amor
Ás vezes corro nu, agasalhado pelo sonho
Gostava de viver na aurora da paz, sem rancor, sem dor

Estas palavras beijando o papel branco
Há sempre luz para o inicio dos gestos
Liberta-mos sonhos e comemos distâncias
Dá-mos braços á ternura e aprisionamos as ansias

Sou como uma criança de mãos vivas cheirando a vida
Deixem-me aqui cuidando com os olhos da irreverência dos pássaros
Deixem-me aqui envolto neste grito de saudade e nostalgia
Que seja a ultima vez que abro esta boca amputada no adeus do dia

Os sonhos não têm cor
Os homens não têm asas
As auroras escondem as estrelas
As mulheres não sabem amar, só são amadas...

Sobem-me abismos á alma
Nesta floresta de palavras cravo um punhal
Ontem por ontem na angustia pedi que me abandonasse o mal
Dos céus desceu um terrível e duro sinal

Pintei uma mulher fresca para servir a noite e toldar o sonho
A tela saiu uma desgraça de paranoicas cores
Uma rosa, uma mão no peito com um cravo cravado
É assim uma comédia de desenganos de falsos amores

Não encontro um lugar na palavra para o confiar
Neste poema duro e rude calei o coração
Fiz-me ao Mar neste denso e húmido nevoeiro
E lancei a âncora nas...CORRENTES DE UMA PAIXÃO...

quarta-feira, 22 de abril de 2015

O CÉU ESTÁ CHEIO DE ANJOS


Ocultamos as alegrias na memória do que já fomos
Suavemente na sombra obscura, breve e pura
Caminhamos por dentro na viagem do improvável
E acordamos todos os dias no amanhã devagar com o cheiro da loucura

Falamos atormentadas palavras
Para além do alcance de todos os horizontes
E somos pequenos no silêncio absoluto
Bifurcando a alma na procura de sete fontes

Serei pois guerreiro vencido pela utopia
Desmontando a misteriosofia da noite sombria
É tão difícil acordar num vazio tão profundo
Na paisagem mítica dos milhafres aprisionada á maresia

Uma caricia serena de amor separa-nos da solidão
Pobre poeta sem o conhecimento da espera
Com um sorriso disfarçado de inquietude ou revolta
Pobre rimador que te perdeste nos labirintos da paixão em santa guerra

Pobre homem, criminoso apenas por amar
Com a vontade inexplicável de no perdão abraçar
Por maldições o meu corpo é árvore de esperança
Por contradições serei pássaro sem penas para voar

Deixai-me criar lendas, epitáfios e sonhos imensos
Deixai-me construir uma casa entre montanhas e ventanias
Sou poeta, pedaço de pão, fogo, fome, luz, farol para o vale das palavras
Deixai-me construir um ruído mudo de silêncio na estação das calmarias

Uma criança nova exige um nome
Esta ilha, terra fechando-se em volta de tudo
Este esperar pela ferida que a tua lança guarda
Este crescer como quem devora as raias do absurdo

Esta inventada chuva violando o pensamento
Este meu corpo de sombra recolhendo teu corpo de Sol
Esta terra palpitante aos bocados despertos
Este rumo sem Sol a prumo por mares incertos

Meu Deus, Azna, no meio dos risos surgem os punhais
Esta manhã de Sol na minha viagem da solidão ao som de banjos
Olhei para um celeste de esplêndido azul
E vi...UM CÉU CHEIO DE ANJOS

quarta-feira, 15 de abril de 2015

PARA QUE OUÇAS




Teu corpo, rumor de ondas quebrando
Manhãs aprisionadas a tempestades
“Este mistério que é o amor”
Este degredo, esta ilha, sete cidades

Este teu coração de verão
Alma de feiticeira Lua
Brilham constelações nos teus olhos
Morada de uma saudade minha, tua...

Uma onda sem espuma
Árvore, fruto do pecado
Despedaça-me! Submerge a luz deste destino fatal
Uma reza pranteada num chão molhado

Para que sintas, acredites...
As minhas palavras, penas de andorinha do Mar
Promessas, rasto das gaivotas no areal
Vai trepando a dor como hera, por te amar

Antes de ti ninguém povoou esta solidão
Apenas furacões de sonhos aprisionados ao coração
Uma boca de pranto e sangue
Não me abandones, companheira solidão

Lembro-me da viagem por outros Outonos
Em cima de um palco já fiz o amor falar com o ódio
Já encontrei horizontes no meio da encruzilhada
Sei que há sempre um novo dia no encontro de um desencantado

Fala imenso o olhar de um sobrevivente
Ao som dos passos da realidade abandonei a descrença
Terei que provar ao Mundo a minha razão de ser?!
Não dormirei no naufrágio nem nos braços da falsa aliança

Um sonho quebrado trouxe-me ecos de dor
Seguirei os pássaros na rota do Sol
Achei que era possível ser corpo eternamente abraçado
Escutei nas ondas batendo o lamento de um fado

Ergues, morder a palavra, matar o querer
Dar passos em volta da alma, acender uma vela em promessas
Este poema não voará no sentimento vã
Não o deves ler, é apenas...PARA QUE OUÇAS

sábado, 11 de abril de 2015

E DE REPENTE O MAR




Quando aqui cheguei
O vento rondava as tristes janelas
Lembro as noites mais antigas
Lembro luzeiros e olhos, almas amigas


De folheta construí barcos pintados de verde
Foram longe e demoradas as estradas destas vidas
Gosto do silêncio da sombra das chaminés
Apetece subir por aí em ondas perdidas

Ainda tenho sonhos de Navios partindo
Gostava de ver um pássaro falando com Deus
Quando nasce no coração de um homem livre uma sombra
Num caminhante sem o rumo do vir embora

Tenho frio escorrendo das minhas tontas ilusões
Um novo dia vindo ao encontro dos desencantados
Este som mudo batendo a todas as portas fechadas
Esta merda de vida de almas mal amadas

Conheci um lugar onde as mulheres congeminam o feitiço
Gostava de descobrir a luz dos caminhos descansar sobre a terra
Gostava de apagar as luzes atormentadas
Morrer e ir para o sitio das sortes penadas

Não é grande coisa este poema orvalhado
Foi o que saiu deste poeta da longa e feiticeira noite
Hoje foi miserável dia de alguns já mortos
Hoje voltei a ser o rei das poucas sortes

Haja saúde, as gaivotas rumaram para nenhures
A Lua desprendeu-se do céu
Sei lá quem são as porcarias que dizem ser gente boa
Eu até ando certinho e não á toa

É o que dá beber o amargo das palavras infelizes
Hoje é hoje e espero que fuja o amanhã
Espero que ardam os corações falsos e pardos
Que algum dia este meu sentir não seja sentido vã

E acabemos esta tormenta de letras
Foram algumas dezenas de tretas
E porque já lá vai o dia das petas de assombrar
Saí do rumo...E DE REPENTE O MAR

terça-feira, 7 de abril de 2015

PARA LÁ DA PEQUINÊS...


Sonho que sou um cavaleiro andante
Por Mares e noite escura
Paladino do amor, força anelante
Mas, não tenho Palácio da aventura

Talvez nem seja tão louco como Antero
Ou serei?!
Talvez saiba mais dos caminhos da vida
Talvez também me zangue com Deus de quando em vez

Serei algo ou alguém que não admite o insulto
Esta pedra rolada também tem alma
Serei Deus também porque faço parte Dele
E sei que é assim por ser tão intensa esta chama

Pedi aos Arquétipos me iluminassem o coração
Pedi a S. Miguel, Gabriel e Ariel o sorriso dos Anjos
Pedi ao Universo uma estrela como minha
Pedi em sorte uma boa nova que se avizinha

Deixem lá estar as preces deste poeta rezador
Sabem? Há estúpidos que vomitam o amor
Deixem lá estar este escriba de poesias endrominadas
Sabem?! Há sempre veneno nas bocas das mal amadas

E há Milhafres vestidos de carmesim
Há uma esplêndida manhã que espera por mim
E contudo a descrença é licor amargo e triste
Há uma gloriosa história sem ter fim

Comédia de enganos
Filme a preto e branco, fotograma verdade, fotograma mentira
Nesta fita ninguém morre
Neste mar revolto não há quem te acode

Relógio que perdeu o sentido
Ausente das horas, descompassado sentir
São eternamente sete horas e sete esperas
Alma confusa de tontas quimeras

Foi confuso este poema da treta
Foi escrito em português e não genovês
E porque a loucura ás vezes se serve em boca impura e suja
Num fosso... PARA LÁ DA PEQUINÊS...

quinta-feira, 2 de abril de 2015

O MAR DEBAIXO DOS TEUS OLHOS


Tinhas um coração tão quente
A minha voz foi luz suficiente
Corpo solene da esplêndida paixão
Serei no teu amor o primeiro habitante

A minha palavra parece tão inatingível
Amanhã saberei se a vida ainda me quer
Vou procurar raízes nas pedras de uma oração
Em silêncio principalmente te irei ver

São curtos os poentes do Inverno da ilha
São longos os dias senti, sem ti ficam as sombras
Em certos dias a costa é fronteira intransponível
Já só restam deste tempo de solidão as folhas já mortas

Tenho saudade da minha nua rua
Das casas pintadas a cal para afugentar o mal
Das pessoas de sorriso franco á janela
De sentir que antes de um milagre tive sempre um sinal

Hoje vi um Milhafre poisado numa nuvem
Vi um Anjo ajeitar as asas perto de mim
Vi um barco navegar abraçado a uma baleia
Vi o sorriso de uma irónica Lua cheia

As coisas que um louco vê
Também vi a tranquilidade de uma montanha azul
Um Céu com a Cassiopeia a dançar com a Ursa Maior
Vi também um Homem Pássaro a perguntar pela estrela do sul

As coisas que um Poeta escreve
Descalço a saltitar na lava arrefecida
Sem Ti, sem o teu amor
Sou uma insignificante alma perdida

Este é o tempo dos sonhos coloridos
Estonteante e contaminador é este querer
Desenhei palavras para te dizer baixinho num céu crepuscular
Onde te encontrarei para te provar o amar

Nesta longa e demorada estrada
Fui colhendo esperanças aos molhos
Adormeci numa praia de terna areia
Com o Mar debaixo dos teus olhos...

quinta-feira, 26 de março de 2015

OS ILUMINADOS


Ás vezes tento inventar a vida
No silêncio de um crepúsculo lento
No vazio de um punho cerrado
Ás vezes no absoluto pensamento

Corto o ar a navalha refulgente
Cativo risos de um passado de memória louca
Despedaçando o peito da esperança
As folhas de amargo verde espalhadas na boca

Na memória do meu barco
Pancadas secas, estremecem meu corpo
Uma mulher de boca calada indicando um ninho
Um molho de olhos ardidos perdidos ao destino

Ás vezes encho a vida de água e vento
Queimo o papel das mais secretas memórias
Como brasas que torneiam a carne dorida
Construo casas, desenho histórias

Insano este tempo que me fala de nevoeiros
Ansiosos sentires percorrendo canais lentos do amor
Ás vezes as pessoas vêm até nós para violentarem palavras
Não vale tocar os contornos da vida com gestos de dor

Não vale esmagar o que ontem brotava de um peito
Renunciei á voz da penumbra, ao universo das sombras
Sou como um Milhafre e não morremos de solidão
Sou grão de areia de uma maré brilhante, instante tatuado num chão

Nunca estive preparado para alguns amanheceres
Como arbusto inquieto, como pássaro da cor Primavera
Como música forjada a Sol e arrefecida a sal do Mar
Como silêncio carregando o ruído em santa guerra

Meu Deus, Azna...
Peço orientação divina aos Arquétipos todos os dias
Com o coração queimado correndo na busca de um sonho
Como criança jogando na lama ao meio dia do suor de Outono

De mão assustada desprendo esta tarde sombria
Percorri tanta vez a rua dos mal fadados
E com o vento e a música procurando um porto
Pensei hoje se serei um louco, ou um dos felizes...Iluminados...

quinta-feira, 19 de março de 2015

ÁS VEZES SAIO DE MIM


Hoje ordenei aos Anjos a companhia
Sinto-me tão estranho por estes tempos
Hoje senti uma morna e terna luz descer
Sinto-me caminhar, fecho os olhos para melhor ver

Procuro nesta imensidão
Este Mar, estrelas sem conta, universos
Escrevo palavras, como quem desenha mapas do amor
Escrevo sentires tamanhos...

São tão breves as rosas de Maio
É tão breve a chegada da manhã
É tão breve a chegada longínqua de uma onda
São tão breves as paixões na palavra vã

É eterno ser Pai...!
Hoje é o dia em que sou mais lembrado aos meus meninos
Hoje é o dia em que me arroxa o coração
É assim: sou Pai do Marco, Miguel e João

Foram tempos difíceis, sei
Meu Deus como lutei...!
Foram doridos os passos na vossa direção
Não ousei adormecer, morrer, ao cuidar, proteger, amei

Amo-vos aos três á minha maneira
Talvez não tenha sido o melhor e perfeito Pai
Talvez não tenha sido o melhor Homem do mundo no vosso orgulho
Mas povoei a minha alma de verdade neste gostar mudo

Sabem?
Não brinquei, passei ao lado de ser criança
Sabem?!
Quis uma família, nos três plantei a esperança

Por estes tempos desfaleci, contive lágrimas, mordi saudades
Procurei chamamentos no meu silêncio
Atravessei desertos do meu descontentamento
Nunca me afastei dos tês, nem por um momento

E porque parei aqui junto ao Mar no espanto de um céu azul
Olhei este horizonte que vos indiquei sem ter fim
Hoje é hoje, mais um dia em que vos aconchego á alma
Porque para unir o que Deus me deu... ÁS VEZES SAIO DE MIM...

sexta-feira, 13 de março de 2015

AS MARGENS DO SILÊNCIO


Onde as palavras são mais profundas
Há um coração que pulsa, bate
Preciso construir o dia, um novo dia
Preciso apartar dores deste coração que arde

Preciso devastar a agonia presente
Preciso que a alma não cale o que o coração consente
Este homem já atravessou montanhas, fez um filho
Este homem voa e deixa no mundo tanto presente

Já são vagos os ventos de Outono
Como folhas por escrever jogadas ao silêncio
Serei um fugitivo perdido ao segredo?
O importante é não ter pena nem medo

Hoje não houve pássaros para morder o verde
Será branco a cor do perdão
Esta noite cansada, resistindo ao dia
Esta sorte danada que ao final morria

Então descobrimos que as lágrimas não rasgam horizontes
Que as montanhas não são fáceis de esconder
Que uma ave abre espaços na Primavera
Que ás vezes quero ter, outras não quero ver

E vivemos apertados da alma na paisagem mística dos Milhafres
E vivemos uma saudade tão vazia
Como a caricia serena que nos separa da solidão
E no chamamento ao fugidio amor, atiramos todos os dedos de uma mão

E somos vagabundo esquivo numa esquina da vida
Insultamos os noctívagos pássaros loucos
E com palavras recortadas de bruma
Lançamos rezas ao sal da espuma

Um pássaro risca palavras no céu
Os olhos manietando-se na sombra escura
Um desgosto disfarçado de inquietude e revolta
Uma pedra de basalto negro que no tempo dura

As mãos apeteciam um corpo quente e macio
Este poeta nasceu da maresia das manhãs
Viverei para te amar vidas, um milénio
E plantarei saudades nas... MARGENS DO SILÊNCIO

sexta-feira, 6 de março de 2015

UM PÁSSARO NA MADRUGADA


Uma densa e estranha calmaria invadiu a ilha
Uma rosa breve despontou do verde
Uma cantoria de ave marias inundou-nos a alma
Uma singela saudade ateou-me a chama

Alegria desceu do azul
Já não pranteia este céu de frio Inverno
Há um espaço intermédio entre duas almas
Há nos dias felizes uma promessa do eterno

E há Deus e as divindades
Um mar onde se plantam mil saudades
E há o começo do desenho das memórias
Um lençol branco impregnado de verdades

E há uma menina do Mar
E há mar sempre que acorda a ilha
E há uma melodia em cada silêncio
E há quem diga que nasci com o dom da maravilha

Há também os que me olham de soslaio
Há sempre alguém que nos diz tem cuidado
Há sempre uma espera mesmo no fim da estrada
Há sempre alguém que diz tudo ou quase nada

Tudo isso pensei ao ver uma gaivota poisada em terra
Até pensei ser guerreiro em santa guerra
E porque só tinha espada e escudo de lata
Escrevi na areia a palavra quimera

Grande poeta!
Até metes nojo de tanta rima certa
Não te falta tinta nessa caneta usada e gasta
Deixa lá, há quem já tenha dito, cala-te, basta!

De joelhos se pagam promessas a Cristo
Que olhos, que fé tem esta nossa gente
Quando todas as forças nos faltam
Há um Anjo que nos ampara e diz presente

Serei romeiro em romarias de palavras
Demiurgo de caminhadas inventadas
Rei, mendigo sem castelo ou abrigo
Ou apenas um simples homem que a ternura quer consigo

Que importa, hoje é hoje
O Começo de todos os outros dias
E porque senti-me de alma e fé cansada
Sorri no canto ...UM PÁSSARO NA MADRUGADA...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

OS NOMES NÃO TÊM COR


Se uma estranha alucinação te assombrasse
Se como uma árvore te conquistasse junto ao teu lugar
Se nunca mais anoitecesse no reino das criptomérias
Talvez a luz do dia te inundasse com o amar

Persigo o brilho dos felizes sonhos ao amanhecer
Não é pecado sentir mais para além do amor
E de repente tombaram as paisagens sobre a Lagoa
E em breve instante recolhi do Inverno uma singela flor

Dei pequenos passos no sentido da Lua
Perdi-me nas fronteiras do teu divino corpo
Só tu e eu enlaçados em viagem perpétua
Este poeta do clube dos poetas mortos, fingindo-se morto

Pois, o poeta é um fingidor...
Suas palavras são papagaio de papel de seda a planar
No seu peito mora a lucidez dos espelhos
Em sua alma mora a espuma inquieta do Mar

Vem, ou deixa-me morrer com a tua lembrança
Deixa-me ser gaivota em manhã cinzenta de neblinas
Mas diz-me coisas sobre as tuas tardes de saudade
Diz-me sem dizer onde mora a tua verdade

Imagina-me no centro dos teus sonhos felizes
E se fosse-mos apenas aves sobrevoando todos os horizontes
Vem e sorri no canto possível do reencontro
Vem, como se partisses para sempre e me esquecesses nas tempestades

Veste este céu no teu corpo de fêmea
Sara teu corpo ferido por um amor com sede de infinito
Abre as janelas que fechaste um dia no desencontro
Deixa-te cair nua nas asas do vento e solta este abafado grito

Murmurante noite no encontro das madrugadas
Escuto nos teus cabelos as ondas do Mar
Como não consegui convencer nossos corpos a estarem eternamente abraçados
Sim, é possível escutar as ondas a passar

Há um lugar onde é possível construir uma casa
Habitar o tempo e cultivar o amor
Há um lugar onde se semeiam verdades e se acalmam tempestades
Onde só existe harmonia e...OS NOMES NÃO TÊM COR...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

QUEBRARAM-ME O CORAÇÃO


No êxodo de um tempo escrevo
Num instante corre a vida em fio invisível
Cruzei todos os caminhos de solidão
Em frágeis tremores bate ainda meu coração

Em espanto contemplei a água retornando ao céu
Regressei de um tempo onde repousam as memórias
Tombam no orvalho frágeis sonhos
Serei herói ou vilão de sete histórias?!

Paladino do amor
Força de um Mar por descobrir
Os pássaros partem sempre ao fim da tarde
Uma alma que parte, leva o mundo a sorrir

Pergunto pelas Primaveras adormecidas
Pelos pregões nas madrugadas em flor
Pergunto por um Deus amigo
Pergunto se sigo o rumo ou estou perdido

São negros os húmidos olhos da triste memória
São de dor os sentimentos que a maldade gerou
São frias certas criaturas que Deus plantou no Mundo
Há gente que se cruzou com o amor e nunca amou

Semeei com o olhar ilusões
Naveguei por tempestades e contradições
E no rumor do mar me perdi e me encontrei
Fiz amor no sonho e escrevi na areia: “amei”

As rosas crescem embaladas pela brisa
Murmuram canções num imaculado nevoeiro
Há lugares que emanam sortes e orações
Há lugares onde moram infindáveis contradições

Dos trincos da memória recolhi lembranças felizes
Levitei sobre os verdes desta ilha
Tentei agarrar um arco íris fugidio
Atropelei um anjo que do céu descia

Perguntei-lhe se no celeste o amor era verdadeiro
Respondeu-me que sim, era a sua opinião
Disse-lhe que aqui nesta Terra dura e fria
Mil vezes...Quebraram-me o Coração...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

ESTE MEU CORPO


Recolhi do Mar o teu corpo de Sol
Recolhi da Sombra o teu escondido amar
Recolhi dos teus lábios a doçura das uvas
Recolhi o teu abraço na partida do chegar

Este transbordante cálice no meu coração
Esta carne que planto no teu corpo de fêmea
Estas palavras tingidas de vibrante carmesim
Esta vendaval de saudade que há em mim

“Quando morrer, não chorem por mim”
Não haverá vazio pois plantei poesia
Quando morrer, devolvam o meu corpo ao Mar
Não digam rezas por um ser que se desencontrou do amar

Os sonhos e as mãos estenderam-se sobre a mesa
Onde havia pão floresceu a ilusão
Onde haviam facas, apareceu a oração
Onde havia vinho, derramou-se a paixão...

...Onde havia amor nasceu o monstro da contradição
Ora! Não devo amar as flores nem acariciar a melancolia
Neste fogo medonho, sussurra um chamamento
Nesta rua deserta das cores só oiço o lamento

Não me deixarei vencer pelas madrugadas sem luz
Não me irei perder nas cinzas da tarde
Não me lembro das cores da escuridão da alma
Não sinto a chama do teu coração que arde

Só o vazio ocupa o lugar de uma mulher amada
Só pede misericórdia ou consolo o pecador
Só ardem de gozo os homens minúsculos
Só quem é amor, sabe o que é o amor

Pescador de tempestades
Este homem bom correndo de olhos vendados
Este Anjo de asas de papel amarrotado
Este sonhador do vale dos condenados

Viram isto?!
O poeta escreve que mete medo, distraído ou absorto
Não chorem por ele quando morrer
Sorriam quando a terra beijar...Este Meu Corpo...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

VOZ ERRANTE



Naufraguei nesta ilha de névoas
Acordei na areia em aurora de hortênsias de fogo
Bebi das águas de um primeiro Outono
Adormeci nas folhas carmesim de uma tarde sem fim

Encontrei uma deusa vestida de vento
Que me julgou com descrença
Prendeu meu coração, parou o Sol, fez-me chorar
E depois enxotou-me com frio olhar

Viajarei á inocência com ardência da alma
Regressarei da terra onde nunca estive
Como voa este olhar, como ama o coração
Na volta completa de um luar, deixei de ver a paixão

Retorno á crença no fio dos dias
Entre ruinas desenhei mil prantos
Quando toco este basalto negro
Quando lavro com as mãos esta terra de espantos

Ouvi sempre o rumor do Mar
Cresci entre pedras e melancolias
Construí emoções nas colinas do tempo
Engoli o pão e o sonho em tardes frias

Ouvi lendas, pintei memórias
É de verde e água o silêncio da ilha
Esperei ondas enviadas pela distancia
Senti pedras se erguendo, altar, palavra, alma cheia...vazia

No orvalhado aroma das conteiras
No crepitar dos sonhos vadios
Senti nos ombros a túnica imaculada de Deus
Lavei pecados nas crespas águas de sete rios

Tão perto do céu...
Como gaivota de palavras por penas
Sacudi do corpo o resto das dores de uma tarde
Corpo tranquilo, alma que arde

Acendi este lume, aqueci o querer
Pacifiquei meu coração de alma navegante
Contei pegadas das aves do Mar na areia
E lancei ao vento esta...Voz Errante...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

ALMA QUIETA AO AMANHECER



Era o tempo das ideias acordadas
Com desespero e esperança correu um ano inteiro
Libertei nas águas infinitas mil quereres
É uma urgência urgente o teu amor, primeiro

Nunca ordenarei sentenças
Lavei as manchas á alma com água e fé corrente
Deixei saudades na areia lavada pelas marés
Encontrei pegadas, pareceram-me teus pés

Confundi ondas com nuvens
No sibilar morno do teu corpo inventei o amor
Que mágoas sentirão os habitantes do poente
Lateja-me o coração perdido na distância da dor

O dia acordou tão pálido como o suspiro de Inverno
Uma ideia galgou em ziguezagues o inatingível
“Dizer-te que serás eternamente o amor”
Dizer-te que sou uma criança sem nome cavalgando o impossível

Ontem abracei uma pessoa...
Ou terei recebido a esperança num abraço?
Hoje acordei com o pio aflito de um pássaro trapalhão
E numa lágrima oprimida e sábiA recolhi um trevo de quatro do chão

Trago numa mão a enxada a outra no coração
Desbravei ingremidades disformes, zangadas
E com o pensamento preso aos olhos viajei
Jamais serei pertença do desespero, água, mãos lavadas

Não escrevo recusas que mais ninguém tem
A palavra, o verbo feito no altar
Moro onde o poema nasce e jamais se perde
Ás vezes fujo para perto, recuso o chegar

Serei uma estátua em pose eterna
Um pássaro a dormir em pétalas frágeis e orvalhadas?
Imagino a fonte do inimaginável belo
Já toquei o a vida em viagens breves nas ondas dos teus cabelos

Atearei as chamas nas noites mais escuras
Já ouvi alguém partir de mim sem saber o que fazer
Já percorri todas as viagens inventadas
Esta ...ALMA QUIETA AO AMANHECER...

sábado, 24 de janeiro de 2015

PRISIONEIRO DE SONHO INTERROMPIDO


Hoje decidi dar rumos ao rumo
Hoje acordei do adormecimento inadiável
Resolvi descobrir o meu céu das penumbras
Perder-me nesta ilha de verde e brumas

Hoje decidi relembrar rostos distantes
Resolvi tocar seus corações no perto
Decidi alegrar todos os anjos tristes
Caminhar num caminho de rumo incerto

Este meu crepúsculo de ti é lento
Há um Sol que teima em não ir embora
Recolhi uma rosa em pântanos indescortináveis
Seu aroma era de saudade que chora

Serei como ilha infatigavelmente prostrada no meio de horizontes
Mareante trespassado por ecoante mar rasgando as rochas
Qual gaivota serena e muda chegando do nada
Qual alma que em arrepio suspira, mal amada

Apenas porque os barcos levam nomes de mulheres
Acariciei um sonho carregado de melancolia
Atravessei montanhas, fiz um filho, amei teu retrato
Percorri caminhos de lâminas afiadas com o olhar já gasto

Não há vazio que ocupe o lugar do amor
Atiraram o meu ás vidraças da escuridão
O importante é rir-me de pena de mim
É espantar-me com o avanço dos dedos fugidos da mão

Loucura...!?
Pois, o poeta pateta agora é louco
Nesta festa da vida serei clandestino
Ou apenas demiurgo fugindo ao destino

Andei por aí numa fúria magoada
Recolhi escárnios e sorrisos trocistas
Balas, dardos despedaçando coração vazio
Mergulhei em águas geladas de perverso rio

E rio...
De mim, triste e tonto Arlequim
Com folhas secas espalhadas pela boca
Numa a frase “tinha que ser assim”

O melhor é matar estas palavras de susto
E abrir os braços ao vento de alma e corpo despido
Adormecer neste atol de estranhos contornos
...PRISIONEIRO DO SONHO INTERROMPIDO

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

PROMETESTE-ME


Fui até onde as emoções renascem
Não há mares nem ventos em corações vazios
Fui até onde a escuridão acaba
Não há amor quando não se sente amor...nada

Anjos, gárgulas, roda a vida numa eterna atafona
O pio de pássaro saltimbanco no desabar da tarde
Contei pedras atormentadas, saudades desencontradas
Neste coração que arde

E de repente tombaram os sonhos no meio dia de sábado
Elevou-se um abismo negro em direção ao céu
E na transparência de véus pesados
Deixei de ver o teu rosto desenhado em negro véu

Talvez seja um pássaro inesperado mordendo a vida
Uma sombra atirada ao chão presa a uma cruz
Um anjo despedaçando nuvens de tempestade com asas de lata
Um deus menor que o tempo seduz

A mentira foi projetada pela luz do pecado
As portas das casas fecharam-se com fragor
A morte desenganou-se e perdeu-se na areia
Encontrei em luminoso e breve momento o teu amor

Olhos...
Uma lágrima perdida de confusa saudade
Este inquietante vento nascido na alma
Este coração triste e louco “Merda de vida”!!! Não se apaga a chama!

Tragam-me todos os livros que falam do amor
E nunca mais me digam que: “Ser Poeta é ser mais alto”
Porque este, ama assim perdidamente!
Perdidamente, alma e sangue e vida em mim, dizê-lo a toda a gente

“Por favor não me magoem mais”
Prometo, não incomodo ninguém com mais nada
Porque em cada passo que dou em busca do sonho
Porque este espelho só me mostra um ser bisonho

Lembra-me...
No tempo que em doce abraço...encontraste-me
Navegando em rios mansos de ausente dor
Fecha os olhos e lembra...Prometeste-me...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

O ESTRANHO PODER DO SILÊNCIO



Percorro esta ilha de Norte a Sul
Há tanto de intemporal nas hortências adormecidas
As marés são pronuncio do choro dos deuses
São de cartão certas mágoas perdidas

Naveguei na calmaria de um ano de esperanças
Lancei meu coração na procura de um rumo
Abracei o meu querer aos brandais
E afastei no olhar um Sol a prumo

Na viagem fui encantado por sereias
No canto doce de verde olhar
Foram sete todas as esperanças
Cinquenta e duas luas para aqui chegar

Sortilégios de um irónico deus
Alquimia fugindo ao olhar de tolos terrenos
Bravata entre Arcanjos e o mal
Eternamente no encontro entre o amor e desamor...

Mas esperem um momento
O espetáculo ainda não começou
Pancadas de Molière...
Para muitos a guerra findou

Este Arlequim de fato de cetim
Rosto pintado a preceito
Sorri...
É tão agreste ás vezes o caminho, estreito...

E o Mar, sempre o Mar
Para onde voam as Gaivotas ao fim do dia?
Para onde correm os anseios deste Poeta Tolo?
Serão as estrelas habitantes perdidas no azul sal?...nostalgia...

Que confusão Nossa Senhora da Agrela, que não há santa como ela!
Estava a pensar um poema daqueles de encantar até chorar
E vejam a coisa malparida que daqui saiu
Até o papagaio se riu

Mas deixem lá o rapaz desatinar
Passou-me ao nariz o aroma do incenso
Fiquei endrominado, e a única coisa, que aqui escapou
Foi o titulo... O ESTRANHO PODER DO SILÊNCIO

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

A BELA E O MONSTRO


Lembro Setembro
Uma flor num altar imaculado
Lembro entre os olhos um sorriso
Uma lembrança um querer ceifado

Como ilha perdida, desapareceu um sonho
Sou bisonho...
Para alguns...
Sou apenas um pintor, a parte triste de um sonho

Tive gente que me pintou de navalha
Disseram que era mau, maltratava pessoas
Tive gente que pintou de negro este poeta, gente canalha

Fui posto na rua de uma casa onde construi sonhos
Fui tido como pessoa que neste Mundo não deve existir
Fui demiurgo de todas as comédias de desenganos
Fui desenho, desenhado com o rumo do partir

Fui...!
Sei o que sou!
Sabes quem sou!
Estupidamente a traição num coração se instalou

Serei...!
Aquilo que este dorido coração comandar
Continuarei a plantar a beleza
Vou regar novos sonhos e pintar o amar

Começarei por mim
E darei um sorriso a este triste Arlequim
Abrirei os braços ao abraço
Abraçarei quem acreditou um pouco em mim

Foram poucos, alguns...
Vivi tão só, assim quis, não tenham dó
Tive tanta saudade da minha Mãe, do meu Pai
Do Céu caíram sorrisos, foram alento, afinal não estive só

Perdoo neste dia todos os que me quiseram mal
Pacifico-me com as pessoas e tiro da alma o desencontro
E digo-vos com dez assombração
Haverá sempre uma bela para um terno e bondoso Monstro...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A CANÇÃO DAS MARÉS



Do céu libertaram-se as águas infinitas
É verde o coração dos Poetas
Olhos de nuvem, coração de pensamento
Uma ideia de um sonhador, um doce momento

Gosto das pedras
Ás vezes são lâminas de gume afiado
Amo-te, menina que pertences ao mar
Rezei hoje para te encontrar, neste triste navegar

Encontrei-te, fugidia...
Como quem sabe que o amor é algo fatal
Nunca serás o fim do meu infinito
Um canto de pássaro, espantando o mal

Tenho os olhos presos na mesma gente
Tenho o coração dorido pelo desencontro que vi
Tenho um abraço, aberto sem te ter dentro dele
Tenho a alma infinitamente presa a ti

Tenho uma saudade de mãos cansadas
“Gostava que coubesse no teu coração um poema inteiro do meu sentir”
Espero o recolher de todas as sombras
Descalças correm as cores que me impedem o partir

Tens ondas indizíveis no teu cabelo
Há uma noite que se aproxima hesitante
A chama das palavras por falar
Um punhado de amor esperando o despertar

Uma dor que cristaliza o balanço do pensamento
Entretanto ri-se de si o homem mais infeliz do Mundo
Este dia respingou um suspiro definitivo
Esqueci uma melodia, por tristeza, sem motivo

Pois muito obrigado todos aqueles que me querem mal
Não tem de quê, seu tonto, papalvo
Na memória só restam uvas azedas
Fechei os olhos á raiva, já não sou o abatido, nem alvo

Sei lá o que sou!?
Um homem caminhando trôpego, trocando os pés
Assobiando uma melodia incompleta
Tirada da...Canção das Marés...

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O MILAGRE DA SAUDADE


Depois de te prender por segundos o olhar
Com a alma te tocar
Uma lágrima teimar voar
Fui com este coração doído ver o Mar

Um gesto amado...
Senti o frio da espuma em arrepio
O Sol beijou-me
O mundo rejeitou-me, tu não...confio

Que tempos meu Deus
Plantei esperanças todos os dias e este querer nunca acabou
Aqueci-me com lembranças nas noites frias
“Meu Armando, meu amor” só uma pessoa assim nesta vida me chamou

Por estes dias...
São longos os dias, desajeitados os quereres
Pensei no amor, morte, pensei com pena
E nunca mais adormeci numa conversa amena

Penso estupidamente tanto
Rio quando me rasga no peito o pranto
Há uma história que se interrompeu abruptamente
Há sempre uma gaivota voando a poente

O murmúrio das árvores
Uma pedra molhada pela chuva, ou maresia?
Todos os dias sinto uma obstinada fé
“Desculpa, perdoa, confia”

Fosse porque fosse, sentimos sempre mais além
Derramados sentires, opacidade da penumbra
“Acho que os pássaros não dormem, ficam apreciando a noite”
Tenho varrido deste coração tanta bruma

Fiquemos pois onde bate o coração, de emoção
Desenhemos os contornos de uma história feliz
São tão estranhas as pessoas quando decidem odiar
São tão ténues os pedidos, o chamar

Uma chama...
Não recuo até ás portas do céu, sem fim, sem idade
Hoje aconteceu o que esperava já não existir
“O Milagre da Saudade”

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O JARDIM DOS REGRESSOS


Não voam anjos na bruma da Ilha
Oiço palavras gritantes de um olhar doce
Derramei sonhos num vale de assombração
Tenho tanta saudade de te dizer amor, dar a mão

Guiado pelo esplendor dos poentes
Segui o aroma suave das buganvílias
Parti aos poucos nessa minha caminhada por dentro
Acordo nas manhãs, perdido dos horizontes, incompleto...

...Por não te ter...
Sabes meu amor, há um lugar onde as coisas fazem sentido
Há um lugar onde partimos como vagabundo
Há um lugar onde chegamos expulsos do Mundo

Ninguém espera pela noite na chegada do Sol
Ás vezes viro a cara ao tempo e ao deslumbramento
Ás vezes sento-me a olhar em volta como fosse louco
Ás vezes dou tanto, recebo tão pouco

Os escutantes do perverso afinam a parte negra da alma
Nestes dias o verde é de tal forma irreal
Há uma hora das portas fechadas
Há sempre um coração vazio, banal

Sou o inventor da luta entre o silêncio e a palavra
É nesse exato momento que algo exulta
Será que sabes da importância que dou aos grandes acontecimentos?!
Será que ainda reverbera a música de raros momentos...

És como o nascer da manhã inevitável
Sou um olhador de sorrisos sinceros
E todavia fez-se penumbra no decorrer do dia
E todavia o tempo desapareceu devagar, no teu chegar

No teu olhar aconchegam-se as maresias do Outono
Um ramo de misteriosas camélias
Hoje decidi fixar nuvens nos ventos
Decidi abrir a alma aos mais belos momentos

Hoje decidi ter respostas sem fazer perguntas
Decidi ser eu mesmo, sem inventar, processos
Sentei-me pois neste banco feito de folhas e frutos
Neste meu...Jardim dos Regressos...

domingo, 7 de dezembro de 2014

COMO TU



Este alento animado por novos sonhos
Este esmagar dos dias de dor
Este acenar de Anjos magníficos
Como sorrio ás vezes a uma vida de desamor

Para falar de uma vida não há apenas um nome
Para falar de uma ilha há apenas um destino
Para falar apenas de uma mulher
Há sempre a esperança do amor, o que Deus quiser

Que seria da cor do Mar sem o beijo de Céu
É sempre tão nostálgica a morte do Sol no acabar do dia
Sou um sonhador numa manhã de soltos versos
Sou um desenhador de planícies eternas que em Deus confia

Sou como a terra palpitante, fecunda
Escrevo palavras com insistência para que descubras verdades
A Norte o vento é frio
Esta força, este homem sem preconceito entre as margens de um rio

Tenho os olhos cravados no infinito
Nasci sorrindo para um Mundo tristonho, frio
Há sempre um canto de pássaro que me se seduz
Houve sempre em meu caminho uma reluzente luz

Já fiz milhões de traços
Já pintei emoções desconhecidas
Já amei mil corações esculpidos em gelo
Já morei num arquipélago de ilhas perdidas

Já me perdi...
De punho cerrado enfrentei Adamas tores
Fui saltimbanco de comédias de enganos
Ator em palco de falsos atores

Tal como o Mar rasgando as rochas
Naveguei sem rumo, em infatigáveis procuras
Segui em frente, é tão silencioso o horizonte
Pedi a Deus perdão, guardei numa caixa mil juras

Falemos pois do canto dos pássaros
Falemos do amor, do que a minha alma descobriu
Falemos da formosura de uma rosa breve de Novembro
De um obra fascinante e bela...Como Tu...

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

ENQUANTO NÃO CHEGAM OS BARCOS


Vi as minhas mãos nascerem na claridade de uma aurora
Vi a minha voz perder-se nos verdes desta Ilha
Vi os rituais de uma Cagarra na sua dança de amor
Vi o poder das águas e do vento descobrirem uma flor...

...Azul
Sal do suspiro de uma onda longínqua
Um pássaro breve de perdido cantar
Uma incontida lágrima, por te querer, amar

Na rebentação da beleza salpicaste o meu olhar
As mulheres transparentes divertem-se na vida
Ninguém bebe vinho e vomita o amor
Ninguém é dono da poesia, nem o seu autor

Vejo antigas sombras, cavalgando o silencio do pensamento
Não me falem de um tempo
Não me façam rir de mim
Não me mordam a alma, não me firam o corpo

Não me falem da chegada das primaveras passadas
É bom que se saiba que há muito mais porque morrer
Que conheço os caminhos cantantes da alegria
Sou um criança que transforma um muro em palácio, para te ter

Ás vezes percebo que os homens não têm importância
Que vejo a terra passar por mim velozmente
Ás vezes este espírito alucinado sugere-me
Que sou pássaro a voar para Poente

Abençoada a terra que colhe o orvalho
Bendita a mão que reparte o carinho
De esperas se constrói a solidão
Serei o primeiro habitante da dor vencida no teu caminho

Conto as aves do mar, mais as ondas
Bebo neste Oceano de mil esperanças
Vejo desprender do Celeste Anjos magníficos
Vejo Deus desenhar nas nuvens breves sorrisos

E sento-me neste basalto de fria espera
Não tenho fortuna, só bens transparentes, parcos
E penso em ti mensageira do amor
ENQUANTO NÃO CHEGAM OS BARCOS

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

OS PARAÍSOS QUE UMINFERNO CRIOU



Inquietos escutamos a voz calada
São pesadas as mãos do desentendimento
Nesta perdida rua de negro e fogo
Neste meio do mar, sem estrelas, um momento...

...Para te dizer, que bebi de um trago só o perdão
Para te dizer, que sou o cerne imperceptível da verdade
Dizer-te também, “ ainda sei amar quem me magoa”
Que vivo e floresço na minha inventada cidade

Foram tempos da memória
Rasgam-me a garganta as nêsperas azedas
Se soubesses a sede que se sente
Quando a vida nos arroxa ao peito, coração descontente

Se soubesses o que sente este poeta de rima incerta
Se soubesses o que não sabes por descredito
Se soubesses que todas as manhãs o meu amor se acende com a aurora
Se soubesses porque fico, mesmo indo embora

Se soubesses...
Que há quem abrace o vencido
Quantas verdades se diz mentindo
Que só me lembro dos teus olhos sorrindo

E eu que nada sei
Eu que acredito tudo saber
Eu que vivo como gaivota em eterno voo
Eu que cerro os olhos para não ver a esperança morrer

Eu...
Cavaleiro andante, Arlequim, mendigo sem bênção de Deus
Carrego o peso da idade inadiável
“Sou o Rei legítimo de todos os ateus

Sou, quem sou
Nem tudo o que faço pode estar errado
Pinto Anjos negros, deuses e deusas
Este homem, bem ou mal-amado

Sou aquele que caído, foi espezinhado
Sou aquele que pelos seu inimigos orou
Sou também este alquimista da vida
Que transformou em ...Paraísos o que o inferno criou...


sábado, 15 de novembro de 2014

CORPO SOLENE DE SOLIDÃO



São milhões os risos que chegam ao meu sentir
Esta fúria magoada de mil dias de solidão
Esta terra fustigada por espadas de chuva
Estas raízes presas ao profundo coração

Devorei o frio neste vale de segredos
Afastei as nuvens de desesperança com um olhar
Misturei ódios e sorrisos
E construí um castelo para te poder amar

Meus Senhores, minhas Senhoras
Novembro está servido, com ventos e lágrimas das estrelas
Afastei os dedos das flores mortas
Mataram a bondade, fecharam-me as portas

Mas, meu Amor...
Não há lume que aqueça o pão da pobreza
Os inaudíveis e grandiosos sentires desta alma dorida
São sussurros, são sorrisos soltos á tua beleza

Estes são os primeiros anos do amor
Vês agora a crueza desta neblina?
Meu Anjo de água de lábios recortados por um deus
Meu Amor, quanto tempo, tanto Mar...Mar, Menina

As minhas mãos urgentes
Procuram teu corpo, arca de incandescentes diamantes
A tua essência deslumbra, fere sem doer
Teus seios, ondulação das ribeiras, tua alma, teu ser

Já me fugiram á lembrança os antigos dias
Pelo olhar se retorna ao amor
Pelo teu corpo crescem flores carmesim
Neste vale de verde ilha ausentou-se a dor

Já pintei presságios e sonhos
Já pisei um lugar onde emanava a tua existência
Como uma Alva Garça soubeste ouvir o sonho
Como uma estrela do Norte e rumo, conquistaste minha confiança

Numa almofada de Musgo repousa a cabeça de uma Deusa
Escrevi teu nome no diário da minha paixão
Esculpi no teu sentir de roseira brava a novidade da luz
Amei teu... CORPO SOLENE DE SOLIDÃO

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

INEXPLICAVEIS DESERTOS



Como são puras as madrugadas
Como serão os campos sem cor
Como será a noite se brilhar o Sol
Como será a vida sem o brilho do amor?

Não pensei vestir-me para esta incompleta viagem
O desgosto e o amor são companheiros lado a lado
Ao dar os braços á luz do dia
Não sei se os poentes saudáveis são a saudade que na tarde morria

Deixem-me aqui com os olhos cuidando do azul do céu
Deixem-me aqui compondo uma balada de triste paixão
Deixem-me aqui como barco a naufragar
Deixem-aqui procurando a compreensão do amar

Deixem-se sentir teu rosto viajando para a minha presença
Neste lugar de casas brancas da cal
Tenho presépios em todos os dedos
Tenho a ventura presa ás mãos, um arrepio fugido do mal

Comigo dentro de mim, serei um guerreiro azul
Entreguei-te a minha paixão em versos
Nas tardes de memória
Na tua pele deslizante de fêmea, tatuarei a nossa história

A canção que me apetece cantar é Bela
Prendo o olhar ao retrato da tua candura
Um papagaio de papel de seda solto
Uma voz, tanta doce palavra...a ternura

O amor já não visita esta lareira dormente
Este Inverno, visitador de tempestades
Foram grandes os olhos da raiva
Foram sete vidas, sete sóis, cidades

Foram lembranças, perdidas em trincos da memória
Acredito que tudo o que é bom, ressuscita sempre
Na sensualidade do gargalhar, esconde-se o sonho açoriano
Este vento solto nos brandais, viagem, ilha, mar, sigo em frente

Com alecrim preso ao altar de senhor
Aqui a terra fechando-se em volta de tudo
Estas mãos vasculhado a dor das hortências
Este canto de bruma, reverberando mudo

Este sonho clamando um novo dia
Estes passos, trôpegos, incertos
Hoje isto saiu uma arrozada de rimas
A que chamei... INEXPLICÁVEIS DESERTOS...

sábado, 1 de novembro de 2014

MEU AMOR



Há lembranças que fazem estremecer o silêncio e a luz breve
Lembro outras eras de sobressalto
Lembro onde as crianças buscam o sonho
Onde os pássaros cantam trinados do alto

Há com certeza uma lamparina acesa no teu peito
Há uma palavra que teima ficar presa á razão
Às vezes é preciso acordar o silêncio
Às vezes o carinho é moldado nos cinco dedos de uma mão

Hoje apeteceu-me escrever para ti...só para ti
Hoje resolvi descobrir o Universo das penumbras
Hoje decidi deixar meu coração rebelar-se
Amanhã sei que sairás deste vale de contradição e sombras

Às vezes falo comigo próprio como fazem os loucos
Às vezes digo coisas tão vazias do sentir
Às vezes erro como as manhãs inevitáveis
Às vezes tenho tanta vontade de te chegar sem nunca partir

Contei todas as madrugadas sem ti
A minha dúvida é saber se és a aliança da minha sina
Tenho partido aos poucos sem ti para lugar nenhum
Tenho-te na alma, tenho o Mar e a sua menina

Menina do Mar...
Caracóis esvoaçantes, boca recostada de infinitos
És a fonte do irreal, inimaginável e belo sem fim
Procuro no Mundo, encontro-te em mim

Lembro teus gestos amplos e firmes
As alegrias das memórias do que já fomos
Mas ainda és para mim a alva imensidão de uma folha em branco
Onde vamos desenhar, venturas, sonhos

Procurarei na tua alma o gesto amado
Farei com que não hajam mais fronteiras nos sentimentos
Vou aprisionar o vento incansável que veste este nosso Outono
Farei com pedaços de céu uma Primavera de felizes momentos

Vou subir para te ver em ondas de sussurros
Oferecer-te uma esperança gerada na dor
Hoje escrevi para ti...só para Ti
Meu Amor...

sábado, 25 de outubro de 2014

ROMEU E JULIETA



Uma flor respira ao portal
A noite aproxima-se hesitante
Velhos são os trincos da memória
Uma vida fumada á esquina, um instante

Julieta era uma espertalhona donzela
Cada suspiro seu era como o ultimo, definitivo
E no cerne imperceptível do seu branco vestido
Havia um drama de faca e alguidar, morto ou vivo

Há tanta Julieta, branca, preta
Há Falsas raparigas com toque de urtigas
Há meninas rafeiras com a mania de finas
E há uma princesa com alma negra de beleza

E os Romeus, católicos e ateus
Pingando amor, amarrotando cuecas
Hálito a pasta gardól de pincel mol
Heróis, enganados, cornos, patetas

Mas vamos dar ordem a esta poesia
Isto está a ficar uma algraviada
Vamos pois escrever com elegância
E deixar o choradinho da mal-amada

Recolho pois a palavra amarga
Porque este herói desconhece o fim da batalha
Estou escaldado da falsa ternura
Durmo de olhos aberto e um fechado

Já está a descambar outra vez
Isto é mais de comer a rir e o dono atrás a pedir
E se soubessem como estou agradecido por louvar o amor
Sempre que me lembro de tal, estrassalhaço uma flor

Quando a ilha nos aperta
A sede que se sente, melancolia
Este frio dos abismos sem fim
Este lamento solto em mim

Hein, já viram como cá o Poeta também escreve umas metáforas?!
Deixem lá, esta vida uma vezes é puta, outras preta
Hoje deu-me para isso
Por me lembrar de...Romeu e Julieta...

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

A COR PÚRPURA


Sou um estranho dentro de mim
Trago as mãos vazias embrulhadas de nostalgia
Tenho um coração mudo, amputado pelo amor
Tenho uma alegria cinzenta como um poema por escrever ao fim do dia

O absurdo das coisas acontece em fúteis manhãs
Faltou a luz para o inicio dos gestos
Esta estrada sem vida engole os meus passos
Dou os braços á noite, prostrado em mil cansaços

O que me resta são estas mãos vivas
O que me acalenta é pensar no fim da viagem
Deixem-me aqui sereno, cuidando do azul do mar, com o olhar
Deixem-me afagar a garganta ferida de gritar...

...Comigo dentro de mim
Deixem-me aqui compondo a solidão
Deixem-me ir para longe da minha distância
Na espera de um barco ou de uma ilusão...

...Entre margens
Segura vontade numa algema de palavras
Cala-se uma gaivota, inverno de dourados presentes
Acordo nas coroadas auroras, morro no cair dos poentes

Escrevo para ti...Sabes que é para ti...
Os nomes não têm cor
São simples diagramas em conflito
Os nomes são muda sinfonia de sonata em desamor

Serei um barco vencendo rotas novas
Aplanarei as rugas de todas as montanhas
Vai arder novamente este sofrido coração
Hoje tive vontade de pintar uma oração

Vou dar um nome a um novo voo
Vou plantar um sonho feliz contigo
Vou lançar um papagaio de seda com a palavra amor
Vou fazer nascer das improváveis razões uma singela flor

Vou deixar que se inunda das cores da esperança
Vou colhê-la e dar-te quando chegar a altura
Saberei o momento certo para tal
Quando ela se vestir da...Cor Púrpura...

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A ENTREGA DOS SENTIDOS



O dia descobriu-se com o murmúrio surdo das árvores
O badalar majestoso de um sino, desperta um pássaro no ninho
Apagaram-se luzes atormentadas
Para alguns a vida é tanta, outros, um punhado de nadas

Na ilha acontece o esquecimento do Mar brincando
Uma brisa corre rasteira, sussurrante
Pensei, por te amar, seres a consciência do amanhecer
Pensei sentado numa pedra molhada, não te querer ver

Nas escadas de um perverso tempo
Medi o alcance do horizonte, para além do amor
Há sempre o vazio numa esperança imensa
Uma cabeça, prenhe da mentira, não pensa

Gera raivas sobre um amor de lareira apagada
Sandálias gastas, este menino que louva a saudade
Estas mãos em eterna construção
Estou cansado de caminhar, de desenhar o perdão

Para alguns, há uma noite aproximando-se hesitante
Uma rua mesclada de raivas e fogo
Um silêncio súbito assalta-me a lembrança
No aconchego de uma casa fechada, o rezar de um terço, fé, esperança

Talvez seja um vagabundo no canto da rua bebendo a vida
Uma estátua cansada, desaparecida do olhar
Um rosto sem vos, nem corpo
A primeira letra do verbo amar

A água sincera dos olhos
O que seria do azul do Mar sem o beijo do céu
O que será de ti, ancorada nesse atol
Apenas verás todos os dias como morre o Sol

Estarei deitado dentro de mim
Infinitamente com os olhos pregados na vida
Com desgrenhados cabelos de luta, apontar o eterno
São pálidas e vacilantes as rosas do Inverno

Fulgem sonhos neste caminho
Tenho anseios, rumos, quereres escondidos
Este Poema não fala de nada, de ninguém
Foi apenas uma singela...Entrega Dos Sentidos...

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A SOMBRA DAS ROSAS


Vi uma Gaivota tão quieta a ouvir o Mar
Com sereno nos olhos, colhendo cânticos no silêncio
Com as penas queimadas pela tarde
Há um rumor em meu peito, que sente, que arde

Na vida, vieram ao meu encontro, mágoas e louvores
Estão adormecidas as hortências
Com um profundo rubor carmesim
Há um sufocado grito dentro de mim

Não oiço mais os dias que se foram
Abandonei na cadeira estas vestes sem feitio ou medida
E em fragores acalmei a minha dorida alma
Já te senti , sincera, sem máscara, despida

Perguntei ao vento quem sou, o que faço aqui!?
Respondeu ao eco, és quem és...
Abri os braços ao celeste numa entrega infinita
E sorri sem vontade a esta sorte maldita

Ainda ardem em meu peito as sombras da saudade
Ainda não desisti da minha cidade inventada
Nos castanhos húmidos olhos da memória
Pintei, pintei-te como heroína da minha história

Está calma e doce a noite
Este Setembro passou sem um sorriso feliz
Na noite tudo se perde, vive a sombra o desvario
Que pena, não olhei, terias o rosto sombrio...?!

Pressiono contra a noite os dedos todos
Corro na procura de uma felicidade fugidia
Sairei derrotado pela madrugada
Dói-me o sentir, tenho a alma cansada

Tenho a liberdade de um bicho
E algures por aí á volta, versos num poço de revolta
São passos e pancadas estremecendo numa casa sem portas
É um livro chamado...A Sombra das Rosas...

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

RESSUREIÇÃO


Quantos sãos os dedos
Que apertam os instintos crispados?
Quanto é o tributo de te amar eternamente
Onde fica esse teu ninho de sonhos acabados?

Esculpi a minha revolta numa pedra imóvel
Já foste enorme como um sonho longo
Agora és apenas uma ave parda, sem voo
Eu serei, sou gaivota, alma, sonho

Depositei flores num altar imaculado
Rezei sete rezas para embarcares na saudade
Pedi aos deuses que a tua cabeça se iluminasse
Pedi ao Mar que me devolvesse a verdade

Encontrei uma boia num poço de silêncio
Está por pintar a obra da minha vida
Estará no acaso, com 7 traços e uma linha reta
Arranja-me um sorriso, apenas um e ficará completa

O meu passado será sempre o que eu quiser
O meu futuro, uma viagem, um desconhecido nascimento
Nunca houve movimentos suspeitos dentro de mim
Nunca serei derrotado, não há perdão para o justo, nem fim

Sou um homem sem fome, nem frio
Apunhalado pela vil estupidez
Sou isto mesmo, pão, vinho, sonho, amor
Sou barro moldado que um deus fez

Uma pedra nasceu aos meus olhos
Há sonhos que são feitos para torturar
Dormi com os anjos de água da manhã passada
Perguntei por ti, não me disseram nada

Saí do corpo, tem sido constante
Deixei o corpo preso a esta terra fatal
Senti a liberdade, como é tonta a mesquinhez
Não quis voltar, estava tão bem, voltei para o mal

Olhei á minha sombria volta
Era o mesmo Mundo de gente sem coração
Sempre que me separo do corpo e viajo
Sinto que aconteceu uma...RESSURREIÇÃO...

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

AS VALQUIRIAS



No espaço intermédio da paixão
Há nuvens de espesso negro
Há uma gaivota em jaula de sal
Há quem me entenda sem levar a mal

Há um frio nos abismos dos poros mais suaves
Já não sinto o cheiro da alegria
Há mulheres que escondem as mãos por entre o sonho
E há a noite onde repouso lembranças felizes até ser dia

Já risquei o Mundo do meu habitar
Este medo de estar por cansar
Esta solidão baloiçando no infinito
Este desprezo de cada hora, o grito

No espaço provável do amor
Perdi os contornos de um rosto de meigo olhar
Sou uma espécie de criança exigindo um nome
Sou alguém que se perdeu do amar

Há ainda neste peito qualquer coisa
Um punhado de amor esperando o despertar
Ás vezes rio-me de ser infeliz
Hoje a palavra recolheu-se amarga, confundi o partir com chegar

Adormeceram já as hortênsias
Vestidas de suave carmesim
O céu pranteou gotas de azul
Este palácio carbonizado do poema que há em mim

No campo da memória só encontro facas luzindo
Semeei esperanças de silêncio quente
Pela erva molhada se espalharam as contradições
A vida deu-me e tirou-me um presente

Puta da vida!
Tão sem rosto e sem sol
Um trevo de quatro folhas dá azar
Sete ondas, sete marés uma onda para me levar

Para onde...?
Na distancia o silêncio é coisa demorada
Nesta carne há luas e mares a desbravar
Tudo o que se move pode sentir, tudo, nada!?

E depois há as mulheres lindas às vezes
E gente de corpo e almas vazias
De tão cansado esta tarde adormeci
E sonhei com...As Valquirias...

terça-feira, 16 de setembro de 2014

ALMA ANTIGA


No êxodo deste dia triste
Aguardo a noite, companheira da solidão
São assim os poetas, tudo sentem na palavra
São assim estes tolos de mole coração

Há um abismo entre mim e as pessoas
Há uma corrente de vento de encontro ao céu
Há um pássaro inesperado que morde o tempo
Há um estúpida viagem de vida sem momento

Uma vez pedi a alguém
Vem comigo como se o Mundo estivesse acabando
Há abismos que se formam nas fronteiras do nosso corpo
E há um cais com um vagabundo já morto

Leva-me contigo gaivota
Como se fosse ave, e ave rara sou
Leva-me contigo para o fim do Mundo
Ou outro Mundo, irei, vou

Lembro-me das invernias, das tempestades
Lembro-me de ser eu ilha, perdida no recorte dos montes
Deixem-me lembrar, lembranças, de manhãs cinzentas
Deixem-me sobrevoar todos os horizontes

Deixem-me em paz!
Deixem-me seguir em frente como não importasse mais nada
O que fazem os pássaros à noite?
Rezam, cantam mudos, como esta alma calada?

Que vida tão repleta de penumbras
É sempre assim quando ao corpo me assalta a dor
Sou uma ave cansada que não ruma a sul nem a norte
Uma sombra sem luz, sem sorte

Talvez seja um colecionador de bátegas de chuva
Um desenhador de sombras com luz às costas
Um rezador de rezas, com velas, sem gente amiga
Qual nada, apenas uma...Alma Antiga...

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

FAÇO-TE UMA PROPOSTA



Na minha vida acontecem coisas impossíveis a cada segundo
Há quem se dobre ao balcão e beba um trago de fel
Inquieto perscruto a voz calada
O teu sorridente olhar é flor que acolhe abelha e dança de mel

Já soltei as mãos pesados do desentendimento
Fui viageiro de viagens, de tormentos
Fui paladino de revoltas e páginas soltas
E aplaudido em mil momentos

São transparentes as horas da chegada
Tenho recolhido olhares amargos
Não precisam encontrar mais o rasto do homem navalhado
As minhas mãos estão sempre em construção, também o coração

Na corrente miúda das ribeiras
Lavei lembranças que me corroem o peito
Quem vence nunca abraça o vencido
Ás vezes chamo Deus, ás vezes ando perdido

Este lembrar de amar a cada segundo
Esta contradição de inquietante pincelada
Gostava de esgotar nos teus lábios a poesia infinita do beijo
Gostava que sentisses a revolta do amar, do querer, desejo

Há sempre um acaso clamando um novo dia
Ás vezes sinto-me como o esforço da fonte que jorra a vida
Não sinto revolta, apenas uma inquietude
Por certo saber que de traição me fizeram, ser inocente

Presente...
Uma caixinha de sonhos te quero dar
Estará cheia de sentidos sentires
Oiçam estúpidas pessoas: “EU SEI AMAR”!

Em paços súbitos de calmaria
Como se o Mundo não soubesse de tudo
Como se eu não conhecesse a caricia serena
Que nos separa da solidão.. me quedo mudo...

Não sou mendigo dos meus desgostos
No meio dos risos surgem os punhais, para vidas acabar
Das minhas mãos apenas a virtude das cores
Oiçam estúpidas pessoas: “EU SEMPRE SOUBE AMAR”!

E para não levar mais longe esta tempestade poética
Vou manobrar este leme da vida para não dar á costa
Deixo-te um olhar que negas-te receber
Ama se amor tiveres, ou...Faço-te Uma Proposta...

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O FAZEDOR DE SONHOS



Há pessoas que vivem como sombras indecifráveis
Há pessoas que permanecem num leito vago
Há uma coisa chamada estupidez, que é um bicho
Arreganha o dente e engole a vida por um trago

Bem não era assim que este poema começava
É setembro e as aves já rumam a sul
O mar por estes dias varre a penedia, já não a beija
Este meu peito, esta minha contrição, este meu céu azul

Esta fonte que me molha a alma
Escorrendo e queimando a terra com a sua transparência
Esta música que o silêncio instaurou
Este homem que tudo deu, que no amor falhou

Esta vitrola ressonante
Um chapéu de coco, um sorriso de menino
Pintei o rosto, de mil cores
Por ter pena de mim, deste meu destino

Este amor que ainda teima em querer ser
Que faz estremecer de silêncio a luz breve
Quem construiu este homem cometeu um pecado
Para quê ser tão imenso quando se é mal-amado

E amo...
Acreditem que sei tão bem sentir este sentir
Hoje até me apetecia falar de pessoas normais
Que viajam num navio de nome partir

Hoje falei com minha Mãe...
É sempre assim, quando estou perdido
Acodem-me os meus Anjos
Disse-me: nunca estas pessoas saberão o imenso que tens escondido

Estarei sempre contigo...
Nunca irão entender que és de Deus um presente
Não importa o que de errado pensam, és uma luz
Tal como a saudade ausente

Há pessoas que são como lamparinas adormecidas
Há anjos, pessoas simples, seres puros, bisonhos
Tu és apenas o demiurgo de uma comédia breve
Um simples...Fazedor de Sonhos...

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

RECONHECESTE-ME...



O nosso amor é tão imutável como o Mar
Pensa em mim...
Imagina-me fazendo impossíveis para te apagar da minha alma
Imagina uma buganvília que sobe e floresce sem fim...

...Assim é o que é...
Faz tempo, parece fazer tanto tempo
Pensa em mim com afeto, pensa num estupendo amor
Passas-te, passou-me a vida num segundo, momento

Onde tens vivido neste Mundo
Foste realmente perfeita para mim
Sabes?! Fui sempre guardado por um Anjo
Até que apareceste Tu, até que um principio fugiu ao fim

Aqui neste lugar murmuro teu nome
Vezes sem conta penso, pensa em mim
Nunca me escondi nas sombras
Nunca me esconderei de sentir assim

Sabes?! Quando se instaurou esta tonta guerra
Fiz um balanço da loja do meu coração
Descobri um milhão de sentires
Aluguei casas sem janelas, nem quartos, nem chão...

...Dos quais há a descartar:
7 mil chapéus de abas flexíveis por causa do vento
7 rodas de leme desorientadas de rumo
Uma carta de marear sem sextante nem sol a prumo...

...7 lanternas que desafiaram as mais espessas trevas
7 bússolas que nunca perderam o Norte
Uma esperança que Deus me deu
Que acredito nela por não ser ateu

Um retrato teu
Como uma embriagadora rosa do meu sonhar
Não devemos perder mais este crepúsculo
Não faz sentido esconder o amar

Hoje foi assim quando o dia ia a meio
Nunca a vida ou os desengamos o amor consome
Atravessei uma rua sem que a vida me avisasse
De cabelos presos, vi o meu Anjo...Reconheceste-me!?...

PARA TI QUE PLANTASTE NA MINHA VIDA O MAIS PURO AMOR

terça-feira, 2 de setembro de 2014

UM LUGAR NO PARAÍSO


Longe além do céu
Oiço o teu chamamento quando as sombras caem
Onde quer que eu vá
Onde quer que estejas o meu amor brilhará

Longe ou em qualquer lugar
Tempo, hora, dia após dia
O meu amor estará sempre no teu caminho
Deus no alto sabe que é assim, este destino

Sempre que choro
Sempre que sorrio
Sempre que te lembro
Respiro...

Ouve pois o meu chamamento sempre que as sombras caem
Esta luz mostra o caminho
Há quem mande flores
Eu mando sentidos sentires

Gostava que te prendesse o meu gostar
Sei que em ti a minha vida é importante
Sei, sou, este pintor sem barco navegante
Sei que erro como qualquer necromante

Faço-te um proposta De mãos estendidas
Dou-te um real que ganhei por fazer magia em Santa Maria
Que vejas que quem nada sente, não sente dor
Que há sentimentos dispersos, outros, este amor

Esta manhã olhei o Mar
Esta tarde senti-te pelo olhar de outra pessoa
Esta peça é única
Há gente que acha que não sou gente boa

O que achas?
O que acham todos vós?
Tenho o meu caminho repleto de sonhos, fascínios
Lutarei por ti, contra ventos, moinhos

Que ilha ainda guardas nos teus olhos
E vi passar o teu coração inquieto
Senti que tínhamos interrompido uma vida
Que sabemos de...Um Lugar No Paraíso...