sexta-feira, 6 de maio de 2016

O GUARDADOR DE ILUSÕES


Este vazio da voz imensa
Este poeta com os lábios tortos de pedir esmola
Este pássaro perdido do ninho
Este homem entre o abismo e o sonho

Este pedir, este sentir
Este mudar o suor de todas as coisas
“Sei que me amas”, sei...
Li nos teus olhos, onde não mora a palavra amei

Vou escrever-te a vida toda
Nem que a mão me doa
E mesmo que os papéis não te encontrem
Nunca terão palavras enrugadas, à toa

Sabes?!
Sou um vencedor que abraça o vencido
Sabes?!
Já te disse verdades mentindo

Já plantei flores no teu caminho
Sou mudo com a voz devastada no coração
Já te olhei mil vezes com encanto
Já acordei em ti com terno espanto

Saberás pois
Que há poesia infinita num beijo
Que pinto desenhando feições novas no amor
Nas vozes por anunciar

Já descobrimos
Que o choro é uma certeza que não rasga horizontes
Que nunca serei um vagabundo com uma cadela esquiva
Que gritarei sempre “amo-te” do alto de um monte

Que não aceitarei moedas no meu chapéu
Terei sempre uma vitrola com o teu nome
Farei magia no teu passar
Rezarei na noite pelo teu amar

Serei pois mais do que sombra perdida
Nunca o rei das contradições
Fecharei a sete chaves todos os sonhos onde moras
Este... GUARDADOR DE ILUSÕES...

sexta-feira, 29 de abril de 2016

PORQUE É QUE AS FLORES MORREM?


Serei o primeiro habitante
Da dor vencida
Será esta alma da cor da paixão
Serei apenas um corpo solene de solidão?

Será o amor apenas, uma fórmula de matemática?
Como sorrio às vezes
Contando as aves de uma alegria adormecida
Como voo às vezes numa vaga de nome vida

Como navio descascado do rumo
Acenando distraído ao desprender das estrelas
Simploriamente distraído pela maresia
Serrando os olhos ao correr do dia

Ah como é uma treta viver
Como é amargo beber a mentira
Esmagar estes dias insulares
Imaginar a paixão sem espera

Na espera
O silêncio é coisa demorada
Uma mulher que berra muda
E despe-se atormentada

Sabes?!
“As gaivotas são flores do céu”
Os golfinhos as plantas do mar
Eu apenas sal, que nunca te deixará de amar

Este herói desconhece o fim da batalha
Entrando em si ri-se do infeliz
Morde uma maçã adormecida na mesa
E recorda palavras amargas sem qualquer certeza

Obrigado
Não tem de quê
Tudo isto e mais a fome da loucura
Este louco tem tanta verdade, tão pura

Conta as estrelas antes de adormecer
Reza a quem o despreza
Perdoa a quem o magoa
Chora nas águas de uma verde lagoa

Conta as pedras que o mar embala
Faz castelos de areia no alto de um monte
Não tenham pena do poeta, não chorem
À vezes pergunto-me...PORQUE É QUE AS FLORES MORREM?...

sexta-feira, 22 de abril de 2016

O VALE DOS ANJOS


Já vivi
Onde a palavra amor é interdita e afagada
Já sonhei
Sem gestos, uma sinfonia muda

Sonho contigo, em mim
Atravessando o coração
Já percorri um vento grave sabendo a silêncio
Já li a tua sina na palma da minha mão

Sabes?!
Amar-te-ei até nascerem rugas nas montanhas
Até à voz cansada
Até que este mundo não seja nada

Sabes?!
Tenho um prato tiritante de beijos
Uma rosa, uma mão apontando ao teu coração
Tem tanto, tão pouco este pobre louco...

Tenho-te mesmo que não queiras
“O amor fica, mesmo quando adormecem as hortênsias”
Como anjo transparente, sente
Como se o mundo coubesse na minha inventada cidade

Talvez seja um pássaro que não morre
Voo e o meu corpo é terra
Partindo de verdade
Para o sitio da tua espera

Não tenho palavras que te expliquem
Como componho a solidão
Tenho apenas um cálice que embebeda o poeta
“Tenho apenas uma ilha no lugar de coração”

Tenho um mar nos caracóis do teu cabelo
Tenho um céu de fogo com nuvens de novelo
Tenho cá dentro uma frase que reverbera
Tenho uma fé que não é quimera

Subo a encosta que devolve a esperança
Espalho ao vento todos os meus sonhos
Espero que um deles te toque em amor
Nesta ilha, neste...VALE DOS ANJOS

sexta-feira, 15 de abril de 2016

A PAIXÃO DE UM PROSCRITO


Olhei a noite, olhei para o céu
As estrelas nunca se ausentam
Olhei para o dia na chegada da aurora
Sonhei que estavas comigo, não foste embora

Pensei dar um nome às árvores do meu jardim
Este querer que absorve o tempo palpitante
A tua voz nunca se apaga no meu corpo
O teu sorriso ficou tatuado em breve instante

Baloiçam meus sonhos
Brilham afogados pela água irritada
Este coração de homem embriagado
As palavras que flamejam no quase nada

A vida é uma bebida com sal
Sem sol, é uma carta
Na mão de um santo moldado em pedra negra
Escavada na loucura

Mas, tudo renasce afinal
O amor? Talvez
E só porque as montanhas se desfazem devagar
Há um surdo grito, poeta no eterno caminhar

Hoje decidi pintar a dor
Em brancos brilhantes
Hoje decidi libertar um sonho
Pedir-te para me amares em mil instantes

Hoje decidi procurar respostas
Sem conhecer as perguntas
Hoje não quero rezas nem hossanas
Quero abrir em mim todas as portas

Sei que vou encontrar na manhã inevitável
Sombras, montanhas irritadas
Sei que vou encontrar a sina distante
Sei que me amarás de alma confiante

Porque sei tudo isso?!
Talvez apenas porque sinto e existo
Um homem erra e chora, reza, ama
Mesmo que seja...A PAIXÃO DE UM PROSCRITO...

sexta-feira, 8 de abril de 2016

QUANDO A ÁRVORES SE ABRAÇAM


Hoje apetece-me escrever
Sobre seres normais
Hoje resolvi cobrir o universo de cores
À espera do inadiável sem tristeza, dores

Talvez seja apenas um vagabundo solitário
Talvez um anjo triste
Talvez seja o escárnio da ilusão
Um pobre palhaço com uma lágrima no coração

Com o rosto perplexo fixando as nuvens
Desenhando pássaros do mar
Dançando com golfinhos em terra
Esperando que Deus me ensine amar

Este aroma de flor sem futuro
Esta ilha soçobrando com o mar em volta
Quando as hortências trazem lembranças solenes
De ti minha terna e doce sinfonia

Faço anos amanhã
Mais o bando de pássaros loucos do meu jardim
Faço amor em cada palavra que escrevo com paixão
Não liguem, hoje ao poeta, está mal do coração

Gostava de adormecer
Sem esperar por outros amanheceres
Estou tão cansado destes tempos loucos
Perdi-me nesta contradição de sentires

Sopram os ventos de melancolia
Já me sentei à noite num jardim
Cantando à lua prateada
Já rasguei meus versos, já riram de mim

Já choraram nas minhas palavras
Aplaudiram as minhas derrotas
Já construi a sorte em pequenos nadas
Atirei ao mar as esperanças já mortas

Já fui tanto, tão pouco
Já me chamaram poeta tonto e louco
Já morri e renasci com os anos que passam
Este homem que chora...QUANDO A ÁRVORES SE ABRAÇAM

sexta-feira, 1 de abril de 2016

SONETO DE AMOR


Talvez seja a consciência do amanhecer
Uma barca a navegar pelo coração da ilha
O desejo surdo de um vagabundo
Uma luz que se acende no passear da vida
Um canto sob a luz dos holofotes
Um palhaço poeta disfarçado nos espelhos
Rabiscando num papel adormecido
As ondas dos teus cabelos

Oiço a música forjada e quente
Do sol e do mar
Enquanto construo na areia um castelo
Onde te possa celebrar no amar

Contenho esta alma inquieta
Na procura de um porto seguro
Sinto correndo o suor de um sonho
Percorro na tua procura um caminho embriagado

Esta não é uma carta, um postal, um diário
Será o sentir algures no despertar da sombra cativa
É assim que construo a casa colorida
É assim que recolho o destino nos braços do dia

Insano é o tempo que me fala de um mar revolto
És Mulher, vem sem violentares palavras
E sabes:
É possível dilacerar as nuvens escuras das fronteiras

É possível:
Fazer sorrir as estátuas
Voar com anjos azuis
Amar-te afastando todas as mágoas

É possível:
Olhar para o rosto das árvores
Voar nos olhos de uma gaivota
Abrir no teu coração uma nova porta

É possível:
Varrer do coração toda a dor
Por isso te ofereço
Este... SONETO DE AMOR...

sexta-feira, 25 de março de 2016

COMO CHEGASTE À MINHA ALMA


Tu apareceste, a noite encheu-se
Plena mulher, lua ardente
Percorro o teu pequeno infinito
Nesta viagem de coração sedento

Vivi numa guerra de palavras
Senti a dor no rasgar de todas as madrugadas
Cantei canções de estranha melodia
Transformei raivas em esperanças

Levo o querer à voz cansada
Numa carícia sem sede
Vou pensando no céu e no mar sem Deus
Vou tremendo escrever o poema depois

E escrevo para ti
Na fronteira perdida da noite
Invento golfinhos de chapéu de coco sorridentes
Gaivotas azuis invisíveis

Com os olhos presos ao sonho
Os tumultos e a dor não estão comigo
Este meu espírito alucinado sugere-me
Que és pássaro, terra, lava ardente

No centro do meu sentir
Beberei o mar
Alimentarei a tempestade
Voarei para te amar

Vou rasgar velas
Abrir à luz todas as janelas
Vou ser aprendiz de feiticeiro
Fazer-te um doce sortilégio

Vou esmagar estes dias insulares
Encher a mesa de pão e vinho
Vou rezar ao ouvido de Deus
Para que te ponha no meu caminho

Sabes?!
Tudo o que se move e pode sentir
Às vezes acende no peito uma rubra chama
Tal...COMO CHEGASTE À MINHA ALMA...

sexta-feira, 18 de março de 2016

ONDE SE ACONCHEGAM AS MARESIAS


Despontou a manhã
Escuto nos teus cabelos as ondas do mar
Fui abraçado por Deus
Senti Sua Mão, senti-me divindade, despertei o amar

Sim, é possível
Escutar as ondas a bater no teu coração
Onde houver uma pedra
Pintarei uma árvore, uma emoção

Sabes?!
Inventei uma metáfora
Uma forma de na verdade me encontrares:
“Ser é existir apenas em amar-te e em tu me amares”

Vesti um fato de pássaro
Mordi o tempo inesperado
Debaixo de um sol de sangue
Apaguei a luz clara do pecado

Lavrei sonhos, enganei o tempo
Apanhei diamantes ao alvorecer
E como se uma estranha alucinação me ensombrasse
Hipnotizei as palavras de um breve história só para te ver

Fosse porque fosse
Senti-te sempre tão além
Na voraz caminhada da lua e do sol
Quis ser sempre tanto, alguém

No vazio de um punho cerrado
Um grão de areia
Sei, que uma destas manhãs
Uma luz se vai acender nesta alma linda

Por maldição
Meu corpo é, fogo, fome, sinfonia
Por contradição
É atraído para o teu em sublime paixão

E grito uma muda oração
Mergulho nas palavras mudas que me envias
Este ser que caminha nas pedras da ilha
...ONDE SE ACONCHEGAM AS MARESIAS

sexta-feira, 11 de março de 2016

ANJO DE ÁGUA


- Onde vais? – perguntou a minha alma
sozinha num canto
- Vou onde me apetecer – disse o meu coração teimoso
- Tenho paixões para gastar, encontrar quem saiba amar

Noutros tempos diria:
Há sempre luz no início do gesto
Avançando nas valas frágeis
Após uma luta rápida com um doloroso momento

Enquanto o pensamento comia todas as distâncias
E Deus dava os braços à luz do dia
Inventei lutas, dourei sentimentos
Plantei filhos, cortei árvores, engoli a nostalgia

Deixem-me aqui...
Com presépios nos dedos
Deixem-me aqui sereno e pleno
Com dores, sem medos

Ouçam comigo esta voz da verde ilha
Este grito de ave que vem de dentro de mim
Como se fosse a última vez
Não impeçam esta correria louca de razão pouca

Deixem-me, aqui sonhar, só
Neste lago de água mansas e flores eternas
Compondo esta solidão, este silêncio, mil vezes silêncio
Na espera de um rosto, inventando o poema

Quero ir, para longe da minha distância
Comigo dentro de mim
Com uma grossa algema de palavras nos braços
Quero sentir que amar só tem principio, nunca fim

Já chorei numa muda sinfonia
Já senti que por amor morria
Já me vesti de nostalgia
Já mordi pedras e rezei ao fim do dia

Serão os nomes apenas diagramas de esperança
Saio dentro de mim e piso os falsos beijos
Nos gemidos dos sonho, pensando novas metáforas
Bato a todas as portas com a poesia nos olhos

Tudo isto, todas estas palavras
Apenas porque no céu deste dia pardacento
Vi uma forma nas nuvens que me afugentou a mágoa
Não sei se eras tu, ou um... ANJO DE ÁGUA...

sexta-feira, 4 de março de 2016

FLOR ETERNA


Montei um choro e uma dor
Como uma peça de teatro
Lambi a emoção e engoli a tristeza num trago
Tenho de aprender a não me morder, perder

As palavras são mãos voando
O abraço sincero preso ao coração intato
Soerguendo-se dentro de mim
Um querer imenso, infinito

Levanto-me
Com o vento, as vozes, as cores
Imaginando o intemporal
Sem estátuas, casas, cidades

A minha viagem
Nunca será aventura do homem comum
Este vento incansável, corpo despojado de vestes
Este Deus cansado das minhas preces

Desencontrei-me entre os homens
Sentei-me numa pedra do mar
Falei comigo próprio como fazem os loucos
E pensei: “ser verdadeira loucura, tão perdidamente te amar”

Não há lugar para a reinvenção das sombras
Tudo seria mais simples no dardejar das ânsias
Se virasses as costas ao tempo
Se o teu coração se inundasse em deslumbramento

Os amores loucos
São feitos de pequenos nadas
Um encontro casual
A vertigem, um poema escrito em tinta e pena

Quisera poder
Fazer o tempo desaparecer na minha mão
Reacender esta chama que brilha devagar
Oferecer-te o ramo de orquídeas misteriosas da minha solidão

Queria-te no sitio
Onde se aconchegam maresias aos mantos de hortênsias
Celebro-te com amor e sem dor ou pena
Porque na minha alma és...Flor Eterna...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A LUCIDEZ DOS ESPELHOS


Uma luz azul
Pinta de saudade o verde da ilha
Desenhando sonhos interrompidos
Vi-te no passar, no sorrir do despontar do dia

Pousei solenemente os olhos em ti
Este dia no encontro dos desencontrados
Todos os dias provo ao mundo a minha razão de ser
Todos os dias cerro os olhos para com a alma te ver

Pois é
Já dei tantos passos à volta da alma
Já ensaiei mil palavras para te dizer
Já percorri mil caminhos só para te ver

Sabes?!
É possível construir uma casa, habitar o tempo, sorrir
Seguir os pássaros na rota do sol
Ficar sem desenhar o partir

Vem, imagina-te no centro da verdade
Trás o perfume de outras eras
Dos dias felizes em que fomos tanto
Quebra esta pedra do cais das 7 esperas

Vem, cobre-te de nevoas e de flores
Veste-te de céu azul e verdes prados
E sorri, no silêncio possível do reencontro
Deixa-te cair nua e leve num retrato mágico, breve

Mas vem, anjo das transparências
Deixa que o vento componha teus caracóis
Vem, trás o murmúrio da noite no encontro da madrugada
Trás um abraço, mais nada

Vem sem perguntares pelo amanhã
Sem julgares os dias escuros
Vem apenas, como espuma inquieta do mar
Vem apenas sentir, amar

Diz-me coisas sobre as árvores
Vem sem nunca mais afastares o sonho dos olhos
Vem, para te poder falar deste poeta sincero
Que se retrata na...Lucidez dos Espelhos

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

MENINA DOS CARACÓIS


Sol brilhante
Um milagre
Uma poesia imaculada
Apenas a verdade

Em ti destruí barracas inseguras
Em ti admirei palácios
Em ti encontrei paz nesta minha inquieta alma
Confiei na ternura dos teus abraços

Caminho entre a frieza dos homens
Em mim um choro que não se ouve
Não me perguntem porque amo
Porque em cada oração o teu nome chamo

Não tenho muito lugar
Visto uma camisa maldita de esperanças
Venham comigo e entendam-me
“O amor tem sobre si mil lanças”

Pois é Menina do Mar
Talvez seja madeira crua por pintar
Rasga a tua revolta, entende a palavra
Ama, como o Sal do mar, como o sol ao chegar...

...À terra
As tuas mãos plantando vidas na varanda
Quantas são as noites sem lua
Quantas vezes cruzei a tua rua

Sabes...?!
Fundi-me com o orvalho das manhãs
E descobri nas palavras que explorei no silêncio
A explicação das coisas

Descobri que o amor pode ser eterno
Que o perdão sentido não é palavra vã
Que ser homem, é cair, errar, levantar
Que o teu nome faz parte do verbo amar

Na esperança
Tudo é o fim do principio
Não discuto, Deus fez a terra
E este amor que a minha alma encerra

Fez de mim este homem
Que pediu um milagre, apenas um
Que inventa a vida, um mundo de sete Sóis

Onde habitas... Menina dos Caracóis...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

AMOR, RENÚNCIA


Quando sinto a ânsia de te conhecer ilha
Na solidão do crepúsculo
Verticalmente duradoura será a viagem
Pelos teus olhos em doce miragem

A chama das palavras
Um poeta sorri à alegria
Abraça a dor
Pinta de mil cores a vida, amor

A sede que se sente
Quando a ilha nos aperta o coração
No espaço provável do verde do tempo
Só quis, só quero contigo um terno momento

“Para te dizer o que por palavras não consigo”
O peso do acontecimento inadiável
Um instante de água fresca violando o pensamento
Só quis no abraço enganar o tempo

Só quero
Esgotar nos teus lábios a poesia infinita do beijo
Soltar as palavras imensas por anunciar
Esmagar os medos do silêncio

Será nosso o murmúrio surdo das hortênsias
No sereno que beija a terra
Seremos a consciência no amanhecer do mar brincando
Serei o teu herói em santa guerra

Só quero
Um barco a navegar pelas ruas da cidade
Receber-te na biblioteca do terno pensamento
Oferecer-te uma estrela do mar, para iluminar o amar

Um mar calmo
Um cântico azul
Uma gaivota branca
Uma aragem doce procurando-te a sul

Nem tudo o que faço pode estar errado
Quando transborda de mim esta imensa paixão
Sinto-te na distancia sempre mais perto
Este poeta nem sempre acerta o ritmo do coração


Não vale abrasar os contornos do destino
Escrevi este poema com a chama da palavra que anuncia
No percorrer o voo deste dia
Pensei que estão tão perto...AMOR, RENÚNCIA...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A LUZ DO ANOITECER


Este mar onde nasci
Embrulhado numa alga
Brinquei com búzios quietos
Nadei com peixes de feliz alma

Acordei numa praia morena
Com a pele cintilante da luz de escamas azuis
Trazia o perfume da maresia
Respirei esperanças no nascer de um estranho dia

Soltei um calado suspiro
Fui empurrado por um vento marinho
Ouvi risos trocistas de sereias e ninfas
Olharam-me com pena aves de canto lento

Nesta insuportável sede pela vida
Toquei o amor divino e o profano
Senti reproduzida dentro de mim a terra verde
Abracei gente a verdade e o engano

E encontrei o amor...
Acendi a luz das palavras
Julguei ser esta uma vida encantada
“Amar às vezes não quer dizer nada”

Ou quer dizer tudo?
Estar contigo é deslizar na suavidade de um rio
É contemplar a vida de uma rosa breve
É Sentir o coração envolto em terna tempestade

Vale a pena ser agradecido
Louvar o amor
Vale a pena sair de mar para amar
Nem sempre são fáceis os caminhos do chegar

Entreguei a uma gaivota repentina
Levou consigo penas e dores
Este é o tempo exato do sentir da verdade
Este é o tempo de construir uma alva cidade

Lavrei estes versos cerimoniosos
Fechei os olhos para te poder ver
Abri a alma ao deslumbramento
Segui o teu olhar na...LUZ DO ANOITECER

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

INDEFINIDAMENTE


É noite e sinto
Um olhar doce
Preenchendo um vácuo descontente
Onde a voz arde

Quanto mais penso no amor
Mais absurdo acho a vida
Colhi uma rosa coberta de manhãs
Cerrei os lábios, não saíram palavras vãs

Sabem?!
Sou um poeta razoavelmente equilibrado
Tenho demasiadas fotografias tuas
Tenho uma dor gravada nas pedras da rua

Sou apenas um homem
Que decidiu ser desmedidamente feliz
Há coisas que têm de ser ditas
Sobre mim, tantas palavras malditas

“O meu Sol voltará a brilhar”
És o meu tesouro, a minha prece
E quem achou ser eu um ser bisonho
Transformou-nos na Bela e no Monstro

As planícies do passado
Estes olhos misteriosos, altivos
Aprisionei teu riso e lágrimas
Neste coração nunca existiram sombras

Serás pois o meu tesouro
A minha prece
A descoberta da luz dos caminhos
O canto de um pássaro que não se esquece

Embriaguei-me na música dos teus gestos
Nas ramagens algures absurdas de sombras
Cobri-me num cobertor de folhas verdes
E fui parar à baia de todos os medos

Contei luzes atormentadas
Do céu um raio de luz atingiu-me como presente
Sou ser que te tenho na alma
INDEFINIDAMENTE...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

SETE VIDAS DE MULHER


É no estio que as palavras ferem o coração
Lençóis de linho, mãos procurando
Escondi um punhado de versos para te cativar
Inventei uma mulher que espantosamente sabe amar

Engraçadinho...!
A liberdade é um bicho
Uma mulher é um bicho
Uma maçã não é um melão

Atoleimado...!
Mais valia ficares calado, dirão algumas
Depois de ler este poema virão milhões de risos
Misturados de sarcasmo, água e raízes

O poeta endoidou, estão felizes?
Escondam a cauda entre seus medos
Devorem o frio à dentada
Porque hoje isto não quer dizer quase nada

Ou quer...!?
Um homem não deve meter colher em mulher
Qualquer, circunscrita do amor
Há quem arranje uma e, seja o que Deus quiser

Pronto!
Foi um momento de humor rasca
Conversa remoída na tasca
Coleira e corrente, basta!

Eu hoje até senti vontade de escrever
Um poema magnifico
Tive vontade de procurar um abraço perdido
Vontade de te dizer amor, fazer contigo

De suspender as flores todas no céu
Desenhar uma nuvem de gaivotas
Meter na tua lembrança um sorriso breve
Abrir na minha alma para ti todas as portas

Estão a ver?!
O poeta já não troca o passo
Isto foi atirar letras e seja o que Deus quiser
Não falei de gatas, apenas das... SETE VIDAS DE MULHER

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A RAIVA DO MAR


O amor
O meu amor brota
Acima das pragas e das maldições
Guardo soluços e ninhos e uma pena já morta

E vou vendo
Bebendo em fontes onde já bebi
Com pássaros e flores de porcelana
Pinto o rubro de uma acesa chama

Uma rua negra e enorme
Um sonho longo, vazio
Uma mulher tonta lembrando os maios de maio
Um barco subindo um seco rio

E rio
Com lágrimas a contradizer
Entre tantos olhos e sorrisos
Que fazer para te ter?

Cadeiras ensanguentadas de suor
Um bar escuro de gente triste
As pupilas secas, garganta ardente
E um poeta pateta de ar contente

Por isso rio
De mim...
De pensamentos toscos por pintar
Já agora traço um barco para navegar

De papel
Quantos corações tem uma mulher?
Quantos sorrisos são precisos num engate?
Às vezes pega, outras acontece uma treta qualquer

Hoje o poeta não diz coisa com coisa
São assim os homens nos silêncios apunhalados
Nem maçãs maduras nem palavras
Corram com o feitiço, afoguem as mágoas

Com vinho penas e compaixão
Não acordemos os pássaros que habitam a noite
São válidas todas as propostas para voar
Onde a felicidade irreconhecível possa morar

Não perguntem a Deus por mim
Deixem os Anjos na ilha voar
Se quiserem encontrar o poeta
Procurem na...RAIVA DO MAR...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O PODER DA ÁGUA


Estou cansado deste inverno e do vento
Da fúria da espera
Deste imenso e rebelde sentir
Do amor, da verdade nele descobrir

Tenho as mãos presas ao coração intacto
Aguardo o regresso da presença de um nome
Como as ondas criadas no interior do mar
Como sal que unge o verdadeiro amar

Concebo futuros com um gesto
Enquanto espero o amadurecimento da distância
Imaginando o intemporal
Numa luta imensa entre o bem e o mal

Trago um nome
Soerguendo-se dentro de mim
Virão assim longos sóis e longos dias
E o eco dele reverbera sem fim

Quem sou...?
Quem és doce e encantado perfume
Apaixonante feitiço
Paixão em rubro lume

Sou ilha perdida dentro de outra ilha
Filho de um Deus que nos torna pequenos
Talvez sejas a fonte da minha saciação
Talvez esteja aprisionado este pobre coração

Esta minha insaciável sede para um regresso
Porque me perdi
Entre a frieza dos homens
Alimentei a alma de Ti

Um choro sem angustia que se esconde
Não me perguntem porque amo, ainda
As flores não morrem no sitio onde venho
Mil vezes silêncio, o poema é sobre uma alma linda

Não quero que o teu rosto viaje
Para longe da minha presença
Não quero que o vento agite e devolva a mágoa
Porque sei que uma lágrima tem...O PODER DA ÁGUA...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

ESTRELA DO MAR


Venho de um País encantado
Só com uma casa e sete flores onde tudo pode acontecer
Trago as mãos vazias embrulhadas de silêncio
Dou uma flor das sete a quem me ensinar o viver

Venho de um tempo
De árduos amanhãs
De laço e chapéu de coco
Coração triste no estômago um soco

Passou o natal
Passei só e como tal
Tive a companhia dos deuses
Únicos que não me levam a mal

Tive de prenda um saco de vento
Uma dor que decidiu voltar a doer
Tive um tostão perdido em bolso roto
Adormeci e sonhei que estava morto

Acordei por volta de uma perdida hora da manhã
Saí de casa sem rumo nem norte
Fui com os olhos cuidar do azul do mar
Este louco sem eira nem beira, sem sorte

Fui parar a uma praia estranha
Levou-me a noite em seus braços
A lua sorriu zombeteira
Uma gaivota desperta riscou no céu sete traços

Uma luz tomou de assalto seu rasto
Uma frase surgiu como por encanto
Um anjo segurou a irreverencia das letras
“Amor é um monte de tretas”

Não é nada!
Nem precisa da varinha de uma Fada
Eu apenas deixei de acreditar
Que alguém saiba como eu amar

Andei por ali às voltas
Aprisionei todas as horas mortas
O Mar chorava viúvo das ondas da maré cheia
Senti na alma o suspiro de uma baleia

Mirei-me numa poça de sal
Olhei e de espanto perdi o falar
Eras tu a sorrir-me no espelho de água
Vestida de...ESTRELA DO MAR...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

DOIS ANOS DE SOLIDÃO


Descobri
Que o choro é uma certeza
Não rasga horizontes
Não acalma a mágoa entre pontes

Desmontei a misteriosofia do amor
Num tempo de vazio profundo
Amar é apenas sentir
Fazer parte das cores deste mundo

Pobre poeta
Mendigo dos seus desgostos
Pobre criatura
Insignificante perdido da gente dos mil rostos

Ilha impossível
Onde o amor é pecado
Onde a maldade toma conta da razão
Morre estúpido coração!

Nunca serei um vagabundo com um cão esquivo
Num inverno com gosto amargo do vento
Nunca serei pedra jogada no esquecimento
Esta alma subirá em glorioso momento

Sei quem és
Sei que representas a doçura do sentimento
Sei o que sentes
Sei que no sonho não mentes

Sei...
Tanto, tampouco
Sei saudades
Espero que floresçam verdades

Em Ti...
Que o eco das minhas palavras
Encha um vazio surdo
Que o amor deixe de ser mudo

Começo este ano com a alma em construção
Com as calças de menino antigo
Tenho um sonho fechado na palma da mão
Resgatar o amor do teu coração

Tenho mil sonhos para plantar
Vou recolher a palavra amarga ao coração
Vou abraçar uma ilha perdida
No meio de...DOIS ANOS DE SOLIDÃO