sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

ESTRELA DO MAR


Venho de um País encantado
Só com uma casa e sete flores onde tudo pode acontecer
Trago as mãos vazias embrulhadas de silêncio
Dou uma flor das sete a quem me ensinar o viver

Venho de um tempo
De árduos amanhãs
De laço e chapéu de coco
Coração triste no estômago um soco

Passou o natal
Passei só e como tal
Tive a companhia dos deuses
Únicos que não me levam a mal

Tive de prenda um saco de vento
Uma dor que decidiu voltar a doer
Tive um tostão perdido em bolso roto
Adormeci e sonhei que estava morto

Acordei por volta de uma perdida hora da manhã
Saí de casa sem rumo nem norte
Fui com os olhos cuidar do azul do mar
Este louco sem eira nem beira, sem sorte

Fui parar a uma praia estranha
Levou-me a noite em seus braços
A lua sorriu zombeteira
Uma gaivota desperta riscou no céu sete traços

Uma luz tomou de assalto seu rasto
Uma frase surgiu como por encanto
Um anjo segurou a irreverencia das letras
“Amor é um monte de tretas”

Não é nada!
Nem precisa da varinha de uma Fada
Eu apenas deixei de acreditar
Que alguém saiba como eu amar

Andei por ali às voltas
Aprisionei todas as horas mortas
O Mar chorava viúvo das ondas da maré cheia
Senti na alma o suspiro de uma baleia

Mirei-me numa poça de sal
Olhei e de espanto perdi o falar
Eras tu a sorrir-me no espelho de água
Vestida de...ESTRELA DO MAR...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

DOIS ANOS DE SOLIDÃO


Descobri
Que o choro é uma certeza
Não rasga horizontes
Não acalma a mágoa entre pontes

Desmontei a misteriosofia do amor
Num tempo de vazio profundo
Amar é apenas sentir
Fazer parte das cores deste mundo

Pobre poeta
Mendigo dos seus desgostos
Pobre criatura
Insignificante perdido da gente dos mil rostos

Ilha impossível
Onde o amor é pecado
Onde a maldade toma conta da razão
Morre estúpido coração!

Nunca serei um vagabundo com um cão esquivo
Num inverno com gosto amargo do vento
Nunca serei pedra jogada no esquecimento
Esta alma subirá em glorioso momento

Sei quem és
Sei que representas a doçura do sentimento
Sei o que sentes
Sei que no sonho não mentes

Sei...
Tanto, tampouco
Sei saudades
Espero que floresçam verdades

Em Ti...
Que o eco das minhas palavras
Encha um vazio surdo
Que o amor deixe de ser mudo

Começo este ano com a alma em construção
Com as calças de menino antigo
Tenho um sonho fechado na palma da mão
Resgatar o amor do teu coração

Tenho mil sonhos para plantar
Vou recolher a palavra amarga ao coração
Vou abraçar uma ilha perdida
No meio de...DOIS ANOS DE SOLIDÃO

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

POEMA PARA UMA NOITE MAIS LONGA


Esta alma persistente de alegria
Este ano
Ventos fortes e mares estranhos
Uma branda fala que te diz: “Que amor tamanho”

Percorri estes dias passeando numa parede nua
Disfarçado de inquietude e revolta
Senti dor entre a fronteira e a distância
Seguraram-me o espírito sete anjos à minha volta

Dois nunca me deixaram
Enquanto caído tocaram-me em fé
Tenho saudades tantas Mãe
Só vocês acreditam em mim, Maria, José

Segui dia a dia, passo a passo
Desenhando novos sonhos de rosto cansado
Vesti-me de pássaro de silêncio
Risquei abismos, desejei partir para o outro lado...

...Para vos ver
Para vos dizer que fui digno no viver
Para abraçar Deus
Para Adormecer neste querer

Era uma vez...
Era assim que ia começar este poema
Era uma vez um homem que amou
Que sente na alma uma monstruosa pena

Era uma vez um rapazinho
Que descobriu o Mundo numa bola de sabão
Cantou com as marés voou no grito de uma gaivota
Era uma vez um poeta de bom coração

Este homem
Nunca te mentiu vida
Nunca fez o que a maldade proclamou
Este homem apenas amou

Esta criatura foi generosa
Cuidou do amor e chamou a si toda a dor
Enfrentou espadas e tempestades
Esta criatura apenas quis dar amor

Apenas, tenho saudades
Quero adormecer no embalo de uma azul vaga
E deixar correr o tempo numa folha branca de papel
Neste...POEMA PARA UMA NOITE MAIS LONGA

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

RETRATO BREVE


Encontrei o sentido da vida nos teus olhos
Trago-te dentro de mim
Não sei como tratar a saudade
Não sei sentir sem verdade

Disseram coisas terríveis deste pintor
Transformaram a minha ternura em ira
O meu abraço em violência
Disseram tanta inverdade deste tonto poeta

Disseram-te...
Terás perguntado o porquê da maldade?!
Terás aberto a alma à contradição!
“Às vezes um inocente pede perdão”

Às vezes...
Solta-se um grito a dizer basta
Misturando a água às raízes
Para que floresça novamente das feridas o amor
Sem cicatrizes

Às vezes...
As palavras misturam-se com as cinzas da tarde
Só o vazio ocupa o teu lugar
Tenho-te no mais belo jardim da minha cidade inventada

Enquanto o tempo não dá noticia
O resto do mundo arde
Tudo se limita a construir a esperança
Já te disse, espero-te nesta minha inventada cidade

O provável da ternura
O encontro inadiável
Este acaso clamando
Uma porta abrindo

Os dedos a escrever no papel
Vasculhando a sombra, a dor da rosa
Mora dentro de mim uma criança impossível de sorrir
Sem ti, ficar, partir

No alcance de cada horizonte
O sereno que beija o verde
Deixei preso ao teu coração um segredo
A palavra amor, num...RETRATO BREVE...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

POEMA PARA UM SILÊNCIO


A verdade
Causa uma impressão verdadeira
O duradouro na nossa alma
O tocar do coração a vez primeira

Um par de pérolas
Um poema para os que compreendem
Um silêncio vindo de dentro
Um dezembro de tristeza servido

Não tenho muito lugar
Quedo-me no murmúrio surdo da ilha
No esquecimento do mar brincado
Numa lágrima de dor e alegria

É bom que se saiba
Vencida está a ferida
Tenho no coração escrito de forma inalterável
“Amo-te” Amo nas ondas que flutuam na tua cabeça, vida

Hoje
Ainda a noite tomava de assalto o dia
Soltei um mudo grito
Meu Deus, que caminhada, que loucura

Apenas com amor guardo estes soluços
Ninguém sabe e todos lembram
Que mereço a morte
Meu Deus, que caminho de eriçados espinhos, que sorte

Não se pode pintar um vazio indescritível
Este silêncio que incomoda, morde
Um punho preso à garganta
Tanta dor, tanta

Tanta incompreensão
A maldade à solta
As hortência adormecidas
Este poeta de perdidas vidas

As mãos do pintor
Compondo a solidão
Um abraço lembrado
Este...POEMA PARA UM SILÊNCIO

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A SOMA TOTAL DE CADA INSTANTE


O coração
De tudo o que se pode sentir
Não há sol que valha a solidão
Neste cais sem barco pronto a partir

A chama das palavras
O caminho das horas transparentes
Cerne impercetível do papel branco
Um acaso de amargos presentes

Estou escaldado de ternura
Por isso e pelos versos que me denunciam
Pelos longos sonhos de um menino antigo
Serei sempre a forma do amor contigo

A sede que se sente
Quando a injustiça nos aperta a alma
Um frio de abismos sem principio
Uma gaivota repentina

É pela força do poema
É pelo grito de quem não se quer vencido
É talvez pela tua distância
“É esta vontade de amar contigo”

Um silêncio que devasta o coração
Este esperar na dor da ferida
Este querer baloiçando no infinito
O acaso clamando um novo dia

É um tempo
De ventos fortes e mares estranhos
Meu Deus, deixai-me construir
Um ruído mudo de silêncio sem o coração partir

A entrega dos sentidos
Escondendo o segredo das penumbras
As palavras ditas que me chamam à realidade
A mentira cruel que afogou a verdade

A matemática da vida
Um número de cor, de teatro
Uma volta ao acaso de triste comediante
Faz se puderes...A SOMA TOTAL DE CADA INSTANTE...

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

VENUS


Sentei-me com quem teme repartir o amor
Esta manhã
Vi desprenderem-se do céu anjos magníficos
“Senti que amar com amor é sentimento vã”

Com o âmago do universo
No bater do coração
Alheado pela emoção que não absorvo
“Aprendi a suportar a palavra não”

Vou vencendo animais marinhos
Rios de crispadas águas
Vou arranjar um par de asas
Para no voo sacudir mil magoas

Já tentei sorrir às vezes
Contando aves numa alegria adormecida
Já bebi o mar numa tarde de verão
Já beijei uma mão e pedi perdão

À minha volta a luz é insuficiente
Terei que subir uma colina desta ilha desatenta
Tenho a persistência da alegria das casas pobres
Tenho alma sete razões nobres

Amo
Com verdade me visto
Sou apenas um poeta sem rima
Que não aprendeu o que a maldade ensina

Sabes?!
Os meu poema cresce sempre sozinho
Sabes?
Sou apenas um pássaro que caiu cedo do ninho

Conheço coisas vivas sem nome
Conheço o verde que me cresce das mãos
Conheço a saudade verdadeira
Conheço o amar na vez primeira

Não conheço a cor do rancor
Tampouco a palavra términos
Sonhei esta noite com uma criatura bela
Vestida de sedas e ouro tal como...Venus...

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

COMO O SILÊNCIO


Teu rosto claro de mulher
Como o pão fresco e saboroso
Nas manhãs que possuirão aquela luz de novidade
Vi o teu retrato, saudade

Trespassado pela monotonia ecoante
Acendi uma luz, novidade esperança
Este mar rasgando rochas
Esta força de amar, confiança

Aguardo certamente
A chegada da gaivota calada e serena
Aguardo certamente
O reflorir da tua paixão plena

Para em cada voo erguer
O grito do mar
O grito da paixão
O grito do amar

Contemplemos as verdades lúcidas
Sigamos em frente sem nos determos
Sorrimos com voz cansada
Como afinal não importasse mais nada

Sim falemos dos suspiros dos pássaros
Fiquemos com eles apreciando a noite
Buscando pontos cardeais no tempo
Parar em teus olhos em doce momento

Surgiram abismos, falésias, escarpas
Um punhado de enganos com sabor a invernias
Uma raiz de maldade agarrada à sombra
Habitei as planícies do mar na tua espera

Vesti-me de golfinho e nadei feliz
Travei amizade com uma baleia azul
Construí castelos de areia em ilha perdida
Voei nas asas de uma andorinha do mar a caminho do sul

Subi ao mais alto
Procurando respostas sem conhecer perguntas ao coração
Decidi abraçar vagabundos solitários e anjos triste
E deixar o amor ser amor ... Como o Silêncio...

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

PÁSSAROS INESPERADOS


E de repente as paisagens tombaram
Debaixo de uma Lua de sangue
As portas fecharam-se na casa
Irei, vou, para onde?

Talvez viajar numa onda
Com o poder das nuvens revoltas
Percorrer um oceano inteiro
Talvez encontre o teu coração no meio de 7 gaivotas

O poder do Mar
A irreverencia das marés
O poder da ilusão
A promessa de um coração

O teu
Há com certeza uma lamparina adormecida
Em cima do mármore da tua alma
Há com certeza uma inquieta chama

O ar fresco beijando as paredes
Um copo de rubros presentes
Uma boca recortada, doce
As noticias de saudades ausentes

Meu Deus!
Porque escrevo todas estas coisas
Porque insisto em plantar palavras
Porque te sinto sem ver de mãos dadas?

Semana após semana
Lavro metáforas indecifráveis
Como um sorriso breve
Coração que não esmorece

Hoje é hoje
O começo da porcaria de todos os amanhãs
Quedo-me triste com o mundo
Quisera ser rocha em mar profundo

Mas deixem para lá
Este poema não é para ler
É uma canção dos mal-amados
Deste homem no meio de...PÁSSAROS INESPERADOS...

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

NÃO CHORES POR MIM ILHA


O meu nome é Ventura
Também me chamo José
Não sei dançar
Não sei amar

Não sei orar
Nem sei uma alma acalmar
Não sei de ti
Por não saber, morri...

...Na noite
Não sei do dia
Nem do teu olhar
Nem o teu nome chamar

Não vejo mais o mar
Nem ondas de negro cabelo
Não quero o amanhecer
Se não te puder ver

Em ti
Contigo uma ultima vez
Atravessei a ilha à noite
E o mal que à minha alma fez

Não sei o que disse
Nem o que fiz de mal
Não sei amar
É verdade não sei tal

Não sei fazer contas
Não sei ficar sem sentir
Nem estar longe de ti
Fui, fiquei sempre no partir

Não sei o que pensas de mim
Nem se queres um mentiroso verdadeiro
Não sei se sabes
Nem se sabendo serei ultimo, primeiro

Não sei cantar
Não sei chorar
Não sei pedir
Não sei sorrir...

...Sem ti
Porque sei seres a maravilha
Não sei se morro no partir
NÃO CHORES POR MIM ILHA...

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

SOLISTÍCIO DE AMOR


Para se falar de uma ilha
Não há um nome único
Para se falar do sentir
Só existe o mais profundo

Algures no teu coração
Onde a palavra pode chegar
Mora uma justa contradição
Sabes do amor, medo de amar

Este mar com o beijo do céu
A maneira como morre o sol
O saborear a terra das flores azuis
Uma melodia terna em si bemol

Sabes, a ilha é um nome verde
Como sorrio às vezes
O teu nome soletro ao longo do dia
Cinco letras de encanto e nostalgia

Imperturbável não te apercebes
Que o teu espírito alucinado te sugere
Enquanto o teu coração amedrontado inventa uma fuga
Boca que diz não, coração que o amor segura

As crianças tornam os muros palácios
Tu, mulher, quatro quereres num lar
Uma mesa com aroma de pão
A palavra saudade escrita no chão

Tu viste-me chegar desorientado
Com a boca cheia de termos gastos
E cheguei, e parti
Poemas foram crescendo sozinhos para ti

Compreendi neste tempo
Que é preciso sorrir
Sei que quem parte às vezes fica
Às vezes partimos com o corpo e fica o sentir

É tão mau sermos sempre os mesmos
Por isso vou atirar ao mar toda a minha dor
E começar a pintar este mundo a meu modo
Num...SOLISTÍCIO DE AMOR...

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

DEUS ESTÁ A OLHAR POR MIM


A magia do inexistente movimento
Denunciando personagens longínquas e cruéis
As vozes por anunciar
Desenhando feições novas do amar

Com os olhos manietados no teu passar
No sopro de ventos estranhos
Ainda há um abraço
Na entrega dos sentidos

Sou assim porque nasci só no orvalho das manhãs
Mal nasci e perdi-me de ti
Gritei-te longe com a força da minha voz
Naveguei no teu rumo numa casca de noz

Digo-te coisas vibrantes em branda fala
Pela solidão que me ocupa por dentro
Um vazio triste, sem ti
Num manto de sal adormeci

Tenho um só sonho
Disfarçado de inquietude e revolta
A explicação das coisas
Voar em ti nesses teus olhos de gaivota

Aqui a terra fecha-se à minha volta
Uma voz que devasta o coração mudo
Este poema com o teu nome
Este lembrar do amor a cada segundo

São grandes os olhos de raiva
São pequenas as pessoas
É perverso o eco da palavra
Este homem que diz basta!

Tenho os lábios tortos de repetir verdades
Tenho a alma vazia de pedir esmola
Tenho as mãos sempre em construção
Tenho uma esperança profunda presa ao coração

Tenho a paixão e um saco de cores
Um amor por ti que nunca terá fim
Uma fé de um tamanho inteiro
Porque sei...DEUS ESTÁ A OLHAR POR MIM...

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

QUANDO OS ROSTOS FALAM


As palavras
Passos súbitos
Batendo ao compasso febril do coração
Uma carícia serena, uma mão

Um pássaro abrindo espaços no inverno
A mensagem inquieta de olhos ternos
Como o sereno beijando o asfalto
Como se o mundo não soubesse de tudo

Dispo-me do calor e da dúvida
Não discuto Deus nem por um momento
Deito-me na pedra e os sonhos esvoaçam
Como o silêncio num crepúsculo lento

Porque as manhãs possuirão a luz
Que iluminará o teu rosto no acordar
O teu, ilha plantada no meio de horizontes
Para em cada voo erguer o grito do mar

Talvez seja um pássaro breve
Habitando as árvores da noite
Talvez seja o amor interrompido
Talvez a espera do sentido...

...De ti
Para escrever páginas de um novo dia
Num tempo de sentimentos
Como se afinal não importasse mais nada

Talvez te pareça uma ave estranha
Rumando a norte cansada do sul
Riscando as nuvens em silêncio
Neste meu céu que pintei de azul...

...Para ti
Sigo as constelações dos teus olhos
Não olho para trás, abraço o adiante
Caminho abrindo um caminho intolerante

Cruzo os teus passos
Olho-te como quem as saudades abraçam
Sabes o amor não se inventa ou detém
Está no coração...QUANDO OS ROSTOS FALAM...

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

PROPOSTA DE ENCANTAMENTO


Uma estátua
Pétalas rubras orvalhadas
A fonte do real inimaginável belo
Foi o resto que encontrei dentro das palavras

Parti aos poucos como partem
As aves, os poetas, os vagabundos
A dúvida é se procuro a sina distante
Prisioneiro do corpo e da vida entre dois mundos

Desaparecido lá ao longe entre névoas
Num lugar entre fronteiras da dor
Onde as coisas fazem sentido
Ouvindo instantes de amor

E ela movia-se
Neste crepúsculo lento de mágoas
Como ninfa em mares indescortináveis
Trespassados pela monotonia ecoante das vagas

Mas devo pensar-te flor
Algures na entrega do tudo
Morro aos pedaços consciente
Respirando este amor mudo

As minhas mãos e as palavras
Estendem-se
Como se de outro mundo viessem
As gaivotas em terra nunca o mar esquecem

Enquanto no tempo não há noticia
Acendo a alma nas cinzas da tarde
Surge um grito surdo sussurrante
Rasgando o ar, coração que arde

Pois então será assim:
Serei o teu Sol da sombra
A memória de um pássaro feliz
A exaltação plena de um coração

Derramarei mil doces pensamentos
Como sorrisos de uma criança num momento
Vou escrever-te uma singela carta
Com uma...PROPOSTA DE ENCANTAMENTO...

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

SOL DO MAR


Dobrei este querer infatigável
Nesta ilha prostrada no centro dos horizontes
Ergo os olhos sob os céus mais infinitos
E sinto a chegada de uma gaivota nos meus sentidos

É tudo tão breve
Habitamos as pedras
Inventamos sonhos
Vislumbramos quimeras

Mas, falemos dos suspiros dos pássaros
Falemos de ti
Nas irreprimíveis asas dos anjos
Na noite primeira dos mil encantos

Falemos da leveza da tua condição de água
Falemos da vastidão das planícies do mar
Falemos do estremecer de silêncio
Do abrir de vales onde haviam muros, do amar

Sabes
Vale a pena construir esperança, afugentar o mal
Na abordagem dos ramos verdes das árvores
No amor, todos os poderes renascem afinal

Deixaste réstias de luz
No gesto sereno e demorado
Um copo de saudades ausentes
O abrir de janelas, mil presentes

Escrevo
Às vezes preciso acordar o silêncio do amor
Serei pois prisioneiro do sonho interrompido
Ou apenas um simples e mudo ator

Tal como uma rosa coberta de manhãs
Sinto-te no percorrer de todas as lembranças
Devo descobrir a luz dos caminhos
Congeminando feitiços, esperanças

Continuo insistindo que nada tem fim
No centro abissal dos desertos
Na muda voz do falar
Com a alma cheia de ti, meu...SOL DO MAR...

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

UMA MULHER UMA ILHA


Este meu espírito, este meu corpo
Amargo e estranho
Estes sulcos de saudade
Este peito derramado em inventada cidade

Trago nos meus dedos o sabor
Acariciante olhar
Barco preso ao navegar
Encontro por encontrar

Passo todos os dias rente ao amor
No regresso da presença de um nome
Há um castelo a construir-se dentro de mim
Na cicatriz da ausência, num poema sem fim

Tal como as ondas criadas no interior do mar
Tal como as mulheres transparentes
Tal como o acordar de gente sem nome
Tal como o recordar do amor em mil presentes

Mas falemos da Ilha
Falemos de ti
És flor de eterno encanto
Plantado por um deus de espanto

Falemos da mulher
Do poder da água
Falemos da força e da doçura
De ti, do amar na forma pura

Onde nasci a primeira vez
Na chegada depois de muito navegar no impreciso
Encontrei ninfas e sereias silenciosas
Este estrangeiro espírito

Mas falemos desta ilha que há em ti
Que em poesia se transforma
Gravada dentro de mim
Nesta loucura sem fim

Tal como lava derramada em meu peito
Comungando a ferocidade do tempo
É bom que saibas: não há muito porque morrer
Apenas na passagem te ver

Dentro deste corpo
Passeia um espectro de mil cores maravilha
E um sonho que nunca morre
Em ti...UMA MULHER UMA ILHA..

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O ASSENTO DA ALMA


Escuto o teu cabelo de ondas
Neste reino do silêncio preso ao encanto
O coração do poeta não para
Quebra-se num momento de dor e espanto

Este poeta viaja na rota do Sol
Viaja em ti
Com o sentir à flor da pele palpitante
Desde o principio de doce instante

É possível escutar as ondas batendo
Pelo sorriso macio dos teus cabelos
Nunca serás um símbolo, lembrança ou ritual de paixão
Serás sempre pássaro pousado em meu coração

Serás
Sol brilhante em eterno dia
Ave da noite vestida de Lua
Encontro da névoa com a flor nua

Procuro-te no silêncio do reencontro
Anjo de cabelos negros, mãos brancas e suaves
Procuro-te na luta entre o perdão e a razão
Fruto exótico das minhas miragens, contradição

Tal como pétala de rosa sem destino
Tal como bola de sabão presa à luz
Tal como a noite mansa esperando nunca se faça dia
Tal como um sorriso breve que a esperança seduz

Trago comigo um livro antigo de culpas
Outro em branco para te entregar
Tem apenas uma tímida e singela frase
“Este poeta não consegue deixar de te amar”

Na obscuridade procuro prender-te
Com estas mãos cansadas dizendo palavras mudas
Já fomos a consciência do amanhecer
Já senti saudade de olhos fechados no ver

Escrevo estas palavras com insistência
Com o ardor da tinta de rubra chama
Como um grito para soltar numa madrugada
Neste...ASSENTO DA ALMA

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O JÚBILO E A DOR


Hoje pensei
Num milhão de razões para falar com uma fada
Em cima de um palco, por artes mágicas
No coração de um homem, na voz calada

Hoje pensei
Que este era mais um dia no encontro dos desencantados
Pelos olhos do ultimo sobrevivente de uma longa caminhada
No caminho menos usado do horizonte da encruzilhada

Hoje pensei
Na melhor hipótese de começar tudo de novo
Sempre ao longe como se te pudesse convencer
Vi-te Ave com a ternura encoberta e partículas de fogo

Hoje pensei
Pensei em ti
E mal pensei
Logo te vi

Depois pensei
Se não te posso ter
Se o amor fechas ao amor
Porque continuo a te querer ver

Depois continuei a pensar
Vejam bem que aqui o poeta até pensa
O pateta fica sempre com um sorriso de mágoa
Quando se afasta de uma amada presença

Briguei com o pensamento
Que porcaria de cabeça pensante
Para estúpida desengraçada!
Querem-te no passado, no nada

Depois voltei a pensar baixinho
Será este o meu destino
Porque percorro este teimoso pensamento?
Porque não te apago nem que seja por um momento?!

Calei pois o pensamento
Afaguei o peito e ainda sinto o pulsar do amor
E escrevi esta carta de palavras tontas
Entre...O JÚBILO E A DOR...

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

É MADRUGADA E SINTO-TE


Tenho no peito a cicatriz da tua ausência
Não me perguntem porque consigo amar
Ainda tenho o sabor da luz do inicio dos teus gestos
Ainda tenho o calor de ti no sonhar

É madrugada
Longe da minha presença
Longe da tua distância
Comigo dentro de mim, esperança

Feridas que sangram
Tens a minha paixão, os meus versos
Neste poema a palavra amor
É interdita e afagada sem dor

Uma gota de vinho
Uma ilha presa a um balão colorido
Um cálice de amargo absinto
E oiçam estúpidos, no amar não minto!

Oiçam este poeta de tostão
Que já prometeu e pediu uma mão
Oiçam a palavra salgada de saliva
Não tenho muito lugar, em ti, paixão

Um retrato sem tempo
Uma promessa na calada da noite
Juras ser-me fiel?! Amar-me, respeitar-me?!
Na saúde e na doença, juras?! De mim nunca te desencontrares?!

Uma rosa
Uma mão no peito
Uma casa na rocha
Saudades do teu sorriso, da tua boca recortada, do teu jeito

Um silêncio profundo
Um rosto que se vira para o lado escuro
Não sei se ainda tenho tamanho suficiente
Para te poder abraçar, transpor esse muro

Passei o dia a escrever
Embriaguei-me de solidão
Nem sei o que quis dizer neste poema, não minto
Tudo isso porque....É MADRUGADA E SINTO-TE...

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O COLECIONADOR DE BÁTEGAS DE CHUVA


Conheço um Sol refugiado
No espelho de uma lagoa da ilha
Conheço um pássaro azul
Prisioneiro do voo sem partida

Saltei os abismos, falésias e escarpas
Apanhei um punhado de ervas com sabor amargo
Adormeci rodeado de hortênsias brancas
No recanto exato de outros ventos

No sonho
Caí por entre a bruma varrendo as penedias
Envolto em manto de cetim
Abri o caminho de todas as intolerâncias

Desenhei mapas de sombras
Com os luzeiros do céu procurei por ti
Abracei-me ao lugar onde bate um coração
Nas margens do sonho perdi a alma na paixão

Às vezes é preciso acordar o silêncio da memória
Ou esperar pelo adormecimento inadiável
Com o gesto sereno e demorado da ternura
Com o acordar do amor rompendo o improvável

Habitar o tempo a sorrir
Ficar eternamente abraçado ao sentir
Por entre os olhos gritar o chamar
Por sobre as ondas chegar sem partir

Vou dar sete passos à volta da tua alma
Sim é possível escutar teu coração ardente
Incendiar o desejo no calor do estio
Afogar a solidão na irreverência de um rio

E rio para não chorar
Canto sem saber cantar
Já amei sem me apaixonar
Já sonhei enganando o sonhar

Já me imaginei dentro de todas a viagens
Já fiz vinho apenas com um bago de uva
E como a loucura tomou conta da razão
Serei apenas...O COLECIONADOR DE BÁTEGAS DE CHUVA

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O LAVRADOR DE MARÉS


Ouvi o vento e a música
Procurando um porto na madrugada
Ouvi a chegada de um navio
Julguei sentir uma voz amada

Meu Armando, meu amor...
Uma criança jogando lama ao meio dia
Embrenhada e perdida na alma
Com rimas colorindo pálpebras de nostalgia

Esta não é a hora do espanto
Sem cânticos de manhã azul
Nem pureza, nem casas
Sem o voo dos pássaros do sul

Minhas palavras flamejam
Minha alma agita mil sonhos
Meu coração arroxa num momento sem fim
Por não saber que me queres mesmo assim

De onde ninguém regressa
Está só o amor...
Nem tudo o que faço pode estar errado
Nem tudo o dói pode nos infligir dor

Insano este tempo que faz de ti o impossível
É possível dilacerar as fronteiras do corpo
De que serve renunciar à voz do absurdo
Tal como um tugúrio na paisagem me quedo mudo

Estou preparado para todos os amanheceres
Deus fez a terra, o homem o pão
Eu construí um castelo na areia
Sou o rei da ilusão

Sou uma pedra negra do cais
Sou um arlequim de chapéu de coco
Desalegre de lágrima ao canto do olho
Com a alma imensa e o bolso roto

Sei lá o que sou...?!
Um anjo de água atirado ao convés
Um homem com saudade de ti
Um...LAVRADOR DE MARÉS

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

NUNCA É DEMASIADO TARDE


Dentro desta ilha
Não há o esquecimento
Há um Mar azul brincando
Dentro desta ilha, um só momento

No alcance do horizonte
Um caminhar firme e crente
Para além das muralhas
Deste vento sussurrante

Um acordar das mãos cansadas
A memória bifurcando as paredes de cal
Não sei se sou um delinquente da palavra
E tenho um estigma de maldade já gasta

Sinto nesta manhã
Este magnifico cheiro a sonho
Sobrevivo ao nevoeiro das manhãs eternas
Quando te vejo é como se repensasse o passo

Trezentos anos de ti no pensamento
A música forjada e quente do Sol do Mar
Embravecidos quereres perdidos
Uma baía de calmas águas, um rosto, o amar

Onde o mar às vezes despeja a sua ira
Construo castelos com areia do céu azul
Congemino um silêncio para que me oiças
E lanço a este vento morno que corre para sul

A tarde do que é tarde
Desprende-se do lugar da mão assustada
Já bebi água com sol
Já senti neste corpo de homem a luz amada

Já me esconderam do mundo
Já desconfiaram de mim
Já se riram em falsa compaixão
Já me disseram que não e sim

Pessoas...
Abandonem as armas de um chão ferido
Não faço encontros com o passado
Chega-me um abraço sem ruído

Complicado este poema
Tenho um código de maldição neste coração que arde
Já fiz um sortilégio de amor
Por pensar...NUNCA É DEMASIADO TARDE

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

GUIADO PELO TEU ESPLENDOR


Num derrepente lembrei-me
Dos teus gestos ternos e firmes
De um instante, senti-me como se fosse
Morando no espaço do teu olhar doce

Neste teu fulgor límpido
Escrevendo recusas que o coração contraria
Seja porque seja, vivemos no Mar, menina
Recolhemos na memória o que fomos, hóstia consagrada

Descobrimo-nos a ocultar as memórias
De uma vale qualquer a esconder a teimosia
Descobrimos que não se esconde o querer nem a dor
Que não há distância que mate o amor, quando é amor

Nos estios de planícies cobrindo as hortências
Na voraz caminhada dos dias
Há um lugar no meu coração onde nunca passaram pessoas
Há em mim uma janela transparente onde voas

Talvez seja um invisível habitante
Que percorre vezes sem conta a tua rua
Talvez seja apenas alguém que ama amando
Com o imenso da alma nua

Talvez...
Como se não houvesse mais fronteiras
Como se não houvesse mais sentimentos
Como se fosse possível “ser passado” por breves momentos

Tenho mãos, “dedos que falam de magias e constelações”
Mãos que tocam, não mentem
Poderei pois ser o vento incansável
Que veste a promessa sem parar, apenas por amar

“Haja o que houver”
Olha bem, escuta a tua lembrança
Há mesmo coisas que são para a vida
Não há longe nem distância

Esta não é a crónica de um náufrago perdido
Nunca estarei nos braços de sereia
Nunca estarei preso a qualquer passado
Esta vida não se serve a meia, corre imensa, cheia

Escrevi a escutar no teu cabelo as ondas
A construir sonhos, habitar o tempo a sorrir
Como não tenho bússola nem orientação
Apenas...GUIADO PELO TEU ESPLENDOR...

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

PLANÍCIE DE SONHOS


Rente aos olhos a lágrima e o sorriso
Sobre o mar um barco chamado saudade
Rente ao coração a raiva afugentando o amor
Sobre as mãos um querer de plena verdade

Rente à pele a caricia despertando o desejo
Sobre as pedras a vaga batendo, espuma inocente
Um poema em branco fugindo à palavra
Uma criança olhando o amor presente

Estou cansado da incompreensão do amor
Estou cansado deste inverno de solidão
Estou cansado das pedras e dos calendários
Estou triste por não entender teu terno coração

Tenho uma profunda cicatriz da tua ausência
Há uma cidade a construir-se dentro mim
Porque os pássaros são mãos voando na sombra do desejo
Porque trago o teu nome na medula do meu corpo

Continuo a cavalgar um tempo imenso
Sem cansaço à luz potente da pedra viva
Vou contado as sombras passar no silêncio do pensamento
E adormeço sempre em ti num doce momento

Há quem conte histórias de mim de mijar a rir
Há quem teime querer que morra no partir
Há quem se vá entesando com a minha desventura
Há abra a alma e deixe sair todos os ódios a parir

Falam-me de um tempo, só sei que não morro
“Espero apenas pelo dia em do amor nasça amor”
Fala-me uma voz perdida numa concha de ti
Diz-me que ainda brotam cores, não morri

Dizem-me as mulheres que desconheço
Que há em mim um suor com cheiro a maresia
Dizem-me os homens que me odeiam
Deixa-te de vaidades, para a vida, confia

Este foi mais um poema paranoico
Falei de pássaros e seres bisonhos
Acordei e estava contigo cheio de amor
Afinal perdi-me numa... PLANÍCIE DE SONHOS...

domingo, 16 de agosto de 2015

O PODER DO AMOR


Já vi mulheres rezando
Enquanto tributava a vida
Já vi arautos lerem o meu destino
Já fui descrente, gente, homem, menino

Por lavrar está um corpo envolto em seda
Por rasgar uma brancura propositada
Por sentir que és única e una com a minha alma
Serei apenas a ternura da voz calada

Parado na imensidão das horas
Espero uma palavra tua na construção do silêncio
Não habito um palácio ou oceano por desvendar
Só espero saber onde a felicidade irreconhecível possa morar

Gostava de erigir um lugar para a concórdia
Pintemos depressa montanhas fora do alcance dos fantasmas
Como grãos de poeira enterrados no esquecimento
Como o teu sorriso tatuado em doce momento

Comungando a veracidade da do vento norte
Há gente como eu que brota acima das pragas
É bom que se saiba que lancei as dores à sorte
E rezei a Cristo na tristeza de sete chagas

Conheço caminhos brilhantes
Vivi o imenso de felizes instantes
Contigo...
Serei milhafre ou timoneiro em rota de navegantes

Não se pode vomitar um vazio indiscritível
Tu, não estás apenas na minha alma
Habitas meu corpo todo
Roubaste a luz da minha chama

Cubro-me vacilante de medos
Perdi-te todos os dias do desencontro
E porque sou pássaro, voo e o meu corpo é terra
E há que diga que sou monstro, outros anjo em santa guerra

Deixem para lá!
Este poeta apenas quer partir da verdade sem dor
Encontrar-te em espera sincera
Porque acredita no...Poder do Amor...

terça-feira, 11 de agosto de 2015

CELEBREI-TE


Vi nascer o dia no céu da ilha
Viajei pelo espaço dos milhafres sem desenganos
Se pudesse mudar alguma coisa no Mundo
Mudava a forma como nos desencontramos

Mudava o tempo, aprisionava-te
Mudava as cores todas que tocassem o teu olhar
Pintava o amor como se fosse o mais além
Porque há estios na planície para os pés do teu chegar

Na penumbra dos quotidianos tristes
Não houve lugar para os cravos breves
Na irrequietude ecoante do Mar rasgando as rochas
Rezo para a tua vinda elevando mãos postas

Nunca serei um fugitivo perdido
Viajante, viageiro no vale de todas as lembranças
Não resistas à chegada da primavera
Nunca deixes de sentir esta árvore em eterna espera

Já sorri vertendo lágrimas
Já chorei pela incompreensão do amor
Já senti na alma um instante de água fresca
Já me perdi no teu olhar entre a raiva e a dor

Já semeei o amor para ver se brota de novo
Já percorrei os verdes e azuis descalços pela erva molhada
Ah como é transbordante o cálice parado em meu coração
Como sinto a ternura que envolve a tua mão

Na ilha, esta água girando à volta dos olhos
Não me canso da cor do mar que beija o céu
Não consigo arrancar-te da minha alma
Já rasguei do peito este negro véu

A saudade destas mãos cansadas
Se todos os dias morre o Sol ressuscitando na aurora
Entre o alento animado da noite escura
Há sempre uma vontade inabalável na tua procura

Amansarei as tempestades que povoam o teu peito
Contarei as aves de um alegria adormecida em doce instante
Na ilha de Santa Maria elevei-me em profundo instante
Fechei os olhos, abri a alma...Celebrei-te...

quarta-feira, 29 de julho de 2015

CARTA


Escrevo-te esta carta como quem me vê chegar
Pareço uma ave quando ainda é primavera
Há poemas que crescem sozinhos
Compreendi que é preciso sorrir, correr outros caminhos

Há coisas de outrora vivas sem nome
Se viesses por aqui partindo não importa donde
Vou esperar-te a qualquer hora em qualquer estação
Há milhares de sentimentos vivos neste pobre coração

Queres comungar comigo a calmaria do Mar?
Guardar com os olhos o azul do celeste
Amansar num abraço a fúria do vento
Amar com amor um sublime momento?

Recordo as fontes onde já bebi
Há tantos países por conquistar
Poemas, tantos por escrever
Eu apenas te quero sentir, ver...

E apenas vou renascendo devagar
Tocando os poros da terra rubra
Sabes, não há muito mais porque morrer
Sigo os teus passos na areia a tua delicada sombra

Conheço os caminhos brilhantes da alegria
Já percorri as ruas imaginárias da memória
Já fui barco à deriva em mar bravio
Já venci a irreverência das águas de um rio

Vou decompor a solidão
Subir uma colina desatenta da ilha contigo
Vou voar nos olhos de um milhafre
Quero ser amante, amor, amigo

Serei o ultimo habitante da tristeza
Corpo solene de paixão por decidir
Serei golfinho, baleia no canal
Na viagem vou enganar o partir

Vou sorrir como as aves numa alegria adormecia
Ancorar o meu barco numa baia azul e farta
E como sei que não me irás ler
Decidi, escrever uma...Carta...

sexta-feira, 24 de julho de 2015

COM O SORRISO DA LUA


Recebo-te por causa do amor
Pela candura do teu respirar
Recebo-te no pressentir da tua boca
Por ter encontrado um chegar

Fiz desenhos com sementes em ceara azul
Remendei minhas vestes de linho da pobreza
Vou colher um ramo beijado pelas aves
Vou olhar teus olhos de paixão certeza

Vou partir à procura do chão sonhado
Vou plantar no teu peito um filho de alegria
Vou derramar um pouco do teu infinito pelo Mar
Vou beber pelo vinho do teu seio no aconchegar

Pois, o poeta até sabe escrever amor
Será!? O pateta saberá desenhar um coração?
E mesmo que nem um amigo ou voz pousarem
Acreditem, “tenho um abraço do tamanho da emoção”

Já abri os olhos com as ramelas sorrindo
Já vi mulheres transparentes vestidas de vento
Já bebi vinho e cantei alegrias
E já disse amo em atrapalhado momento

Não me falem do tempo
“Só sei que enquanto amar não morro”
Eu sou uma ilha pequena perdida nas penas de uma gaivota
Sou assim: Espuma do Mar, água e fogo

Mas sei quem és
Há muito que te perdi dentro de mim
Encontrei um Anjo com olhar impossível
No país onde as minhas mãos cresceram e o dia não tem fim

Rainha por um dia
Fonte da minha saciação longe da minha sede
Desmontei meu choro, rasguei o guião de uma peça
Benzi-me e criei este poema e pintei-o numa rua da minha inventada cidade

Não me perguntem porque amo as gaivotas
Porque conto os passos da minha rua
Este poema é para ti
COM O SORRISO DA LUA...

quinta-feira, 23 de julho de 2015

E A SOLIDÃO


Estive comigo em Paris quando morri
Quando atirei docemente um papagaio de papel-de-seda
Estive comigo quando morri
À porta da razão que o perverso fez mentira

Já dormi no cais dos vagabundos coberto de pesadelos
Acordei com as gaivotas gritando o meu nome
Olhei-me na lucidez de um espelho de água
E lavei com sal uma profunda mágoa

Lembro os dias felizes em que fui alguma coisa mais
Por isso vida:
Abre-me as janelas que me fechaste um dia
Vem, cobre-me de névoa e hortênsias sem nostalgia

Uma vez amei um anjo
Escutei nos seus cabelos as ondas
Do Mar ouvi os aplausos de um golfinho
Do alto de uma árvore o canto alegre de um pássaro preso ao ninho

Uma vez amei uma pessoa
Mas sabem, amar nem sempre é coisa boa
Uma vez abri a alma de par em par
Mas sabem, nem sempre as pessoas entendem o amar

Gostava de habitar o reino dos silêncios
Já tive vontade de ficar eternamente abraçado
Gostava de construir uma casa, habitar o tempo e sorrir
Gostava de afogar este pranto, este fado

Pranteei as minhas canções nas madrugadas
Sim é possível escutar as ondas de um coração triste
Sim é possível começar tudo e partir
Às vezes sorrio por saber que o amor nos outros não existe

Deixem lá estar o poeta
Cuspi letras nesta tempestade louca
Deixem lá estar, tenho dores apenas
Que importa, isso é tão coisa pouca

Vagueei na noite pela ilha na procura de nada
Tive mais uma luta feroz com este estranho coração
Vi e falei com todos os anjos que encontrei
Eu...E A Solidão...

terça-feira, 14 de julho de 2015

ADEUS


Escrever um poema é como amar
Esta ilha, rapariga de verde madura
E fico aqui cuidando do azul do Mar
Fico no tempo que me prende a esta pedra fria e dura

Nasci e trouxe as cores
Com elas pintei caminhos de solidão
Nasci na calmaria de abril
Trouxe comigo a palavra, o verbo, contradições mil

Viajei num barco que navegou para longe da minha presença
Fiz uma paragem no país das flores eternas
Descansei num lugar de nome saudade
Imaginei um sitio para construir a minha inventada cidade

Sabem lá vocês o que trago dentro de mim!
Amaldiçoei muitas vezes as horas e os sonhos
Morri na procura dos poentes
Sobrevivi 7 vezes quando me lançaram amargos venenos

Sete vidas, sete paixões
Sete sortes, orações
Sete tempestades e uma contradição
E Tu, sim Tu! Para sempre presa ao meu coração

Poemas, pedras, álcool para a fogar
Um olho aberto, boca amputada
Abraços cavados na água escura
Uma procissão de gente vestida de alma dura

Pelas tardes da memória
Escutei os gemidos do sonho por encontrar
Cá por mim, o Mundo é uma moeda de lata
Cá por mim acho que o amor nem sempre é amar

Cá por mim ficava o resto da vida à tua espera
Nem que fosse sentado num ninho de pardal
Deixava que as estações me trocassem as voltas
E pintava um barco sem vela perdido no canal

Como já deu para ver, endoidei!
Tudo isto porque apanhei Sol a mais na moleira
E porque confundi virtudes e pecados meus
O melhor é acabar já este poema e dizer à pena...Adeus...

sexta-feira, 10 de julho de 2015

LEVIATÃ


Às vezes perco a razão
Espanto as madrugadas
Só a terra parece aperceber-se
Que sou mais uma das almas penadas

Por favor! Por favor...
Ponham-se de pé
Aplaudam o poeta pateta
Por ser o tonto que é

Vai roto, meio nu
Com a alma pregada a água benta
Levo chapéu de vento fraco
Um saco vazio, com Deus um contrato

Comprei três maçãs
Uma mordi sem engano
Outra tinha escrito traição
A ultima quase me parou o coração

Deixem lá o poeta armado em Adão
O mesmo que pintou o nariz de giz
Não teria graça um mundo sem loucos
Eu cá por mim lá vou endoidando aos poucos

O que seria o Mundo sem Mar
Sem o imenso das coisas que vi
O que faria se não mais te pudesse sentir
Sem um caminho que me levasse a ti

Choveram castigos sobre a minha cabeça
Faltou-me a piedade e devoção
Perdi lágrimas na escuridão da incerteza
Já segurei a ternura à palma da mão

Que esperança ainda visto?
Abandonei o Deus das igrejas
Na ilha as hortênsias usam vestidos azuis
Glorifiquei o amor e acabei sempre na companhia da dor

Deixem para lá!
Lá vou eu enfeitando os sonhos
Lá vou trocando ilusões e versos
E carregando esta bruma nos ombros

Deixem lá estar
Vou vestir-me de linho e pobreza amanhã
Para ouvir a palavra amor na tua voz
Nem que seja no meio de um... LEVIATÃ...

terça-feira, 7 de julho de 2015

LAGOA PURPURA


Era o nosso murmúrio das hortênsias
Numa barca navego nos olhos da vida
Na obscuridade de um gemido sou ilha perdida
Na consciência do amanhecer abro os olhos para não ver

Perscruto a voz calada
Amarro as mãos ao desentendimento
Não há nenhum barco pronto para partir
Neste silencio que envolve as paredes, neste cais de medos

É manhã de solidão
Sem sol na alma, sem paixão
Acendo uma candeia à oração
Transborda um cálice parado em meu coração

Não tenho rosto
Este corpo perdeu a voz
Esta ilha abafa a sombra que me ensombra
Entre mim e a saudade há apenas maldade

Nestas pedras onde moram séculos
Este mar sempre girando à volta
Este limite das montanhas separadas do céu
Tenho as mãos cansadas de saudade pelo fechar de uma porta

Conto todas as manhãs o despertar dos pássaros
À minha volta a luz foi sempre insuficiente
E no entanto esta alma persiste na alegria
Por consentir a tristeza vencida serei da terra o primeiro habitante

Nunca medi a longitude da distância
Nunca acreditei no querer sem esperança
Acredito numa mulher imensa dentro de um homem
Esqueço tudo na palavra de Deus...Amém

Todos os dias há um louco que me sorri
Nasci e fui agasalhado pelo vento
Chorei e fui abraçado pela chuva
Amei e num soluço só recordo um momento

Hoje não era dia para abraçar a poesia
Não dormi, vagueei pela ilha numa noite fria e dura
Dei por mim sem saber onde estava no meio da água
Estranhamente mergulhado numa...LAGOA PURPURA...

sexta-feira, 3 de julho de 2015

HOJE, AQUI, ESTA NOITE


Conto os sorrisos de uma alegria adormecida
Sentirei o mar por entre os dedos
Este alento animado pelo teu olhar
Pela emoção disposto, no caminho do teu amar

É tão simples esmagar dias de receios
Longas noites de luar, dias de inquieta oração
Estou cansado da minha ausência
Quero dizer-te tanto, palavras ao teu coração

Esta minha insuportável sede do meu regresso
Vieram de mim as músicas pensadas em ti
Há uma candeia anunciando a minha ternura
Há uma palavra por te dizer que minha alma segura

Este tempo em que não sei dizer por palavras o que sinto
Este tempo em que escuto apenas sorrisos
Este tempo em que quero voar, rezar, amar
Este tempo em que numa lágrima te quis abraçar

Na frieza dos homens benzo-me e crio um poema
Não me perguntem porque ainda consigo amar
Passei a pensar em ti, habitas no meu lado esquerdo do sentir
Quero verte, querer-te, não mais sentir o partir

Quero esquecer o absurdo das coisas
Quero ver crescer as tardes
Quero construir um castelo para defender o amor
Erguer sonhos, construir cidades

Dar os braços à luz do dia
Dormirei no carinho sereno constante
Quero beijar uma folha de papel branco
Com a frase singela: amo-te

Vou plantar em águas mansas flores singelas
Vou deixar de compor a solidão
Vou gritar e rasgar a garganta
Dizer: Deixem voar este imenso coração!

Pensei em ti, escrever-te
Pensar e querer-te é vontade constante
Sentei-me e a poesia tomou forma
HOJE, AQUI, ESTA NOITE

quarta-feira, 1 de julho de 2015

ESCOLHAM UM SONHO, UM QUALQUER


Esqueçam os nomes das coisas
Oiçam o murmúrio surdo das árvores
Esqueçam a sorte no mar brincando
Na consciência do amanhecer das aves

E cresço como quem devora as coisas
Esta criança nunca soube conter o sorrir
Já vasculhei a sombra da dor no amor
Já plantei saudades e vi a ternura eclodir

Gosto do sabor dos lençóis lavados
Do aroma da claridade da Lua
Gosto de pensar que consigo um dia voar
De ter a certeza do teu amar

E digo verdades mentido
Digo e recolho a palavra amarga
Tinjo de som palavras que não sei dizer
Semeio sentires, brotam plantas de olhos sem ver

Às vezes é quente o silêncio
Corpo sem voz e rosto
Pensamentos correndo descalços
Na lembrança dos teus abraços

Cobres-me com olhares vacilantes
Deitado em mim sonhei com o vale de todos os medos
Às vezes sou pássaro e vejo a terra passar velozmente
Na oração partilho com a Deusa Mãe mil segredos

E como se uma pedra nascesse aos meus olhos
Como se me perdesse num longo sonho
Como se fosse mendigo entre as margens de um destino sem presentes
Como se herói fosse agarrando um punhado de continentes

Pois mesmo assim
Dormirei com um bando de anjos transparentes
E farei a magia que meu coração aprouver
E se quiseram habitar nele...ESCOLHAM UM SONHO, UM QUALQUER

sexta-feira, 26 de junho de 2015

O POENTE AROMA DESTES DIAS


Este vento norte que me causa emoção
Esta imensa sede por sentir a vida
Este deslumbramento pelas cores da música
Esta fé no milagre, numa paixão contida

Como um barco brilhante voei sobre incertos rumos
Cheguei à porta da madrugada
Encontrei-te, trazias os olhos tão quentes
De verdades, esperança de ser amada

Não te adivinhara...
Não pressenti as coisas maiores que a vida me deu
E de repente, num instante tudo acontece
E de repente tudo acontece, aconteceu

Tocaste-me com um sorriso o meu olhar cansado
Caminho todos os dias na ilha, sobre lava arrefecida
Pinto e não sei falar sobre a cor do Mar
Escrevo como náufrago em ilha perdida

Às vezes dou por mim a contar as ondas
Este é o tempo do descanso das gaivotas
Há um silêncio de paixão neste Sol do mês de junho
Há um aroma de pão no fechar de sete portas

Partilho a sorte com a tristeza
Talvez seja um traficante da felicidade
Um pensador de alegres utopias
Não! Apenas alguém que inventou uma insólita cidade

Alguém que chegou como as gaivotas rente às ondas
“Um tonto de meio sorriso com uma flor na mão”
Um contador de conchas adormecidas no areal
Um pintor de letras enfeitiçado pela paixão...

Do sublime que é o viver
Sem medo de voar, sem contar o espaço do morrer
De tempos felizes, de sol, vida e Mar
Senti este Mundo numa manhã ao aqui chegar

E chorei por saber das escolhas que fiz para esta vida
Tenho caminhado, amado, voado, rezado nas tristezas e alegrias
E abençoo este sortilégio de viver
NO POENTE AROMA DESTES DIAS...

segunda-feira, 22 de junho de 2015

CRUZAMOS OLHARES



Vi passar um Anjo ao meio dia
Olhos inquietos perscrutando a voz calada
Vi passar um punhado de amor esperando o despertar
Este herói sem espada desconhece o fim da batalha

Por ti...
Escrevo estas palavras com insistência, todas
Este alento animado de outras tentativas anteriores
Acenando ao desprender de todas as dúvidas

“Estás comigo dentro de mim”
Deixem-me aqui na serenidade da espera
Fecho os olhos e sinto o azul do mar
Abro a alma e acordo no teu amar

Esta terra respira o teu nome
Não o vou soletrar, apetecia-me!
Vou apenas dizer, que me lembra flores de sol e sorrisos
Mas não o apaguei, é um afago...uma saudade

E tudo começou com um poema
E a oferta em ternura no cair da noite
Um abraço, outro e fizemos amor
E dei por mim esfaqueado pela estupidez, em dor

Como um barco que vence rotas novas
Aporto com um saco tiritante de beijos
Há movimentos insuspeitos dentro de mim
Este coração bate e afasta um frio fim

Como homem revolvendo a terra rubra
Vou tributando a tua magnifica existência
Tu sabes para quem escrevo
Tu sabes quem eu quero e desejo!

Tu, apenas tu, sem enganos
É no estio que a minha alma solta a palavra
Entre os lábios e o beijo uma mão interrompendo
Uma noite, uma lágrima, um terrível momento

Uma noite em que cruzamos a ilha
Parei numa jura no local onde apareceu o corpo do meu Pai
Parei na imensidão das horas de luz propositada
E lutei com todos os fantasmas, sem poder fazer mais nada

Tenho no peito o tamanho de uma prisão
Tenho da vida mil pesares
Este foi um poema que me apeteceu escrever
Apenas porque vi um Anjo e...CRUZAMOS OLHARES

sexta-feira, 19 de junho de 2015

PROPOSTA DE AMOR


Nesta alma há o esplendor dos poentes
Há um universo de palavras simples por dizer
Há um espaço imenso que se separou da dor
Há uma campo de hortênsias sussurrando o amor

Neste momento...
Algo exulta a importância da tua existência
Não há lugar para a reinvenção das sombras
Só aguardo pelo nascer da manhã inevitável da tua presença

E vou falando comigo mesmo como fazem os loucos
Enquanto ao meu redor sinto anjos escutantes
E convenço-me de que tudo é possível
E sinto uma força imensa, invisível

Lá fora há agasalhos de luz
O afago da maresia às pedras
Nunca adormeço sem a esperança do amanhecer
Misturando-se com as cinzas da tarde, as mãos, as palavras

Um livro antigo de culpas devorado pelo fogo
Este desejo surdo de poeta vagabundo
Bifurcando o coração deste mal amado
Nas mãos pesadas do desentendimento, perdi-me neste mundo

Uma estátua cansada baixa a cabeça
No aconchego de uma casa vazia uma reza, o terço
É tão simples esmagar esses dias de frias recordações
É tão urgente não atropelar o começo

Que não amanheça o pesadelo
Num murmúrio quero destruir quem compõe a solidão
Quero o espaço com estas mãos, contornando a lembrança do teu rosto
É preciso sorrir para mostrar que estamos vivos ou chorar no sol posto?

Não há rocha que resista á violência da raiva
Só há mar porque acreditamos
Quero erigir um lugar para celebrar a concórdia
Quero pensar numa palavra ou em Deus, num novo dia

E quero o ódio na longitude da distância
Que a Deusa Mãe me dê um sinal, uma flor
Este poema foi escrito sem papel e pena
E não tem nada a ver com uma...PROPOSTA DE AMOR...

segunda-feira, 15 de junho de 2015

LEMBRANÇA COBERTA DE MANHÃS


Há um lago de fogo
Onde as mulheres congeminam feitiços de amor
Embriagadas pela música do vento
Onde para a vida, se confunde a razão e o tempo

Viajo pelas maresias do verde da ilha
Continuo contigo na chama que brilha devagar
“Inventando-te sou feliz, porque te sinto em paixão esplêndida”
Nas ramagens absurdas das sombras sinto o teu chegar

Insano é este tempo que me fala da descrença
De ventos ansiosos percorrendo a lembrança do amor
Este lembrar da loucura a cada segundo
Estes pés agrilhoados ao chão dum frio Mundo

É Verão e ainda sinto o Inverno da ilha
Abandonei a viagem e aprendi a conviver com a solidão
Perdido dentro de mim um sentido
Esta minha insuportável sede de presa paixão

Este homem órfão de um destino certo
Trago em minhas mãos o amargo sabor da cor
Agora reparo, estou cansado da ausência de mim
“Tenho um choro que se propaga por dentro, sem fim”

Cresço no sentir como as manhãs caminhando no dia
Levem-me numa correria louca pelo Mar com se fosse a ultima vez
Não me perguntem porque não desisto de amar
Deixem-me sentir o aroma do teu chegar

Com a boca fechada de sorrisos
Este amanhã do renascer da carne
Com a noite plasmada de sonhos turvos
Com a alma presa, como pássaro com fome

Num altar imaculado plantei uma jura
Num poço de silêncio larguei moedas de tostão
Num gesto ao céu convoquei Guias e Arcanos
Num virar do tempo estendi ao sonho a mão


Abandonarei um ninho sem maçãs maduras e sonhos
Cobrirei com a noite todas as palavras vãs
Tudo isto escrevi neste poema
NUMA LEMBRANÇA COBERTA DE MANHÃS

quarta-feira, 10 de junho de 2015

OS PÁSSAROS QUE HABITAM A NOITE


O dia há de nascer
Entre os lábios e o beijo
Na construção de mais um silêncio
Sonhei com o recorte da tua boca, desejo

Rasguei o azul propositado
Lancei promessas á calmaria de uma lagoa
Moldemos montanhas fora do alcance dos fantasmas
Lavamos a alma e ungimos o corpo para ser pessoa

Com o corpo esparso e olhos quebrados
“Lembro uma noite vagueando na Ilha”
Sou presente no meu próprio presente
Voz mansa de ribeiro subindo, cantante, contente

Conheço os caminhos luminosos da alegria
Dentro deste corpo passeia-se a bondade
Também uma apaixonante paixão sem limite
E com o silêncio preso ao céu da boca aprisiono a tua verdade

Ás vezes navego pelos oceanos do pensamento e
Sou um barco
Ás vezes sonho que reparei todas as duvidas do Mundo e
Sou apenas um grito perdido

Este copo vazio que embebeda o louco
Este corpo nu que acolhe o orvalho
Este sorriso fugido á tristeza
Esta incerta certeza

Esta desatenta ilha que há em mim
As minhas palavras foram luz insuficiente
Este habitante da cidade inventada
Percorre o amor em pranto na procura do nada

Assim vou construindo o movimento de cada vaga
Acenando aos Anjos magníficos pendurados nas nuvens
Bebendo um mar revolto, amainando tempestades
Desenhando a traço forte o contorno de sete verdades

Vou oferecer-te esta tela
Procura-te bem dentro dela
É tão fácil esmagar alegrias
É tão difícil vestir um manto feito de nostalgias

Que poema este! Credo em cruz!
Escrevi uma confusa ode de palavras de paixão e verdade
Dei comigo a pensar coisas que ninguém pensa
Como...OS PÁSSAROS QUE HABITAM A NOITE...

quarta-feira, 3 de junho de 2015

A POESIA INFINITA DO BEIJO


Sentir um abraço, como instante de água fresca
O inadiável gesto do beijo
Até violo qualquer reprimido pensamento
Porque morrer por amar é doce momento

Esta poesia vestida em maravilhoso manto de fala
A qualquer hora estarás vivendo num coração que bate sem fim
Nos olhos de uma criança nascem castelos no céu
Dormi calmamente com o sorriso dos Anjos em mim

Trago um nome tatuado na alma
Estou cansado na demora da vida
Amanso esta fúria no vale da espera
Forjei uma espada dourada para prender a quimera

Já entreguei á sorte o amor em olhos escuros
Enquanto esperava o encontro com a distância
Enquanto os pássaros cantam para a ilha sorrir
Vou navegando numa baia onde não existe o partir

Silenciosamente voa este pensamento sem rosto
É madrugada e a chuva cai dentro de mim
Dizem-me as mulheres que desconheço
Que um puro beijo, para o tempo, não tem distancia nem fim

Beijamos sorrisos
Tocamos bocas como quem constrói estrelas
Beijamos olhares de ternura
E enchemos a alma com os sois da luz mais pura

Esta minha insuportável sede do teu regresso
Vieram de mim longos dias de solidão
Porque me perdi...?!
Porque deixei a semente da duvida em ti...

Os homens não morrem no País que inventei
O amor é real na minha cidade inventada
É permitido trocar a saudade por desejo
Na... POESIA INFINITA DO BEIJO...

sexta-feira, 29 de maio de 2015

AS LUZES DO ENTRISTECER


Não me perguntem porque amo o silêncio
Não me perguntem porque habitas na minha ternura
Apenas porque sou uma ilha perdida numa concha
Enquanto meu corpo se perde no cheiro da maresia

Trago comigo as dores que viram as minhas mãos crescerem
Ás vezes penso ser estrangeiro perdido no meu corpo
Peço aos deuses que sejam, candeia iluminando as minhas preces
Ás vezes navego num mar sem sal, já morto

Porque me perdi num regaço antigo de ilusão?
Algures sorrio no meio do meu cansaço
“Há sempre em mim um choro que se ouve quando fecho os olhos”
Quando amo uma flor, a mulher, na saudade estremeço

Se vocês soubessem o que habita na minha ternura!?
Aí veriam quando um homem ganha importância
Se vocês soubessem como sei amar com amor?!
Aí veriam que não há longes nem distâncias

Meu Deus, por estes dias falamos tanto
Imperturbável, deixas que siga o meu destino
Ninguém saberá que sou pássaro, morro e o meu corpo é terra
Talvez uma perdida pedra em esquecido caminho

Nunca consegui partir a verdade em duas
Nunca aprisionei a luz de uma estrela
Nunca consegui fundir a razão com a ilusão
Nunca deixei de sorrir ao ódio com este pobre coração

Murmuro palavras vagarosas, compondo a solidão
Gostava de ser a luz de um cego, a música de um surdo
Gostava de oferecer todas a minhas palavras
A um coração que nasceu mudo

O curioso é esta minha alma persistente de alegria
Este alento animado por um desconhecido Universo
E aceno distraído ao desprender dos anjos amigos
E construo a palavra no movimento de cada vaga, em verso

Não gosto da cor do Mar sem o sorriso do céu
Onde cabe um poema para te sentir e ver?
Talvez nas planícies eternas da saudade
Numa réstea de... LUZES DO ENTRISTECER

sexta-feira, 22 de maio de 2015

PALAVRAS CORREM MUDAS


Podias ser apenas uma pintura
Podias ser apenas uma concha perdida na areia
Podias ser um fugaz olhar que se esvai
Apenas uma imagem nas águas da Lagoa em noite de Lua cheia

Podias...
Ser orvalho vestindo os frutos na manhã
Uma gaivota poisada entre o Mar e a terra
A brancura dos sentires varrendo a saudade em santa guerra

Contemplei na manhã Anjos de água
Sentados sorridentes num arco- íris
Acenaram-me na essência que deslumbra
Dei por mim perdido entre a paixão e a sombra

Ás vezes o sonho é mais do que a palavra
A existência de Ti é inquietação matinal
Infindáveis agitações percorrem este peito
Em fragores de azul descortino o teu rosto inquieto

Não posso tocar-te a mão
Cheguei tarde ao sitio onde repousam as andorinhas
Com o Luar preso aos teus olhos fica cego o amor
Por isso bebo a saudade fria de uma pálida flor

Cintilante espuma!
Apetece subir por aí em ondas de alegria
Ao som dos passos da irrealidade sem bater em portas
E dizer: quando há amor, há mesmo amor, confia

Escutei no teu cabelo todas as ondas de um Oceano
Vi peixes beijando-se em camas de espuma
Em espelhos de água refletidos todos os momentos de paixão
E um golfinho entregando-me o teu coração

Triste ilusão...!
Apetece-me pedir-te vem!
Trás o perfume das outras eras
E liberta-me das mil esperas

Lembra-me os Outonos e Invernos a saber a pão
E, sorri no silêncio possível do reencontro das madrugadas
Mas vem, anjo das transparências nas asas do vento
E assim as...PALAVRAS CORREM MUDAS...

sexta-feira, 15 de maio de 2015

QUANDO NOS SEPARAMOS DO DIVINO


Falam-me de um tempo, choro
Lembro-me que afinal estou só
Percorrendo um caminho infinito, árido
Rodando como atafona em pedra mó

Ás vezes prendo os olhos aos bolsos
Contando tostões de sonhos ao desbarato
E mijo-me a rir das histórias felizes
Não tenho cinturão com balas nem com a vida contrato

Mordo com os dentes uma maçã já murcha
Vou-me entesando com uma raiva deliciosa
E louco de excitação faço cocegas ao pensamento
Ao ouvir uma frase de senhora extremosa

Mas espera aí!
Para onde viaja hoje este poeta?!
Estava apenas a divagar no lado mais escuro da Lua
Por momentos perdi-me numa rua fria e nua

Mas, faça-se luz “fia lux”
“Eu apenas não morro na dor sem encontrar o amor”
Enquanto não encontrar a minha cidade inventada
Enquanto não despir esta capa de gente mal amada

E aguardarei as aves da Primavera
Aqui numa corisca e bela Ilha
Falhei adoração ao Senhor
“E parei por momentos no coração o bater do amor”

Meu Deus, quem sou?
Um barco de madeira, carcomido, amaldiçoado?
Viajando com calados sonhos
Submersos num lago profundo?

Não! Serei apenas um caçador de pérolas
Fugindo a sereias e ninfas silenciosas, perdidas no tempo
Plantando palmeiras na areia
Soltando aves no céu na maré cheia

Cheguei tão devagar a esta terra verde
Após longos sóis abraçado a um destino
É assim ás vezes na vida
Quando por momentos NOS SEPARAMOS DO DIVINO...

sexta-feira, 8 de maio de 2015

ENCONTRO COM O DESTINO


Não tenho muito lugar em ti
Ai se visse nascer das hortênsias rosas novas
Se te sentisse na pele deslizante de uma rapariga madura
Se me ardesse o coração como casa de palha e verdura

Ofereço-te um prato tiritante de beijos
Um molho de abraços inquietos
Um lugar na minha palavra por dizer
Um altar de espuma do Mar para te poder ver

Escrever o poema é soltar o grito
É dormir com anjos transparentes
É sonhar novos horizontes azuis
É encher-te a alma de presentes

Uma ilha aparecida no Mar é pequena flor oceânica
Este pensamento de barro cru por pintar
“ Uma mulher imensa dentro de um homem nunca se apaga”
Digo-te como se fosse uma criança sem revolta, o amor é apenas amar

É no estio que o coração solta a palavra
Parei na imensidão das horas possíveis
Há uma felicidade irreconhecível sem morada
Há corações sem janelas, com a porta fechada

Lavrei compreensão na imensidão do egoísmo
Erigi um lugar para elevar a concórdia
Sei o significado do querer partir
Pintarei montanhas fora do alcance para te fazer sentir

Na minha peregrinação através do tempo
Partindo não importando donde
Semeei palavras puras de transparência e brandura
Fui rico na pobreza e pobre na fartura

Enterrados na terra do esquecimento
Estarão as recordações da tua incompreensão
São grãos de poeira perdidos da alma
São vida que se extinguiu da chama

É tão mau sermos sempre os mesmos
Não há nada que mereça a noite, nem o querer pequenino
Não se pode vomitar um vazio indescritível
No...Encontro Com o Destino...

sexta-feira, 1 de maio de 2015

CORRENTES DE UMA PAIXÃO


Este dia acordou feio e sombrio
Como um tostão de gente, correu frio e húmido
Este vento é grave e sabe a descontentamento
A água afoga a terra, esta bruma parada num momento

Gostava de ir ter contigo num País encantado
Sem casas, nem lagos, com flores e dizer, meu amor
Ás vezes corro nu, agasalhado pelo sonho
Gostava de viver na aurora da paz, sem rancor, sem dor

Estas palavras beijando o papel branco
Há sempre luz para o inicio dos gestos
Liberta-mos sonhos e comemos distâncias
Dá-mos braços á ternura e aprisionamos as ansias

Sou como uma criança de mãos vivas cheirando a vida
Deixem-me aqui cuidando com os olhos da irreverência dos pássaros
Deixem-me aqui envolto neste grito de saudade e nostalgia
Que seja a ultima vez que abro esta boca amputada no adeus do dia

Os sonhos não têm cor
Os homens não têm asas
As auroras escondem as estrelas
As mulheres não sabem amar, só são amadas...

Sobem-me abismos á alma
Nesta floresta de palavras cravo um punhal
Ontem por ontem na angustia pedi que me abandonasse o mal
Dos céus desceu um terrível e duro sinal

Pintei uma mulher fresca para servir a noite e toldar o sonho
A tela saiu uma desgraça de paranoicas cores
Uma rosa, uma mão no peito com um cravo cravado
É assim uma comédia de desenganos de falsos amores

Não encontro um lugar na palavra para o confiar
Neste poema duro e rude calei o coração
Fiz-me ao Mar neste denso e húmido nevoeiro
E lancei a âncora nas...CORRENTES DE UMA PAIXÃO...

quarta-feira, 22 de abril de 2015

O CÉU ESTÁ CHEIO DE ANJOS


Ocultamos as alegrias na memória do que já fomos
Suavemente na sombra obscura, breve e pura
Caminhamos por dentro na viagem do improvável
E acordamos todos os dias no amanhã devagar com o cheiro da loucura

Falamos atormentadas palavras
Para além do alcance de todos os horizontes
E somos pequenos no silêncio absoluto
Bifurcando a alma na procura de sete fontes

Serei pois guerreiro vencido pela utopia
Desmontando a misteriosofia da noite sombria
É tão difícil acordar num vazio tão profundo
Na paisagem mítica dos milhafres aprisionada á maresia

Uma caricia serena de amor separa-nos da solidão
Pobre poeta sem o conhecimento da espera
Com um sorriso disfarçado de inquietude ou revolta
Pobre rimador que te perdeste nos labirintos da paixão em santa guerra

Pobre homem, criminoso apenas por amar
Com a vontade inexplicável de no perdão abraçar
Por maldições o meu corpo é árvore de esperança
Por contradições serei pássaro sem penas para voar

Deixai-me criar lendas, epitáfios e sonhos imensos
Deixai-me construir uma casa entre montanhas e ventanias
Sou poeta, pedaço de pão, fogo, fome, luz, farol para o vale das palavras
Deixai-me construir um ruído mudo de silêncio na estação das calmarias

Uma criança nova exige um nome
Esta ilha, terra fechando-se em volta de tudo
Este esperar pela ferida que a tua lança guarda
Este crescer como quem devora as raias do absurdo

Esta inventada chuva violando o pensamento
Este meu corpo de sombra recolhendo teu corpo de Sol
Esta terra palpitante aos bocados despertos
Este rumo sem Sol a prumo por mares incertos

Meu Deus, Azna, no meio dos risos surgem os punhais
Esta manhã de Sol na minha viagem da solidão ao som de banjos
Olhei para um celeste de esplêndido azul
E vi...UM CÉU CHEIO DE ANJOS

quarta-feira, 15 de abril de 2015

PARA QUE OUÇAS




Teu corpo, rumor de ondas quebrando
Manhãs aprisionadas a tempestades
“Este mistério que é o amor”
Este degredo, esta ilha, sete cidades

Este teu coração de verão
Alma de feiticeira Lua
Brilham constelações nos teus olhos
Morada de uma saudade minha, tua...

Uma onda sem espuma
Árvore, fruto do pecado
Despedaça-me! Submerge a luz deste destino fatal
Uma reza pranteada num chão molhado

Para que sintas, acredites...
As minhas palavras, penas de andorinha do Mar
Promessas, rasto das gaivotas no areal
Vai trepando a dor como hera, por te amar

Antes de ti ninguém povoou esta solidão
Apenas furacões de sonhos aprisionados ao coração
Uma boca de pranto e sangue
Não me abandones, companheira solidão

Lembro-me da viagem por outros Outonos
Em cima de um palco já fiz o amor falar com o ódio
Já encontrei horizontes no meio da encruzilhada
Sei que há sempre um novo dia no encontro de um desencantado

Fala imenso o olhar de um sobrevivente
Ao som dos passos da realidade abandonei a descrença
Terei que provar ao Mundo a minha razão de ser?!
Não dormirei no naufrágio nem nos braços da falsa aliança

Um sonho quebrado trouxe-me ecos de dor
Seguirei os pássaros na rota do Sol
Achei que era possível ser corpo eternamente abraçado
Escutei nas ondas batendo o lamento de um fado

Ergues, morder a palavra, matar o querer
Dar passos em volta da alma, acender uma vela em promessas
Este poema não voará no sentimento vã
Não o deves ler, é apenas...PARA QUE OUÇAS

sábado, 11 de abril de 2015

E DE REPENTE O MAR




Quando aqui cheguei
O vento rondava as tristes janelas
Lembro as noites mais antigas
Lembro luzeiros e olhos, almas amigas


De folheta construí barcos pintados de verde
Foram longe e demoradas as estradas destas vidas
Gosto do silêncio da sombra das chaminés
Apetece subir por aí em ondas perdidas

Ainda tenho sonhos de Navios partindo
Gostava de ver um pássaro falando com Deus
Quando nasce no coração de um homem livre uma sombra
Num caminhante sem o rumo do vir embora

Tenho frio escorrendo das minhas tontas ilusões
Um novo dia vindo ao encontro dos desencantados
Este som mudo batendo a todas as portas fechadas
Esta merda de vida de almas mal amadas

Conheci um lugar onde as mulheres congeminam o feitiço
Gostava de descobrir a luz dos caminhos descansar sobre a terra
Gostava de apagar as luzes atormentadas
Morrer e ir para o sitio das sortes penadas

Não é grande coisa este poema orvalhado
Foi o que saiu deste poeta da longa e feiticeira noite
Hoje foi miserável dia de alguns já mortos
Hoje voltei a ser o rei das poucas sortes

Haja saúde, as gaivotas rumaram para nenhures
A Lua desprendeu-se do céu
Sei lá quem são as porcarias que dizem ser gente boa
Eu até ando certinho e não á toa

É o que dá beber o amargo das palavras infelizes
Hoje é hoje e espero que fuja o amanhã
Espero que ardam os corações falsos e pardos
Que algum dia este meu sentir não seja sentido vã

E acabemos esta tormenta de letras
Foram algumas dezenas de tretas
E porque já lá vai o dia das petas de assombrar
Saí do rumo...E DE REPENTE O MAR

terça-feira, 7 de abril de 2015

PARA LÁ DA PEQUINÊS...


Sonho que sou um cavaleiro andante
Por Mares e noite escura
Paladino do amor, força anelante
Mas, não tenho Palácio da aventura

Talvez nem seja tão louco como Antero
Ou serei?!
Talvez saiba mais dos caminhos da vida
Talvez também me zangue com Deus de quando em vez

Serei algo ou alguém que não admite o insulto
Esta pedra rolada também tem alma
Serei Deus também porque faço parte Dele
E sei que é assim por ser tão intensa esta chama

Pedi aos Arquétipos me iluminassem o coração
Pedi a S. Miguel, Gabriel e Ariel o sorriso dos Anjos
Pedi ao Universo uma estrela como minha
Pedi em sorte uma boa nova que se avizinha

Deixem lá estar as preces deste poeta rezador
Sabem? Há estúpidos que vomitam o amor
Deixem lá estar este escriba de poesias endrominadas
Sabem?! Há sempre veneno nas bocas das mal amadas

E há Milhafres vestidos de carmesim
Há uma esplêndida manhã que espera por mim
E contudo a descrença é licor amargo e triste
Há uma gloriosa história sem ter fim

Comédia de enganos
Filme a preto e branco, fotograma verdade, fotograma mentira
Nesta fita ninguém morre
Neste mar revolto não há quem te acode

Relógio que perdeu o sentido
Ausente das horas, descompassado sentir
São eternamente sete horas e sete esperas
Alma confusa de tontas quimeras

Foi confuso este poema da treta
Foi escrito em português e não genovês
E porque a loucura ás vezes se serve em boca impura e suja
Num fosso... PARA LÁ DA PEQUINÊS...

quinta-feira, 2 de abril de 2015

O MAR DEBAIXO DOS TEUS OLHOS


Tinhas um coração tão quente
A minha voz foi luz suficiente
Corpo solene da esplêndida paixão
Serei no teu amor o primeiro habitante

A minha palavra parece tão inatingível
Amanhã saberei se a vida ainda me quer
Vou procurar raízes nas pedras de uma oração
Em silêncio principalmente te irei ver

São curtos os poentes do Inverno da ilha
São longos os dias senti, sem ti ficam as sombras
Em certos dias a costa é fronteira intransponível
Já só restam deste tempo de solidão as folhas já mortas

Tenho saudade da minha nua rua
Das casas pintadas a cal para afugentar o mal
Das pessoas de sorriso franco á janela
De sentir que antes de um milagre tive sempre um sinal

Hoje vi um Milhafre poisado numa nuvem
Vi um Anjo ajeitar as asas perto de mim
Vi um barco navegar abraçado a uma baleia
Vi o sorriso de uma irónica Lua cheia

As coisas que um louco vê
Também vi a tranquilidade de uma montanha azul
Um Céu com a Cassiopeia a dançar com a Ursa Maior
Vi também um Homem Pássaro a perguntar pela estrela do sul

As coisas que um Poeta escreve
Descalço a saltitar na lava arrefecida
Sem Ti, sem o teu amor
Sou uma insignificante alma perdida

Este é o tempo dos sonhos coloridos
Estonteante e contaminador é este querer
Desenhei palavras para te dizer baixinho num céu crepuscular
Onde te encontrarei para te provar o amar

Nesta longa e demorada estrada
Fui colhendo esperanças aos molhos
Adormeci numa praia de terna areia
Com o Mar debaixo dos teus olhos...