
Venho de um País encantado
Só com uma casa e sete flores onde tudo pode acontecer
Trago as mãos vazias embrulhadas de silêncio
Dou uma flor das sete a quem me ensinar o viver
Venho de um tempo
De árduos amanhãs
De laço e chapéu de coco
Coração triste no estômago um soco
Passou o natal
Passei só e como tal
Tive a companhia dos deuses
Únicos que não me levam a mal
Tive de prenda um saco de vento
Uma dor que decidiu voltar a doer
Tive um tostão perdido em bolso roto
Adormeci e sonhei que estava morto
Acordei por volta de uma perdida hora da manhã
Saí de casa sem rumo nem norte
Fui com os olhos cuidar do azul do mar
Este louco sem eira nem beira, sem sorte
Fui parar a uma praia estranha
Levou-me a noite em seus braços
A lua sorriu zombeteira
Uma gaivota desperta riscou no céu sete traços
Uma luz tomou de assalto seu rasto
Uma frase surgiu como por encanto
Um anjo segurou a irreverencia das letras
“Amor é um monte de tretas”
Não é nada!
Nem precisa da varinha de uma Fada
Eu apenas deixei de acreditar
Que alguém saiba como eu amar
Andei por ali às voltas
Aprisionei todas as horas mortas
O Mar chorava viúvo das ondas da maré cheia
Senti na alma o suspiro de uma baleia
Mirei-me numa poça de sal
Olhei e de espanto perdi o falar
Eras tu a sorrir-me no espelho de água
Vestida de...ESTRELA DO MAR...















































