sexta-feira, 22 de abril de 2016

O VALE DOS ANJOS


Já vivi
Onde a palavra amor é interdita e afagada
Já sonhei
Sem gestos, uma sinfonia muda

Sonho contigo, em mim
Atravessando o coração
Já percorri um vento grave sabendo a silêncio
Já li a tua sina na palma da minha mão

Sabes?!
Amar-te-ei até nascerem rugas nas montanhas
Até à voz cansada
Até que este mundo não seja nada

Sabes?!
Tenho um prato tiritante de beijos
Uma rosa, uma mão apontando ao teu coração
Tem tanto, tão pouco este pobre louco...

Tenho-te mesmo que não queiras
“O amor fica, mesmo quando adormecem as hortênsias”
Como anjo transparente, sente
Como se o mundo coubesse na minha inventada cidade

Talvez seja um pássaro que não morre
Voo e o meu corpo é terra
Partindo de verdade
Para o sitio da tua espera

Não tenho palavras que te expliquem
Como componho a solidão
Tenho apenas um cálice que embebeda o poeta
“Tenho apenas uma ilha no lugar de coração”

Tenho um mar nos caracóis do teu cabelo
Tenho um céu de fogo com nuvens de novelo
Tenho cá dentro uma frase que reverbera
Tenho uma fé que não é quimera

Subo a encosta que devolve a esperança
Espalho ao vento todos os meus sonhos
Espero que um deles te toque em amor
Nesta ilha, neste...VALE DOS ANJOS

sexta-feira, 15 de abril de 2016

A PAIXÃO DE UM PROSCRITO


Olhei a noite, olhei para o céu
As estrelas nunca se ausentam
Olhei para o dia na chegada da aurora
Sonhei que estavas comigo, não foste embora

Pensei dar um nome às árvores do meu jardim
Este querer que absorve o tempo palpitante
A tua voz nunca se apaga no meu corpo
O teu sorriso ficou tatuado em breve instante

Baloiçam meus sonhos
Brilham afogados pela água irritada
Este coração de homem embriagado
As palavras que flamejam no quase nada

A vida é uma bebida com sal
Sem sol, é uma carta
Na mão de um santo moldado em pedra negra
Escavada na loucura

Mas, tudo renasce afinal
O amor? Talvez
E só porque as montanhas se desfazem devagar
Há um surdo grito, poeta no eterno caminhar

Hoje decidi pintar a dor
Em brancos brilhantes
Hoje decidi libertar um sonho
Pedir-te para me amares em mil instantes

Hoje decidi procurar respostas
Sem conhecer as perguntas
Hoje não quero rezas nem hossanas
Quero abrir em mim todas as portas

Sei que vou encontrar na manhã inevitável
Sombras, montanhas irritadas
Sei que vou encontrar a sina distante
Sei que me amarás de alma confiante

Porque sei tudo isso?!
Talvez apenas porque sinto e existo
Um homem erra e chora, reza, ama
Mesmo que seja...A PAIXÃO DE UM PROSCRITO...

sexta-feira, 8 de abril de 2016

QUANDO A ÁRVORES SE ABRAÇAM


Hoje apetece-me escrever
Sobre seres normais
Hoje resolvi cobrir o universo de cores
À espera do inadiável sem tristeza, dores

Talvez seja apenas um vagabundo solitário
Talvez um anjo triste
Talvez seja o escárnio da ilusão
Um pobre palhaço com uma lágrima no coração

Com o rosto perplexo fixando as nuvens
Desenhando pássaros do mar
Dançando com golfinhos em terra
Esperando que Deus me ensine amar

Este aroma de flor sem futuro
Esta ilha soçobrando com o mar em volta
Quando as hortências trazem lembranças solenes
De ti minha terna e doce sinfonia

Faço anos amanhã
Mais o bando de pássaros loucos do meu jardim
Faço amor em cada palavra que escrevo com paixão
Não liguem, hoje ao poeta, está mal do coração

Gostava de adormecer
Sem esperar por outros amanheceres
Estou tão cansado destes tempos loucos
Perdi-me nesta contradição de sentires

Sopram os ventos de melancolia
Já me sentei à noite num jardim
Cantando à lua prateada
Já rasguei meus versos, já riram de mim

Já choraram nas minhas palavras
Aplaudiram as minhas derrotas
Já construi a sorte em pequenos nadas
Atirei ao mar as esperanças já mortas

Já fui tanto, tão pouco
Já me chamaram poeta tonto e louco
Já morri e renasci com os anos que passam
Este homem que chora...QUANDO A ÁRVORES SE ABRAÇAM

sexta-feira, 1 de abril de 2016

SONETO DE AMOR


Talvez seja a consciência do amanhecer
Uma barca a navegar pelo coração da ilha
O desejo surdo de um vagabundo
Uma luz que se acende no passear da vida
Um canto sob a luz dos holofotes
Um palhaço poeta disfarçado nos espelhos
Rabiscando num papel adormecido
As ondas dos teus cabelos

Oiço a música forjada e quente
Do sol e do mar
Enquanto construo na areia um castelo
Onde te possa celebrar no amar

Contenho esta alma inquieta
Na procura de um porto seguro
Sinto correndo o suor de um sonho
Percorro na tua procura um caminho embriagado

Esta não é uma carta, um postal, um diário
Será o sentir algures no despertar da sombra cativa
É assim que construo a casa colorida
É assim que recolho o destino nos braços do dia

Insano é o tempo que me fala de um mar revolto
És Mulher, vem sem violentares palavras
E sabes:
É possível dilacerar as nuvens escuras das fronteiras

É possível:
Fazer sorrir as estátuas
Voar com anjos azuis
Amar-te afastando todas as mágoas

É possível:
Olhar para o rosto das árvores
Voar nos olhos de uma gaivota
Abrir no teu coração uma nova porta

É possível:
Varrer do coração toda a dor
Por isso te ofereço
Este... SONETO DE AMOR...

sexta-feira, 25 de março de 2016

COMO CHEGASTE À MINHA ALMA


Tu apareceste, a noite encheu-se
Plena mulher, lua ardente
Percorro o teu pequeno infinito
Nesta viagem de coração sedento

Vivi numa guerra de palavras
Senti a dor no rasgar de todas as madrugadas
Cantei canções de estranha melodia
Transformei raivas em esperanças

Levo o querer à voz cansada
Numa carícia sem sede
Vou pensando no céu e no mar sem Deus
Vou tremendo escrever o poema depois

E escrevo para ti
Na fronteira perdida da noite
Invento golfinhos de chapéu de coco sorridentes
Gaivotas azuis invisíveis

Com os olhos presos ao sonho
Os tumultos e a dor não estão comigo
Este meu espírito alucinado sugere-me
Que és pássaro, terra, lava ardente

No centro do meu sentir
Beberei o mar
Alimentarei a tempestade
Voarei para te amar

Vou rasgar velas
Abrir à luz todas as janelas
Vou ser aprendiz de feiticeiro
Fazer-te um doce sortilégio

Vou esmagar estes dias insulares
Encher a mesa de pão e vinho
Vou rezar ao ouvido de Deus
Para que te ponha no meu caminho

Sabes?!
Tudo o que se move e pode sentir
Às vezes acende no peito uma rubra chama
Tal...COMO CHEGASTE À MINHA ALMA...

sexta-feira, 18 de março de 2016

ONDE SE ACONCHEGAM AS MARESIAS


Despontou a manhã
Escuto nos teus cabelos as ondas do mar
Fui abraçado por Deus
Senti Sua Mão, senti-me divindade, despertei o amar

Sim, é possível
Escutar as ondas a bater no teu coração
Onde houver uma pedra
Pintarei uma árvore, uma emoção

Sabes?!
Inventei uma metáfora
Uma forma de na verdade me encontrares:
“Ser é existir apenas em amar-te e em tu me amares”

Vesti um fato de pássaro
Mordi o tempo inesperado
Debaixo de um sol de sangue
Apaguei a luz clara do pecado

Lavrei sonhos, enganei o tempo
Apanhei diamantes ao alvorecer
E como se uma estranha alucinação me ensombrasse
Hipnotizei as palavras de um breve história só para te ver

Fosse porque fosse
Senti-te sempre tão além
Na voraz caminhada da lua e do sol
Quis ser sempre tanto, alguém

No vazio de um punho cerrado
Um grão de areia
Sei, que uma destas manhãs
Uma luz se vai acender nesta alma linda

Por maldição
Meu corpo é, fogo, fome, sinfonia
Por contradição
É atraído para o teu em sublime paixão

E grito uma muda oração
Mergulho nas palavras mudas que me envias
Este ser que caminha nas pedras da ilha
...ONDE SE ACONCHEGAM AS MARESIAS

sexta-feira, 11 de março de 2016

ANJO DE ÁGUA


- Onde vais? – perguntou a minha alma
sozinha num canto
- Vou onde me apetecer – disse o meu coração teimoso
- Tenho paixões para gastar, encontrar quem saiba amar

Noutros tempos diria:
Há sempre luz no início do gesto
Avançando nas valas frágeis
Após uma luta rápida com um doloroso momento

Enquanto o pensamento comia todas as distâncias
E Deus dava os braços à luz do dia
Inventei lutas, dourei sentimentos
Plantei filhos, cortei árvores, engoli a nostalgia

Deixem-me aqui...
Com presépios nos dedos
Deixem-me aqui sereno e pleno
Com dores, sem medos

Ouçam comigo esta voz da verde ilha
Este grito de ave que vem de dentro de mim
Como se fosse a última vez
Não impeçam esta correria louca de razão pouca

Deixem-me, aqui sonhar, só
Neste lago de água mansas e flores eternas
Compondo esta solidão, este silêncio, mil vezes silêncio
Na espera de um rosto, inventando o poema

Quero ir, para longe da minha distância
Comigo dentro de mim
Com uma grossa algema de palavras nos braços
Quero sentir que amar só tem principio, nunca fim

Já chorei numa muda sinfonia
Já senti que por amor morria
Já me vesti de nostalgia
Já mordi pedras e rezei ao fim do dia

Serão os nomes apenas diagramas de esperança
Saio dentro de mim e piso os falsos beijos
Nos gemidos dos sonho, pensando novas metáforas
Bato a todas as portas com a poesia nos olhos

Tudo isto, todas estas palavras
Apenas porque no céu deste dia pardacento
Vi uma forma nas nuvens que me afugentou a mágoa
Não sei se eras tu, ou um... ANJO DE ÁGUA...

sexta-feira, 4 de março de 2016

FLOR ETERNA


Montei um choro e uma dor
Como uma peça de teatro
Lambi a emoção e engoli a tristeza num trago
Tenho de aprender a não me morder, perder

As palavras são mãos voando
O abraço sincero preso ao coração intato
Soerguendo-se dentro de mim
Um querer imenso, infinito

Levanto-me
Com o vento, as vozes, as cores
Imaginando o intemporal
Sem estátuas, casas, cidades

A minha viagem
Nunca será aventura do homem comum
Este vento incansável, corpo despojado de vestes
Este Deus cansado das minhas preces

Desencontrei-me entre os homens
Sentei-me numa pedra do mar
Falei comigo próprio como fazem os loucos
E pensei: “ser verdadeira loucura, tão perdidamente te amar”

Não há lugar para a reinvenção das sombras
Tudo seria mais simples no dardejar das ânsias
Se virasses as costas ao tempo
Se o teu coração se inundasse em deslumbramento

Os amores loucos
São feitos de pequenos nadas
Um encontro casual
A vertigem, um poema escrito em tinta e pena

Quisera poder
Fazer o tempo desaparecer na minha mão
Reacender esta chama que brilha devagar
Oferecer-te o ramo de orquídeas misteriosas da minha solidão

Queria-te no sitio
Onde se aconchegam maresias aos mantos de hortênsias
Celebro-te com amor e sem dor ou pena
Porque na minha alma és...Flor Eterna...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A LUCIDEZ DOS ESPELHOS


Uma luz azul
Pinta de saudade o verde da ilha
Desenhando sonhos interrompidos
Vi-te no passar, no sorrir do despontar do dia

Pousei solenemente os olhos em ti
Este dia no encontro dos desencontrados
Todos os dias provo ao mundo a minha razão de ser
Todos os dias cerro os olhos para com a alma te ver

Pois é
Já dei tantos passos à volta da alma
Já ensaiei mil palavras para te dizer
Já percorri mil caminhos só para te ver

Sabes?!
É possível construir uma casa, habitar o tempo, sorrir
Seguir os pássaros na rota do sol
Ficar sem desenhar o partir

Vem, imagina-te no centro da verdade
Trás o perfume de outras eras
Dos dias felizes em que fomos tanto
Quebra esta pedra do cais das 7 esperas

Vem, cobre-te de nevoas e de flores
Veste-te de céu azul e verdes prados
E sorri, no silêncio possível do reencontro
Deixa-te cair nua e leve num retrato mágico, breve

Mas vem, anjo das transparências
Deixa que o vento componha teus caracóis
Vem, trás o murmúrio da noite no encontro da madrugada
Trás um abraço, mais nada

Vem sem perguntares pelo amanhã
Sem julgares os dias escuros
Vem apenas, como espuma inquieta do mar
Vem apenas sentir, amar

Diz-me coisas sobre as árvores
Vem sem nunca mais afastares o sonho dos olhos
Vem, para te poder falar deste poeta sincero
Que se retrata na...Lucidez dos Espelhos

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

MENINA DOS CARACÓIS


Sol brilhante
Um milagre
Uma poesia imaculada
Apenas a verdade

Em ti destruí barracas inseguras
Em ti admirei palácios
Em ti encontrei paz nesta minha inquieta alma
Confiei na ternura dos teus abraços

Caminho entre a frieza dos homens
Em mim um choro que não se ouve
Não me perguntem porque amo
Porque em cada oração o teu nome chamo

Não tenho muito lugar
Visto uma camisa maldita de esperanças
Venham comigo e entendam-me
“O amor tem sobre si mil lanças”

Pois é Menina do Mar
Talvez seja madeira crua por pintar
Rasga a tua revolta, entende a palavra
Ama, como o Sal do mar, como o sol ao chegar...

...À terra
As tuas mãos plantando vidas na varanda
Quantas são as noites sem lua
Quantas vezes cruzei a tua rua

Sabes...?!
Fundi-me com o orvalho das manhãs
E descobri nas palavras que explorei no silêncio
A explicação das coisas

Descobri que o amor pode ser eterno
Que o perdão sentido não é palavra vã
Que ser homem, é cair, errar, levantar
Que o teu nome faz parte do verbo amar

Na esperança
Tudo é o fim do principio
Não discuto, Deus fez a terra
E este amor que a minha alma encerra

Fez de mim este homem
Que pediu um milagre, apenas um
Que inventa a vida, um mundo de sete Sóis

Onde habitas... Menina dos Caracóis...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

AMOR, RENÚNCIA


Quando sinto a ânsia de te conhecer ilha
Na solidão do crepúsculo
Verticalmente duradoura será a viagem
Pelos teus olhos em doce miragem

A chama das palavras
Um poeta sorri à alegria
Abraça a dor
Pinta de mil cores a vida, amor

A sede que se sente
Quando a ilha nos aperta o coração
No espaço provável do verde do tempo
Só quis, só quero contigo um terno momento

“Para te dizer o que por palavras não consigo”
O peso do acontecimento inadiável
Um instante de água fresca violando o pensamento
Só quis no abraço enganar o tempo

Só quero
Esgotar nos teus lábios a poesia infinita do beijo
Soltar as palavras imensas por anunciar
Esmagar os medos do silêncio

Será nosso o murmúrio surdo das hortênsias
No sereno que beija a terra
Seremos a consciência no amanhecer do mar brincando
Serei o teu herói em santa guerra

Só quero
Um barco a navegar pelas ruas da cidade
Receber-te na biblioteca do terno pensamento
Oferecer-te uma estrela do mar, para iluminar o amar

Um mar calmo
Um cântico azul
Uma gaivota branca
Uma aragem doce procurando-te a sul

Nem tudo o que faço pode estar errado
Quando transborda de mim esta imensa paixão
Sinto-te na distancia sempre mais perto
Este poeta nem sempre acerta o ritmo do coração


Não vale abrasar os contornos do destino
Escrevi este poema com a chama da palavra que anuncia
No percorrer o voo deste dia
Pensei que estão tão perto...AMOR, RENÚNCIA...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

A LUZ DO ANOITECER


Este mar onde nasci
Embrulhado numa alga
Brinquei com búzios quietos
Nadei com peixes de feliz alma

Acordei numa praia morena
Com a pele cintilante da luz de escamas azuis
Trazia o perfume da maresia
Respirei esperanças no nascer de um estranho dia

Soltei um calado suspiro
Fui empurrado por um vento marinho
Ouvi risos trocistas de sereias e ninfas
Olharam-me com pena aves de canto lento

Nesta insuportável sede pela vida
Toquei o amor divino e o profano
Senti reproduzida dentro de mim a terra verde
Abracei gente a verdade e o engano

E encontrei o amor...
Acendi a luz das palavras
Julguei ser esta uma vida encantada
“Amar às vezes não quer dizer nada”

Ou quer dizer tudo?
Estar contigo é deslizar na suavidade de um rio
É contemplar a vida de uma rosa breve
É Sentir o coração envolto em terna tempestade

Vale a pena ser agradecido
Louvar o amor
Vale a pena sair de mar para amar
Nem sempre são fáceis os caminhos do chegar

Entreguei a uma gaivota repentina
Levou consigo penas e dores
Este é o tempo exato do sentir da verdade
Este é o tempo de construir uma alva cidade

Lavrei estes versos cerimoniosos
Fechei os olhos para te poder ver
Abri a alma ao deslumbramento
Segui o teu olhar na...LUZ DO ANOITECER

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

INDEFINIDAMENTE


É noite e sinto
Um olhar doce
Preenchendo um vácuo descontente
Onde a voz arde

Quanto mais penso no amor
Mais absurdo acho a vida
Colhi uma rosa coberta de manhãs
Cerrei os lábios, não saíram palavras vãs

Sabem?!
Sou um poeta razoavelmente equilibrado
Tenho demasiadas fotografias tuas
Tenho uma dor gravada nas pedras da rua

Sou apenas um homem
Que decidiu ser desmedidamente feliz
Há coisas que têm de ser ditas
Sobre mim, tantas palavras malditas

“O meu Sol voltará a brilhar”
És o meu tesouro, a minha prece
E quem achou ser eu um ser bisonho
Transformou-nos na Bela e no Monstro

As planícies do passado
Estes olhos misteriosos, altivos
Aprisionei teu riso e lágrimas
Neste coração nunca existiram sombras

Serás pois o meu tesouro
A minha prece
A descoberta da luz dos caminhos
O canto de um pássaro que não se esquece

Embriaguei-me na música dos teus gestos
Nas ramagens algures absurdas de sombras
Cobri-me num cobertor de folhas verdes
E fui parar à baia de todos os medos

Contei luzes atormentadas
Do céu um raio de luz atingiu-me como presente
Sou ser que te tenho na alma
INDEFINIDAMENTE...

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

SETE VIDAS DE MULHER


É no estio que as palavras ferem o coração
Lençóis de linho, mãos procurando
Escondi um punhado de versos para te cativar
Inventei uma mulher que espantosamente sabe amar

Engraçadinho...!
A liberdade é um bicho
Uma mulher é um bicho
Uma maçã não é um melão

Atoleimado...!
Mais valia ficares calado, dirão algumas
Depois de ler este poema virão milhões de risos
Misturados de sarcasmo, água e raízes

O poeta endoidou, estão felizes?
Escondam a cauda entre seus medos
Devorem o frio à dentada
Porque hoje isto não quer dizer quase nada

Ou quer...!?
Um homem não deve meter colher em mulher
Qualquer, circunscrita do amor
Há quem arranje uma e, seja o que Deus quiser

Pronto!
Foi um momento de humor rasca
Conversa remoída na tasca
Coleira e corrente, basta!

Eu hoje até senti vontade de escrever
Um poema magnifico
Tive vontade de procurar um abraço perdido
Vontade de te dizer amor, fazer contigo

De suspender as flores todas no céu
Desenhar uma nuvem de gaivotas
Meter na tua lembrança um sorriso breve
Abrir na minha alma para ti todas as portas

Estão a ver?!
O poeta já não troca o passo
Isto foi atirar letras e seja o que Deus quiser
Não falei de gatas, apenas das... SETE VIDAS DE MULHER

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A RAIVA DO MAR


O amor
O meu amor brota
Acima das pragas e das maldições
Guardo soluços e ninhos e uma pena já morta

E vou vendo
Bebendo em fontes onde já bebi
Com pássaros e flores de porcelana
Pinto o rubro de uma acesa chama

Uma rua negra e enorme
Um sonho longo, vazio
Uma mulher tonta lembrando os maios de maio
Um barco subindo um seco rio

E rio
Com lágrimas a contradizer
Entre tantos olhos e sorrisos
Que fazer para te ter?

Cadeiras ensanguentadas de suor
Um bar escuro de gente triste
As pupilas secas, garganta ardente
E um poeta pateta de ar contente

Por isso rio
De mim...
De pensamentos toscos por pintar
Já agora traço um barco para navegar

De papel
Quantos corações tem uma mulher?
Quantos sorrisos são precisos num engate?
Às vezes pega, outras acontece uma treta qualquer

Hoje o poeta não diz coisa com coisa
São assim os homens nos silêncios apunhalados
Nem maçãs maduras nem palavras
Corram com o feitiço, afoguem as mágoas

Com vinho penas e compaixão
Não acordemos os pássaros que habitam a noite
São válidas todas as propostas para voar
Onde a felicidade irreconhecível possa morar

Não perguntem a Deus por mim
Deixem os Anjos na ilha voar
Se quiserem encontrar o poeta
Procurem na...RAIVA DO MAR...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O PODER DA ÁGUA


Estou cansado deste inverno e do vento
Da fúria da espera
Deste imenso e rebelde sentir
Do amor, da verdade nele descobrir

Tenho as mãos presas ao coração intacto
Aguardo o regresso da presença de um nome
Como as ondas criadas no interior do mar
Como sal que unge o verdadeiro amar

Concebo futuros com um gesto
Enquanto espero o amadurecimento da distância
Imaginando o intemporal
Numa luta imensa entre o bem e o mal

Trago um nome
Soerguendo-se dentro de mim
Virão assim longos sóis e longos dias
E o eco dele reverbera sem fim

Quem sou...?
Quem és doce e encantado perfume
Apaixonante feitiço
Paixão em rubro lume

Sou ilha perdida dentro de outra ilha
Filho de um Deus que nos torna pequenos
Talvez sejas a fonte da minha saciação
Talvez esteja aprisionado este pobre coração

Esta minha insaciável sede para um regresso
Porque me perdi
Entre a frieza dos homens
Alimentei a alma de Ti

Um choro sem angustia que se esconde
Não me perguntem porque amo, ainda
As flores não morrem no sitio onde venho
Mil vezes silêncio, o poema é sobre uma alma linda

Não quero que o teu rosto viaje
Para longe da minha presença
Não quero que o vento agite e devolva a mágoa
Porque sei que uma lágrima tem...O PODER DA ÁGUA...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

ESTRELA DO MAR


Venho de um País encantado
Só com uma casa e sete flores onde tudo pode acontecer
Trago as mãos vazias embrulhadas de silêncio
Dou uma flor das sete a quem me ensinar o viver

Venho de um tempo
De árduos amanhãs
De laço e chapéu de coco
Coração triste no estômago um soco

Passou o natal
Passei só e como tal
Tive a companhia dos deuses
Únicos que não me levam a mal

Tive de prenda um saco de vento
Uma dor que decidiu voltar a doer
Tive um tostão perdido em bolso roto
Adormeci e sonhei que estava morto

Acordei por volta de uma perdida hora da manhã
Saí de casa sem rumo nem norte
Fui com os olhos cuidar do azul do mar
Este louco sem eira nem beira, sem sorte

Fui parar a uma praia estranha
Levou-me a noite em seus braços
A lua sorriu zombeteira
Uma gaivota desperta riscou no céu sete traços

Uma luz tomou de assalto seu rasto
Uma frase surgiu como por encanto
Um anjo segurou a irreverencia das letras
“Amor é um monte de tretas”

Não é nada!
Nem precisa da varinha de uma Fada
Eu apenas deixei de acreditar
Que alguém saiba como eu amar

Andei por ali às voltas
Aprisionei todas as horas mortas
O Mar chorava viúvo das ondas da maré cheia
Senti na alma o suspiro de uma baleia

Mirei-me numa poça de sal
Olhei e de espanto perdi o falar
Eras tu a sorrir-me no espelho de água
Vestida de...ESTRELA DO MAR...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

DOIS ANOS DE SOLIDÃO


Descobri
Que o choro é uma certeza
Não rasga horizontes
Não acalma a mágoa entre pontes

Desmontei a misteriosofia do amor
Num tempo de vazio profundo
Amar é apenas sentir
Fazer parte das cores deste mundo

Pobre poeta
Mendigo dos seus desgostos
Pobre criatura
Insignificante perdido da gente dos mil rostos

Ilha impossível
Onde o amor é pecado
Onde a maldade toma conta da razão
Morre estúpido coração!

Nunca serei um vagabundo com um cão esquivo
Num inverno com gosto amargo do vento
Nunca serei pedra jogada no esquecimento
Esta alma subirá em glorioso momento

Sei quem és
Sei que representas a doçura do sentimento
Sei o que sentes
Sei que no sonho não mentes

Sei...
Tanto, tampouco
Sei saudades
Espero que floresçam verdades

Em Ti...
Que o eco das minhas palavras
Encha um vazio surdo
Que o amor deixe de ser mudo

Começo este ano com a alma em construção
Com as calças de menino antigo
Tenho um sonho fechado na palma da mão
Resgatar o amor do teu coração

Tenho mil sonhos para plantar
Vou recolher a palavra amarga ao coração
Vou abraçar uma ilha perdida
No meio de...DOIS ANOS DE SOLIDÃO

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

POEMA PARA UMA NOITE MAIS LONGA


Esta alma persistente de alegria
Este ano
Ventos fortes e mares estranhos
Uma branda fala que te diz: “Que amor tamanho”

Percorri estes dias passeando numa parede nua
Disfarçado de inquietude e revolta
Senti dor entre a fronteira e a distância
Seguraram-me o espírito sete anjos à minha volta

Dois nunca me deixaram
Enquanto caído tocaram-me em fé
Tenho saudades tantas Mãe
Só vocês acreditam em mim, Maria, José

Segui dia a dia, passo a passo
Desenhando novos sonhos de rosto cansado
Vesti-me de pássaro de silêncio
Risquei abismos, desejei partir para o outro lado...

...Para vos ver
Para vos dizer que fui digno no viver
Para abraçar Deus
Para Adormecer neste querer

Era uma vez...
Era assim que ia começar este poema
Era uma vez um homem que amou
Que sente na alma uma monstruosa pena

Era uma vez um rapazinho
Que descobriu o Mundo numa bola de sabão
Cantou com as marés voou no grito de uma gaivota
Era uma vez um poeta de bom coração

Este homem
Nunca te mentiu vida
Nunca fez o que a maldade proclamou
Este homem apenas amou

Esta criatura foi generosa
Cuidou do amor e chamou a si toda a dor
Enfrentou espadas e tempestades
Esta criatura apenas quis dar amor

Apenas, tenho saudades
Quero adormecer no embalo de uma azul vaga
E deixar correr o tempo numa folha branca de papel
Neste...POEMA PARA UMA NOITE MAIS LONGA

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

RETRATO BREVE


Encontrei o sentido da vida nos teus olhos
Trago-te dentro de mim
Não sei como tratar a saudade
Não sei sentir sem verdade

Disseram coisas terríveis deste pintor
Transformaram a minha ternura em ira
O meu abraço em violência
Disseram tanta inverdade deste tonto poeta

Disseram-te...
Terás perguntado o porquê da maldade?!
Terás aberto a alma à contradição!
“Às vezes um inocente pede perdão”

Às vezes...
Solta-se um grito a dizer basta
Misturando a água às raízes
Para que floresça novamente das feridas o amor
Sem cicatrizes

Às vezes...
As palavras misturam-se com as cinzas da tarde
Só o vazio ocupa o teu lugar
Tenho-te no mais belo jardim da minha cidade inventada

Enquanto o tempo não dá noticia
O resto do mundo arde
Tudo se limita a construir a esperança
Já te disse, espero-te nesta minha inventada cidade

O provável da ternura
O encontro inadiável
Este acaso clamando
Uma porta abrindo

Os dedos a escrever no papel
Vasculhando a sombra, a dor da rosa
Mora dentro de mim uma criança impossível de sorrir
Sem ti, ficar, partir

No alcance de cada horizonte
O sereno que beija o verde
Deixei preso ao teu coração um segredo
A palavra amor, num...RETRATO BREVE...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

POEMA PARA UM SILÊNCIO


A verdade
Causa uma impressão verdadeira
O duradouro na nossa alma
O tocar do coração a vez primeira

Um par de pérolas
Um poema para os que compreendem
Um silêncio vindo de dentro
Um dezembro de tristeza servido

Não tenho muito lugar
Quedo-me no murmúrio surdo da ilha
No esquecimento do mar brincado
Numa lágrima de dor e alegria

É bom que se saiba
Vencida está a ferida
Tenho no coração escrito de forma inalterável
“Amo-te” Amo nas ondas que flutuam na tua cabeça, vida

Hoje
Ainda a noite tomava de assalto o dia
Soltei um mudo grito
Meu Deus, que caminhada, que loucura

Apenas com amor guardo estes soluços
Ninguém sabe e todos lembram
Que mereço a morte
Meu Deus, que caminho de eriçados espinhos, que sorte

Não se pode pintar um vazio indescritível
Este silêncio que incomoda, morde
Um punho preso à garganta
Tanta dor, tanta

Tanta incompreensão
A maldade à solta
As hortência adormecidas
Este poeta de perdidas vidas

As mãos do pintor
Compondo a solidão
Um abraço lembrado
Este...POEMA PARA UM SILÊNCIO

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A SOMA TOTAL DE CADA INSTANTE


O coração
De tudo o que se pode sentir
Não há sol que valha a solidão
Neste cais sem barco pronto a partir

A chama das palavras
O caminho das horas transparentes
Cerne impercetível do papel branco
Um acaso de amargos presentes

Estou escaldado de ternura
Por isso e pelos versos que me denunciam
Pelos longos sonhos de um menino antigo
Serei sempre a forma do amor contigo

A sede que se sente
Quando a injustiça nos aperta a alma
Um frio de abismos sem principio
Uma gaivota repentina

É pela força do poema
É pelo grito de quem não se quer vencido
É talvez pela tua distância
“É esta vontade de amar contigo”

Um silêncio que devasta o coração
Este esperar na dor da ferida
Este querer baloiçando no infinito
O acaso clamando um novo dia

É um tempo
De ventos fortes e mares estranhos
Meu Deus, deixai-me construir
Um ruído mudo de silêncio sem o coração partir

A entrega dos sentidos
Escondendo o segredo das penumbras
As palavras ditas que me chamam à realidade
A mentira cruel que afogou a verdade

A matemática da vida
Um número de cor, de teatro
Uma volta ao acaso de triste comediante
Faz se puderes...A SOMA TOTAL DE CADA INSTANTE...

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

VENUS


Sentei-me com quem teme repartir o amor
Esta manhã
Vi desprenderem-se do céu anjos magníficos
“Senti que amar com amor é sentimento vã”

Com o âmago do universo
No bater do coração
Alheado pela emoção que não absorvo
“Aprendi a suportar a palavra não”

Vou vencendo animais marinhos
Rios de crispadas águas
Vou arranjar um par de asas
Para no voo sacudir mil magoas

Já tentei sorrir às vezes
Contando aves numa alegria adormecida
Já bebi o mar numa tarde de verão
Já beijei uma mão e pedi perdão

À minha volta a luz é insuficiente
Terei que subir uma colina desta ilha desatenta
Tenho a persistência da alegria das casas pobres
Tenho alma sete razões nobres

Amo
Com verdade me visto
Sou apenas um poeta sem rima
Que não aprendeu o que a maldade ensina

Sabes?!
Os meu poema cresce sempre sozinho
Sabes?
Sou apenas um pássaro que caiu cedo do ninho

Conheço coisas vivas sem nome
Conheço o verde que me cresce das mãos
Conheço a saudade verdadeira
Conheço o amar na vez primeira

Não conheço a cor do rancor
Tampouco a palavra términos
Sonhei esta noite com uma criatura bela
Vestida de sedas e ouro tal como...Venus...

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

COMO O SILÊNCIO


Teu rosto claro de mulher
Como o pão fresco e saboroso
Nas manhãs que possuirão aquela luz de novidade
Vi o teu retrato, saudade

Trespassado pela monotonia ecoante
Acendi uma luz, novidade esperança
Este mar rasgando rochas
Esta força de amar, confiança

Aguardo certamente
A chegada da gaivota calada e serena
Aguardo certamente
O reflorir da tua paixão plena

Para em cada voo erguer
O grito do mar
O grito da paixão
O grito do amar

Contemplemos as verdades lúcidas
Sigamos em frente sem nos determos
Sorrimos com voz cansada
Como afinal não importasse mais nada

Sim falemos dos suspiros dos pássaros
Fiquemos com eles apreciando a noite
Buscando pontos cardeais no tempo
Parar em teus olhos em doce momento

Surgiram abismos, falésias, escarpas
Um punhado de enganos com sabor a invernias
Uma raiz de maldade agarrada à sombra
Habitei as planícies do mar na tua espera

Vesti-me de golfinho e nadei feliz
Travei amizade com uma baleia azul
Construí castelos de areia em ilha perdida
Voei nas asas de uma andorinha do mar a caminho do sul

Subi ao mais alto
Procurando respostas sem conhecer perguntas ao coração
Decidi abraçar vagabundos solitários e anjos triste
E deixar o amor ser amor ... Como o Silêncio...

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

PÁSSAROS INESPERADOS


E de repente as paisagens tombaram
Debaixo de uma Lua de sangue
As portas fecharam-se na casa
Irei, vou, para onde?

Talvez viajar numa onda
Com o poder das nuvens revoltas
Percorrer um oceano inteiro
Talvez encontre o teu coração no meio de 7 gaivotas

O poder do Mar
A irreverencia das marés
O poder da ilusão
A promessa de um coração

O teu
Há com certeza uma lamparina adormecida
Em cima do mármore da tua alma
Há com certeza uma inquieta chama

O ar fresco beijando as paredes
Um copo de rubros presentes
Uma boca recortada, doce
As noticias de saudades ausentes

Meu Deus!
Porque escrevo todas estas coisas
Porque insisto em plantar palavras
Porque te sinto sem ver de mãos dadas?

Semana após semana
Lavro metáforas indecifráveis
Como um sorriso breve
Coração que não esmorece

Hoje é hoje
O começo da porcaria de todos os amanhãs
Quedo-me triste com o mundo
Quisera ser rocha em mar profundo

Mas deixem para lá
Este poema não é para ler
É uma canção dos mal-amados
Deste homem no meio de...PÁSSAROS INESPERADOS...

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

NÃO CHORES POR MIM ILHA


O meu nome é Ventura
Também me chamo José
Não sei dançar
Não sei amar

Não sei orar
Nem sei uma alma acalmar
Não sei de ti
Por não saber, morri...

...Na noite
Não sei do dia
Nem do teu olhar
Nem o teu nome chamar

Não vejo mais o mar
Nem ondas de negro cabelo
Não quero o amanhecer
Se não te puder ver

Em ti
Contigo uma ultima vez
Atravessei a ilha à noite
E o mal que à minha alma fez

Não sei o que disse
Nem o que fiz de mal
Não sei amar
É verdade não sei tal

Não sei fazer contas
Não sei ficar sem sentir
Nem estar longe de ti
Fui, fiquei sempre no partir

Não sei o que pensas de mim
Nem se queres um mentiroso verdadeiro
Não sei se sabes
Nem se sabendo serei ultimo, primeiro

Não sei cantar
Não sei chorar
Não sei pedir
Não sei sorrir...

...Sem ti
Porque sei seres a maravilha
Não sei se morro no partir
NÃO CHORES POR MIM ILHA...

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

SOLISTÍCIO DE AMOR


Para se falar de uma ilha
Não há um nome único
Para se falar do sentir
Só existe o mais profundo

Algures no teu coração
Onde a palavra pode chegar
Mora uma justa contradição
Sabes do amor, medo de amar

Este mar com o beijo do céu
A maneira como morre o sol
O saborear a terra das flores azuis
Uma melodia terna em si bemol

Sabes, a ilha é um nome verde
Como sorrio às vezes
O teu nome soletro ao longo do dia
Cinco letras de encanto e nostalgia

Imperturbável não te apercebes
Que o teu espírito alucinado te sugere
Enquanto o teu coração amedrontado inventa uma fuga
Boca que diz não, coração que o amor segura

As crianças tornam os muros palácios
Tu, mulher, quatro quereres num lar
Uma mesa com aroma de pão
A palavra saudade escrita no chão

Tu viste-me chegar desorientado
Com a boca cheia de termos gastos
E cheguei, e parti
Poemas foram crescendo sozinhos para ti

Compreendi neste tempo
Que é preciso sorrir
Sei que quem parte às vezes fica
Às vezes partimos com o corpo e fica o sentir

É tão mau sermos sempre os mesmos
Por isso vou atirar ao mar toda a minha dor
E começar a pintar este mundo a meu modo
Num...SOLISTÍCIO DE AMOR...

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

DEUS ESTÁ A OLHAR POR MIM


A magia do inexistente movimento
Denunciando personagens longínquas e cruéis
As vozes por anunciar
Desenhando feições novas do amar

Com os olhos manietados no teu passar
No sopro de ventos estranhos
Ainda há um abraço
Na entrega dos sentidos

Sou assim porque nasci só no orvalho das manhãs
Mal nasci e perdi-me de ti
Gritei-te longe com a força da minha voz
Naveguei no teu rumo numa casca de noz

Digo-te coisas vibrantes em branda fala
Pela solidão que me ocupa por dentro
Um vazio triste, sem ti
Num manto de sal adormeci

Tenho um só sonho
Disfarçado de inquietude e revolta
A explicação das coisas
Voar em ti nesses teus olhos de gaivota

Aqui a terra fecha-se à minha volta
Uma voz que devasta o coração mudo
Este poema com o teu nome
Este lembrar do amor a cada segundo

São grandes os olhos de raiva
São pequenas as pessoas
É perverso o eco da palavra
Este homem que diz basta!

Tenho os lábios tortos de repetir verdades
Tenho a alma vazia de pedir esmola
Tenho as mãos sempre em construção
Tenho uma esperança profunda presa ao coração

Tenho a paixão e um saco de cores
Um amor por ti que nunca terá fim
Uma fé de um tamanho inteiro
Porque sei...DEUS ESTÁ A OLHAR POR MIM...

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

QUANDO OS ROSTOS FALAM


As palavras
Passos súbitos
Batendo ao compasso febril do coração
Uma carícia serena, uma mão

Um pássaro abrindo espaços no inverno
A mensagem inquieta de olhos ternos
Como o sereno beijando o asfalto
Como se o mundo não soubesse de tudo

Dispo-me do calor e da dúvida
Não discuto Deus nem por um momento
Deito-me na pedra e os sonhos esvoaçam
Como o silêncio num crepúsculo lento

Porque as manhãs possuirão a luz
Que iluminará o teu rosto no acordar
O teu, ilha plantada no meio de horizontes
Para em cada voo erguer o grito do mar

Talvez seja um pássaro breve
Habitando as árvores da noite
Talvez seja o amor interrompido
Talvez a espera do sentido...

...De ti
Para escrever páginas de um novo dia
Num tempo de sentimentos
Como se afinal não importasse mais nada

Talvez te pareça uma ave estranha
Rumando a norte cansada do sul
Riscando as nuvens em silêncio
Neste meu céu que pintei de azul...

...Para ti
Sigo as constelações dos teus olhos
Não olho para trás, abraço o adiante
Caminho abrindo um caminho intolerante

Cruzo os teus passos
Olho-te como quem as saudades abraçam
Sabes o amor não se inventa ou detém
Está no coração...QUANDO OS ROSTOS FALAM...

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

PROPOSTA DE ENCANTAMENTO


Uma estátua
Pétalas rubras orvalhadas
A fonte do real inimaginável belo
Foi o resto que encontrei dentro das palavras

Parti aos poucos como partem
As aves, os poetas, os vagabundos
A dúvida é se procuro a sina distante
Prisioneiro do corpo e da vida entre dois mundos

Desaparecido lá ao longe entre névoas
Num lugar entre fronteiras da dor
Onde as coisas fazem sentido
Ouvindo instantes de amor

E ela movia-se
Neste crepúsculo lento de mágoas
Como ninfa em mares indescortináveis
Trespassados pela monotonia ecoante das vagas

Mas devo pensar-te flor
Algures na entrega do tudo
Morro aos pedaços consciente
Respirando este amor mudo

As minhas mãos e as palavras
Estendem-se
Como se de outro mundo viessem
As gaivotas em terra nunca o mar esquecem

Enquanto no tempo não há noticia
Acendo a alma nas cinzas da tarde
Surge um grito surdo sussurrante
Rasgando o ar, coração que arde

Pois então será assim:
Serei o teu Sol da sombra
A memória de um pássaro feliz
A exaltação plena de um coração

Derramarei mil doces pensamentos
Como sorrisos de uma criança num momento
Vou escrever-te uma singela carta
Com uma...PROPOSTA DE ENCANTAMENTO...

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

SOL DO MAR


Dobrei este querer infatigável
Nesta ilha prostrada no centro dos horizontes
Ergo os olhos sob os céus mais infinitos
E sinto a chegada de uma gaivota nos meus sentidos

É tudo tão breve
Habitamos as pedras
Inventamos sonhos
Vislumbramos quimeras

Mas, falemos dos suspiros dos pássaros
Falemos de ti
Nas irreprimíveis asas dos anjos
Na noite primeira dos mil encantos

Falemos da leveza da tua condição de água
Falemos da vastidão das planícies do mar
Falemos do estremecer de silêncio
Do abrir de vales onde haviam muros, do amar

Sabes
Vale a pena construir esperança, afugentar o mal
Na abordagem dos ramos verdes das árvores
No amor, todos os poderes renascem afinal

Deixaste réstias de luz
No gesto sereno e demorado
Um copo de saudades ausentes
O abrir de janelas, mil presentes

Escrevo
Às vezes preciso acordar o silêncio do amor
Serei pois prisioneiro do sonho interrompido
Ou apenas um simples e mudo ator

Tal como uma rosa coberta de manhãs
Sinto-te no percorrer de todas as lembranças
Devo descobrir a luz dos caminhos
Congeminando feitiços, esperanças

Continuo insistindo que nada tem fim
No centro abissal dos desertos
Na muda voz do falar
Com a alma cheia de ti, meu...SOL DO MAR...

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

UMA MULHER UMA ILHA


Este meu espírito, este meu corpo
Amargo e estranho
Estes sulcos de saudade
Este peito derramado em inventada cidade

Trago nos meus dedos o sabor
Acariciante olhar
Barco preso ao navegar
Encontro por encontrar

Passo todos os dias rente ao amor
No regresso da presença de um nome
Há um castelo a construir-se dentro de mim
Na cicatriz da ausência, num poema sem fim

Tal como as ondas criadas no interior do mar
Tal como as mulheres transparentes
Tal como o acordar de gente sem nome
Tal como o recordar do amor em mil presentes

Mas falemos da Ilha
Falemos de ti
És flor de eterno encanto
Plantado por um deus de espanto

Falemos da mulher
Do poder da água
Falemos da força e da doçura
De ti, do amar na forma pura

Onde nasci a primeira vez
Na chegada depois de muito navegar no impreciso
Encontrei ninfas e sereias silenciosas
Este estrangeiro espírito

Mas falemos desta ilha que há em ti
Que em poesia se transforma
Gravada dentro de mim
Nesta loucura sem fim

Tal como lava derramada em meu peito
Comungando a ferocidade do tempo
É bom que saibas: não há muito porque morrer
Apenas na passagem te ver

Dentro deste corpo
Passeia um espectro de mil cores maravilha
E um sonho que nunca morre
Em ti...UMA MULHER UMA ILHA..

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O ASSENTO DA ALMA


Escuto o teu cabelo de ondas
Neste reino do silêncio preso ao encanto
O coração do poeta não para
Quebra-se num momento de dor e espanto

Este poeta viaja na rota do Sol
Viaja em ti
Com o sentir à flor da pele palpitante
Desde o principio de doce instante

É possível escutar as ondas batendo
Pelo sorriso macio dos teus cabelos
Nunca serás um símbolo, lembrança ou ritual de paixão
Serás sempre pássaro pousado em meu coração

Serás
Sol brilhante em eterno dia
Ave da noite vestida de Lua
Encontro da névoa com a flor nua

Procuro-te no silêncio do reencontro
Anjo de cabelos negros, mãos brancas e suaves
Procuro-te na luta entre o perdão e a razão
Fruto exótico das minhas miragens, contradição

Tal como pétala de rosa sem destino
Tal como bola de sabão presa à luz
Tal como a noite mansa esperando nunca se faça dia
Tal como um sorriso breve que a esperança seduz

Trago comigo um livro antigo de culpas
Outro em branco para te entregar
Tem apenas uma tímida e singela frase
“Este poeta não consegue deixar de te amar”

Na obscuridade procuro prender-te
Com estas mãos cansadas dizendo palavras mudas
Já fomos a consciência do amanhecer
Já senti saudade de olhos fechados no ver

Escrevo estas palavras com insistência
Com o ardor da tinta de rubra chama
Como um grito para soltar numa madrugada
Neste...ASSENTO DA ALMA

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O JÚBILO E A DOR


Hoje pensei
Num milhão de razões para falar com uma fada
Em cima de um palco, por artes mágicas
No coração de um homem, na voz calada

Hoje pensei
Que este era mais um dia no encontro dos desencantados
Pelos olhos do ultimo sobrevivente de uma longa caminhada
No caminho menos usado do horizonte da encruzilhada

Hoje pensei
Na melhor hipótese de começar tudo de novo
Sempre ao longe como se te pudesse convencer
Vi-te Ave com a ternura encoberta e partículas de fogo

Hoje pensei
Pensei em ti
E mal pensei
Logo te vi

Depois pensei
Se não te posso ter
Se o amor fechas ao amor
Porque continuo a te querer ver

Depois continuei a pensar
Vejam bem que aqui o poeta até pensa
O pateta fica sempre com um sorriso de mágoa
Quando se afasta de uma amada presença

Briguei com o pensamento
Que porcaria de cabeça pensante
Para estúpida desengraçada!
Querem-te no passado, no nada

Depois voltei a pensar baixinho
Será este o meu destino
Porque percorro este teimoso pensamento?
Porque não te apago nem que seja por um momento?!

Calei pois o pensamento
Afaguei o peito e ainda sinto o pulsar do amor
E escrevi esta carta de palavras tontas
Entre...O JÚBILO E A DOR...

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

É MADRUGADA E SINTO-TE


Tenho no peito a cicatriz da tua ausência
Não me perguntem porque consigo amar
Ainda tenho o sabor da luz do inicio dos teus gestos
Ainda tenho o calor de ti no sonhar

É madrugada
Longe da minha presença
Longe da tua distância
Comigo dentro de mim, esperança

Feridas que sangram
Tens a minha paixão, os meus versos
Neste poema a palavra amor
É interdita e afagada sem dor

Uma gota de vinho
Uma ilha presa a um balão colorido
Um cálice de amargo absinto
E oiçam estúpidos, no amar não minto!

Oiçam este poeta de tostão
Que já prometeu e pediu uma mão
Oiçam a palavra salgada de saliva
Não tenho muito lugar, em ti, paixão

Um retrato sem tempo
Uma promessa na calada da noite
Juras ser-me fiel?! Amar-me, respeitar-me?!
Na saúde e na doença, juras?! De mim nunca te desencontrares?!

Uma rosa
Uma mão no peito
Uma casa na rocha
Saudades do teu sorriso, da tua boca recortada, do teu jeito

Um silêncio profundo
Um rosto que se vira para o lado escuro
Não sei se ainda tenho tamanho suficiente
Para te poder abraçar, transpor esse muro

Passei o dia a escrever
Embriaguei-me de solidão
Nem sei o que quis dizer neste poema, não minto
Tudo isso porque....É MADRUGADA E SINTO-TE...

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O COLECIONADOR DE BÁTEGAS DE CHUVA


Conheço um Sol refugiado
No espelho de uma lagoa da ilha
Conheço um pássaro azul
Prisioneiro do voo sem partida

Saltei os abismos, falésias e escarpas
Apanhei um punhado de ervas com sabor amargo
Adormeci rodeado de hortênsias brancas
No recanto exato de outros ventos

No sonho
Caí por entre a bruma varrendo as penedias
Envolto em manto de cetim
Abri o caminho de todas as intolerâncias

Desenhei mapas de sombras
Com os luzeiros do céu procurei por ti
Abracei-me ao lugar onde bate um coração
Nas margens do sonho perdi a alma na paixão

Às vezes é preciso acordar o silêncio da memória
Ou esperar pelo adormecimento inadiável
Com o gesto sereno e demorado da ternura
Com o acordar do amor rompendo o improvável

Habitar o tempo a sorrir
Ficar eternamente abraçado ao sentir
Por entre os olhos gritar o chamar
Por sobre as ondas chegar sem partir

Vou dar sete passos à volta da tua alma
Sim é possível escutar teu coração ardente
Incendiar o desejo no calor do estio
Afogar a solidão na irreverência de um rio

E rio para não chorar
Canto sem saber cantar
Já amei sem me apaixonar
Já sonhei enganando o sonhar

Já me imaginei dentro de todas a viagens
Já fiz vinho apenas com um bago de uva
E como a loucura tomou conta da razão
Serei apenas...O COLECIONADOR DE BÁTEGAS DE CHUVA

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O LAVRADOR DE MARÉS


Ouvi o vento e a música
Procurando um porto na madrugada
Ouvi a chegada de um navio
Julguei sentir uma voz amada

Meu Armando, meu amor...
Uma criança jogando lama ao meio dia
Embrenhada e perdida na alma
Com rimas colorindo pálpebras de nostalgia

Esta não é a hora do espanto
Sem cânticos de manhã azul
Nem pureza, nem casas
Sem o voo dos pássaros do sul

Minhas palavras flamejam
Minha alma agita mil sonhos
Meu coração arroxa num momento sem fim
Por não saber que me queres mesmo assim

De onde ninguém regressa
Está só o amor...
Nem tudo o que faço pode estar errado
Nem tudo o dói pode nos infligir dor

Insano este tempo que faz de ti o impossível
É possível dilacerar as fronteiras do corpo
De que serve renunciar à voz do absurdo
Tal como um tugúrio na paisagem me quedo mudo

Estou preparado para todos os amanheceres
Deus fez a terra, o homem o pão
Eu construí um castelo na areia
Sou o rei da ilusão

Sou uma pedra negra do cais
Sou um arlequim de chapéu de coco
Desalegre de lágrima ao canto do olho
Com a alma imensa e o bolso roto

Sei lá o que sou...?!
Um anjo de água atirado ao convés
Um homem com saudade de ti
Um...LAVRADOR DE MARÉS

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

NUNCA É DEMASIADO TARDE


Dentro desta ilha
Não há o esquecimento
Há um Mar azul brincando
Dentro desta ilha, um só momento

No alcance do horizonte
Um caminhar firme e crente
Para além das muralhas
Deste vento sussurrante

Um acordar das mãos cansadas
A memória bifurcando as paredes de cal
Não sei se sou um delinquente da palavra
E tenho um estigma de maldade já gasta

Sinto nesta manhã
Este magnifico cheiro a sonho
Sobrevivo ao nevoeiro das manhãs eternas
Quando te vejo é como se repensasse o passo

Trezentos anos de ti no pensamento
A música forjada e quente do Sol do Mar
Embravecidos quereres perdidos
Uma baía de calmas águas, um rosto, o amar

Onde o mar às vezes despeja a sua ira
Construo castelos com areia do céu azul
Congemino um silêncio para que me oiças
E lanço a este vento morno que corre para sul

A tarde do que é tarde
Desprende-se do lugar da mão assustada
Já bebi água com sol
Já senti neste corpo de homem a luz amada

Já me esconderam do mundo
Já desconfiaram de mim
Já se riram em falsa compaixão
Já me disseram que não e sim

Pessoas...
Abandonem as armas de um chão ferido
Não faço encontros com o passado
Chega-me um abraço sem ruído

Complicado este poema
Tenho um código de maldição neste coração que arde
Já fiz um sortilégio de amor
Por pensar...NUNCA É DEMASIADO TARDE

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

GUIADO PELO TEU ESPLENDOR


Num derrepente lembrei-me
Dos teus gestos ternos e firmes
De um instante, senti-me como se fosse
Morando no espaço do teu olhar doce

Neste teu fulgor límpido
Escrevendo recusas que o coração contraria
Seja porque seja, vivemos no Mar, menina
Recolhemos na memória o que fomos, hóstia consagrada

Descobrimo-nos a ocultar as memórias
De uma vale qualquer a esconder a teimosia
Descobrimos que não se esconde o querer nem a dor
Que não há distância que mate o amor, quando é amor

Nos estios de planícies cobrindo as hortências
Na voraz caminhada dos dias
Há um lugar no meu coração onde nunca passaram pessoas
Há em mim uma janela transparente onde voas

Talvez seja um invisível habitante
Que percorre vezes sem conta a tua rua
Talvez seja apenas alguém que ama amando
Com o imenso da alma nua

Talvez...
Como se não houvesse mais fronteiras
Como se não houvesse mais sentimentos
Como se fosse possível “ser passado” por breves momentos

Tenho mãos, “dedos que falam de magias e constelações”
Mãos que tocam, não mentem
Poderei pois ser o vento incansável
Que veste a promessa sem parar, apenas por amar

“Haja o que houver”
Olha bem, escuta a tua lembrança
Há mesmo coisas que são para a vida
Não há longe nem distância

Esta não é a crónica de um náufrago perdido
Nunca estarei nos braços de sereia
Nunca estarei preso a qualquer passado
Esta vida não se serve a meia, corre imensa, cheia

Escrevi a escutar no teu cabelo as ondas
A construir sonhos, habitar o tempo a sorrir
Como não tenho bússola nem orientação
Apenas...GUIADO PELO TEU ESPLENDOR...

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

PLANÍCIE DE SONHOS


Rente aos olhos a lágrima e o sorriso
Sobre o mar um barco chamado saudade
Rente ao coração a raiva afugentando o amor
Sobre as mãos um querer de plena verdade

Rente à pele a caricia despertando o desejo
Sobre as pedras a vaga batendo, espuma inocente
Um poema em branco fugindo à palavra
Uma criança olhando o amor presente

Estou cansado da incompreensão do amor
Estou cansado deste inverno de solidão
Estou cansado das pedras e dos calendários
Estou triste por não entender teu terno coração

Tenho uma profunda cicatriz da tua ausência
Há uma cidade a construir-se dentro mim
Porque os pássaros são mãos voando na sombra do desejo
Porque trago o teu nome na medula do meu corpo

Continuo a cavalgar um tempo imenso
Sem cansaço à luz potente da pedra viva
Vou contado as sombras passar no silêncio do pensamento
E adormeço sempre em ti num doce momento

Há quem conte histórias de mim de mijar a rir
Há quem teime querer que morra no partir
Há quem se vá entesando com a minha desventura
Há abra a alma e deixe sair todos os ódios a parir

Falam-me de um tempo, só sei que não morro
“Espero apenas pelo dia em do amor nasça amor”
Fala-me uma voz perdida numa concha de ti
Diz-me que ainda brotam cores, não morri

Dizem-me as mulheres que desconheço
Que há em mim um suor com cheiro a maresia
Dizem-me os homens que me odeiam
Deixa-te de vaidades, para a vida, confia

Este foi mais um poema paranoico
Falei de pássaros e seres bisonhos
Acordei e estava contigo cheio de amor
Afinal perdi-me numa... PLANÍCIE DE SONHOS...

domingo, 16 de agosto de 2015

O PODER DO AMOR


Já vi mulheres rezando
Enquanto tributava a vida
Já vi arautos lerem o meu destino
Já fui descrente, gente, homem, menino

Por lavrar está um corpo envolto em seda
Por rasgar uma brancura propositada
Por sentir que és única e una com a minha alma
Serei apenas a ternura da voz calada

Parado na imensidão das horas
Espero uma palavra tua na construção do silêncio
Não habito um palácio ou oceano por desvendar
Só espero saber onde a felicidade irreconhecível possa morar

Gostava de erigir um lugar para a concórdia
Pintemos depressa montanhas fora do alcance dos fantasmas
Como grãos de poeira enterrados no esquecimento
Como o teu sorriso tatuado em doce momento

Comungando a veracidade da do vento norte
Há gente como eu que brota acima das pragas
É bom que se saiba que lancei as dores à sorte
E rezei a Cristo na tristeza de sete chagas

Conheço caminhos brilhantes
Vivi o imenso de felizes instantes
Contigo...
Serei milhafre ou timoneiro em rota de navegantes

Não se pode vomitar um vazio indiscritível
Tu, não estás apenas na minha alma
Habitas meu corpo todo
Roubaste a luz da minha chama

Cubro-me vacilante de medos
Perdi-te todos os dias do desencontro
E porque sou pássaro, voo e o meu corpo é terra
E há que diga que sou monstro, outros anjo em santa guerra

Deixem para lá!
Este poeta apenas quer partir da verdade sem dor
Encontrar-te em espera sincera
Porque acredita no...Poder do Amor...

terça-feira, 11 de agosto de 2015

CELEBREI-TE


Vi nascer o dia no céu da ilha
Viajei pelo espaço dos milhafres sem desenganos
Se pudesse mudar alguma coisa no Mundo
Mudava a forma como nos desencontramos

Mudava o tempo, aprisionava-te
Mudava as cores todas que tocassem o teu olhar
Pintava o amor como se fosse o mais além
Porque há estios na planície para os pés do teu chegar

Na penumbra dos quotidianos tristes
Não houve lugar para os cravos breves
Na irrequietude ecoante do Mar rasgando as rochas
Rezo para a tua vinda elevando mãos postas

Nunca serei um fugitivo perdido
Viajante, viageiro no vale de todas as lembranças
Não resistas à chegada da primavera
Nunca deixes de sentir esta árvore em eterna espera

Já sorri vertendo lágrimas
Já chorei pela incompreensão do amor
Já senti na alma um instante de água fresca
Já me perdi no teu olhar entre a raiva e a dor

Já semeei o amor para ver se brota de novo
Já percorrei os verdes e azuis descalços pela erva molhada
Ah como é transbordante o cálice parado em meu coração
Como sinto a ternura que envolve a tua mão

Na ilha, esta água girando à volta dos olhos
Não me canso da cor do mar que beija o céu
Não consigo arrancar-te da minha alma
Já rasguei do peito este negro véu

A saudade destas mãos cansadas
Se todos os dias morre o Sol ressuscitando na aurora
Entre o alento animado da noite escura
Há sempre uma vontade inabalável na tua procura

Amansarei as tempestades que povoam o teu peito
Contarei as aves de um alegria adormecida em doce instante
Na ilha de Santa Maria elevei-me em profundo instante
Fechei os olhos, abri a alma...Celebrei-te...

quarta-feira, 29 de julho de 2015

CARTA


Escrevo-te esta carta como quem me vê chegar
Pareço uma ave quando ainda é primavera
Há poemas que crescem sozinhos
Compreendi que é preciso sorrir, correr outros caminhos

Há coisas de outrora vivas sem nome
Se viesses por aqui partindo não importa donde
Vou esperar-te a qualquer hora em qualquer estação
Há milhares de sentimentos vivos neste pobre coração

Queres comungar comigo a calmaria do Mar?
Guardar com os olhos o azul do celeste
Amansar num abraço a fúria do vento
Amar com amor um sublime momento?

Recordo as fontes onde já bebi
Há tantos países por conquistar
Poemas, tantos por escrever
Eu apenas te quero sentir, ver...

E apenas vou renascendo devagar
Tocando os poros da terra rubra
Sabes, não há muito mais porque morrer
Sigo os teus passos na areia a tua delicada sombra

Conheço os caminhos brilhantes da alegria
Já percorri as ruas imaginárias da memória
Já fui barco à deriva em mar bravio
Já venci a irreverência das águas de um rio

Vou decompor a solidão
Subir uma colina desatenta da ilha contigo
Vou voar nos olhos de um milhafre
Quero ser amante, amor, amigo

Serei o ultimo habitante da tristeza
Corpo solene de paixão por decidir
Serei golfinho, baleia no canal
Na viagem vou enganar o partir

Vou sorrir como as aves numa alegria adormecia
Ancorar o meu barco numa baia azul e farta
E como sei que não me irás ler
Decidi, escrever uma...Carta...

sexta-feira, 24 de julho de 2015

COM O SORRISO DA LUA


Recebo-te por causa do amor
Pela candura do teu respirar
Recebo-te no pressentir da tua boca
Por ter encontrado um chegar

Fiz desenhos com sementes em ceara azul
Remendei minhas vestes de linho da pobreza
Vou colher um ramo beijado pelas aves
Vou olhar teus olhos de paixão certeza

Vou partir à procura do chão sonhado
Vou plantar no teu peito um filho de alegria
Vou derramar um pouco do teu infinito pelo Mar
Vou beber pelo vinho do teu seio no aconchegar

Pois, o poeta até sabe escrever amor
Será!? O pateta saberá desenhar um coração?
E mesmo que nem um amigo ou voz pousarem
Acreditem, “tenho um abraço do tamanho da emoção”

Já abri os olhos com as ramelas sorrindo
Já vi mulheres transparentes vestidas de vento
Já bebi vinho e cantei alegrias
E já disse amo em atrapalhado momento

Não me falem do tempo
“Só sei que enquanto amar não morro”
Eu sou uma ilha pequena perdida nas penas de uma gaivota
Sou assim: Espuma do Mar, água e fogo

Mas sei quem és
Há muito que te perdi dentro de mim
Encontrei um Anjo com olhar impossível
No país onde as minhas mãos cresceram e o dia não tem fim

Rainha por um dia
Fonte da minha saciação longe da minha sede
Desmontei meu choro, rasguei o guião de uma peça
Benzi-me e criei este poema e pintei-o numa rua da minha inventada cidade

Não me perguntem porque amo as gaivotas
Porque conto os passos da minha rua
Este poema é para ti
COM O SORRISO DA LUA...

quinta-feira, 23 de julho de 2015

E A SOLIDÃO


Estive comigo em Paris quando morri
Quando atirei docemente um papagaio de papel-de-seda
Estive comigo quando morri
À porta da razão que o perverso fez mentira

Já dormi no cais dos vagabundos coberto de pesadelos
Acordei com as gaivotas gritando o meu nome
Olhei-me na lucidez de um espelho de água
E lavei com sal uma profunda mágoa

Lembro os dias felizes em que fui alguma coisa mais
Por isso vida:
Abre-me as janelas que me fechaste um dia
Vem, cobre-me de névoa e hortênsias sem nostalgia

Uma vez amei um anjo
Escutei nos seus cabelos as ondas
Do Mar ouvi os aplausos de um golfinho
Do alto de uma árvore o canto alegre de um pássaro preso ao ninho

Uma vez amei uma pessoa
Mas sabem, amar nem sempre é coisa boa
Uma vez abri a alma de par em par
Mas sabem, nem sempre as pessoas entendem o amar

Gostava de habitar o reino dos silêncios
Já tive vontade de ficar eternamente abraçado
Gostava de construir uma casa, habitar o tempo e sorrir
Gostava de afogar este pranto, este fado

Pranteei as minhas canções nas madrugadas
Sim é possível escutar as ondas de um coração triste
Sim é possível começar tudo e partir
Às vezes sorrio por saber que o amor nos outros não existe

Deixem lá estar o poeta
Cuspi letras nesta tempestade louca
Deixem lá estar, tenho dores apenas
Que importa, isso é tão coisa pouca

Vagueei na noite pela ilha na procura de nada
Tive mais uma luta feroz com este estranho coração
Vi e falei com todos os anjos que encontrei
Eu...E A Solidão...

terça-feira, 14 de julho de 2015

ADEUS


Escrever um poema é como amar
Esta ilha, rapariga de verde madura
E fico aqui cuidando do azul do Mar
Fico no tempo que me prende a esta pedra fria e dura

Nasci e trouxe as cores
Com elas pintei caminhos de solidão
Nasci na calmaria de abril
Trouxe comigo a palavra, o verbo, contradições mil

Viajei num barco que navegou para longe da minha presença
Fiz uma paragem no país das flores eternas
Descansei num lugar de nome saudade
Imaginei um sitio para construir a minha inventada cidade

Sabem lá vocês o que trago dentro de mim!
Amaldiçoei muitas vezes as horas e os sonhos
Morri na procura dos poentes
Sobrevivi 7 vezes quando me lançaram amargos venenos

Sete vidas, sete paixões
Sete sortes, orações
Sete tempestades e uma contradição
E Tu, sim Tu! Para sempre presa ao meu coração

Poemas, pedras, álcool para a fogar
Um olho aberto, boca amputada
Abraços cavados na água escura
Uma procissão de gente vestida de alma dura

Pelas tardes da memória
Escutei os gemidos do sonho por encontrar
Cá por mim, o Mundo é uma moeda de lata
Cá por mim acho que o amor nem sempre é amar

Cá por mim ficava o resto da vida à tua espera
Nem que fosse sentado num ninho de pardal
Deixava que as estações me trocassem as voltas
E pintava um barco sem vela perdido no canal

Como já deu para ver, endoidei!
Tudo isto porque apanhei Sol a mais na moleira
E porque confundi virtudes e pecados meus
O melhor é acabar já este poema e dizer à pena...Adeus...

sexta-feira, 10 de julho de 2015

LEVIATÃ


Às vezes perco a razão
Espanto as madrugadas
Só a terra parece aperceber-se
Que sou mais uma das almas penadas

Por favor! Por favor...
Ponham-se de pé
Aplaudam o poeta pateta
Por ser o tonto que é

Vai roto, meio nu
Com a alma pregada a água benta
Levo chapéu de vento fraco
Um saco vazio, com Deus um contrato

Comprei três maçãs
Uma mordi sem engano
Outra tinha escrito traição
A ultima quase me parou o coração

Deixem lá o poeta armado em Adão
O mesmo que pintou o nariz de giz
Não teria graça um mundo sem loucos
Eu cá por mim lá vou endoidando aos poucos

O que seria o Mundo sem Mar
Sem o imenso das coisas que vi
O que faria se não mais te pudesse sentir
Sem um caminho que me levasse a ti

Choveram castigos sobre a minha cabeça
Faltou-me a piedade e devoção
Perdi lágrimas na escuridão da incerteza
Já segurei a ternura à palma da mão

Que esperança ainda visto?
Abandonei o Deus das igrejas
Na ilha as hortênsias usam vestidos azuis
Glorifiquei o amor e acabei sempre na companhia da dor

Deixem para lá!
Lá vou eu enfeitando os sonhos
Lá vou trocando ilusões e versos
E carregando esta bruma nos ombros

Deixem lá estar
Vou vestir-me de linho e pobreza amanhã
Para ouvir a palavra amor na tua voz
Nem que seja no meio de um... LEVIATÃ...

terça-feira, 7 de julho de 2015

LAGOA PURPURA


Era o nosso murmúrio das hortênsias
Numa barca navego nos olhos da vida
Na obscuridade de um gemido sou ilha perdida
Na consciência do amanhecer abro os olhos para não ver

Perscruto a voz calada
Amarro as mãos ao desentendimento
Não há nenhum barco pronto para partir
Neste silencio que envolve as paredes, neste cais de medos

É manhã de solidão
Sem sol na alma, sem paixão
Acendo uma candeia à oração
Transborda um cálice parado em meu coração

Não tenho rosto
Este corpo perdeu a voz
Esta ilha abafa a sombra que me ensombra
Entre mim e a saudade há apenas maldade

Nestas pedras onde moram séculos
Este mar sempre girando à volta
Este limite das montanhas separadas do céu
Tenho as mãos cansadas de saudade pelo fechar de uma porta

Conto todas as manhãs o despertar dos pássaros
À minha volta a luz foi sempre insuficiente
E no entanto esta alma persiste na alegria
Por consentir a tristeza vencida serei da terra o primeiro habitante

Nunca medi a longitude da distância
Nunca acreditei no querer sem esperança
Acredito numa mulher imensa dentro de um homem
Esqueço tudo na palavra de Deus...Amém

Todos os dias há um louco que me sorri
Nasci e fui agasalhado pelo vento
Chorei e fui abraçado pela chuva
Amei e num soluço só recordo um momento

Hoje não era dia para abraçar a poesia
Não dormi, vagueei pela ilha numa noite fria e dura
Dei por mim sem saber onde estava no meio da água
Estranhamente mergulhado numa...LAGOA PURPURA...

sexta-feira, 3 de julho de 2015

HOJE, AQUI, ESTA NOITE


Conto os sorrisos de uma alegria adormecida
Sentirei o mar por entre os dedos
Este alento animado pelo teu olhar
Pela emoção disposto, no caminho do teu amar

É tão simples esmagar dias de receios
Longas noites de luar, dias de inquieta oração
Estou cansado da minha ausência
Quero dizer-te tanto, palavras ao teu coração

Esta minha insuportável sede do meu regresso
Vieram de mim as músicas pensadas em ti
Há uma candeia anunciando a minha ternura
Há uma palavra por te dizer que minha alma segura

Este tempo em que não sei dizer por palavras o que sinto
Este tempo em que escuto apenas sorrisos
Este tempo em que quero voar, rezar, amar
Este tempo em que numa lágrima te quis abraçar

Na frieza dos homens benzo-me e crio um poema
Não me perguntem porque ainda consigo amar
Passei a pensar em ti, habitas no meu lado esquerdo do sentir
Quero verte, querer-te, não mais sentir o partir

Quero esquecer o absurdo das coisas
Quero ver crescer as tardes
Quero construir um castelo para defender o amor
Erguer sonhos, construir cidades

Dar os braços à luz do dia
Dormirei no carinho sereno constante
Quero beijar uma folha de papel branco
Com a frase singela: amo-te

Vou plantar em águas mansas flores singelas
Vou deixar de compor a solidão
Vou gritar e rasgar a garganta
Dizer: Deixem voar este imenso coração!

Pensei em ti, escrever-te
Pensar e querer-te é vontade constante
Sentei-me e a poesia tomou forma
HOJE, AQUI, ESTA NOITE

quarta-feira, 1 de julho de 2015

ESCOLHAM UM SONHO, UM QUALQUER


Esqueçam os nomes das coisas
Oiçam o murmúrio surdo das árvores
Esqueçam a sorte no mar brincando
Na consciência do amanhecer das aves

E cresço como quem devora as coisas
Esta criança nunca soube conter o sorrir
Já vasculhei a sombra da dor no amor
Já plantei saudades e vi a ternura eclodir

Gosto do sabor dos lençóis lavados
Do aroma da claridade da Lua
Gosto de pensar que consigo um dia voar
De ter a certeza do teu amar

E digo verdades mentido
Digo e recolho a palavra amarga
Tinjo de som palavras que não sei dizer
Semeio sentires, brotam plantas de olhos sem ver

Às vezes é quente o silêncio
Corpo sem voz e rosto
Pensamentos correndo descalços
Na lembrança dos teus abraços

Cobres-me com olhares vacilantes
Deitado em mim sonhei com o vale de todos os medos
Às vezes sou pássaro e vejo a terra passar velozmente
Na oração partilho com a Deusa Mãe mil segredos

E como se uma pedra nascesse aos meus olhos
Como se me perdesse num longo sonho
Como se fosse mendigo entre as margens de um destino sem presentes
Como se herói fosse agarrando um punhado de continentes

Pois mesmo assim
Dormirei com um bando de anjos transparentes
E farei a magia que meu coração aprouver
E se quiseram habitar nele...ESCOLHAM UM SONHO, UM QUALQUER