
Estou à espera das estações
Em algum sítio adormeceram os barcos no mar
Nesta vida escolhi apenas o que amava
De uma onda a outra onda vejo, o aqui chegar
Azul mar, frio, ramo quebrado
O beijo que subiu da terra
Tocou-me a alma inebriou-me
Poisei minha espada nesta santa guerra
De todas as verdades escolhi a mais dura
A paz das minhas palavras perdeu-se na tarde escura
A felicidade é uma torre sem cor
A saudade é como a água mais pura
Ouvi uma voz carregada de violetas
Vejo o Sol transportar cachos de luz
Vejo as notas de uma melodia incompleta
Um canto novo que minha alma seduz
Serei um cantador rasgando a madrugada?
Um Arlequim perdido de Columbina
Serei folha caída numa estação adormecida
Ou apenas um buscador de irónica sina?
Não há jaula que prenda a palavra do poeta
Não há prisão para o voar de uma alma em contradição
Não há grilhetas que me segurem este corpo
Não há lonjura que quebre o percurso da paixão
Às vezes pergunto-me o que pensarão
As pessoas que lêem estas minhas metafóricas loucuras
O que dirão desta inquieta e caminhante alma
Que percorre um mapa cheio de procuras
Às vezes…
Sinto que nada sabem de mim em cada opinião
Sinto uma longa e imensa solidão nesta viagem
Perdido…Entre a Palavra e o Chão…




































