sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

VÃ OFUSCAÇÃO


 Dancei nos rumores do teu corpo
Tuas roupas, folhas latejantes, quentes
E senti a febre nostálgica das hortênsias
Devagarinho matei as palavras de dor
De mansinho esculpi em ti o amor
E tu...
Divagando nos voos do olhar
Habitando um jardim sem estações
Fraquejando sobre uma acácia rubra
Com um desenho de dois corações
Gaivota minha, garça alva mirando-se na lagoa
Nas conteiras tua voz é orvalho
Na espuma do mar és andorinha de doce olhar
Soubeste ouvir o sonho, não soubeste sonhar
Descalça nas crespas águas do tempo
Eu para acender a felicidade em ti
Só preciso de um momento
Para chegar ao teu coração e não ser

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Uma, vã ofuscação...

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Á TANTO TEMPO, FOI Á INSTANTES


..O muito tempo que passou
A pálida parede da memória aprisiona-me
Entre mim e as palavras há um tinir de punhais
No êxodo dos instantes
No lembrar dos olhos frágeis tremores
Na sombra da voz que és entre as hortênsias
A tua sombra descendo uma janela
O mar sempre ao fundo atento á respiração da terra
Este pecador em santa guerra
Este amor em eterna espera
Um cheiro de solidão crescendo nas pedras da ilha
Caminheiro entre marés
Descubro-te no reflexo das lembranças do mar
E aí relembro o amar...
Ainda inocentemente planto o vento
Ainda sonho no teu amor por um momento
Ainda me vejo num palco de comediantes
Sabes meu amor...?!
Á tanto tempo, foi á instantes


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

ENTRE O FOGO E O ABRAÇO INAPAGÁVEL


Senta-te neste banco de nuvens
Respira um tempo por acontecer
Descalça na luz da alma do que és
Deixa que a terra te molde os pés
Mira-te na cintilação da espuma
Afasta do horizonte a bruma
Perde-te na desordem das marés
Vai docemente colher um malmequer
Deixa o luar dar uma volta completa nos teus olhos
Na sombra suave da tua voz, seja o que Deus quiser
Que nunca se aparte de ti a Primavera
Teu corpo de rumores, gaivota minha
Tu, Mulher...
Nascendo na ilha
Nos voos do olhar
No eco desamparado
Nas distancias revolvidas como ondas
Como gaivota subindo ao sonho formidável
Quero-te simplesmente
Entre o fogo e o abraço inapagável...


sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

SE AS MINHAS ASAS PUDESSEM VOAR


Vou descalço na paixão do que sou
Trago sementes de sonhos nos olhos cansados
E aqui estou apenas porque te amo
Oiço-te pelas enseadas
Pelas pedras do mar
Pelas colinas guardadoras dos lagos
Por te adorar...
Da cintilação da espuma faço bruma
Procuro na distancia infinita a morada da tua voz
Para te encontrar...
Escutarei teus passos no canto da madrugada
Na partida das andorinhas do mar
Para te ver, te ter...
Nasceste na ilha, nos voos do olhar
Tens um vestido de vento
Cabelos nas ondas do tempo
O sorriso preso num feliz momento
A vertigem do meu doce pensamento
Apenas porque de ti nunca se aparta a primavera
Apenas porque até ao teu chegar marco o compasso do respirar
Se pudesse subir ao celeste para te ver
“Se as minhas asas pudessem voar...”

domingo, 24 de dezembro de 2017

OUTRO MUNDO


São dezanove horas nesta ilha, nesta terra
Aqui passei anos tantos sem conta
Fiz de besta, carreguei culpas e feri-me em contradições
Já senti a carga das palavras malditas
Já amei, já voei, já chorei
Fui rejeitado, julgado e condenado (...)
Hoje é noite de natal, alguns perguntarão:
“Onde anda o tal?, o demiurgo do mal?”
Nesta noite perdoo-vos:
Aqueles que mentiram, feriram-me e sorriram
Aqueles a quem dei amor, verdade e amabilidade pura...
...me feriram com as pedras da rua
Fui rei com coroa de lata, de espinhos e tudo
Senti raivas, emoções e contradições e quedei-me mudo
Estou aqui com a força que Deus me deu
Com a luz do meu Eu
Aqueles que me quiseram abater, fazer mal!
Perdoo-vos, amo-vos do fundo do coração vos digo
Cada um de vocês esta noite é mais um amigo que está comigo
No meu mais profundo
Que vida esta, estarei assim tão errado
Ou apenas habito... OUTRO MUNDO




quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

QUANDO TE LEMBRARES DE MIM


Nasço a cada instante
Voo no passo hesitante
E não me demoro, nem choro
Não te abraço mais, estou de passagem
Ouve o meu silêncio no verde de Maio
Sente o meu sentir no entardecer
Vê o meu ver neste coração arder
No traço áspero do silêncio
As gaivotas não cantam em Setembro
Voam apenas na melancolia dos dias
Só estou quando amo
No acordar das manhãs frias
Já te ornamentei o cabelo com diadema de cintilações
Já descobri que uma mulher tem dois corações
Um rente ao sol
Outro perdido em contradições
Insondáveis esplendores
O beber da ultima gota do amor na viagem do fim
A poesia infinita nesta orvalhada forma de amar
Olha para o infinito, para o lugar onde adormecem os sonhos
Quando te lembrares de mim...

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

FOI NESTA DOR QUE O AMOR ME ENCONTROU


Eu sou Divino, eu sou amor
Sou feito de orvalho, paixão e barro
São feitas de luz e sal as estrelas do mar
Dançam sobre as estações os meus sonhos
Arrancando prodígios da luz
O sorriso de um anjo de pedra
O naufrágio da sorte errante do amor
Apenas porque te conheço na ternura dos olhos de silêncio
Apenas...
Eram brancas todas as Primaveras
Com as mãos presas ao perfume das buganvílias
Há vozes que são pedra a pedra como palavras
Há sentimentos que nunca florescem num campo de mágoas
E solto o beijo sobre o orvalho das flores
Nos inaudíveis segredos de uma mulher
Duvidem! Condenem-me! Glorifiquem-me! Que importa...?!
Serei sempre o que Deus quiser
Apenas porque o meu coração é uma casa na ilha
Com a paixão crio maravilha
Sabem...?!
Uma vez remexi nos bolsos de um espantalho
Tirei de lá uma folha de amarrotado papel
Tinha uma frase, um cheiro de solidão que me encantou
Olhei para o rosto patético e dorido do espantalho e li alto a frase ao vento
“FOI NESTA DOR QUE O AMOR ME ENCONTROU”

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

AMAR A SORRIR


Faço-te uma proposta de encantamento
Perdoando a demora e baloiçando no infinito
Sabes?! Depois de muito navegar cheguei ao país dos pássaros do mar
Vindo de uma ilha perdida no meio de nada
Senti-me rei e marinheiro
Enfeitei-me de algas carmesim
Descansei numa gruta adornada por búzios azuis
Construi um casaco cintilante de escamas de sereia
E sorri para a vida toda na chegada da maré cheia
Encantei-me no murmúrio da maresia
No encantamento dancei com o suspiro do mar
Tudo isso depois de navegar mil anos para te encontrar
Amar...
Nesta ilha encontrei:
As árvores cuidando dos animais
Gente boa e outros que tais
Sereias e ninfas pintando tudo de verde
Soltando aves em sorrisos lentos
E...perdi-me dentro de mim
Pensei partir
Pensei voar
Recolhi penas, construi um par de asas
E imaginei alguém...amar a sorrir...



sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

VIOLANDO O PENSAMENTO


A palavra que devasta o coração
Uma gaivota repentina voando rindo
Apenas porque expludo sorrindo
Como o vento digo a verdade mentindo
Eu sou amor!
Um punhado de amor esperando o despertar
Eu sou pedra no terror da solidão
Sou aquele que diz saber amar
Um suspiro definitivo da oração
“Um poeta também tem coração”
Num lugar qualquer
No recorte dos lábios de uma mulher
Numa guerra de quereres sem sorrisos
Apertando o instinto crispado
Ás vezes feliz, outras mal amado
Se és mulher?
Se Deus assim quer
Que sejas tudo ou nada
“Porque uma mulher imensa dentro de um homem nunca se apaga”
Apenas porque nesta desatinada poesia varri a cabeça por um momento
Pensei em ti...violando o pensamento...


sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O APANHADOR DE ILUSÕES


Plantei sonhos de andorinha
Num mar arável afoguei a solidão
Apenas porque é Outono e tem gosto a ilha a saudade
Sabes?!
Tem tanto amor imaginar-te amando nas mãos em construção
Pelos paços gastos de menino antigo cansado de caminhar
De mudar o suor de todas as coisas, melancolia
Ou por tudo o que há de bom ressuscitar sempre
No esconder das mãos por entre um sonho por acabar
No devorar de todos os beijos possíveis
O canto de pássaro no chamar
Uma cidade inventada, uma praça, uma hora marcada para te encontrar
A noite se aproximando quando sinto a ansia do recolhimento
Nesta ilha, na solidão do crepúsculo verticalmente duradouro
Explode a chama da tua lembrança em tons ouro
E penso, imagino-te
Nos olhos cerrados da manhã infinita
Como companheira das horas transparentes
Por isso:
Que a palavra nunca se recolha amarga
Que haja sorriso no balanço do pensamento
Que a noite do descontentamento suspire definitivo
Recolhendo a palavra triste
Porque:
Caminhando está o recomeço de tudo, também amando
Perdi penas contradições
Joguei pragas ao vento, toquei mil corações
Descansei na areia como as gaivotas
Este... APANHADOR DE ILUSÕES...




quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O SANGUE DAS SOMBRAS MUSICAIS


Um bando de pássaros cai do céu sorrindo
Um homem cozeu-se á parede com medo de viver
Vi uma estrela do mar dependurada num portão
Sou um delinquente da palavra que cativa o teu coração
Embriagado de satisfação e cansaço admito ao espírito do mar
“ Que ainda sei, sinto e quero pintar docemente o amar”
E brindo com sangria e alecrim
Visito todos os espaços de um coração vazio
Navego numa calmaria agitada, nos braços de um indomável rio
No olho da cidade um barco navegante
No céu da ilha uma gaivota desce em voo rasante
E eu...
Nesta solidão bailando no infinito
Nesta espera de incontido grito
E eu...
Na espera do improvável preso no tempo
Limpo a água do rosto nas velas dos estais
Apenas porque há feridas que se esquecem
Tal como... O sangue nas sombras musicais...

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

NO MEU PALCO


Mil guerreiros correm pelo mar infinito
Um milhafre solta Um grito de vitória
Perseguindo os brilho das armas ao amanhecer
Despedaçam nuvens com sonhos de fogo
Plantam na vida felizes memórias
Estive contigo quando o amor morreu
Cheguei ao mundo quando o encanto amanheceu
Estive no mar quando o mar amansou
Estive na partida quando a incompreensão chegou
Mas diz-me coisas sobre as magnólias
Fala-me do voo eterno da gaivota
Vem sem me perguntares pelo amanhã
Atira ao mar qualquer esperança já morta
Escreve a cor vibrante á tua porta
“Vem ou deixa-me morrer com a tua lembrança”
Vem docemente como papagaio colorido de papel
Com a lucidez dos espelhos e água inquieta dos ribeiros
Menina...
Cobre-te de névoas e flores
Pinta o teu rosto de carmesim
Sente as pancadas de Molière
Descalça os pés e atira as palavras mais alto
Vem habitar...No meu palco...



quinta-feira, 2 de novembro de 2017

A CONSTRUÇÃO DE UM SILÊNCIO


Há quem me largue socos quando apenas quero viver,
pela revolta da pedra,
há também quem me sorria num sorriso louco,
com a maldade tatuada no coração.
Estes ventos que correm húmidos pelos corredoras da ilha,
um céu aberto pelos vales da carne...
a dor por apagar nos leitos maravilhosos,
parada na imensidão das horas,
esta criança num corpo grande que silenciosamente chora,
alma presa á terra,
este querer que agora quer partir, preso entre o chegar e ir embora.
A construção e um silêncio na palavra feroz,
a vontade nas mãos do algoz, peixes azuis,
andorinhas do mar, quatro pedras para o corpo aconchegar,
uma apenas para o coração parar, para a vida deixar de medrar.
Sacudo o pranto, afasto o desencanto,
quebro o quebranto, sou o rei dos mendigos,
sou madrugada sem brilho, sou um pagador do pecado,
a esperança de um filho, um tudo preso ao quase nada...

domingo, 29 de outubro de 2017

O NASCIMENTO DA EMOÇÃO


Chega a tarde ao fim no eco das palavras
Pelo sorriso simples do menino antigo
Pelas sandálias gastas, cansado de caminhar
Agradecido ao louvor de Deus
O amor falso ainda vive no meu pensamento
Um sorriso...
Um doce momento, a navalha
O fogo que ainda consome a pedra
Um coração onde algo medra
Dois corações pelo feitiço da Lua
Uma oração que eclode de uma casa no fim da rua
O tamanho da beleza de um poema
Um poeta escreve sempre de alma nua
Quem será capaz de deprimir a maldade?!
Quem habitará a minha inventada cidade?
Tu, és um caminho que se escolhe
Um barco impaciente amarrado a um molhe
Um coração que Deus acolhe
Por tudo isto
Explorei as palavras no silêncio e...
Sigamos em frente sem nos determos
Como se afinal não importasse mais nada
Como se o amor te desse asas de fada
E porque ninguém manda no coração
Tampouco...O NASCIMENTO DA EMOÇÃO...

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

EM FRENTE A TI


E se fosse inverno
Os nossos corpos fariam tempestade
E se fosse primavera
Serias o meu amor de sina distante
E se fosses um anjo
O amor visitaria as flores do meu jardim
No inverno terias agasalho em mim
Pousavas as tuas asas numa mesa com velas e uma carta escrita
Nela terias escrito o nome de um filho de nome Benedita
Teria a bondade expressa no coração
As mãos suaves em construção
Recolhendo no mundo a hipnose dos sons
Sei que tu sabes que isto é um sonho
Porque tudo o que se sonha se pode sentir
Assim como um punhado de amor esperando o despertar
Caminhando até ao começo de tudo
Na aproximação da noite hesitante
No gesto leve da ternura
Com o sol no rosto
Sabes?!
É amanhã ainda
A cor da esperança não é finda
Semeado o amor brota, floresce e sorri
Assim como o amor...EM FRENTE A TI...


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

ONDE A VOZ ARDE


Nas asas de uma sombra obscura
Partiste de mim levemente
A duvida é saber que buscas a sina distante
É saber se partes apenas por um instante
Partimos sempre
Do corpo prisioneiro da vida
Confundindo-se com as montanhas verdes da ilha
Já senti palavras que o meu peito surpreendia
No lugar sem fronteira onde as coisas não fazem sentido
Já cruzei a terra, já inventei horizontes
Já alimentei chamas em noites brancas
No sitio onde ninguém nos espera
Já fui anjo em santa guerra
Nesta vida, parti aos poucos
Como partem os vagabundos, as aves do mar
Cheguei algumas vezes ao amor sem saber amar
Li mil mensagens de salvação
Amordacei o coração
Falei comigo mesmo como fazem os loucos
Salvei-me da dor profunda, morri aos poucos
De mim ninguém sabe nem pergunta
Em mim só há uma real verdade
No fundo da minha alma
Onde a minha voz arde...

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

MORDER O CORAÇÃO


Encontrei o inverno, senti o sabor da chuva
Calcei luvas brancas, toquei um anjo de transparências
Olhei para uma pétala de rosa sem destino
E como se o mundo estivesse acabando
Acalmei o choro de um triste menino
Senti meu coração inquieto como a espuma do mar
Falei-lhe de fadas, castelos, de rios mansos
Dobrei uma folha e fiz um papagaio de papel
Abriu os olhos, sorriu
Uma brisa suave passou por ali
O papagaio subiu...
E de repente a paisagem encheu-se de cores
Despertaram na ilha todas as flores
As baleias cantaram no mar
Deus anunciou o seu chegar
Vieram primeiro os anjos perseguindo o brilho do amanhecer
Tal como pássaros inesperados nas manhãs claras
As portas abriram-se nas casas forçadas pelo vento inquieto das almas
Fosse porque fosse num de repente
Estendi a mão
Escreveram a palavra paixão na palma da minha mão
Acordei deste sonho confuso
Quando...senti Morder o Coração





sexta-feira, 22 de setembro de 2017

GNOTHI SEAUTON “Conhece-te a ti mesmo”



Visitei um oráculo para ver o meu destino
Entrei no templo de Apolo em Delfos
Não sei o que me deu, perguntar quem sou eu
Nem um amigo nem uma voz pousaram
Nem grito inventado na madrugada
Um mão cheia de nada, fechada
Entre tantos sorrisos perdi-me
Num poço de silêncio forçado
Fechei os olhos e inventei imagens
Moldei uma ilha em ti
De verdes em constantes metamorfoses
Podia ter um nome, uma etiqueta
Podia guardar esta maravilha nas mãos
Pensando numa palavra ou em Deus
Comungando noticia felizes
De homens tributando o mar
Mas, que importa tudo isso?
Seremos sempre os mesmos
Com a boca cheia de termos gastos
Já estamos gastos da ilusão
Amamos pedras em formato de coração
Por tudo isso:
Dança na madrugada
Solta o canto da boca calada
Olha para as vestes que trazes
Não acredites no espelho
“Conhece-te a ti mesmo”

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O SILENCIO QUE HÁ EM MIM


Com palavras de bruma percorro a dor escondida
Escondendo as mãos frias
O movimento inquieto dos olhos gastos
O voo livre de um pássaro em Setembro
É um segredo simples
Tal como te amar...
Nunca desmontei a misteriosofia do anoitecer
Nunca entendi certos corações cegos de sem olhos ver
E na madrugada extensa do entendimento da paixão
Senti-te como caricia serena que me separa da solidão
No abraço, a entrega dos sentidos
O beijo percorrendo o teu corpo ilha
O fogo...
Esta vontade inexplicável de continuar aqui
O partir...
Uma chegada de ausente madrugada
Um tonto, vestido de palhaço
Um poeta sem asas perdido no espaço
Entre palavras e pensamentos
Na consciência do silêncio
Viajo á dimensão informe e intemporal
Aprendo a linguagem de Deus
E no murmúrio das árvores descubro o silencio que há em mim...

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A INSUSTENTAVEL LEVEZA DE TE QUERER


Conduzo um sonho
Ergo-me
Subo ao mundo
Ninguém pode mudar o que sinto
Na certeza de te querer não minto
No cheiro do descontente inverno
Ventos de contradição e segredos
Fustigam meu coração com espadas de chuva
Ás vezes é melhor matar a fala
No dizer quase nada
Talvez tenha vivido no teu mundo
Nunca viveste no meu
Talvez seja um Arcanjo perdido numa ilha
Talvez seja apenas um louco ateu
Talvez...
Seja o pranto da noite
O sibilar dos corpos
As mãos se procurando
Na preparação do carinho
O amor, o aroma de um ninho
Talvez...
De te tocar, surja o sangue
Rasgando a transparência das unhas
Numa derrotada madrugada
Uma mulher de boca molhada
Indicando o barulho do mar
No silencio do amor por fazer
A insustentável leveza de te querer...