quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A SACERDOTISA


Uma alma é campo de batalha
Onde o ódio é vilão e a paixão protagonista
Palco de gigantescas refregas
Onde vive e morre o amor a cada conquista

E uma mulher disse:
O coração parte, no número das emoções
Uma mulher não tem estações para amar
Tem apenas no lado esquerdo mil contradições

As mulheres…
Não gosto de pessoas, do escuro, da maré cheia
Da taça que me oferece às vezes a vida
Da caminhada no barro agreste em tarde feia

Não gosto do feitiço sem sentido
Na busca procuro uma coisa para além da revelação
O amor não conhece a sua verdadeira profundeza
Senão no momento da separação

O vento açoitou os ramos num mar de súplicas
Enquanto o tempo esquadrinha os horizontes
Uma solidão infinita sela o desencanto
Param no seu curso as águas de sete fontes

Sete Cidades inventadas
Sete sortilégios para afugentar o agoiro
Sete palavras de magia branca
Um cálice de sangue que desfaz o ouro

Quero fundir-me e ser um regato corrente
Conhecer a dor da excessiva ternura
Acordar de manhã com o coração solto do corpo
Beber da fonte onde o sentimento é coisa pura

Quero, querer querendo
Ser carpinteiro que a madeira afaga e alisa
Sacrifício em cerimónia num altar de basalto negro
Pelas mãos de uma…Sacerdotisa…

5 comentários:

oteudoceolhar disse...

Como é possível escrever assim?
Sublime, verdadeiramente sublime...de grande profundidade.
AMEI.
Beijo n´oteudoceolhar.

Sopro Vida Sem Margens disse...

... alma é o coração vestido de linho onde vive e morre o amor a cada conquista..

...da taça.. o sangue não conhece o verdadeiro Graal da artéria direita...

O encanto está na pálpebra que abre e fecha no curso d'aguas inventadas, nos uivos, nas sete palavras, na magia branca, nas pedras, nas setas e nas terras...

Beijos
da
Assiria

Maria disse...

Simplesmente maravilhoso!
Bom fim de semana
Beijinhos
Maria

Aquarela disse...

Alma, campo de batalha...entre o odio e a paixão, entre o querer e o poder, entre o desejar e o ter!
Alma... de gente, de Homem, de Mulher... alma guarida de solidões em prece... em altares onde se sacrifica o destino... por Amor: o que morre e o que (sobre)vive, a cada (re)conquista!

abraço

Állyssen disse...

A imagem é de Bouguereau? Adoro...