sexta-feira, 22 de setembro de 2017

GNOTHI SEAUTON “Conhece-te a ti mesmo”



Visitei um oráculo para ver o meu destino
Entrei no templo de Apolo em Delfos
Não sei o que me deu, perguntar quem sou eu
Nem um amigo nem uma voz pousaram
Nem grito inventado na madrugada
Um mão cheia de nada, fechada
Entre tantos sorrisos perdi-me
Num poço de silêncio forçado
Fechei os olhos e inventei imagens
Moldei uma ilha em ti
De verdes em constantes metamorfoses
Podia ter um nome, uma etiqueta
Podia guardar esta maravilha nas mãos
Pensando numa palavra ou em Deus
Comungando noticia felizes
De homens tributando o mar
Mas, que importa tudo isso?
Seremos sempre os mesmos
Com a boca cheia de termos gastos
Já estamos gastos da ilusão
Amamos pedras em formato de coração
Por tudo isso:
Dança na madrugada
Solta o canto da boca calada
Olha para as vestes que trazes
Não acredites no espelho
“Conhece-te a ti mesmo”

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O SILENCIO QUE HÁ EM MIM


Com palavras de bruma percorro a dor escondida
Escondendo as mãos frias
O movimento inquieto dos olhos gastos
O voo livre de um pássaro em Setembro
É um segredo simples
Tal como te amar...
Nunca desmontei a misteriosofia do anoitecer
Nunca entendi certos corações cegos de sem olhos ver
E na madrugada extensa do entendimento da paixão
Senti-te como caricia serena que me separa da solidão
No abraço, a entrega dos sentidos
O beijo percorrendo o teu corpo ilha
O fogo...
Esta vontade inexplicável de continuar aqui
O partir...
Uma chegada de ausente madrugada
Um tonto, vestido de palhaço
Um poeta sem asas perdido no espaço
Entre palavras e pensamentos
Na consciência do silêncio
Viajo á dimensão informe e intemporal
Aprendo a linguagem de Deus
E no murmúrio das árvores descubro o silencio que há em mim...

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

A INSUSTENTAVEL LEVEZA DE TE QUERER


Conduzo um sonho
Ergo-me
Subo ao mundo
Ninguém pode mudar o que sinto
Na certeza de te querer não minto
No cheiro do descontente inverno
Ventos de contradição e segredos
Fustigam meu coração com espadas de chuva
Ás vezes é melhor matar a fala
No dizer quase nada
Talvez tenha vivido no teu mundo
Nunca viveste no meu
Talvez seja um Arcanjo perdido numa ilha
Talvez seja apenas um louco ateu
Talvez...
Seja o pranto da noite
O sibilar dos corpos
As mãos se procurando
Na preparação do carinho
O amor, o aroma de um ninho
Talvez...
De te tocar, surja o sangue
Rasgando a transparência das unhas
Numa derrotada madrugada
Uma mulher de boca molhada
Indicando o barulho do mar
No silencio do amor por fazer
A insustentável leveza de te querer...

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

O TEMPO DO MAR


Faz frio ou é o canto das lágrimas
Numa parede que escorre
Não há luz na solidão tremente
Há a presença de Deus quando se ausenta o pensamento
Quando era menino encontrei uma estrela do mar
Levei-a comigo para o caminho iluminar
Descobri que as estrelas no coração de um menino
Nunca se devem apagar
Sabem...?!
A força do amor vive no coração de um poeta livre
Sonho-te num corpo eternamente abraçado
Como náufrago adormecido nos braços de uma sereia
Já comi o pão que um anjo mau amassou
Já bebi a vida num cálice de maré cheia
Já orei para uma santa de porcelana
Disfarçada com pele de mulher
Disse baixinho tanta vez: “seja o que Deus quiser”
Quero tanto...quero-te...
Por isso:
Cobre-te de névoas e flores, veste as cores da ilha
Sorri no gesto singelo do reencontro
Planta uma buganvília no alto de um monte
Da cor da lava sejam as flores
Vem traz a pureza dos campos
Fruto exótico das minhas miragens
Voa no vale dos milhafres
Vem para no meu coração te plantar
Vive de mansinho no Tempo do Mar...




quinta-feira, 24 de agosto de 2017

O INFINITO EM TI


Acordei hoje numa ilha encantada
Sem casas, nem campos, apenas com flores
São puras as madrugadas
Tem por manto o calor do vosso verde
Cheguei aqui agasalhado pelo vento
Num choro calmo, num gesto eterno
Não vim de mãos vazias
Carreguei as mais belas palavras ditas no céu
Encontrei a cibernética ou o ódio das coisas
Descobri as raivas que vieram depois
Mas, deixemo-nos disto!
Descobri-te...
Há sempre uma luz para o inicio dos gestos
Um aconchegamento novo, a vinda de crianças com as mãos vivas
Com os olhos cuidando do azul do mar
“ Há sempre um jardim em mim onde floresce o amar”
Em mim
Há águas mansas e flores eternas
Uma tempestade de nome saudade
Uma alegoria pintada em mil esperas
A chegada feliz de todas as certezas
Nunca ninguém irá para longe dentro de mim
Nasci numa manhã de Abril, morri e renasci...
...No infinito que há em ti...


sexta-feira, 18 de agosto de 2017

EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO


Este verde sorridente em pálpebras vidradas
Um novo dia de solidão tremente
Escutei em cabelos as ondas
Escutei nos lábios a palavra sincera
No abraço o fim da espera
Escutei num tremor a sincera emoção
É tão efémera a real paixão
Escutei-te...
Esta ilha que há em mim coberta por névoas e flores
Sabiam que aqui as flores cantam no começo da madrugada?!
Que amar sem amor é dar com mão fechada?
Mas, se amas, vem
Anjo feliz vestido de transparências do céu
De mãos suaves e felizes, fruto das minhas miragens
Vem, traz a pureza da água, o murmúrio da noite no encontro da madrugada
Não venhas de mão fechada, vem com tudo e sem nada
“Serei criança breve ou gaivota ferida
por um amor com sede de infinito”
Mudo grito...
Poeta caminhante em busca do tempo perdido...


quinta-feira, 10 de agosto de 2017

SONHO DE COR PÚRPURA


Entre tantos olhos e sorrisos
Perdi-me na solidão das sombras
Procurei uma boia num poço de silêncio
De pupilas secas e ardentes vi a doçura do teu rosto
Rezei sem fé no sol posto
Sem uma voz, um amigo que nascesse num desconhecido
Sem asas numa ilha aparecida em flor
Num verde em constante metamorfose
Este pensamento de madeira crua por pintar
Esta solidão apenas por ainda te amar
Grito de pássaro num ninho sem maçãs maduras
Cinco dedos apertando o instinto crispado
Um poeta passa sempre e morre vivendo
Na sua voz calada ama
Uma mulher imensa que dentro dele nunca se apaga
E esqueço, tudo esqueço levando à testa as mãos
Uma caricia sem sede
Um caminhar sem medo
Uma alma solta do degredo
Um piano enquanto escrevo
Uma emoção, a palavra que abre o coração
Uma flor ou a cor das falas
O fogo consumidor dos dias vazios
A viagem de sete rios
A vertigem de uma emoção que nunca para
num
SONHO DE COR PÚRPURA