sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A CANÇÃO DAS MARÉS



Do céu libertaram-se as águas infinitas
É verde o coração dos Poetas
Olhos de nuvem, coração de pensamento
Uma ideia de um sonhador, um doce momento

Gosto das pedras
Ás vezes são lâminas de gume afiado
Amo-te, menina que pertences ao mar
Rezei hoje para te encontrar, neste triste navegar

Encontrei-te, fugidia...
Como quem sabe que o amor é algo fatal
Nunca serás o fim do meu infinito
Um canto de pássaro, espantando o mal

Tenho os olhos presos na mesma gente
Tenho o coração dorido pelo desencontro que vi
Tenho um abraço, aberto sem te ter dentro dele
Tenho a alma infinitamente presa a ti

Tenho uma saudade de mãos cansadas
“Gostava que coubesse no teu coração um poema inteiro do meu sentir”
Espero o recolher de todas as sombras
Descalças correm as cores que me impedem o partir

Tens ondas indizíveis no teu cabelo
Há uma noite que se aproxima hesitante
A chama das palavras por falar
Um punhado de amor esperando o despertar

Uma dor que cristaliza o balanço do pensamento
Entretanto ri-se de si o homem mais infeliz do Mundo
Este dia respingou um suspiro definitivo
Esqueci uma melodia, por tristeza, sem motivo

Pois muito obrigado todos aqueles que me querem mal
Não tem de quê, seu tonto, papalvo
Na memória só restam uvas azedas
Fechei os olhos á raiva, já não sou o abatido, nem alvo

Sei lá o que sou!?
Um homem caminhando trôpego, trocando os pés
Assobiando uma melodia incompleta
Tirada da...Canção das Marés...

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O MILAGRE DA SAUDADE


Depois de te prender por segundos o olhar
Com a alma te tocar
Uma lágrima teimar voar
Fui com este coração doído ver o Mar

Um gesto amado...
Senti o frio da espuma em arrepio
O Sol beijou-me
O mundo rejeitou-me, tu não...confio

Que tempos meu Deus
Plantei esperanças todos os dias e este querer nunca acabou
Aqueci-me com lembranças nas noites frias
“Meu Armando, meu amor” só uma pessoa assim nesta vida me chamou

Por estes dias...
São longos os dias, desajeitados os quereres
Pensei no amor, morte, pensei com pena
E nunca mais adormeci numa conversa amena

Penso estupidamente tanto
Rio quando me rasga no peito o pranto
Há uma história que se interrompeu abruptamente
Há sempre uma gaivota voando a poente

O murmúrio das árvores
Uma pedra molhada pela chuva, ou maresia?
Todos os dias sinto uma obstinada fé
“Desculpa, perdoa, confia”

Fosse porque fosse, sentimos sempre mais além
Derramados sentires, opacidade da penumbra
“Acho que os pássaros não dormem, ficam apreciando a noite”
Tenho varrido deste coração tanta bruma

Fiquemos pois onde bate o coração, de emoção
Desenhemos os contornos de uma história feliz
São tão estranhas as pessoas quando decidem odiar
São tão ténues os pedidos, o chamar

Uma chama...
Não recuo até ás portas do céu, sem fim, sem idade
Hoje aconteceu o que esperava já não existir
“O Milagre da Saudade”

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O JARDIM DOS REGRESSOS


Não voam anjos na bruma da Ilha
Oiço palavras gritantes de um olhar doce
Derramei sonhos num vale de assombração
Tenho tanta saudade de te dizer amor, dar a mão

Guiado pelo esplendor dos poentes
Segui o aroma suave das buganvílias
Parti aos poucos nessa minha caminhada por dentro
Acordo nas manhãs, perdido dos horizontes, incompleto...

...Por não te ter...
Sabes meu amor, há um lugar onde as coisas fazem sentido
Há um lugar onde partimos como vagabundo
Há um lugar onde chegamos expulsos do Mundo

Ninguém espera pela noite na chegada do Sol
Ás vezes viro a cara ao tempo e ao deslumbramento
Ás vezes sento-me a olhar em volta como fosse louco
Ás vezes dou tanto, recebo tão pouco

Os escutantes do perverso afinam a parte negra da alma
Nestes dias o verde é de tal forma irreal
Há uma hora das portas fechadas
Há sempre um coração vazio, banal

Sou o inventor da luta entre o silêncio e a palavra
É nesse exato momento que algo exulta
Será que sabes da importância que dou aos grandes acontecimentos?!
Será que ainda reverbera a música de raros momentos...

És como o nascer da manhã inevitável
Sou um olhador de sorrisos sinceros
E todavia fez-se penumbra no decorrer do dia
E todavia o tempo desapareceu devagar, no teu chegar

No teu olhar aconchegam-se as maresias do Outono
Um ramo de misteriosas camélias
Hoje decidi fixar nuvens nos ventos
Decidi abrir a alma aos mais belos momentos

Hoje decidi ter respostas sem fazer perguntas
Decidi ser eu mesmo, sem inventar, processos
Sentei-me pois neste banco feito de folhas e frutos
Neste meu...Jardim dos Regressos...

domingo, 7 de dezembro de 2014

COMO TU



Este alento animado por novos sonhos
Este esmagar dos dias de dor
Este acenar de Anjos magníficos
Como sorrio ás vezes a uma vida de desamor

Para falar de uma vida não há apenas um nome
Para falar de uma ilha há apenas um destino
Para falar apenas de uma mulher
Há sempre a esperança do amor, o que Deus quiser

Que seria da cor do Mar sem o beijo de Céu
É sempre tão nostálgica a morte do Sol no acabar do dia
Sou um sonhador numa manhã de soltos versos
Sou um desenhador de planícies eternas que em Deus confia

Sou como a terra palpitante, fecunda
Escrevo palavras com insistência para que descubras verdades
A Norte o vento é frio
Esta força, este homem sem preconceito entre as margens de um rio

Tenho os olhos cravados no infinito
Nasci sorrindo para um Mundo tristonho, frio
Há sempre um canto de pássaro que me se seduz
Houve sempre em meu caminho uma reluzente luz

Já fiz milhões de traços
Já pintei emoções desconhecidas
Já amei mil corações esculpidos em gelo
Já morei num arquipélago de ilhas perdidas

Já me perdi...
De punho cerrado enfrentei Adamas tores
Fui saltimbanco de comédias de enganos
Ator em palco de falsos atores

Tal como o Mar rasgando as rochas
Naveguei sem rumo, em infatigáveis procuras
Segui em frente, é tão silencioso o horizonte
Pedi a Deus perdão, guardei numa caixa mil juras

Falemos pois do canto dos pássaros
Falemos do amor, do que a minha alma descobriu
Falemos da formosura de uma rosa breve de Novembro
De um obra fascinante e bela...Como Tu...

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

ENQUANTO NÃO CHEGAM OS BARCOS


Vi as minhas mãos nascerem na claridade de uma aurora
Vi a minha voz perder-se nos verdes desta Ilha
Vi os rituais de uma Cagarra na sua dança de amor
Vi o poder das águas e do vento descobrirem uma flor...

...Azul
Sal do suspiro de uma onda longínqua
Um pássaro breve de perdido cantar
Uma incontida lágrima, por te querer, amar

Na rebentação da beleza salpicaste o meu olhar
As mulheres transparentes divertem-se na vida
Ninguém bebe vinho e vomita o amor
Ninguém é dono da poesia, nem o seu autor

Vejo antigas sombras, cavalgando o silencio do pensamento
Não me falem de um tempo
Não me façam rir de mim
Não me mordam a alma, não me firam o corpo

Não me falem da chegada das primaveras passadas
É bom que se saiba que há muito mais porque morrer
Que conheço os caminhos cantantes da alegria
Sou um criança que transforma um muro em palácio, para te ter

Ás vezes percebo que os homens não têm importância
Que vejo a terra passar por mim velozmente
Ás vezes este espírito alucinado sugere-me
Que sou pássaro a voar para Poente

Abençoada a terra que colhe o orvalho
Bendita a mão que reparte o carinho
De esperas se constrói a solidão
Serei o primeiro habitante da dor vencida no teu caminho

Conto as aves do mar, mais as ondas
Bebo neste Oceano de mil esperanças
Vejo desprender do Celeste Anjos magníficos
Vejo Deus desenhar nas nuvens breves sorrisos

E sento-me neste basalto de fria espera
Não tenho fortuna, só bens transparentes, parcos
E penso em ti mensageira do amor
ENQUANTO NÃO CHEGAM OS BARCOS

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

OS PARAÍSOS QUE UMINFERNO CRIOU



Inquietos escutamos a voz calada
São pesadas as mãos do desentendimento
Nesta perdida rua de negro e fogo
Neste meio do mar, sem estrelas, um momento...

...Para te dizer, que bebi de um trago só o perdão
Para te dizer, que sou o cerne imperceptível da verdade
Dizer-te também, “ ainda sei amar quem me magoa”
Que vivo e floresço na minha inventada cidade

Foram tempos da memória
Rasgam-me a garganta as nêsperas azedas
Se soubesses a sede que se sente
Quando a vida nos arroxa ao peito, coração descontente

Se soubesses o que sente este poeta de rima incerta
Se soubesses o que não sabes por descredito
Se soubesses que todas as manhãs o meu amor se acende com a aurora
Se soubesses porque fico, mesmo indo embora

Se soubesses...
Que há quem abrace o vencido
Quantas verdades se diz mentindo
Que só me lembro dos teus olhos sorrindo

E eu que nada sei
Eu que acredito tudo saber
Eu que vivo como gaivota em eterno voo
Eu que cerro os olhos para não ver a esperança morrer

Eu...
Cavaleiro andante, Arlequim, mendigo sem bênção de Deus
Carrego o peso da idade inadiável
“Sou o Rei legítimo de todos os ateus

Sou, quem sou
Nem tudo o que faço pode estar errado
Pinto Anjos negros, deuses e deusas
Este homem, bem ou mal-amado

Sou aquele que caído, foi espezinhado
Sou aquele que pelos seu inimigos orou
Sou também este alquimista da vida
Que transformou em ...Paraísos o que o inferno criou...


sábado, 15 de novembro de 2014

CORPO SOLENE DE SOLIDÃO



São milhões os risos que chegam ao meu sentir
Esta fúria magoada de mil dias de solidão
Esta terra fustigada por espadas de chuva
Estas raízes presas ao profundo coração

Devorei o frio neste vale de segredos
Afastei as nuvens de desesperança com um olhar
Misturei ódios e sorrisos
E construí um castelo para te poder amar

Meus Senhores, minhas Senhoras
Novembro está servido, com ventos e lágrimas das estrelas
Afastei os dedos das flores mortas
Mataram a bondade, fecharam-me as portas

Mas, meu Amor...
Não há lume que aqueça o pão da pobreza
Os inaudíveis e grandiosos sentires desta alma dorida
São sussurros, são sorrisos soltos á tua beleza

Estes são os primeiros anos do amor
Vês agora a crueza desta neblina?
Meu Anjo de água de lábios recortados por um deus
Meu Amor, quanto tempo, tanto Mar...Mar, Menina

As minhas mãos urgentes
Procuram teu corpo, arca de incandescentes diamantes
A tua essência deslumbra, fere sem doer
Teus seios, ondulação das ribeiras, tua alma, teu ser

Já me fugiram á lembrança os antigos dias
Pelo olhar se retorna ao amor
Pelo teu corpo crescem flores carmesim
Neste vale de verde ilha ausentou-se a dor

Já pintei presságios e sonhos
Já pisei um lugar onde emanava a tua existência
Como uma Alva Garça soubeste ouvir o sonho
Como uma estrela do Norte e rumo, conquistaste minha confiança

Numa almofada de Musgo repousa a cabeça de uma Deusa
Escrevi teu nome no diário da minha paixão
Esculpi no teu sentir de roseira brava a novidade da luz
Amei teu... CORPO SOLENE DE SOLIDÃO