segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Á TANTO TEMPO, FOI Á INSTANTES


..O muito tempo que passou
A pálida parede da memória aprisiona-me
Entre mim e as palavras há um tinir de punhais
No êxodo dos instantes
No lembrar dos olhos frágeis tremores
Na sombra da voz que és entre as hortênsias
A tua sombra descendo uma janela
O mar sempre ao fundo atento á respiração da terra
Este pecador em santa guerra
Este amor em eterna espera
Um cheiro de solidão crescendo nas pedras da ilha
Caminheiro entre marés
Descubro-te no reflexo das lembranças do mar
E aí relembro o amar...
Ainda inocentemente planto o vento
Ainda sonho no teu amor por um momento
Ainda me vejo num palco de comediantes
Sabes meu amor...?!
Á tanto tempo, foi á instantes


sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

ENTRE O FOGO E O ABRAÇO INAPAGÁVEL


Senta-te neste banco de nuvens
Respira um tempo por acontecer
Descalça na luz da alma do que és
Deixa que a terra te molde os pés
Mira-te na cintilação da espuma
Afasta do horizonte a bruma
Perde-te na desordem das marés
Vai docemente colher um malmequer
Deixa o luar dar uma volta completa nos teus olhos
Na sombra suave da tua voz, seja o que Deus quiser
Que nunca se aparte de ti a Primavera
Teu corpo de rumores, gaivota minha
Tu, Mulher...
Nascendo na ilha
Nos voos do olhar
No eco desamparado
Nas distancias revolvidas como ondas
Como gaivota subindo ao sonho formidável
Quero-te simplesmente
Entre o fogo e o abraço inapagável...


sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

SE AS MINHAS ASAS PUDESSEM VOAR


Vou descalço na paixão do que sou
Trago sementes de sonhos nos olhos cansados
E aqui estou apenas porque te amo
Oiço-te pelas enseadas
Pelas pedras do mar
Pelas colinas guardadoras dos lagos
Por te adorar...
Da cintilação da espuma faço bruma
Procuro na distancia infinita a morada da tua voz
Para te encontrar...
Escutarei teus passos no canto da madrugada
Na partida das andorinhas do mar
Para te ver, te ter...
Nasceste na ilha, nos voos do olhar
Tens um vestido de vento
Cabelos nas ondas do tempo
O sorriso preso num feliz momento
A vertigem do meu doce pensamento
Apenas porque de ti nunca se aparta a primavera
Apenas porque até ao teu chegar marco o compasso do respirar
Se pudesse subir ao celeste para te ver
“Se as minhas asas pudessem voar...”

domingo, 24 de dezembro de 2017

OUTRO MUNDO


São dezanove horas nesta ilha, nesta terra
Aqui passei anos tantos sem conta
Fiz de besta, carreguei culpas e feri-me em contradições
Já senti a carga das palavras malditas
Já amei, já voei, já chorei
Fui rejeitado, julgado e condenado (...)
Hoje é noite de natal, alguns perguntarão:
“Onde anda o tal?, o demiurgo do mal?”
Nesta noite perdoo-vos:
Aqueles que mentiram, feriram-me e sorriram
Aqueles a quem dei amor, verdade e amabilidade pura...
...me feriram com as pedras da rua
Fui rei com coroa de lata, de espinhos e tudo
Senti raivas, emoções e contradições e quedei-me mudo
Estou aqui com a força que Deus me deu
Com a luz do meu Eu
Aqueles que me quiseram abater, fazer mal!
Perdoo-vos, amo-vos do fundo do coração vos digo
Cada um de vocês esta noite é mais um amigo que está comigo
No meu mais profundo
Que vida esta, estarei assim tão errado
Ou apenas habito... OUTRO MUNDO




quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

QUANDO TE LEMBRARES DE MIM


Nasço a cada instante
Voo no passo hesitante
E não me demoro, nem choro
Não te abraço mais, estou de passagem
Ouve o meu silêncio no verde de Maio
Sente o meu sentir no entardecer
Vê o meu ver neste coração arder
No traço áspero do silêncio
As gaivotas não cantam em Setembro
Voam apenas na melancolia dos dias
Só estou quando amo
No acordar das manhãs frias
Já te ornamentei o cabelo com diadema de cintilações
Já descobri que uma mulher tem dois corações
Um rente ao sol
Outro perdido em contradições
Insondáveis esplendores
O beber da ultima gota do amor na viagem do fim
A poesia infinita nesta orvalhada forma de amar
Olha para o infinito, para o lugar onde adormecem os sonhos
Quando te lembrares de mim...

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

FOI NESTA DOR QUE O AMOR ME ENCONTROU


Eu sou Divino, eu sou amor
Sou feito de orvalho, paixão e barro
São feitas de luz e sal as estrelas do mar
Dançam sobre as estações os meus sonhos
Arrancando prodígios da luz
O sorriso de um anjo de pedra
O naufrágio da sorte errante do amor
Apenas porque te conheço na ternura dos olhos de silêncio
Apenas...
Eram brancas todas as Primaveras
Com as mãos presas ao perfume das buganvílias
Há vozes que são pedra a pedra como palavras
Há sentimentos que nunca florescem num campo de mágoas
E solto o beijo sobre o orvalho das flores
Nos inaudíveis segredos de uma mulher
Duvidem! Condenem-me! Glorifiquem-me! Que importa...?!
Serei sempre o que Deus quiser
Apenas porque o meu coração é uma casa na ilha
Com a paixão crio maravilha
Sabem...?!
Uma vez remexi nos bolsos de um espantalho
Tirei de lá uma folha de amarrotado papel
Tinha uma frase, um cheiro de solidão que me encantou
Olhei para o rosto patético e dorido do espantalho e li alto a frase ao vento
“FOI NESTA DOR QUE O AMOR ME ENCONTROU”

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

AMAR A SORRIR


Faço-te uma proposta de encantamento
Perdoando a demora e baloiçando no infinito
Sabes?! Depois de muito navegar cheguei ao país dos pássaros do mar
Vindo de uma ilha perdida no meio de nada
Senti-me rei e marinheiro
Enfeitei-me de algas carmesim
Descansei numa gruta adornada por búzios azuis
Construi um casaco cintilante de escamas de sereia
E sorri para a vida toda na chegada da maré cheia
Encantei-me no murmúrio da maresia
No encantamento dancei com o suspiro do mar
Tudo isso depois de navegar mil anos para te encontrar
Amar...
Nesta ilha encontrei:
As árvores cuidando dos animais
Gente boa e outros que tais
Sereias e ninfas pintando tudo de verde
Soltando aves em sorrisos lentos
E...perdi-me dentro de mim
Pensei partir
Pensei voar
Recolhi penas, construi um par de asas
E imaginei alguém...amar a sorrir...