sexta-feira, 29 de abril de 2016

PORQUE É QUE AS FLORES MORREM?


Serei o primeiro habitante
Da dor vencida
Será esta alma da cor da paixão
Serei apenas um corpo solene de solidão?

Será o amor apenas, uma fórmula de matemática?
Como sorrio às vezes
Contando as aves de uma alegria adormecida
Como voo às vezes numa vaga de nome vida

Como navio descascado do rumo
Acenando distraído ao desprender das estrelas
Simploriamente distraído pela maresia
Serrando os olhos ao correr do dia

Ah como é uma treta viver
Como é amargo beber a mentira
Esmagar estes dias insulares
Imaginar a paixão sem espera

Na espera
O silêncio é coisa demorada
Uma mulher que berra muda
E despe-se atormentada

Sabes?!
“As gaivotas são flores do céu”
Os golfinhos as plantas do mar
Eu apenas sal, que nunca te deixará de amar

Este herói desconhece o fim da batalha
Entrando em si ri-se do infeliz
Morde uma maçã adormecida na mesa
E recorda palavras amargas sem qualquer certeza

Obrigado
Não tem de quê
Tudo isto e mais a fome da loucura
Este louco tem tanta verdade, tão pura

Conta as estrelas antes de adormecer
Reza a quem o despreza
Perdoa a quem o magoa
Chora nas águas de uma verde lagoa

Conta as pedras que o mar embala
Faz castelos de areia no alto de um monte
Não tenham pena do poeta, não chorem
À vezes pergunto-me...PORQUE É QUE AS FLORES MORREM?...

sexta-feira, 22 de abril de 2016

O VALE DOS ANJOS


Já vivi
Onde a palavra amor é interdita e afagada
Já sonhei
Sem gestos, uma sinfonia muda

Sonho contigo, em mim
Atravessando o coração
Já percorri um vento grave sabendo a silêncio
Já li a tua sina na palma da minha mão

Sabes?!
Amar-te-ei até nascerem rugas nas montanhas
Até à voz cansada
Até que este mundo não seja nada

Sabes?!
Tenho um prato tiritante de beijos
Uma rosa, uma mão apontando ao teu coração
Tem tanto, tão pouco este pobre louco...

Tenho-te mesmo que não queiras
“O amor fica, mesmo quando adormecem as hortênsias”
Como anjo transparente, sente
Como se o mundo coubesse na minha inventada cidade

Talvez seja um pássaro que não morre
Voo e o meu corpo é terra
Partindo de verdade
Para o sitio da tua espera

Não tenho palavras que te expliquem
Como componho a solidão
Tenho apenas um cálice que embebeda o poeta
“Tenho apenas uma ilha no lugar de coração”

Tenho um mar nos caracóis do teu cabelo
Tenho um céu de fogo com nuvens de novelo
Tenho cá dentro uma frase que reverbera
Tenho uma fé que não é quimera

Subo a encosta que devolve a esperança
Espalho ao vento todos os meus sonhos
Espero que um deles te toque em amor
Nesta ilha, neste...VALE DOS ANJOS

sexta-feira, 15 de abril de 2016

A PAIXÃO DE UM PROSCRITO


Olhei a noite, olhei para o céu
As estrelas nunca se ausentam
Olhei para o dia na chegada da aurora
Sonhei que estavas comigo, não foste embora

Pensei dar um nome às árvores do meu jardim
Este querer que absorve o tempo palpitante
A tua voz nunca se apaga no meu corpo
O teu sorriso ficou tatuado em breve instante

Baloiçam meus sonhos
Brilham afogados pela água irritada
Este coração de homem embriagado
As palavras que flamejam no quase nada

A vida é uma bebida com sal
Sem sol, é uma carta
Na mão de um santo moldado em pedra negra
Escavada na loucura

Mas, tudo renasce afinal
O amor? Talvez
E só porque as montanhas se desfazem devagar
Há um surdo grito, poeta no eterno caminhar

Hoje decidi pintar a dor
Em brancos brilhantes
Hoje decidi libertar um sonho
Pedir-te para me amares em mil instantes

Hoje decidi procurar respostas
Sem conhecer as perguntas
Hoje não quero rezas nem hossanas
Quero abrir em mim todas as portas

Sei que vou encontrar na manhã inevitável
Sombras, montanhas irritadas
Sei que vou encontrar a sina distante
Sei que me amarás de alma confiante

Porque sei tudo isso?!
Talvez apenas porque sinto e existo
Um homem erra e chora, reza, ama
Mesmo que seja...A PAIXÃO DE UM PROSCRITO...

sexta-feira, 8 de abril de 2016

QUANDO A ÁRVORES SE ABRAÇAM


Hoje apetece-me escrever
Sobre seres normais
Hoje resolvi cobrir o universo de cores
À espera do inadiável sem tristeza, dores

Talvez seja apenas um vagabundo solitário
Talvez um anjo triste
Talvez seja o escárnio da ilusão
Um pobre palhaço com uma lágrima no coração

Com o rosto perplexo fixando as nuvens
Desenhando pássaros do mar
Dançando com golfinhos em terra
Esperando que Deus me ensine amar

Este aroma de flor sem futuro
Esta ilha soçobrando com o mar em volta
Quando as hortências trazem lembranças solenes
De ti minha terna e doce sinfonia

Faço anos amanhã
Mais o bando de pássaros loucos do meu jardim
Faço amor em cada palavra que escrevo com paixão
Não liguem, hoje ao poeta, está mal do coração

Gostava de adormecer
Sem esperar por outros amanheceres
Estou tão cansado destes tempos loucos
Perdi-me nesta contradição de sentires

Sopram os ventos de melancolia
Já me sentei à noite num jardim
Cantando à lua prateada
Já rasguei meus versos, já riram de mim

Já choraram nas minhas palavras
Aplaudiram as minhas derrotas
Já construi a sorte em pequenos nadas
Atirei ao mar as esperanças já mortas

Já fui tanto, tão pouco
Já me chamaram poeta tonto e louco
Já morri e renasci com os anos que passam
Este homem que chora...QUANDO A ÁRVORES SE ABRAÇAM

sexta-feira, 1 de abril de 2016

SONETO DE AMOR


Talvez seja a consciência do amanhecer
Uma barca a navegar pelo coração da ilha
O desejo surdo de um vagabundo
Uma luz que se acende no passear da vida
Um canto sob a luz dos holofotes
Um palhaço poeta disfarçado nos espelhos
Rabiscando num papel adormecido
As ondas dos teus cabelos

Oiço a música forjada e quente
Do sol e do mar
Enquanto construo na areia um castelo
Onde te possa celebrar no amar

Contenho esta alma inquieta
Na procura de um porto seguro
Sinto correndo o suor de um sonho
Percorro na tua procura um caminho embriagado

Esta não é uma carta, um postal, um diário
Será o sentir algures no despertar da sombra cativa
É assim que construo a casa colorida
É assim que recolho o destino nos braços do dia

Insano é o tempo que me fala de um mar revolto
És Mulher, vem sem violentares palavras
E sabes:
É possível dilacerar as nuvens escuras das fronteiras

É possível:
Fazer sorrir as estátuas
Voar com anjos azuis
Amar-te afastando todas as mágoas

É possível:
Olhar para o rosto das árvores
Voar nos olhos de uma gaivota
Abrir no teu coração uma nova porta

É possível:
Varrer do coração toda a dor
Por isso te ofereço
Este... SONETO DE AMOR...

sexta-feira, 25 de março de 2016

COMO CHEGASTE À MINHA ALMA


Tu apareceste, a noite encheu-se
Plena mulher, lua ardente
Percorro o teu pequeno infinito
Nesta viagem de coração sedento

Vivi numa guerra de palavras
Senti a dor no rasgar de todas as madrugadas
Cantei canções de estranha melodia
Transformei raivas em esperanças

Levo o querer à voz cansada
Numa carícia sem sede
Vou pensando no céu e no mar sem Deus
Vou tremendo escrever o poema depois

E escrevo para ti
Na fronteira perdida da noite
Invento golfinhos de chapéu de coco sorridentes
Gaivotas azuis invisíveis

Com os olhos presos ao sonho
Os tumultos e a dor não estão comigo
Este meu espírito alucinado sugere-me
Que és pássaro, terra, lava ardente

No centro do meu sentir
Beberei o mar
Alimentarei a tempestade
Voarei para te amar

Vou rasgar velas
Abrir à luz todas as janelas
Vou ser aprendiz de feiticeiro
Fazer-te um doce sortilégio

Vou esmagar estes dias insulares
Encher a mesa de pão e vinho
Vou rezar ao ouvido de Deus
Para que te ponha no meu caminho

Sabes?!
Tudo o que se move e pode sentir
Às vezes acende no peito uma rubra chama
Tal...COMO CHEGASTE À MINHA ALMA...

sexta-feira, 18 de março de 2016

ONDE SE ACONCHEGAM AS MARESIAS


Despontou a manhã
Escuto nos teus cabelos as ondas do mar
Fui abraçado por Deus
Senti Sua Mão, senti-me divindade, despertei o amar

Sim, é possível
Escutar as ondas a bater no teu coração
Onde houver uma pedra
Pintarei uma árvore, uma emoção

Sabes?!
Inventei uma metáfora
Uma forma de na verdade me encontrares:
“Ser é existir apenas em amar-te e em tu me amares”

Vesti um fato de pássaro
Mordi o tempo inesperado
Debaixo de um sol de sangue
Apaguei a luz clara do pecado

Lavrei sonhos, enganei o tempo
Apanhei diamantes ao alvorecer
E como se uma estranha alucinação me ensombrasse
Hipnotizei as palavras de um breve história só para te ver

Fosse porque fosse
Senti-te sempre tão além
Na voraz caminhada da lua e do sol
Quis ser sempre tanto, alguém

No vazio de um punho cerrado
Um grão de areia
Sei, que uma destas manhãs
Uma luz se vai acender nesta alma linda

Por maldição
Meu corpo é, fogo, fome, sinfonia
Por contradição
É atraído para o teu em sublime paixão

E grito uma muda oração
Mergulho nas palavras mudas que me envias
Este ser que caminha nas pedras da ilha
...ONDE SE ACONCHEGAM AS MARESIAS