sexta-feira, 30 de março de 2018

A DISTÂNCIA QUE O AMOR CONSAGROU




Uma rosa pode mudar uma vida
No naufrágio da voz errante
Segui um luar na sua volta completa
No canto aos deuses da madrugada
Tens um corpo de rumores
Andorinha do mar
Tens nos olhos o canto da maresias
No adejar dos dedos o verbo amar
Ardem azuis as sombras da saudade
Pelo amor se retoma á ilha
Pelo destino se inventa uma cidade
Para ti...
Ouvi as pedras
No crepitar melódico das ausências
Ouvi em ti revoadas de pássaros cantando
Sonhei contigo
Lugares imanado uma nova existência
E senti presságios e sonhos amando
No cântico das crianças
No regresso de infindáveis agitações
Dois corações
No orvalho que a manhã deixou
Neste caminho que marca
A Distância Que o Amor Consagrou...









sexta-feira, 23 de março de 2018

SEMENTES DO OLHAR


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Hoje sentei-me no tempo perto do mar
Pensando como nos perdemos
Nos espelhos da contradição
No espanto das pétalas de um olhar
Só sou quando estou
Levei anos e dores para a  ti chegar
Vi todas as gerações do vento dançar
Ergui-me do deserto
Cheguei ao jardim dos regressos
Bastou um olhar para te encontrar
E ouvi pássaros a cantar como água
Rosas perfumadas como mulheres formosas
Ouvi um lamento vir de lugar distante
Num naufrágio da voz errante
E logo que te senti
Para a saudade morri
Bebi contigo a primavera
Desenhei no céu uma quimera
Fui protagonista de uma história de encantar
Tudo isto passou-me pela alma
Ao tocar as Sementes do teu Olhar...



sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

RI PALHAÇO



Na metamorfose do tempo
Bebi água da lua
Juntei pedaços do espelho da memória
Dancei uma valsa deslumbrante
Chorei um perdido amor de uma triste história
Fiz alquimia com o poder da água
E na ortografia do olhar
Senti vontade de te amar
Com o sol entre os joelhos
Toquei a tua silhueta entre as rosas do silêncio
Levantei a água dos teus cabelos
Sussurrei palavras de emoção
Ao teu coração...
Corri perdido pela ilha a fora
Sem querer ir me embora
Talvez eu seja o verbo que evoca o amor mais raro
Ou apenas um palhaço que chora
Coroei-me com uma coroa de sementes mortas
De mãos postas rezei tomado pelo cansaço
Não chores mais
Ri, ri...palhaço

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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

VÃ OFUSCAÇÃO


 Dancei nos rumores do teu corpo
Tuas roupas, folhas latejantes, quentes
E senti a febre nostálgica das hortênsias
Devagarinho matei as palavras de dor
De mansinho esculpi em ti o amor
E tu...
Divagando nos voos do olhar
Habitando um jardim sem estações
Fraquejando sobre uma acácia rubra
Com um desenho de dois corações
Gaivota minha, garça alva mirando-se na lagoa
Nas conteiras tua voz é orvalho
Na espuma do mar és andorinha de doce olhar
Soubeste ouvir o sonho, não soubeste sonhar
Descalça nas crespas águas do tempo
Eu para acender a felicidade em ti
Só preciso de um momento
Para chegar ao teu coração e não ser

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Uma, vã ofuscação...

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Á TANTO TEMPO, FOI Á INSTANTES


..O muito tempo que passou
A pálida parede da memória aprisiona-me
Entre mim e as palavras há um tinir de punhais
No êxodo dos instantes
No lembrar dos olhos frágeis tremores
Na sombra da voz que és entre as hortênsias
A tua sombra descendo uma janela
O mar sempre ao fundo atento á respiração da terra
Este pecador em santa guerra
Este amor em eterna espera
Um cheiro de solidão crescendo nas pedras da ilha
Caminheiro entre marés
Descubro-te no reflexo das lembranças do mar
E aí relembro o amar...
Ainda inocentemente planto o vento
Ainda sonho no teu amor por um momento
Ainda me vejo num palco de comediantes
Sabes meu amor...?!
Á tanto tempo, foi á instantes