sexta-feira, 19 de maio de 2017

A DOR DE UMA RENUNCIA


Na solidão do crepúsculo
Verticalmente duradouro
A despedaçada boa vontade de amar por amar
O balanço do pensamento
O tempo certo do feliz momento
Uma palavra que se recolhe amarga
No cerne imperceptível duma canção
Porque estando em si ri-se o homem mais infeliz
Na chama das palavras tudo se pode sentir
Num cais de esperas também se pode partir
A sorrir num chorar dolente
O sol sorri na ilha
Se fosse inverno
Se alguém reclamasse um sussurro
No vazio da voz imensa
Uma criança quando chora não pensa
Por tudo isso
Sinto nos poros um calor mais suave
Não espero cartas de fora
Voarei no voo da gaivota
Devorando todos os beijos possíveis
Risco o mundo
Deixando as esperanças à tua porta...


segunda-feira, 8 de maio de 2017

CONTEMPLAÇÃO


Corri, caminhei, orei, chorei
Senti o vento brincar no mar
Vi pássaros a cantar
Vi gaivotas descansando o voar
Não tenho Mãe para oferecer uma flor
Sei que lá do alto nunca me falta em amor
Protegem-se as pedras e a saudade
Nesta vida...
Plantei flores, nasceram limões
Há palavras ditas singelas sem contradições
Quando se diz a palavra amo-te às vezes unem-se corações
Nestes dias, faltou-me sempre a bondade
O cuidado que me fazia feliz
Nestes dias de raiva, maldade e esperança
Nestes dias subo para uma folha e papel
Para tentar ungir palavras de confiança
Pintor, navegador de Mares coloridos
Passos perdidos
Perdi anos, risos, abraços e até o amor
Perdi alegria, ganhei alentos e voei em sete ventos
E quando achei que já sabia e tinha tudo
Descobri que ser feliz só é possível em breves momentos...
E porque este é o tempo das flores
O tempo dos namorados patetas
Deu –me para pintar uma tela “UMA OFICINA DE BONECAS”