sexta-feira, 1 de maio de 2015

CORRENTES DE UMA PAIXÃO


Este dia acordou feio e sombrio
Como um tostão de gente, correu frio e húmido
Este vento é grave e sabe a descontentamento
A água afoga a terra, esta bruma parada num momento

Gostava de ir ter contigo num País encantado
Sem casas, nem lagos, com flores e dizer, meu amor
Ás vezes corro nu, agasalhado pelo sonho
Gostava de viver na aurora da paz, sem rancor, sem dor

Estas palavras beijando o papel branco
Há sempre luz para o inicio dos gestos
Liberta-mos sonhos e comemos distâncias
Dá-mos braços á ternura e aprisionamos as ansias

Sou como uma criança de mãos vivas cheirando a vida
Deixem-me aqui cuidando com os olhos da irreverência dos pássaros
Deixem-me aqui envolto neste grito de saudade e nostalgia
Que seja a ultima vez que abro esta boca amputada no adeus do dia

Os sonhos não têm cor
Os homens não têm asas
As auroras escondem as estrelas
As mulheres não sabem amar, só são amadas...

Sobem-me abismos á alma
Nesta floresta de palavras cravo um punhal
Ontem por ontem na angustia pedi que me abandonasse o mal
Dos céus desceu um terrível e duro sinal

Pintei uma mulher fresca para servir a noite e toldar o sonho
A tela saiu uma desgraça de paranoicas cores
Uma rosa, uma mão no peito com um cravo cravado
É assim uma comédia de desenganos de falsos amores

Não encontro um lugar na palavra para o confiar
Neste poema duro e rude calei o coração
Fiz-me ao Mar neste denso e húmido nevoeiro
E lancei a âncora nas...CORRENTES DE UMA PAIXÃO...

3 comentários:

Célia Rangel disse...

Realmente, sentir-se "acorrentados" a uma paixão é algo encantador... Em sonhos tudo pode! Não há censura!
Belíssimo e mágico poema!
Abraço.

Tina disse...

Oi Profeta!

Saudade daqui, de suas palavras. Saudade da paixão que seus versos me trazem. Lindos versos, obrigada!

Grande abraço.

luar perdido disse...

Duras palavras de uma alma acorrentada a um farrapo de maresia, a mão húmida do denso nevoeiro das montanhas ou das cores sombrias de um dia que amanheceu pardo e tosco.
Duras palavras, mas um toque mágico do "cuidador de sonhos", que ainda permanece teimosamente, amorosamente a tratar das cores e os cheiros do chão que o suporta.
Lindo, como sempre, de uma mestria sem igual.
Beijo de luar