sexta-feira, 22 de maio de 2015

PALAVRAS CORREM MUDAS


Podias ser apenas uma pintura
Podias ser apenas uma concha perdida na areia
Podias ser um fugaz olhar que se esvai
Apenas uma imagem nas águas da Lagoa em noite de Lua cheia

Podias...
Ser orvalho vestindo os frutos na manhã
Uma gaivota poisada entre o Mar e a terra
A brancura dos sentires varrendo a saudade em santa guerra

Contemplei na manhã Anjos de água
Sentados sorridentes num arco- íris
Acenaram-me na essência que deslumbra
Dei por mim perdido entre a paixão e a sombra

Ás vezes o sonho é mais do que a palavra
A existência de Ti é inquietação matinal
Infindáveis agitações percorrem este peito
Em fragores de azul descortino o teu rosto inquieto

Não posso tocar-te a mão
Cheguei tarde ao sitio onde repousam as andorinhas
Com o Luar preso aos teus olhos fica cego o amor
Por isso bebo a saudade fria de uma pálida flor

Cintilante espuma!
Apetece subir por aí em ondas de alegria
Ao som dos passos da irrealidade sem bater em portas
E dizer: quando há amor, há mesmo amor, confia

Escutei no teu cabelo todas as ondas de um Oceano
Vi peixes beijando-se em camas de espuma
Em espelhos de água refletidos todos os momentos de paixão
E um golfinho entregando-me o teu coração

Triste ilusão...!
Apetece-me pedir-te vem!
Trás o perfume das outras eras
E liberta-me das mil esperas

Lembra-me os Outonos e Invernos a saber a pão
E, sorri no silêncio possível do reencontro das madrugadas
Mas vem, anjo das transparências nas asas do vento
E assim as...PALAVRAS CORREM MUDAS...

3 comentários:

Cristina Sousa disse...

Pois... há momentos na vida em que as palavras correm mudas. Adoro ler-te. Beijo doce Cris

Geo disse...

Podemos ser muitas coisas, fazer muitas outras, sentimos num dia o que nos cerca de mil formas diferentes, imploramos a Deus, ao tempo, que acabem com nosso tormento, mas, e quando recebemos o que pedimos? Essa é benção da ilusão, fazer de conta que é e nunca ser. Mas, há aqueles momentos que pagaríamos qualquer preço para vê-la despida, possuí-la, realizá-la e mesmo que por um momento deixar de sonhar e ser, o momento onde as palavras não são mais necessárias. Acontecer.
Belas e exatas palavras!
Beijo

Chellot disse...

A saudade fria congela a alma. Saudade já é triste, mas quando é boa faz-nos bem, quando é fria só nos desgasta.

Beijos doces.