quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O PRINCIPEZINHO


Sabes... quando se está muito, muito triste
É bom ver o por do Sol com mil prazeres
Sabes...num planeta pequenino basta subires uma cadeira
Verás quantos crepúsculos quiseres

Já vi um Rei vestido de púrpura e arminho
Já vi uma gaivota mirar-se num espelho de água
Já vi uma mulher dar o peito ao marido faminto
Um golfinho fazer nas ondas um ninho

Já pintei ovelhas brancas
Anjos tristes aprisionados á bondade
Pintei um sorriso de olhos de sol
Já amei mentindo, construindo a verdade

Será que as estrelas obedecem a um Rei?
Que as sereias cantam o feitiço
Será que o teu coração bate terno por mim
Ou o teu amor perdeu-se num fim?

Cá estou eu bifurcando a alma
Numa barca navegando no olho da cidade
Quero fechar este livro antigo de culpas
Quero repetir-te mil vezes uma verdade

Amo-te...!
Recordando o tempo de menino
No esquecimento do mar brincando
Nas escadas de um ancoradouro

Para te encontrar
Caminho no alcance do horizonte
Para além das suas muralhas te ver
Sabes...somos a consciência do amanhecer

Já nos rimos na madrugada extensa
O choro é uma certeza, não rasga horizontes
Como se o mundo não soubesse de tudo, de nós
Desmontando a misterioso fia de mil afastamentos

Nunca serei um guerreiro vencido pela maresia
Contigo no coração nunca estarei sozinho
Saber do teu amor
Faz-me sentir...Um Principezinho...

6 comentários:

Geovanna Rosa disse...

Ao ler o seu poema lembrei-me de 'Todas as cartas de amor são ridículas' de Álvaro de Campos... Seu poema está longe de ser ridículo e ainda assim o é por ser romântico e por não desistir de se-lo nunca... O que seria de nós sem o Amor? Meros mortais ocos... Precisamos ser príncipes e princesas mesmo que isso não seja uma constante, mesmo que sejam instantes, mas, eternos... Como o ''Rei vestido de púrpura e arminho'', como ''gaivota mirar-se num espelho de água'', como tudo que escreve e sente e vive... No seu mundo 'gigante e pequenino' mas cheio de Amor e seu, em seu coração. Por isso eu sou e serei 'eternamente ridícula' por escrever cartas de amor e por amar tudo isso. Beijos

Anónimo disse...

Encantador, adoro.
Abraço profeta poeta.
Bom fim de semana.

luar perdido disse...

Hoje, poeta triste, esquece o amor mentido, as pedras negras de um caminhar sem rumo.O sol tem o sorriso que lhe pintaste, e o mar tem o perfume do teu olhar sedento. Há um coração que bate, e um olhar que se esforça para alcançar a distancia. Há uma esperança que perfura as brumas que envolvem as lagoas profundas, em silenciosa espera.
Apaga a tristeza e não tenhas medo de gritar bem alto que amas. Sem amor o mundo não gira, a vida não acontece. Se sabes desse amor, então só podes mesmo sentir-te Principezinho, só podes sentir-te gaivota em voo pleno, golfinho em alegre brincadeira, vela desfraldada ao vento e crista de alva onda.... Triste? Porquê poeta? Quando a poesia te invade e transborda com tamanha beleza....

Uma carta de amor sem precedentes! Lindo!

Beijo tecido de luar

Miksileide P disse...

A tristeza pode ser um bom guia para dias melhores .... só não mergulhe muito ....

Lindas palavras!!!!

Elzinha Coelho disse...

Saudades de estar por aqui. Gosto de ler você.
O poeta vive noutro planeta, onde tudo pode. Até ser feliz com uma lembrança, pode.

Abraços

Anónimo disse...

Simplesmente maravilhoso!


Nunca serei um guerreiro vencido pela maresia
Contigo no coração nunca estarei sozinho
Saber do teu amor
Faz-me sentir...Um Principezinho...