sábado, 4 de março de 2017

SEMENTES DO OLHAR


O voar de uma gaivota varrendo a penedia
Uma singela flor que eclodiu no dia
Um campo de esperanças sem nostalgia
Esta singela alma que em Deus confia

Quero descer estes degraus da vida
De mansinho
Quero falar-te de todos os meus sonhos
Prender-me a ti em amarras de carinho

Libertei-me das grilhetas da maldade
Dei às palavras a infância da água
Numa fátua conivência do meu coração com o teu
Atirei ao mar a dor, a mágoa

És o verbo que evoca o oiro mais raro
Pássaro que canta a feliz memória
Um azul vespertino com mantos ardentes
A parte terna de uma emocionante história

Descalço-me frente das tuas ultimas palavras
Por este tempo
Por elas passaram gaivotas famintas
Não recolhi os frutos caídos deste outono

No êxodo dos instantes escrevo
À vezes amo o que não vejo
E no sussurrar desta irreverente poesia
Quero apenas plantar em ti alegria

Entre mim e as palavras há apenas amor
Um sentimento de fragor mais claro
Descanso o olhar sobre a tarde do mundo
Porque amar deve sempre habitar o mais profundo

Entrego-te
Partes de mim como uma profecia
Na lonjura onde o coração se consome na ausência
Continuo a ser apenas um miúdo pobre que em Deus confia

Um poeta louco
Perdido na distancia do amar
Porque a flores que crescem no coração
São de...SEMENTES DO OLHAR...

4 comentários:

Célia Rangel disse...

"Descer os degraus da vida lentamente..." Isso é graça divina que nos deixa admirar seres de rara beleza! Sementes que brotarão certamente...
Abraço.

Reflexos Espelhando Espalhando Amig disse...

OLa querido Poeta.
Escrevendo bem como sempre.
Faz tempo que não vinha ter aqui
e muito menos você aparecer lá no
meu Espelhando, mas parece que
escreveu apenas: gggggg.
É isso mesmo?
Ótimo fim de semana.
Bjins
CatiahoAlc/Reflexod'Alma

thiago vieira disse...

imagem lirica , um poema de ar do romantismo completa, boa.

luar perdido disse...

Poeta.... Já entregaste os pedaços de ti ao coração amado? Já fizeste caminho entre a tua musa - a inspiração de tamanho poema - e ti próprio? ou ainda deambulas a semear nas águas, no vento, no voo das gaivotas, as tuas "sementes do olhar"?
Feliz a amada que te merece este perfeito e lindíssimo "jardim": ainda em sementes, mas que, tenho a certeza, um dia florirá em esplendores de Primavera.
Magnífico! Uma magistral carta de coração para coração.
Beijo de luar