quinta-feira, 6 de julho de 2017

CONCEDE-ME UM INSTANTE NO TEMPO


Um instante de água fresca
Penso numa ilha de dor, magoada por viver junto ao mar
No alto sobrevoam os anjos tocando a terra que respira
Penso-te, numa muda sinfonia de gestos
Em longos sóis, longos dias
Abri os olhos pela primeira vez, nasci no mar
Vivi numa gruta adornada por búzios quietos
Vesti roupas de espuma e bebi a nostalgia
Naveguei numa terra verde e nela aprendi o amar
Senti crescerem as minhas mãos
Afoguei muita esperança já morta
Passei a conviver com sereias e ninfas
Espalhei meus sonhos pelas asas de uma gaivota
E vim...
Por dentro vim nu
Por dentro, não pensei vestir-me nesta viagem
Com a pele húmida das sagradas montanhas da minha terra
Este coração que sente o amor como santa guerra
Enquanto as manhãs crescem e são tardes e noites
“Mas sei dizer amo-te”
Sinto-te e vejo-te como singela flor do campo
Este homem é uma gota de vinho verde num cálice de azul intenso
Que pede: “Concede-me um instante no tempo”




5 comentários:

luar perdido disse...

Uma ilha de dor, que tem no mar o companheiro das mágoas, mas tem nas gaivotas as asas para ser livre. Um homem que traz a nudez por dentro e onde as "sagradas montanhas da tua terra" se agarram como lapas ás rochas batidas por imenso azul sem fundo, sem tempo, sem medo.
Profeta, que a tua boca jamais conheça o medo de dizer "amo-te", e que nunca percas a capacidade e a certeza de "saberes dizer amo-te". Porque, poeta, a vida sem esse grão de divindade não é vida, é poça de águas fétidas e sujas, é golfinho estropiado de guerras perdidas. Brinda com esse cálice de verde vinho! Brinda sem restrições ou barreiras; deixa que o azul te inunde a alma, te preencha os espaços frios e vazios de ondas de solidão mal calada. Terás todos os instantes no tempo....

Que a dor parta num barco sem mastro para que se perca no oceano sem fim, talvez assim o coração queira abrir as asas, que tem tolhidas e fechadas, e, simplesmente.... Voar.

beijo de luar

Ailime disse...

Muito belo, Profeta!
Um beijinho,
Ailime

luna luna disse...

quando caminhamos desde o inicio do mundo e trazemos dentro da alma só a leveza do amor, è uma abençao dos céus

lua prateada disse...

Maravilhoso Poeta..."Com a pele húmida das sagradas montanhas da minha terra"
Beijo meu lá da minha Lua
SOL

Chellot disse...

Instante concedido. Nossa, faz tempo que não vinha ler-te. Muito bom. Fica bem!
Bjs doces.