sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

TABU


Soltam-se os trincos da memória
Apagou-se um sorriso na minha lembrança
O dia perdeu-se na noite em assombração
As ondas no mar pararam sua dança

Às vezes o meu olhar enche-se de certezas
No meu peito pára este apressado querer
As mãos mergulho em água fria
Esta sede está morta sem saber

Morrem as mágoas na areia
Uma mortalha de espuma cobre um último pesar
Uma boca foi cosida a ferro rubro
Para não mais soltar a palavra amar

Corri num manto verde numa procura
Tropecei num Duende medroso mais morto que vivo
Desventrei a terra na procura de um peixe azul
E encontrei com quatro folhas um rubro trevo

Estou sempre a encontrar coisas estranhas
Uma vez encontrei um anjo alucinado
Uma mulher que disse ser dona da paranóia
E até uma fogueira de fogo acabado

Encontrei as cores todas que o olhar permitiu
Um ser que mostrou os dentes e nunca riu
Um monstro de sete cabeças irado
E um barco afundado que nunca partiu

Encontrei aquilo que achava ser o amor numa aurora
Fiz amor com amor como se fosse demanda
Fiz uma peça em que no fim ninguém ficava
Encontrei uma criança feia que achei linda

Tive um encontro com um Deus colérico
Que me falou no cínico ser que eras tu
Fechei a porta do vale dos lamentos
E fiz deste poema um… Tabu…

8 comentários:

Celina Vasques disse...

MARAVILHOSOOOOOOOOO!

APLAUSOS MEU POETA!

Quero deixar aqui a minha grande admiração por todos os teus escritos transcendentais!adorooo!

beijos ternos meu Poeta!

claudete disse...

Tabu...preconceito gerado pela incoerência que se debate entre a razão e o fervor...O que escolher? O que seguir? Eis a questão.Nós sabemos, somos donos do nosso querer.Belo e inigmático poema. Abraços.

Aquarela disse...

Algum desencanto neste encanto de poema...

uma sede morta sem saber...

amor feito com amor... como se fosse demanda.

abraço poeta!

helia disse...

Um Poema muito bonito !

S L Sousa Mendes disse...

Soltam-se os trincos da memória....

Estou sempre a encontrar coisas estranhas...

Fiz uma peça em que no fim ninguém ficava.....

E fiz deste poema um… Tabu…

.... O Tabu deixou de o ser ... para nos encantar!..

Xi-<3 , Profeta/Poeta Amigo....

S L Sousa Mendes disse...

Soltam-se os trincos da memória...

Uma boca foi cosida a ferro rubro
Para não mais soltar a palavra amar
....

Estou sempre a encontrar coisas estranhas...

E fiz deste poema um… Tabu…

E o Tabu deixou de o ser.. para nos encantar e seduzir...

Xi-coração, Poeta/Profeta Anigo...

S L Sousa Mendes disse...

Soltam-se os trincos da memória...

Uma boca foi cosida a ferro rubro
Para não mais soltar a palavra amar
....

Estou sempre a encontrar coisas estranhas...

E fiz deste poema um… Tabu…

E o Tabu deixou de o ser.. para nos encantar e seduzir...

Xi-coração, Poeta/profeta Anigo...

Thays Ferreira disse...

''Encontrei as cores todas que o olhar permitiu
Um ser que mostrou os dentes e nunca riu
Um monstro de sete cabeças irado
E um barco afundado que nunca partiu...''

Retratada a experiência, que locomoveu seu interior até novos pensamentos e sentimentos, digo, diga-se de passagem, que o meu foi levado até o limite da sensação livre. Amei. Amei cada palavra, cada momento, cada verdade, cada omitida. Tudo aquilo que vem infiltrado nos cantos mais imperceptíveis, é, na verdade, a verdade berrante, mas que deixa calar, e assusta, e admira, e machuca.

Está de parabéns!
Beijos.