domingo, 5 de maio de 2013

O CAIS DO SILÊNCIO


São de água meus pensamentos
Nas folhas das hortências por abrir oiço a ilha
São de incenso o odor da lembrança dos meus sonhos
Ardência das minhas palavras, ausente maravilha

Nunca regressei a uma saudade
Trago o amor amordaçado em gaiola aberta
Cego e solitário, sou peregrino descalço
Ausentou-se o nevoeiro, desfez-se o abraço

Fui aclamado, segui só sem andor
Não há tapete de flores para os caídos
Não há clemência para os esquecidos
Não há coroa de louro para os vencidos

Hoje sorri feliz co as primeiras amoras
Pedi aos santos uma ajuda que nem sei
Um cheiro de solidão cresce entre o negro basalto
Rezei baixinho de olhos fechados para o alto

Que ilha descubro em ti
Arquipélago de baleias e furiosos ventos
Murmurantes lágrimas caem em linho puro
Rasguei velas de moinhos, neste Maio maduro

Senti o corpo ceder à dor
Que importa o que sinto quando dizem minto
Que importa o que todos sentem
Se por todos o meu sentir sente que já não sinto

Se falassem as minhas mãos
Diriam que não são minhas, que são afago de um deus
Se mostrasse a minha alma ao vento
Ele diria que ela já nada sente

Estava eu aqui calado a ouvir o murmúrio dos dias
Nestes dias apetece-me correr pela terra
Tocar as nuvens, vencer um mar bravio
E sentar-me nas pedras deste…Cais de Silêncio…

14 comentários:

Rita Freitas disse...

Às vezes apetece mesmo a este cais do silêncio.
Muito bonito.

Bjs

Paty Carvajal disse...

A veces necesitamos decir lo que nos emborracha de rabia, con rabia, pero luego necesitamos el equilibrio del silencio y luego el silencio equilibrado de la poesía...

Profundo y maravilloso.

Un abrazo.

EU disse...

É sempre um prazer passear nos teus poemas, com todos os sentidos bem despertos, para me impregnar dos sabores que exalam teus versos.

Parabéns, poeta :)

Agulheta disse...

Às vezes o silêncio também pode ser ensurdecedor! Gostei muito das palavras.
Beijos e sorrisos poeta.

Tété disse...

"Se mostrasse a minha alma ao vento
Ele diria que ela já nada sente"

Não seria possível tal afirmação sobre uma alma que pertence a alguém que sabe amar e sentir tudo o que a natureza tem para dar.
Grande abraço

irene alves disse...

Um gosto ter estado aqui.
Foi bom.
Voltarei sempre que possa.
Saudações
Irene Alves

Janice Adja disse...

"Trago o amor amordaçado".
rsrsrs Ele é complicado.
Beijos!

Mar Arável disse...


Há sempre uma luz

no outro lado do cais

TITA disse...

Os teus pensamentos matam sedes de quem te bebe os poemas.Um abraço.

TITA disse...

Os teus pensamentos saciam sedes de quem te lê os poemas.Um abraço.

TITA disse...

Os teus pensamentos matam sedes de quem te bebe os poemas.Um abraço.

Maria Emilia Moreira disse...

Olá!
Um belo poema onde a sensibilidade do Profeta, está à flor da pele. Parabéns.
M. Emília

Nany C. disse...

serviu-me...
"...Estava eu aqui calado a ouvir o murmúrio dos dias
Nestes dias apetece-me correr pela terra
Tocar as nuvens, vencer um mar bravio
E sentar-me nas pedras deste…Cais de Silêncio…"

Beijos em teu coração, Profeta!

mARa disse...

São esses dias barulhentos de vida que nos fazem por vezes pensar no silêncio que nos colocamos e a vida passa e há flores espalhadas pelo solo, basta acreditar.

letras profundas Poeta.

bjão!