domingo, 29 de setembro de 2013

A MUSA DE FOGO


Quedo-me sobre os escombros da vida
Este Teatro destruído por vil mão
Tropecei em dispersos desenganos
Amordacei a luz, encobri a paixão

As palavras, as minhas…
Podem destruir o homem, a palavra não
Podem amordaçar o poeta
Nunca o seu coração

Este Domingo de Setembro nasceu vazio da claridade
Ainda sinto o rumor do crepúsculo desvanecer
Tacteando a sombra de uma buganvília
Cerro os olhos para não ver, não crer

Oiço passos minúsculos, aproximando-se da minha memória
Assalta-me a lembrança, solta-se uma memória
Um anátema…
Mil histórias, uma singela história

Esqueci os primeiros degraus da vida
Pensei como se envelhece nos espelhos
Deram-me no tempo uma coroa de folhas já mortas
Fecharam-me amizade no bater de sete portas

Memórias…
O verbo que canta às vezes evoca o amor
Às vezes a dor…
Há palavras que ardem mudas
Há espinhos na beleza de uma flor sem cor

Entre mim e as palavras há o tinir de punhais
Enternece-me a visão dos frutos de Outono
No êxodo deste instante escrevo
Olhar sem rumo, sem sentir não vejo

Ao olhar os ocultos fascínios de Mar
Pintei um nome de Deusa num barco
Pintei dois anjos de água negros
Pintei uma …Musa de Fogo…

7 comentários:

Ana Bailune disse...

Obrigada por este belo poema.

mARa disse...

Sem palavras Poeta, muito beleza e leveza e ardor e amor entre solidão nesses versos, gostei imenso.

bjo!

Célia Rangel disse...

... "como se envelhece no espelho... como as amizades fogem de nós..." Um poema de quem vive e não vegeta! Parabéns! Lindo e tocante!
[ ] Célia.

Cidinha disse...

Olá, amigo! Boa tarde! Que posso dizer de tão belo poema? Perfeito. È um prazer passar por aqui! Apesar de ausente, deixo todo carinho da amizade e espero breve voltar. bjos!

Arione Torres disse...

Oi amigo, que lindo poema, amei cada palavra!
Tenha uma ótima semana, abraços!

Fa menor disse...


Às vezes a dor…
Memórias…
mas que o verbo cante sempre muitas vezes evocando o amor.

Bjs

Kátia disse...

"Memórias…
O verbo que canta às vezes evoca o amor
Às vezes a dor…
Há palavras que ardem mudas..."

As minhas palavras ardiam mudas provocando em minha memória as lembranças de outrora.E como TUDO faz parte de um conjunto,vim absorver um pouco da sua sensibilidade para poder retomar as coisas que gosto.
Muito obrigada por me inspirar!
Continua...