domingo, 1 de dezembro de 2013

O CHAPELEIRO LOUCO DE ALICE


Caem gotas do celeste, choram os deuses
Apetece-me subir por aí em ondas de sussurros
Não voam anjos quando chove na ilha
Debaixo do pó de arroz nem sempre a maravilha

Tenho o sonho de uma cagarra por um voo feliz
Há uma liberdade contada estampada no meu rosto
Decidi faltar ao encontro dos desencantados
Fosse porque fosse vivi o amar até ao sol-posto

Onde se mede a beleza de um poema?
Ainda me arde à alma certas palavras
Na voraz caminhada por incertos dias
Apenas quero esquecer as mágoas

Perguntem aos mestres a razão
Porque têm tectos as casas?
Porque nos aquece a promessa do amor?
Porque perdi para esta vida as minhas asas?

Louco poeta…
Membro honorário do clube dos poetas mortos
Caído nas garras do vento
Rei da prima palavra por um momento

Fazedor de magias esquecidas
Não discuto porque Deus me fez assim
Podia ser apenas o despertar de uma sombra cativa
Sou apenas água de beleza altiva

E vejo os pássaros trajados de mil cores
Um milhafre zangado de cartola
Uma gaivota sem vontade de voltar ao mar
Um mendigo que nega esmola…

…Que toca um tambor com vigor
Que faz coisas belas e uma ou outra tolice
Abri hoje uma caixinha de música
E saiu de dentro o…Chapeleiro Louco de Alice…

5 comentários:

Ingrid disse...

Profeta,
.."Onde se mede a beleza de um poema?"..
em cada verso teu aqui..
beijo.

Mellissa disse...

Que lindo! Comecei a ler porque sou fã de Alice, mas, nunca imaginei que leria uma poesia tão terna e cheia de entrelinhas.
Parabéns.

Carmem Dalmazo disse...

Profeta...

Uma idéia e um louco poeta...
Um poema maravilhoso!

Beijo

Claudete disse...

O poeta é inquiridor dele mesmo, livre para criar , compor e pensar, sem rédeas...Senão não seria poeta. Belo poema! Feliz Natal para você Profeta.

Kátia disse...

Belo jogo de palavras entremeados pela história da Alice.Bravo meu amigo Profeta!