sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O JARDIM DOS REGRESSOS


Não voam anjos na bruma da Ilha
Oiço palavras gritantes de um olhar doce
Derramei sonhos num vale de assombração
Tenho tanta saudade de te dizer amor, dar a mão

Guiado pelo esplendor dos poentes
Segui o aroma suave das buganvílias
Parti aos poucos nessa minha caminhada por dentro
Acordo nas manhãs, perdido dos horizontes, incompleto...

...Por não te ter...
Sabes meu amor, há um lugar onde as coisas fazem sentido
Há um lugar onde partimos como vagabundo
Há um lugar onde chegamos expulsos do Mundo

Ninguém espera pela noite na chegada do Sol
Ás vezes viro a cara ao tempo e ao deslumbramento
Ás vezes sento-me a olhar em volta como fosse louco
Ás vezes dou tanto, recebo tão pouco

Os escutantes do perverso afinam a parte negra da alma
Nestes dias o verde é de tal forma irreal
Há uma hora das portas fechadas
Há sempre um coração vazio, banal

Sou o inventor da luta entre o silêncio e a palavra
É nesse exato momento que algo exulta
Será que sabes da importância que dou aos grandes acontecimentos?!
Será que ainda reverbera a música de raros momentos...

És como o nascer da manhã inevitável
Sou um olhador de sorrisos sinceros
E todavia fez-se penumbra no decorrer do dia
E todavia o tempo desapareceu devagar, no teu chegar

No teu olhar aconchegam-se as maresias do Outono
Um ramo de misteriosas camélias
Hoje decidi fixar nuvens nos ventos
Decidi abrir a alma aos mais belos momentos

Hoje decidi ter respostas sem fazer perguntas
Decidi ser eu mesmo, sem inventar, processos
Sentei-me pois neste banco feito de folhas e frutos
Neste meu...Jardim dos Regressos...

3 comentários:

Célia Rangel disse...

Um dos mais lindos poemas que já li! Maravilhosamente mágico!
Abraço.

Paulo Vasco Pereira disse...

Magnífico!!!!
Abraço.
Paulo

http://sonhosdesencontrados.wordpress.com

e

http://ondenaoestou.blogs.sapo.pt

Sonia Schmorantz disse...

Excepcionalmente bonito, palavras que saíram do fundo do coração...