sexta-feira, 6 de novembro de 2015

SOLISTÍCIO DE AMOR


Para se falar de uma ilha
Não há um nome único
Para se falar do sentir
Só existe o mais profundo

Algures no teu coração
Onde a palavra pode chegar
Mora uma justa contradição
Sabes do amor, medo de amar

Este mar com o beijo do céu
A maneira como morre o sol
O saborear a terra das flores azuis
Uma melodia terna em si bemol

Sabes, a ilha é um nome verde
Como sorrio às vezes
O teu nome soletro ao longo do dia
Cinco letras de encanto e nostalgia

Imperturbável não te apercebes
Que o teu espírito alucinado te sugere
Enquanto o teu coração amedrontado inventa uma fuga
Boca que diz não, coração que o amor segura

As crianças tornam os muros palácios
Tu, mulher, quatro quereres num lar
Uma mesa com aroma de pão
A palavra saudade escrita no chão

Tu viste-me chegar desorientado
Com a boca cheia de termos gastos
E cheguei, e parti
Poemas foram crescendo sozinhos para ti

Compreendi neste tempo
Que é preciso sorrir
Sei que quem parte às vezes fica
Às vezes partimos com o corpo e fica o sentir

É tão mau sermos sempre os mesmos
Por isso vou atirar ao mar toda a minha dor
E começar a pintar este mundo a meu modo
Num...SOLISTÍCIO DE AMOR...

1 comentário:

Célia Rangel disse...

Renovar-se sempre no mais belo espaço que nos é dado para amar, sermos amados e deixarmo-nos amar! Poema magnífico!
Abraço.