sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

ESTE ESGOTAR NOS LÁBIOS


Fria, a manhã cresce
No longo sono das hortênsias
Esta lava escura do inverno
Serena com os meus olhos colhendo

Este lembrar de ti a cada segundo
Este acaso clamando um novo dia
Aqui a terra fechando-se em volta de tudo
Uma canção presa á boca de um mudo

Um desejo
A poesia infinita de um beijo
A verdade que rasga os olhos
A voz que devasta o coração, tudo

Nos vossos corações
Deixai-me criar epitáfios
Uma voz calada
Mais vibrante que esta branda fala

Já enlouqueci
Passeei os olhos pelas sombras de uma parede nua
Já deixei um abraço suspenso
Numa fria rua

Contigo...
A entrega dos sentidos
No pousar dos lábios sobre a carne
Com a vida a chamar-me à realidade

Encontrei...
Segredos escondidos na penumbra
Um amar com feições novas
O desejo da pedra, o conhecimento da espera

Este compasso febril do coração
Esmagando os medos do silencio sem ver
Sabes, o choro não rasga horizontes
Nem a saudade é fácil esconder

O teu silencio
É o nosso murmúrio surdo das árvores
E assim o sonho se perde no esquecimento do mar brincando
E assim o mundo para quando o amor se solta de um coração chorando

Bifurcando os contornos deste ano que começa
Olhei-me de mil formas nesta sala de espelhos
Já proferi mil palavras de amar
...ESTE ESGOTAR NOS LÁBIOS...

2 comentários:

luar perdido disse...

As manhãs , as noites, as sombras, as meias tintas e as tintas todas. As silenciosas lagoas e as brumas de esquecimento: são palavras, são imagens na distancia de um mar sem fundo, de um azul cobalto de saudade.
Não esgotes nos lábios os sentimentos, nem amarres no coração, calado, a promessa de um amanhecer de radioso e quente sol.

" o choro não rasga horizontes
Nem a saudade é fácil esconder".

Chora. para criares pontes e mostra a saudade... De certeza haverá um porto onde acolher, aninhando, o teu sentir.... Um grito, mudo, mudo demais, de um coração - e alma - que não "quer" ver as gaivotas voar, nem os sorrisos enfeitar os beijos sonhados. De um coração - e alma - acorrentados com cadeias nuas e desesperadas de um abraço suspenso não numa rua fria, mas sim numa ausência "imposta".

Belo, triste e sofrido poema, Poeta. mas, sem qualquer duvida, muito teu.

Beijo de luar

Célia Rangel disse...

Em um beijo muito existe de poesia amorosa... Nos lábios expressamos os desejos...
Abraço.