quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

NÃO É FÁCIL PERDER-ME DE TI


Habitei o sitio onde o grito se enrola nas lágrimas
Vou abandonar este inverno de dor
A caminho do verão ouvindo o mar
Vou, quero ir a lugar nenhum, não quero ficar

Inexplicáveis desertos
Golfinhos morrendo de tristeza
Gaivotas famintas
Viver sem certeza

Uma mentira cai contra a parede do mundo
Uma sereia decide deixar o mar profundo
A sombra de uma vida tombada
Nos pátios da solidão, perdi o coração

Não...!
Foi arrancado por cruel mão
Esbracejo vencido sobre olvidadas folhas sem tinta
Como raízes de uma árvore extinta

Apetece rebentar na cabeça o silêncio
Fugir de mim numa viagem sem fim
Ir ver a maneira como morre o sol
Morrer, perder-me de mim

A noite aproxima-se hesitante
Há sempre em cada esquina, numa porta por fechar
Dentro da sombra
Um punhado de amor esperando o despertar

Recolho na hipnose dos sons
O meu sangue perdido entre dois mundos
Sonhos moribundos
Sou apenas o rei dos vagabundos

Um suspiro definitivo
A palavra que se recolhe amarga
Sou o vencido, não espero o abraço
Exigindo um nome, perdoando a demora

Uma criança que chora
Um poeta que já não sorri
Sabes?! Mesmo que eu queira partir
...NÃO É FÁCIL PERDER-ME DE TI

2 comentários:

Pensamentos Com Asas disse...

Bom dia. Bela poesia.

luar perdido disse...

Poeta, poeta!! Sacode a poeira dessas negras lavas de profundo inferno - inverno em que afogas o coração palpitante -, está nas tuas mãos acariciares a vida. Sabes? Ela brota, silenciosa e ténue a teus pés. Não a pises, não a esmagues com a dor que não apaziguas. Há sempre um mar, há sempre uma nova aurora, há sempre um sorriso que te espera e uma mão: aberta, em espera, para prender a tua.
Poeta! Abre a gaiola da dor, liberta-a; Só pelo amor se obtém o perdão, só pelo amor se ganha vida. Não, não és vencido - vencido é aquele que se entrega: um perdedor. Tu não! Tu és a gaivota que olha o infinito mar, tu és o golfinho que sonha com o azul de silenciosa harmonia.
Luta, poeta maior. Há uma rosa por abrir à espera de uma amena primavera. Há uma hortência a enrubescer no mistério do nevoeiro, há uma açucena a espreitar esse rei - não dos vagabundos - mas das manhãs de palavras redondas e plenas.
Poeta....Não te percas, a vida não espera... Passa e...perde-se - vive.

Um poema de uma dor e desalento brutais; Que magoa, mas de uma beleza sem par.
Beijo de luar