sexta-feira, 2 de junho de 2017

SEE ME



A saudade
A sede que se sente
Quando a ilha nos aperta o coração
E observo
O frio dos abismos sem principio
Uma gaivota repentina
Levando consigo o sofrimento
Não espero cartas
Nem por um momento
Não escondo as mãos por entre o sonho
Tenho em cada poro o amor e a dor que senti
“Morri todos os dias a esperar por ti”
Acho que tudo o que há de bom
Devia ressuscitar sempre:
Alegria de um músico triste
A palavra pintada de ternura
A esperança de uma alma pura
Este crescer de quem devora as coisas
Este esgotar nos lábios a poesia infinita
Este instante de lembrança de amor perdido
Violando o pensamento
A voz do fundo da garganta a cada instante
Dizendo: SEE ME

2 comentários:

Célia Rangel disse...

Ressuscitar sempre tudo o que há de bom e nobre no humano... Belo o seu poemar diante de tantos 'desvalores' humanos!
Abraço.

luar perdido disse...

Há uma sede que te aperta o coração, tolhe a alma e enevoa o olhar, apenas porque te permitiste "Morri todos os dias a esperar por ti”. Se tudo o que há de bom deve ressuscitar, sempre; permite ao sol - renascer a cada dia. Permite à lua - brilhar a cada noite - embalando os sonhos secretamente acalentados no (desa)sossego do peito apertado, espartilhado num amor ausente.
Não escondas as mãos por entre o sonho, nem os olhos por entre as brumas, nem o rosto em frias manhãs de cais desertos. Não! Vem para a rua; vem para a vida; vem para onde o mundo nasce a cada instante e deixa que os olhos amados possam responder ao teu apelo; "See me", dizendo um simples mas sincero; "I do see you".

Um grito, disfarçado de palavras, brincando à beira de uma lagoa.Um apelo na ilha; Eu oiço!

Beijo de manso luar