quarta-feira, 19 de março de 2014

GARÇA PERDIDA



Ouvi uma voz longínqua no vento
Senti o aroma do amor passar perto de mim
Senti sementes de um olhar inquieto
Tão longe, tão perto

Foi uma árida manhã, um dia sem Sol
Atravessei um areal de esperança
Meu barco leva o nome de mulher
Amo e sempre amarei, querendo quem não quer

Absorto na transparência da solidão
Há um lugar nos teus olhos onde habito
Há um recanto sem pranto na tua alma inquieta
E um destino que terá rumo certo

Todas as errâncias e afastamentos são loucura
Há um ribeiro de águas puras de ternura
Há joias de sentimentalidade estendidas no caminho
Há um relógio que marca um chamamento baixinho

Há um segredo e as vertentes de uma paixão
Ondas de beleza no afago, fascinação
O ar libertou hoje o odor de sonhos passados
Não há longe nem distância para um coração

Venho da dor no regresso de uma saudade
Venho lembrar que há apenas uma real verdade
Liberto meu grito nas fundações da luz
E peço paz e um milagre de amor a uma santidade

Esperei por algumas palavras
Atravessei isolados terraços da incompreensão
Plantei ventos, colhi desenganos
Pintei a prima obra com as cores da paixão

Tudo isso para falar de uma singela emoção
De uma vontade que ficou em ti contida
Cerrei os olhos e iluminou-se minha alma
E vi no me céu uma...Garça Perdida...

1 comentário:

Célia Rangel disse...

No envolvimento com a solidão, muitas vezes deixamos de sentir lugares e emoções que habitam simplesmente "olhares".
Abraço.