segunda-feira, 25 de agosto de 2014

GENTIL PROFESSORA



Hoje há uma festa de poente
Este céu radioso menstruado de fogo
És em ti a ilusão do fim do dia
Pássaro que dorme em minha alma vazia

Eu vi o teu terno sorriso
Aqui do interior da retina onde se apaga o fim
Pé ante pé, espreitei colinas de olhar
Desenhei uma escultura de esperança sem acabar

Sabes!?
Numa das mãos trago a esperança
Noutra o coração
Nos olhos um infinito que a minha alma alcança

Por eles só passará quem fizer crescer o fruto da verdade
Por aqui abriu-se a terra em tonturas de lava verde
Por aqui ainda mora uma lágrima oprimida e sábia
Por aqui há uma prestigiadora flor que plantei no Mar da ilha

É inatingível o pensamento do pintor
Ele é gaivota, lúcido e louco
Que mágoa sentirá no jogo das sombras
Ele é Sol que escorre e tremeluze, tanto, tão pouco

Na mansidão da areia imaginei um radioso Setembro
Pensei ouvir a canção das marés
Sabes?! Sou às vezes a plenitude da paixão
Tenho numa mão o coração e na outra de novo o coração

Vi num abraço o mar lavar a areia
Vi gaivotas tecendo no céu bonanças
Vi um lírio cantar no vento
Vi o caminho para um novo tempo

E de repente as nuvens ficaram alvas, escorrentes
E de repente esqueci a maldade da gente
No toque de duas hesitantes e afagadoras mãos
Senti que há gente linda, que sente

O coração do poeta estremeceu de realidade
Por isso o poeta plantou uma realidade onde a felicidade mora
Sonhei um sonho lindo com uma criatura de profundo sorriso
Chamei-lhe...Gentil Professora...

1 comentário:

Geo disse...

Ah Profeta! Como faz falta aprender... e tantos com tanto a ensinar. Estou particularmente num momento muito sensível por falta... Falta de compartilhar visão, abrigo, condição, palavras... e ver a realidade bem pintada em algures é como estar em casa. Felizes são os que ainda aprendem e feliz eu fico em ter ainda muito o que aprender.
Seu poema é muito suave, como que a acariciar num gesto de gratidão a quem lhe ensina, a vida!

Bj

Geo