quinta-feira, 7 de agosto de 2014

NÃO ME PERGUNTEM PELO AMOR


Entre palavras e o rumor azul de mar
Dançam estrelas breves dos teus olhos
Cai uma murmurante lágrima dos sonhos teus
Ai se falassem estas mãos, diriam que afagam Deus

Qual é a cor dos teus sentires
Porque olhas para trás ao partires
Porque é translúcida a tua forma de querer
Porque os olhos da minha alma se fecham para não ver?

As mãos do amor ferido são trémulas
Se tocares no basalto arderão no acender da lava
Uma sarça ardente cobre teu suave peito
Não tenho manhas, sou tão ingénuo e puro, pró amor não tenho jeito

Nasci na ilha
Percorri vezes sem conta as estações
Apartei-me de muitas primaveras
Pensei saber tanto, já nem sei quem eras

Nunca esculpi na pedra um anjo
Às vezes regresso à inocência de sorridentes segredos
Nunca beberei os Outonos nas tuas mãos
Ninguém me aprisionará na baia de todos os medos

As gaivotas não cantam como o mar, sabias?
Imaginei uma distância infinita nas tuas ultimas palavras
É tão triste quando uma Mulher se levanta de manhã sem amar
Nas gerações da chuva encontro pronuncio de um chegar

Parti...
De gente mascarada de ódios eternos e pobres
Cheguei a uma baia do silencio
Onde Deus acha que são as minhas palavras brancas, nobres

Chegarei sempre a lugares imensos
Esta cabeça, esta alma, tanto querer
Não tombarei com o orvalho gerado da bruma
Sou pássaro que não precisa de olhos para ver

E de viagem para Santa Maria onde me estimam e querem
Serei Escravo da Cadeinha, escrevi para almas sentirem
Meu coração chorará com os meus atores vestidos das palavras deste homem
Quero que subam o cruzeiro, lavrei letras, senti, rezem


Foram tempos de desocultos fascínios estes
Há vidas, há campos, há terra onde não medra nem uma flor
Deixo no teu cabelo uma cintilante coroa e...Não Me perguntem pelo Amor...

1 comentário:

Janice Adja disse...

Perguntar pelo amor é não querer obter uma resposta. rsrsr
Belo poema.
Beijos!!